“Esperando alguém, que já vem, que já vem!, esta frase pertencente à música Pedro pedreiro, mostra ou apresenta a mística essencial do Advento, a espera e a ânsia do encontro de Alguém que vem para dar um sentido pleno à nossa vida”, destaca o bispo de Campos (RJ), dom Roberto Francisco Ferreria Paz, em artigo publicado no portal da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
E é neste clima de expectativa da “chegada” que se vivencia um dos mais significativos momentos litúrgicos da Igreja, a celebração do Natal que festeja o nascimento do menino Jesus em Belém. Mas antes disso, durante os quatro domingos que antecedem a comemoração da vinda do Filho de Deus entre os homens, a liturgia convida os fiéis a se prepararem. O tempo litúrgico do Advento é cheio de simbolismo e cada um dos seus elementos tem um significado.
Um desses elementos é a Coroa do Advento que tem sua forma circular – simbolizando a eternidade de Deus, que não possui início nem fim; feita de ramos verdes – que significa a continuidade da vida, a esperança; com 4 velas: geralmente, três velas são roxas e uma é rosa e fitas vermelhas, a coroa do Advento é considerada, tradicionalmente, como “o primeiro anúncio do Natal”.
De acordo com o portal Aleteia, embora possam ser usadas velas brancas, o tradicional é usar três velas roxas e uma rosa. A cor roxa é a própria do Advento e recorda a vigilância na espera do Cristo que vem. Já a vela rosa deve ser acesa no terceiro domingo do Advento, chamado de “Domingo Gaudete”. A palavra “gaudete”, em latim, significa “alegrai-vos”. Ainda segundo o portal, essa vela procura evocar a alegria da chegada à metade do Advento, o que recorda que o Natal já está bem próximo. Além disso, cada uma delas tem um significado:
1° Encarnação, Jesus Histórico;
2° Jesus nos pobres e necessitados;
3° Jesus nos Sacramentos;
4° Parusia: Segunda vinda de Jesus.
A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), explica que a Coroa do Advento é um sinal rico de significado durante o Tempo Litúrgico do Advento. Segundo a Comissão, embora não seja símbolo da liturgia oficial da Igreja Católica, como se vê a partir de alguns relatos que apresentam sua origem na tradição pagã europeia, particularmente germânica, que durante o inverno acendia velas para representar o fogo do deus sol, a fim de que voltasse logo com seu fogo e calor, seu uso foi cristianizado pela devoção popular cristã e vem, cada vez mais, sendo acolhido em nossas comunidades, capelas e igrejas paroquiais. Tornou-se, além disto, um lindo sinal que muitas famílias vêm incorporando na ornamentação de suas casas, em preparação para a Solenidade do Natal de Jesus.
Para dom Roberto Ferreria Paz, “o mistério cristão, que celebramos no Natal o Deus Emanuel, o Deus Conosco, que vem armar a sua tenda no meio de nós, desperta em nossos corações o desejo de amar e de acolher o novo que está nascendo, as surpresas de um Deus que não se repete, e que abre inusitados caminhos de aliança e de paz”.
A oração de bênção da coroa do Advento:
Senhor,
a terra se alegra nestes dias,
e tua Igreja transborda de gozo
diante do teu Filho, nosso Senhor,
que chega como luz esplendorosa,
para iluminar os que jazem nas trevas
da ignorância, da dor e do pecado.
Repleto de esperança em tua vinda,
teu povo preparou esta coroa
e a enfeitou com carinho.
Neste tempo de Advento,
de preparação para a vinda de Jesus,
nós te pedimos, Senhor, que,
enquanto cresce a cada dia
o esplendor desta coroa,
com novas luzes,
que Tu nos ilumines
com o esplendor daquele que,
por ser a Luz do mundo,
iluminará toda escuridão.
Ele que vive e reina
pelos séculos sem fim.
Amém.
Fonte: CNBB.
O Deus vivo, a quem nós, cristãos, recorremos, não é simplesmente a primeira pessoa divina “Deus-Pai”, sem levar em conta as outras duas: Filho e Espírito Santo. O único Deus é aquele citado pela Bíblia, "Eu Sou!". O Pai gera o Filho e, com Ele, exala o Espírito, comunicando-lhes toda a sua divindade. O pregador oficial da Casa Pontifícia, padre Raniero Cantalamessa, fez na manhã desta sexta-feira (14), na Capela Redemptoris Mater no Vaticano, sua segunda meditação de Advento, na presença do Papa e da Cúria Romana.
Este ano, o tema das pregações é extraído do Salmo "A minh’alma tem sede do Deus vivo"! Ao explicar a temática proposta para o período de Advento, o frade Capuchinho afirmou que "os homens do nosso tempo buscam, com insistência, sinais da existência de seres vivos e inteligentes em outros planetas, mas poucos se esforçam em descobrir sinais da existência do Ser vivo por excelência, que criou o universo, que entrou na nossa história e vive conosco”. No entanto, disse o Pregador, na Igreja, estamos sempre atarefados, com problemas para resolver, desafios para se superar. Por isso, “corremos o risco de perder de vista a nossa relação pessoal com Deus".
Deus vivo e trino é amor
O Deus vivo, a quem nós cristãos recorremos, não é simplesmente a primeira pessoa divina “Deus-Pai”, sem levar em conta as outras duas: Filho e Espírito Santo. O único Deus é aquele citado pela Bíblia: "Eu Sou!" O Pai gera o Filho e, com ele, exala o Espírito, comunicando-lhes toda a sua divindade. Eis o Deus da comunhão e do amor, no qual unidade e trindade procedem da mesma raiz e do mesmo ato; um não existe sem o outro e nenhum é superior ao outro. Enfim, o Deus vivo dos cristãos é a Trindade viva: "Deus é amor", Deus é trindade! Nisto encontramos a resposta da revelação dada pela Igreja: Deus é amor desde sempre, com o Verbo, o qual amava com amor infinito "no Espírito Santo". Nós cristãos acreditamos "em um só Deus", não em um Deus solitário!
Contemplar a Trindade para superar a divisão do mundo
A Trindade, por definição, é invisível e inefável. O dogma da unidade e trindade de Deus é expresso na frase: "Sejam um, como nós somos um". Todos, portanto, queremos a unidade; todos nós a desejamos do fundo do coração. A Trindade nos mostra o verdadeiro caminho para a unidade, segundo as palavras de Cristo: "Eu estou no Pai e o Pai está em mim". O Filho nos ensina a gritar Abba, Pai! O Espírito Santo nos ensina a clamar: "Jesus é o Senhor! E a invocar": Maranathà, “Vem, Senhor Jesus”. Contemplar a Trindade nos ajuda a vencer "a odiosa discórdia do mundo". O primeiro milagre que o Espírito fez em Pentecostes foi fazer dos discípulos "um só coração e uma só alma".
Entrar na Trindade
O que mais nos torna felizes, em relação à Trindade, é contemplá-la, imitá-la e entrar nela! Não podemos abraçar o oceano, mas podemos entrar nele. Da mesma forma, não podemos abraçar o mistério da Trindade, mas podemos entrar nele, através da Eucaristia. Na comunhão realiza-se o significado da palavra de Cristo: "Quem me vê, vê o Pai, quem me recebe, recebe o Pai”. O Pregador da Casa Pontifícia concluiu sua segunda meditação de Advento afirmando: “A Trindade não é apenas um mistério da nossa fé, mas uma realidade viva e palpitante: o Deus vivo, a Trindade viva”!
Fonte: Vatican News. Autor: Manoel Tavares.
As comunidades eclesiais, ao longo do ano litúrgico, fazem memória dos mistérios da salvação e, com isso, somos repletos da graça santificante de Deus (cf. SC, n.102). O ano litúrgico é, de fato, um “pedagogo” que conduz nossas comunidades para “beber do manancial da salvação” (Is 12,3). Assim, estamos no início de um ano litúrgico e a liturgia chama esse precioso tempo de Advento. O termo “Advento” (adventus, em latim) significa “vinda”, “chegada”. É uma palavra de origem pagã que indicava a vinda anual de uma divindade ao templo. Passando o termo para o uso cristão, o usamos para nomear este primeiro momento do ano litúrgico.
É um tempo de preparação para as solenidades do Natal do Senhor, memória da sua primeira vinda (Advento histórico) e feliz expectativa da segunda vinda (Advento escatológico) na realização completa do plano salvífico de Deus. A memória de um passado que, no presente, nos leva a contemplar a glória do futuro. O advento é o tempo muito caro, tempo nosso, tempo da sentinela… que deseja acordar o Senhor que parece dormir. O advento é, portanto, o tempo de desejo, aspirações, esperanças e expectativas.
Com isso, pedagogicamente, o tempo do advento pode ser dividido em duas partes.
A primeira parte que vai das vésperas do primeiro domingo até 16 de dezembro, fazemos memória, enquanto esperamos vigilantes, da segunda vinda. Assim, rezamos no prefácio do Advento (I): “revestido da nossa fragilidade, ele veio a primeira vez para realizar seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação. Revestido de sua glória, ele virá uma segunda vez para conceder-nos em plenitude os bens prometidos que hoje, vigilantes, esperamos”.
A segunda parte, de 17 a 24 de dezembro, visa de modo mais direto a preparação do Natal do Senhor (cf. NALC, 42), como rezamos no prefácio previsto para esses dias: “predito por todos os profetas, esperado com amor de mãe pela virgem Maria, Jesus foi anunciado e mostrado presente no mundo por são João Batista. O próprio Senhor nos dá a alegria de entrarmos agora no mistério do seu Natal, para que sua chegada nos encontre vigilantes na oração e celebrando os seus louvores”.
Nesta segunda parte, que são os últimos dias do advento, nas vésperas, as antífonas do Magnificat são especiais; são sete e nos ajudam a aproximarmo-nos do mistério da encarnação do Filho de Deus com admiração, estupor e fé. Segundo Pierre Journel, conhecido liturgista francês, “a liturgia do advento chega ao seu auge com as grandes antífonas”. Todas iniciam com uma exclamação de admiração, em latim ou em português, “Ó”. Por isso, as chamamos de antífonas do “Ó” ou antífonas maiores. Inclusive, em alguns lugares esses dias foram considerados como a “semana do Ó” indicando uma devoção particular a Nossa Senhora do Ó. Parece-nos que eram já cantadas no século VIII, na Gália. Porém, Amalário, bispo de Metz e Trier, no século XI, afirmava que foram compostas em Roma e levadas à Gália. Assim, alguns autores, as atribuem ao Papa Gregório Magno, que morreu em 604.
A beleza e a profundidade teológica destas antífonas querem revelar a personalidade D’Aquele que vem, esperança de Israel e de toda a humanidade. Apropriando-se das antigas imagens bíblicas, estas antífonas enumeram os títulos divinos do Verbo encarnado, os títulos messiânicos do Antigo Testamento: Ele é a “sabedoria que sai da boca do altíssimo” (cf. Sab 7, 28-30; 8,1), o “Senhor” (em hebraico Adonai e em grego Kyrios), a “raiz de Israel” (cf. Is 11,1-2.10; Ap 22,16; Rm 15,12), a “chave de Davi” (cf. Is 22, 20-22; Ap 3,7), o “astro que surge (oriente), esplendor da luz eterna, sol de justiça” (cf. Is 9,1; 42,6; Ml 3,19-20; Lc 1,78-79), o “rei das nações, esperado por todos, pedra angular que une os povos” (cf. Is 28, 16; Sal 118,22; Zc 14,9; Ap 15,3-4), o “Emanuel” (cf. Is 7,14; Mt 1,22), a “esperança e salvação de todos”.
Antes, tais antífonas eram cantadas somente nas vésperas. Agora, o missal de Paulo VI as colocou como versículos da aclamação ao evangelho dos mesmos dias. Aclamar com estes títulos bíblicos o Cristo que nos fala no evangelho, ajudará a fixar o olhar naquilo que estamos celebrando no Advento e Natal, o “Deus conosco” que vem para salvar-nos, tirar-nos da escuridão e libertar-nos do mal. Em seu conjunto, tempos atrás, alguém descobriu que as antífonas formam um acróstico: se tomarmos a primeira letra de cada antífona em ordem inversa no original em latim (Emmanuel, Rex, Oriens, Clavis, Radix, Adonai e Sapientia), forma-se a expressão latina “ERO CRAS”, isto é, “estarei amanhã”, ou “virei amanhã”.
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17 dezembro
O Sapientia
Ó Sabedoria, que saístes da boca do Altíssimo, e atingis os confins de todo o universo e com força e suavidade governais o mundo inteiro: oh vinde ensinar-nos o caminho da prudência!
18 dezembro
O Adonai
Ó Adonai, guia da casa de Israel, que aparecestes a Moisés na sarça ardente e lhe destes vossa lei sobre o Sinai: vinde salvar-nos com o braço poderoso!
19 dezembro
O Radix Iesse
Ó Raiz de Jessé, ó estandarte, levantado em sinal para as nações! Ante vós se calarão os reis da terra, e as nações implorarão misericórdia: Vinde salvar-nos! Libertai-nos sem demora!
20 dezembro
O Clavis David
Ó Chave de Davi, Cetro da casa de Israel, que abris e ninguém fecha, que fechais e ninguém abre: vinde logo e libertai o homem prisioneiro, que nas trevas e na sombra da morte está sentado.
21 dezembro
O Oriens
Ó Sol nascente justiceiro, resplendor da luz eterna: oh, vinde e iluminai os que jazem entre as trevas e, na sombra do pecado e da morte, estão sentados!
22 dezembro
O Rex Gentíum
Ó Rei das nações, Desejado dos povos; Ó Pedra angular, que os opostos unis: Ó, vinde e salvai este homem tão frágil, que um dia criastes do barro da terra.
23 dezembro
Ó Emmanuel
Ó Emanuel: Deus-conosco, nosso Rei Legislador, Esperança das nações e dos povos Salvador: Vinde enfim para salvar-nos, ó Senhor e nosso Deus!
Assim, a Igreja contempla o mistério de um Deus que vem à nossa história e acreditando com esperança nessa vinda, com insistência repete nesses dias, na conclusão das antífonas: Vem! Vinde! Uma ação simbólica em forma de pedido para que a vinda de Deus na nossa vida tenha força sacramental e sacramentalizadora.
Com isso, o advento é um contínuo convite a nutrir-se da espera viva do retorno do Esposo, Cristo, por quem a Esposa, a Igreja, grita: “Vem, Senhor Jesus” (Ap 22,20), invocação que atravessa todo esse período do ano litúrgico e que a liturgia das horas coloca frequentemente nos nossos lábios: “Vem, Senhor, Jesus”; “Vem, Senhor, não demores”; “Vem, Senhor, fica conosco”; “Vem, Senhor, e salva-nos”; “Venha o teu reino, Senhor” (cf. Matias Augé, L’anno litúrgico, p. 210).
Essas antífonas resumem os sinais, as esperanças, as necessidades da humanidade de Israel pela boca dos profetas, mas também dos cristãos e dos homens de hoje: justiça, liberdade, orientação, alegria, unidade, paz e sabedoria… Expressar a Deus esses desejos é a sacramentalidade do tempo do advento.
Portanto, tais antífonas não deveriam passar despercebidas nesses dias, sobretudo, para aqueles que não têm o hábito de celebrar a liturgia das horas. Devemo-nos aproveitar delas, pois a teologia e a espiritualidade presentes ajudam a aumentar a nossa fé, justamente porque aquilo que a Igreja ora é aquilo que a Igreja acredita. Rezar ou cantar tais antífonas pode nos ajudar a entrar melhor no clima do Natal e a dar entonação cristológica e eclesiológica à festa que se aproxima.
Fonte: Centro de Liturgia. Autor: Frei Luis Felipe C. Marques (OFMConv.). Mestre em Teologia Sacramental. Membro do Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard.
A Ordem dos Frades Menores Conventuais é a Ordem religiosa fundada por São Francisco de Assis.