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28 Mai 2018

27 de maio: Dia do Pro Orantibus, “Monges e freiras devem ser profetas, não cortesãos, devem ser inquietos e inconformistas, insatisfeitos consigo mesmo" disse o Papa Francisco

Escrito por  OFMConv-Notícias

Como todos os anos, neste domingo 27, na festa da Santíssima Trindade, a Igreja celebra o Dia "Pro orantibus” (do latim “para aqueles que oram”), dedicado à vida contemplativa. Com o lema: "Eu só quero que você olhe para Ele”, palavras de Santa Teresa de Jesus, este dia tem o propósito de orar pelos monges e pelas freiras, para tornar conhecido este carisma presente na Igreja desde os primeiros séculos do cristianismo e também expressar o reconhecimento e gratidão pelos irmãos e irmãs que no mundo são sentinelas da esperança.

No dia 22 de maio de 2017, o Papa Francisco recebeu o Capítulo Geral das Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre. Embora esta congregação não seja uma vida contemplativa, as palavras que o papa dirigiu às religiosas podem ser aplicadas à vida contemplativa neste dia "Pro orantibus". O Papa, que encorajou as irmãs piedosas a viverem sua vocação com uma autêntica alegria. Como o centro da vida consagrada, pediu-lhes que não se unissem aos "profetas dos infortúnios", mas que, como testemunhas do Reino, "despertarem o mundo e iluminarem o futuro, sempre com o sorriso, com alegria, com esperança”. O papa pediu para que vivessem "a profecia da alegria de que o mundo precisa", aquela autêntica alegria que "é o testemunho mais crível de uma vida plena".

A vida contemplativa deve transmitir ao nosso mundo a alegria do Senhor ressuscitado, com uma alegria que não podemos inventar, como disse o Papa. É por isso que os monges e freiras, lembrando as palavras do Papa Francisco, devem transmitir essa alegria "que enche nossos corações" e que "se manifesta em nossos rostos", a fim de irem a todos os lugares. O Papa nos convida a descobrir em Jesus a nossa alegria, uma alegria que "afasta de nós o câncer da resignação, fruto da preguiça que torna a alma árida". É por isso que nunca podemos cair na "tentação da sonolência como os apóstolos no Getsêmani, nem no desespero", mas devemos sempre ser "sentinelas para anunciar o amanhecer".

Adaptando uma oração de Florentino Ulibarri, o Dia "Pro orantibus" ajudará os monges e monjas a se apresentarem diante do mundo como discípulos do Senhor, não como mestres; mas irmãos um dos outros, não como escravos; mas caminhantes e peregrinos, não como pessoas sedentárias, gentrificadas e sem ilusões; servidores e não chefes. Neste dia devemos mostrar à nossa sociedade que a vida monástica é sempre uma forma de liberdade para homens e mulheres que querem ser crentes e não pessoas; buscadores da verdade, não de certezas; criadores; poetas, não pragmáticos; homens e mulheres de sonhos e memória, não de títulos.

Orações e boas-vindas devem fazer monges e monjas profetas, não cortesãos; inquietos e inconformistas, não satisfeitos consigo; pessoas livres, não advogados; Pessoas abertas a novos horizontes, não instaladas ou fechadas em egoísmo, nem em desgraças. Os monges e freiras também devem ser semeadores, não colecionadores; testemunhos, não inquisidores; irmãos no caminho da vida, não inimigos ou adversários.

Os monges e freiras querem encontrar pessoas, homens e mulheres com entranhas de ternura para curar as feridas dos irmãos. Queremos ser fiéis à promessa e à esperança, abertos à presença e à paciência, com missão e envio, testemunhas da compaixão, da oração, da fidelidade e da misericórdia, sempre prontos a acolher os que vêm aos mosteiros e transmitir a esperança e alegria da Páscoa. Só assim, vivendo a alegria de serem irmãos e irmãs uns dos outros, monges e monjas, serão testemunhas do Reino, para "contemplar o mundo com o olhar de Deus”.

Quando, em 20 de abril desse ano, o Papa Francisco recebeu os monges beneditinos da Confederação Beneditina, por ocasião do 125º aniversário da fundação desta Ordem, lembrou-lhes que os mosteiros devem ser "oásis onde todos os homens e mulheres podem descobrir a beleza do silêncio e encontrar-se, em harmonia com a criação". É por isso que os mosteiros, que devem ser escolas de humanidade, precisam acolher os convidados, os peregrinos e também os turistas que nos procuram, para que possam fazer uma experiência com Deus.

Também este ano, o Dia "Pro orantibus" é enquadrado pela instrução "Corais" da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Este texto, aprovado pelo Papa Francisco em 25 de março, visa atualizar a vida contemplativa feminina, com a aplicação de questões que afetam a vida e a formação de comunidades monásticas femininas.

Como disse o padre Josep Mª Soler, prior de Montserrat, "a vida do monge em si mesma é uma parábola", já que "Deus fez dos monges um símbolo do novo mundo através do louvor, da fraternidade evangélica, de compartilhar os bens, de receber o outro, de perdoar". Este é o objetivo deste dia: compartilhar com nosso mundo o carisma contemplativo de monges e freiras.

 

(Traduzido de: Periodista Digital. Autor: Josep Miquel Bausset, monge de Montserrat)

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