Santa Clara

  • A importância de Santa Clara de Assis para as congregações franciscanas
    A irmã Elka Santos, das Irmãs Franciscanas da Sagrada Família, falou sobre a importância que a fundadora da Ordem das Clarissas tem para o franciscanismo em geral e para toda a Igreja. Saiba mais sobre a biografia da Santa em nosso site: http://bit.ly/SantaClaraDeAssis Leia também a Saudação do Ministro Provincial por ocasião da Festa de Santa Clara: http://bit.ly/Saudação_SC
  • Clara de Assis e de um mundo sem fronteiras
    Clara de Assis não é uma sombra de Francisco de Assis, mas é a sua própria luz. Marca de uma presença e uma personalidade forte que construiu no século XIII uma revolução a partir do Evangelho e nos ensina que Evangelizar é tornar nova a humanidade. É uma mulher de personalidade, muito decidida e corajosa. Mulher de silêncio, contemplação, oração, ação e carinho. Suavidade sem agressividade. Beleza sem alarde. Pobreza com riqueza de amor. Humildade com serviço. Amor enclausurado na liberdade de entregar-se ao Amado. Clara de Assis foi uma mulher muito equilibrada em meio às tensões de seu tempo. Diz Frei José Carlos Pedroso, OFMCap: “Seus aspectos lunares femininos, jogam fortemente com seus aspectos solares masculinos. E suas atitudes demonstram que tinha muita consciência disso. Sabia onde queria chegar e sempre chegou onde queria, sem se afobar e nem destruir nada. Sabia enfrentar os maiores problemas, desmontando-os; valorizava as pequenas coisas sem se perder nelas. Foi bebendo aos pouquinhos a água mais limpa das torrentes que encontrou”. Clara de Assis encontrou o Amor do Esposo Jesus, encontrou o Evangelho vivente Francisco de Assis, encontrou a oração e meditação, encontrou o silêncio que fala de um modo transparente, encontrou a fraternidade amorosa do mosteiro, encontrou modos de gentileza e firmeza. Dos muros de Assis tornou-se um baluarte do modo francisclariano de viver derrubando os muros que atravancam a vida. Clara de Assis, a partir de seu escondimento, viveu entre visões e intuições, entre amor a Deus e a todas as criaturas. Padroeira dos que se ajoelham e contemplam e padroeira da televisão. Clara de Assis e de um mundo sem fronteiras.   Confira outros artigos do Frei Vitório sobre Santa Clara de Assis: O Amor é a única riqueza necessária das primeiras clarissas e Clara de Assis e seus passos rumo à Grande Opção: A decisão espiritual é sempre uma iluminação.   Fonte: Carisma Franciscano. Autor: Frei Vitorio Mazzuco (OFM).
  • Clara de Assis e seus passos rumo à Grande Opção: A decisão espiritual é sempre uma iluminação
    Clara de Assis vai com sua família para a celebração de Domingo de Ramos em 28 de março de 1212, na catedral de Assis. A Legenda de Santa Clara diz: “Quando chegou o domingo, a jovem entrou na igreja com os outros, brilhando em festa no grupo das senhoras. Aconteceu um oportuno presságio: os outros se apressam a ir pegar os ramos, mas Clara ficou parada em seu lugar por recato, e o pontífice desceu os degraus, aproximou-se dela e colocou-lhe a palma nas mãos” (LSC 7,4-5). O pontífice em questão é o Bispo Guido. Sua atitude é interpretada como se “Neste gesto está sem dúvida a bênção do pastor da diocese, o selo eclesial para uma opção que só o Amor dá coragem para realizar, através daquela liberdade profunda que é dom do Espírito” (Cremaschi, 43). O fato é, que logo depois deste domingo, Clara espera numa determinada noite todos da casa adormecerem, sai por uma porta secundária de sua casa. Atravessa as ruas silenciosas e escuras de Assis e vai encontrar-se com Francisco e seus frades na Porciúncula. É como que uma fuga. Clara está fugindo de quê? De nada, apenas faz a seu modo, o corajoso passo de ir unir-se a um grupo de penitentes que não vivem em mosteiros e estão fora dos padrões de grupos religiosos da época. Francisco tem apenas uma aprovação oral do Papa Inocêncio III, mas ainda não tem uma regra canônica que aprove o seu modo de vida. O Evangelho não precisa de legislação, pois vem da lei maior do amor. Clara vai discreta, sem fazer barulho, pois o rumor maior é mudar de lugar: do palácio dos Ofredducci para a choupana dos Menores. Uma decisão também supõe uma ruptura com a condição social. Antes desta noite ela livrou-se aos poucos dos bens garantidos por sua herança. Não queria patrimônio, queria matrimônio com o Bem Amado, o Senhor do seu coração. Conta a Irmã Cristiana no processo de Canonização, “Na venda da herança, os parentes de madona Clara ofereceram um preço mais alto do que os outros. Mas ela opôs-se a que fossem os parentes a comprar, para que os pobres não fossem prejudicados. E todo o dinheiro que recebeu da herança, distribuiu-o aos pobres” (PC 13,11). Na ação de Clara podemos ver a coragem de não se prender a vínculos familiares, mesmo no preço da herança, pois não quer dependência, mas a transparência livre de deixar tudo para seguir o Esposo Pobre.   Na idade média, uma jovem nobre casava mais ou menos com 14 anos. Clara de Assis tem 18 anos quando vai à Porciúncula oficializar seu noivado com o Esposo Espelho. Foram pacientes quatro anos de maduro discernimento. Os frades a acolhem com tochas acesas na noite. A decisão espiritual é sempre uma iluminação. Há uma nova luz chegando entre eles. Clara foi vestida com seu traje mais bonito. Recebida por Francisco de Assis, ele a reveste com a rude veste de uma camponesa e corta seus cabelos. Mudar de veste significa investir-se de uma outra forma de vida. Agora, ela é uma penitente convertida. O corte dos cabelos significa a ruptura definitiva com outros legames. Clara agora pertence à Fraternidade. Ela é uma Irmã entre os Irmãos. Ela é uma leiga que recebeu a inspiração do Espírito. Escuta seus irmãos, também leigos, qual melhor rumo a tomar no caminho comum do Evangelho. Uma noite intensa de oração esquenta e clareia a decisão. É um ritual de vida nova. Não se entra numa Fraternidade sem passar por certos ritos. Há no ar o perigo do novo: como uma mulher poderia viver numa comunidade de homens penitentes? Há no ar, uma novidade tão radical que pode ser entendida sob a preocupação da psicose da heresia que inundava o ar de então. Clara pertence à Fraternidade para sempre e esta é uma decisão de todos. Mas Clara não pode ficar ali, é uma decisão comum para preservar a beleza frontal dos Carismas. É melhor preservar naquele momento para continuar bonito depois. Francisco e dois companheiros a levam ao Mosteiro das Beneditinas de São Paulo, em Bastia. Uma decisão oportuna, pois abranda a fúria da família de Clara e outras incompreensões da época. Morar com as beneditinas é uma escolha provisória. O amor pelo Esposo vai abrindo caminhos. A família vai ao mosteiro e a encontra despojada, vestida apenas com as vestes da simplicidade. Há agressividade e ternura em convencer Clara a voltar para a casa, mas ela mostra a tonsura e agarra-se ao altar. Ela agora o pertence unicamente à sua escolha de amor. Do mosteiro das beneditinas, Clara vai morar na igreja de Santo Ângelo de Panzo, um convento de reclusas, leigas eremitas medievais que ali vivem na oração e na ação da caridade aos pobres do lugar. Seria talvez um beguinato, isto é, uma comunidade de mulheres, que sem pertencer a uma ordem religiosa, vivem de modo consagrado. Assim, Clara conhece várias dimensões do movimento feminino de seu tempo, e uma destas dimensões é abraçar uma espiritualidade na nupcialidade mística.   Fonte: Blog Carisma Franciscano. Autor: Frei Vitorio Mazzuco. 
  • Irmão e Irmã: o encontro de Francisco com uma mulher feita de amor
    Agosto nos traz sempre de novo a figura de uma mulher de Assis, Clara, companheira de Francisco e que será relembrada, segundo o calendário franciscano, no dia 11 deste mês. Eis algumas reflexões sobre ele e ela e aquilo que eles continuam a nos dizer. Com toda certeza, Francisco e Clara, da cidade de Assis não podem ser separados. Os dois nasceram para um mundo novo a partir de uma comum inspiração: ambos arrebatados por Cristo pequeno, amoroso, bondade. Christian Bobin, fecundo escritor francês, poeta em cada linha que escreve, foi vigorosamente aplaudido com o seu “Le Très Bas”, uma ode de amor a Francisco de Assis. Traduzimos uma página da peça estelar de Bobin em que escreve sobre os laços que uniam Francisco e Clara. Em sua imitação ingênua e quase obcecada das Escrituras, Francisco de Assis não podia evitar este encontro com uma mulher feita de amor, sua irmã, seu dublê. Nada dizer a respeito dela senão que os dois se completam como duas colunas que sustentam os arcos de uma abóboda, passando de um para o outro todos os matizes do amor, todas as cores do sonho. A respeito dela pouco se pode acrescentar além do que se diz com essa simples palavra Clara. Seu nome revela o que ela é e o que dela emana: Clara. Clareira, caminho claro, clarividente, relâmpago, limpidez. Todas estas palavras impregnam seu nome, todas essas luzes dela proveem; mocinha de dezesseis anos que os pais se preocupam em dar-lhe casamento, mocinha igual aquelas que encontramos em tantas canções francesas, pássaro rebelde que não quer aprender a música que lhe ensinam, pardal que prefere saltitar pelos caminhos batidos pela chuva, do que se colocar sob as folhas de uma única árvore, de “alta linhagem”. Que queres fazer mais tarde? Muitas vezes fazemos esta pergunta a crianças que não sabem o que quer dizer “mais tarde”, que conhecem apenas o presente e no presente a presença maravilhosa do todo. Com quem você quer se casar mais tarde? pergunta-se àquela cuja beleza inquieta e preocupa. Que o casamento venha, pois, ser um coroamento de uma tal beleza. Mas aquele que ela deseja desposar não está presente e nem estará. Não está perto nem alhures. Está na alturas e no mais baixo, longe e perto… ele é e não é. Como nas histórias das antigas cantigas, a moça deixa a casa dos pais no meio da noite, passa por um porta camuflada, atravancada por pedaços de lenha, afasta galho por galho com suas mãos, sai correndo sob a noite estrelada até aquele havia projetado o rapto, o rei do coração, o príncipe da fuga, Francisco Assis. Eles amam do mesmo amor, são feitos para se entenderem, ébrios do mesmo vinho. Ela troca sua veste cintilante por uma indumentária de gente simples, feita de lã e ei-los anos a fio separados e juntos, ele prendendo nas redes de sua voz os pássaros do céus, os animais dos campos e os homens das cidades e ela atraindo para as redes de Deus moças cada vez mais numerosas, cada vez mais bonitas.   Dois caçadores clandestinos. Dois nômades nas invisíveis propriedades de Deus. Separados como antigamente acontecia nas escolas. Os meninos de um lado e as meninas do outro. Ela, do lado das meninas; ele, do lado dos meninos. Separados nas aparências e nos lugares. Reunidos pelos intermináveis diálogos das almas, por esse encantamento de ter encontrado um interlocutor privilegiado, aquele ou aquela que compreende tudo, mesmo os silêncios, mesmo o que não se saberia dizer para si mesmo no silêncio, o irmão, a irmã sem os quais o tempo passado na terra não seria mais do que tempo, nada de outra coisa. A legenda que sempre diz a verdade para além das provas históricas, que está no sangue das almas, diz que um dia em que Francisco visitava Clara e suas irmãs em seu convento, irrompeu um incêndio, visto de vários lugares da redondeza. A população de Assis que acorreu para apagá-lo, não viu chama alguma, fogo nenhum, apenas Francisco e Clara em torno de uma frugalíssima refeição e uma imensa claridade entre os dois, que não arrefecia.   Santa Clara e São Francisco, dois irmãos que decidiram seguir juntos a radicalidade do batismo.   Ele morrerá antes dela. Isso não tem a menor importância. O amor desde sua vinda, desde seu primeiro frêmito, aboliu os antigos decretos do tempo, suprimiu as distinções de antes e de depois mantendo apenas o hoje eterno dos vivos, o hoje amoroso do amor.   Fontes: Franciscanos via Christian Bobin, “Le Très-Bas”, Gallimard, p. 101-104. Autor: Frei Almir Guimarães.