Clara de Assis não é uma sombra de Francisco de Assis, mas é a sua própria luz. Marca de uma presença e uma personalidade forte que construiu no século XIII uma revolução a partir do Evangelho e nos ensina que Evangelizar é tornar nova a humanidade. É uma mulher de personalidade, muito decidida e corajosa. Mulher de silêncio, contemplação, oração, ação e carinho. Suavidade sem agressividade. Beleza sem alarde. Pobreza com riqueza de amor. Humildade com serviço. Amor enclausurado na liberdade de entregar-se ao Amado.
Clara de Assis foi uma mulher muito equilibrada em meio às tensões de seu tempo. Diz Frei José Carlos Pedroso, OFMCap: “Seus aspectos lunares femininos, jogam fortemente com seus aspectos solares masculinos. E suas atitudes demonstram que tinha muita consciência disso. Sabia onde queria chegar e sempre chegou onde queria, sem se afobar e nem destruir nada. Sabia enfrentar os maiores problemas, desmontando-os; valorizava as pequenas coisas sem se perder nelas. Foi bebendo aos pouquinhos a água mais limpa das torrentes que encontrou”.
Clara de Assis encontrou o Amor do Esposo Jesus, encontrou o Evangelho vivente Francisco de Assis, encontrou a oração e meditação, encontrou o silêncio que fala de um modo transparente, encontrou a fraternidade amorosa do mosteiro, encontrou modos de gentileza e firmeza. Dos muros de Assis tornou-se um baluarte do modo francisclariano de viver derrubando os muros que atravancam a vida. Clara de Assis, a partir de seu escondimento, viveu entre visões e intuições, entre amor a Deus e a todas as criaturas. Padroeira dos que se ajoelham e contemplam e padroeira da televisão. Clara de Assis e de um mundo sem fronteiras.
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Fonte: Carisma Franciscano. Autor: Frei Vitorio Mazzuco (OFM).
Clara tinha uma irmã chamada Catarina que acompanhou de perto sua saída do espaço da família para o espaço sagrado de São Damião. Quando a vontade de Deus é maior, não há projeto de família que segure. É mais uma que deixa os Offreducci Favarone para estar mais perto do Amado. Os passos de Clara deixam trilhas de seguimento. A família que um dia quis buscar Clara, vai também buscar Catarina. Não há força humana que possa arrastar uma força divina que está numa mulher. Catarina permanece com Clara.
Francisco de Assis muda o nome de Catarina para Agnes, isto é, Inês. Derivado de agnella (cordeiro, ovelha). Junto às filhas de Favarone, vão morar Pacífica de Guelfuccio, Beatriz, irmã de Clara, e Hortolana, sua mãe. Narra Clara de Assis em seu Testamento, “Depois que o Altíssimo Pai celestial, pouco depois da conversão do nosso bem-aventurado Pai São Francisco, se dignou iluminar-me o coração para que, seguindo-lhe o exemplo, fizesse penitência, segundo a luz da graça que o Senhor nos comunicou através da sua vida maravilhosa e da sua doutrina, prometi-lhe voluntariamente obediência juntamente com as poucas Irmãs que o Senhor me tinha dado, logo depois da minha conversão.
Vendo o bem-aventurado Francisco que nós, embora frágeis e fisicamente sem forças, não recusávamos nenhuma privação, pobreza, trabalho, tribulação, nem humilhação ou o desprezo do mundo, e até julgávamos tudo isso as maiores delícias, como dos seus frades, alegrou-se muito no Senhor. E, movido de piedade para conosco, assumiu o compromisso, por si e por sua Ordem, de ter sempre por nós o mesmo cuidado diligente e a mesma atenção especial que tinha para com os irmãos. E assim, por vontade de Deus e do nosso bem-aventurado pai Francisco, fomos morar junto da igreja de São Damião, onde em pouco tempo o Senhor nos multiplicou por sua misericórdia e graça, a fim de que se cumprisse o que tinha predito por seu santo. Pois, antes tínhamos morado em outro lugar, embora por pouco tempo” (TestC 24-32).
Em São Damião, Clara começa com a força comum da convivência. Entra no lugar despojado, um eremitério que mais tarde torna-se mosteiro. Um novo e forte modo de vida para a relação com Deus no modo contemplativo. Um silêncio de Amor, uma vontade de viver apenas no Amor por Ele. Por vontade de Deus e de Francisco, Clara e suas primeiras Irmãs ocupam o sagrado espaço de São Damião. A pobreza do lugar e a Pobreza escolhida pelas primeiras Clarissas revelam que o Amor é a única riqueza necessária. Elas tem como referência o Evangelho e uma confiança na Providência que as levam a abandonar-se nas mãos do Senhor. A Pobreza é sinal de amor exclusivo ao Amado; um amor que se alimenta de silêncio, reverência e preces, cada dia, momento a momento, por toda a vida. A Pobreza une a dimensão fraterna em extremo cuidado.
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Fonte: Carisma Franciscano. Autor: Frei Vitorio Mazzuco.
A Ordem dos Frades Menores Conventuais é a Ordem religiosa fundada por São Francisco de Assis.