Solenidade de São Francisco de Assis

  • 04 de outubro: dia do Nosso Pai Seráfico, São Francisco de Assis
    Hoje, 04 de outubro, a Igreja celebra o Nosso Pai Seráfico, São Francisco de Assis, o fundador da Ordem dos Frades Menores. Francisco nasceu em Assis, na Itália, no ano de 1182, sendo filho de um rico comerciante, Pedro Bernardone e de Dona Pica. Foi batizado em Santa Maria Maior (antiga catedral de São Rufino), inicialmente, com o nome de João (Giovanni), mas seu pai mudou de ideia devido às viagens comerciais que fazia à França. Era um jovem alegre que gostava da vida boêmia em que participava de muitas festas e banquetes, sendo muito popular entre os jovens de sua cidade. Desejava a glória da nobreza e, para isso, deveria participar das guerras que eram comuns nas lutas de poder de sua época. Bernardone desejava que o filho enobrece a família trazendo pra casa o heroísmo conquistado nas batalhas. No entanto, na primeira batalha caiu prisioneiro. No cárcere insalubre, ficou por cerca de um ano. Ao retornar, até continuou a curtir a vida de festas que levava antes, mas dessa vez, a diversão não durou muito. Devido as condições às quais fora exposto na prisão, ficou doente. Enfermo, o jovem refletiu sobre o significado de sua vida e, quando melhorou, não era mais o mesmo Francisco: as diversões do século que antes lhe preenchiam o coração, agora eram sinônimo de uma felicidade frívola, vazia e efêmera. Deus buscou atentá-lo ao significado de sua vida e missão na Terra assim. Mesmo assim, o jovem de Assis ainda ansiava pela glória das guerras. E, mais uma vez decidiu se aventurar.   O chamado Antes de partir, Francisco doou a sua cara armadura preparada pelo seu pai a um companheiro mais pobre que também participaria da batalha. Durante a viagem, adoeceu mais uma vez. Com febre, pensou ter ouvido a voz de Deus a falar com ele: – Francisco, o que é mais importante, servir ao Senhor ou servir ao servo?  – Servir ao Senhor, é claro – respondeu.  – Então, por que te alistas nas fileiras do servo?  – Senhor, o que quereis que eu faça?  – Volta a Assis – lhe diz a voz – e ali te será dito. Retornou mais uma vez à sua cidade, desafiando o desdém dos vizinhos e a fúria de seu pai. Inquieto com o chamado de Deus, passou a dedicar-se à oração. Peregrinou por muitos lugares em busca de respostas. Em uma viagem à Roma, em 1205, indignou-se com a baixa quantia de ofertas na tumba do Apóstolo São Pedro e deixou um punhado de moedas, contrastando com a pequena quantidade deixada por outras pessoas. Ainda na capital italiana, teve a sua primeira experiência de pobreza: sensibilizado com a situação de um mendigo, trocou suas nobres vestes com ele e trajou as suas roupas sujas e esfarrapadas.   Todos já estavam preocupados com ele. Havia enlouquecido o filho do comerciante? Frequentava cada vez mais a velha Capela de São Damião, que ficava no campo. Num certo dia, na estrada de Assis que levava até à igreja, ele deparou-se com um leproso, um ser que lhe causava grande e indescritível nojo. Entretanto, dessa vez era diferente. Francisco estava diferente. Como se estivesse movido por força maior, desceu do cavalo e pôs um saco de moedas nas mãos sangrentas daquele pobre. E, num gesto de compaixão, beijou-o. Sobre esta ocasião, ele disse “O que antes me era amargo, mudou-se então em doçura da alma e do corpo. A partir desse momento, pude afastar-me do mundo e entregar-me a Deus”.   A Renúncia Certo dia, rezando aos pés do crucificado na Capela de São Damião, ouve uma voz saindo direto do crucifixo “Francisco, vai e reconstrói a minha Igreja que está em ruínas”. Não entendendo o real significado deste chamado, foi à sua casa, pegou alguns pertences e os vendeu por um preço muito abaixo do que valiam. Foi ao sacerdote da capela e se ofereceu para reconstruir com as próprias mãos o local, que estava malconservado. Seu pai ficou irado com esta atitude. Há algum tempo ele já vinha dando desfalques na loja de Bernardone, pegando mercadorias e doando aos necessitados, mas agora era pior, ele estava envergonhando toda a sua família. Irado, Pedro Bernardone busca o jovem à força, castiga-o fisicamente e o prende num cubículo em baixo da escada de sua casa, acorrentado pelos pés. Mas sua mãe, Dona Pica, em compaixão para com o filho, soltou-o. Liberto, ele passou a se dedicar à mendicância de dinheiro e pedras para a reconstrução da capela, enquanto se escondia de seu pai. Sem mais alternativas, Bernardone recorreu ao Bispo de Assis em julgamento contra o filho. A audiência aconteceu na praça comunal da cidade, local em que seu pai lhe deu as alternativas de ou voltar com ele ou abdicar de sua herança e devolvesse tudo que havia recebido dele. Para a surpresa de todos, Francisco disse “As roupas que levo pertencem também a meu pai, tenho que devolvê-las". Assim, ele começou a tirar os seus trajes. Um a um e, estando nu, disse “Até agora tu tens sido meu pai na terra, mas agora poderei dizer: ‘Pai nosso, que estais nos céus”. O Bispo, admirado com o feito, o acolheu em seu manto.   A Missão Cada vez mais distante dos familiares e amigos, o Pobrezinho de Assis agora realizava trabalho pastorais e atuava na reconstrução de igrejas da região. À essa altura, questionava a si mesmo “O que mais Deus haveria de querer para mim?”, já que ainda não tinha tido completamente as respostas as quais buscava antes de receber o primeiro chamado do Senhor. Já na restauração da última capela de sua localidade, a sua tão cara Porciúncula, a Igrejinha de Santa Maria dos Anjos, ouviu o Evangelho na Santa Missa “sem túnicas, sem bastão, sem sandálias, sem provisões, sem dinheiro no bolso …” (Lc 9,3). Essa palavra tocou de tal forma o jovem de Assis que, finalmente, ascendeu-se nele a luz do seu chamado, “É isso que quero! É isso que desejo de todo o coração!” e, pouco depois, passou a vivenciar a sua obra: o seguimento puro do evangelho. Seu modo de vida passou a intrigar a muitos. Um destes foi Bernardo de Quintaval, o primeiro irmão. Bernardo, havia questionado ao Povorelo se poderia acompanha-lo em sua obra. Para responder, Francisco recorreu ao Evangelho. À caminho da Santa Missa acompanhado de Bernardo e Pedro de Catânia, ele abriu a Bíblia e recebeu as seguintes respostas: “Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres. Depois vem e segue-me” (Mt 19,21). “Não leveis nada pelo caminho, nem bastão, nem alforge, nem uma segunda túnica…” (Lc 9,3). “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me” (Mt 16,24). Então, decidiu São Francisco, “Isto é o que devemos fazer e é o que farão todos quantos quiserem vir conosco”. Este foi o início da Fraternidade dos Irmãos Menores, em 24 de fevereiro de 1208.   Fraternidade Aos poucos muitos foram se juntando a eles e, em 1209, estes mendicantes foram à Roma, pedir a aprovação de seu modo de vida. Inocêncio III admirado com Francisco, não só aprovou a ordem, como o reconheceu como o homem de um sonho que teve em que este segurava as colunas da Igreja de Latrão (a mãe de todas as igrejas), que estava em ruínas. Em 1212, entre os dias de 18 e 19 de março, na noite de domingos de Ramos, a nobre Clara di Favarone foge de casa e é recebida na Porciúncula. Santa Clara torna-se a primeira mulher a ser recebida na Ordem. A Ordem crescia cada vez mais, principalmente após a entrada de Santa Clara e suas companheiras e o seguimento de muitos cristãos leigos que, mesmo já tendo se casado, estavam admirados com o movimento franciscano. Em 1219, Francisco vai ao acampamento do sultão do Egito, Melek-el-Kamel e tem uma importante conversa com ele. Um dos pontos que mais impressionavam a todos no movimento, não era somente à minoridade ou o seguimento radical do evangelho, mas a fraternidade universal do franciscanismo. O Pai Seráfico via em todas as criaturas e na criação, vestígios do próprio criador. Se Deus os fez, estes eram maravilhosos! E por todos Francisco tinha amor igualmente.   Últimos momentos Em 1224, no período de 15 de agosto a 29 de setembro, Francisco, com Frei Leão e Frei Rufino, passa no Alverne, preparando-se com uma quaresma de oração e jejum para a festa de São Miguel Arcanjo. Em setembro, tem a visão do Serafim alado e recebe os estigmas. Seu estado de saúde piora muito após este ano. Era final de agosto, em 1226, pede para ser levado à Porciúncula. Chegado à planície, lança sua bênção sobre Assis. Nos últimos dias de vida, dita o Testamento, autotestemunho de incalculável valor para a vida e os propósitos de homem tão singular. No dia 3 de outubro, à tarde, Francisco, morreu cantando “mortem suscepit”. No domingo seguinte, 4 de outubro, é sepultado na igreja de São Jorge, na cidade de Assis, mas o cortejo fúnebre passou antes pelo mosteiro das Clarissas. No dia 16 de julho de 1228, Francisco foi canonizado.   Entenda mais sobre o Pai Seráfico Francisco deixou muitos aprendizados em sua vida de imitação de Cristo. Todas as suas admirações, para com o Evangelho, para com a fraternidade, para com a criação, tinham muitos significados. Para compreender melhor sobre o Pai Seráfico, leia os textos:             Francisco e a devoção à Maria;             Francisco e Santa Clara;             Amor à Santa Cruz;             Impressão das Chagas;             Minoridade;             Cântico Irmão Sol;             Trânsito de São Francisco. Publicamos também alguns artigos na série “Vocação Franciscana”, em que falamos sobre os muitos significados da vida de Francisco nos seguintes momentos: O Chamado e a Escuta, a Cruz de São Damião e a Reconstrução da Igreja. Para cada texto há um vídeo sobre a explanação de um frade do ponto de vista religioso sobre a temática. Clique aqui e acesse a série.  Confira a playlist dos vídeos no nosso canal no YouTube: .  Fontes: Canção Nova, Cruz Terra Santa e Franciscanos. 
  • Celebração da Solenidade de São Francisco de Assis no Santuário dedicado ao Seráfico Pai
    Ontem (04), no Santuário São Francisco de Assis, em Brasília (DF), o dia foi dedicado à Festa do Padroeiro. Para fazer memória ao Patrono da Ecologia, foram recebidos na igreja os animais que seriam abençoados pelos Frades com a graça do Seráfico Pai Francisco que tanto amor teve pela criação. As Santas Missas Ação de Graças ao fundador da ordem foram celebradas às 07h, 08h, 10h, 12h15, 17h e, a principal delas, foi presidida pelo Frei Marcelo Veronez (OFMConv) às 19h. À noite, na principal Eucaristia, a nave do Santuário encontrava-se cheia, entre muitos e muitas fiéis que estavam acompanhados de seus animais de estimação. O provincial, Frei Marcelo, relembrou, em sua homilia, o evangelho do 25º domingo do tempo comum (23 de set), quando os discípulos questionaram ao Senhor quem é o maior entre eles e Jesus os respondeu, "Se alguém quiser ser o primeiro, deve ser o último de todos e o servo de todos" (Marcos 9: 30-37). Esclarecendo assim, o exemplo de minoridade de São Francisco que se dedicou a viver o Evangelho, “muitas vezes, queremos ser maiores que Deus, mas sem Ele, não somos nada”, disse o religioso. O frade buscou aprofundar em sua homilia o modelo de imitação de Cristo pelo Seráfico Pai, que abdicou-se do século para encontrar a Deus e, assim demonstrar uma perfeita espiritualidade cristã, onde “não há lugar para juízes e nem para a separação, mas há lugar para os advogados, as levezas e o acolhimento”, afirmou Frei Marcelo, que continuou “Essa era a doutrina de São Francisco: desapegar-se das vaidades humanas. Ele, assim como Jesus, teve uma vida de encontros (com a Santa Cruz de São Damião, com o leproso, com Santa Clara e com os primeiros frades). Um exemplo disso, foi o seu encontro com o Sultão egípcio Malik al-Kamil. Francisco não era um grande pregador, mas era um homem que buscava pela fraternidade”.   Veja também como foi o Trânsito de São Francisco aqui. Confira a Bênção dos Animais aqui. Conheça mais sobre São Francisco aqui. Leia sobre o significado de alguns momentos de sua vida na série Vocação Franciscana, clique aqui. 
  • Celebrações da Festa de S. Francisco nas Paróquias da Província
    Ontem, 04 de outubro, a Igreja celebrou o Nosso Pai Seráfico, São Francisco de Assis, o fundador da Ordem dos Frades Menores. Seu exemplo de seguimento do evangelho e na imitação de Cristo (veja aqui a sua biografia) são modelos de vida para todos os cristãos e cristãs. Seu legado perdura até hoje na Igreja e na minoridade das famílias franciscanas. Confira como foi a realização da solenidade nas igrejas franciscanas!   Brasília (DF): Santuário São Francisco de Assis (completa);   Ceilândia (DF): Paróquia São Marcos e São Lucas: Bênção aos Animais; Novena;   Cidade Ocidental: Santuário Jardim da Imaculada Missa de encerramento do novenário e Trânsito; Bênção aos Animais;   João Pessoa (PB): Paróquia Santo Antônio do Menino Deus (completa);   Juruá (AM): Paróquia Nossa Senhora de Fátima (completa)   Niquelândia (GO): Santuário São José Novena; Procissão e Louvor.   Valparaíso (GO): Paróquia São Francisco de Assis Santa Missa em ação de graças ao Seráfico Pai; Trânsito. Leia sobre o significado de alguns momentos de sua vida na série Vocação Franciscana, clique aqui.  Veja a Saudação do Ministro Provincial por ocasião da Festa de São Francisco de Assis aqui. 
  • ESPECIAL FESTA DE S. FRANCISCO: A Cruz de São Damião
    Durante os três dias que antecedem a solenidade de São Francisco de Assis, publicaremos a Série "Vocação Franciscana", um conjunto de artigos destacando o carisma da Ordem no Chamado, na Compreensão e na Vivência do Pai Seráfico. Este o segundo texto da série (confira o primeiro assunto clicando aqui). Para cada um dos temas, um religioso irá fazer uma explanação do ponto de vista religioso. Ao final do texto, confira a Importância da Cruz no Amor Fraternal dos Franciscanos pelo Frei Luís Ventura (OFMConv).    A Cruz de São Damião e Amor em São Francisco Francisco perguntou “Senhor, o que quereis que eu faça?” e Deus o respondeu “Volta a Assis e ali te será dito”. Mas essa resposta não chegou assim tão fácil. O jovem de Assis teve de viver um longo período de sabatina em que não achava mais a si mesmo nas antigas felicidades do século. Teve que passar dias se perguntando que rumo tomar e, ainda assim, não encontrou o findar de seus questionamentos. Inquieto, viajou na esperança de descobrir como servir ao Senhor e não mais ao servo. De esperança passou a experiência. Viveu a pobreza e tornou doce o que antes era amargo à sua alma e ao seu corpo. E, mesmo assim, não lhe fora respondido. Um dia, rezando na Capela de São Damião, que estava em péssimo estado devido ao abandono, aconteceu algo diferente. O Povorelo estava de joelhos aos pés do Crucificado quando uma voz lhe disse “Francisco, vai e reconstrói a minha Igreja que está em ruínas”. E, não compreendendo ainda o real significado deste chamado, ele saiu e, indo até a sua casa, tomou alguns caros pertences e os vendeu por um preço bem menor nas ruas da cidade. Pegou o dinheiro da venda e deu ao sacerdote da capela e se ofereceu para ajudar com as próprias mãos na reconstrução do local. A atitude causou a fúria de seu pai, Pedro Bernardone. Ora, não bastavam os desfalques frequentes na loja de Bernardone que ele fazia ao entregar gratuitamente mercadorias e alimentação para os necessitados, agora estava a envergonhar a sua família? Seu pai o levou para casa, bateu nele e o acorrentou pelos pés, prendendo-o num cubículo embaixo da escada. Lá, ficou por alguns dias até que sua mãe, Dona Pica, movida por grande piedade, o soltou. Liberto, Francisco voltou para a capela e passou a pedir esmolas para reconstruir a igreja enquanto se escondia de seu pai. O Povorelo tinha grande amor pela Cruz de São Damião, o Cristo que não estava machucado pelos castigos do calvário, o único sangue presente n’Ele, provinha de suas chagas. Os olhos bem abertos e a expressão amorosa deixavam bem claro que aquele momento não representava a derrota, mas sim a vitória de Jesus sobre a morte e o sinal de que Ele salvou a todos naquele momento, como dizia São Paulo, quando afirmava que Cristo cancelou “o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-o definitivamente, ao encravá-lo na Cruz” (Cl 2,14). Foi ali, aos pés daquele Cristo humanizado onde havia sido convidado por Deus a reerguer a Sua Igreja, mas o tempo d’Ele é diferente do nosso e é necessário que reflitamos muito para podermos compreender. Sem mais alternativas, Bernardone decidiu recorrer ao Bispo em julgamento contra o próprio filho. O palco da audiência foi a própria Praça Comunal de Assis, onde o seu pai, mais uma vez quis leva-lo para casa dando a opção de retornar ou renunciar à sua herança, mas o jovem respondeu “As roupas que levo pertencem também a meu pai, tenho que devolvê-las". Assim, ele começou a tirar os seus trajes. Um a um e, estando nu, disse “Até agora tu tens sido meu pai na terra, mas agora poderei dizer: ‘Pai nosso, que estais nos céus”. O Bispo, então, o acolheu, envolvendo-o com seu manto e, daquele momento em diante, Francisco se afastou de todos e dedicou-se ao serviço dos pobres e doentes, mas, principalmente, à reconstrução diversas igrejas da região.   Já se perguntava “o que mais Deus haveria de querer de mim?” enquanto terminava a restauração da última igreja daquela localidade, a Capelinha de Santa Maria dos Anjos, a Porciúncula tão cara ao Pai Seráfico. Certo dia, ouviu durante a Santa Missa o evangelho de Cristo instruindo aos apóstolos sobre o medo de serem missionários pelo mundo, “sem túnicas, sem bastão, sem sandálias, sem provisões, sem dinheiro no bolso …” (Lc 9,3). Essa palavra tocou de tal forma o jovem de Assis que, finalmente, ascendeu-se nele a luz do seu chamado, “É isso que quero! É isso que desejo de todo o coração!” e, pouco depois, passou a vivenciar a sua obra: o seguimento puro do evangelho. A hora de São Francisco no tempo de Deus finalmente havia chegado. Precisou escutar o Senhor para entender que estava sendo chamado e necessitou de vivência para compreender a sua Missão. Em seu coração não restavam mais dúvidas, mas transbordava em Amor. O Amor que Cristo ensinou aos apóstolos e que agora o preenchia. O Amor que estava presente na Cruz de São Damião e que agora ele experimentaria por si, pelos irmãos e por toda a criação. Assim, aos poucos, muitos se foram se apaixonando por sua forma de vida e decidiam-se por acompanha-lo e, a estes e estas (como Santa e Clara e suas irmãs em Amor) sempre dizia “Nossa regra de vida é viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo”.   Fonte: Canção Nova, Cruz Terra Santa e Franciscanos.  Confira a série Vocação Franciscana clicando aqui.    A Cruz de São Damião e Amor em São Francisco segundo o Frei Luís Ventura (OFMConv), confira o vídeo: 
  • ESPECIAL FESTA DE S. FRANCISCO: São Francisco Reconstruiu a Igreja
    Durante os três dias que antecedem a solenidade de São Francisco de Assis, publicaremos a Série "Vocação Franciscana", um conjunto de artigos destacando o carisma da Ordem no Chamado, na Compreensão e na Vivência do Pai Seráfico. Este o último texto da série (confira o primeiro assunto clicando aqui e o segundo aqui). Para cada um dos temas, um frade irá fazer uma explanação do ponto de vista religioso. Ao final do texto, confira São Francisco e a Fraternidade Universal pelo Frei Jorge Elias (OFMConv).    São Francisco Reconstruiu a Igreja em seu Amor Fraternal Francisco ouviu a resposta de seu chamado, não com os ouvidos do corpo, mas com os ouvidos da alma. Esperou e escutou o que Deus queria dele e compreendeu, não com a mente, mas com o seu coração, “É isso que quero! É isso que desejo de todo o coração!”. O jovem de Assis agora se comprometia profundamente com sua vocação: viver e pregar puramente o Evangelho. Peregrinou por muitos lugares para levar a Palavra de Deus e, em nenhum momento saiu a convidar seguidores para que o acompanhassem, mas o seu modo de vida começou a chamar a atenção e a fazer com que muitos, intrigados com sua decisão, se questionassem sobre suas próprias vidas. O primeiro destes seguidores foi um rico assisense, Bernardo de Quintaval. Ele não se juntou inicialmente a Francisco, mas o estudou buscando saber mais deste louco que deixou sua vida confortável para se dedicar ao Evangelho. Convidou-o para jantar em sua casa algumas vezes (a sua residência pode ser vista em Assis até hoje, como você pode conferir clicando aqui). Com sensibilidade, Bernardo percebeu não estava diante de um desajustado e questionou ao Pobrezinho “o que devo fazer para servi-lo?”. Para responder, Francisco recorreu ao evangelho como havia feito muitas vezes antes. Ao amanhecer, ambos foram à Santa Missa. No caminho, se juntou a eles Pedro de Catânia, doutor em Direito e novo irmão. Abriram a Bíblia três vezes e encontraram as respostas: “Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres. Depois vem e segue-me” (Mt 19,21). “Não leveis nada pelo caminho, nem bastão, nem alforge, nem uma segunda túnica…” (Lc 9,3). “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me” (Mt 16,24). Então, decidiu São Francisco, “Isto é o que devemos fazer e é o que farão todos quantos quiserem vir conosco”. E, assim, estava dado o passo inicial de sua Missão quando, em 24 de fevereiro de 1208, fundou a Fraternidade dos Irmãos Menores. Bernardo vendeu todos os seus bens e partiu com Povorelo. Esse exemplo frutificou entre muitos que se juntaram a eles. Em 1209, aquele grupo de irmãos mendicantes foram à Roma para aprovar o seu modo e, com a ajuda do Bispo de Assis, foram recebidos pelo Papa. E assim, Inocêncio III, maravilhado com aquele propósito, não só aprovou o modo de vida, como reconheceu em Francisco o homem que a pouco tinha visto em um sonho segurando as colunas da Igreja de Latrão.     O movimento franciscano foi crescendo e tendo a admiração de muitos. Uma das ações transformadoras de São Francisco que atraiu a muitos foi a sua compreensão do amor fraternal. Tocado pelo Evangelho e pela mensagem de Cristo, ele ensinou a todos sobre este Amor. O Amor igual entre todos e que é realçado na minoridade franciscana, “Os meus irmãos chamam-se Menores exatamente para que não aspirem ser maiores. A sua vocação é ficarem rentes ao chão e seguirem os passos da humildade de Cristo” (2Cel 148 ). O amor a todos em igualdade e simplicidade, não somente aos irmãos e irmãs humanos, mas à todas as criaturas. São Francisco enxergava em toda a criação a presença do Senhor. Todos eram frutos da graça de Deus: dos pássaros inofensivos aos ferozes lobos; das belas árvores frutíferas à voracidade do fogo (como pode ser visto no Cântico do Irmão Sol, clique aqui). Deus estava em todos os lugares e em tudo abundava a Sua graça. Todos eram seus irmãos e irmãs, até a morte; ou melhor, a Irmã Morte. Foi assim que São Francisco reconstruir a Igreja de Deus, não fisicamente, mas com Amor. Seu Amor igualitário e minoritário na Fraternidade Universal de toda a criação do Senhor.    Fontes:  Canção Nova, Cruz Terra Santa, Franciscanos e Franciscanos RS.  Confira a série Vocação Franciscana clicando aqui.    São Francisco e a Fraternidade Universal pelo Frei Jorge Elias (OFMConv), confira o vídeo! 
  • Filipinas: Trânsito Inter-Franciscano
    Na véspera da Festa do Seráfico Pai, em 03 de outubro, os Ministros das ordens franciscanas das Filipinas, organizados pelo Frei Francisco Victor Mateo (OFMConv), realizaram o Trânsito Inter-Franciscano de São Francisco de Assis, que aconteceu na Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes, na cidadade de Tagaytay.   O Frei Jeremias Argueles (OFMConv) presidiu o ritual de três partes, que consistiu em breves momentos de meditação sobre a vida e a obra do Pai da Ordem. Posteriormente, aconteceu uma apresentação realizada pelos postulantes e noviços conventuais que retratou os momentos da passagem (trânsito) do Pobrezinho de Assis para a vida eterna. Ao término da apresentação, cerca de 500 religiosos e religiosas franciscanas e membros da Ordem Franciscana Secular (OFS) renovaram o seu compromisso franciscano. Dom Reynaldo Gonda, Bispo Evangelista de Imus nas Filipinas e membro da OFS, presidiu a Santa Missa celebrada em seguida. O bispo falou do discernimento que o fez abraçar a espiritualidade franciscana e como ela encoraja a todos a viverem com simplicidade e se relacionarem alegremente com os seus irmãos e irmãs, servindo com amor aqueles e aquelas que são pobres e negligenciadas. Entre os co-celebrantes, estiveram os Ministros Provinciais e Custódios das três famílias da Primeira Ordem: Frei Cielo Almazan (OFM), Frei Eugenio Lopez (OFMCap), Frei Francisco Victor Mateo (OFMConv) e muitos outros religiosos e religiosas e membros da OFS que participaram.   Traduzido e adaptado de: OFMConv.net. Autores originais: Gabinete de Comunicação dos Franciscanos Conventuais das Filipinas.
  • Foi celebrado ontem (03) o trânsito de São Francisco de Assis na Cripta do Santuário dedicado ao Pai Seráfico
    Foi celebrado ontem (03), por volta das 19h, na Cripta do Santuário São Francisco de Assis, em Brasília (DF), o Trânsito de Nosso Pai Seráfico. A celebração foi um momento de muita reflexão sobre a passagem do fundador da Ordem para os braços da Irmã Morte. Os fiéis e as fiéis acompanharam emocionados o rito que foi realizado pelos frades da Casa de Formação São Francisco de Assis. Todos e todas seguiram em procissão ao Santuário, onde a celebração seria encerrada. Em seguida, ainda no Santuário, o Frei Luís Felipe Marques (OFMConv), presidiu a celebração da Santa Missa. Em sua homilia, Frei Luís relembrou a morte de Francisco, “Não foi um momento triste porque ele o fez em perfeita Santidade”. Co-presidiram a Eucaristia os freis Bernardo Vitório (OFMConv), Rafael Normando (OFMConv) e Rogério Filho (OFMConv). Continuando a homilia, o Frei Luís também explanou sobre o legado do Seráfico Pai, “Mesmo que tenha morrido há mais de 800 anos, Francisco era jovem. Mais jovem até do que nós que, mesmo vivendo atualmente, há muito tempo já caducamos o evangelho”, elucidou o religioso destacando o caminho da santidade franciscana, “É preciso sair do mundo para abraçar o Evangelho”. Finalizando a sua reflexão, o frade explicitou a complexidade espiritual de Francisco, “Não foi um homem original porque a sua originalidade veio da Palavra. Não foi um homem extraordinário porque viveu do ordinário”.   O Trânsito de São Francisco faz memória à tarde da mesma data do ano de 1226, quando a febre aumentou e reduziram-se as forças do Pobrezinho que, ao ver que a chama enfraquecia dentro de si, pediu aos primeiros frades que cantassem o salmo 141, que fala do desejo de deixar as aflições e ir para junto de Deus. Francisco, havia ido de encontro ao Pai. Os irmãos foram, aos poucos cessando o canto, até pararem totalmente. Entre lágrimas, recitaram o Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo como a conclusão do Salmo. O silêncio pairou sobre a cabana. Até o som do lado de fora deu uma pausa. A natureza havia emudecido. Saiba mais sobre o Trânsito aqui.   Conheça a biografia do Santo clicando aqui. Compreenda o significado de alguns pontos da vida de São Francisco na Série Vocação Franciscana. Confira aqui.
  • Já estão programados em Juruá, o Novenário e a Solenidade de São Francisco
    De 25 de setembro a 04 de outubro, será celebrado na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Juruá (AM), o Novenário e a Solenidade de São Francisco de Assis. A celebração terá como tema “Como São Francisco queremos viver nossa missão de batizados”. A novena será iniciada na terça-feira, 25, a partir das 18h com uma passeata partindo da Comunidade de São Francisco. As Santas Missas serão celebradas às 19h (com exceção do domingo, 30, que acontece a partir das 19h30) e, logo após, terá o Arraial que acontecerá todos os dias, com barraquinhas de comidas típicas e brincadeiras. No dia 03 de outubro, será dado o início ao trânsito de São Francisco. E no dia seguinte, o último da solenidade, será realizada a Bênção dos Animais às 09h, em que os fiéis e as fiéis poderão levar seus bichinhos de estimação para serem abençoados. Às 10h, será celebrada a Santa Missa na Comunidade São Francisco, acompanhada da realização de batismos. Mais tarde, às 18h, acontecerá a procissão que tem como ponto de partida a Igreja Matriz, com a celebração da Eucaristia em seguida. A solenidade será encerrada com o Arraial.   Ajude a Missão:  Fundo Missionário ou Missão Kolbe Banco do Brasil Agência: 0452-9 Conta Corrente: 35820-7 CNPJ: 02501906/0001-15   Leia mais sobre a Missão Amazônia aqui. 
  • Missão Amazônia: confira a celebração ao Seráfico Pai São Francisco na cidade de Juruá
    As celebrações ao Seráfico Pai São Francisco na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Juruá (AM), foram iniciadas ainda no dia 25 de setembro com o Novenário. Os fiéis das comunidades juruaenses tem grande devoção por Francisco e, desta forma, são bem participativos nas diversas atividades realizadas neste período de solenidade. As novenas eram celebradas após as Santas Missas todos os dias e, como é costume nas festas dos padroeiros, foram realizados também os arraiais com barraquinhas e comidas típicas. No dia 03, foi celebrado o trânsito de São Francisco, ocasião para relembrar a minoridade vivenciada pelo Pobrezinho de Assis até em seus últimos momentos de vida. Os membros da Juventude da Milícia da Imaculada (JMI) da comunidade ficaram responsáveis pelo rito. No encerramento, realizado no dia do Seráfico Pai (04), os fiéis e as fiéis da comunidade se reuniram em procissão em que, além da imagem de Francisco, tem-se o hábito de levar junto a imagem de Santa Clara, sua companheira no seguimento do evangelho. Logo após, fora celebrada a Santa Missa e aconteceu o último dia do arraial.   Franciscanismo em Cumaru Nas comunidades de Juruá, os fiéis e as fiéis têm grande devoção por São Francisco de Assis, mas uma em especial, Cumaru, tem um amor maior ao Pobrezinho. Este fato deve-se aos migrantes que vieram durante o Ciclo Da Borracha, “provenientes das regiões próximas à Canindé (CE), onde fica o Santuário São Francisco das Chagas (veja algumas fotos aqui), consigo eles e elas trouxeram essa devoção a Francisco”, explica o Frei Flávio Amorim (OFMConv), pároco de Nossa Senhora de Fátima. Para iniciar a solenidade na comunidade, o frade a visitou ainda no dia 22 de setembro. Na ocasião, houve o levantamento do mastro e os fiéis celebraram em cantos e orações. Novamente na em Cumaru, o Frei Amorim retornou no dia 06 deste mês para o encerramento. Como o costume na Festa do Padroeiro, foram realizados batizados e a celebração da Santa Missa.   Confira as festas de São Francisco em outras Paróquias Franciscanas clicando aqui. Saiba mais sobre o Seráfico Pai aqui.  Entenda pontos fundamentais do carisma franciscano na série Vocação Franciscana clicando aqui. 
  • Novena e Solenidade de São Francisco na Paróquia Santo Antônio do Menino Deus
    A comunidade da Paróquia Santo Antônio do Menino Deus, que fica no bairro Jardim Cidade Universitária, em João Pessoa (PB), já está com a programação da Novena e da Solenidade de São Francisco toda planejada. As celebrações serão realizadas entre os dias 25 de setembro e 04 de outubro e tem como um de seus objetivos, apresentar a pessoa de São Francisco de Assis e o seu carisma, já que esta é a primeira vez em que os fiéis desta paróquia, que antes estava sob a administração da diocese, participam das solenidades franciscanas. Por esta razão, a comunidade está muito envolvida e feliz com a preparação.   A novena, que será iniciada no dia 25 deste mês, será celebrada sempre às 19h30. Em 03 de outubro, as Santas Missas serão celebradas às 07h e às 19h30, posteriormente à realização do Trânsito de São Francisco (que também será feita pela primeira vez na Paróquia). Atualmente, uma equipe de pedreiros está trabalhando na reforma do presbítero da igreja para que tudo esteja pronto até a novena. No último dia, 04 de outubro, a comunidade paroquial poderá levar os bichinhos de estimação para a Bênção dos Animais às 9h. A Eucaristia das 19h30 será presidida pelo Vigário Geral da Arquidiocese da Paraíba, Luís Junior. Na ocasião, serão realizadas também a instituição de novos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão.    Leia mais sobre a Paróquia Santo Antônio do Menino Deus clicando aqui.  
  • Paróquia Santo Antônio do Menino Deus celebrou a festa de S. Francisco pela primeira vez
    Na Paróquia Santo Antônio do Menino Deus, em João Pessoa (PB), as celebrações em Ação de Graças ao Seráfico Pai foram iniciadas em 25 de Setembro com a Novena de São Francisco de Assis e tiveram como como um de seus objetivos, apresentar a pessoa de Assis e o seu carisma, já que esta é a primeira vez em que os fiéis desta paróquia, que antes estava sob a administração da diocese, participaram das solenidades franciscanas. Assim, toda a comunidade se dedicou bastante para atuar na realização. Na quarta-feira (03), por volta das 19h30, fora celebrada a Santa Missa e, posteriormente, fora realizado o Trânsito de São Francisco de Assis. Um momento de muita emoção que trouxe à reflexão daqueles e daquelas que estavam presentes, a partida deste mundo daquele que morreu em perfeita santidade. Neste dia, todos tiveram a alegre surpresa de receber o Arcebispo da Paraíba, Dom Frei Manoel Delson, que foi vestido com seu hábito franciscano para participar das celebrações.  Ontem (04), a partir das 09h, durante a Solenidade de São Francisco, foram recebidos na Paróquia os animais de estimação da comunidade para a bênção aos animais pela graça do Seráfico Pai. À tarde, os frades do Convento Nossa Senhora Aparecida partilharem um almoço para confraternizar a vida e obra do Pobrezinho de Assis.  À noite, em virtude de data tão importante ao movimento franciscano, foi finalizado o novo presbitério e instalado, o também novo, sistema de som da igreja. Às 19h30, foi celebrada a Santa Missa pelo Vigário Geral da Arquidiocese da Paraíba, Padre Luís Junior. Foram realizados ainda na Missa, a instituição de 18 novos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão.   Conheça mais sobre São Francisco aqui.  Leia sobre o significado de alguns momentos de sua vida na série Vocação Franciscana, clique aqui.  Veja a Saudação do Ministro Provincial por ocasião da Festa de São Francisco de Assis aqui. 
  • Saudação do Ministro Provincial por ocasião da Festa de São Francisco de Assis
    Hoje, 04 de outubro, a Igreja celebra o Nosso Pai Seráfico, São Francisco de Assis, o fundador da Ordem dos Frades Menores. Seu exemplo de seguimento do evangelho e na imitação de Cristo (confira aqui a sua biografia) são modelos de vida para todos os cristãos e cristãs. Seu legado perdura até hoje na Igreja e na minoridade das famílias franciscanas. Confira a saudação do Ministro Provincial, Frei Marcelo Veronez (OFMConv), por ocasião da Festa do Nosso Pai Seráfico. Faça o download do PDF da carta aqui.    Saudação do Ministro Provincial por ocasião da Festa do Seráfico Pai São Francisco 2018   “in plano subsistere” “Quando perceberdes que cheguei ao fim, do jeito que me vistes despido antes de ontem, assim me colocai no chão, e lá me deixai ficar mesmo depois de morto, pelo tempo que alguém levaria para caminhar uma milha, devagar”. (II Cel. 217, 10)   O Senhor vos dê a Paz! Com essa saudação franciscana quero vos saudar com profunda alegria e dedicação por ocasião da Solenidade do Seráfico Pai São Francisco, para nossa família provincial é tempo de proclamar a linda antífona composta por Frei Jacopone de Todi que diz: “Salve Sancte Pater, Patriae lux, Forma minorum: Virtutis speculum, recti via, Regula morum; Carnis ab exilio, Duc nos ad regna polorum.” As virtudes elencadas na antífona acima, descrevem um homem que no chão da existência, “in plano subsistere”, dedica-se a ser um sinal de humildade, minoridade, e por fim, de fé. Ele deixou uma obra prima que não se perde: Uma espiritualidade rica em gestos e perfeita no seguimento de Jesus Cristo. Sua espiritualidade envolve todas as criaturas. A amplitude de sua espiritualidade se dá, porque ele centrou-se em Jesus Cristo. É a partir do Filho de Deus, que ele faz seu caminho espiritual, o caminho do Espírito. Por detrás da palavra Espírito, subsiste no chão da vida, uma experiência originária que permite a vitalidade de todas as manifestações humanas. Espiritualidade, neste sentido, significa viver o sabor da dinâmica da vida, sua defesa e sua promoção; vivê-la com ternura. Bem diz a Escritura: “escolha a vida e viverás” (Dt 30,19). A espiritualidade franciscana evoca para a acolhida e para a sensibilidade. A espiritualidade franciscana devota uma vida encarnada, não é algo pronto, que cai do céu, produto de uma mágica,  é sempre uma tarefa, um desafio, que perdura a vida inteira. Ela precisa ser aprendida e vivenciada, como atesta o próprio Francisco na primeira Regra que escreveu para os frades: “Irmãos, guardemo-nos todos muito bem para que sob a aparência de algum merecimento, obra ou vantagem, não corrompamos nossa mente e coração e não nos afastemos do Senhor. Mas, na santa caridade, que é Deus, rogo a todos os Irmãos, aos Ministros e aos demais que, removido todo o impedimento e deixados para trás todo o cuidado e solicitude, façam do melhor modo possível para servir, amar, honrar e adorar o Senhor Deus com o coração limpo e a mente pura. Pois é isso que ele procura acima de todas as coisas” (RnB 22, 25-26). Francisco percebeu que a espiritualidade é uma conquista, que parte do aspecto humano, do chão existencial até o silêncio.  Para tal, a espiritualidade franciscana requer um engajamento total da pessoa na real situação em que vive. Esse engajamento cria maior disponibilidade ao Mistério de Deus. Frei Tomás de Celano relata a partir de um horizonte que nos nivela ao plano do vivencial que: “Prometemos grandes coisas, maiores são as que nos foram prometidas. Observemos as primeiras e suspiremos pelas outras. O prazer é breve, o castigo perpétuo, o sofrimento é pequeno, a glória não tem fim. Muitos são os chamados, poucos os escolhidos, todos terão sua retribuição” (2Cel 191, 9). Recordar essa dimensão da espiritualidade de S. Francisco, em sua solenidade, implica dizer a cada um de nós que “in plano subsistere” ou mesmo, que estamos prostrados no chão da realidade, mesmo assim somos animados e convocados pela ação do Espírito, a deixar, antes de tudo, que o tempo da existência faça subsistir, ou mesmo, viver o amor que nos é permitido vivê-lo agora, sem exigências maiores.  É simples: viver o que se pode viver por já subsistir no amor. Isso nos recorda, de certo modo, a experiência da Cruz para S. Francisco. Viver e tomá-la no seguimento de Jesus é subsistir com ele na dor da espera, do silencio e da oração. Portanto, a espiritualidade que Francisco nos propõe considera a cruz sob um outro olhar. Se comumente a cruz é tida como algo insuportável e inatingível, Francisco a considera caminho que leva ao encontro de Deus que se doou absolutamente e gratuitamente. Ele encontra na cruz o significado de entrega e de assumir um bem maior, há nessa condição de humilhação, de solidão e de angustia uma proposta mais clara, isto é, caminho de minoridade e espera em Deus. O que torna a experiência da cruz singular para Francisco é encontrar o amor do próprio Deus e colocar-se à disposição. Ele alega que imitar Jesus Cristo é seu maior desejo: “é isso que eu quero, isso que procuro, é isso que eu desejo fazer com todas as fibras do coração” (1Cel 22). Francisco a entende não como masoquismo, mas como a revelação de um mistério e a exposição originária de uma vida plenamente assumida na clareza de atitudes e na eficácia da inocência: está ali, sem nenhuma defesa, sem nenhuma pretensão além de mostrar a liberdade como doação. É assim que os biógrafos revelam a persistência de Francisco em imitar Jesus em constantes pedidos de sofrer o que Jesus Cristo sofreu. Nas Considerações sobre os Estigmas encontramos um insistente pedido de Francisco que diz: “Óh, Senhor, meu Jesus Cristo, duas graças te peço que me faças antes que eu morra: a primeira é que em vida eu sinta na alma e no corpo, quanto for possível, aquela dor que tu, doce Jesus, suportaste na hora da tua Paixão; a segunda é que eu sinta no meu coração, quanto for possível, aquele excessivo amor do qual tu, Filho de Deus, estavas inflamado para de boa vontade suportar tal Paixão por nós pecadores” (CSE 3, 38). Por fim, celebrando a recordação de nosso Pai Seráfico, vos convido, de especial e singular modo, a subsistir na fé, na dinâmica da Cruz como doação, serviço e humildade. Um termo moderno que nos permite compreender melhor o que teria sido para Francisco “viver na terra”, seria “resignação” que, não significa, de modo algum, aceitação, ou mesmo submissão, mas sim compreensão dos acontecimentos e da cruz que livremente abraçamos, que livremente e publicamente queremos considerar durante nossa vida. Resignar-se é um ato de espiritualidade, que assume a dor de um tempo, para fortalecer a mudança e a conversão de amanhã.   A todos os frades, noviços e postulantes meu sincero desejo e votos de uma serena e bela festa do Seráfico Pai São Francisco.   Frei Marcelo Veronez Ministro Provincial   Publicamos também alguns artigos na série “Vocação Franciscana”, em que falamos sobre os muitos significados da vida de Francisco nos seguintes momentos: O Chamado e a Escuta, a Cruz de São Damião e a Reconstrução da Igreja. Acesse a série aqui.