No sábado, 22 de setembro, em Pequim, o Vaticano e a China selaram um acordo histórico para a nomeação de nomeados pelo regime chinês durante as últimas décadas e também para um estreitamento das relações com o intuito de uma maior colaboração bilateral. O acordo, assinado pelo subsecretário para as Relações Internacionais do Vaticano, Antoine Camilleri, e o vice-chanceler chinês, Wang Chao, é a maior aproximação diplomática de que o relacionamento havia sido rompido em 1951, quando Mao Tsé-tung expulsou o núncio apostólico e os missionários católicos da República Popular.
Num primeiro momento, o acordo eclesial e não político, fim de apoiar o anúncio do Evangelho na China, consiste no reconhecimento pelo Papa de 7 dos 60 bispos ordenados sem Mandato Pontifício em mais de 6 décadas: S.E. Dom Giuseppe Guo Jincai, S.E. Dom Giuseppe Huang Bingzhang, S.E. Dom Paolo Lei Shiyin, S.E. Dom Giuseppe Liu Xinhong, S.E. Dom Giuseppe Ma Yinglin, S.E. Dom Giuseppe Yue Fusheng, S.E. Dom Vincenzo Zhan Silu e S.E. Dom Antonio Tu Shihua (O.F.M), falecido em 4 de janeiro de 2017 e, antes de morrer, havia expressado o desejo de se reconciliar com a Sé Apostólica.
Desta forma, chega assim ao fim uma etapa em que duas Igrejas paralelas conviviam: a oficial (controlada da Associação Católica Patriótica) e a clandestina (pelo Vaticano). Pequim considerou até hoje uma ingerência que as nomeações viessem de Roma, e não reconhecia a autoridade do Papa como chefe da Igreja Católica. A Santa Sé, por sua vez, não aceitava que esses bispos fossem impostos pelo regime comunista, algo que não acontece em nenhum outro país. As duas Igrejas passarão agora a ser uma só, e a última palavra sobre os bispos, supõe-se, será do Pontífice. Entretanto, a decisão será tomada conjuntamente, seguindo propostas de Pequim. O acordo, cujo conteúdo não foi publicado, é provisório e será periodicamente revisado e aperfeiçoado, informou a Santa Sé em nota oficial.
Dar novo impulso à evangelização na China
A este objetivo particular estão ligados outros de caráter pastoral geral: dar novo impulso ao compromisso de evangelização; ajudar os católicos no caminho da reconciliação e da progressiva normalização da sua vida de fé; contribuir, com a luz do Evangelho, para o bem do próprio país, de acordo com o princípio "plenamente católico e totalmente chinês".
Outro aspecto importante é que as Partes concordaram sobre a importância de seguir o método de "composição amigável" na resolução de quaisquer divergências que surjam na interpretação e na aplicação do Acordo Provisório sobre a nomeação de Bispos. Para a Santa Sé, é fundamental que todos entendam e estejam convencidos de que o que foi feito é para o benefício de todos, é para o bem espiritual dos Católicos na China e para o bem do Povo Chinês.
Fontes: El País, Vatican News aqui, aqui e aqui.
“Isto é o meu corpo dado por vós”. Palavras de Jesus que chamam minha atenção durante a celebração da Eucaristia com os confrades chineses no 31º andar de um moderno apartamento em Xi’an, capital da província de Shaanxi: “no fundo – penso – todos os grandes desafios nascem daqui, de um corpo dado para outros corpos”.
Assim, em nome dos frades da Custódia de Assis, tive poucos dias à disposição para uma visita fraterna, de 31 de janeiro a 06 de fevereiro. Dias intensos iniciados com um capítulo conventual, um dos primeiros depois da elevação canônica desta casa em comunidade franciscana conventual, sabiamente conduzida pelo primeiro guardião Frei Paulo Liu e bem participada pelos outros frades presentes: Frei Paulo Fan e Frei Antônio Tang; sendo de família junto ao mesmo convento, Frei Paulo Wu, Frei Pedro Zahao e Frei Mateus Li, delegado do guardião; e alguns residentes na casa filial Santo Antônio em Luoan, também estiveram presentes.
Como deve ser um tempo dedicado para exercícios espirituais, tivemos dias ricos e tranquilos. O tema da meditação era “os desafios da comunidade e do viver em comunidade”. E neste, consideramos os elementos essenciais de uma comunidade franciscana conventual: carisma e estrutura intimamente associada, sadia tensão entre fidelidade ao carisma e atualização na história, a importante referência ao Sacro Convento como ponto de equilíbrio enquanto custódia e promoção do corpo-carisma de São Francisco, segundo indicação da Mãe Igreja e na escuta do mundo contemporâneo.
Depois, colocamos ao centro os dois maiores desafios de uma comunidade religiosa: ser no mundo, mas não ser do mundo, com o paradoxo de que uma comunidade franciscana conventual é mais incisiva no mundo na medida em que vive separada afetivamente e efetivamente; caminhar na via de Deus e não dos homens, com o paradoxo de que uma comunidade franciscana conventual é mais significativa e incisiva no mundo na medida que caminha na via da minoridade (nenhum poder, nenhum privilégio).
A verdade destes desafios aparece quase que, obviamente, na realidade dos nossos frades na China, onde a perspectiva parece ser próprio àquela de uma comunidade colocada “no meio” da Igreja e do mundo, “juntos” a esses, “necessitados” desses como necessita um pobre e marginalizado. Neste sentido, na Igreja e no mundo não faltará a oportunidade de aprender com os franciscanos um estilo, feito de partilha, fraternidade, simplicidade e caridade evangélica.
Com isso, encontramos três desafios possíveis ao frade no viver a comunidade: é preciso procurar aquilo que agrada a Deus nos dias de hoje, vigiando a tentação do prestígio intelectual; ter contato com a própria dificuldade e estabelecer relações sadias e profundas, vigiando a tentação do poder religioso; ter cuidado com a procura por estimas pessoais, vigiando a tentação do sucesso religioso. O frade retamente motivado que é colocado numa comunidade chinesa “vive o perene caminho em direção a casa de Deus, assume a tensão da fidelidade criativa do carisma de são Francisco, busca a paciência, evita perturbar-se, vendo em cada situação alguma coisa que abra espaço para a dedicação ao evangelho”.
Assim, concluindo a nossa visita fraterna, nos últimos dias tivemos a oportunidade de colocar no papel os passos sucessivos e necessários para o caminho da comunidade franciscana na China. Não faltou a possibilidade de entrar na vida do cotidiano chinês com algumas visitas significativas para a conhecer a história, a cultura e as tradições locais. Aos confrades em Assis, trago o agradecimento dos confrades chineses pela proximidade sempre presente. Aos confrades na China, dirijo uma saudação cordial, trazendo-os no coração e nas orações como prometido. A Deus, um profundo agradecimento por ter-me envolvido de vários modos e tempos na história do “projeto China”.
A Ordem dos Frades Menores Conventuais é a Ordem religiosa fundada por São Francisco de Assis.