Santa Clara de Assis
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07 de novembro: Bem-Aventurada Maria Crucifixa Satéllico - Santos e Santas Franciscanas do Dia
Maria Crucifixa Satéllico nasceu em 31 de dezembro de 1706 na cidade de Veneza, na Itália. Inicialmente, foi batizada com o nome de Isabel. Professou a Regra de Santa Clara no ano de 1726 no Mosteiro de Ostra Vetere, que fica na região de Marcas, também na Itália. Lá, viveu o recolhimento com Cristo em Deus, amando ao Senhor com o coração indiviso e participando com seráfico ardor do mistério da Cruz. Ela foi uma guia para com as suas co-irmãs, iluminada pela palavra e pelo exemplo no caminho da perfeição, sobretudo, nos últimos três anos em que esteve à frente do mosteiro como abadessa. Sendo sustentada pela Graça Divina, rechaçou vitoriosamente as tentações e as ciladas do inimigo. Foi agraciada por Deus com o dom da contemplação mística. A virgem da Ordem II morreu no dia 08 de novembro de 1745. Foi beatificada pelo Papa João Paulo II em 10 de outubro e 1993. -
20 de novembro: Santa Inês de Assis - Santos e Santas Franciscanas do Dia
Santa Inês nasceu em Assis, no ano de 1197. Irmã carnal de Santa Clara de Assis, sendo três anos mais nova que ela, Santa Inês chamava-se Catarina em sua casa paterna. Era a segunda filha de Ortolana e Favarone de Offreducci e também irmã da bem-aventurada Beatriz. Com quinze anos apenas, juntamente da irmã mais velha, ela abandona a família, os amigos, as riquezas, o brasão nobre e o futuro brilhante e atira-se destemida à aventura divina. Se Clara foi a primeira Clarissa e a fundadora da Segunda Ordem, Santa Inês foi o segundo elemento desta nossa Família Sagrada, sem dúvida a mais fiel discípula de Clara, a primeira jovem que teve a ousadia de deixar tudo para trás e trilhar os caminhos de Clara e Francisco no seguimento do Cristo pobre e crucificado. Em Santa Inês, encontramos uma forte vocação, combativa e perseverante. Nela admiramos o perfil de uma mulher que tudo enfrentou, até ao fim, com uma fortaleza de carácter e uma firmeza de ânimo fora do vulgar; nela contemplamos o vigor evangélico de uma jovem que não recuou perante nada, para seguir a Cristo na total doação. Com quinze anos apenas dá-nos uma lição gloriosa de coragem, de ousadia e de amor, uma lição de maturidade e de heroísmo, uma lição única que ilumina o mundo e os séculos com a beleza incomparável do Evangelho de Cristo. Conta Tomás de Celano, na Legenda de Santa Clara: (...) Dezesseis dias depois da conversão de Clara, Catarina, inspirada pelo divino Espírito, dirigiu-se pressurosa para junto de sua irmã e comunicou-lhe o segredo da sua decisão de consagrar-se inteiramente ao Senhor. Abraçando-a com intensa alegria, Clara exclamou, “Dou graças ao Senhor, querida irmã, porque atendeu a minha oração a teu favor”. Foi assim que, em 1211, logo depois de Clara, deixou tudo para servir a Deus. À maravilhosa conversão seguiu-se uma não mesma maravilhosa defesa da mesma. Sucedeu que, enquanto as felizes irmãs seguiam as pegadas de Cristo na Igreja de Santo Ângelo de Panzo e Clara, já com mais experiência, iniciava a sua irmã e noviça, os familiares levantaram-se contra elas e começaram a persegui-las. Quando perceberam de que Catarina tinha passado para o lado de Clara, juntaram-se doze homens no dia seguinte e, cheios de fúria, dirigiram-se para o local. Exteriormente fingiam uma visita pacífica, mas no seu íntimo tinham criado um ardiloso plano. Tendo já antes perdido toda a esperança de fazer Clara voltar atrás em sua decisão, dirigiram-se a Catarina e questionaram-na, “O que vieste fazer a este lugar? Prepara-te depressa para regressar a casa conosco!” Quando ela respondeu que de maneira nenhuma estava disposta a separar-se de sua irmã Clara, um dos cavaleiros precipitou-se para ela. Enfurecido e à força de socos e pontapés, tentou arrastá-la pelos cabelos, enquanto os outros a empurravam e lhe pegavam pelos braços. Vendo-se a jovem arrebatada das mãos do Senhor como presa de leões, gritou por socorro, “Querida irmã, ajuda-me e não permitas que me separem de Cristo Senhor!”. Enquanto os salteadores arrastavam violentamente a jovem encosta acima, rasgando-lhe os vestidos e deixando atrás de si os cabelos arrancados, Clara, banhada em lágrimas, orava. Pedia que a irmã se mantivesse firme e constante e que nela o poder divino superasse a força dos homens. De repente, aquele corpo caído no chão tornou-se tão pesado que o esforço daqueles homens não foi suficiente para o transportar para o outro lado dum riacho que ali passava. Mesmo com a ajuda de outros, que dos campos e vinhas acorreram ao local, não a conseguiram levantar do solo. Quando, já cansados, desistiram do seu intento e não querendo aceitar a evidência do milagre, comentaram jocosamente, “Não admira que pese tanto, passou a noite toda a comer chumbo!” Monaldo, tio paterno, desesperado e furioso, levantou os braços com a intenção de lhe acertar um soco brutal. Mas quando levantou a mão sentiu uma dor muito forte, que o incomodou durante muito tempo. Depois de tanto sofrimento, Clara aproximou-se e pediu aos parentes que desistissem dos seus intentos e lhe confiassem Catarina que jazia ali morta. E, enquanto eles, mal-humorados, se afastaram sem terem logrado os seus intentos, levantou-se Catarina cheia de alegria. Feliz por ter travado o primeiro combate pela cruz de Cristo, consagrou-se inteiramente ao serviço de Deus. Tal é a têmpera desta clarissa, nobre de vida, irmã mais nova de Clara. Em memória de Santa Inês, virgem e mártir, que aos doze anos de idade derramou o seu sangue por amor de Cristo, Francisco muda o nome da jovem Catarina de Offredúccio para Inês. Para Inês de Assis o nome diz tudo. Com alegria e amor imensos abraçou prontamente a Pobreza, a Castidade, a Obediência e a Clausura, sendo um modelo evangélico para todos. Quarenta e dois anos viveu ela, humilde, pobre, penitente e silenciosa na clausura. Uma vida totalmente entregue por amor a Cristo. Durante anos desempenhou o cargo de superiora no Mosteiro de Florença, mas partiu para a eternidade já no Mosteiro de S. Damião, em 1260, poucos dias depois da morte de sua irmã Santa Clara. Fonte: Dia dos Santos Católicos. -
23 de setembro: Encontro do Corpo de Santa Clara de Assis
Em 11 de agosto de 1253, Santa Clara entra na glória eterna; já no dia seguinte seu corpo é levado para a Igreja de São Jorge onde também repousa Francisco. No dia 3 de outubro de 1260, o corpo é exumado e colocado na Basílica de Santa Clara; ali permanece perto do altar com uma simples inscrição: “Aqui jaz o corpo da Virgem Santa Clara”, protegido pelo brilho de uma lâmpada e as preces silenciosas de suas filhas que guardaram este fato no segredo de seus corações. Em 1849, a República Italiana escolhe Assis como sede do governo e não tem boa relação com as instituições religiosas. No meio de conflitos e inventários, perseguições e desordem civil, a Abadessa Clara Columba Angeli, resolve procurar o corpo da venerável Mãe Clara, para que a grande dama de Assis seja um verdadeiro sinal de paz e unidade para um momento sofrido da história italiana. Neste mesmo ano, o cardeal Marini, prefeito da Congregação dos Ritos, visita Assis para a festa dos Estigmas, e, junto às Clarissas, conversam sobre o encontro dos restos de São Francisco em 1813. A Abadessa aproveita a ocasião e diz, “Eminência, já que o Sol deixou-se encontrar, não é necessário que a Lua tenha também o seu lugar?” No dia 6 de agosto de 1850 recebem autorização do governo civil para a exumação. No dia 23 do mesmo mês, em silêncio e sempre à noite, os trabalhos começam acompanhados pelo vigário episcopal Luigi Alexandri, do Delegado para os Religiosos Pe. Giuseppe Morichelli, e o especialista em escavações Marco Rondini. Oito dias depois encontravam o túmulo onde o corpo da santa fora depositado há 6 séculos. No dia 23 de setembro, com a presença do Bispo de Perugia, Giocecchino Pecci (futuro Papa Leão XIII), o químico Purgotti, o arqueólogo Antonini e o diretor do arquivo municipal de Assis, Paolo Cesini abriram o sarcófago. Não havia nenhuma inscrição junto aos restos mortais. O corpo de Clara tinha o fino semblante intacto, a pele estava sombria e bem colada aos ossos. Uma coroa de honra feita no século XIII estava perfeita. Os ramos de tomilho que enfeitavam o corpo permaneciam conservados. O corpo todo estava em estado de esqueleto na disposição normal dos ossos. A cabeça inclinada sobre o ombro esquerdo, o braço esquerdo sobre o peito e o direito estendido ao longo do corpo. Um fio de pó branco recobria o esqueleto. O corpo foi erguido e colocado num relicário. Uma grande relíquia foi mandada à Roma. “Um Tríduo foi celebrado em ação de graças nos dias 26, 27 e 28 de setembro, depois que a urna foi aberta outra vez para recobrir os ossos da Santa e lhes dar a aparência de um corpo. Tinham sido envoltos anteriormente por uma camada de algodão. A túnica parda, a cobertura da cabeça branca e o véu preto foram confeccionados por algumas senhoras desconhecidas de Assis. Colocou-se sobre a cabeça uma coroa de flores. A urna foi então fechada e ornamentada para a procissão solene que teve lugar na tarde de 29 de setembro. Numa recordação comovente das horas históricas, o corpo de Santa Clara foi conduzido por quatro sacerdotes sob os aplausos da população, em primeiro lugar a São Rufino e, em seguida, para uma visita ao túmulo de São Francisco. Ao crepúsculo, as Irmãs acolheram sua Mãe no claustro e colocaram a urna aos pés do crucifixo que ela tanto amara em São Damião. Bem ao lado, se encontrava ainda uma outra preciosa relíquia: a grade atrás da qual Clara tinha recebido a Santa Comunhão. A bênção do Santíssimo Sacramento encerrou este dia memorável.” O corpo de Clara que está hoje na basílica foi mais uma vez restaurado. De 17 de novembro de 1986 até 12 de abril de 1987. Um paciente trabalho foi feito para tirar do corpo da Santa um estado de viscosa humildade, devido ao clima e aos longos anos que criaram a decomposição das partes extremas, em particular as falanges e os dedos dos pés. Quando examinaram o corpo, ele mantinha a mesma posição deixada em 1850. Todo ele foi recomposto e restaurado com tela, gesso, esmalte e silicone. Recompuseram o corpo e o rosto segundo os documentos da época, mantendo a personalidade de mulher fascinante, ardente, terna, sensível, segura e muito equilibrada. Ao chegarmos a Assis e rezarmos diante de Clara devemos lembrar que uma vida como a dela é sempre fecunda, nunca se decompõe. Num coração aberto para o Absoluto, Deus sempre deposita a sua Beleza. Diante de seu corpo temos que ter o desejo de rezar. É preciso sempre desejar o espírito! Diante do corpo de Clara, é preciso redescobrir a espiritualidade da ternura, da pequenez, da pobreza. Clara, mulher e santa, não é um aprendizado intelectual, mas um conhecimento afetivo. Por que Clara é bela? Porque o Espírito imprime sempre no corpo a sua forma. O Amor pelo Esposo tomou forma em seu corpo! Após 750 anos, cuidou-se muito dos restos mortais de Clara para não se deixar de lembrar a sua forma de Vida, modo como ela eternizou-se no tempo. Fonte: Franciscanos. Autor original: Frei Vitório Mazzuco (OFM) -
A importância de Santa Clara de Assis para as congregações franciscanas
A irmã Elka Santos, das Irmãs Franciscanas da Sagrada Família, falou sobre a importância que a fundadora da Ordem das Clarissas tem para o franciscanismo em geral e para toda a Igreja. Saiba mais sobre a biografia da Santa em nosso site: http://bit.ly/SantaClaraDeAssis Leia também a Saudação do Ministro Provincial por ocasião da Festa de Santa Clara: http://bit.ly/Saudação_SC -
Clara de Assis e de um mundo sem fronteiras
Clara de Assis não é uma sombra de Francisco de Assis, mas é a sua própria luz. Marca de uma presença e uma personalidade forte que construiu no século XIII uma revolução a partir do Evangelho e nos ensina que Evangelizar é tornar nova a humanidade. É uma mulher de personalidade, muito decidida e corajosa. Mulher de silêncio, contemplação, oração, ação e carinho. Suavidade sem agressividade. Beleza sem alarde. Pobreza com riqueza de amor. Humildade com serviço. Amor enclausurado na liberdade de entregar-se ao Amado. Clara de Assis foi uma mulher muito equilibrada em meio às tensões de seu tempo. Diz Frei José Carlos Pedroso, OFMCap: “Seus aspectos lunares femininos, jogam fortemente com seus aspectos solares masculinos. E suas atitudes demonstram que tinha muita consciência disso. Sabia onde queria chegar e sempre chegou onde queria, sem se afobar e nem destruir nada. Sabia enfrentar os maiores problemas, desmontando-os; valorizava as pequenas coisas sem se perder nelas. Foi bebendo aos pouquinhos a água mais limpa das torrentes que encontrou”. Clara de Assis encontrou o Amor do Esposo Jesus, encontrou o Evangelho vivente Francisco de Assis, encontrou a oração e meditação, encontrou o silêncio que fala de um modo transparente, encontrou a fraternidade amorosa do mosteiro, encontrou modos de gentileza e firmeza. Dos muros de Assis tornou-se um baluarte do modo francisclariano de viver derrubando os muros que atravancam a vida. Clara de Assis, a partir de seu escondimento, viveu entre visões e intuições, entre amor a Deus e a todas as criaturas. Padroeira dos que se ajoelham e contemplam e padroeira da televisão. Clara de Assis e de um mundo sem fronteiras. Confira outros artigos do Frei Vitório sobre Santa Clara de Assis: O Amor é a única riqueza necessária das primeiras clarissas e Clara de Assis e seus passos rumo à Grande Opção: A decisão espiritual é sempre uma iluminação. Fonte: Carisma Franciscano. Autor: Frei Vitorio Mazzuco (OFM). -
Clara de Assis e seus passos rumo à Grande Opção: A decisão espiritual é sempre uma iluminação
Clara de Assis vai com sua família para a celebração de Domingo de Ramos em 28 de março de 1212, na catedral de Assis. A Legenda de Santa Clara diz: “Quando chegou o domingo, a jovem entrou na igreja com os outros, brilhando em festa no grupo das senhoras. Aconteceu um oportuno presságio: os outros se apressam a ir pegar os ramos, mas Clara ficou parada em seu lugar por recato, e o pontífice desceu os degraus, aproximou-se dela e colocou-lhe a palma nas mãos” (LSC 7,4-5). O pontífice em questão é o Bispo Guido. Sua atitude é interpretada como se “Neste gesto está sem dúvida a bênção do pastor da diocese, o selo eclesial para uma opção que só o Amor dá coragem para realizar, através daquela liberdade profunda que é dom do Espírito” (Cremaschi, 43). O fato é, que logo depois deste domingo, Clara espera numa determinada noite todos da casa adormecerem, sai por uma porta secundária de sua casa. Atravessa as ruas silenciosas e escuras de Assis e vai encontrar-se com Francisco e seus frades na Porciúncula. É como que uma fuga. Clara está fugindo de quê? De nada, apenas faz a seu modo, o corajoso passo de ir unir-se a um grupo de penitentes que não vivem em mosteiros e estão fora dos padrões de grupos religiosos da época. Francisco tem apenas uma aprovação oral do Papa Inocêncio III, mas ainda não tem uma regra canônica que aprove o seu modo de vida. O Evangelho não precisa de legislação, pois vem da lei maior do amor. Clara vai discreta, sem fazer barulho, pois o rumor maior é mudar de lugar: do palácio dos Ofredducci para a choupana dos Menores. Uma decisão também supõe uma ruptura com a condição social. Antes desta noite ela livrou-se aos poucos dos bens garantidos por sua herança. Não queria patrimônio, queria matrimônio com o Bem Amado, o Senhor do seu coração. Conta a Irmã Cristiana no processo de Canonização, “Na venda da herança, os parentes de madona Clara ofereceram um preço mais alto do que os outros. Mas ela opôs-se a que fossem os parentes a comprar, para que os pobres não fossem prejudicados. E todo o dinheiro que recebeu da herança, distribuiu-o aos pobres” (PC 13,11). Na ação de Clara podemos ver a coragem de não se prender a vínculos familiares, mesmo no preço da herança, pois não quer dependência, mas a transparência livre de deixar tudo para seguir o Esposo Pobre. Na idade média, uma jovem nobre casava mais ou menos com 14 anos. Clara de Assis tem 18 anos quando vai à Porciúncula oficializar seu noivado com o Esposo Espelho. Foram pacientes quatro anos de maduro discernimento. Os frades a acolhem com tochas acesas na noite. A decisão espiritual é sempre uma iluminação. Há uma nova luz chegando entre eles. Clara foi vestida com seu traje mais bonito. Recebida por Francisco de Assis, ele a reveste com a rude veste de uma camponesa e corta seus cabelos. Mudar de veste significa investir-se de uma outra forma de vida. Agora, ela é uma penitente convertida. O corte dos cabelos significa a ruptura definitiva com outros legames. Clara agora pertence à Fraternidade. Ela é uma Irmã entre os Irmãos. Ela é uma leiga que recebeu a inspiração do Espírito. Escuta seus irmãos, também leigos, qual melhor rumo a tomar no caminho comum do Evangelho. Uma noite intensa de oração esquenta e clareia a decisão. É um ritual de vida nova. Não se entra numa Fraternidade sem passar por certos ritos. Há no ar o perigo do novo: como uma mulher poderia viver numa comunidade de homens penitentes? Há no ar, uma novidade tão radical que pode ser entendida sob a preocupação da psicose da heresia que inundava o ar de então. Clara pertence à Fraternidade para sempre e esta é uma decisão de todos. Mas Clara não pode ficar ali, é uma decisão comum para preservar a beleza frontal dos Carismas. É melhor preservar naquele momento para continuar bonito depois. Francisco e dois companheiros a levam ao Mosteiro das Beneditinas de São Paulo, em Bastia. Uma decisão oportuna, pois abranda a fúria da família de Clara e outras incompreensões da época. Morar com as beneditinas é uma escolha provisória. O amor pelo Esposo vai abrindo caminhos. A família vai ao mosteiro e a encontra despojada, vestida apenas com as vestes da simplicidade. Há agressividade e ternura em convencer Clara a voltar para a casa, mas ela mostra a tonsura e agarra-se ao altar. Ela agora o pertence unicamente à sua escolha de amor. Do mosteiro das beneditinas, Clara vai morar na igreja de Santo Ângelo de Panzo, um convento de reclusas, leigas eremitas medievais que ali vivem na oração e na ação da caridade aos pobres do lugar. Seria talvez um beguinato, isto é, uma comunidade de mulheres, que sem pertencer a uma ordem religiosa, vivem de modo consagrado. Assim, Clara conhece várias dimensões do movimento feminino de seu tempo, e uma destas dimensões é abraçar uma espiritualidade na nupcialidade mística. Fonte: Blog Carisma Franciscano. Autor: Frei Vitorio Mazzuco. -
Clara de Assis: formação para a transparência
Uma vida para Deus A vida consagrada expressa-se teologicamente na ordem do sinal: manifesta, indica que o Reino de Deus está entre nós. Isto tem um peso profético muito forte no ser e no fazer, na vida pessoal e fraterna, no estilo de vida concreto e cotidiano. Tudo deve “conduzir, lembrar, assinalar, indicar”. Porém para “conduzir” ao Reino é necessário uma transparência, “que seja um sinal claro” e estrutural, necessário uma contínua purificação de nossas convicções, de nossas imagens de consagrados, de pessoas que pertencem ao Senhor “como testemunhas da luminosa presença do Senhor em meio a nós” (Bento XVI). Vida que é revelação: revela o amor do Pai pelos homens, manifesta uma vida totalmente orientada para o Reino, uma vida serena e reconciliada consigo mesmo e com os outros. Somos chamados a liberar esta imagem que habita em nós para fazê-la brilhar em nós e ao nosso redor, remetendo-a a Ele, ao Deus da vida. Isto supõe uma visão unificada de nossa vida. Fidelidade é também mudar Se de uma parte ocorre “habitar” serenamente a própria corporeidade, os próprios gestos, a própria palavra, as próprias ações, de outra é necessário tornar transparentes e significativas as estruturas nas quais a vida consagrada está inserida no cotidiano. É importante não viver para as estruturas, mas torná-las sinais vivos, eloquentes e provocativos para encaminhar, nós e os outros, na direção do Evangelho. Elas, essas estruturas, devem estar a serviço de valores, e não vice-versa. Quão fácil é transformar a vida religiosa numa moldura vazia, fazer das estruturas a razão de nossa vida esquecendo, inclusive, o mandamento do amor. Quão difícil é adaptar ou criar novas estruturas mais eloquentes, mais significativas, mais transparentes, sobretudo nesse mundo que muda com tanta rapidez, num mundo habituado à imagem dos sinais! Ser fiel não significa repetir, mas responder a Deus que pede em cada estação, em cada etapa uma resposta nova! O verdadeiro consagrado é fiel a Deus e ao homem de seu tempo: é um apaixonado por Deus e pelo homem. A fidelidade ao carisma não significa imutabilidade rígida e estrutural, mas requer a capacidade de tornar vivas e eloquentes todas as estruturas e mediações tanto para nós como para os outros. Portanto, formar-se e viver a transparência exige um empenho sério que possa convergir para uma única paixão a nossa experiência espiritual. Via: Franciscanos. Autor: Frei Almir Guimarães. -
Foi inaugurada neste sábado (13) a nova Casa Filial Santa Clara de Assis, no Sol Nascente
Foi celebrada no último sábado (13), por volta das 17h30, uma Santa Missa para a entronização do Santíssimo Sacramento e benção da nova Casa Filial Santa Clara de Assis, no bairro Sol Nascente, em Ceilândia (DF). A Eucaristia foi presidida pelo Frei Marcelo Veronez (OFMConv) e concelebrada pelos Freis: Hoslan Guedes (OFMConv), guardião do Convento e o construtor desse novo convento, Rômulo Albuquerque (OFMConv), que é agora o delegado conventual dessa nova comunidade. Frei Miecislau Tlaga, vigário da província e outros confrades. Durante sua homilia, o Frei Marcelo relembrou aos presentes que esta era a concretização de um sonho da missão franciscana conventual na região central do Brasil e que, na época em que foi pensada, a construção da casa foi motivo de orgulho até paro o Arcebispo de Brasília, Dom Sérgio da Rocha, que ficou maravilhado com a importância do trabalho pastoral numa região que tanto carece da atenção pastoral. O provincial destacou também o significado deste momento para a província e para a ordem, “numa época em que a Igreja tem fechado presenças e perdido tantas vocações, nós contrastamos com o mundo hodierno e estamos em pleno crescimento. Essa casa representa que estamos ainda crescendo e que Deus tem nos abençoado." Neste lar, que agora é uma Casa Filial, teremos possibilidade de ter novas vocações e, possivelmente, poderá no futuro ser um novo convento da Ordem”, enfatizou o provincial. O provincial crê que a nova casa será um celeiro próspero de vocações para um dia se tornar um convento frutífero no carisma franciscano. Ao final da Santa Missa, o Frei Hoslan trouxe à luz o início das atividades na Capela Santa Clara de Assis e como foi gratificante ver o esforço que a comunidade realizava para participar das celebrações, “no início, não tínhamos asfalto e, quando chovia, a lama tomava conta. Mas era uma coisa linda ver o que os fiéis faziam! Para driblar o lamaçal, eles amarravam sacolas plásticas nos pés para não sujar os seus calçados e, que assim, pudessem participar da Eucaristia”, disse ele. Após a Santa Missa, foi realizada a bênção da nova Casa Religiosa e Entronização do Santíssimo na Capela Conventual. Em seguida, todos e todas partilharam, em fraternidade, de um jantar que contou com a parabenização dos aniversariantes, de modo especial, o Provincial que neste mesmo dia celebrava os 17 anos da Profissão Solene. Casa Filial Santa Clara de Assis No Capítulo Provincial Ordinário de 2015, foi apresentada uma moção para a a construção da Casa Filial Santa Clara e, assim, atender à urgência pastoral do Sol Nascente. De fevereiro de 2017 até julho 2018 aconteceu o processo de construção da Casa Filial, ficando pronta em 11 de agosto deste ano. Após alguns ajustes finais, a residência está pronta para receber os Freis Rômulo e Paulo Maria (OFMConv), que serão os responsáveis pelo local. Com capacidade para acomodar até cinco frades, a residência foi preparada para um dia se tornar um convento. "Que o semear da Palavra de Deus seja o sentido verdadeiro de nossa vida franciscana no meio dos pobres e carentes", disse o Frei Rômulo Albuquerque (OFMConv) sobre a evangelização no Sol Nascente. Também na região do Sol Nascente, estão as capelas São Benedito e Nossa Senhora da Estrada, que contarão com a atuação dos dois frades que estão na Casa Filial. Esta última ficará sob a administração do Convento São Marcos e São Lucas. Sobre a importância da atuação franciscana conventual na região, o Frei Rômulo diz, “Com alegria estamos neste novo lar, mais perto deste povo tão carente em trabalho pastoral. Estaremos sempre envolvidos em orientação e na fé para com esta comunidade. Que o semear da Palavra de Deus seja o sentido verdadeiro de nossa vida franciscana no meio dos pobres e carentes. Com certeza, este é um sinal de amor e evangelização”, explicou o delegado da nova Casa. Confira as fotos na galeria! -
Irmão e Irmã: o encontro de Francisco com uma mulher feita de amor
Agosto nos traz sempre de novo a figura de uma mulher de Assis, Clara, companheira de Francisco e que será relembrada, segundo o calendário franciscano, no dia 11 deste mês. Eis algumas reflexões sobre ele e ela e aquilo que eles continuam a nos dizer. Com toda certeza, Francisco e Clara, da cidade de Assis não podem ser separados. Os dois nasceram para um mundo novo a partir de uma comum inspiração: ambos arrebatados por Cristo pequeno, amoroso, bondade. Christian Bobin, fecundo escritor francês, poeta em cada linha que escreve, foi vigorosamente aplaudido com o seu “Le Très Bas”, uma ode de amor a Francisco de Assis. Traduzimos uma página da peça estelar de Bobin em que escreve sobre os laços que uniam Francisco e Clara. Em sua imitação ingênua e quase obcecada das Escrituras, Francisco de Assis não podia evitar este encontro com uma mulher feita de amor, sua irmã, seu dublê. Nada dizer a respeito dela senão que os dois se completam como duas colunas que sustentam os arcos de uma abóboda, passando de um para o outro todos os matizes do amor, todas as cores do sonho. A respeito dela pouco se pode acrescentar além do que se diz com essa simples palavra Clara. Seu nome revela o que ela é e o que dela emana: Clara. Clareira, caminho claro, clarividente, relâmpago, limpidez. Todas estas palavras impregnam seu nome, todas essas luzes dela proveem; mocinha de dezesseis anos que os pais se preocupam em dar-lhe casamento, mocinha igual aquelas que encontramos em tantas canções francesas, pássaro rebelde que não quer aprender a música que lhe ensinam, pardal que prefere saltitar pelos caminhos batidos pela chuva, do que se colocar sob as folhas de uma única árvore, de “alta linhagem”. Que queres fazer mais tarde? Muitas vezes fazemos esta pergunta a crianças que não sabem o que quer dizer “mais tarde”, que conhecem apenas o presente e no presente a presença maravilhosa do todo. Com quem você quer se casar mais tarde? pergunta-se àquela cuja beleza inquieta e preocupa. Que o casamento venha, pois, ser um coroamento de uma tal beleza. Mas aquele que ela deseja desposar não está presente e nem estará. Não está perto nem alhures. Está na alturas e no mais baixo, longe e perto… ele é e não é. Como nas histórias das antigas cantigas, a moça deixa a casa dos pais no meio da noite, passa por um porta camuflada, atravancada por pedaços de lenha, afasta galho por galho com suas mãos, sai correndo sob a noite estrelada até aquele havia projetado o rapto, o rei do coração, o príncipe da fuga, Francisco Assis. Eles amam do mesmo amor, são feitos para se entenderem, ébrios do mesmo vinho. Ela troca sua veste cintilante por uma indumentária de gente simples, feita de lã e ei-los anos a fio separados e juntos, ele prendendo nas redes de sua voz os pássaros do céus, os animais dos campos e os homens das cidades e ela atraindo para as redes de Deus moças cada vez mais numerosas, cada vez mais bonitas. Dois caçadores clandestinos. Dois nômades nas invisíveis propriedades de Deus. Separados como antigamente acontecia nas escolas. Os meninos de um lado e as meninas do outro. Ela, do lado das meninas; ele, do lado dos meninos. Separados nas aparências e nos lugares. Reunidos pelos intermináveis diálogos das almas, por esse encantamento de ter encontrado um interlocutor privilegiado, aquele ou aquela que compreende tudo, mesmo os silêncios, mesmo o que não se saberia dizer para si mesmo no silêncio, o irmão, a irmã sem os quais o tempo passado na terra não seria mais do que tempo, nada de outra coisa. A legenda que sempre diz a verdade para além das provas históricas, que está no sangue das almas, diz que um dia em que Francisco visitava Clara e suas irmãs em seu convento, irrompeu um incêndio, visto de vários lugares da redondeza. A população de Assis que acorreu para apagá-lo, não viu chama alguma, fogo nenhum, apenas Francisco e Clara em torno de uma frugalíssima refeição e uma imensa claridade entre os dois, que não arrefecia. Santa Clara e São Francisco, dois irmãos que decidiram seguir juntos a radicalidade do batismo. Ele morrerá antes dela. Isso não tem a menor importância. O amor desde sua vinda, desde seu primeiro frêmito, aboliu os antigos decretos do tempo, suprimiu as distinções de antes e de depois mantendo apenas o hoje eterno dos vivos, o hoje amoroso do amor. Fontes: Franciscanos via Christian Bobin, “Le Très-Bas”, Gallimard, p. 101-104. Autor: Frei Almir Guimarães. -
Mosteiro de Santa Clara do Deus Trino: celebrada a Festa de Santa Clara de Assis
Foi celebrada no último domingo (11), às 10h, a Santa Missa Solene em ação de graças à Festa de Santa Clara de Assis, no Mosteiro de Santa Clara do Deus Trino, em Brazlândia (DF). Com a igreja lotada, as pessoas se organizavam para participar da celebração tanto do lado de dentro, quanto fora. Estiveram presentes muitos fiéis, Irmãs Franciscanas da Sagrada Família em clausura e membros da Ordem Franciscana Secular (OFS). A Eucaristia foi presidida pelo Ministro Provincial, Frei Marcelo Veronez (OFMConv.) e concelebrada pelo Frei Bernardo Vitório (OFMConv.), o diretor espiritual das Clarissas no Mosteiro, o Padre Massimo Catterin da Nunciatura Apostólica e ainda o Padre Xavier Batista da Canção Nova. Compondo a Liturgia, estiveram algumas irmãs da Clausura e também os frades da Casa de Formação de Pós-Noviciado “São Francisco de Assis”. Em nome das Clarissas, o Frei Bernardo acolheu o Ministro Provincial e os outros celebrantes. Em sua homilia, o provincial falou sobre os três pontos de Santa Clara que devemos prestar atenção. “A resiliência clariana não se trata de aceitar a dor, mas sim de enfrenta-la e tirar dela um aprendizado. Assim como a Santa o fez durante sua vida”, explicou o Frei Marcelo. “A altíssima pobreza de Santa Clara”, continuou ele “refere-se ao seu desapego pelas coisas materiais, tal qual o Pobrezinho de Assis. Ela livrou-se dos bens deste mundo para libertar-se de si mesmo” disse. Concluindo a sua mensagem, o provincial disse “e, por último, está a alegria de Santa Clara de Assis. O grande produto da resiliência e da liberdade é a própria felicidade. O quanto mais buscamos ser transparentes, mais felizes somos”, concluiu ele. Em seguida, o Frei Marcelo falou sobre os avisos provinciais, bem como convidou a todos para a Festa de São Maximiliano a ser celebrada no Convento e Santuário Jardim da Imaculada, em Cidade Ocidental (GO), nesta quarta-feira (14) às 11h. Após a Santa Missa, foi realizada a tradicional bênção dos pães e todos participaram da festa social com barraquinhas de comidas típicas. Confira mais fotos na galeria! -
O Amor é a única riqueza necessária das primeiras clarissas
Clara tinha uma irmã chamada Catarina que acompanhou de perto sua saída do espaço da família para o espaço sagrado de São Damião. Quando a vontade de Deus é maior, não há projeto de família que segure. É mais uma que deixa os Offreducci Favarone para estar mais perto do Amado. Os passos de Clara deixam trilhas de seguimento. A família que um dia quis buscar Clara, vai também buscar Catarina. Não há força humana que possa arrastar uma força divina que está numa mulher. Catarina permanece com Clara. Francisco de Assis muda o nome de Catarina para Agnes, isto é, Inês. Derivado de agnella (cordeiro, ovelha). Junto às filhas de Favarone, vão morar Pacífica de Guelfuccio, Beatriz, irmã de Clara, e Hortolana, sua mãe. Narra Clara de Assis em seu Testamento, “Depois que o Altíssimo Pai celestial, pouco depois da conversão do nosso bem-aventurado Pai São Francisco, se dignou iluminar-me o coração para que, seguindo-lhe o exemplo, fizesse penitência, segundo a luz da graça que o Senhor nos comunicou através da sua vida maravilhosa e da sua doutrina, prometi-lhe voluntariamente obediência juntamente com as poucas Irmãs que o Senhor me tinha dado, logo depois da minha conversão. Vendo o bem-aventurado Francisco que nós, embora frágeis e fisicamente sem forças, não recusávamos nenhuma privação, pobreza, trabalho, tribulação, nem humilhação ou o desprezo do mundo, e até julgávamos tudo isso as maiores delícias, como dos seus frades, alegrou-se muito no Senhor. E, movido de piedade para conosco, assumiu o compromisso, por si e por sua Ordem, de ter sempre por nós o mesmo cuidado diligente e a mesma atenção especial que tinha para com os irmãos. E assim, por vontade de Deus e do nosso bem-aventurado pai Francisco, fomos morar junto da igreja de São Damião, onde em pouco tempo o Senhor nos multiplicou por sua misericórdia e graça, a fim de que se cumprisse o que tinha predito por seu santo. Pois, antes tínhamos morado em outro lugar, embora por pouco tempo” (TestC 24-32). Em São Damião, Clara começa com a força comum da convivência. Entra no lugar despojado, um eremitério que mais tarde torna-se mosteiro. Um novo e forte modo de vida para a relação com Deus no modo contemplativo. Um silêncio de Amor, uma vontade de viver apenas no Amor por Ele. Por vontade de Deus e de Francisco, Clara e suas primeiras Irmãs ocupam o sagrado espaço de São Damião. A pobreza do lugar e a Pobreza escolhida pelas primeiras Clarissas revelam que o Amor é a única riqueza necessária. Elas tem como referência o Evangelho e uma confiança na Providência que as levam a abandonar-se nas mãos do Senhor. A Pobreza é sinal de amor exclusivo ao Amado; um amor que se alimenta de silêncio, reverência e preces, cada dia, momento a momento, por toda a vida. A Pobreza une a dimensão fraterna em extremo cuidado. Conheça a biografia de Santa Clara aqui. Leia mais sobre o seu carisma aqui. Fonte: Carisma Franciscano. Autor: Frei Vitorio Mazzuco. -
Santa Clara de Assis: fundadora da 2ª Ordem e amiga pessoal de Francisco
Santa Clara foi a fundadora da Ordem das Clarissas e amiga pessoal de São Francisco de Assis. Contemporânea de São Francisco e fundadora da Ordem das Clarissas, Santa Clara nasceu em 1193. Vinda de uma família rica, ela decidiu abdicar de seus bens e sua nobreza para viver na humildade. Seus pais planejavam casá-la com algum nobre, no entanto, Clara, ainda com 18 anos de idade, em um gesto de muita coragem e inspirada no profundo desejo de seguir a Cristo, deixou a casa paterna e, na companhia de uma amiga, Bona di Guelfuccio, uniu-se, secretamente, aos franciscanos na Porciúncula. O pai de Santa Clara, revoltado com a fuga da filha, envia um tio chamado Monaldo para resgatar a filha viva ou morta. Monaldo consegue alcançar Santa Inês, que sofre agressões e é arrastada pelo tio montanha abaixo. Nesse momento, ela chama pela irmã Clara, que começa a rezar impiedosamente pela irmã e um milagre se instaura: Santa Inês fica tão pesada que torna impossível o ato de arrastá-la no chão e mesmo assim, Monaldo não se dá por vencido e tenta agredi-la com um golpe, mas imediatamente sente a mão se contrair. Sem saber mais como agir, ele desiste de levar Santa Inês e foge. Era a tarde do Domingo de Ramos do ano de 1211, quando, em um gesto tão significativo quanto histórico, Francisco cortou os cabelos de Clara e vestiu o hábito penitencial. A partir de então, tornou-se humilde e pobre, uma virgem esposa de Cristo e a Ele totalmente consagrada. Sobretudo no início de sua experiência religiosa, Clara teve em Francisco de Assis não só um mestre a quem seguir os ensinamentos, mas também um amigo fraterno. A amizade entre estes dois santos constitui um aspecto muito belo e importante. Efetivamente, quando duas almas puras e inflamadas do mesmo amor por Deus se encontram, há na amizade recíproca um forte estímulo para percorrer o caminho da perfeição. A amizade é um dos sentimentos humanos mais nobres e elevados que a Graça divina purifica e transfigura (leia aqui um artigo sobre a amizade entre os santos). Após ter transcorrido um período de alguns meses em outras comunidades monásticas, resistindo às pressões de seus familiares que no início não aprovavam sua escolha, Clara se estabeleceu com suas primeiras companheiras na igreja de São Damião, onde os frades menores tinham preparado um pequeno convento para elas. Lá, Clara, juntamente com outras mulheres, deu início à Ordem, contemplativa e feminina, da Família Franciscana, as Clarissas, da qual se tornou mãe e modelo, principalmente no longo tempo de enfermidade, período em que permaneceu em paz e totalmente resignada à vontade divina. Em uma das quatro cartas que Clara enviou a Santa Inês de Praga, filha do rei da Bohemia e que queria seguir seus passos, ela fala de Cristo, seu amado esposo, com expressões nupciais, que podem surpreender, mas que comovem: “Amando-o, és casta, tocando-o, serás mais pura, deixando-se possuir por ele, és virgem. Seu poder é mais forte, sua generosidade, mais elevada, seu aspecto, mais belo, o amor mais suave e toda graça. Agora tu estás acolhida em seu abraço, que ornou teu peito com pedras preciosas… e te coroou com uma coroa de ouro gravada com o selo da santidade” (Lettera prima: FF, 2862). Um bispo flamengo, Santiago de Vitry, que estava em visita à Itália, que afirma ter encontrado um grande número de homens e mulheres, de toda classe social e descreve como estes viviam nos primeiros anos do franciscanismo, “deixando tudo por Cristo, escapavam ao mundo. Chamavam-se frades menores e irmãs menores e são tidos em grande consideração pelo senhor Papa e pelos cardeais. As mulheres moram juntas em diferentes abrigos não distantes das cidades. Não recebem nada e vivem do trabalho de suas mãos. E lhes dói e preocupa profundamente que sejam honradas mais do que gostariam, por clérigos e leigos” (Carta de outubro de 1216: FF, 2205.2207). Santiago de Vitry tinha captado com perspicácia um traço característico da espiritualidade franciscana, a que Clara foi muito sensível: a radicalidade da pobreza associada à confiança total na Providência divina. Por este motivo, ela atuou com grande determinação, obtendo do Papa Gregório IX ou, provavelmente, já do Papa Inocêncio III, o chamado Privilegium Paupertatis (cfr FF, 3279). Em base a este, Clara e suas companheiras de São Damião não podiam possuir nenhuma propriedade material. Tratava-se de uma exceção verdadeiramente extraordinária em relação ao direito canônico vigente. As autoridades eclesiásticas daquele tempo o concederam apreciando os frutos de santidade evangélica que reconheciam na forma de viver de Clara e de suas irmãs. Isso demonstra também que nos séculos medievais, o papel das mulheres não era secundário, mas extremamente relevante. A propósito disso, é oportuno recordar que Clara foi a primeira mulher da história da Igreja que compôs uma Regra escrita, submetida à aprovação do Papa, para que o carisma de Francisco de Assis se conservasse em todas as comunidades femininas que iam se estabelecendo em grande número já em seus tempos, e que desejavam se inspirar no exemplo de Francisco e Clara. Em 1198, ocorreu uma invasão moura à Assis e em meio a muita pobreza e necessidade aconteceu um fato que consagrou Santa Clara para sempre na história. Eles tentaram invadir o convento e Santa Clara, mesmo acamada e doente, fez questão de ir até o portão de entrada. Ali, em lágrimas, ela conseguiu pegar o ostensório com o Santíssimo Sacramento e proferir as seguintes palavras, “Senhor, guardai Vós estas vossas servas, porque eu não as posso guardar”. Ouviu-se então uma voz suave dizendo, “Eu te defenderei para sempre”. Imediatamente os mouros são tomadas por um medo descomunal e fogem, deixando o convento intacto e a salvo. Nesse mosteiro, viveu durante mais de quarenta anos, até sua morte, ocorrida em 1253. Foi canonizada por Alexandre IV no dia 15 de agosto de 1265. Confira logo abaixo um vídeo da Irmã Elka Santos (Irmãs Franciscanas da Sagrada Família) falando sobre o importância do carisma clareano para todas as ordens franciscanas! Fontes: Canção Nova, Franciscanos e Nossa Sagrada Família. Leia mais sobre outros Santos e Santas Franciscanas clicando aqui. -
Santa Missa celebrada na Capela Santa Clara de Assis em ação de graças à padroeira e à futura Casa Filial
No último sábado, 11, às 19h, foi celebrada a Santa Missa Solene em ação de graças à Padroeira na Capela Santa Clara de Assis, no bairro Sol Nascente, em Ceilândia (DF). O Frei Rômulo Albuquerque presidiu a celebração e, em sua homilia destacou que Clara é, para todas as ordens franciscanas, um modelo de pobreza, humildade e caridade. Estiveram presentes, cerca de 200 pessoas com a animação preparada pelos próprios fiéis. Ao final da celebração, o Frei Rômulo realizou a tradicional bênção dos pães. Logo após, em frente à Igreja e acompanhado da comunidade local, o frade fez uma procissão guiada por uma imagem de Santa Clara de Assis. Na capela, que é vinculada à Paróquia São Marcus e São Lucas, em breve, será inaugurada a Casa Filial Santa Clara de Assis. As obras já foram finalizadas, faltando agora apenas serem realizados alguns detalhes e a aquisição da mobília do local. -
Santa Missa em ação de graças à Santa Clara no Mosteiro Deus Trino
Foi celebrada no último sábado (11), às 19h, a Santa Missa Solene em Ação de Graças à Festa de Santa Clara de Assis, que foi realizada no Mosteiro de Santa Clara do Deus Trino, em Brazlândia (DF). Na celebração estiveram presentes muitos fiéis, Irmãs Franciscanas da Sagrada Família em clausura e membros da Ordem Franciscana Secular (OFS). A celebração foi presidida pelo Frei Hoslan Guedes (OFMConv) que, em sua homilia, relembrou o caminho e o carisma clareano e como as irmãs franciscanas desempenham um papel essencial na humildade e na vida contemplativa, sendo ainda a "esperança de renovação da fé" para as ordens franciscanas. O Frei Hoslan explicou também que devemos nos desprender das coisas deste mundo e de todas as suas influências. Para isso, ele exemplificou como a minoridade de Santa Clara era uma de suas principais características em que, ao serem oferecidos bens e segurança a ela e às suas seguidoras pelo Papa Gregório IX, ela prontamente responde, “não me tire a graça de ser pobre”, tendo nesta a busca de assemelhar-se à imagem do Deus humilde. Ao final da Santa Missa, foi realizada a tradicional bênção dos pães e o sorteio de algumas imagens. Logo após, todos e todas participaram da festa social com barraquinhas de comidas típicas. -
Saudação do Ministro Provincial por ocasião da Festa de Santa Clara de Assis
Santa Clara foi a fundadora da Ordem das Clarissas e amiga pessoal de São Francisco de Assis. Para a celebração desta santa tão importante ao franciscanismo em todas as suas ordens, o Ministro Provincial, Frei Marcelo Veronez, redigiu, diretamente do Capítulo geral Extraordinário, a Saudação em que versa o significado da vida e obra de Clara. Confira! Prot. 78/2018“CIRCULAR” Nemi, It - 10 de agosto de 2018Festa de Santa Clara de Assis SAUDAÇÃO DO MINISTRO PROVINCIAL POR OCASIÃO DA FESTA DE SANTA CLARA DE ASSIS Caros frades, noviços, pré-noviços e postulantes,Queridas Irmãs Clarissas,Queridos irmãos e irmãs da OFS, “O Senhor vos dê a paz” Queridos, com esta simples missiva desejo saudar-vos pelo que hoje celebrais em fraternidade e em comunhão. Há 800 anos, na noite de 19 de março de 1212, dia seguinte à festa de Domingos de Ramos, Clara de Assis, toda adornada, fugiu de casa para unir-se ao grupo de Francisco de Assis na capelinha da Porciúncula. As clarissas do mundo inteiro e toda a família franciscana celebram esta data que significa a fundação da Ordem de Santa Clara, espalhada pelo mundo inteiro.Para nossa família provincial é motivo de encontro e reconhecimento, pois Deus tanto nos concede em ter, junto das Irmãs Clarissas, a oportunidade de perceber o quanto é bonito e profundo nosso carisma, baseado, primordialmente, na minoridade, chamado universal de FRANCISCO às três ordens por ele fundadas. A oportunidade de sermos acompanhados pela maternidade dessas santas irmãs, e pela espiritualidade de Santa Clara é, antes de tudo, uma incomensurável graça, e para tantos outros irmãos e irmãs, uma maternidade espiritual dispensada pelas orações que das mesmas, por nós, são proferidas. Celebrar Santa Clara é recordar não só a memória de uma mulher beatamente santa, mas, um conteúdo de vida exemplar, plena de serviço, doação e virtudes heroicas. Clara é um modelo de coragem, de desafio de si mesmo e de rompimento com a doutrina pré-concebida de seus contemporâneos. Pensemos: Clara é uma fugitiva de família que opta em ser discípula de um louco transgressor, apaixonado por aventuras, pelo qual nós chamamos Pai Francisco. Vocês já pensaram nisso alguma vez? Isto é, a quão corajosa, para seu tempo, foi Santa Clara? E quem em sã memória deixaria tudo pra seguir um mendigo desqualificado pelo pai e cheio de inovações mirabolantes? Pois bem, Clara é inteligente e sabe que aos corajosos é reservada uma heroicidade que não é para os comuns. A juventude de Francisco e Clara nos inveja, porque, para muitos de nós, a impressão que temos é que passou o tempo de aventurar-se e, diferentemente deles, somos inclinados à manutenção e estabilidade de nossas prováveis seguranças. Santa Clara é uma síntese da imprevisibilidade da vida, do ser e do estar nesse mundo. Nem tudo na sua fuga familiar foi previsível; e o improvável aconteceu pela coragem: o que era uma conversão tornou-se uma espiritualidade, um modelo, uma ordem que inúmeras mulheres seguem livremente e nós, irmãos e irmãs, aprendemos tanto. Pode ser, por nós, qualificada pela beleza da discrição, que não significa ser tímido, calado, mas sim aceitar a forma com que estamos no mundo no presente, imprevisivelmente, talvez, nenhum de nós poderíamos imaginar como estaríamos agora. Em nossa família provincial, essa capacidade de abertura ao imprevisível nos conduziu a sermos assistentes das irmãs e assistidos ao mesmo tempo por elas, o que nos faz entender a dimensão da gratuidade em nossas vidas. Somos gratos pelo dom de duas presenças franciscanas conventuais sob o título dessa insigne padroeira: A Casa Filial Santa Clara de Anápolis, com uma paróquia anexa e a Casa Filial Santa Clara do Sol Nascente, que nos próximos dias teremos a alegria de abençoar e erigir sob nossa autoridade religiosa e pastoral. Uma graça da espiritualidade de Clara e de Francisco em nossas vidas. Agradeço a Deus pelo infinito dom, pelos Frei Miecislau, Vigário da Província e Frei Hoslan Guedes, Definidor, por estarem presentes nesse acompanhamento fraterno em nome da Província S. Maximiliano Kolbe. Às Irmãs de Santa Clara, meu afetuoso abraço e benção da parte de Jesus Nosso Senhor. Parabéns a todos os irmãos e irmãs, que conosco esses dias acompanham o Capítulo geral da Ordem, que acontece em Nemi, Itália. Vossas orações são preciosas para todos nós, os frades menores conventuais. Em S. Francisco e Santa Clara a benção seráfica. Para fazer o download do PDF deste documento, clique aqui. Confira logo abaixo um vídeo da Irmã Elka Santos (Irmãs Franciscanas da Sagrada Família) falando sobre o importância do carisma clareano para todas as ordens franciscanas! -
Saudação do Ministro Provincial por ocasião da Festa de Santa Clara de Assis
Santa Clara foi a fundadora da Ordem das Clarissas e amiga pessoal de São Francisco de Assis. Para a celebração desta santa tão importante ao franciscanismo em todas as suas ordens, o Ministro Provincial, Frei Marcelo Veronez (OFMConv.), redigiu a Saudação em que versa o significado da vida e obra de Clara. Confira abaixo! Prot. 042/2019 Brasília, 08 de agosto de 2019 Saudação do Ministro Provincial por ocasião da Festa de Santa Clara Queridos confrades e irmãs clarissas, Paz e bem! No próximo dia 11 de agosto celebramos a festa litúrgica de Santa Clara de Assis, solenidade para nossas queridas irmãs do Mosteiro de Deus Trino de Brasília que, desde 2001, tornaram-se uma carinhosa presença de oração na nossa família provincial. Santa Clara de Assis, plantinha de nosso Pai S. Francisco, que viveu no século XIII, contemporânea da revolução franciscana, é também a mãe de toda a Ordem Seráfica. Seu testemunho mostra-nos o quanto toda a Igreja é devedora a mulheres corajosas e cheias de fé como ela, capazes de dar um decisivo impulso para a renovação da Igreja”, como disse o Papa Bento XVI em uma de suas visitas a Assis. Santa Clara é considerada a primeira mulher a escrever uma regra de vida para uma comunidade. Numa época em que a maioria das comunidades religiosas viviam de acordo com regras escritas por homens, a decisão de Clara de compor uma regra para sua própria comunidade foi um gesto arrojado e inovador. Por estas e outras tantas virtudes de Santa Clara, quero, nessas simples palavras, saudar os frades que vivem em nossas duas casas filiais sob o título dessa padroeira: Santa Clara de Assis de Anápolis – GO e os que são de família em Santa Clara do Sol Nascente - DF. Junto ao povo dessas duas comunidades está Santa Clara intercedendo e sendo modelo de oração, fé e acolhimento, elementos essenciais do carisma pessoal de Clara Assis. Às nossas irmãs do Mosteiro de Deus Trino de Brazlândia (DF), minha cordial e afetuosa saudação de uma santa e feliz festa. Recorda-nos o Papa Francisco que “a Igreja 'em saída' é uma Igreja com as portas abertas” (EG 46). E ainda, que o mosteiro não seja um lugar fechado e excludente, mas uma casa aberta que ofereça, especialmente a quem está em busca ou a quem está perdido, a quem deseja parar ou a quem está de passagem, o alívio de uma oração compartilhada e de uma liturgia bem cuidada, a água viva da Palavra, o calor de um abraço cheio de compreensão, o rosto simples e verdadeiro de uma vida bela e de uma fraternidade autêntica. Essa é a continuação da vida carismática de S. Clara no vosso meio. Conquistai esse espaço no seio da Igreja! Parabéns a todos e Feliz festa de Santa Clara! Frei Marcelo Veronez, OFMConv. Ministro Provincial Faça o download da Saudação clicando aqui. Veja o Testemunho da Irmã Elka Santos (Irmãs Franciscanas da Sagrada Família) falando sobre o importância do carisma clareano para todas as ordens franciscanas!