Sínodo da Amazônia

  • A Relevância do Sínodo especial para a Amazônia
    No dia 15 de outubro de 2017, o Papa Francisco anunciou a realização de um Sínodo Especial dos Bispos da Pan-Amazônia, território que compõe a região além da bacia dos rios. Realizar-se-á em outubro de 2019 em Roma[2] cujo tema é: “Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. Esses novos caminhos serão elaborados para e com o povo de Deus que habita nessa região. Exigem que os povos indígenas e das comunidades amazônicas sejam “os principais interlocutores” (LS, 146) nos assuntos pastorais e socioambientais do território, “especialmente quando se avança com grandes projetos que afetam seus espaços” (LS, 146). Aqui, há uma referência explicita à teologia argentina do “povo”, que se diferencia das teologias da libertação. Não há espaço aqui para comparar a experiência social e pastoral da Argentina com outras da América Latina. Na teologia do povo, os protagonistas são os povos com suas culturas respectivas, privilegiando uma unidade histórico-cultural de nação. As reflexões do Sínodo especial, partindo de um território específico, pretendem superar o âmbito estritamente eclesial para não dizer eclesiástica, e também amazônico, por serem relevantes para a Igreja universal e para o futuro do planeta. “Considero (a Amazônia) relevante para o caminho atual e futuro, não só da Igreja no Brasil, mas também de toda a estrutura social”. [3] Se na Encíclica Laudato Sí’, o Papa Francisco considera que as mudanças climáticas, a pobreza e o aumento das desigualdades sociais são desafios para todo o planeta, “também para a Igreja universal é de vital importância escutar os povos indígenas e todas as comunidades que vivem na Amazônia, como primeiros interlocutores deste Sínodo. Por causa disso, precisamos de convivência mais próxima. Queremos saber como imaginam um 'futuro tranquilo' e o 'bem viver' para as futuras gerações”. [4] Está em vigor uma dialética do local e do global. No primeiro Encontro Mundial dos Movimentos Populares em Roma, o Papa Francisco disse: “sei que estais comprometidos todos os dias em coisas próximas, concretas, no vosso território, no vosso bairro, no vosso lugar de trabalho: convido-vos também a continuar a procurar esta perspectiva mais ampla; que os vossos sonhos voem alto e abracem o todo”. O Sínodo e a Encíclica se fecundam mutuamente.   O documento preparatório O Documento segue a metodologia, hoje tradicional e assumida nas esferas eclesiais, do “ver, julgar e agir”. Perpassa no Documento o desejo de romper com as estruturas que maltratam e destroem a vida e com os projetos e mentalidades de neocolonização. Como Igreja, é preciso fortalecer o protagonismo dos próprios povos por meio de uma espiritualidade que valoriza a gratuidade da criação e compreende a vida social como diálogo e encontro. “A Amazônia é um espelho de toda a humanidade que, em defesa da vida, exige mudanças estruturais e pessoais de todos os seres humanos, dos Estados e da Igreja”. [9]   VER: O crescimento sem discernimento das atividades agropecuárias, extrativistas e madeireiras danificou a diversidade biológica, poluiu as águas, empobreceu as populações originárias. Ainda existem resquícios da exploração colonial que enfraqueceu as estruturas sociais e culturais dessas populações. Hoje, vítimas de um novo colonialismo, sofrem processos semelhantes que ameaçam a sobrevivência dos territórios e de seus ocupantes com sua sabedoria no trato com o seu meio de vida. De fato, a Amazônia continua sendo uma terra disputada em várias frentes. Em sua história missionária, a Igreja demorou para reconhecer as culturas dessas populações vivendo em harmonia com o meio ambiente.   JULGAR: “Um conteúdo inevitavelmente social” (EG, 177) inerente à missão evangelizadora, é particularmente relevante nos territórios amazônicos, visto a articulação entre vida humana, social e cultural e os ecossistemas. A ecologia integral não é mera articulação entre o social e o ambiental. É condição necessária mas insuficiente, se falta a promoção de uma harmonia que pede uma conversão pessoal, social e ecológica (cf. LS, 210). O Sínodo é e será uma grande oportunidade de escuta recíproca entre o Povo fiel e os senhores bispos atenciosos ao grito da Amazônia, atualização do grito do Povo de Deus no Egito (cf. Ex. 3,7).   AGIR: Desenha-se uma agenda, um consenso em torno dos direitos fundamentais que inclui um desenvolvimento integral respeitando as identidades e o meio de vida dos povos. Uma prioridade para a Igreja é redefinir os conteúdos, métodos e atitudes para implementar uma pastoral inculturada e capacitada para enfrentar os desafios dos territórios. O Sínodo é um kairós para os Povos e as Igrejas da Pan-Amazônia, pois valoriza todos os processos sociais e eclesiais vividos que produzirão frutos no tempo pós-sinodal.   Leia mais sobre o Sínodo da Amazônia clicando aqui. Via: Franciscanos.
  • Após Fórum Franciscano, CFFB divulga Carta Compromisso pelo Sínodo Pan-Amazônico
    A Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFFB) divulgou hoje (15) a Carta Compromisso pelo Sínodo Pan-Amazônico. O documento foi realizado em referência ao Fórum Franciscano para o Sínodo Pan-Amazônico, concluído no dia 06 de junho, em Manaus (AM). O evento realizado no Centro Arquidiocesano São José foi promovido pela CFFB e teve como objetivo conduzir franciscanos e franciscanas a voltarem o olhar e o coração aos apelos do Papa Francisco através de sua convocação para o Sínodo da Amazônia. Confira o texto a seguir:     CARTA COMPROMISSO   «Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e verduras». Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. (Laudato Sí 1-2)   Querido Papa Francisco!   Queridas Irmãs e Irmãos da Família Franciscana do Brasil!   Somos gratos pela convocação do Sínodo para a Pan-Amazônia e oferecemos nosso apoio fraterno e integral, afirmando como Igreja que a Família Franciscana do Brasil trabalha em comunhão e unidade no cuidado da casa comum.   Após escuta das vozes da Amazônia, e querendo contribuir no aprofundamento da temática sinodal à luz da espiritualidade franciscana, a Conferência da Família Franciscana do Brasil, realizou um Fórum com a participação de 160 irmãs e irmãos das ordens, congregações franciscanas e JUFRA - Juventude Franciscana. Ouvimos os gritos dos povos originários, indígenas e quilombolas e todos os amazônidas, que denunciam a devastação das florestas, a poluição das águas, a desvalorização da vida e o preconceito em relação às culturas nativas. Ouvimos o anúncio de uma terra sagrada e abundante de graça e beleza, que brota vida para a existência de toda humanidade, tecida e interligada por cores, cheiros, sabores e saberes ancestrais.   Como Família Franciscana alimentamos em nós o que é conatural ao nosso carisma e assim nos comprometemos:   Apoiar o Papa Francisco em todo o processo do Sínodo Pan-Amazônico e a somar forças na defesa e cuidado da vida, em busca de novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral;   Divulgar, por meio de nossas redes de comunicação, os processos do Sínodo e as ações franciscanas nessa região, provocando toda sociedade à amazonizar-se;   Proporcionar experiência missionária na Amazônia, que favoreça a proximidade e convivência com os povos originários e o aprofundamento da mística amazônica, a exemplo da Experiência Assis;   Intensificar o trabalho em redes, nos articulando com a REPAM – Rede Eclesial Pan-Amazônica, CIMI- Conselho Indigenista Missionário e Entidades afinadas nesse trabalho para uma presença franciscana mais profética, sinal de esperança.   Manaus/AM, 6 de julho de 2019.   Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFFB)   Veja a matéria sobre o Fórum Franciscano para o Sínodo Pan-Amazônico, clique aqui. 
  • Até 23 de agosto, acontece o III Encontro da Igreja Católica na Amazônia Legal
    Desde a segunda-feira, 20, até amanhã, 23, os responsáveis por 56 dioceses e prelazias locais participam do III Encontro da Igreja Católica na Amazônia Legal, na Casa de Encontro Maromba, em Manaus (AM). O encontro tem como objetivo a partilha de experiências, a criação de metas em conjunto a partir da Amazônia brasileira e o aprofundamento de questões relacionadas ao Sínodo de 2019, cujo foco está na região. A atividade é organizada pela Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) e Comissão Especial para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O encontro contou com a participação, na mesa de abertura, no dia 20, do cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo, presidente da Repam da Comissão Especial para a Amazônia. Também participaram dom Sérgio Castriani, arcebispo de Manaus e dom Mário Antônio da Silva, bispo de Roraima e presidente do Regional Norte 1 da CNBB.   Sínodo para a Amazônia Convocado pelo Papa Francisco para ser realizado em outubro de 2019, o Sínodo para a Amazônia será o grande destaque do encontro. Ele será apresentado aos bispos pelos brasileiros membros do Conselho Pré-Sinodal, cardeal Cláudio Hummes, dom Neri Tondello, dom Roque Paloschi, dom Erwin Krautler e irmã Maria Irene Lopes. Também participam a equipe de especialistas que contribuíram na elaboração do Documento Preparatório: padres Justino Rezende e Paulo Suess, uma liderança do povo Tuyuka, a professora Márcia Oliveira e um representante do Peru, Peter Hughes.   Fonte: CNBB.
  • Bispos e representantes da Igreja na América Latina se reuniram em preparação para o Sínodo da Amazônia
    Foi encerrado na tarde de ontem (15), um encontro que reuniu representantes de diversas congregações da Igreja na América Latina e que teve como objetivo a partilha e avaliação do caminho em preparação para o Sínodo para a Amazônia, que será realizado de 6 a 27 de outubro de 2019. A reunião aconteceu em Manaus (AM) e foi convocada pelo Cardeal Lorenzo Baldisseri, Secretário Geral do Sínodo da Amazônia. Nos dois dias do encontro, foi dada continuidade ao processo sinodal iniciado em janeiro deste ano, em Puerto Maldonado, no Peru, durante a visita do Papa Francisco. Na ocasião, foi realizada a primeira reunião com a Rede Eclesial Panamazônica (REPAM). Neste percurso, em abril deste ano, houve também a 1ª Reunião do Conselho Pré-Sinodal em Roma, na qual foi aprovado o Documento Preparatório do Sínodo, “Amazônia: Novos caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral”.  “O processo sinodal tem sido um kairós para toda a Igreja e uma oportunidade para conhecer mais o bioma Amazônia e seus povos”: foi o que afirmou o cardeal Lorenzo Baldisseri no comunicado da segunda reunião da Secretaria geral do Sínodo dos Bispos com a REPAM. No comunicado, o cardeal fala do processo de preparação para esta Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos convocada pelo Papa Francisco no passado e ressalta o forte apoio “pelo testemunho e o magistério” de Francisco, “que insiste numa Igreja sinodal onde acontece o diálogo e a escuta mútua dos Bispos com representantes da Igreja e do Povo de Deus”. Estiveram presentes representantes de organismos importantes para a igreja na região, bem como os Bispos delegados de diferentes países que compõem o território da panamazônia: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Venezuela, Peru e Antilhas.   Fonte: Vatican News.
  • D. Evaristo: “A Amazônia não precisa ser conquistada; precisa ser respeitada”
    Na semana teve início um seminário organizado pela Secretaria Geral do Sínodo intitulado: “Rumo ao Sínodo Especial para a Amazônia: dimensão regional e universal”. O seminário é uma das muitas iniciativas que a Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos está realizando para preparar adequadamente o Sínodo Especial sobre a Amazônia, que terá lugar em Roma em outubro próximo. O bispo franciscano, Dom Evaristo Spengler, Bispo da Prelazia do Marajó (PA), falou nesta terça-feira sobre “Ecologia, Economia e Política”. VEJA A ÍNTREGA DE SEU DISCURSO Quero iniciar retomando as palavras do papa Francisco na Laudato Si’: “A ecologia estuda as relações entre os organismos vivos e o meio ambiente onde se desenvolvem. E isso exige que se pare para pensar e discutir acerca das condições de vida e de sobrevivência de uma sociedade, com a honestidade de pôr em questão modelos de desenvolvimento, produção e consumo. Nunca é demais insistir que tudo está interligado” (n. 138). É no âmbito deste paradigma em que “tudo está interligado” que vou considerar a relação entre ecologia, economia e política, visto que “a ecologia humana é inseparável da noção de bem comum” (LS, 156). A política enredada nas malhas de uma “economia que mata” “Essa economia mata”, afirma de maneira contundente o Papa Francisco na Evangelii Gaudium n. 53. Trata-se de uma “economia da exclusão” (n. 53-54) caracterizada pela “nova idolatria do dinheiro” (n. 55-56), criando uma situação em que o “dinheiro governa em vez de servir” (n. 57-58) e “a desigualdade social gera violência” (n. 59-60). A economia é aquela atividade humana pela qual, interagindo e utilizando racionalmente dos bens e serviços naturais, garantimos nossa sobrevivência, abertos à comunidade de vida e às gerações futuras. O drama da economia atual é que o sistema financeiro passou a ocupar todos os espaços. De uma economia de mercado passamos para uma sociedade de mercado. Essa é a grande transformação, das maiores e mais perigosas da história. Passamos de uma sociedade com economia de mercado para uma sociedade dominada pelo mercado. Todas as atuais decisões políticas visam favorecer as demandas do Mercado. Nesse contexto, tudo virou mercadoria, desde os bens naturais, as relações humanas e até as coisas mais sagradas da religião. De tudo se pode obter lucro, tudo pode ser levado ao mercado, e no mercado tudo é negociável. Esse tipo de economia, hoje mundializado, transformou o planeta Terra num grande mercado. Nele tudo está à venda. A Terra vem sendo submetida a uma exploração de todos os seus ecossistemas em função do enriquecimento de alguns e do empobrecimento de bilhões de pessoas. Segundo relato da ONG Oxfan 2019, 26 indivíduos possuem riqueza igual a 3,4 bilhões de pessoas. Por exemplo, algo pensado no Brasil para preservação ambiental, o Cadastro Ambiental Rural (CAR), também passou a ser usado para fins comerciais. O chinês Lap Chang cadastrou um CAR sobre uma área de 58 mil hectares, no Marajó, território da minha Prelazia, onde vivem povos tradicionais. Em função disso, vendeu crédito de carbono para uma empresa inglesa, no valor de mais de 200 mil dólares. Essa economia em que tudo virou mercado produz duas funestas injustiças. Uma social, produzindo incomensurável pobreza e miséria; e outra, uma injustiça ecológica, dizimando os bens e serviços naturais, muitos deles não renováveis. Por esse motivo, tem razão o Papa Francisco quando afirma de maneira precisa: “Não há duas crises separadas: uma ambiental e outra social; mas uma única e complexa crise sócio-ambiental. As diretrizes para a solução requerem uma abordagem integral para combater a pobreza, devolver a dignidade aos excluídos e, simultaneamente, cuidar da natureza” (LS, 139). De fato, a economia atualmente é dominada pela economia de acumulação desenfreada e pelo mercado financeiro. Organizou-se de tal forma a economia que beneficia os mais ricos em detrimento dos mais pobres. Na esteira da Doutrina Social da Igreja somos desafiados a buscar uma política de participação de todos e para todos, e também para com a natureza. A ecopolítica tem por escopo organizar a sociedade e a distribuição do poder de forma a implementar estratégias de sustentabilidade para garantir a todos o suficiente e o decente para viver. Isso supõe pensar a política, no sentido dos documentos sociais da Igreja, como a busca comum do bem comum. Contudo é necessário incluir nesse bem comum não apenas os seres humanos, mas toda a comunidade de vida. Declarando que “o atual sistema mundial é insustentável” (n. 202), o Papa Francisco, por 35 vezes na Laudato Si’, conclama para “novos estilos de vida” (n. 163; 194 passim) e novas formas de consumo de sobriedade compartilhada. É necessário e urgente a construção de um paradigma de desenvolvimento alternativo ao atual modelo hegemônico. Trata-se de conversão do atual modelo de desenvolvimento global. O modelo alternativo de desenvolvimento global deverá considerar o meio ambiente como um bem coletivo, a defesa do trabalho e dos povos originários, entre eles os indígenas da Amazônia, o papel dos movimentos sociais e das organizações da sociedade civil. Sem negar os avanços da tecnociência na melhoria das condições de vida e do bem-estar das pessoas, não podemos nos deixar dominar e ser controlados por ela. A ciência, a tecnologia, assim como a economia, deve estar a serviço da vida, e não impor o ritmo à vida. Ecologia, economia e política na região amazônica brasileira Desde o período da invasão dos ibéricos, a região amazônica se encontra à mercê de políticas coloniais. Entre os séculos XVI-XIX, o colonialismo extrativista teve fortes incidências sobre povos autóctones e bens naturais mediante uma injusta expropriação. E nos séculos posteriores, com os Estados modernos, práticas e mentalidades colonialistas continuam mediante a exploração de populações, culturas e territórios dessa imensa região. Há séculos, distintas formas de exploração da Amazônia vêm sendo produzidas e, para a fatalidade das suas populações, todas elas com interesses colonizadores que se manifestam mediante dois expedientes: exploração de sua população e redução da região a mera reserva de “recursos” naturais, como território a ser conquistado, explorado e comercializado para a obtenção de lucros. A Amazônia já resistiu a grandes projetos, de monocultivos e de ocupação. Falando do Brasil, em 1926, Henry Ford comprou 3 milhões de hectares de terra ao longo do rio Tapajós, contratou mais de 3.000 operários, derrubou a mata e plantou 70 milhões de mudas de seringueira para extrair borracha. Um fungo invisível, com enorme capacidade de multiplicação, fez fracassar o projeto. O monocultivo, mesmo sendo de uma espécie amazônica, foi rejeitado pela floresta. Em 1967, Daniel Keith Ludwig montou um projeto milionário junto ao rio Jari, numa área de 3,6 milhões de hectares para produção de celulose com espécies de outras regiões, e agropecuária. A floresta resistiu e novamente um fungo foi responsável pelo fracasso de 22 empresas envolvidas no projeto. Em 1975, a Volkswagen desmatou 55.000 hectares usando bombas de napalm e desfolhantes químicos. Teve grandes prejuízos e abandonou o projeto. A natureza amazônica resistiu e resiste incansavelmente. A prepotência humana teve que se curvar e se humilhar muitas vezes à grandeza e à força do bioma amazônico. Contudo, hoje, os ataques são mais graves, porque os ataques são muitos, simultâneos, de muitas frentes e com grandes tecnologias. São megaprojetos de mineração, energia, petróleo, agricultura, pecuária, madeireiras, infra-estrutura, como hidrovias, rodovias, ferrovias e portos. São projetos de governos e de grandes conglomerados econômicos e de diversos países. Trata-se a Amazônia como se fosse o celeiro do mundo, onde se pode retirar ou produzir o que quiser. Isso não é verdade. A Amazônia é um bioma frágil que tem seus próprios mecanismos internos de sobrevivência e resistência. Outros consideram ainda a Amazônia como o pulmão do mundo, como se fosse uma grande fábrica de oxigênio.  Na verdade, a floresta é um grande equilíbrio dinâmico, no qual tudo é aproveitado e continuamente reciclado. O oxigênio que ela produz, ela mesmo consome. Mas ela funciona como um grande filtro que absorve dióxido de carbono, o principal gás do efeito estufa, um dos fatores responsáveis pelo aquecimento global e das mudanças climáticas. Caso a floresta seja derrubada, seriam liberados para a atmosfera cerca de 50 bilhões de toneladas de carbono por ano, que a floresta, em pé, mantém sequestrados. A derrubada provocaria uma dizimação em massa. Outro fator é que a floresta é importante para o equilíbrio da umidade e das chuvas que sustentam a própria floresta. A floresta sustenta a chuva e a chuva sustenta a floresta. Além disso exporta umidade, via aérea, para outros biomas. Vigoram hoje, na Amazônia, dois modelos de desenvolvimento. Um é predatório, da extração de madeira, da mineração, do petróleo e energia, da pecuária, do monocultivo, que tem como consequências o desmatamento (20% da floresta já estão desmatados), concentração de renda, trabalho escravo, envenenamentos do solo e das águas, diminuição das chuvas (nas áreas desmatadas a estação seca se prolonga num ritmo de seis dias a cada dez anos), conflitos de ocupação com a expulsão dos povos da floresta, desrespeito às leis, morte de lideranças, ambientalistas e agentes de pastoral. O outro modelo é o sócio-ambiental, ecológico, direcionado aos povos da floresta. Tem como consequência a redistribuição de renda, a preservação da floresta e da biodiversidade, a socialização da terra e dos recursos, a distribuição de renda, a preservação de populações tradicionais, a fixação do “homem” na floresta, e um mercado promissor de frutas, cocos, artesanatos, polpas, fitoterápicos, óleos, castanhas, ecoturismo, entre outros. Este modelo deve ser fortalecido pelos nossos projetos pastorais. Ainda é um desafio estudar e conhecer toda a biodiversidade e o bioma amazônico. Bem dizia Chico Mendes, o mártir por defender a floresta, assassinado em 22 de dezembro de 1988: “A floresta em pé é mais produtiva do que a floresta tombada”. Ou, como diziam os seringueiros da Amazônia, e tantas vezes repetiu a Ir. Dorothy Stang, também mártir, assassinada em 12 de fevereiro de 2005 por defender os povos da floresta: “A morte da floresta é o fim da nossa vida”. Para o modelo predatório, a Amazônia tem tudo o que o mercado precisa para manter um crescimento linear e constante, e tudo em abundância: biodiversidade, terras, água, floresta, petróleo, madeira, minérios, fontes de energia, que são de fácil acesso. E é assim que ouvimos falar da Amazônia como a última fronteira do agronegócio e da mineração. Essa economia predatória não poupa nem as pessoas. Tráfico de pessoas, exploração de mão de obra infantil, exploração sexual, são comuns na Amazônia. A economia transforma em mercadoria não apenas os corpos, mas explora e manipula sentimentos, sonhos, desejos, e a confiança das pessoas, seduzidas por falsas e enganosas promessas. Aqui, Vossa Eminência Cardeal Baldisseri, eu abro um parêntesis para dizer que trago um apelo de parte da Igreja da Amazônia, que junto com diversas organizações da sociedade civil organizada atuam na promoção e defesa dos direitos de crianças e adolescentes. Eles solicitam ao Sínodo para a Amazônia um olhar especial e misericordioso para a problemática da violência sexual contra crianças e adolescentes, sobretudo nas áreas dos grandes projetos econômicos presentes na região. A Amazônia não precisa ser conquistada, nem desbravada, precisa ser respeitada. O sistema amazônico não funciona nos moldes de competição, funciona nos moldes de cooperação, como todo o sistema Terra. A questão não está em conquistar a Amazônia, mas em conviver com a Amazônia. A política deveria estar a serviço da boa convivência social e da boa convivência ambiental, mas ela prefere estar a serviço da economia. Podemos aprender das populações tradicionais da Amazônia. Há vestígios de presença humana na Amazônia há pelo menos 12.000 anos. Populações tradicionais desenvolveram grandes e complexas sociedades. Em períodos mais recentes chegaram outros habitantes, que também foram acolhidos pela floresta. Os povos da floresta não são ingênuos nem ignorantes. Como seres humanos, eles interagiram com o seu meio. Têm uma sabedoria, uma cultura, convivem com a floresta, interferem na floresta, vivem da floresta e das águas. Povos tradicionais e floresta se condicionam mutuamente, criaram relações e desenvolveram uma florestania, numa teia intrincada de reciprocidade, intercâmbio e cumplicidade. Isso também é política, ou melhor, eco-política, eco-logia e eco-nomia. Eco do grego oikos lar, casa, como insiste o Papa Francisco, “nossa casa comum”. Os povos da floresta, a veem como algo vivo, um sujeito, parte da comunidade que deve ser respeitada. Ao contrário, a Cultura Ocidental Moderna vê na floresta e no imenso território apenas um objeto, algo a ser conquistado, manipulado, transformado em matéria prima para ser explorada, negociada, consumida, usada e descartada. Já não podemos confiar na política vigente. Ela é submissa e serviçal ao grande capital e aos megaprojetos para a Amazônia. Faz isso sem ética e sem escrúpulos. Já não podemos confiar na economia de mercado. Ela é insaciável e transforma tudo em mercadoria. Talvez tenhamos que ouvir mais a ciência, porque hoje são os cientistas que nos advertem sobre os riscos que corremos, inclusive de autodestruição, em consequência desse modelo de uma economia predatória. Mas antes dos cientistas, pela fé, cada cristão é convidado a assumir a defesa da casa comum, porque reconhece tudo como criatura de Deus. Há oito séculos, São Francisco de Assis cantava louvores a Deus, sentindo-se irmão de toda natureza criada. Louva a Deus pela Terra, “Irmã e Mãe, que nos sustenta e governa”. Essa percepção está em profunda comunhão com a cosmovisão de povos originários da América, que chamam a terra de “Pachamama”, a grande mãe. As florestas são um fator importante na terra, para o equilíbrio dos climas, temperatura e das condições favoráveis à vida, entre elas a vida humana. As florestas refrescam a terra. Os cientistas dizem que a Terra precisa conservar pelo menos 50% de suas florestas nativas para manter o clima e o ambiente favorável à vida humana. As florestas estão ameaçadas. Hoje só restam preservadas 22% das florestas; menos da metade do que o postulado como necessário. A Amazônia representa 1/3 de todas as florestas que ainda existem. Daí a importância da Amazônia. É urgente respeitá-la, preservá-la e cuidá-la.  Conclusão: a utopia vencerá A compreensão da Terra como Casa Comum deveria oferecer a base para políticas globais de controle do aquecimento global, das mudanças climáticas, da preservação das florestas, do cuidado da casa comum e o limite para a economia de mercado. Tenho suspeitas de que nem os economistas globais, nem os políticos nacionais serão capazes de fazer isso. Mas tenho certeza que os povos da floresta, os povos originários, com a proposta do “bem-viver” e as comunidades dos discípulos de Jesus, com a proposta do Reino de Deus, junto com outros aliados que sabem que a Amazônia é criação de Deus, serão capazes. Isso pode parecer um sonho, mas são os sonhos que alimentam as utopias. Nós sonhamos com a utopia do Reino anunciado por Jesus. Como diz uma canção de nossas Comunidades: “Sonho que se sonha só, pode ser pura ilusão. Sonho que se sonha juntos, é sinal de solução. Então, vamos sonhar, companheiros, sonhar ligeiro, sonhar em mutirão”. Paz e Bem! Obrigado!  Referências Bibliográficas Francisco, Papa. Carta Encíclica Laudato Si, sobre o cuidado da casa comum. São Paulo, Paulus, 2015. Boff, Leonardo. A Grande Transformação, na economia, na política e na ecologia. Petrópolis, Vozes, 2013. Boff, Leonardo. Ecologia: Grito da Terra, Grito dos Pobres. Rio de Janeiro, Sextante, 2004. Pillon, José Joaquim. Amazônia, último paraíso terrestre. Rondônia, 2002. Pantoja, Carlos Augusto. Carta sobre Créditos de Carbono. Belém, 6 de novembro de 2018, inédito. Lovelock, James. A vingança de Gaia. Rio de Janeiro, Intrínseca, 2006. Nobre, Carlos; A Amazônia se aproxima do ponto de ruptura, entrevista, 2019; (https://www.nationalgeographicbrasil.com/entrevista/2019/01/entrevista-carlos-nobre-clima-amazonia-bolsonaro-governo) Moreira, Alberto da Silva; O tráfico humano e seu enfrentamento, um desafio radical às igrejas e ao cristianismo; in: Refúgio, Migrações e Cidadania, Caderno de Dabates 11, IMDH, UNHCR ACNUR, 2016
  • Documento de Trabalho do Sínodo: "Amazônia pede à Igreja que seja sua aliada"
    Apresentado o Instrumentum Laboris do Sínodo para a Amazônia. A realidade das Igrejas locais aponta: É necessário passar de uma “Igreja que visita” para uma “Igreja que permanece”, que possa oferecer a Eucaristia para suas comunidades. O mundo amazônico pede à Igreja que seja sua aliada: esta é a alma do Documento de Trabalho (Instrumentum Laboris) publicado na manhã desta segunda-feira (17 de junho) pela Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos e apresentado à imprensa.   O Documento é fruto de um processo de escuta que teve início com a visita do Papa Francisco a Puerto Maldonado (Peru) em janeiro de 2018, prosseguiu com a consulta ao Povo de Deus em toda a Região Amazônica por todo o ano e se concluiu com a II Reunião do Conselho Pré-Sinodal, em maio passado. O território da Amazônia abrange uma parte do Brasil, da Bolívia, do Peru, do Equador, da Colômbia, da Venezuela, da Guiana, do Suriname e da Guiana Francesa, em uma extensão de 7,8 milhões de quilômetros quadrados, no coração da América do Sul. Suas florestas cobrem aproximadamente 5,3 milhões de km2, o que representa 40% da área de florestas tropicais do globo.   A primeira parte do Documento, “A voz da Amazônia”, apresenta a realidade do território e de seus povos. E começa pela vida e sua relação com a água e os grandes rios, que fluem como veias da flora e fauna do território, como manancial de seus povos, de suas culturas e de suas expressões espirituais, alimentando a natureza, a vida e as culturas das comunidades indígenas, camponesas, afrodescendentes, ribeirinhas e urbanas.     Vida ameaçada, ameaça integral   A vida na Amazônia está ameaçada pela destruição e exploração ambiental, pela violação sistemática dos direitos humanos elementares de sua população. De modo especial a violação dos direitos dos povos originários, como o direito ao território, à autodeterminação, à demarcação dos territórios e à consulta e ao consentimento prévios.     Segundo as comunidades participantes nesta escuta sinodal, a ameaça à vida deriva de interesses econômicos e políticos dos setores dominantes da sociedade atual, de maneira especial de empresas extrativistas. Atualmente, a mudança climática e o aumento da intervenção humana (desmatamento, incêndios e alteração no uso do solo) estão levando a Amazônia rumo a um ponto de não-retorno, com altas taxas de desflorestação, deslocamento forçado da população e contaminação, pondo em perigo seus ecossistemas e exercendo pressão sobre as culturas locais.     O clamor da terra e dos pobres   Na segunda parte, o Documento examina e oferece sugestões às questões relativas à ecologia integral. Hoje, a Amazônia constitui uma formosura ferida e deformada, um lugar de dor e violência, como o indicam de maneira eloquente os relatórios das Igrejas locais recebidos pela Secretaria Geral do Sínodo. Reinam a violência, o caos e a corrupção. Há quem se sente forçado a sair de sua terra; muitas vezes cai nas redes das máfias, do narcotráfico e do tráfico de pessoas (em sua maioria mulheres), do trabalho e da prostituição infantil. Trata-se de uma realidade trágica e complexa, que se encontra à margem da lei e do direito.   “ O território se transformou em um espaço de desencontros e de extermínio de povos, culturas e gerações. ”     Povos nas periferias   O Documento de Trabalho analisa também a situação dos Povos Indígenas em Isolamento Voluntário (PIAV). Segundo dados de instituições especializadas da Igreja (por ex., CIMI) e outras, no território da Amazônia existem de 110 a 130 diferentes “povos livres”, que vivem à margem da sociedade, ou em contato esporádico com ela. São vulneráveis perante às ameaças... do narcotráfico, de megaprojetos de infraestrutura e de atividades ilegais vinculadas ao modelo de desenvolvimento extrativista.      Papel da mulher   É pedido que se identifique o tipo de ministério oficial que pode ser conferido à mulher, tendo em consideração o papel central que hoje ela desempenha na Igreja amazônica. Reclama-se o reconhecimento das mulheres a partir de seus carismas e talentos. Elas pedem para recuperar o espaço que Jesus reservou às mulheres, “onde todos/todas cabemos”. Propõe-se inclusive que às mulheres seja garantido sua liderança, assim como espaços cada vez mais abrangentes e relevantes na área da formação: teologia, catequese, liturgia e escolas de fé e de política.     A vida consagrada   Propõe-se promover uma vida consagrada alternativa e profética, intercongregacional, interinstitucional, com um sentido de disposição para estar onde ninguém quer estar e com quantos ninguém quer estar. Aconselha-se que a formação para a vida religiosa inclua processos formativos focados a partir da interculturalidade, inculturação e diálogo entre espiritualidades e cosmovisões amazônicas.     Ecumenismo   O Documento não deixa de relevar o importante fenômeno importante a ter em consideração é o vertiginoso crescimento das recentes Igrejas evangélicas de origem pentecostal, especialmente nas periferias: “Elas nos mostram outro modo de ser Igreja, onde o povo se sente protagonista, onde os fiéis podem expressar-se livremente, sem censuras, dogmatismos, nem disciplinas rituais”.     Igreja e poder: caminho de cruz e martírio de muitos   Ser Igreja na Amazônia de maneira realista significa levantar profeticamente o problema do poder, porque nesta região o povo não tem possibilidade de fazer valer seus direitos face às grandes corporações econômicas e instituições políticas. Atualmente, questionar o poder na defesa do território e dos direitos humanos significa arriscar a vida, abrindo um caminho de cruz e martírio. O número de mártires na Amazônia é alarmante (por ex., somente no Brasil, de 2003 a 2017, foram assassinados 1.119 indígenas por terem defendido seus territórios).   Durante o percurso de construção do Instrumentum Laboris, ouviu-se a voz da Amazônia à luz da fé com a intenção de responder ao clamor do povo e do território amazônico por uma ecologia integral e por novos caminhos para uma Igreja profética na Amazônia. Estas vozes amazônicas exortam o Sínodo dos Bispos a dar uma resposta renovada às diferentes situações e a procurar novos caminhos que possibilitam um kairós para a Igreja e o mundo.     Via: Vatican News. Autora: Cristiane Murray.   Foto de capa: Tiago Miotto/Cimi Demais fotos: Vatican Media
  • Em reunião na última sexta-feira, 13 de abril, foi finalizado o documento oficial de preparação ao Sínodo
    Foi finalizado na tarde da última sexta-feira, 13, o documento oficial que será utilizado como base para as reuniões, reflexões e demais preparações para o Sínodo da Amazônia. Durante três dias, o Papa Francisco, o Conselho pré-sinodal e uma equipe de assessores debateram os assuntos pertinentes à elaboração deste documento. Segundo comunicado divulgado pela Secretaria do Sínodo dos Bispos, no debate destacou-se a importância da região amazônica para todo o planeta. Examinou-se, primordialmente, a inculturação das populações ali viventes e novos caminhos para a pregação do evangelho aos indígenas. Também foram discutidas as questões acerca da crise ecológica vivenciada naquela região e o quanto esta situação demanda atitudes de preservação integrais na linha com a Encíclica Laudato Si. Ao final da discussão, o Conselho pré-sinodal aprovou o Documento Preparatório, que inclui um questionário final. Sucessivamente, o texto será enviado às Conferências Episcopais interessadas e aos organismos de direito para dar início à consulta pré-sinodal.   Veja detalhes dos outros dois dias das reuniões da equipe com o Papa aqui. 
  • Está acontecendo em Manaus: Fórum Franciscano Para o Sínodo Pan-Amazônico
    Desde quinta-feira (04) e a até sábado (06), cerca de 160 frades, freiras, leigos e leigas franciscanas de todo o Brasil estão em Manaus para a realização do Fórum Franciscano para o Sínodo Pan-Amazônico. O evento está acontecendo no Centro Arquidiocesano São José e tem como tema “Perspectivas e desafios para a Conferência da Família Franciscana do Brasil”.    Ontem foi realizada pelo Frei Luiz Carlos Susin (OFMCap.) a conferência "Vivemos no "moneyteismo". Em apropriação... O dinheiro não vale nada, mas compra tudo". O Frei João Messias (OFM) testemunhou sua vivência com os Munduruku. Uma Experiência missionária na Prelazia de Itaituba com mais de 58 comunidades indígenas que vivem com relação de pertença com a Floresta, mas ameaçados pela extração de minérios e outros impactos socioambiental.   Em seguida, a Irmã Clarice Barri, Catequista Franciscana, falou sobre Mobilidade Humana em Assis. Área de Fronteira entre Brasil, Bolívia e Peru. Foram expostas o diagnóstico social, econômico e religioso. Diálogo, Sincretismos e Intercâmbio. No encerramento do primeiro dia, teve uma apresentação de dança e teatro com a temática regional.      Hoje, o Frei Atílio Batistuz (OFM) apresentou sobre a "Mística e Profecia Franciscana", na qual questionou ao público "se a Amazônia perecer, todos nós pereceremos. Mas ela irá se reconstituir um dia. E nós?". Logo após, foi a vez do Frei Florêncio Vaz (OFM) falar sobre a "Ecologia Integral Franciscana". De sua apresentação pode se destacar a afirmação "Os encantados existem. A terra sem males, existe".    Representando a Federação das Organizações do Rio Negro (FOIR), a Dona Almerinda deixou o seu testemunho, "sobre o povo indígena, quem sabe é o Índio... Nossa relação com a terra é totalmente diferente, há amor, há pertença, há identidade, há cultura", disse ela.    O senhor Tanabe (OFS Roraima) tratou da "Micro/Macro/Cosmovisão: Como percebemos a vida?". Nela, ele afirmou que é preciso "encontrar novos caminhos para a Amazônia sem esquecer os passos que já foram dados para desconstruir e construir de modo coerente".   "Sobre o povo indígena quem sabe é o índio", disse Dona Almerinda.    O objetivo principal do Fórum é conduzir os franciscanos e franciscanas a voltarem o olhar e o coração aos apelos do Papa Francisco através de sua convocação para o Sínodo Pan-Amazônico.    Acompanhe a cobertura ao vivo do Fórum na página da CFFB, clique aqui.     
  • Foi divulgada hoje, 24, a Carta fruto do III Encontro da Igreja Católica na Amazônia
    Foi realizado entre os dias 20 e 23 deste mês, o III Encontro da Igreja Católica na Amazônia (como havíamos noticiado aqui). O congresso aconteceu na Casa de Encontro Maromba, em Manaus (AM) e teve como objetivo a partilha de experiências, a criação de metas em conjunto a partir da Amazônia brasileira e o aprofundamento de questões relacionadas ao Sínodo de 2019, cujo foco está na região. O encontro contou com a participação de 56 dioceses e prelazias locais e foi organizado pela Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) e Comissão Especial para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Foi divulgada hoje, a carta que reuniu os frutos destes quatro dias de trabalho e muita reflexão. Segue o documento:   III Encontro da Igreja Católica na Amazônia Legal Manaus, 21 a 23 de agosto de 2018   Amazônia: Novos caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral “A glória de Deus é o ser humano vivo e a vida do ser humano é a visão de Deus; se já a manifestação de Deus pela criação dá vida a todos os seres que vivem sobre a terra quanto mais a revelação do Pai pelo Verbo dá a vida aos que veem Deus!” (Santo Irineu de Lião, Contra as heresias, IV, 20,7) A Igreja Católica presente na Amazônia, em nove países, está em processo de preparação do Sínodo Especial para a Amazônia, a ser realizado em outubro de 2019. Nestes dias, de 21 a 23 de agosto, realizou-se, em Manaus, o III Encontro desse processo de reflexão. Desta vez, estiveram reunidos bispos, religiosos e leigos de toda a Amazônia Legal. O papa Francisco nos pede que sejamos uma Igreja próxima, solidária, defensora da dignidade humana, profética, capaz de discernir o que nos pede o Espírito Santo, de denunciar as injustiças e alimentar a Esperança para os povos da Amazônia! A finalidade do Sínodo é encontrar novos caminhos para a evangelização do povo de Deus, sobretudo, dos povos indígenas que sofrem grandes ameaças. O desejo do papa Francisco é uma Igreja impulsionada pela missionariedade, aberta, em saída, em estado permanente de missão. O tema da ecologia está inserido no contexto da Igreja aberta e misericordiosa. A misericórdia nos leva à experiência do cuidado. A evangelização tem uma dimensão ecológica. Ao longo desses dias, rezando, estudando, ouvindo especialistas com suas análises, o que ampliou nossa visão do conhecimento de toda complexa realidade amazônica, expusemos também nossas preocupações com todas essas situações e experiências dolorosas da vida de nossos povos, como o que está acontecendo com os migrantes venezuelanos em Roraima, no município de Pacaraima, e o que estamos realizando em nossas Igrejas particulares por meio de nossas ações evangelizadoras e pastorais. Constatamos com alegria e esperança que a Igreja Católica na Amazônia está solidária com seus povos e dando passos decisivos para a concretização do Sínodo, por meio do levantamento e mapeamento de nossas realidades eclesiais e ambientais, da realização das Assembleias Territoriais, das Rodas de Conversas, das Assembleias Diocesanas e Regionais. Percebemos, porém, que ainda há muito para fazer. Os desafios são imensos. Todos os dias nos chegam notícias desalentadoras que afetam a vida e a existência de nossos povos, como a continuação dos grandes projetos: a construção das hidrelétricas, o avanço do agronegócio, a exploração das mineradoras e o incontrolável desmatamento. Enfim, ameaças constantes à grande floresta, às nossas águas e à sobrevivência dos habitantes da região, sobretudo os povos tradicionais e aqueles que sobrevivem da pesca, do extrativismo, da agricultura familiar, como por extensão, os habitantes das cidades que, nestes últimos anos, cresceram consideravelmente na região, com todas as sequelas de degradação da condição humana, espelhada de modo especial na violência que cresce cada dia, na proliferação do narcotráfico e do tráfico de pessoas, ceifando a vida de uma quantidade enorme de pessoas, especialmente dos jovens. Não obstante esses desafios, sonhamos com uma Igreja de rosto amazônico. Esta Igreja já existe nas comunidades que se formaram e se fortaleceram a partir do encontro dos Bispos da Amazônia, em 1972, na cidade de Santarém. As organizações indígenas com as quais a Igreja católica colaborou e colabora, o compromisso com a luta pela terra, por saúde e educação diferenciadas marcam a pastoral indigenista. O envolvimento em projetos de desenvolvimento sustentável, a partir da fé, e a luta por melhores condições de vida nas grandes periferias urbanas marcam a nossa Igreja. No nosso coração de pastores, estará o atendimento e o acompanhamento pastoral das comunidades que têm direito de serem alimentadas pelo pão da Eucaristia, da Palavra e pelos sacramentos. Crescemos muito nos ministérios leigos, nos quais destacamos a participação efetiva das mulheres, formamos catequistas, dirigentes de celebração, animadores de comunidades, ministros e ministras da Palavra, das exéquias e da sagrada comunhão; formamos e ordenamos um bom número de padres diocesanos e diáconos permanentes; nos últimos tempos, já temos um clero local que, se não é numeroso, tem identidade própria. Mas as necessidades ainda são grandes e as nossas características regionais exigem soluções diferenciadas. Seguimos os rumos traçados pelo processo sinodal na firme esperança de que o Espírito que conduz a Igreja nos animará e sustentará em nossa caminhada nesta Amazônia, pois sentimos a necessidade de estabelecer uma unidade em torno dos mais diversos desafios que a Amazônia apresenta, fortalecerá o imenso esforço, às vezes desconexo da evangelização, dos movimentos e das práticas pastorais para tornar eficaz essa rede de solidariedade e comunhão. Não podemos perder de vista que a Igreja na Amazônia está inserida num contexto eclesiológico mais amplo que é a Igreja no continente americano e caribenho. Por isso, ao concluir esta carta, não poderíamos deixar de destacar que a vivência eclesial em nossa região encontra-se em plena consonância com todo o debate em torno do tema do Sínodo e em profunda comunhão com o magistério do Papa Francisco. Que Maria de Nazaré, expressão da face materna de Deus no meio de nosso povo, por sua intercessão, acompanhe os passos da Igreja de seu Filho nas águas e terras amazônicas para que ela seja sinal e presença do Reino de Deus e que ajude, com sua tarefa evangelizadora, a humanizar e a dignificar cada vez mais a realidade da vida em nossa região.     Manaus, 23 de agosto de 2018 Dia de Santa Rosa de Lima, Padroeira da América Latina Bispos católicos da Amazônia Legal e demais representantes participantes no III Encontro   Cardeal Dom Cláudio Hummes, Presidente da Comissão Episcopal para Amazônia da CNBB, Presidente da REPAM – Rede Eclesial Pan-Amazônica   Fontes: CNBB e IHU.  
  • Foram apresentados na sexta-feira, 08, a Logotipo e Documento Preparatório para o Sínodo da Amazônia
    Na última sexta-feira, 08, em uma coletiva de imprensa realizada no auditório da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foram apresentados a Logotipo e o Documento Preparatório para o Sínodo da Amazônia. A divulgação foi feita pela Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), juntamente com a Comissão Episcopal para a Amazônia, instituições parceiras e pastorais. Amazônia: novos caminhos para a igreja e para uma ecologia integral” é o tema do Sínodo que será realizado em outubro do ano que vem. O objetivo do material é preparar as comunidades para o Sínodo e ouvi-las, para que essa grande assembleia repercuta, de fato, os clamores que saem das bases. A Irmã Maria Irene Lopes, assessora da Comissão Episcopal para a Amazônia, secretária executiva da REPAM-Brasil, Delegada da Confederação Latino-Americana e Caribenha de Religiosos e Religiosas (CLAR) na Comissão Preparatória do Sínodo e única mulher da equipe, apresentou o Documento e os passos que serão realizados a partir de agora. Ela conta que o material precisa chegar a todas as pessoas do território amazônico para contribuírem no processo. “O Documento será utilizado nas assembleias territoriais, realizaremos cerca de 40 ao longo dos próximos meses, e esse momento será de escuta das bases: os indígenas, os quilombolas, os ribeirinhos, as pessoas das cidades, os jovens… esse documento vai para as mãos das pessoas que estão na Amazônia”, reforçou irmã Irene.   Documento O material foi construído por uma equipe de assessores e foi aprovado pelo Vaticano, em abril desse ano, quando houve a primeira reunião do Conselho Pré-Sinodal. O Documento Preparatório é composto por um texto-base, que oferece uma análise da conjuntura atual da Amazônia e aponta percursos e novos caminhos para a Igreja a serviço da vida nesse bioma. Dos 13 expertos que auxiliaram na escrita do Documento Preparatório, 3 são brasileiros e membros da REPAM-Brasil. O texto está dividido em três partes, segundo o método ver, discernir e agir. Ao final do material estão algumas questões que permitem um diálogo e uma progressiva aproximação da realidade para que as populações da Amazônia sejam ouvidas. Logotipo A arte foi criada pelo artista baiano Aurélio Fred, do Ateliê 15, a proposta busca traduzir o espírito do Sínodo e o que se espera dele. A base para a logo é uma folha, que nos aponta para toda a biodiversidade presente na Amazônia. O movimento dela também nos lembra o fogo, uma chama, que é ação do Espírito agindo neste momento da história na Igreja e na Amazônia. A folha, por sua vez, não tem um traçado simples que aponta para uma única direção, mas traz a trama de uma cesta indígena, recordando a cultura das populações tradicionais, a força, o trabalho e o sentido de unidade. Unidade, aqui, de toda a Pan-Amazônia, lembrada nas cores das bandeiras dos países que a compõem, não tendo uma cor ou bandeira que prevaleça sobre a outra. No centro, um rio que une toda a região, com seus afluentes e bacias, símbolo também do caminho, motivação do tema do Sínodo, e que passa pela cruz, nossa identidade de Igreja e de cristãos.   (Com informações de: CNBB e Vatican News)
  • Fórum Franciscano para o Sínodo Pan-Amazônico: conhecer e aproximar-se para acolher
    Foi concluído no último sábado, 06, em Manaus (AM), o Fórum Franciscano para o Sínodo Pan-Amazônico. O evento realizado no Centro Arquidiocesano São José foi promovido pela Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFFB) teve como objetivo conduzir franciscanos e franciscanas a voltarem o olhar e o coração aos apelos do Papa Francisco através de sua convocação para o Sínodo Pan-Amazônico.   O último dia do Fórum foi marcado por uma celebração no encontro das águas entre os rios Negro e Solimões em que pôde ser sentido por todos e todas o clima de cumplicidade que unia cada um dos presentes às características da tradição amazonense em toda a sua diversidade e beleza e que tem como ponto principal a fraternidade universal, tal qual ensinou o Seráfico Pai São Francisco de Assis aos seus seguidores.   Foram três dias (entre 04 e 06 de julho) de apresentações, palestras e debates guiados pela temática “Perspectivas e desafios para a Conferência da Família Franciscana do Brasil”. Frades, irmãs e fiéis uniram-se não somente para seguir o apelo do Papa Francisco em sua convocação para o Sínodo Pan-Amazônico, mas também para ouvir e receber dos povos que compõem a região amazônica o que eles têm a dizer e ensinar sobre a terra em que vivem há gerações.       “Sobre o povo indígena quem sabe é o índio” Os povos indígenas e ribeirinhos são os maiores dependentes diretos do ecossistema amazônico. Eles convivem diariamente em uma relação intrínseca com as árvores, animais, rios e terras. Habitam nesta região muito antes de podermos iniciar uma discussão sobre a preservação da biodiversidade da Amazônia e é justamente por isso que eles são também os maiores conhecedores de sua preservação.   Aprender com estes povos é o objetivo do Sínodo Pan-Amazônico, convocado pelo Papa Francisco no ano passado, que trata-se de um chamado a toda a Igreja para voltar a sua atenção à Floresta Amazônica e repensar a maneira como cuidamos da Casa Comum e também como o Evangelho é anunciado àqueles que mais precisam dele.     Os índios e ribeirinhos não consideram a biodiversidade como recursos a serem utilizados, mas compreendem ela como uma parte integral de cada um. São um, inseparáveis e em comunhão. É com este modo de ver o mundo que o Santo Padre deseja que aprendamos.   “Sobre o povo indígena, quem sabe é o Índio... Nossa relação com a terra é totalmente diferente, há amor, há pertença, há identidade, há cultura", como afirmou Dona Almerinda que estava representando a Federação das Organizações do Rio Negro (FOIR) em uma das conferências realizadas durante o Fórum. Confira o resumo das apresentações clicando aqui.   Em nota, a CFFB divulgou que Fórum foi um processo intenso e extenso de (re)conhecer a pertença e o cuidado com a Amazônia urbana e rural. Isto implica em aproximar-se, acolher e respeitar toda a beleza da criação expressa na relação entre os povos originários da Amazônia. E ainda, observar que esta vida pulsante na Amazônia está interligada com todas as expressões de vida, formando uma fraternidade universal. Confira a nota na íntegra aqui.     Para participar do Simpósio Franciscano que celebra os 800 anos do encontro entre São Francisco e o Sultão (clique aqui e aqui para saber como foram os dois primeiros dias), o Frei Gilson Miguel Nunes esteve no Instituto São Boaventura, em Brasília. O frade da Província São Francisco de Assis, em São Paulo, participou do Fórum Franciscano para o Sínodo Pan-Amazônico e conversou um pouco conosco sobre o evento e toda a sua importância para a família franciscana e a Igreja.   Confira a entrevista logo abaixo!   Veja mais fotos na galeria após a entrevista. 
  • Iniciou hoje em Manaus o Fórum Franciscano para o Sínodo Pan-Amazônico
    Iniciou hoje, 04, no Centro Arquidiocesano São José, em Manaus (AM), o Fórum Franciscano Para o Sínodo Pan-Amazônico. Sob a temática  “Perspectivas e desafios para a Conferência da Família Franciscana do Brasil”, o fórum tem como objetivo conduzir franciscanos e franciscanas a voltarem o olhar e o coração aos apelos do Papa Francisco através de sua convocação para o Sínodo Pan-Amazônico.   O evento é promovido pela Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFFB) e conta com a colaboração do bispo arquidiocesano da capital amazônica, Dom Sérgio Castriani, de Moema Miranda da Ordem Franciscana Secular (OFS), Frei Luiz Carlos Susin (OFMCap), Frei Florêncio Vaz (OFM) e dos assessores da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM).   Durante o fórum, hoje e amanhã, serão realizados debates, estudos e conferências para o aprofundamento na solicitação do Papa Francisco. A conclusão será nesta sexta-feira (06) em um Momento Celebrativo: Cântico das Criaturas e Laudato Si. Clique aqui e confira a programação completa no site da CFFB.   “Como filhos e filhas de Francisco de Assis não podemos ficar alheios às contradições sociais da realidade contemporânea, com as quais somos chamados a confrontar-nos em especial quando se refere a sermos colaboradores na preservação de toda a biodiversidade, no respeito aos povos originários que vivem na Amazônia”, expressou o presidente da CFFB, Frei Éderson Queiroz (OFMCap), em sua carta de convocação ao evento.   Francisco de Assis, patrono da ecologia, “irmão da natureza”, figura sempre muito atual, foi um dom para a Igreja, um estímulo para nós e um testemunho para a humanidade. A seu exemplo, possamos nós, franciscanos e franciscanas, cumprirmos nossa missão em defesa da vida e do cuidado da casa comum, com vigor renovado e com a audácia reformadora que o caracterizou.
  • Instituto São Boaventura inicia ano acadêmico de 2019
    Ontem (25), foi a abertura do Ano Acadêmico de 2019 do Instituto São Boaventura (ISB). Por esta ocasião, Dom frei Leonardo Steiner foi convidado e celebrou a  santa missa na Cripta do Santuário São Francisco, na Asa Norte (DF). Além disso, o bispo ainda ministrou a aula inaugural do ISB, com uma palestra sobre o Sínodo da Amazônia que acontecerá em outubro deste ano. "Sínodo 2019: A Amazônia no coração da Igreja" era o tema da aula inaugural.  Convocado pelo próprio papa, o sínodo é uma maneira de discutir a realidade Pan-Amazônia. De acordo com Francisco, “o objetivo principal desta convocação é identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, que são frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno e, também, por causa da crise da Floresta Amazônica, o pulmão que tem a sua importância para nosso planeta. Que os novos Santos — em referência aos santos brasileiros canonizados em 2017 — intercedam por este evento eclesial para que, no respeito da beleza da Criação, todos os povos da terra louvem a Deus, Senhor do universo, e, por Ele iluminados, percorram caminhos de justiça e de paz”. Dom Leonardo Steiner também é secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Na palestra ele explicou a tamanha importância deste sínodo para a região da Amazônia. A floresta Amazônica está estimada em 7 milhões de quilômetros quadrados e ocupa 61 % do território brasileiro. Ela tem a maior reserva da biodiversidade — de 30% a 50% da flora e fauna mundial. Além disso, são mais de 21 milhões de habitantes ocupando a região. Há uma incontável diversidade de povos com diferentes expressões culturais e que, muita das vezes, não mantém contato com outras culturas. O sínodo teve início em Puerto Maldonado (Peru), em 2017, no encontro com povos indígenas. Outro ponto observado durante a aula inaugural e que as cidades estão avançando a floresta, principalmente, as periferias urbanas, trazendo desigualdades sociais. Formado por povos indígenas, ribeirinhos, pessoas atraídas pela mineração, exploração do petróleo; aumentando o consumo de álcool e droga. Segundo o bispo, o sínodo não vai se limitar ao aspecto religioso. Deverá ser levado em contato todas as dimensões da Pan-Amazônia (bioma e biodiversidade; a multiétnica, o pluriculturalismo e a plurirreligiosidade). O convidado Dom Leonardo Ulrich Steiner nasceu em 6 de novembro de 1950, em Forquilhinha, Santa Catarina. Estudou os ensinos fundamental e médio no Seminário Santo Antônio de Agudos. Ingressou na Ordem dos Frades Menores (OFM), em 20 de janeiro de 1972, quando foi admitido no Noviciado da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil. Logo depois, cursou Filosofia e Teologia, em Petrópolis (RJ) ainda quando os dois cursos eram integrados. Foi ordenado padre pelas mãos de Dom Paulo Evaristo Cardeal Arns, em 21 de janeiro de 1978. Com uma sólida formação pedagógica, assumiu trabalhos na área da educação, compondo os quadros de professores das casas de formação pela qual passou. Em 1982, concluiu o curso de Pedagogia e entre 1987 a 1994 foi “mestre de noviços”, um cargo importante na formação religiosa. A partir de 1995, partiu para o Pontifício Ateneu Antoniano, em Roma, e concluiu o mestrado e doutorado em filosofia. Atualmente, é secretário-geral da CNBB. Acesse o site do ISB e conheça mais sobre o Instituto e os cursos que são oferecidos. www.isb.org.br  
  • Maranhão realiza primeira assembleia territorial em detrimento da etapa de escutas para o Sínodo da Amazônia
    No último fim de semana, dias 22, 23 e 24, mais de 100 pessoas, entre delegados das 11 dioceses do regional Nordeste 5, participaram da primeira atividade territorial em preparação para o Sínodo para a Amazônia, em São Luís (MA), no Oásis – Casa de Oração. O seminário faz parte das escutas que serão realizadas em toda a Pan-Amazônia em que os povos do bioma contribuirão na construção da Assembleia Sinodal. Participaram da atividade lideranças diocesanas de pastorais, representantes de comunidades indígenas, quilombolas, camponeses, pescadores, atingidos por mineradoras, quebradeiras de coco, leigos, religiosos, sacerdotes, bispo, pastorais sociais e organismos parceiros, como o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT). Foram quase três dias de encontro com formação, debates, escutas e muito diálogo. O grupo reunido no Maranhão, com assessoria da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), pode conhecer e estudar o Documento Preparatório e responder ao questionário presente no material. As respostas serão enviadas à equipe de sistematização que, com as demais recolhidas ao longo dos próximos meses, farão parte da síntese que comporá o Documento de Trabalho dos membros do Sínodo. O grupo foi acolhido por Dom Vandeci Santos Mendes, bispo de Brejo (MA), que esteve presente durante quase toda a atividade. Para o bispo a Assembleia Territorial e todo o movimento de preparação para o Sínodo ajuda a despertar uma Igreja comprometida, que escuta e é profética e procura ser missionária em meio às comunidades tradicionais e todos os povos. “É de grande importância para nos animar e nos fortalecer nessa caminhada como discípulos e discípulas de Jesus Cristo”, afirmou Dom Valdeci. Na tarde de sexta-feira, primeiro dia de encontro, com muita mística e espiritualidade, o grupo foi convidado a entrar no clima do seminário. Elisângela Barbosa, coordenadora de articulação da REPAM-Brasil, e Romina Gallegos, articuladora da REPAM, apresentaram a proposta do Sínodo para a Amazônia das atividades territoriais e escutas dos povos. Segundo Romina as fronteiras na Pan-Amazônia são apenas geográficas. “Estamos intimamente interligados, todos fazemos parte da mesma Pan-Amazônia, dessa riqueza do planeta, e precisamos estar cada vez mais unidos em favor dessa nossa casa comum e o Sínodo é uma grande oportunidade para tomarmos consciência disso e nos mobilizarmos”, afirmou a articuladora da REPAM.   (Via: CFFB)
  • Milhares de pessoas contemplam imagens da Amazônia projetadas na Basílica de São Francisco
    As imagens da Amazônia foram projetadas na fachada da Basílica Superior de Assis na noite de domingo (veja o vídeo ao fim do texto), na conclusão da 5ª edição do “Pátio de Francisco”, que teve por tema “Encontro entre comunidades, povos, nações”, e reuniu de 19 a 22 de setembro em Assis representantes da sociedade civil e religiosa, do mundo artístico e da mídia.   Um “Pátio de Francisco” com um público recorde. De fato, nesta 5ª edição do festival, foram mais de 20 mil os participantes dos quatro dias de encontros, mais de 200 os jornalistas credenciados, 42 painéis e 70 palestrantes. O evento foi concluído no sábado com o diálogo entre o cardeal Gianfranco Ravasi e Sebastião Salgado.   No gramado em frente à Basílica Superior de San Francesco, estavam cerca 6 mil pessoas que assistiram à projeção na fachada do complexo, das imagens do novo projeto fotográfico de Salgado: “Amazônia”. O evento também foi acompanhado pela mídia nacional e internacional, da Reuters à Associated Press, da Rai à Mediaset e Sky, da TV2000 à France Press.     Humildade e gratuidade de Francisco “Hoje falamos muito sobre a Amazônia e de sua destruição. Mas o problema não é somente a Amazônia: devemos encontrar uma maneira de voltar ao planeta, de amar o planeta”, disse por sua vez Sebastião Salgado, convidado para participar do “Pátio de Francisco”, em Assis. “Estou feliz por ter sido convidado para estar aqui em Assis. Os frades do convento de São Francisco são homens de espiritualidade, e hoje devemos voltar a viver espiritualmente o planeta”.     “A Úmbria é uma região muito bonita – prossegue o fotógrafo brasileiro. Ontem eu olhava a planície de Assis, a cadeia de montanhas no horizonte. Tenho certeza de que um dia, no passado, São Francisco olhou para estas mesmas paisagens, caminhando até aquelas montanhas, para admirar e amar a natureza”.     Louvado sejam meu Senhor pela irmã Amazônia “Aqui em Assis, no Pátio de Francisco, houve uma prévia do importante Sínodo da Amazônia, convocado pelo Papa Francisco”, declarou o padre Enzo Fortunato. “O Papa convocou os bispos e os homens de boa vontade a um compromisso ambiental pelo nosso planeta. Nós em Assis, quisemos dar a nossa contribuição. Foi surpreendente e emocionante ver cerca de 6.000 pessoas e a imprensa de todo o mundo maravilhadas e com a cabeça erguida diante das imagens que eram projetadas na fachada da Basílica. Louvado seja meu Senhor pela irmã Amazônia”.     Veja a transmissão no vídeo abaixo!   Fonte: Franciscanos.
  • O Sínodo Amazônico e a Fraternidade Franciscana
    Este Sínodo, pode ter a magnitude vulcânica do Vaticano II”, afirma Presidente da Família Franciscana do Brasil O Sínodo para a Amazônia está levando às congregações religiosas a uma reflexão em torno das problemáticas que esse momento está apresentando para a vida da Igreja. Têm acontecido muitos encontros em volta dessa temática, o que mostra que, além de documentos, o Sínodo está provocando novos caminhos, novos modelos de evangelização, de enfrentar os desafios da missão, especialmente na região amazônica. A Família Franciscana do Brasil tem organizado o Fórum Franciscano para o Sínodo Pan-Amazônico, que vai acontecer em Manaus, a maior cidade da Amazônia, de 4 a 6 de julho. No evento são convidados todos aqueles que são envolvidos no carisma franciscano, frades, religiosas, leigas e leigos, tendo como propósito o estudo, debate, aprofundamento e celebração. Francisco de Assis e Francisco de Roma são personagens em quem muitos vem paralelismos que nos levam a descobrir no bispo de Roma uma atualização da mensagem a as práticas do santo que viveu há oito séculos. A Laudato Si recolhe muitos elementos do Cântico das Criaturas, uma atitude que também se percebe no chamado ao cuidado da Casa Comum e o desejo de uma Igreja pobre e para os pobres. Na região amazônica, a presença da família franciscana é uma das mais destacadas. É por isso que a reflexão em volta do Sínodo pode beneficiar nem só as diferentes congregações que fazem parte dessa família como as muitas Igrejas locais onde desenvolvem seu trabalho evangelizador. Na programação do encontro aparece uma reflexão em torno do Instrumento de Trabalho do Sínodo, que está sendo ultimado depois dos aportes do Conselho Presinodal, reunido em Roma na semana passada, e que deve ser apresentado no mês de junho. Junto com isso, vai acontecer uma reflexão sobre cosmovisões amazônicas, onde está anunciada a presença do Padre Justino Sarmento Rezende, salesiano indígena do povo tuyuka, assessor do Sínodo para a Amazônia, e uma pessoas que melhor tem sabido estabelecer pontes entre o a visão indígena do mundoe a espiritualidade cristã. Também faz parte do programa a reflexão sobre os desafios do Sínodo para a Família Franciscana do Brasil, com a assessoria de Frei Luiz Carlos Susin, OFMCap, a dimensão mística e profética dos franciscanos e o Sínodo, com a presença de Frei Atílio Battistuz, OFM, e a Ecologia Integral Franciscana em relação ao Sínodo, com as contribuições de Frei Florêncio Vaz, OFM. Segundo Frei Éderson Queiroz OFMCap, Presidente da Conferência da Família Franciscana do Brasil – CFFB, “a Conferência da Família Franciscana do Brasil, recebeu com apreço a convocação pelo Papa Francisco, do Sínodo Panamazônico. O Sínodo em si mesmo, diz de uma realidade muito próxima do movimento franciscano: caminhar juntos!”. O frei encontra a justificativa a suas palavras no próprio fundador, pois “São Francisco de Assis, intuiu o “caminhar juntos” como expressão da Fraternidade Minorítica, pois exige escuta, olhar na perspectiva do outro, diálogo que aproxima a compreensão e passos numa mesma direção, como consequente obediência ao Espírito, que se manifesta na comunidade reunida”. Ao falar concretamente do Sínodo para a Amazônia, o Presidente da CFFB, diz que “este Sínodo tem um objetivo especial, a realidade humana, eclesial, ambiental da grande Amazônia. Falar da Amazônia, é tocar nas cordas mais finas da Espiritualidade Franciscana, sua gente, seu modus vivendi, sua cultura, religiosidade, costumes, ecossistemas, desafios, ameaças, exploração. Tudo isso move nosso ser Franciscano”. Ele insiste em que “o Sínodo é um acontecimento eclesial. Isto deveria ser profundamente interpelativo ao franciscano e franciscana. Herdamos de São Francisco, a consciência da catolicidade. Aliás, está foi uma das condições, por ele estabelecida, para acolher alguém como membro da Fraternidade”. Dada a presença dos diferentes membros da família franciscana em todos os cantos do país, o fórum que vai acontecer em Manaus, de 4 a 6 de julho, pretende, segundo Frei Éderson Queiroz, “despertar a consciência dos irmãos e irmãs, espalhados pelo Brasil a fora, de que o Sínodo Pan-Amazônico, não diz respeito somente aos que vivem na Amazônia”. Ele insiste em que “as questões que hoje dificultam o exercício da vivência eclesial, a inculturação da fé, o sujeito eclesial, os ministérios, os múltiplos desafios para a Vida Religiosa Consagrada, de matriz europeia, branca e urbana, podem a partir do Sínodo, encontrar respostas e projetar caminhos novos”. Entre os novos caminhos, o frei diz que “por outro lado, temos toda a questão ambiental. A Amazônia, é vista pelo grande capital como uma mina a ser explorada. Baseando no modelo exploratório dos grandes grupos internacionais, a Amazônia é uma terra a ser devastada. Já temos indícios disso”. Fazendo referência aos origens do franciscanismo, “no espírito das origens do movimento Franciscano, tudo que diz respeito ao ecossistema, deve ser amado, não porque serve a vida humana, mas, porque é nosso irmão, nossa irmã. A vida em si mesma, palpita na água, no sol, nas plantas e nos milhões de seres vivos, ali presentes. Portanto, falarmos da Amazônia, em sua multiplicidade de vida, é falarmos da Fraternidade Franciscana, coração do nosso carisma”, aspectos que condizem comas cosmovisões dos povos originários da Amazônia. Desde a visão franciscana, ninguém pode esquecer que “para São Francisco, não é apenas os humanos, que devem ser vistos e tratados na perspectiva da irmandade, mas também todo o criado que está a sua volta. O mesmo Francisco que diz: irmã Clara, irmã Jacoba, Irmão Leão, irmão Rufino, irmão Bernardo, irmão Pedro, diz também: irmã água, irmã cotovia, irmã lua, irmão sol, irmão lobo. Até a morte, foi acolhida na perspectiva da fraternidade: irmã morte!”, enfatiza o Presidente da CFFB. Dentro da família franciscana do Brasil, seu Presidente reconhece que “a reflexão sinodal tem tocado mais de perto a vida das irmãs e dia irmãos que vivem na região amazônica”. Isso se constata no fato de que “muitos estão engajados nos diversos grupos da REPAM, CRB, Arquidioceses, Dioceses, Prelazias. Criaram grupos nas frentes de trabalho para estudar, aprofundar e colaborar nas sugestões enviadas a Secretaria Geral do Sínodo. Muitas festas de padroeiros tomaram o tema e lema do sínodo. Retiros Espirituais, assembleias de estudo, seminários e outras atividades foram ricamente desenvolvidas, pelas Fraternidades da região amazônica”. Nesse sentido, o frei reconhece com pesar que “tristemente, ainda sentimos, a região centro-sul do Brasil, um tanto silenciosa quanto ao Sínodo. Tenho impressão, que muitos ainda estão na lógica: isto não diz respeito a minha vida. Será uma coisa para a Amazônia”. Por isso, ele insiste em que “acredito que muita gente ainda não percebeu, que este Sínodo, pode ter a “magnitude vulcânica” do Concílio Vaticano II”. Sua afirmação tem como base o fato de que “é impossível tratarmos da presença da Igreja, naquela grande região, a qual está intimamente ligada a vida e o futuro do planeta, sem tratarmos da vida e cultura dos povos originários, da diversidade cultural, linguística, simbólica, religiosa, daquela gente”. Isso também atinge à Vida Religiosa, pois em sua opinião, “o modelo de Vida Religiosa Consagrada, que usualmente encontramos mundo a fora, para a Amazônia precisa de uma recriação. A prática ministerial usualmente centrada nos sacramentos e para isso a necessidade de homens celibatários, ou seja revista, ou perderemos de vez, nossa interlocução com a realidade amazônica”, mostrando assim alternativas de novos caminhos para a Igreja. Na perspectiva da ecologia integral, ele afirma que “criamos frentes organizadas e articuladas entre si, para a defesa da Amazônia, sua gente, cultura e meio ambiente ou então, assistiremos o assalto, que já está ocorrendo, devastando matas, poluindo rios, matando espécies nativas, sacrificando gentes”. O Fórum Franciscano sobre o Sínodo Pan-Amazônico, que acontecerá em Manaus, de 4 a 6 de julho, pretende ser um despertar a todas essas questões, segundo o Presidente da CFFB. Nesse sentido, ele diz que “logo no mês de agosto, teremos nossa Assembleia Geral Ordinária, o nosso desejo, é que juntos, possamos abraçar com renovado empenho, toda questão amazônica e que estejamos abertos aos caminhos apontados pelo Santo Padre, depois da Assembleia Sinodal. Vislumbramos um caminho muito bonito, intenso e não menos empenhativo para toda a Família Franciscana do Brasil”.  
  • Regional Norte 1 da CNBB inicia o processo de escuta às bases sobre o Documento Preparatório do Sínodo da Amazônia
    Com o lançamento do Documento Preparatório do Sínodo para a Amazônia, o regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que compreende o Norte do Amazonas e o Estado de Roraima já prepara suas dioceses e prelazias para momentos de leitura e reflexões acerca do texto-base. A proposta é fazer com que todos estejam a par do Documento e possam apresentar seus pontos de vista. O secretário-executivo do regional, diácono Francisco Andrade de Lima explica que já em fevereiro, o Norte 1 elaborou uma proposta de trabalho para dinamizar a apresentação do Documento nas dioceses e prelazias. “O primeiro passo definido era que íamos inserir o Documento na programação dos encontros já estabelecidos ao longo do ano em nossa agenda”, disse. Já como forma concreta do que fora combinado, nos dias 15 a 17 de junho, o regional realizou um seminário de incidência política onde reuniu as pastorais sociais. Na ocasião, o diácono Francisco afirmou que os participantes puderam ter contato com o Documento Preparatório do Sínodo. Seminário das Pastorais Sociais do regional Norte 1 sobre Incidência Política. Crédito: Regional Norte 1 da CNBB   O Documento Preparatório do Sínodo foi construído por uma equipe de assessores e aprovado pelo Vaticano. Composto por um texto-base, ele oferece uma análise da conjuntura atual da Amazônia e aponta recursos e novos caminhos para a Igreja a serviço da vida nesse bioma. O objetivo do material é justamente preparar as comunidades para o Sínodo e ouvi-las, conforme desejo expresso do papa Francisco. Dividido em três partes, segundo o método ver, discernir e agir, ao final do Documento estão algumas questões que permitem o diálogo e uma progressiva aproximação da realidade para que as populações da Amazônia sejam ouvidas. E é exatamente isso que o regional Norte 1 juntamente com os comitês da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) se propõem a fazer. “Com a aplicação do questionário, nós do regional temos a esperança de que o Sínodo Pan-Amazônico traga novos encaminhamentos e metodologias”, finaliza o secretário-executivo. Ecologia Integral – “Amazônia: novos caminhos para a igreja e para uma ecologia integral” é o tema do Sínodo que será realizado em outubro do ano que vem. O presidente do regional Norte 1, dom Mário Antônio da Silva afirma que esta é uma oportunidade de dinamizar um pouco mais a evangelização dos povos da região. “É o momento de ser uma presença renovada junto às comunidades indígenas, ribeirinhas, quilombolas, bem como uma presença renovada e fecunda em todo e qualquer lugar, sobretudo nas grandes cidades da nossa Amazônia”, enfatiza.   (Via: CNBB)
  • REPAM realiza processo de escuta dos jovens para o Sínodo 2019
    Entre os dias 07 e 09 deste mês, em Manaus (AM), foi realizada pela Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), uma atividade de escuta que reuniu cerca de 30 jovens para refletir sobre o Sínodo de 2019, que tem a realidade amazônica como tema. Os participantes são representantes de uma diversidade de grupos juvenis e, na ocasião, responderam ao questionário do Documento Preparatório. Pastorais, movimentos eclesiais e sociais, congregações religiosas, comunidades indígenas e quilombolas estiveram representadas no encontro. Os jovens divulgaram uma carta aberta à Igreja e à sociedade. No texto, que reflete as respostas ao questionário, os jovens indígenas, caboclos, ribeirinhos, quilombolas, extrativistas, habitantes da zona rural e urbana, moradores das periferias e das fronteiras, afirmam que são “afetados diretamente pelas ameaças que dia a dia excluem, matam, degradam e cerceiam a vida dos povos”. Pensando na Igreja com rosto amazônico, a juventude da Amazônia brasileira afirma querer que ela seja “inculturada, que respeite a diversidade da juventude dos povos amazônicos, que resistem e assumem as lutas nos diversos espaços em que estão inseridos”. E pedem “à hierarquia eclesial e a todo o povo de Deus, coragem para responder aos desafios do nosso século e que possam acreditar na beleza da novidade que a juventude traz”, afirma o texto. Os jovens encerram a carta manifestando apoio ao Papa Francisco, cujo pontificado “lança sopros de alegria e novidade no seio da Igreja no processo de escuta do Sínodo da Juventude e Sínodo para a Amazônia”, dizem eles. Como horizonte a ser perseguido, a partir do Sínodo, os jovens afirmam sonhar “uma Igreja na qual as juventudes sejam protagonistas e que as mulheres tenham voz e vez. Uma igreja que promova e defenda a vida em todos os âmbitos, sem medo de assumir e atuar na opção preferencial pelos pobres, a luta dos povos indígenas, comunidades tradicionais, migrantes e jovens da Amazônia. Uma Igreja menos clerical, em que os leigos e leigas, especialmente as juventudes, se apropriem, sejam protagonistas na ação pastoral e tenham apoio na capacitação técnica para sua atuação, dentro e fora dos espaços eclesiais”, concluem as juventudes da Amazônia brasileira presentes na atividade de escuta.   Fonte: Vatican News.
  • Representantes da Vida Religiosa se reuniram em Manaus
    Neste fim de semana, entre os dias 16 e 18 de novembro, representantes da Vida Religiosa na região amazônica se reuniram em Manaus (AM) para debater assuntos pertinentes aos eventos pré-Sinodais promovidos pela REPAM (Rede Eclesial Pan-amazônica). A ocasião foi mais uma etapa no caminho da escuta rumo ao Sínodo Amazônico para compartilhar o trabalho realizado e os resultados colhidos nos últimos meses nas bases em todos os 6 Regionais da Igreja na Amazônia.  A Vida Religiosa Consagrada (VRC) é uma presença próxima, um testemunho que caminha ao lado das pessoas e dialoga com elas nas fronteiras amazônicas, periferias e centros urbanos. Acompanha a vida dos que mais sofrem e são perseguidos: indígenas (inclusive os mais isolados), ribeirinhos, quilombolas, imigrantes, pobres. A Irmã Maria Inês Vieira Ribeiro, Presidente da Confederação Brasileira de Religiosos (CRB), em declaração concedida ao Padre Luis Miguel Modino, resume, “a Vida Religiosa espera que o Sínodo olhe concretamente para a situação de vulnerabilidade dos povos da Amazônia e que apoie uma Igreja cada vez comprometida com as causas dos mais vulneráveis entre os vulneráveis”, contou explicou a Religiosa. “Não tem sentido como religiosos e religiosas ficarmos acomodados em nossa zona de conforto”, continuou ela. Em nome da Vida Religiosa na Amazônia brasileira, Irmã Maria Inês sente a obrigação de voltar à presença nas bases, de chegar às comunidades mais distantes, muitas vezes esquecidas e desatendidas; de escutar e promover o diálogo. Uma Igreja menos administradora e mais missionária, que seja voz dos povos que acompanha, respeite a religiosidade popular e os saberes e espiritualidades dos povos tradicionais.   Carta final e mensagem ao Papa Francisco Na conclusão do encontro foram emitidos dois documentos: uma carta ao Papa e outra, resumindo o conteúdo do evento. Ao Bispo de Roma, os participantes colocam-se à disposição, “com a nossa oração e o nosso trabalho, a viver na simplicidade e na pobreza”. E na ótica da Encíclica Laudato Si, querem “que o Sínodo para a Amazônia seja uma oportunidade para o mundo conhecer os valores e gritos presentes na Igreja da Amazônia, entender seu dinamismo e receber as contribuições que pode oferecer”. Confira a carta (em espanhoul) clicando aqui.   Fonte: Vatican News. Autora original: Cristiane Murray.