Frei Emanuel Afonso

  • Ecos da última ceia: A contradição do abaixamento
    Semana passada em Roma, mais especificamente na “Domus Sanctae Marthae”,para quem gosta de um bom latim, aconteceu um evento onde estavam reunidos governo e oposição do Sudão do Sul no Continente Africano. Este foi um evento acolhido pelo Papa Francisco no seu desejo de colaborar com as iniciativas de paz no mundo, onde quer que elas aconteçam; porém o Papa não é ingênuo, sabe que estes esforços frequentemente caem no esquecimento ou são descumpridos. Diante disto, ele resolveu apoiar uma intermediação diplomática, como é acostume acontecer, vale ressaltar a grande vocação diplomática da Santa Sé. Mesmo assim, ele sabe igualmente que a diplomacia sozinha talvez não seja eficaz; e o retiro que aconteceu uma semana antes da Grande Semana era para marcar um inicio ao processo de paz, que como se sabe terá lugar em maio próximo, um capitulo importante no contexto daquele país. Estas palavras antes colocadas, são um pequeno preludio para o que se segue. E o que se segue trata-se de um gesto, diríamos profético do Papa Francisco em se ABAIXAR e beijar os pés dos lideres Sul sudaneses num eloquente pedido de paz, mais do que isso, um gesto que “exige” dos líderes e de todos aqueles que de alguma maneira tem responsabilidades sobre os mais vulneráveis, se empenhem em iniciativas concretas para que a paz não seja somente um acordo diplomático, mas uma realidade visível em favor do progresso dos povos, como bem afirma o grande Papa e santo Paulo VI na Populorum Progressio: “O desenvolvimento dos povos, especialmente daqueles que se esforçam por afastar a fome, a miséria, as doenças endêmicas, a ignorância; que procuram uma participação mais ampla nos frutos da civilização, uma valorização mais ativa das suas qualidades humanas; que se orientam com decisão para o seu pleno desenvolvimento, é seguido com atenção pela Igreja” (Populorum Progressio 1). Enfim, mas vamos ao gesto do Papa. Vale ressaltar que este não foi o primeiro Papa a se ajoelhar e beijar os pés de alguém, já Paulo VI havia feito isto no dia 16 de dezembro de 1975 ao beijar os pés do Metropolita Grego Meliton ao saber através deste, que havia sido criada uma comissão Pan-ortodoxa para levar adiante o dialogo entre as Igrejas Ortodoxas e Católico Romana. Assim como o gesto de Francisco, aquele de Paulo VI também causou estranheza, mais ainda, resistência, critica, mal entendimento, oposição, entre outras atitudes que se possam enumerar contrarias aos gestos de ambos, e por motivos óbvios, os quais estão sempre alinhados ao aspecto da chamada tradição. Esta tradição seria: o beijo no anel de pescador – como se pescador, ainda mais no tempo de Jesus tivesse anel; beijo nos pés e no joelho do Papa; os caudatários – geralmente mais de dois, para segurar o manto do Papa; o escabelo para o Papa apoiar seus pés; o flabelo feito de penas de avestruz para refrescar o Papa no calor romano; a cadeira gestatória para transportar o Papa durante as cerimonias – vale ressaltar que a função não era somente para que a multidão visse o Papa, como é o caso do atual papa móvel, pois esta cadeira também era usada para o seu ingresso na Missa. Com isto valem as perguntas: de que tradição estamos falando mesmo? Aquela que nos remete aos tempos “carismáticos” do inicio ou aquela que foi sendo criada, inventada, ajuntada, absolvida durante os tempos e que quase todas não tem outra origem senão nas tradições pagãs da Roma antiga? A questão que se impõe não é uma critica descabida àquilo que já se aglutinou ao que realmente é essencial ao cristianismo das origens, do movimento de Jesus; mas trazer à luz que o gesto do Papa atual apesar de não estar incluído no elenco dos gestos “tradicionais”, alguns anteriormente citados, na sua raiz mais profunda não é uma “aberração” como querem fazer passar os opositores do Papa com a ajuda da mídia irresponsável. Assim, parece que os ECOS da ultima Ceia estão muito presentes e ainda causando escândalo em muitos, sobretudo dentro da Igreja e como diz Jesus: “feliz de quem não se escandaliza a meu respeito!” (Mt 11, 6). Assim o gesto da ultima Ceia é a expressão clara e a cruz será a expressão maior, extrema daquilo que foi a vida de Jesus. O evangelista João diz que “Jesus levantou-se da ceia, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a à cintura. Derramou água numa bacia, pôs-se a lavar os pés dos discípulos e enxugava-os com a toalha que trazia à cintura” (Jo 13,4-5). O mesmo evangelista afirma que este gesto causou espanto em Pedro, porque não dizer, um gesto que causou escândalo em Pedro; isto por que a logica de Jesus é inversa àquela dos grandes e poderosos deste mundo como ele mesmo afirma em Mateus: “Sabeis que os chefes das nações as dominam e os grandes fazem sentir seu poder. Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos serve, e quem quiser ser o primeiro entre vós, seja vosso escravo. Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mt 20,25-28). Na cabeça de Pedro e de muitos hoje este “tipo” de Jesus é demais, não cabe nos nossos esquemas de pensamento, na nossa logica sequiosa de poder, tudo muito humano, e não passa disso, Jesus reconhece que é assim usualmente, mas na sua logica e na logica de seus discípulos de ontem e de hoje tudo deve ser diferente, mas será que de fato o é? Onde está essa diferença segundo aquilo que Jesus mesmo preanunciou na sua missão antes e durante a Paixão? Tanto que quando Jesus anuncia a Paixão pela primeira vez será o mesmo Pedro que o repreenderá acerca daquilo que está por vir: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isto nunca te aconteça!” (Mt 16,21), certamente sem entrar naquilo que à luz da própria ressurreição dirá o apostolo Paulo acerca de Jesus na Carta aos Filipenses: “Ele, existindo em forma divina, não se apegou ao ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano. E encontrado em aspecto humano, humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte – e morte de cruz!” (Fl 2,6-8). Este é o texto da famosa “Kenosis”, uma expressão grega usada na teologia para falar do abaixamento, humilhação, esvaziamento de Jesus. Mas, infelizmente trata-se de um termo usado para fazer um referimento “romantizado” desta realidade abissal do mistério de Deus que escolhe a via mais contraditória para tocar o humano e o humano tocar a Deus – a via da humilhação. Não é assim que canta o velho Simeão, segundo o evangelista da infância, movido pelo Espirito Santo? “Este menino será causa de queda e de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição – uma espada traspassará a tua alma! – e assim serão revelados os pensamentos de muitos corações” (Lc 2,34-35). De novo, parece, este não é um termo bom de ser usado, que os evangelhos estão cheios destes sinais de contradição (Mt 9,11), de escândalos e blasfêmias (Mc 2,7), de subversão (Lc 23,2); mas também de “necessidades” como vemos em (Mt 8,20; Jo 4,6, etc). Sim, o movimento de Jesus é um movimento de contestação de todas as esferas, de inversão de tudo aquilo usualmente estabelecido e isto causou o que causou e parece que continua causando repulsas, só que agora não mais entre os mestres e doutores da Lei mosaica, do Templo e da Sinagoga, mas entre os mestres e doutores da Igreja. Basta um de seus pastores “sair” dos padrões já estabelecidos pela tradição, que isso se transforma em um escândalo, uma pedra de tropeço, onde por pouco a fé não é colocada em risco. Disto diga-se: ou é trágico ou é cômico. Que fé é esta?    Pois bem, voltemos ao gesto papal do abaixar-se... certo, ele abaixou-se, “pior”, ainda beijou os pés daqueles políticos, homens e mulheres responsáveis direta ou indiretamente pela violência extremada em um país, e que as oposições entre eles levaram sempre a morte de muitos, mas este Papa decide mostrar não com palavras, mas como gestos (o de beijar os pés é um deles), que existe uma dimensão das coisas que vai além daquelas que até agora estavam sendo buscadas.   Seu gesto é tão escandaloso como aquele do Divino Mestre de se levantar, tomar a bacia, a toalha e começar a lavar os pés dos discípulos. Portanto, estamos diante de um gesto de um ancião, que com a sabedoria dos anos, discernindo por entre os acontecimentos os sinais dos tempos de Deus, mostra qual é o escopo daqueles que estão neste mundo com tarefas especificas – naquele caso – os governantes, bem como as Igrejas ali presentes, o escopo de servir e não serem servidos. Confesso que para além de qualquer sentimentalismo, romantismo, repulsa ou escândalo, este gesto me causou um sentimento de estar “dentro de um cristianismo esquecido das origens”. Sim, me senti como um cristão, franciscano, sacerdote, estudante dentro de um cristianismo que se parece com tudo menos com aquele movimento das origens, que levou Jesus a morte pela Redenção, e os seus discípulos e discípulas a darem a vida nas diversas formas que compreende o termo dar a vida, imitando a humilhação do próprio Mestre. Peço ao Senhor que se eu não for movido por gestos proféticos, de me abaixar, me humilhar a semelhança Daquele que me chamou, que ao menos eu saiba ler neles o caminho que devo com humildade  retomar, as atitudes a serem repensadas e a entrega sem resistências as moções do Espirito Santo. Que se eu não for capaz de na minha relativa juventude, me abaixar e beijar os pés de alguém, que pelo menos eu seja uma mão estendida, a mostrar onde está o Essencial. Que o mesmo Senhor, que inverte nossa logica presunçosa, mais uma vez nesta Semana Santa nos mostre o que realmente é essencial e o que não é no caminho de seu seguimento, e ele mesmo colocará em nossos lábios vacilantes as suas palavras: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11,25)
  • O que dizem os números?
    “Olhar com gratidão o passado, viver com paixão o presente e abraçar com esperança o futuro” (Papa Francisco)   O que dizem os números? Por mais ambígua que possa parecer esta expressão, precisamos tomá-la a serio para fazer uma leitura não tanto numérico-sociológica, mas talvez uma provocação em linha de um “estranhamento” profético em sentido histórico-salvífico, enquanto uma Ordem religiosa que traz consigo a memoria das origens não como saudade integrista, mas como linfa abundante que deve perpassar sua historia até o fim dos tempos.   Esta introdução serve de certo modo para guiar qualquer reflexão que possa surgir daqui para frente. A pergunta sobre os números nos leva a uma tomada de posição, ao nosso ver, diante de duas possibilidades: parar diante do dado numérico puro e simples ou ir além deles, tentando colher aquilo que eles podem nos dizer.   Em relação a Ordem dos Frades Menores Conventuais, o que dizem os números? Se ficarmos apenas com os dados, segundo as informações oficiais da Ordem, somos mais de três mil frades espalhados em quase todo o mundo (de noviços a bispos pertencentes a Ordem, somam-se 3.995 frades). Sim, simplesmente são estes os números. E como dizem que eles não mentem, parece que até aí tudo bem, mas será?   Então talvez fosse melhor dar um passo além deles e para isso seria oportuno tomar como referência a segunda frase do titulo, que é do Papa Francisco; uma frase sempre presente em seus discursos, mas de modo documental aparece na Carta Apostólica com a qual ele proclama o Ano da Vida Consagrada em 21 de novembro de 2014.   Enquanto Ordem e Província, como podemos olhar com gratidão o passado? Nos alegra e rejubila o coração em citar “apenas” os nomes dos nossos fundadores, São Francisco e Santa Clara, bem como a constelação luminosíssima daqueles e daquelas da primeira hora, mas por outro lado vem em nossa ajuda o próprio São Francisco quando chamava a atenção dos frades para não se limitarem ao reconhecimento das virtudes dos santos, mas procurar imitá-las e ao mesmo tempo cada um fazer seu próprio caminho de santidade; tanto é assim como nos recorda frei Tomás de Celano,  Francisco mesmo recomenda aos frades começar de novo, por que mesmo se alguém, inclusive ele, tivesse considerado ter feito tudo até aquele momento pouco ou nada teria feito (cf. 1Cel 103).   Portanto, estamos falando de um homem que viu a sua Ordem chegar a um exercito de mais 40 mil frades na Europa medieval, e até onde eles podiam chegar com a pregação evangélica da penitência. Mas ao invés de se envaidecer com o sucesso numérico, Francisco prefere considerar que diante da iniciativa de Deus, na nossa liberdade tudo deve ser feito com alegria e gratidão, mas ao mesmo tempo tudo será sempre insuficiente, porque o importante é Aquele que faz crescer e não quem planta ou colhe (cf. 1Cor 3,7).   Assim, entre luzes e sombras, fracassos e vitorias a Ordem cresceu, mas também diminuiu como nos conta a história. Motivos nem sempre muito interessantes de serem recordados, porém inegáveis como fatos. Por isso, diante das virtudes e contradições de um grupo humano, chamado a viver uma vocação de radical conformação à santidade de Cristo, que continuou acreditando ser possível viver conectado à fonte, como olhar tudo isso de modo agradecido hoje?   Penso que para isso o próprio Papa Francisco nos ajuda com a segunda proposta, de viver com paixão o presente, sem integrismos e saudosismos de quando éramos um grande e influente grupo, mas talvez colher no passado de modo agradecido a seiva que tocou e alimentou os irmãos da primeira hora e mais uma vez agradecidos, começar a fazer a nossa parte como nos pede São Francisco; e assim impulsionados por este toque fontal sermos homens de religião significativos nos nossos dias, porque como diz o papa:   Viver com paixão o presente significa tornar-se “peritos em comunhão”, ou seja, “testemunhas e artífices daquele ‘projeto de comunhão’ que está no vértice da história do homem segundo Deus”. Numa sociedade marcada pelo conflito, a convivência difícil entre culturas diversas, a prepotência sobre os mais fracos, as desigualdades, somos chamados a oferecer um modelo concreto de comunidade que, mediante o reconhecimento da dignidade de cada pessoa e a partilha do dom que cada um é portador, permita viver relações fraternas[1].   Neste sentido, a memória agradecida, o presente apaixonado deve nos conduzir a uma relação de esperança com o futuro. Mas em que sentido? O papa novamente aponta caminhos, sempre na perspectiva de não cairmos na facilidade das respostas prontas, saídas preconcebidas ou ao apelo do “sempre foi assim”, mas a intuição parece apontar para a “escuta atenta daquilo que o Espírito diz hoje à Igreja, a implementar de maneira cada vez mais profunda os aspectos constitutivos da nossa vida consagrada”[2].   O papa aponta para um caminho que não seja aquele das estratégias e dos planos infalíveis para atrair (proselitismo), etc; mas ir além disso. O convite é para não cair na “tentação dos números e da eficiência, e menos ainda à tentação de confiar nas vossas próprias forças. Com atenta vigilância, perscrutai os horizontes da vossa vida e do momento atual”[3].   Todo este discurso para dizer que não se trata de um louvor aos números ou à depreciação dos mesmos, como se isso fosse sinal de sucesso ou fracasso da vida religiosa. Mas se o numero não é sinal de sucesso ou insucesso da vida religiosa, o que poderia ser então? Novamente o papa nos aponta pistas, e nos parece que ele não está depreciando e muito menos apostando as “fichas” da vida religiosa em ter um grande número (sucesso) ou pequeno número (fracasso), ainda que nossa lógica acompanhe desta maneira.   Mas a intuição do papa vai em outra direção, e penso que para isto devemos retornar a expressão de São Francisco já no final de sua vida com a hermenêutica do testemunho. “Comecemos irmãos”, convida Francisco; comecemos quando a tentação de viver longe da inspiração fontal for maior que a fadiga de viver conectado à fonte juntamente com os irmãos que Deus concedeu, os irmãos reais e não os ideais e até virtuais.   A necessidade de recomeçar sempre, mesmo quando o progresso humano, psicológico e espiritual parecer ter sido concluído, ali se deve considerar que “pouco ou nada fizemos”; na entranhada consciência de que na vida de fé estamos a caminho, nada está fechado, concluído de uma vez por todas, tudo é um começar de novo, cada vez de novo, sempre de novo.   E assim, ao nosso compreender, precisamos passar das estratégias das promoções vocacionais, sempre mais arrojadas, com toques “cinematográficos”, com riquezas de imagens e da propaganda acirrada nos meios de comunicação e nas redes sociais, para uma “promoção vocacional” que seja feita sem propósito de atrair (proselitismo), mas com a consciência que devemos viver tocados pela inspiração fontal encarnada nos nossos dias, através do TESTEMUNHO vivo de que somos homens felizes, que nada nos falta, que na vida religiosa franciscana temos tudo, temos “o Espirito do Senhor e seu santo modo de operar” (cf. RB 10,8), afim de “observar o santo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em obediência, sem próprio e em castidade” (cf. RB 1,1), e aqui está o “sucesso” da vida religiosa franciscana.      Tomás de Celano recorda exatamente o aspecto testemunhal quando o primeiro companheiro de Francisco, o frei Bernardo (cf. 1Cel 27,1-4; 28,1-7) veio até ele para sondar seu estilo de vida, e não o fez certamente motivado por uma propaganda, o que nos nossos são úteis; não quero aqui desmerecer o trabalho feito pela promoção vocacional em qualquer lugar da Ordem através dos meios mais avançados e próximos da juventude, mas considerar que o frei Bernardo veio até Francisco movido pelo testemunho daquele irmão penitente, pois o aspecto exterior de Francisco não era interessante, mas por trás da aparência tinha algo extraordinário que ele queria descobrir.   Por isso no afã dos números corre-se sempre o risco de não apresentar a inspiração fontal que nos tocou a todos desde o Fundador ao ultimo frade que virá como o que realmente interessa, mas de concluir e confundir tal inspiração com os resultados obtidos por meio de um ótimo desempenho da promoção vocacional através de métodos e estratégias, e isso seria confiar em demasia na própria eficiência e encerrar a ação do Espirito aos planos e projetos, e muitas vezes nos fixamos neste âmbito numérico.   Para tanto, devemos sim continuar nossa promoção vocacional, inclusive utilizando-se dos meios mais eficazes, e ao mesmo tempo sem a preocupação de sermos ou não uma grande Ordem numericamente, pois a grandeza numérica é consequência do anterior – a inspiração fontal.   Devemos continuar sim, com a certeza de que fomos tocados pelo Espirito do Senhor, que este toque fontal nos leva a testemunhar como meros instrumentos um estilo de vida evangélico do jeito de São Francisco, e a exemplo dele, “lendo os sinais dos tempos”, como também nos recorda o papa Francisco, sermos frades significativos para o mundo de hoje onde o Evangelho e a Igreja necessitarem de nós como irmãos menores.   [1]FRANCISCO, Carta Apostólica às pessoas consagradas, nº 2, in: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_letters/documents/papafrancesco_lettera-ap_20141121_lettera-consacrati.html - acesso em 14/06/19. [2] Ibidem, nº 2. [3] Ibidem, nº 3. Frei Emanuel Afonso da Silva (OFMConv.)