Solenidade de Cristo Rei

  • 25 de novembro: Solenidade de Cristo Rei
    Hoje, 25 de novembro, celebramos a solenidade de Cristo Rei. A celebração deste domingo, do ano litúrgico da Igreja, nos coloca frente à realeza do rei Jesus. A data marca ainda o encerramento do Ano Litúrgico e, consequentemente, do Ano Nacional do Laicato (compreenda aqui). Criada em 1925, pelo Papa Pio XI, esta festa litúrgica pode parecer pretensiosa e triunfalista. Afinal, de que realeza se trata? Para superar a ambiguidade que permanece, precisamos ir além da visão do Apocalipse, cujo hino na segunda leitura canta que “Jesus é o soberano de todos os reis da terra”. Ora, reis e rainhas não servem de modelo para a representação gloriosa de Jesus. Mesmo que seja para colocá-Lo acima de todos os soberanos. Riquezas, palácios, criadagem e exércitos não são elementos que sirvam para exaltar a entrega de Jesus por nós. Jesus está na outra margem, Ele é a antítese da realeza da riqueza e do poder. Não é por acaso que os evangelhos da liturgia de hoje, nos ciclos litúrgicos A, B, e C da Igreja, sempre nos colocam no contexto da Paixão de Jesus para contemplar Sua realeza.   Quando Jesus foi rei? Jesus foi Rei, durante sua vida, em apenas dois momentos: ao entrar em Jerusalém como um Rei pobre, montado em um jumento emprestado e ao ser humilhado na Paixão, revestido com manto de ”púrpura-gozação e capacete de espinhos”; e Rei ao morrer despido, com o peito transpassado na cruz. Rei da paz e Rei do amor sem limite até a morte. A realeza de Jesus é a realeza do Amor Ágape de Deus por toda a humanidade e por toda a criação. Essa festa é a ocasião propícia para podermos reconhecer, mais uma vez, que na cruz de Jesus o “poder dominador”, o “poder opressor”, criador de desigualdades e exclusões, espalhador de sofrimento por todos os lados, está definitivamente derrotado. Isso se deu pelo seu modo de viver para Deus e para os outros. O fracasso na cruz é a vitória de Jesus sobre o mal, o pecado e a morte, por meio de Sua Ressurreição.   Deus é o criador Essa festa se torna, então, reveladora de um tríplice fundamento para a nossa esperança de que as promessas de Deus serão cumpridas até o fim. O surgimento da matéria e sua evolução, desde o big-bang ─ quando toda a energia do Universo se concentrava em um único ponto menor do que o átomo ─ são o primeiro fundamento de nossa esperança. Deus é criador respeitando as leis daquilo que criou. Nós nos damos conta de que a soberania d’Ele vem se cumprindo num Universo em expansão, uma vez que, a evolução da matéria atingiu seu ponto ômega ao dar à Luz Jesus de Nazaré, por meio de Maria, porque n’Ele está a Humanidade humanizada para todos os homens e mulheres, de todas as gerações. O segundo fundamento é a pessoa de Jesus de Nazaré. O sonho de uma humanidade humanizada ─ tornada aquilo que ela é ─ vem expresso na primeira leitura do livro de Daniel, na figura de um Filho de Homem ─ figura antitética dos filhos de besta, filhos da truculência, dos povos pagãos que oprimiram Israel com seus exércitos. O sonho tornou-se realidade em Jesus Cristo. Ele nos humaniza com a Sua divindade: nunca Deus esteve tão perto de nós, sendo um de nós e sem privilégios; mas também sem crimes nem pecados (cf. epístola aos Hebreus). Jesus nos diviniza com a sua humanidade, tão humano que é, que só pode vir de Deus e ser d’Ele mesmo. O terceiro fundamento de nossa esperança é a comunidade eclesial de fé, dos amigos e discípulos de Jesus. Olhando essa grandeza, entendemos o sentido último de nosso batismo, pois na realeza de Jesus fomos batizados para sermos reis e rainhas; no sacerdócio de Jesus, para sermos sacerdotes e sacerdotisas; no profetismo de Jesus, para sermos profetas e profetizas, para viver segundo o imperativo da Palavra de Deus revelada em Seu Filho. A soberania dessa realeza consiste no serviço da cultura da paz e da solidariedade, da compaixão e da fraternidade. O poder que corresponde a essa realeza é o do exercício da autoridade que serve, para fazer o milagre da diversidade tornar-se unidade.   Os gestos de Jesus No sacerdócio de Jesus, nos unimos à Sua missão de gastar a vida pelos demais. Sabemos por Ele qual o modo de existir que nos conduz à vida verdadeira; qual a religião que agrada a Deus. A esperança posta no sacerdócio de Jesus, é também, certeza de que a vida gasta por compaixão e solidariedade é a vida feliz e bem vivida. Nossa esperança é profética, pois a força da Palavra inaugura o futuro. “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia (…)”, cantava Chico Buarque nos anos da ditadura. Era a palavra do poeta vencendo a força bruta. Vivendo o tempo presente no coração da comunidade de fé, que é a Igreja, sentimos que uma força maior se move em nós, nos comove para abrir-nos em direção ao futuro, pois nossa esperança não se funda somente em Deus, sentido radical do futuro ou, como diz o provérbio, que “o futuro a Deus pertence”. Mas é o Senhor mesmo a quem esperamos e quem nos espera no futuro. Isso que é ter esperança: esperar Deus mesmo!   A Festa de Cristo Rei A festa de hoje, nos faz contemplar a existência do universo, necessária para que surgisse o grande presente de Deus, oferecido para toda a criação, que é Jesus. Desta forma, nossa esperança se sustenta também nos cantos dos bem-te-vis e sabiás; nas rosas e margaridas; nas crianças e nas borboletas; nos homens e mulheres de boa vontade; nas pedras e nos vulcões; nas nuvens, na lua e nos planetas; nas estrelas e nas galáxias. Se existe tudo isso e não o nada, nossa esperança tem pé, cabeça e coração. Assim, como São Paulo, vivemos na esperança, mas sabendo de seu tríplice fundamento: aquele da evolução do universo, que culminou em Jesus, pelo dom de Maria; aquele que é Jesus, que por nós se doou na cruz, abrindo para nós um modo de viver para Deus e para os outros, que é verdadeira salvação; e aquele que é a Igreja, a nossa comunidade de fé, que nos lança e sustenta na abertura radical ao futuro, esperando Deus que vem e que nos acolhe com amor infinito, por meio do seguimento de Seu Filho, por quem recebemos a vida e a plenitude da graça de Deus.   Via: Canção Nova. Autor original: Padre Anderson Marçal.
  • Presidente do CNLB falou sobre os legados da realização do Ano Nacional do Laicato na Igreja no Brasil
    No último domingo (25), foi celebrada a Solenidade de Cristo Rei, data que marca o fim do Ano Litúrgico da Igreja Católica, na 34ª semana do Tempo Comum. A Igreja no Brasil comemora o dia nacional dos cristãos leigos e leigas nessa solenidade, em memória do compromisso que os membros da Ação Católica (organização laical de grande envergadura no século passado) assumiam a cada ano, nesse dia, de agir em prol de uma sociedade justa e fraterna, sinal do Reinado de Cristo. Após a culminância do Ano Nacional do Laicato nesta data, a presidente do Conselho Nacional do Laicato no Brasil (CNLB), Marilza Lopes Schuina, conversou com a equipe da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Na entrevista, ela falou das influências da vivência deste ano temático para a Igreja no Brasil e para a sociedade, “O legado para o âmbito eclesial se firma no dinamismo da organização das comunidades, na formação laical e na criação de novos conselhos de leigos e leigas em âmbitos diocesano e paroquial”. Para a sociedade, segundo ela, continua o desafio da auditoria cidadã da dívida pública, uma das propostas do ano. Para o CNLB, segundo Marilza, uma grande alegria foi o reconhecimento e o fortalecimento pelos próprios cristãos leigos e leigas de sua vocação laical, o sentir-se e colocar-se como verdadeiro sujeito eclesial, com consciência crítica do ser e fazer laical. Integrante da Comissão Especial para o Ano do Laicato, Marilza enumerou uma série de aprendizados e desafios que este ano trouxe para a Igreja no Brasil. A presidente do CNLB reforçou que o 25 de novembro não foi o encerramento, mas um ponto de culminância do Ano Nacional do Laicato. Segundo ela, por obra do Espírito Santo, a continuidade desta reflexão sobre o papel dos leigos e leigas na Igreja e na sociedade vai se dar na Campanha da Fraternidade 2019 que vai debater as políticas públicas, uma oportunidade para o laicato aprofundar sua atuação neste campo.   O CNLB é uma associação de fiéis leigos e leigas católicos de direito público, que congrega e representa o laicato brasileiro na sua diversidade e riqueza de movimentos, pastorais e associações dos mais variados tipos. O Conselho tem como objetivo articular o laicato, em conselhos regionais, diocesanos e locais.    Confira a entrevista completa em: CNBB.
  • Solenidade de Cristo Rei: Entenda a festa que encerra o Ano Litúrgico
    A Solenidade de Cristo Rei, celebrada neste domingo, 25, marca o fim do Ano Litúrgico da Igreja Católica, na 34ª semana do Tempo Comum. Instituída em 1925, pelo Papa Pio XI, esta solenidade coloca os cristãos frente à realeza do rei Jesus. Desta forma, a data marca também o encerramento do Ano do Laicato, celebrado desde a solenidade de Cristo Rei de 2017. “Ele é a antítese da realeza da riqueza e do poder. Não é por acaso que os evangelhos da liturgia de hoje, nos ciclos litúrgicos A, B, e C da Igreja, sempre nos colocam no contexto da Paixão de Jesus para contemplar Sua realeza. (…) A realeza de Jesus é a realeza do Amor Ágape de Deus por toda a humanidade e por toda a criação. Essa festa é a ocasião propícia para podermos reconhecer, mais uma vez, que na cruz de Jesus o ‘poder dominador’, o ‘poder opressor’, criador de desigualdades e exclusões, espalhador de sofrimento por todos os lados, está definitivamente derrotado”, como explicou o especialista em Teologia Pastoral Bíblica-Litúrgica, padre Anderson Marçal em entrevista à equipe da Canção Nova. O sacerdote destaca que o término do Ano Litúrgico é uma boa oportunidade de fazer uma revisão de vida, diante do que foram as propostas feitas por Jesus ao longo do ano, “Durante todo o ano, na liturgia da Palavra, Jesus vai se apresentando a cada um de nós, vai se mostrando, mostrando seu Reino e para quê Ele veio. E [este] é o momento de nós fazermos uma boa revisão de vida, frente àquilo que a liturgia nos mostra, nos preparando para o encontro definitivo com Deus. Este encontro acontece a cada ano no Advento, em preparação ao Natal, mas chegará o tempo em que nos encontraremos definitivamente com Deus”, encoraja ele.   Ano do Laicato A Igreja no Brasil comemora o dia nacional dos cristãos leigos e leigas nessa solenidade, em memória do compromisso que os membros da Ação Católica (organização laical de grande envergadura no século passado) assumiam a cada ano, nesse dia, de agir em prol de uma sociedade justa e fraterna, sinal do Reinado de Cristo. O ano do Laicato foi escolhido em comemoração aos 30 anos do Sínodo Ordinário sobre os Leigos, de 1987, e da exortação apostólica Christifideles Laici (Os fiéis leigos), de São João Paulo II, sobre “Vocação e missão dos leigos na Igreja e no mundo”, de 1988.   Curiosidade A cada primeiro domingo do Advento começa um novo Ano Litúrgico, que são divididos em três ciclos, chamados de anos A, B e C, para manifestar a história da Salvação. “A Sagrada Escritura traz a escrita sagrada, mas também traz a história da Salvação, que tem uma cadência própria, como se estivéssemos caminhando ao ritmo da Santíssima Trindade. Por isso que no ano A, a manifestação é do Pai; no ano B, a manifestação é do Filho; e no ano C, a manifestação é do Espírito Santo. Cada ano tem sua particularidade”, explicou o Padre Anderson à Canção Nova.     Padre Anderson explica que essa divisão em três para nos levar a experimentar durante todos os três anos a experiência da graça de Deus, que nos chama a uma preparação para o encontro com Ele, este encontro nos dá um apelo à penitência e essa penitência nos leva à perceber a manifestação deste Deus. Fontes: Canção Nova e Vida Pastoral.