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17 Abril 2018

Frei Casimiro: a caminhada franciscana e o seu amor pela formação em seus 40 anos de ordenação

Escrito por  OFMConv-Notícias
Frei Casimiro: a caminhada franciscana e o seu amor pela formação em seus 40 anos de ordenação Foto: PASCOM Convento-Santuário "Jardim da Imaculada" // Arte: Cúria Provincial

No aniversário de ordenação do Frei Casimiro Cieslik, o procuramos para conversar um pouco de seu amor pela formação que tanto marcou a sua trajetória no trabalho franciscano. Nos respondendo com muito amor e a sua típica cordialidade, ele nos expressou a seguinte mensagem:

“Em poucas palavras, posso dizer que me sinto feliz com a vocação sacerdotal e, sobretudo, dentro da Ordem franciscana. Me cativa muito em São Francisco de Assis o comportamento livre e espontâneo, com naturalidade e simplicidade. Penso eu, um pouco descobri que ele vivia o amor e sabia amar, por isso era tão livre e alegre. Na minha vida, no caminho vocacional tive a graça de ver em meus formadores o quanto eles nos amaram, mesmo que as vezes fossem um pouco exigentes.

Um ano e meio depois de minha ordenação, fui chamado como vice formador dos noviços de nossas duas províncias na Polônia. Eram turmas grandes, até passaram o número de 40 irmãos noviços. Dessas turmas, temos nossos beatos mártires no Peru, Frei Miguel e Frei Zigniew. Eu amava estes jovens noviços, o entusiasmo deles alimentava a alegria em mim e a felicidade do meu sacerdócio franciscano.

Assim, descobri que a arte da formação dos futuros frades e sacerdotes é amá-los. Descobri que devo ser para ele o pai e a mãe ao mesmo tempo. Sentir as dores, angústias, problemas, dificuldades, crises e também anseios, ideais e criatividades, como cada jovem naturalmente tem. Quis que fossem livres e espontâneos e que, assim, amadurecessem a responsabilidade pessoal e comunitária.

Claro que nem foi sempre tudo um mar de rosas, sem cobranças ou aborrecimentos. Nos erros eu pedi as desculpas e exigi também o mesmo da parte deles. O perdão é o bálsamo do amor.

Sei que é difícil ser formador nos seminários. Os superiores não podem designar para formação o frade que não vê nos formandos a alegria da vocação. Pois este precisa ajudar no amadurecimento da vocação e na decisão bastante segura, para que o formando possa livremente dizer que "é isso que quero de todo o meu coração"; e essa decisão deve ser feita por amor.

Formador não é como um 'preenchedor de lacunas" no seminário ou estar ali porque foi obrigado pelo superior. No entanto, esta função se aproxima mais das características familiares de ser pai e mãe, pois eles amam seus filhos e não se queixam sobre o porquê deles terem vindo como filhos. Muito pelo contrário, para eles os filhos são queridos e os maiores tesouros de sua casa.

Não quero moralizar, mas temos que entender também uma coisa: os jovens candidatos, postulantes, noviços e como frades estudantes, seja da filosofia ou teologia, são o tesouro da Província. A nossa Província tem muitos frades jovens que queriam ser formadores por amor. É neles onde está a nossa esperança.

São Francisco de Assis acolheu cada novo jovem batendo à porta do convento que chegou como o Espírito Santo. Se não o acolhesse com amor, estaria mandando embora o próprio Espírito de Deus. Caso contrário, acabariam morando no convento somente os frades sem amor. Vale a pena pensar sobre a recente Carta do nosso Ministro Provincial, Frei Marcelo Veronez, quando escreve que os candidatos são como vinho novo e o convento tem acolhê-los nos odres novos dos corações de frades já um pouco mais velhos, mas com amor.”  

 

Caminhada Franciscana

Casimiro Cieslik nasceu no dia 12 de dezembro de 1951 no condado de Kamień, na Polônia. Em 1971, formou-se noviciado no que viria a ser uma larga caminhada no serviço franciscano. Depois da ordenação, ele trabalhou na paróquia da cidade de Gdynia. 

Sua primeira experiência na liderança dos noviços foi em agosto de 1980, como vice-mestre na Província de Varsóvia, no pequeno povoado de Smardzewice. No mesmo mês no ano de 1986, atuou como mestre dos postulantes, noviços e junioristas (pós-noviços) no Santuário-Mosteiro de Niepokalanów, ainda na Polônia.

Já em 15 de janeiro de 1990, no dia de sua despedida para a Missão ao Brasil, ele disse aos seus pupilos, “vou ao Brasil porque amo a formação e quero ajudar os muitos jovens brasileiros em sua vida religiosa”, mesmo que fosse difícil deixar o seu trabalho em seu país natal. 

Já em terras tupiniquins e morando na Asa Norte (Brasília), onde ele, juntamente com Frei João Wilk, decidiu iniciar o Seminário. Na época, era vice-reitor, e João, o reitor. No ano de 1992, assumiu a formação com a ajuda do então pároco do Santuário São Francisco, o Frei Miecislau Tlaga.  Sendo aqui os primeiros passos na organização do futuro Instituto São Boaventura, onde Frei Casimiro se tornou o primeiro reitor do ISB até fim do ano 1995. 

Ainda em 1995, no dia 15 de dezembro ele foi nomeado mestre do noviciado no Convento São José, em Niquelândia (GO), ficando nesta função até 31 de janeiro de 1999. Após isto, em fevereiro do mesmo ano e até fevereiro do ano seguinte, ele assumiu como mestre dos noviços no Convento-Paróquia São Maximiliano Kolbe, em Águas Lindas de Goiás. Retornando para formação dos noviços em Águas Lindas de 2005 até 2007. Desde dezembro de 2015 atua como diretor espiritual nos nossos três seminários e vice-formador dos postulantes. 

 

Saiba como foi a Santa Missa em Ação de Graças aos 40 anos de ordenação do Frei Casimiro e aos 50 anos do Frei Marcos Pereira da Silva, aqui

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