Santo do Dia
-
04 de fevereiro: São José de Leonissa - Santos Franciscanos do Dia
José Desideri nasceu em Leonissa, Itália, em 1556. Entrando para a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, levou uma vida de enorme austeridade e muito zelo apostólico. Era um notável pregador. Como missionário em Constantinopla, empenhou-se muito para confortar e consolar os escravos indefesos, tentando converter até mesmo o sultão. Por este motivo foi feito prisioneiro e torturado. Escapando, no entanto, à morte, retornou a sua pátria, onde continuou sua atividade apostólica. Morreu em Amatriz aos 4 de Fevereiro de 1612. Foi canonizado por Bento XIV. Vida e obra São José de Leonissa, que tem seu dia comemorado em 4 de fevereiro, também é conhecido como São José Desidério. Nasceu em 8 de janeiro de 1556 em Leonissa, Umbria, Itália. seu nome era Eufrânio. Terceiro de 8 filhos nascidos de João Desideri, um comerciante de lã e de Serafina Paolini. Seus pais faleceram quando ele tinha 12 anos e foi criado e educado pelo seu tio Batista Desideri, um professor em Viterbo. Desideri arranjou um casamento para Eufrânio com uma moça de uma nobre família local, costume muito comum na época. No entanto, o rapaz já sentia o seu chamado para a vida religiosa. Quando tinha 16 anos entrou em Rieti, na Ordem dos Capuchinhos. Fez o noviciado no pequenino convento de Carcerelle, junto a Assis, onde se exercitou na mais dura penitência. Durante este período os monges fizeram tudo para testar e dissuadir o jovem, mas ele perseverou na sua vocação e em 8 de janeiro de 1573, entrou para os franciscanos capuchinhos tomando o nome de José. Levava uma vida ascética e tratava seu corpo com dura austeridade, com pouco alimento e muitas privações, chamando-o de "irmão burro", uma expressão tipicamente franciscana. Escolheu para si o caminho da humildade e da pobreza. Ordenado em Amélia, Perúgia, em 24 de setembro de 1580 (algumas fontes dão a data de 21 de maio de 1581), e destinado ao ofício de pregador, ele passou pelas regiões da Umbria, Lázio e Abruzzi a pregar o Evangelho de Cristo. Certa vez converteu um bando de 50 bandidos que vieram quando ele pregava um sermão em Lent. No dia 1 de Maio de 1587, com mais dois irmãos chegou a Constantinopla com a missão de fundar ali uma Missão, interessando-se logo pela libertação dos cristãos caídos na escravatura, dando-lhes alento na sua fé. Ele acabou sendo feito prisioneiro dos Turcos quanto tentou pregar ao próprio Sultão Murad III. Em Constantinopla, de fato, José tentou entrar no palácio para pregar diante do Sultão, esperando vir a convertê-lo. Preso pelos guardas, foi julgado como réu de crime de lesa majestade. Ali foi açoitado e depois suspenso de uma trave sob a qual acenderam uma fogueira que ardia lentamente. Durante três dias permaneceu suspenso por um gancho numa das mãos e outro num dos pés, tendo sobrevivido a este suplício. Conta-se que foi visitado por um anjo que teria curado as suas chagas. E foi quase um milagre que o Sultão, maravilhado pelo que sucedera, comutasse a pena de morte pelo exílio perpétuo. Voltando para a Itália, continuou na mesma vocação missionária, pregando à saída das casas, nas aldeias, pelas cidades da Umbria, conseguindo verdadeiras conversões e reconciliações em toda a parte. A vida penitente e os carismas sobrenaturais aumentavam a eficácia da sua palavra. Promoveu obras de assistência social como os "Monte Pios", hospitais e outras obras de beneficência. No Arquivo da Postulação Geral dos Capuchinhos existe um vastíssimo material constando de manuscritos, pregações, homilias, panegíricos e outros apontamentos de pregação. Adoecendo, retirou-se para o convento de Amatriz, junto a Rieti. Ali verificaram que ele era vítima de um tumor. Vendo que queriam amarrá-lo com cordas para operá-lo, tomou nas mãos o seu crucifixo e disse, “Cordas? Que cordas! eis aqui os meus laços. Este Senhor pregado por meu amor com suas dores obriga-me a suportar qualquer tormento por seu amor", afirmou ele. E dessa maneira suportou a operação sem se queixar, olhando para Jesus, que "como um cordeiro se calou diante do tosquiador e não abriu a sua boca" (Is 53,7). Depois, nas dores, conservava por longo tempo o crucifixo apertado contra o peito; desde então não mais se levantou da cama, vindo a morrer no dia 4 de fevereiro de 1612. Foi beatificado em 1737 pelo Papa Clemente XII e canonizado por Bento XIV a 29 de junho de 1746. Fonte: Santo Nosso de Cada Dia. -
04 de setembro: Santa Rosa de Viterbo - Santos e Santas Franciscanas do Dia
Ela nasceu no ano de 1234, filha de João e Catarina, cristãos fervorosos. Nesse período, o imperador e a Igreja estavam em confronto. Além disso, duas famílias disputavam o governo da cidade de Viterbo, na Itália. A família de Rosa possuía uma boa propriedade na cidade vizinha, Santa Maria de Poggio, onde viviam com o conforto da agricultura. Envolta por antigas tradições e sem dados oficiais que comprovem os fatos narrados, a vida de Rosa foi breve e incomum. Como sua mãe, Catarina, trabalhava com as Irmãs Clarissas do mosteiro da cidade, Rosa recebeu a influência da espiritualidade franciscana ainda muito pequena. Com sete anos, Rosa pegou uma forte doença que acabou sendo um meio para sua vida de consagração, pois Nossa Senhora apareceu a ela, restituindo sua saúde e chamando-a à uma total entrega de vida e, assim, aos doze anos ingressou na Ordem Terceira de São Francisco. No ano de 1247 a cidade de Viterbo, fiel ao Papa, caiu nas mãos do imperador Frederico II, que negava a autoridade do pontífice e o poder do Sacerdote de perdoar os pecados e consagrar. Rosa então teve outra visão, desta vez com Cristo que estava com o coração em chamas. Ela não se conteve, saiu pelas ruas pregando com um crucifixo nas mãos. A notícia correu toda cidade, muitos foram estimulados na fé. Com suas palavras, confundia até os mais preparados. Por isto, representava uma ameaça para as autoridades locais. Em 1250, o prefeito a condenou ao exílio. Rosa e seus pais foram morar em Soriano onde sua fama já havia chegado. Na noite de 5 de dezembro 1251, ela recebeu a visita de um anjo, que lhe revelou que o imperador Frederico II, uma semana depois, morreria. O que de fato aconteceu. Com isto, o poder dos rebeldes ao pontificado enfraqueceu e Rosa pode retornar a Viterbo. Toda a região voltou a viver em paz. No dia 6 de março de 1252, sem agonia, ela morreu. No mesmo ano, o Papa Inocêncio IV, mandou instaurar o processo para a canonização de Rosa. Cinco anos depois, o mesmo pontífice mandou exumar o corpo, e para a surpresa de todos, ele foi encontrado intacto. Rosa foi transladada para o convento das Irmãs Clarissas que nesta cerimônia passou a se chamar, convento de Santa Rosa. Depois, a Santa só foi “canonizada” pelo povo, porque curiosamente o processo nunca foi promulgado. A canonização de Rosa ficou assim, nunca foi oficializada. Mas também nunca foi negada pelo Papa e pela Igreja. Santa Rosa de Viterbo, desde o momento de sua morte, foi “canonizada” pelo povo. Em setembro de 1929, o Papa Pio XI, declarou Santa Rosa de Viterbo a padroeira da Juventude Feminina da Ação Católica Italiana. No Brasil, ela é A Padroeira dos Jovens Franciscanos Seculares. Santa Rosa de Viterbo é festejada no dia de sua morte, mas também pode ser comemorada no dia 4 de setembro, dia do seu translado para o mosteiro de Clarissas de Santa Rosa, em sua cidade natal. Fonte: Canção Nova e Franciscanos. -
06 de novembro: Afonso Lopez e seus companheiros - Santos e Santas Franciscanas
Afonso Lopez nasceu no ano de 1978, na antiga região de Secorún (atualmente despovoada), na Espanha. Em seus primeiros passos de discernimento de sua vocação religiosa, ele tentou juntar-se, inicialmente, aos beneditinos, mas logo abandonou esta congregação. Decidiu então ingressar na Ordem dos Frades Menores Conventuais, na cidade de Granollers em 1906. Fez o seu noviciado na região de Ósimo, na Itália. Lá, ele emitiu a sua profissão religiosa. Foi ordenado sacerdote no ano de 1911, quando retornou à Granollers. Na cidade espanhola, foi o diretor das "Escolas Antonianas" e responsável pela formação dos postulantes e noviços. O ministério da reconciliação e acompanhamento espiritual também foram campos do seu apostolado favorito. No entanto, eclodiu a perseguição religiosa naquela região, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). Logo nos primeiros dias da perseguição, Afonso deu a sua vida pela fé, sendo preso e martirizado na tarde de 3 de agosto de 1936. Após ele, receberam o martírio entre 27 de julho e os primeiros dias de setembro do mesmo ano, os irmãos de hábito e membros da comunidade de Granollers: Freis Modesto Vegas, Dionísio Vicente, Pedro Rivera, presbíteros, Francisco Remón, Miguel Remón e alguns irmãos Leigos. Todos eles foram beatificados por João Paulo II em 11 de março de 2001, no grande grupo de 233 mártires (saiba mais clicando aqui), a maioria da comunidade valenciana, 50 deles membros da Família Franciscana. Traduzido e adaptado de: Ordem Franciscana Seglar de Avilés. -
07 de novembro: Bem-Aventurada Maria Crucifixa Satéllico - Santos e Santas Franciscanas do Dia
Maria Crucifixa Satéllico nasceu em 31 de dezembro de 1706 na cidade de Veneza, na Itália. Inicialmente, foi batizada com o nome de Isabel. Professou a Regra de Santa Clara no ano de 1726 no Mosteiro de Ostra Vetere, que fica na região de Marcas, também na Itália. Lá, viveu o recolhimento com Cristo em Deus, amando ao Senhor com o coração indiviso e participando com seráfico ardor do mistério da Cruz. Ela foi uma guia para com as suas co-irmãs, iluminada pela palavra e pelo exemplo no caminho da perfeição, sobretudo, nos últimos três anos em que esteve à frente do mosteiro como abadessa. Sendo sustentada pela Graça Divina, rechaçou vitoriosamente as tentações e as ciladas do inimigo. Foi agraciada por Deus com o dom da contemplação mística. A virgem da Ordem II morreu no dia 08 de novembro de 1745. Foi beatificada pelo Papa João Paulo II em 10 de outubro e 1993. -
08 de dezembro: Imaculada Conceição de Maria
Celebramos hoje, 08 de dezembro, a Imaculada Conceição de Nossa Senhora, a Rainha de todos os santos! Esta verdade, reconhecida pela Igreja de Cristo, é muito antiga. Muitos padres e doutores da Igreja oriental, ao exaltarem a grandeza de Maria, Mãe de Deus, usavam expressões como: cheia de graça, lírio da inocência, mais pura que os anjos. A Igreja ocidental, que sempre muito amou a Santíssima Virgem, tinha uma certa dificuldade para a aceitação do mistério da Imaculada Conceição. Em 1304, o Papa Bento XI reuniu na Universidade de Paris uma assembleia dos doutores mais eminentes em Teologia, para terminar as questões de escola sobre a Imaculada Conceição da Virgem. Foi o franciscano João Duns Escoto (conheça a a vida e obra do bem-aventurado clicando aqui) quem solucionou a dificuldade ao mostrar que era sumamente conveniente que Deus preservasse Maria do pecado original, pois a Santíssima Virgem era destinada a ser mãe do seu Filho. Isso é possível para a Onipotência de Deus, portanto, o Senhor, de fato, a preservou, antecipando-lhe os frutos da redenção de Cristo. Rapidamente a doutrina da Imaculada Conceição de Maria, no seio de sua mãe Sant’Ana, foi introduzido no calendário romano. A própria Virgem Maria apareceu em 1830 a Santa Catarina Labouré pedindo que se cunhasse uma medalha com a oração: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”. No dia 8 de dezembro de 1854, através da bula Ineffabilis Deus do Papa Pio IX, a Igreja oficialmente reconheceu e declarou solenemente como dogma: “Maria isenta do pecado original”. A própria Virgem Maria, na sua aparição em Lourdes, em 1858, confirmou a definição dogmática e a fé do povo dizendo para Santa Bernadette e para todos nós, “Eu sou a Imaculada Conceição”. Nossa Senhora da Imaculada Conceição, rogai por nós! Fonte: Canção Nova. -
08 de novembro: Bem-Aventurado João Duns Scotus – Santos e Santas Franciscanas do Dia
Ele nasceu por volta de 1265 na cidade de Duns, na Escócia. Desde cedo ele tinha grande apreço pelo carisma franciscano, sendo recebido na Ordem ainda jovem. Foi ordenado presbítero em 17 de março de 1291. Graduando-se na Universidade de Sorbonne, em Paris, foi professor nas universidades de Cambridge, Oxford, Paris e, finalmente, em Colônia. Verdadeiro filho do Povorello de Assis, investigou com grande sutileza a divina Revelação, produzindo muitas obras filosóficas e teológicas de grande relevância. Com notável vigor, anunciou o mistério do Verbo Encarnado e foi incansável defensor da Imaculada Conceição da Virgem Maria e da autoridade do Romano Pontífice. Em 23 de junho de 1303, por se ter recusado a subscrever o libelo de Filipe IV, o belo, Rei da França, contra o Papa Bonifácio VIII, foi expulso de Paris, indo para Colônia. Lá, em 8 de novembro de 1308, foi colhido por morte prematura, no auge de sua atividade magisterial. A grande fama de santidade de que o insigne teólogo se viu cercado na vida, por causa de suas excepcionais virtudes cristãs, bem cedo lhe mereceu não só no âmbito da Ordem seráfica, mas também em Colônia, na Alemanha, onde está sepultado; e em Nola, na Itália, um culto Público que o Papa João Paulo II confirmou em 6 de julho de 1991. Scotus viveu em um contexto desafiador e, ao mesmo tempo, extremamente fecundo. O século XIII, no qual também viveram Tomás de Aquino e Boaventura, tem como marcas principais duas trajetórias filosófico-teológicas bem definidas: agostiniano-boaventuriana e aristotélico-tomista. E uma única matriz polêmica a provocá-las e animá-las: o ingresso das obras de Aristóteles na universidade de Paris. Nesse contexto, Scotus assume uma postura crítica face aos pressupostos e às principais posições defendidas por ambas as escolas, revelando-se como um pensador original. Destaca-se pela fina precisão em bem discernir, o que lhe possibilitou dissipar inúmeras confusões e esmerar-se na especulação acerca das questões filosóficas e dos mistérios da fé. O “Doutor sutil” se caracteriza, ainda, por um raciocínio singular capaz de, num cerrado diálogo com seus interlocutores, desconstruir seus argumentos e forjar conceitos e linguagem novos cada vez mais precisos e inclusivos. Com Scotus, talvez o pensamento cristão tenha atingido o mais alto vértice da especulação. Duns Scotus teologicamente Duns Scotus, antes de tudo, meditou sobre o mistério da Encarnação e, ao contrário de muitos pensadores cristãos da época, sustentou que o Filho de Deus teria se feito homem ainda que a humanidade não tivesse pecado. Ele afirma, na Reportata Parisiensa “Pensar que Deus teria renunciado a esta obra se Adão não tivesse pecado seria totalmente irracional. Digo, portanto, que a queda não foi a causa da predestinação de Cristo, e que, ainda que ninguém tivesse caído, nem o anjo, nem o homem, nesta hipótese Cristo teria estado ainda predestinado da mesma forma” (in III Sent., d. 7, 4). Este pensamento, talvez um pouco surpreendente, nasce porque, para Duns Scotus, a Encarnação do Filho de Deus, projetada desde a eternidade por parte de Deus Pai em seu plano de amor, é cumprimento da criação e torna possível a toda criatura, em Cristo e por meio d’Ele, ser cumulada de graça e dar louvor e glória a Deus na eternidade. Duns Scotus, ainda consciente de que, na realidade, por causa do pecado original, Cristo nos redimiu com sua Paixão, Morte e Ressurreição, reafirma que a Encarnação é a maior e mais bela obra de toda a história da salvação e que esta não está condicionada por nenhum fato contingente, mas é a ideia original de Deus de unir finalmente todo o criado consigo mesmo na pessoa e na carne do Filho. Fiel discípulo de São Francisco, Duns Scotus amava contemplar e pregar o mistério da Paixão salvífica de Cristo, expressão do amor imenso de Deus, que comunica com grandíssima generosidade fora de si os raios da sua bondade e do seu amor (cf. Tractatus de primo principio, c. 4). E este amor não se revela somente no calvário, mas também na Santíssima Eucaristia, da qual Duns Scotus era devotíssimo e que via como o sacramento da presença real de Jesus e como o sacramento da unidade e da comunhão que nos induz a amar-nos uns aos outros e a amar a Deus como o Sumo Bem comum (cf. Reportata Parisiensia, in IV Sent., d. 8, q. 1, n. 3). Duns Scotuss e a Imaculada Não somente o papel de Cristo na história da salvação, mas também o de Maria é objeto da reflexão do Doctor subtilis. Na época de Duns Scotus, a maior parte dos teólogos opunha uma objeção, que parecia insuperável, à doutrina segundo a qual Maria Santíssima esteve isenta do pecado original desde o primeiro instante da sua concepção: de fato, a universalidade da Redenção levada a cabo por Cristo, à primeira vista, poderia parecer comprometida por uma afirmação semelhante, como se Maria não tivesse tido necessidade de Cristo e da sua redenção. Por isso, os teólogos se opunham a esta tese. Duns Scotus, então, para fazer compreender esta preservação do pecado original, desenvolveu um argumento que foi depois adotado também pelo Papa Pio IX em 1854, quando definiu solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Maria. E este argumento é o da “redenção preventiva”, segundo a qual a Imaculada Conceição representa a obra de arte da Redenção realizada em Cristo, porque precisamente o poder do seu amor e da sua mediação obteve que a Mãe fosse preservada do pecado original. Portanto, Maria está totalmente redimida por Cristo, mas já antes da sua concepção. Os franciscanos, seus irmãos, acolheram e difundiram com entusiasmo esta doutrina, e os demais teólogos – frequentemente com juramento solene – se comprometeram a defendê-la e aperfeiçoá-la. A este respeito, gostaria de evidenciar um dado que me parece importante. Teólogos de valor, como Duns Scotus sobre a doutrina da Imaculada Conceição, enriqueceram com sua contribuição específica de pensamento o que o Povo de Deus já acreditava espontaneamente sobre a Beatíssima Virgem, e manifestava nos atos de piedade, nas expressões da arte e, em geral, na vida cristã. Assim, a fé, tanto na Imaculada Conceição como na Assunção corporal de Nossa Senhora já estava presente no Povo de Deus, enquanto a teologia não havia encontrado ainda a chave para interpretá-la na totalidade da doutrina da fé. Conheça outros Santos e Santas Franciscanas clicando aqui. O Frei José Nasareno (OFMConv.) relembrou o beato no Programa "Uma palavra de Fé e Luz", veja aqui. Fonte: Franciscanos aqui e aqui. -
10 de outubro: São Daniel e Seus Companheiros - Santos e Santas Franciscanas do Dia
Os frades franciscanos doaram à Igreja grandes santos. Hoje, celebramos a memória de sete missionários que dispensaram todos seus esforços para a evangelização do Norte da África e foram brutalmente martirizados. Em 1227, sete membros da ordem, vindos da Itália e liderados por Daniel, chegaram à Espanha, expressando ao superior geral, Irmão Elias, o desejo de evangelizar os muçulmanos na cidade de Marrocos. Era um ato verdadeiramente corajoso, porque as autoridades marroquinas haviam proibido qualquer forma de propaganda da fé cristã. Mas, ao mesmo tempo, era um período de grande entusiasmo missionário nas jovens ordens franciscanas, fortalecidas pela memória de são Francisco, que morrera no ano anterior. O chefe do grupo era Daniel, nascido em Belvedere, na Calábria, que também ocupava o cargo de ministro provincial da Ordem naquela região; os outros se chamavam Samuel, Ângelo, Donulo, Leão, Nicolas e Hugolino. Após uma breve permanência na Espanha, transferiram-se para a cidade de Ceuta, no Marrocos. Nas estradas e ruas da cidade, falando em latim e em italiano, anunciaram Cristo. As autoridades mandaram que fossem capturados. Levados à presença do Sultão, foram classificados como loucos, devendo permanecer na prisão. Depois de sete dias, todos eles voltaram à presença do Sultão que se esforçou de todas as maneiras para que negassem a religião cristã. Mas não conseguiu. Então condenou à morte os sete franciscanos que se mantiveram firmes no cristianismo. No dia 10 de outubro, foram decapitados em praça pública e seus corpos destroçados. Todavia os comerciantes cristãos ocidentais recuperaram os pobres restos, que sepultaram nos cemitérios dos subúrbios de Ceuta. Em seguida, os ossos foram transferidos para a Espanha. Hoje, as relíquias são conservadas em diversas igrejas de várias cidades da Espanha, de Portugal e da Itália. O papa Leão X, em 1516, canonizou como santos Daniel e cada um dos seis companheiros. Fontes: Catequese Católica e Franciscanos. -
13 de novembro: São Diogo de Alcalá - Santos e Santas Franciscanas do Dia
Diogo de Alcalá nasceu em uma família humilde por volta do ano de 1400, em São Nicolau do Porto em Andaluzia, na Espanha. O jovem, desde cedo autodidata da ascese cristã¹, viveu como monge eremita às margens do povoado natal, em penitência e oração. Alimentava-se somente com os produtos da pequena horta que cultivava e vestia-se com as roupas velhas que o povo lhe dava em troca de trabalhos artesanais. Como sempre acontece, quem mais dá, mais recebe. Assim o jovem acabou por atrair a si muitos doadores. Possuidor de dons místicos e inteligência infusa, sua piedade e bondade eram tão reconhecidas que logo ganhou fama de santidade. Para fugir dela, resolveu ingressar como noviço de irmão leigo no Convento dos frades franciscanos de Arizafe, próximo a Córdoba. Lá, fez o noviciado como irmão leigo e, em 1441, foi enviado como missionário às ilhas Canárias. Naquelas felizes ilhas submersas pelo sol, Frei Diogo aí trabalhou alegremente e, cinco anos depois, a obediência lhe impôs aceitar o cargo de guardião, isto é, de superior, não obstante ser simples irmão leigo. Era o tempo das colonizações espanholas e, o zelo do Frei Diogo para com os nativos incomodava bastante os colonizadores que mantinham os indígenas na condição de escravos. Os colonizadores tornaram-lhe a vida tão difícil que teve de voltar à Espanha em 1449. No ano seguinte peregrinou à Roma para assistir à canonização de são Bernardino de Sena. Lá, foi hóspede do convento de Aracoeli e encontrou a população abandonada à mercê de uma trágica epidemia. Trabalhou como ninguém na assistência aos doentes, não só material como espiritualmente, pois seus dons místicos fizeram com que curasse muitos deles com orações e o simples toque das mãos. No entanto, foi retido em Roma por grave epidemia e teve de retornar à Espanha. De volta ao seu país natal, continuou desenvolvendo os mesmos encargos de porteiro e cozinheiro em vários conventos, o último deles foi o de Alcalá de Henares, perto de Madri, onde concluiu santamente sua vida terrena a 12 de novembro de 1463. Foi canonizado pelo papa Xisto V em 1588. Tornou-se um dos cultos de maior devoção da cristandade, que perpetua a sua memória pelo seu nome emprestado aos seus rios, baías e a várias cidades, além de ser padroeiro de muitas outras também. O exemplo mais famoso é a rica cidade de San Diego, no estado da Califórnia, América do Norte. A festa de são Diogo de Alcalá é celebrada no dia 13 de novembro. São Diogo (Diego) é ainda um dos santos mais populares da Espanha e da América Latina. Sendo representado no humilde hábito de irmão leigo franciscano, com batina de saco, cordão e chaves para indicar suas funções de porteiro e cozinheiro do convento. Sua expressão é a humildade personificada do mais puro seguidor do pobrezinho de Assis: São Francisco. ²: A ascese cristã é um conjunto de práticas austeras, comportamentos disciplinados e evitações morais prescritos aos fiéis, tendo em vista a realização de desígnios divinos e leis sagradas. Entenda mais clicando aqui. Fontes: Derradeiras Graças e Fraternidade Franciscana São Boaventura. -
14 de novembro: São Nicolau de Tavelic e seus Companheiros - Santos e Santas Franciscanas do Dia
Os frades foram sacerdotes e mártires da Primeira Ordem. Canonizados por Paulo VI no dia 21 de junho de 1970. Por se recusarem a negar a sua fé, foram, de imediato, condenados à morte e, no dia 14 de novembro de 1391, foram assassinados, despedaçados e queimados. Nicolau É o primeiro croata canonizado, uma figura extraordinária no ambiente do seu tempo. Nasceu por volta de 1340 em uma cidade da Dalmácia, e quando era ainda adolescente ingressou na ordem dos frades menores. Depois de ordenado sacerdote foi enviado como missionário para a Bósnia, onde durante 12 anos se dedicou totalmente à conversão dos bogomilos, juntamente com Deodato de Rodez. Em 1384, dirigiram-se ambos à Palestina, onde se associaram a outros dois confrades, Pedro de Narbona e Estevão de Cúneo, todos eles futuros mártires de Cristo. Entretanto fixaram-se em Jerusalém, no convento de São Salvador, em oração e estudo. Depois de muito meditar sobre o assunto, Nicolau p, Nicolau projetou uma missão muito ousada. Missão com que já sonhada anteriormente por São Francisco, movido pelo Espírito Santo, pelo zelo da fé e pelo desejo de martírio. Tratava-se de anunciar publicamente em Jerusalém, aos chefes dos mulçumanos, a pessoa e a doutrina de Cristo. Deodato Nasceu em uma cidade francesa que nos textos originais latinos é designada por Ruticinium, identificada com a cidade atualmente chamada Rodez, sede episcopal, a uns 600 quilômetros a sul de Paris. Fez-se frade menor quando ainda era moço, e foi ordenado sacerdote na província franciscana da Aquitânia. Por volta de 1373 o vigário geral P. Bartolomeu do Alverne fizera um apelo com o fim de recrutar religiosos para uma particular expedição missionária à Bósnia. Uma bula de Gregório XI publicada nessa altura apresentava boas perspectivas para o progresso da fé nessas zonas infestadas pela heresia dos bogomilos, seita herética de fortes tendências maniqueístas, cujos principais representantes uniam aos erros dogmáticos uma rígida austeridade de vida. Deodato de Rodez foi parar a esse campo de atividade para secundar o desejo do vigário geral da ordem e do Papa Gregório XI, e pelos mesmos motivos e nas mesmas circunstâncias foi também Nicolau Talevic. Do encontro entre os dois santos, nasceu uma profunda amizade, que os amparou durante quase 12 anos no meio de enormes dificuldades e canseiras, comparáveis às dos grandes missionários da Igreja. Há um relato pormenorizado dessa heroica expedição apostólica da Bósnia, bem como do martírio ocorrido posteriormente. Em 1384 foram ambos para a Palestina, onde se encontraram com outros dois confrades já mencionados, com quem viriam a compartilhar as atividades apostólicas e a palma do martírio. Pedro de Narbona Da província franciscana da Provença, durante vários anos aderiu à reforma iniciada em 1368 na Úmbria e tendente a uma mais perfeita observância da regra de São Francisco. Em pouco tempo essa onda reformista se espalhou por toda a Úmbria e pelas Marcas, a ponto de em 1373 já contar com uma dezena de eremitérios. Tratava-se de um movimento de fervor que procurava renovar o elã inicial da vida franciscana, em especial no ideal da pobreza e na prática da piedade. O fato de Pedro de Narbona ter vindo do sul da França para os eremitérios da Úmbria mostra bem o seu fervor religioso e esclarece bem tanto a sua vida anterior como a sua permanência em Jerusalém. Estevão Natural de Cúneo, no Piemonte, fez-se frade menor em Génova, na província franciscana da Ligúria. Durante 8 anos trabalhou ativamente na Córsega, como membro do vigariato franciscano dessa ilha. Pode-se dizer que terá feito aí um bom noviciado apostólico. Depois passou como missionário para a Terra Santa, onde a 14 de novembro de 1391 selou com o martírio a pregação do evangelho, demonstrando que o islamismo não é a religião verdadeira, e que Cristo, e não Maomé, é o enviado de Deus para salvar a humanidade. No dia 11 de novembro de 1391, após intensa preparação, os quatro missionários puseram em prática o projeto delineado. Saíram juntos do convento, levando cada um deles um papel dobrado ao meio, com uma página interior escrita em latim e outra em árabe. Dirigiam-se à mesquita, mas os árabes não os deixaram entrar, e perguntaram-lhe o que queriam. Eles responderam que queriam falar com o Cadi, pois tinham a dizer-lhe coisas muito úteis para a salvação. Responderam os mulçumanos que o Cadi não estava na mesquita, mas lhe indicariam onde era a casa dele. Quando chegaram na presença dele, abriram os papéis e leram os escritos, explicando-os e apresentando as suas razões, mais ou menos nesses termos: “Senhor Cadi, e senhores todos aqui presentes, pedimos-vos que escuteis as nossas palavras e lhes presteis a máxima atenção, porque tudo quanto vamos dizer é muito importante para vós; é justo e verdadeiro, isento de qualquer embuste, e útil para aqueles que o queiram pôr em prática”. E começaram a fazer uma exposição da mensagem do evangelho de Cristo, o único Salvador, demonstrando ao mesmo tempo a falsidade da lei de Maomé. Reuniu-se grande multidão de mulçumanos, que numa primeira reação se mostraram espantados, depois irritados, e finalmente furiosos. Nunca tinham ouvido semelhantes afirmações contra o Corão nem contra o Islã. Ao ouvir este discurso inflamado, o Cadi dirigiu-se aos quatro religiosos perguntando-lhes: “Isso que estais por aí a dizer, dizei-lo com pleno conhecimento e liberdade, ou resulta de um momento de exaltação fanática, sem controlo da razão? Foi por ventura o papa ou algum rei da cristandade que vos mandou cometer semelhante loucura?”. Os religiosos responderam imediatamente: “Viemos aqui simplesmente enviados por Deus. E vós, se vos recusais a acreditar em Cristo e a receber o batismo, não tereis a vida eterna”. Fonte: Paróquia Senhor Bom Jesus. -
17 de novembro: Santa Isabel da Hungria - Santos e Santas Franciscanas do Dia
Isabel era filha de André, rei da Hungria, e nasceu num tempo em que os acordos das nações eram selados com o casamento. No caso de Isabel, ela fora prometida a Luís IV (duque hereditário da Turíngia) em matrimônio, um pouco depois de seu nascimento em 1207. Santa Isabel foi morar na corte do futuro esposo e lá começou a sofrer veladas perseguições por parte da sogra que, invejando o amor do filho para com a santa, passou a caluniá-la como esbanjadora, já que tinha grande caridade para com os pobres. Mulher de oração e generosa em meio aos sofrimentos, Isabel sempre era em tudo socorrida por Deus. Quando já casada e com três filhos, perdeu o marido numa guerra e foi expulsa da corte pelo tio de seu falecido esposo, agora encarregado da regência. Aconteceu que Isabel teve que se abrigar num curral de porcos com os filhos, até ser socorrida como pobre pelos franciscanos de Eisenach, uma vez que até mesmo os mendigos e enfermos ajudados por ela insultavam-na, por temerem desagradar o regente. Ajudada por um tio que era Bispo de Bamberga, Isabel logo foi chamada para voltar à corte, e seus direitos, como os de seus filhos, foram reconhecidos, isto porque os companheiros de cruzada do falecido rei tinham voltado com a missão de dar proteção à Isabel, pois nisto consistiu o último pedido de Luís IV. Santa Isabel não quis retornar para Hungria; renunciou aos títulos, além de entrar na Ordem Terceira de São Francisco. Fundou um convento de franciscanas em 1229 e pôs-se a servir os doentes e enfermos até morrer, em 1231, com apenas 24 anos num hospital construído com seus bens. Fonte: Canção Nova. -
18 de novembro: Bem-aventurada Salomé de Cracóvia - Santos e Santas Franciscanas do Dia
Salomé, filha família real do príncipe Lescon V, e irmã de Boleslau, o Casto, esposo de Santa Cunegundes (Kinga). Nasceu em Cracóvia na Polônia em 1211. Com apenas três anos foi dada em casamento a Colomano, rei da Hungria e príncipe da Halícia, com o qual viveu em perfeita virgindade. Era irmã de Santa Isabel da Turíngia, por quem foi enviada à corte do rei André II, para ser educada conforme os princípios de família e da região, em vista do casamento. Quando se casaram ela e seu esposo Colomano de comum acordo fizeram o voto de castidade. O piedoso casal crescia na prática da penitência e piedade. Ela entrou na Ordem Terceira Franciscana e recebeu o hábito da penitência. Muitas de suas amigas quiseram segui-la. O palácio parecia um convento. Quando seu esposo se fez Rei da Halícia, ambos deviam ser coroados reis. Salomé preferiu uma coroa de penitência. O rei Colomano foi morto na batalha contra os tártaros em 1255. Salomé, após a morte do esposo resolveu consagrar-se a Deus e empregou seus numerosos bens em benefício dos pobres e na construção de igrejas. Em 1245 entrou no Mosteiro de Clarissas por ela fundado em Zawichost; aí se distinguiu por sua grande obediência e humildade. Um ano após seu ingresso o Mosteiro foi ferozmente devastado pelos tártaros, que martirizaram todas as irmãs: sessenta monjas clarissas, tendo à sua frente a abadessa, Irmã Inês Yastrzebska. O convento foi depois transferido para Skala, para livrar-se das investidas dos tártaros, passando a denominar-se de Mosteiro de Santa Maria das Estrelas. Finalmente foi transferido para Cracóvia em 1245. Salomé continuou sua vida de Clarissa em Cracóvia por vinte e oito anos, brilhando como espelho de virtudes para suas irmãs. Foi eleita abadessa numa época bastante difícil. Faleceu aos sessenta e sete anos, durante uma Missa como havia predito. Admoestou antes suas Irmãs à prática da caridade e fiel observância da Regra de Santa Clara. Era o dia 17 de novembro de 1268, e havia sido favorecida com uma aparição da Virgem com o Menino Jesus. No momento de sua morte uma estrela brilhante foi vista sair de seus lábios. Sete meses depois seu corpo foi encontrado intacto e perfumado. Foi sepultada junto ao seu esposo na Igreja dos Franciscanos em Cracóvia. Seu culto foi aprovado por Clemente X em 17 de maio de 1672. Salomé, ao lado de Santa Inês de Praga, é a grande propagadora da Ordem de Santa Clara nas Províncias eslavas, tchecas e polonesas. Fonte: Caminhos do Senhor e Heroínas da Cristandade. -
18 de setembro: São José de Copertino - Santos e Santas Franciscanas
São José de Copertino (ou Cupertino, como é conhecido por muitos no Brasil) é o Padroeiro dos Estudantes em Apuros e nasceu em 17 de junho de 1603, no vilarejo de Cupertino, em Nápoles, Itália. Ele era filho de uma família pobre e cheia de dificuldades. Nas vésperas de seu nascimento, sua família foi despejada por causa das dívidas de seu pai. No despejo, a família perdeu até os poucos móveis que tinha. Por isso, José nasceu num estábulo, na pobreza, assemelhando-se a Jesus. Sua vida, porém, seria marcada pela dificuldade e pela superação através da graça de Deus. Já naquela época, a desigualdade social promovia a miséria, insegurança e sofrimento, impedindo que filhos de famílias pobres estudassem e desenvolvessem sua cultura e inteligência. Mas, apesar de iletrado, o menino foi criado no rigor dos ensinamentos de Cristo, pois sua família era muito religiosa. Assim foi a infância de José. Os únicos talentos por ele manifestados foram de ordem espiritual: o da oração e o da caridade para com os mais necessitados, que sofriam as aflições da pobreza, como ele. Quando José completou dezessete anos, estava determinado a tornar-se frade. Mas até os capuchinhos, que o haviam aceitado como irmão leigo, fizeram-no devolver o hábito por causa da sua grande confusão mental. O que o deixou muito triste, mas, mesmo assim, ele não desistiu. Finalmente, foi aceito no Convento de Grotella, pelos Frades Menores, que o acolheram e lhe deram uma tarefa simples: cuidar de uma mula. Mesmo renegado, estava determinado a ser sacerdote. Foi então que as graças divinas começaram a intervir em sua vida. Apesar da dificuldade que tinha em estudar, milagrosamente saía-se muito bem nas provas para tornar-se sacerdote. Desde então, começaram a aparecer sinais de predileção divina e fenômenos que atestavam sua santidade interior, presenciados pela comunidade de fiéis e irmãos da Ordem. Eram manifestações extraordinárias, como, por exemplo, curas totalmente milagrosas de doentes de todos os tipos de enfermidades. Além disso, em êxtases de oração, ele caminhava pela igreja sem colocar os pés no chão e, sem tomar nenhum cuidado com o corpo, exalava um fino e delicado odor. Por tudo isso, já era venerado em vida como santo. Outro fato relevante na vida de José de Copertino é que, apesar de quase não ter nenhum estudo teológico, tinha o dom da ciência e era consultado por teólogos a respeito de questões delicadas. Espantosamente, tinha sempre respostas sábias e claras. Com isso, José conquistou a glória máxima e, mesmo sendo considerado o frade mais ignorante de toda a Ordem franciscana, sua fama de bom cristão, seu comportamento peculiar e seus milagres chegaram a Roma. O papa Urbano VIII convocou-o e o recebeu com as honras de que era merecedor. Talvez esse tenha sido um dos dias mais felizes na vida de José de Copertino. Em 1628, foi ordenado sacerdote. José de Copertino mergulhou tão profundamente nas coisas de Deus que acabou se tornando um conselheiro de padres, bispos, cardeais, chefes de Estado e religiosos em geral. Todos o procuravam. E ele os atendia com paciência, humildade e sabedoria, indicando-lhes a luz de que necessitavam. José de Copertino morreu aos sessenta anos de idade, no dia 18 de setembro de 1663, no Convento de Osímo, Itália. O local, que se tornara um ponto de peregrinação com ele ainda vivo, tornou-se, imediatamente, um santuário a ele dedicado. Festejado liturgicamente no dia de sua morte, este singular frade franciscano é considerado pelos estudiosos como “o santo mais simpático da hagiografia católica”. Os frequentes êxtases espirituais, que lhe permitiam “voar” (literalmente) pela igreja, fizeram de são José de Copertino o padroeiro dos aviadores e paraquedistas. Também, devido à sua determinação diante das numerosas dificuldades encontradas nos estudos e exames de seleção, é considerado o santo padroeiro dos estudantes que se encontram nessa condição, anualmente. Fontes: Cruz Terra Santa e Franciscanos. -
19 de agosto: Santos e Santas Franciscanas do Dia - São Luís de Tolosa
Embora seja de descendência francesa, Luís de Anjou nasceu no ano de 1274 na Itália. De vida atribulada, era o mais velho entre os quatorze irmãos. Sua mãe era Maria, sobrinha de santa Isabel da Hungria e irmã de três príncipes que também chegaram a ser reis e santos: Estêvão, Ladislau e Henrique. Seu pai era Carlos II de Anjou, rei de Nápoles, Sicília, Jerusalém e Hungria, e filho do papa Inocêncio II. Em 1284, começou a crise da Casa Real de Anjou, na Itália meridional. O pai de Luís tornou-se prisioneiro dos reis de Aragão da Espanha após uma batalha naval e sua liberdade foi concedida, depois de três anos, mediante troca de reféns. O rei espanhol Afonso III, exigiu que esses reféns fossem os três sucessores diretos do rei Carlos II: Luís, Roberto e Raimundo. Lá, os garotos passaram sete anos presos em Barcelona e Tarragona, na Catalunha, em presídios dos castelos. As condições eram bastante duras para eles e, provavelmente, foi lá que Luís pegou a tuberculose que acabou matando-o poucos anos mais tarde. Luís, por ser o mais velho, foi o mais maltratado dos irmãos, pagando pelo rancor que o rei de Aragão nutria pela política do papa e do rei de Anjou. Motivo que o levou a quebrar todos os acordos firmados antes da troca dos reféns. Luís aceitou a longa prisão com abnegação e paciência, pois já estava acostumado com a vida de penitência. Desde pequeno, ele não dormia na sua cama real, preferindo o chão duro e frio. Assim, aquele período no cárcere só cristalizou a santidade do jovem príncipe. Era tratado cruelmente e deixado junto com os leprosos, os quais cuidava com zelo e carinho, não temia o contágio. Esse seu período de cativeiro foi acompanhado pelos frades da Ordem de São Francisco, principalmente pelo Frei Jacques Deuze que, posteriormente, foi eleito papa. O Frei Jacques presenciou e registrou as curas prodigiosas feitas por intercessão de Luís. Também acompanhou o jovem príncipe quando ele adoeceu gravemente, testemunhando a sua milagrosa cura e a decisão de tornar-se um simples frade franciscano. Finalmente, a paz voltou entre as famílias reais de Aragão e Anjou. Em janeiro de 1296, os três príncipes foram libertados e assim que chegaram à Nápoles, Luís renunciou ao trono real em favor do seu irmão Roberto. Ingressou na vida religiosa no Convento de Ara Coeli, dos franciscanos, em Roma. Em maio do mesmo ano, voltou para Nápoles, onde recebeu as sagradas ordens. Foi chamado pelo papa Celestino V, que o queria bispo da diocese de Toulouse, na França, que estava vaga. Luís, devendo obediência, aceitou. Porém, sendo um frade franciscano, dispensou a luxuosa residência episcopal, preferindo a pobreza dos conventos da irmandade. Muito enfraquecido, acabou consumido pela tuberculose. Apesar disso, foi à Roma assistir à canonização de Luiz IX, rei da França, seu tio-avô. A fadiga da viagem agravou a doença e ele acabou morrendo, no dia 19 de agosto de 1297, aos vinte e três anos de idade. O bispo Luís de Toulouse foi proclamado santo em 1317 pelo papa João XXII, frei Jacques Douze, que presenciou sua penitência e suas curas milagrosas durante o cativeiro. As famílias da realeza de Anjou e de Aragão, unidas, presenciaram a cerimônia. Via: Franciscanos. -
19 de fevereiro: São Conrado de Placência - Santos e Santas Franciscanas do Dia
Conrado Confalonieri vivia na cidade de Placência, na Itália. Era um homem que possuía muitos bens e muito lhe agradavam as caçadas. Certo dia, em uma de suas aventuras atrás de lebres e faisões, pôs fogo em uma floresta inteira. Os colonos se revoltaram com isto, pois tiveram muitos prejuízos. O governador, Galeazzo Visconti, condenou à morte o primeiro suspeito, que na ocasião estava no bosque. O verdadeiro culpado, Conrado, quando soube que um inocente pagaria por ele, confessou o seu crime e se propôs a pagar tudo. Como consequência de sua promessa, compensou todos os prejuízos e acabou ficando muito pobre. Nesta época, ouviu o chamado do Senhor e ingressou na Ordem Terceira de São Francisco. Anos depois, em 1315, sua esposa o deixou. Movida pela atitude do marido, ela também se dedicou à vida religiosa, enclausurando-se no Convento Francisco de Santa Clara de Placência. Como frade, ele costumava mudar muito de convento e destacavam-se nele a bondade e a piedade. No decorrer de suas mudanças, ele passou para além do estreito de Messina e, em 1343, chegou à Siracusa e estabeleceu-se na cidade de Noto. Escolheu como habitação uma cela ao lado da igreja do Crucifixo. A fama de sua santidade seguia-o como a sombra e comprometia a paz e o silêncio de que tanto gostava. Quando percebeu que as muitas visitas perturbavam sua vida de oração, Frei Conrado levantou acampamento e foi humildemente para uma solitária gruta dos Pizzoni que, posteriormente viria a ser chamada de Gruta de São Conrado. Ali morreu em 19 de fevereiro de 1351. Os notoenses muito veneravam o eremita que, mesmo vindo de outra terra, decidiu morar no meio deles. Assim, Frei Conrado foi sepultado na mais bela entre as esplêndidas igrejas de Noto: a igreja de São Nicolau (atual Catedral de São Nicolau). Fontes: Canção Nova e Paulus. -
19 de outubro: São Pedro de Alcântara – Santos e Santas Franciscanas do dia
Frei Pedro nasceu no ano de 1499, na cidade em Alcântara, que fica na região de Cáceres, Espanha. Era filho de Alonso Garabito e de Maria Vilela, recebeu no batismo o nome de Juan de Sanabria. Depois de três anos de estudos em Salamanca, entre 1511 e 1515, entrou na Ordem Franciscana, na Custódia do Santo Evangelho no ano de 1516, que mais tarde, em 1520, se converteria em Província de São Gabriel. Em Majarretes, lugar de seu noviciado, nasceu um novo homem: Juan de Sanabria se transformou em Pedro de Alcântara. Pouco depois, em 1519, antes de ser ordenado sacerdote, foi enviado como superior para fundar o Convento de Badajoz. Completados os estudos de filosofia, teologia, direito canônico, moral e homilética, conforme as determinações da época, foi ordenado sacerdote em 1524. Tornou-se superior em Robledillo, depois em Placencia e novamente em Badajoz, até que em 1532 obteve permissão para recolher-se a uma vida mais contemplativa no convento de Santo Onofre da Lapa. Em 1538, foi eleito Ministro Provincial da Província de São Gabriel. Durante o período em que foi ministro provincial redigiu para seus religiosos estatutos muito severos, aprovados no Capítulo de Placência, em 1540. Mas o começo de sua reforma teve lugar em 1544 quando, com o consentimento de Julio III, retirou-se para a pequena igreja de Santa Cruz de Cebollas, próximo de Coira. Em 1555 construiu o célebre convento de Pedroso, seguido de outros. A partir deste momento, a reforma prosperou amplamente e, em 8 de maio de 1559, obteve a aprovação de Paulo IV, que permitiu sua difusão também no exterior. Pedro de Alcântara, com sua reforma, queria trazer de volta a Ordem Franciscana à genuína observância da Regra. Mediante a suma pobreza, a rígida penitência e um sublime espírito de oração alcançou os mais altos graus de contemplação e pode atrair numerosos franciscanos por aquele caminho de reforma que se propunha fazer reviver em seu século o franciscanismo dos primeiros tempos. Foi confessor e diretor espiritual de Santa Teresa de Ávila e ajudou na reforma da Ordem Carmelita. Santa Teresa escreveu sobre ele, “Modelo de virtudes era Frei Pedro de Alcântara! O mundo de hoje já não é capaz de uma tal perfeição. Este homem santo é de nosso tempo, mas seu fervor é forte como de outros tempos. Tem o mundo a seus pés. Que valor deu o Senhor a este santo para fazer durante 47 anos tão rígida penitência!”. Depois de uma grande atividade eremítica e apostólica, morreu em Arenas de San Pedro (Ávila), no dia 18 de outubro de 1562, aos 63 anos. Em 1622 foi beatificado por Gregório XV e, em 1669, foi canonizado por Clemente IX. Durante sua vida, sendo um notável pregador, foi o confessor do Rei Dom João III, de Portugal. Tornou-se, mais tarde, o santo de devoção da Família Real. Seu nome, Pedro de Alcântara, foi escolhido como nome de batismo dos dois imperadores do Brasil – Dom Pedro I e Dom Pedro II. Dom Pedro I solicitou ao Papa que proclamasse São Pedro de Alcântara como padroeiro do Brasil. E, assim foi feito, em 1826, pelo Papa Leão XII. Fonte: ACIDigital e CFFB. -
22 de setembro: São Francisco Maria de Camporosso - Santos e Santas Franciscanas do Dia
Francisco nasceu na comuna de Camporosso, na Itália, em 1804. Seus pais eram trabalhadores e profundamente religiosos e ele, caçula de quatro filhos. Aos doze anos de idade, foi encarregado de tomar conta do pequeno rebanho da família, pois o ar livre faria bem à sua frágil saúde. Daí nasce a forte amizade com os outros pastores, que costumavam se reunir para rezar e explicar-lhes um pouco de catecismo. Seus colegas tinham por ele uma grande admiração e o chamavam de eremita. Um pouco mais velho, começou a ajudar os pais e irmãos nos trabalhos pesados do campo. Mas, fazia-se ouvir cada vez mais clara e forte uma voz que o chamava a doar-se totalmente a Deus, na vida religiosa. A primeira tentativa que fez como postulante não satisfez seus desejos e aspirações, mas depois, em 1825, começa o noviciado em Gênova. Frei Francisco Maria expressou seu lema, “Quero ser o jumento do convento”. E viveu este lema a cada dia com empenho e amor redobrados. Terminando o noviciado, a obediência o destinou ao convento da Imaculada Conceição, em Gênova, onde passou toda a vida. Nos primeiros dois anos, se dedicou ao serviço dos irmãos mais velhos e doentes, depois ao ofício de esmoleiro da cidade de Gênova. Como esmoleiro, todos os dias passava em casas ricas e pobres pedindo esmolas e repartindo com os mais necessitados o que recebia. Procurou imitar nisso São Félix de Cantalício e São Crispim de Viterbo. Vestido com uma túnica velha e toda remendada, debaixo de sol ou chuva, pés descalços, uma sacola nos braços e o terço mãos: assim se apresentava ao povo. Tornou-se uma figura característica das ruas da cidade. Para todos tinha uma palavra de conforto e esperança, parecia conhecer os segredos mais íntimos do coração. E o povo passou a chamá-lo de “padre santo”. A figura de frei Francisco era popular, inclusive no porto de Gênova entre os trabalhadores, estivadores, marinheiros e tripulantes. À noite, quando chegava em casa cansado, um numeroso grupo de pessoas o aguardava na praça do convento para recomendar-se às suas orações, para pedir conselhos e contar os próprios problemas. Ele ouvia a todos e sempre tinha uma palavra de conforto. Dedicava parte da noite à oração e à penitencia em preparação ao trabalho do novo dia. Por quase quarenta anos, frei Francisco Maria exerceu a função de esmoleiro. A cada dia sua figura alta encurvava-se mais, os cabelos e a barba embranqueciam, mas se mantinha fiel ao seu dever. Em 1866, a cidade foi atingida por uma grande epidemia: as ruas começaram a ficar desertas e a cada dia aumentava o número de mortos. Frei Francisco Maria se oferece em sacrifício, como vítima de expiação para a saúde da cidade, diante de altar da Imaculada Conceição. Tem a certeza de que será atendido. No dia 17 de setembro falece, vítima da epidemia. Deste dia em diante a doença começou a diminuir e, em pouco tempo, acaba de vez. Todos tiveram a certeza de que foram salvos pelo padre santo. Frei Francisco Maria nos deixou um grande exemplo da caridade: quis ser o jumento do convento no serviço aos irmãos e por fim oferecendo-se em holocausto em prol do povo que tanto amava. Foi canonizado por João XXIII no dia 9 de dezembro de 1962. Fonte: Franciscanos. Informações: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola. -
22 de setembro: São Francisco Maria de Camporosso - Santos e Santas Franciscanas do Dia
O Santo nasceu em, em 27 de Dezembro de 1804, em Camporosso, uma pequena aldeia da Ligúria, noroeste italiano. Francisco morava no campo e trabalhava como pastor. Um dia ouviu o convite de um capuchinho e entrou no Convento de Sestro Ponente, onde vestiu o hábito de irmão terceiro. Porém, uma voz interior não o deixou em paz até que teve a alegria de vestir o hábito capuchinho. Fez o noviciado no Convento de São Bernardo de Génova. Após a profissão, foi destinado ao Convento da Santíssima Conceição, em Génova, onde permaneceu até morrer. Destinado ao serviço humilde de cozinheiro e enfermeiro, tornou-se notável por uma particular fidelidade ao seu dever e por uma generosidade ímpar. Os Superiores destinaram-no, depois, ao ofício de esmoleiro que o levava a percorrer, todos os dias, as ruas da cidade que transformaria em lugar de incessante colóquio com Deus. Realizou este trabalho durante 40 anos. Francisco Maria, entretanto, não esqueceu o seu antigo trabalho de pastor. Todavia, a partir daquele momento, o rebanho por ele cuidado e conduzido era o dos mais miseráveis e abandonados da população de Génova, e os pastos eram as ruas, as estradas e o porto da cidade velha. Aqui, o Capuchinho de Camporosso, esmoleiro do Convento, converteu-se no Padre Santo, como era geralmente chamado e conhecido pelos seus insólitos e frequentemente pouco recomendáveis interlocutores, habitantes das barracas e de ambientes bastante suspeitos. Sereno em toda a parte, tanto na igreja como nas tabernas cheias de fumo e vinho, era sempre afetuoso com os irmãos, os jovens, os descarregadores do porto ou os criminosos. Ele buscava aproximar de Deus as almas de todos aqueles que encontrava pelo seu caminho. Pouco importava que os encontros fossem agressivos. Estas dificuldades não faziam desaparecer a bondade e transparência deste irmão capuchinho a quem todos, mais cedo ou mais tarde, acabavam por se ligar com muito amor. Em 1866, durante uma epidemia na cidade, ofereceu-se a Deus como vítima para que fossem salvos os outros. Pouco depois, o mal vitimou-o em poucos dias e logo a seguir a epidemia acabou. Morreu com 62 anos, no dia 17 de Setembro de 1866. Foi canonizado pelo Papa João XXIII, no dia 9 de Dezembro de 1962. Fonte: Capuchinhos. -
23 de setembro: Encontro do Corpo de Santa Clara de Assis
Em 11 de agosto de 1253, Santa Clara entra na glória eterna; já no dia seguinte seu corpo é levado para a Igreja de São Jorge onde também repousa Francisco. No dia 3 de outubro de 1260, o corpo é exumado e colocado na Basílica de Santa Clara; ali permanece perto do altar com uma simples inscrição: “Aqui jaz o corpo da Virgem Santa Clara”, protegido pelo brilho de uma lâmpada e as preces silenciosas de suas filhas que guardaram este fato no segredo de seus corações. Em 1849, a República Italiana escolhe Assis como sede do governo e não tem boa relação com as instituições religiosas. No meio de conflitos e inventários, perseguições e desordem civil, a Abadessa Clara Columba Angeli, resolve procurar o corpo da venerável Mãe Clara, para que a grande dama de Assis seja um verdadeiro sinal de paz e unidade para um momento sofrido da história italiana. Neste mesmo ano, o cardeal Marini, prefeito da Congregação dos Ritos, visita Assis para a festa dos Estigmas, e, junto às Clarissas, conversam sobre o encontro dos restos de São Francisco em 1813. A Abadessa aproveita a ocasião e diz, “Eminência, já que o Sol deixou-se encontrar, não é necessário que a Lua tenha também o seu lugar?” No dia 6 de agosto de 1850 recebem autorização do governo civil para a exumação. No dia 23 do mesmo mês, em silêncio e sempre à noite, os trabalhos começam acompanhados pelo vigário episcopal Luigi Alexandri, do Delegado para os Religiosos Pe. Giuseppe Morichelli, e o especialista em escavações Marco Rondini. Oito dias depois encontravam o túmulo onde o corpo da santa fora depositado há 6 séculos. No dia 23 de setembro, com a presença do Bispo de Perugia, Giocecchino Pecci (futuro Papa Leão XIII), o químico Purgotti, o arqueólogo Antonini e o diretor do arquivo municipal de Assis, Paolo Cesini abriram o sarcófago. Não havia nenhuma inscrição junto aos restos mortais. O corpo de Clara tinha o fino semblante intacto, a pele estava sombria e bem colada aos ossos. Uma coroa de honra feita no século XIII estava perfeita. Os ramos de tomilho que enfeitavam o corpo permaneciam conservados. O corpo todo estava em estado de esqueleto na disposição normal dos ossos. A cabeça inclinada sobre o ombro esquerdo, o braço esquerdo sobre o peito e o direito estendido ao longo do corpo. Um fio de pó branco recobria o esqueleto. O corpo foi erguido e colocado num relicário. Uma grande relíquia foi mandada à Roma. “Um Tríduo foi celebrado em ação de graças nos dias 26, 27 e 28 de setembro, depois que a urna foi aberta outra vez para recobrir os ossos da Santa e lhes dar a aparência de um corpo. Tinham sido envoltos anteriormente por uma camada de algodão. A túnica parda, a cobertura da cabeça branca e o véu preto foram confeccionados por algumas senhoras desconhecidas de Assis. Colocou-se sobre a cabeça uma coroa de flores. A urna foi então fechada e ornamentada para a procissão solene que teve lugar na tarde de 29 de setembro. Numa recordação comovente das horas históricas, o corpo de Santa Clara foi conduzido por quatro sacerdotes sob os aplausos da população, em primeiro lugar a São Rufino e, em seguida, para uma visita ao túmulo de São Francisco. Ao crepúsculo, as Irmãs acolheram sua Mãe no claustro e colocaram a urna aos pés do crucifixo que ela tanto amara em São Damião. Bem ao lado, se encontrava ainda uma outra preciosa relíquia: a grade atrás da qual Clara tinha recebido a Santa Comunhão. A bênção do Santíssimo Sacramento encerrou este dia memorável.” O corpo de Clara que está hoje na basílica foi mais uma vez restaurado. De 17 de novembro de 1986 até 12 de abril de 1987. Um paciente trabalho foi feito para tirar do corpo da Santa um estado de viscosa humildade, devido ao clima e aos longos anos que criaram a decomposição das partes extremas, em particular as falanges e os dedos dos pés. Quando examinaram o corpo, ele mantinha a mesma posição deixada em 1850. Todo ele foi recomposto e restaurado com tela, gesso, esmalte e silicone. Recompuseram o corpo e o rosto segundo os documentos da época, mantendo a personalidade de mulher fascinante, ardente, terna, sensível, segura e muito equilibrada. Ao chegarmos a Assis e rezarmos diante de Clara devemos lembrar que uma vida como a dela é sempre fecunda, nunca se decompõe. Num coração aberto para o Absoluto, Deus sempre deposita a sua Beleza. Diante de seu corpo temos que ter o desejo de rezar. É preciso sempre desejar o espírito! Diante do corpo de Clara, é preciso redescobrir a espiritualidade da ternura, da pequenez, da pobreza. Clara, mulher e santa, não é um aprendizado intelectual, mas um conhecimento afetivo. Por que Clara é bela? Porque o Espírito imprime sempre no corpo a sua forma. O Amor pelo Esposo tomou forma em seu corpo! Após 750 anos, cuidou-se muito dos restos mortais de Clara para não se deixar de lembrar a sua forma de Vida, modo como ela eternizou-se no tempo. Fonte: Franciscanos. Autor original: Frei Vitório Mazzuco (OFM) -
25 de fevereiro: Beato Sebastião de Aparício - Santos e Santas Franciscanas do Dia
Sebastião de Aparício nasceu em Gudinha Galícia, na Espanha, em 20 de janeiro de 1502. Na infância, foi infectado por uma epidemia local e os doentes eram retirados do convívio social para evitar o contágio do restante da população. Assim sendo, sua mãe o levou a uma cabana, separado dos demais. Naquele local ermo e sozinho, ele foi atacado por uma loba. A mordida do animal causou uma hemorragia que o curou da enfermidade. Desde então, Sebastião de Aprício passou a ter uma conexão e amor especial com os animais. Ele gostava de viver no campo, pois era uma vida pacífica e de contato íntimo com Deus. Embora não fosse alfabetizado, tão pouco erudito, ele adquiriu ao longo de sua vida habilidades manuais que lhe foram úteis, tais quais: construção civil, fabricação de carros, cultivo e colheita, vários tipos de trabalhos rurais, entre outros. Por muito tempo ele cuidou das ovelhas de seu pai, até os 20 anos, quando saiu de casa para fazer trabalhos externos como mordomo. Ao longo de seu caminho, muitas moças das casas em que trabalhou enamoraram-se por ele e várias vezes ele precisou se mudar para não cair em tentação. Na última vez que foi tentado pela filha de seu patrão, resolveu se mudar para a América, onde viveu o restante de sua vida. Desembarcou em Puebla, no México e ali colocou em prática seus talentos com carros, já que os meios de transporte eram escassos naquela área. Em 1542, mudou-se para a Cidade do México, para fundar sua própria empresa de carros e, por volta dos 50 anos de idade, retira-se do comércio das estradas e adquire uma fazenda para o cultivo de gado de corte. Em 1562 casa-se com a filha de um amigo vizinho, na igreja dos franciscanos de Tacuba. Ele vive com sua esposa uma vida virginal por cerca de um ano, até que ela morre. No mesmo lugar, Aparício contrai seu segundo matrimônio, vivendo com esta também um matrimônio virginal. Ela também morre antes de completar um ano de casados, em decorrência da queda de uma árvore, enquanto recolhia frutas. Seu confessor pede que ele ajude as irmãs clarissas, pois estas estavam vivendo uma vida muito difícil. No ano de 1573, ele doa às irmãs todos os seus bens, que ultrapassavam 20 mil pesos, ficando com apenas mil pesos pra si. Em 09 de junho de 1574, aos 72 anos, recebe o hábito franciscano no convento do México. O frade deu, durante toda a vida, grande exemplo de humildade, estando pronto para qualquer serviço. Sentiu certa rejeição por parte dos jovens do noviciado e por seus superiores que, ao vê-lo tão velho, não decidem se ele está apto ou não a professar os votos solenes. Por fim, aos 73 anos de idade, em 13 de junho de 1575 recita a solene fórmula: “Eu, frei Sebastião de Aparício, faço voto e prometo a Deus viver em obediência, sem coisa alguma própria e castidade, viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, guardando a Regra dos Frades Menores.” Aos 98 anos, muito debilitado por uma hérnia, Sebastião de Aparício sentiu que seu fim estava próximo. Dirigiu-se ao convento e caiu prostrado no solo, ao modo de São Francisco. Pediu aos frades, ali residentes, que rezassem a oração do Creio em Deus Pai. No momento em que mencionaram “Creio na ressureição da carne e na vida eterna”, ele morreu. -
25 de outubro: Santo Antônio de Sant'Anna Galvão (Frei Galvão) - Santos e Santas franciscanas do dia
Antônio de Sant’Anna Galvão nasceu em 10 de maio de 1739, em Guaratinguetá (SP). Seus pai era o português Antônio Galvão e sua mão, Isabel Leite de Barros, era natural da cidade de Pindamonhangaba. Antônio viveu numa casa tão religiosa quanto grande e rica, já que seus pais tinham prestígio social e influência política. Aos 13 anos, ele foi enviado à Bahia para estudar no seminário dos padres jesuítas. Em 1755, recebeu a notícia da morte prematura de sua mãe. Este fato fez com ele assumisse Santa Ana (Santana), de quem era devoto, como mãe espiritual. Tanto que seu futuro nome de religioso será “Frei Antônio de Santana Galvão”. Ele queria ser jesuíta, mas as perseguições contra os jesuítas instaurada pelo Marquês de Pombal, obrigaram-no a seguir o conselho do pai e se tornar franciscano. Em 1760, ingressou no noviciado da Província Franciscana da Imaculada Conceição, no Convento de São Boaventura do Macacu, na Capitania do Rio de Janeiro. Foi ordenado sacerdote no dia 11 de julho de 1762, sendo transferido para o Convento de São Francisco, em São Paulo. Em 1768, foi nomeado confessor, pregador e porteiro do convento. Era um cargo importante na época. Frei Galvão se destacou nesse cargo de tal forma que a Câmara Municipal lhe deu o título de o "novo esplendor do Convento". Em 1770, foi convidado para ser membro da Academia Paulistana de Letras. Isso porque ele compunha peças poéticas em latim, odes, ritmos e epigramas. Suas composições foram sempre bem metrificadas e cheias de profundo sentimento religioso e patriótico. Entre 1769 e 1770, Frei Galvão recebeu a missão de ser confessor no Recolhimento de Santa Teresa, um tipo de convento que abrigava devotas de Santa Teresa de Ávila, em São Paulo. Lá, ele conheceu a Irmã Helena Maria do Espírito Santo, uma freira penitente que dizia receber um pedido de Jesus: a fundação de um novo Recolhimento. Galvão estudou essas mensagens, consultou outros teólogos que as reconheceram como verdadeiras e sobrenaturais. Num tempo em que construções de conventos de ordens religiosas e até de igrejas estavam proibidas em todo o império pelo marquês de Pombal, Frei Galvão assumiu as consequências e, em 1774, fundou o Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência, hoje Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz, das Irmãs Concepcionistas da Imaculada Conceição. Cheio do espírito da caridade, não media sacrifícios para aliviar os sofrimentos alheios. Por isso o povo a ele recorria em suas necessidades. A caridade de Frei Galvão brilhou, sobretudo, como fundador do mosteiro da Luz, pelo carinho com que formou as religiosas e pelo que deixou nos estatutos do então recolhimento da Luz. São páginas que tratam da espiritualidade, mas em particular, da caridade de como devem ser vivida a vida religiosa e tratadas as pessoas de dentro e de fora do “recolhimento”. Irmã Helena e mais duas jovens vocacionadas foram morar no recolhimento. O Recolhimento, porém, nada mais era do que um casebre afastado da cidade, no meio do mato. Mas, em 23 de fevereiro de 1775, Irmã Helena faleceu repentinamente e, por isso, Frei Galvão teve de se tornar o novo diretor do instituto e líder espiritual das irmãs. Nisso, um grande número de moças vocacionadas começaram a vir para o Recolhimento. Aos poucos, não havia mais lugar para acomodá-las com dignidade no casebre. Frei Galvão, usando das habilidades que aprendera com os Jesuítas, projetou e começou a construir o Mosteiro da Luz. Um governador novo, porém, chegou a São Paulo e por ordem do Marquês de Pombal em prática mandando fechar o recolhimento. Frei Galvão obedeceu, mas as irmãs se recusaram a sair do Recolhimento. O governador, então, começou a agir com violência enviando tropas e ameaçando destruir tudo. Mas o povo se revoltou e o governador teve que ceder. Ali, por causa da construção, iniciou-se o Bairro da Luz na cidade de São Paulo. Óleo de Alex Tavares - Construção do Mosteiro da Luz. Acervo Museu Frei Galvão. Frei Galvão, junto das irmãs do Recolhimento de Santa Teresa, se dedicou por 28 anos a Construir o Mosteiro da Luz, desafiando o governo vigente. Às 10 horas do dia 23 de dezembro de 1822, no Mosteiro da Luz de São Paulo, havendo recebido todos os sacramentos, adormeceu santamente no Senhor, contando com seus quase 84 anos de idade. Foi sepultado na Capela-Mor da Igreja do Mosteiro da Luz, e sua sepultura ainda hoje continua sendo visitada pelos fiéis. Sobre a lápide do sepulcro de Frei Galvão está escrito para eterna memória, “Aqui jaz Frei Antônio de Sant’Anna Galvão, ínclito fundador e reitor desta casa religiosa, que tendo sua alma sempre em suas mãos, placidamente faleceu no Senhor no dia 23 de dezembro do ano de 1822”. Sob o olhar de sua Rainha, a Virgem Imaculada, sob a luz que ilumina o tabernáculo, repousa o corpo do escravo de Maria e do Sacerdote de Cristo, a continuar, ainda depois da morte, a residir na casa de sua Senhora ao lado de seu Senhor Sacramentado. Frei Galvão é o religioso cujo coração é de Deus, mas as mãos e os pés são dos irmãos. Toda a sua pessoa era caridade, delicadeza e bondade: testemunhou a doçura de Deus entre os homens. Era o homem da paz, e como encontramos no Registro dos Religiosos Brasileiros: “O seu nome é em São Paulo, mais que em qualquer outro lugar, ouvido com grande confiança e não uma só vez, de lugares remotos, muitas pessoas o vinham procurar nas suas necessidades”. O dia 25 de outubro, dia oficial do santo, foi estabelecido, na Liturgia, pelo saudoso Papa João Paulo II, na ocasião da beatificação de Frei Galvão em 1998 em Roma. Com a canonização do primeiro santo que nasceu, viveu e morreu no Brasil, a 11 de maio de 2007, o Papa Bento XVI manteve a data de 25 de outubro. Fontes: Canção Nova e Cruz Terra Santa.
Página 1 de 2
- 1
- 2