ㅤㅤBelém do Pará, na Amazônia brasileira, e todo o planeta acompanham a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP 30. A COP é um evento de importância global, realizado anualmente, que reúne líderes, autoridades e representantes de nações de todo o mundo para discutir e tomar medidas em relação às mudanças climáticas. A Conferência funciona como um fórum crucial para a negociação de acordos e a definição de estratégias para lidar com as crescentes preocupações ambientais.
ㅤㅤSão 145 temas em negociação, entre a agenda formal (que exige consenso nas decisões) e a agenda informal (que não obriga aos países, mas serve para marcar posições. Nas duas semanas de duração, os países da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) estão com delegações enormes (como a do Brasil, da China e do Congo), médias (como a da Colômbia, da Turquia e da Austrália), pequenas (como a do Vaticano, da Namíbia e do Uruguai), além de centenas de observadores, formado por organismos internacionais, organizações não governamentais e muita outra gente. As negociações ocorrem em uma Zona Azul, costeada por uma Zona Verde, onde há uma quantidade enorme de atividades, como palestras e exposições de inúmeros grupos. É uma Torre de Babel, mas o inglês, como uma espécie de língua franca, é o modo de comunicação mais frequente.

ㅤㅤA Igreja Católica está presente com diversas organizações, nas duas Zonas, com um grupo de atores e organizações, que tem dialogado entre si, e com a Delegação da Santa Sé, na medida de suas competências, comprometidos com o legado da Doutrina Social da Igreja e do magistério do Papa Francisco e do Papa Leão XIV, que enviou duas mensagens para a COP 30 e para os Cardeais presentes.
ㅤㅤHá muita pressão sobre os negociadores para resultados concretos e que possam ser capazes de evitar o chamado colapso ecológico. Enquanto há muitos tentando fazer o máximo para se comprometer o mínimo, há um grupo, liderado pela liderança Brasileira da COP, Embaixador André Corrêa do Lago, que buscas soluções para os impasses e o destravamento das principais questões: financiamento climático, redução ou fim dos combustíveis fósseis, medidas de mitigação e adaptação climática, proteção dos mais vulneráveis, especialmente dos povos tradicionais e indígenas, além de mecanismos de redução da emissão de carbono (como as NDCs – Contribuições Nacionalmente Determinadas), e de transparência, sob o manto de um multilateralismo que se encontra com dificuldades em muitos assuntos, e não apenas no clima.
ㅤㅤÉ muito provável que o balanço dobre esta COP apenas seja possível nos próximos meses. Até o seu fim, há a certeza que temos que nos esforçar, como pessoas, comunidades, cidades, regiões, países e sociedades, ou teremos anos futuros com mais crises climáticas e clima extremo, que, como tudo, afetará ainda mais, a Casa Comum e a Criação.