Santos Franciscanos
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06 de novembro: Afonso Lopez e seus companheiros - Santos e Santas Franciscanas
Afonso Lopez nasceu no ano de 1978, na antiga região de Secorún (atualmente despovoada), na Espanha. Em seus primeiros passos de discernimento de sua vocação religiosa, ele tentou juntar-se, inicialmente, aos beneditinos, mas logo abandonou esta congregação. Decidiu então ingressar na Ordem dos Frades Menores Conventuais, na cidade de Granollers em 1906. Fez o seu noviciado na região de Ósimo, na Itália. Lá, ele emitiu a sua profissão religiosa. Foi ordenado sacerdote no ano de 1911, quando retornou à Granollers. Na cidade espanhola, foi o diretor das "Escolas Antonianas" e responsável pela formação dos postulantes e noviços. O ministério da reconciliação e acompanhamento espiritual também foram campos do seu apostolado favorito. No entanto, eclodiu a perseguição religiosa naquela região, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). Logo nos primeiros dias da perseguição, Afonso deu a sua vida pela fé, sendo preso e martirizado na tarde de 3 de agosto de 1936. Após ele, receberam o martírio entre 27 de julho e os primeiros dias de setembro do mesmo ano, os irmãos de hábito e membros da comunidade de Granollers: Freis Modesto Vegas, Dionísio Vicente, Pedro Rivera, presbíteros, Francisco Remón, Miguel Remón e alguns irmãos Leigos. Todos eles foram beatificados por João Paulo II em 11 de março de 2001, no grande grupo de 233 mártires (saiba mais clicando aqui), a maioria da comunidade valenciana, 50 deles membros da Família Franciscana. Traduzido e adaptado de: Ordem Franciscana Seglar de Avilés. -
13 de novembro: São Diogo de Alcalá - Santos e Santas Franciscanas do Dia
Diogo de Alcalá nasceu em uma família humilde por volta do ano de 1400, em São Nicolau do Porto em Andaluzia, na Espanha. O jovem, desde cedo autodidata da ascese cristã¹, viveu como monge eremita às margens do povoado natal, em penitência e oração. Alimentava-se somente com os produtos da pequena horta que cultivava e vestia-se com as roupas velhas que o povo lhe dava em troca de trabalhos artesanais. Como sempre acontece, quem mais dá, mais recebe. Assim o jovem acabou por atrair a si muitos doadores. Possuidor de dons místicos e inteligência infusa, sua piedade e bondade eram tão reconhecidas que logo ganhou fama de santidade. Para fugir dela, resolveu ingressar como noviço de irmão leigo no Convento dos frades franciscanos de Arizafe, próximo a Córdoba. Lá, fez o noviciado como irmão leigo e, em 1441, foi enviado como missionário às ilhas Canárias. Naquelas felizes ilhas submersas pelo sol, Frei Diogo aí trabalhou alegremente e, cinco anos depois, a obediência lhe impôs aceitar o cargo de guardião, isto é, de superior, não obstante ser simples irmão leigo. Era o tempo das colonizações espanholas e, o zelo do Frei Diogo para com os nativos incomodava bastante os colonizadores que mantinham os indígenas na condição de escravos. Os colonizadores tornaram-lhe a vida tão difícil que teve de voltar à Espanha em 1449. No ano seguinte peregrinou à Roma para assistir à canonização de são Bernardino de Sena. Lá, foi hóspede do convento de Aracoeli e encontrou a população abandonada à mercê de uma trágica epidemia. Trabalhou como ninguém na assistência aos doentes, não só material como espiritualmente, pois seus dons místicos fizeram com que curasse muitos deles com orações e o simples toque das mãos. No entanto, foi retido em Roma por grave epidemia e teve de retornar à Espanha. De volta ao seu país natal, continuou desenvolvendo os mesmos encargos de porteiro e cozinheiro em vários conventos, o último deles foi o de Alcalá de Henares, perto de Madri, onde concluiu santamente sua vida terrena a 12 de novembro de 1463. Foi canonizado pelo papa Xisto V em 1588. Tornou-se um dos cultos de maior devoção da cristandade, que perpetua a sua memória pelo seu nome emprestado aos seus rios, baías e a várias cidades, além de ser padroeiro de muitas outras também. O exemplo mais famoso é a rica cidade de San Diego, no estado da Califórnia, América do Norte. A festa de são Diogo de Alcalá é celebrada no dia 13 de novembro. São Diogo (Diego) é ainda um dos santos mais populares da Espanha e da América Latina. Sendo representado no humilde hábito de irmão leigo franciscano, com batina de saco, cordão e chaves para indicar suas funções de porteiro e cozinheiro do convento. Sua expressão é a humildade personificada do mais puro seguidor do pobrezinho de Assis: São Francisco. ²: A ascese cristã é um conjunto de práticas austeras, comportamentos disciplinados e evitações morais prescritos aos fiéis, tendo em vista a realização de desígnios divinos e leis sagradas. Entenda mais clicando aqui. Fontes: Derradeiras Graças e Fraternidade Franciscana São Boaventura. -
19 de fevereiro: São Conrado de Placência - Santos e Santas Franciscanas do Dia
Conrado Confalonieri vivia na cidade de Placência, na Itália. Era um homem que possuía muitos bens e muito lhe agradavam as caçadas. Certo dia, em uma de suas aventuras atrás de lebres e faisões, pôs fogo em uma floresta inteira. Os colonos se revoltaram com isto, pois tiveram muitos prejuízos. O governador, Galeazzo Visconti, condenou à morte o primeiro suspeito, que na ocasião estava no bosque. O verdadeiro culpado, Conrado, quando soube que um inocente pagaria por ele, confessou o seu crime e se propôs a pagar tudo. Como consequência de sua promessa, compensou todos os prejuízos e acabou ficando muito pobre. Nesta época, ouviu o chamado do Senhor e ingressou na Ordem Terceira de São Francisco. Anos depois, em 1315, sua esposa o deixou. Movida pela atitude do marido, ela também se dedicou à vida religiosa, enclausurando-se no Convento Francisco de Santa Clara de Placência. Como frade, ele costumava mudar muito de convento e destacavam-se nele a bondade e a piedade. No decorrer de suas mudanças, ele passou para além do estreito de Messina e, em 1343, chegou à Siracusa e estabeleceu-se na cidade de Noto. Escolheu como habitação uma cela ao lado da igreja do Crucifixo. A fama de sua santidade seguia-o como a sombra e comprometia a paz e o silêncio de que tanto gostava. Quando percebeu que as muitas visitas perturbavam sua vida de oração, Frei Conrado levantou acampamento e foi humildemente para uma solitária gruta dos Pizzoni que, posteriormente viria a ser chamada de Gruta de São Conrado. Ali morreu em 19 de fevereiro de 1351. Os notoenses muito veneravam o eremita que, mesmo vindo de outra terra, decidiu morar no meio deles. Assim, Frei Conrado foi sepultado na mais bela entre as esplêndidas igrejas de Noto: a igreja de São Nicolau (atual Catedral de São Nicolau). Fontes: Canção Nova e Paulus. -
19 de outubro: São Pedro de Alcântara – Santos e Santas Franciscanas do dia
Frei Pedro nasceu no ano de 1499, na cidade em Alcântara, que fica na região de Cáceres, Espanha. Era filho de Alonso Garabito e de Maria Vilela, recebeu no batismo o nome de Juan de Sanabria. Depois de três anos de estudos em Salamanca, entre 1511 e 1515, entrou na Ordem Franciscana, na Custódia do Santo Evangelho no ano de 1516, que mais tarde, em 1520, se converteria em Província de São Gabriel. Em Majarretes, lugar de seu noviciado, nasceu um novo homem: Juan de Sanabria se transformou em Pedro de Alcântara. Pouco depois, em 1519, antes de ser ordenado sacerdote, foi enviado como superior para fundar o Convento de Badajoz. Completados os estudos de filosofia, teologia, direito canônico, moral e homilética, conforme as determinações da época, foi ordenado sacerdote em 1524. Tornou-se superior em Robledillo, depois em Placencia e novamente em Badajoz, até que em 1532 obteve permissão para recolher-se a uma vida mais contemplativa no convento de Santo Onofre da Lapa. Em 1538, foi eleito Ministro Provincial da Província de São Gabriel. Durante o período em que foi ministro provincial redigiu para seus religiosos estatutos muito severos, aprovados no Capítulo de Placência, em 1540. Mas o começo de sua reforma teve lugar em 1544 quando, com o consentimento de Julio III, retirou-se para a pequena igreja de Santa Cruz de Cebollas, próximo de Coira. Em 1555 construiu o célebre convento de Pedroso, seguido de outros. A partir deste momento, a reforma prosperou amplamente e, em 8 de maio de 1559, obteve a aprovação de Paulo IV, que permitiu sua difusão também no exterior. Pedro de Alcântara, com sua reforma, queria trazer de volta a Ordem Franciscana à genuína observância da Regra. Mediante a suma pobreza, a rígida penitência e um sublime espírito de oração alcançou os mais altos graus de contemplação e pode atrair numerosos franciscanos por aquele caminho de reforma que se propunha fazer reviver em seu século o franciscanismo dos primeiros tempos. Foi confessor e diretor espiritual de Santa Teresa de Ávila e ajudou na reforma da Ordem Carmelita. Santa Teresa escreveu sobre ele, “Modelo de virtudes era Frei Pedro de Alcântara! O mundo de hoje já não é capaz de uma tal perfeição. Este homem santo é de nosso tempo, mas seu fervor é forte como de outros tempos. Tem o mundo a seus pés. Que valor deu o Senhor a este santo para fazer durante 47 anos tão rígida penitência!”. Depois de uma grande atividade eremítica e apostólica, morreu em Arenas de San Pedro (Ávila), no dia 18 de outubro de 1562, aos 63 anos. Em 1622 foi beatificado por Gregório XV e, em 1669, foi canonizado por Clemente IX. Durante sua vida, sendo um notável pregador, foi o confessor do Rei Dom João III, de Portugal. Tornou-se, mais tarde, o santo de devoção da Família Real. Seu nome, Pedro de Alcântara, foi escolhido como nome de batismo dos dois imperadores do Brasil – Dom Pedro I e Dom Pedro II. Dom Pedro I solicitou ao Papa que proclamasse São Pedro de Alcântara como padroeiro do Brasil. E, assim foi feito, em 1826, pelo Papa Leão XII. Fonte: ACIDigital e CFFB. -
22 de setembro: São Francisco Maria de Camporosso - Santos e Santas Franciscanas do Dia
Francisco nasceu na comuna de Camporosso, na Itália, em 1804. Seus pais eram trabalhadores e profundamente religiosos e ele, caçula de quatro filhos. Aos doze anos de idade, foi encarregado de tomar conta do pequeno rebanho da família, pois o ar livre faria bem à sua frágil saúde. Daí nasce a forte amizade com os outros pastores, que costumavam se reunir para rezar e explicar-lhes um pouco de catecismo. Seus colegas tinham por ele uma grande admiração e o chamavam de eremita. Um pouco mais velho, começou a ajudar os pais e irmãos nos trabalhos pesados do campo. Mas, fazia-se ouvir cada vez mais clara e forte uma voz que o chamava a doar-se totalmente a Deus, na vida religiosa. A primeira tentativa que fez como postulante não satisfez seus desejos e aspirações, mas depois, em 1825, começa o noviciado em Gênova. Frei Francisco Maria expressou seu lema, “Quero ser o jumento do convento”. E viveu este lema a cada dia com empenho e amor redobrados. Terminando o noviciado, a obediência o destinou ao convento da Imaculada Conceição, em Gênova, onde passou toda a vida. Nos primeiros dois anos, se dedicou ao serviço dos irmãos mais velhos e doentes, depois ao ofício de esmoleiro da cidade de Gênova. Como esmoleiro, todos os dias passava em casas ricas e pobres pedindo esmolas e repartindo com os mais necessitados o que recebia. Procurou imitar nisso São Félix de Cantalício e São Crispim de Viterbo. Vestido com uma túnica velha e toda remendada, debaixo de sol ou chuva, pés descalços, uma sacola nos braços e o terço mãos: assim se apresentava ao povo. Tornou-se uma figura característica das ruas da cidade. Para todos tinha uma palavra de conforto e esperança, parecia conhecer os segredos mais íntimos do coração. E o povo passou a chamá-lo de “padre santo”. A figura de frei Francisco era popular, inclusive no porto de Gênova entre os trabalhadores, estivadores, marinheiros e tripulantes. À noite, quando chegava em casa cansado, um numeroso grupo de pessoas o aguardava na praça do convento para recomendar-se às suas orações, para pedir conselhos e contar os próprios problemas. Ele ouvia a todos e sempre tinha uma palavra de conforto. Dedicava parte da noite à oração e à penitencia em preparação ao trabalho do novo dia. Por quase quarenta anos, frei Francisco Maria exerceu a função de esmoleiro. A cada dia sua figura alta encurvava-se mais, os cabelos e a barba embranqueciam, mas se mantinha fiel ao seu dever. Em 1866, a cidade foi atingida por uma grande epidemia: as ruas começaram a ficar desertas e a cada dia aumentava o número de mortos. Frei Francisco Maria se oferece em sacrifício, como vítima de expiação para a saúde da cidade, diante de altar da Imaculada Conceição. Tem a certeza de que será atendido. No dia 17 de setembro falece, vítima da epidemia. Deste dia em diante a doença começou a diminuir e, em pouco tempo, acaba de vez. Todos tiveram a certeza de que foram salvos pelo padre santo. Frei Francisco Maria nos deixou um grande exemplo da caridade: quis ser o jumento do convento no serviço aos irmãos e por fim oferecendo-se em holocausto em prol do povo que tanto amava. Foi canonizado por João XXIII no dia 9 de dezembro de 1962. Fonte: Franciscanos. Informações: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola. -
23 de setembro: Encontro do Corpo de Santa Clara de Assis
Em 11 de agosto de 1253, Santa Clara entra na glória eterna; já no dia seguinte seu corpo é levado para a Igreja de São Jorge onde também repousa Francisco. No dia 3 de outubro de 1260, o corpo é exumado e colocado na Basílica de Santa Clara; ali permanece perto do altar com uma simples inscrição: “Aqui jaz o corpo da Virgem Santa Clara”, protegido pelo brilho de uma lâmpada e as preces silenciosas de suas filhas que guardaram este fato no segredo de seus corações. Em 1849, a República Italiana escolhe Assis como sede do governo e não tem boa relação com as instituições religiosas. No meio de conflitos e inventários, perseguições e desordem civil, a Abadessa Clara Columba Angeli, resolve procurar o corpo da venerável Mãe Clara, para que a grande dama de Assis seja um verdadeiro sinal de paz e unidade para um momento sofrido da história italiana. Neste mesmo ano, o cardeal Marini, prefeito da Congregação dos Ritos, visita Assis para a festa dos Estigmas, e, junto às Clarissas, conversam sobre o encontro dos restos de São Francisco em 1813. A Abadessa aproveita a ocasião e diz, “Eminência, já que o Sol deixou-se encontrar, não é necessário que a Lua tenha também o seu lugar?” No dia 6 de agosto de 1850 recebem autorização do governo civil para a exumação. No dia 23 do mesmo mês, em silêncio e sempre à noite, os trabalhos começam acompanhados pelo vigário episcopal Luigi Alexandri, do Delegado para os Religiosos Pe. Giuseppe Morichelli, e o especialista em escavações Marco Rondini. Oito dias depois encontravam o túmulo onde o corpo da santa fora depositado há 6 séculos. No dia 23 de setembro, com a presença do Bispo de Perugia, Giocecchino Pecci (futuro Papa Leão XIII), o químico Purgotti, o arqueólogo Antonini e o diretor do arquivo municipal de Assis, Paolo Cesini abriram o sarcófago. Não havia nenhuma inscrição junto aos restos mortais. O corpo de Clara tinha o fino semblante intacto, a pele estava sombria e bem colada aos ossos. Uma coroa de honra feita no século XIII estava perfeita. Os ramos de tomilho que enfeitavam o corpo permaneciam conservados. O corpo todo estava em estado de esqueleto na disposição normal dos ossos. A cabeça inclinada sobre o ombro esquerdo, o braço esquerdo sobre o peito e o direito estendido ao longo do corpo. Um fio de pó branco recobria o esqueleto. O corpo foi erguido e colocado num relicário. Uma grande relíquia foi mandada à Roma. “Um Tríduo foi celebrado em ação de graças nos dias 26, 27 e 28 de setembro, depois que a urna foi aberta outra vez para recobrir os ossos da Santa e lhes dar a aparência de um corpo. Tinham sido envoltos anteriormente por uma camada de algodão. A túnica parda, a cobertura da cabeça branca e o véu preto foram confeccionados por algumas senhoras desconhecidas de Assis. Colocou-se sobre a cabeça uma coroa de flores. A urna foi então fechada e ornamentada para a procissão solene que teve lugar na tarde de 29 de setembro. Numa recordação comovente das horas históricas, o corpo de Santa Clara foi conduzido por quatro sacerdotes sob os aplausos da população, em primeiro lugar a São Rufino e, em seguida, para uma visita ao túmulo de São Francisco. Ao crepúsculo, as Irmãs acolheram sua Mãe no claustro e colocaram a urna aos pés do crucifixo que ela tanto amara em São Damião. Bem ao lado, se encontrava ainda uma outra preciosa relíquia: a grade atrás da qual Clara tinha recebido a Santa Comunhão. A bênção do Santíssimo Sacramento encerrou este dia memorável.” O corpo de Clara que está hoje na basílica foi mais uma vez restaurado. De 17 de novembro de 1986 até 12 de abril de 1987. Um paciente trabalho foi feito para tirar do corpo da Santa um estado de viscosa humildade, devido ao clima e aos longos anos que criaram a decomposição das partes extremas, em particular as falanges e os dedos dos pés. Quando examinaram o corpo, ele mantinha a mesma posição deixada em 1850. Todo ele foi recomposto e restaurado com tela, gesso, esmalte e silicone. Recompuseram o corpo e o rosto segundo os documentos da época, mantendo a personalidade de mulher fascinante, ardente, terna, sensível, segura e muito equilibrada. Ao chegarmos a Assis e rezarmos diante de Clara devemos lembrar que uma vida como a dela é sempre fecunda, nunca se decompõe. Num coração aberto para o Absoluto, Deus sempre deposita a sua Beleza. Diante de seu corpo temos que ter o desejo de rezar. É preciso sempre desejar o espírito! Diante do corpo de Clara, é preciso redescobrir a espiritualidade da ternura, da pequenez, da pobreza. Clara, mulher e santa, não é um aprendizado intelectual, mas um conhecimento afetivo. Por que Clara é bela? Porque o Espírito imprime sempre no corpo a sua forma. O Amor pelo Esposo tomou forma em seu corpo! Após 750 anos, cuidou-se muito dos restos mortais de Clara para não se deixar de lembrar a sua forma de Vida, modo como ela eternizou-se no tempo. Fonte: Franciscanos. Autor original: Frei Vitório Mazzuco (OFM) -
25 de fevereiro: Beato Sebastião de Aparício - Santos e Santas Franciscanas do Dia
Sebastião de Aparício nasceu em Gudinha Galícia, na Espanha, em 20 de janeiro de 1502. Na infância, foi infectado por uma epidemia local e os doentes eram retirados do convívio social para evitar o contágio do restante da população. Assim sendo, sua mãe o levou a uma cabana, separado dos demais. Naquele local ermo e sozinho, ele foi atacado por uma loba. A mordida do animal causou uma hemorragia que o curou da enfermidade. Desde então, Sebastião de Aprício passou a ter uma conexão e amor especial com os animais. Ele gostava de viver no campo, pois era uma vida pacífica e de contato íntimo com Deus. Embora não fosse alfabetizado, tão pouco erudito, ele adquiriu ao longo de sua vida habilidades manuais que lhe foram úteis, tais quais: construção civil, fabricação de carros, cultivo e colheita, vários tipos de trabalhos rurais, entre outros. Por muito tempo ele cuidou das ovelhas de seu pai, até os 20 anos, quando saiu de casa para fazer trabalhos externos como mordomo. Ao longo de seu caminho, muitas moças das casas em que trabalhou enamoraram-se por ele e várias vezes ele precisou se mudar para não cair em tentação. Na última vez que foi tentado pela filha de seu patrão, resolveu se mudar para a América, onde viveu o restante de sua vida. Desembarcou em Puebla, no México e ali colocou em prática seus talentos com carros, já que os meios de transporte eram escassos naquela área. Em 1542, mudou-se para a Cidade do México, para fundar sua própria empresa de carros e, por volta dos 50 anos de idade, retira-se do comércio das estradas e adquire uma fazenda para o cultivo de gado de corte. Em 1562 casa-se com a filha de um amigo vizinho, na igreja dos franciscanos de Tacuba. Ele vive com sua esposa uma vida virginal por cerca de um ano, até que ela morre. No mesmo lugar, Aparício contrai seu segundo matrimônio, vivendo com esta também um matrimônio virginal. Ela também morre antes de completar um ano de casados, em decorrência da queda de uma árvore, enquanto recolhia frutas. Seu confessor pede que ele ajude as irmãs clarissas, pois estas estavam vivendo uma vida muito difícil. No ano de 1573, ele doa às irmãs todos os seus bens, que ultrapassavam 20 mil pesos, ficando com apenas mil pesos pra si. Em 09 de junho de 1574, aos 72 anos, recebe o hábito franciscano no convento do México. O frade deu, durante toda a vida, grande exemplo de humildade, estando pronto para qualquer serviço. Sentiu certa rejeição por parte dos jovens do noviciado e por seus superiores que, ao vê-lo tão velho, não decidem se ele está apto ou não a professar os votos solenes. Por fim, aos 73 anos de idade, em 13 de junho de 1575 recita a solene fórmula: “Eu, frei Sebastião de Aparício, faço voto e prometo a Deus viver em obediência, sem coisa alguma própria e castidade, viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, guardando a Regra dos Frades Menores.” Aos 98 anos, muito debilitado por uma hérnia, Sebastião de Aparício sentiu que seu fim estava próximo. Dirigiu-se ao convento e caiu prostrado no solo, ao modo de São Francisco. Pediu aos frades, ali residentes, que rezassem a oração do Creio em Deus Pai. No momento em que mencionaram “Creio na ressureição da carne e na vida eterna”, ele morreu. -
Padroeiro da Província: 14 de agosto – São Maximiliano Maria Kolbe
Filho de Júlio Kolbe e Maria Dabrowska, Raymond Kolbe nasceu em 8 de janeiro de 1894 na cidade de Zdunska Wola, na Polônia. Maximiliano veio de uma família de pobres operários, mas que eram muito religiosos e isso o fez ingressar ainda novo, aos treze anos de idade, no Seminário Franciscano da Ordem dos Frades Menores Conventuais. Rapidamente demonstrou forte vocação à vida religiosa, sendo um estudante que deixou marcas pela mente brilhante e por ser muito atuante, apesar da pouca idade. Ao ser enviado para terminar sua formação em Roma manifestou sua profunda devoção à Virgem Maria quando fundou um apostolado mariano ao qual deu o nome de "Milícia da Imaculada". Demonstrava então o seu desejo de conquistar o mundo inteiro a Cristo por meio de Maria Imaculada. Terminou seus estudos na cidade de Roma. Lá, recebeu o sacramento da ordem em 1918. Nessa ocasião, assumiu o nome religioso de Maximiliano Maria, em homenagem a São Maximiliano e a Nossa Senhora. Depois de ordenado, empenhou-se no apostolado através da imprensa e pôde, assim, evangelizar em muitos países, isto sempre na obediência às autoridades, tanto assim que deixou o fecundo trabalho no Japão para assumir a direção de um grande convento franciscano na Polônia. Com o início da Segunda Grande Guerra Mundial, a Polônia foi tomada por nazistas e, com isto, Frei Maximiliano foi preso duas vezes, sendo que a prisão definitiva, ocorrida em 1941, levou-o para Varsóvia, e posteriormente, para o campo de concentração em Auschwitz, onde no campo de extermínio heroicamente evangelizou com a vida e morte. Aconteceu que, diante da fuga de um prisioneiro, dez pagariam com a morte. Um dos dez sorteados era Francisco Gajowniczek que, ao ter conhecimento disto, desesperadamente, caiu em prantos, “Minha mulher, meus filhinhos! Não os tornarei a ver!”. Movido pelo amor que vence a morte, São Maximiliano Maria Kolbe dirigiu-se ao Oficial e decidiu que deveria morrer no lugar daquele pai de família e assim se identificou, “Sou um Padre Católico”. O comandante concordou. Os soldados alemães despiram, então, São Maximiliano e os outros nove. Depois, prenderam eles numa cela escura, húmida e pequena. Ali, os dez prisioneiros ficaram sem água e sem alimentos para morrerem aos poucos. Duas semanas depois, Kolbe, acostumado aos jejuns e pela força da oração, ainda sobrevivia e, com ele, ainda restavam outros dois. Os soldados, querendo que desocupassem logo a cela, aplicaram neles injeções letais e, desta maneira, São Maximiliano morreu em 14 de agosto de 1941. Em 1971, o Papa João Paulo II celebrou a beatificação de São Maximiliano Maria Kolbe e, em 1982, o mesmo Papa celebrou a sua canonização. Nessa ocasião, o pontífice deu a ele o título de "Padroeiro do nosso difícil século XX" e mártir da caridade. Na cerimônia em que Padre Kolbe foi canonizado, Francisco Gajowniczek estava presente e testemunhou a coragem e o amor daquele Padre Franciscano que se ofereceu para sofrer e morrer em seu lugar. Por seu intenso apostolado, é considerado o patrono da imprensa. Fontes: Canção Nova, Cruz Terra Santa e Franciscanos