800 anos do Cântico das Criaturas

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800 anos do Cântico das Criaturas

     Em 2025, a Igreja e a Família Franciscana celebram os 800 anos do Cântico das Criaturas, também conhecido como Cântico do Irmão Sol, composto por São Francisco de Assis por volta de 1224–1225, no dialeto da Úmbria, na Itália. Considerado uma das primeiras obras literárias em língua italiana de autor conhecido, este hino expressa louvor, gratidão e fraternidade com toda a criação, revelando a espiritualidade franciscana que reconhece o mundo não como objeto de exploração, mas como reflexo do amor de Deus.

     As comemorações do jubileu tiveram início em Assis, no Santuário de São Damião e na Basílica do Despojamento, com celebrações de oração, canto e reflexão sobre o carisma de Francisco. A iniciativa se espalhou por todo o mundo. Na Polônia, um comitê especial organiza celebrações centrais e locais; na Alemanha, frades poloneses plantaram 800 carvalhos como sinal de gratidão e compromisso com o cuidado da criação; em Portugal, a Província Franciscana promove encontros e reflexões que unem espiritualidade, diálogo inter-religioso e ecologia.

     No Brasil, também são muitas as iniciativas. O Santuário de Canindé, no Ceará, reinstalou uma histórica tela de São Francisco na Casa dos Milagres como parte das comemorações. No Rio de Janeiro, o Convento Santo Antônio abriu o claustro para uma celebração especial, recordando o vínculo profundo do santo com a natureza. Em Belém do Pará, um simpósio reuniu estudiosos e fiéis para refletir sobre a atualidade do cântico, e a Conferência da Família Franciscana do Brasil preparou materiais que ajudam a rezar e compreender cada parte do texto.

     Mais do que um poema antigo, o Cântico das Criaturas é um texto revolucionário e profético, que propõe uma visão de respeito, cuidado e integração com todas as formas de vida, antecipando uma consciência ecológica que hoje se torna urgente. Nele, Francisco chama de irmãos e irmãs o sol, a lua, a água, o fogo, a terra e até mesmo a morte, lembrando que todos fazemos parte da mesma criação. Essa espiritualidade inspirou séculos mais tarde a encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, que retoma o cântico como ponto de partida para a reflexão sobre a ecologia integral e o cuidado com a Casa Comum.

     Celebrar os 800 anos do Cântico das Criaturas é, portanto, renovar a esperança diante de tantas crises ambientais e sociais. É reconhecer a beleza do mundo criado e assumir a missão de cuidar dele com responsabilidade, gratidão e fraternidade universal. Assim como Francisco cantou no Monte Subásio, lugar tão ligado à sua memória e ao carisma franciscano, também hoje somos convidados a entoar esse mesmo hino de louvor e compromisso, certos de que, ao louvarmos a criação, glorificamos o Criador.