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13 Setembro 2018

Inspirado Pela Cruz

Escrito por  OFMConv-Notícias

A oração de Francisco de Assis diante do Crucifixo não começa com “Ai de mim” ou alguma triste miséria do coração. Em vez disso, concentra-se na glória e sublime beleza de Deus: altíssimo e glorioso Deus. Apenas dizendo as palavras com um espírito de louvor, meu coração se torna mais leve. Sinto-me como se estivesse envolvido na gloriosa presença de Deus! A oração começa – como toda boa oração deve começar – com palavras de adoração. A adoração tem um jeito de tirar-me da minha autorreferencialidade e ansiedade. A própria adoração ajuda a iluminar a escuridão do meu coração.

Agrada-me que Francisco use a palavra coração em vez de mente quando ora, “ilumine as trevas do meu coração”. A palavra mente leva-me muito à minha cabeça. E esse não é o verdadeiro São Francisco. “Coração” é muito São Francisco. O coração sugere as complexidades do amor humano e o mistério do anseio mais íntimo de alguém – com todas as suas alegrias e tristezas.

 

A visão do amor ardente de Cristo

Francisco, naturalmente, tinha um coração muito sintonizado com o mistério do amor transbordante de Deus. Uma vez, enquanto rezava em um lugar solitário, Francisco teve uma visão de Cristo olhando para ele da cruz com um amor tão intenso e ardente que “sua alma se derreteu”, segundo seu biógrafo, São Boaventura. Só podemos acreditar que, após este evento de derreter a alma, cada vez que Francisco orou diante de um crucifixo, ele experimentou um derramamento similar do incrível amor de Deus.

E quando Francisco pede em sua oração, “Dai-me uma fé reta”, essa fé, de alguma forma, implicaria essa mesma visão transformadora do coração do amor transbordante de Deus, um amor pelo qual Deus nada retém de nós! Esse é o tipo de fé correta que Francisco – assim como você e eu – solicitamos nesta oração. E essa fé reta, que é o cerne glorioso da autorrevelação de Deus, não ilumina a escuridão de nossos corações?

Em seguida, São Francisco pede na oração por “esperança certa” que deriva da “fé reta”. E onde há um lugar melhor para encontrar essa esperança segura do que na ressurreição de Jesus? Os discípulos literalmente testemunharam a esperança certa quando o Cristo Ressuscitado apareceu para eles naquele primeiro domingo de Páscoa. Eu penso especialmente no apóstolo Tomé. O Ressuscitado iluminou de tal maneira o coração obscurecido pela dúvida deste apóstolo que Tomé, em adoração, proclamou sem hesitação “Meu Senhor e meu Deus!” (cf. Jo 20,28).

Isso possibilita que São Francisco responda ao amor de Deus com o mesmo tipo de generosidade total. Francisco ainda pede a Cristo “sensibilidade e conhecimento, a fim de que eu cumpra o vosso santo e veraz mandamento”. Esse “mandamento” é realmente o plano glorioso de Deus para que todos os filhos de Deus perseverem no amor de Cristo e um dia ressuscite com Cristo no abraço amoroso de Deus.

 

A Cruz de São Damião

Documentos franciscanos do século XIII indicam que o crucifixo diante do qual São Francisco rezava essa oração não era outro senão o famoso crucifixo na pequena capela de São Damião, perto de Assis. Este amado crucifixo, conhecido pelos seguidores de São Francisco em todo o mundo, é conhecido como a Cruz de São Damião.

O corpo de Cristo, tal como pintado nesta cruz, não é sangrento ou torcido em angústia. Em vez disso, seu corpo é bastante luminoso, como se já estivesse ressuscitado, irradiando a plenitude de Deus. Em vez de uma coroa de espinhos, esta imagem de Cristo tem uma auréola gloriosa. Seu corpo, com os braços estendidos, parece estar subindo para o céu. Em resumo, a imagem sugere claramente o Jesus ressuscitado.

Se, de fato, era essa a imagem de Cristo sobre a qual São Francisco estava olhando quando esta oração surgiu em seu coração, faz sentido que Francisco se dirigisse a Jesus como “Altíssimo e glorioso Deus!”

Óh, glorioso Deus do amor transbordante, ilumine as trevas do meu coração!

 

Oração de Francisco Antes do Crucifixo

Altíssimo, glorioso Deus,

iluminai as trevas do meu coração,

dai-me uma fé reta,

uma esperança certa

e uma caridade perfeita;

sensibilidade e conhecimento, Senhor, a fim de que eu cumpra

o vosso santo e veraz mandamento. Amém.

 

 

Este artigo é o primeiro de uma série do site Franciscanos sobre “A Cruz na Mística Franciscana”.

Via: Franciscanos. Autor: Frei Jack Wintz.

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