Vida Consagrada

  • De 03 a 06 de maio de 2018, acontece em Roma um congresso internacional sobre a consagração e a vida consagrada
    Será realizado em Roma, de 03 a 06 de maio, um Congresso internacional sobre o tema da consagração (Consecratio et consecratio per evangelica consilia). O evento na Pontifícia Universidade Antonianum é organizado pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de vida apostólica. No congresso, serão debatidos os vários significados atribuídos às expressões “consagração” e “vida consagrada”, partindo de uma atenta e crítica leitura da realidade presente na Igreja. O evento tem como objetivo envolver os membros das diferentes formas de vida consagrada, das associações de leigos e dos movimentos na reflexão sobre questões identificadas anteriormente no decorrer de um Seminário sobre a mesma temática, com a participação de teólogos, canonistas e outros especialistas. O encontro será articulado em debates, conferências e trabalhos específicos para as diferentes realidades (Ordo virginum, Institutos religiosos, Sociedades de vida apostólica, Institutos seculares, Novos institutos e novas formas, Associações e Movimentos).   (Via Vatican News)
  • O Voto de Pobreza na Vida Consagrada Franciscana
      “Bem-aventurados são os pobres de espírito porque deles é o Reino dos céus” (Mt 5,3) A pobreza dos consagrados não consiste na privação de alguma coisa e muito menos se identifica com o desprezo de qualquer bem ou criatura. É uma pobreza evangélica cujo sentido último é por causa do Reino dos céus. Pobreza por causa do Reino é compreender de antemão que sua raiz e sua força originária está no Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. A partir daí, temos a missão de sermos pobres não diante de nossos próprios conceitos e parâmetros, mais diante da pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo.     O que é ser pobre segundo o Evangelho de Jesus Cristo?   Todo discípulo é chamado por Jesus a segui-lo mais de perto e estar ao seu lado. Deste chamado e deste seguimento é que surge o desejo e o convite a renunciar todas as coisas pelo Reino de Deus. Isto é, um ‘sim’ dado a Deus nos leva a um ‘não’ às coisas que não são mais necessárias para o discipulado.   Este ‘sim’ dado a Deus leva o consagrado a perceber que uma só coisa lhe é necessária: estar ao lado de Jesus. E ser pobre na vida consagrada é consequência de um encantamento pelo chamado do Senhor. Neste ínterim, ser pobre é proclamar com a própria vida que Deus é o nosso único Senhor e sem o qual nada seríamos. De Deus tudo provém e por Ele fomos criados.       Mas, em que consiste a pobreza de Cristo? E o que é ser pobre como Ele é pobre?   Cristo é todo voltado para o Pai. Sua vontade é a vontade do Pai, de tal modo que, esvazia-se de si mesmo para assumir em sua vida seu plano de amor. Pois, só sendo pobres que somos capazes de sermos livres e de nos doarmos uns aos outros sem reservas, sem preconceitos e sem ‘segundas intenções’. A pobreza de Cristo nos ensina a assumirmos nossa finitude e a reconhecermos que ser divino é ser humano.   No entanto, o que significa assumir nossa finitude? É todo dia ter que levantar, trabalhar, estudar, passear, enfrentar as dificuldades, os problemas e as dores de cada dia com a mesma coragem e confiança de Jesus Cristo na cruz. Isto é, a confiança de Jesus no Pai. O tesouro e a herança de nosso Senhor Jesus Cristo é cumprir a vontade do Pai.     Da pobreza de espírito “São muitos os que insistem nas orações e nos ofícios e fazem muitas abstinências e aflições em seus corpos. Mas, por causa de uma só palavra que lhes pareça injuriar seus corpos ou por causa de alguma coisa que se lhes tire, ‘escandalizados’, imediatamente se perturbam. Estes não são pobres de espírito. Porque, quem é verdadeiramente pobre de espírito odeia a si mesmo e ama os que lhe ‘batem’ no ‘queixo'” (Adm 14).       Fonte: Custódia Provincial Imaculada Conceição do Brasil.
  • Rodríguez Carballo, Arcebispo espanhol, fala sobre a Vida Consagrada e o que esperar das vocações
    O Arcebispo espanhol José Rodriguez Carballo, Secretário do Dicastério da Vida Consagrada, em entrevista ao portal Religión Digital, ele disse que não se assusta com o fechamento dos conventos e com o declínio das vocações. "Há mais razões para esperar do que para se desesperar na vida consagrada espanhola", diz o prelado, convidando ao chamamento dos jovens de forma a provocá-los em um caminho de vida consagrada voltado para Deus e os pobres. Confira a entrevista:   Como despertar as vocações religiosas hoje? Com alegria. Você não pode transmitir paixão por seguir a Jesus sem vivê-lo. É por isso que o ministério vocacional não cresce mais. Primeiro de tudo ele nos enterrou, os consagrados. Como um homem vive a vocação? Como Deus pede a esperança? Que idéia de vida consagrada estou transmitindo, não tanto com minhas palavras, mas com minhas ações? Hoje, assim como ontem, a única pastoral que convence é o exemplo. Temos que provocar jovens de tal maneira que eles possam dizer, “eu quero ser como ele”. O que aconteceu com tantos de nós, que temos em nossos corações e em nossas mentes o sacerdócio, por ser como os outros que serviram como exemplo? Mais tarde, outras coisas aparecem, mas essa preocupação é importante por se tornar em "como fazê-lo". Portanto, temos que provocar jovens com o nosso caminho de vida consagrada.   Sua conferência na Semana da Vida Religiosa foi um sinal de esperança, mesmo para a vida religiosa espanhola. Não pode ser outra coisa. Eu sei um pouco sobre a vida consagrada e acho que há mais razões para esperar do que para se desesperar. É verdade que os números caíram e continuarão a cair, mas isso é normal em um lugar como a Espanha, onde a taxa de natalidade está caindo rapidamente. É normal em uma sociedade onde os valores estão longe de serem os valores do Evangelho. Portanto, não precisamos ter medo disso. Embora o que gostaríamos é que Deus, além de nos dar boas e numerosas vocações. Continuamos orando por isso e propondo isso.   Como a religiosidade em si, na Espanha, pelo menos/ou no Ocidente. Eu diria em todo o mundo. Aviso: a crise vocacional é global. O que acontece é que, em alguns países, tem conotações mais visíveis do que em outros. Mas é global e nos engana um pouco acreditar que em outro lugar existe o futuro da vida consagrada.   Aqui, na Espanha, acabamos de vir de um tempo de abundância, de um império de vida consagrada, e isso é mais evidente. Claro. Eu penso, por exemplo, nos observantes. Eu sei que há notícias sobre o fechamento de mosteiros. Mas isso é normal. Na Espanha, houve uma superpopulação de observantes que já não responde à realidade do país. Existiam cidades onde, da mesma ordem ou da mesma congregação, há mosteiros diferentes, tão próximos uns dos outros, que você quase pode apertar as mãos pelas janelas. Isso é impensável hoje. Repito: tendo em conta a taxa de natalidade, a crise de valores que estamos vivendo, isso não pode nos levar a cruzar os braços; devemos reagir criando uma cultura vocacional. E isso corresponde a todos. Começando pelos pais, porque a cultura vocacional é muito mais ampla que o proselitismo vocacional.   Francisco dá o tom nesse sentido, por ser agente da pastoral vocacional, tanto pelo seu modo de ser como por sua maneira de se comunicar. Ele é um grande provocador. Ele nos provoca e aqueles de nós que têm a graça de poder vê-lo e ouvi-lo sentem essa provocação. Com sua vida, ele nos mostra como é importante colocar Jesus no centro: retornar ao Evangelho não como ideologia, mas como modo de vida. O Papa é um grande animador vocacional, e não apenas para os jovens e as jovens que podem se aproximar da vida consagrada, mas também para aqueles e aquelas que estão nessa missão há anos.   Alguma chave para a exortação apostólica do Papa, "Gaudete et exsultate" (alegrai-vos e exultai-vos)? Usar uma linguagem muito comunicativa, que busque as bem-aventuranças e o chamado à santidade. É algo muito importante, porque parece que, ultimamente, o assunto da santidade quase nos deixa apavorados ao abordá-lo, porque é tão sagrado... É melhor não falar sobre. Entretanto: estamos aqui para sermos santos. A exortação apostólica do Santo Padre deixa muito claro isso em vários capítulos.   E santos todos nós podemos ser? Claro. Nós não podemos, devemos: estamos aqui para sermos santos. Viver o Evangelho e viver, acima de tudo, as bem-aventuranças, que são a chave para a santidade. É por isso que, na exortação apostólica, estes temas ocupam um lugar tão importante.   Você tem expectativas para o próximo Sínodo? Muitas. Eu vejo a preparação e é bastante particular, porque o assunto é particular. É verdade que o Sínodo é de bispos e vai falar sobre jovens, mas a metodologia que está sendo seguida envolve os próprios jovens. Recentemente, como mencionei na apresentação, foi realizada uma reunião pré-sinodal, que reuniu mais de trezentos jovens de todos os continentes. E não apenas jovens praticantes e cristãos, mas jovens que não foram batizados, porque também precisamos ouvi-los.   Ouvir até o ateu? Sim   Fiquei impressionado com a parte "ateus praticantes escondidos sob as batinas", mencionada em sua palestra. Pode comentar sobre? Eu disse "hábitos"... Mas sim, pode haver pessoas assim. E nisso temos que estar muito atentos, porque nem todo comportamento responde necessariamente a atitudes e sentimentos profundos. Eu posso estar na capela horas e horas, isso é muito bom. Mas você tem que se perguntar o que eu estou fazendo na capela, porque, talvez, minha mente e meu coração estejam muito longe disso. Este poderia ser um exemplo de um ateu praticante. De um coração que está longe do Senhor, mas que vive a vida normal de um frade, uma freira ou uma pessoa consagrada. Pode ser também um padre ou um cristão e uma cristã.   Você ainda vai para Lodosedo, sua cidade em Ourense? Sim, claro. Eu acredito muito nas raízes. E o Papa em uma de suas recentes mensagens nos lembrou que o que assusta jovens sem raízes, porque o jovem que não tem raízes é como uma árvore que tem poucas raízes ou tem raízes doentes: pode florescer, mas antes da primeira geada tudo isso morre. As raízes humanas e culturais são importantes. Todo mundo orgulhoso de sua cultura, mas cuidado. Embora seja normal para todos nós pensar que a nossa cultura é boa e até a melhor, é ignorante pensar que a minha cultura é a única. Então: enraizado sim, mas aberto também.    (Via: Religión Digital).
  • Vida Religiosa: coragem de renascer
    Vivemos um tempo de escolhas difíceis: optar  por mudanças em suas mais diferentes formas, mudança quantitativa ou mudança profunda e radical; procurar uma nova “arquitetura” para as comunidades, melhorando sua organização e sua gestão; redimensionando ou simplificando a vida; iniciar processos novos de formação e de autoformação juntamente com o empenho da conversão pessoal e comunitária;  optar por uma refundação do carisma na ótica de uma mais eficaz e radical inculturação. Não é nada fácil ter que enfrentar mudanças, o que já se tornou praticamente condição estrutural de nosso tempo. Mais complexo ainda é colocar em ação dinamismos e processos de mudança que conectem tradição e inovação, a fidelidade ao carisma e as novas instâncias culturais derivadas da contemporaneidade. Estamos diante de desafios. Todos eles devem ocupar atenção em nossos espaços de formação permanente, como também na preparação e realização dos capítulos. No clima de renovação da vida religiosa encetado e favorecido pelo Concílio, os diferentes institutos promoveram processos inovadores no sentido de recuperar sua “significação” e entrar em diálogo com a modernidade. Via de regra que se fez sob pressão das transformações sociais, com a urgência de se dar resposta às instâncias emergentes dos diversos contextos socioculturais. Um antigo ditado reza: “A necessidade é a mãe das invenções”. Em função das transformações, necessário se dar uma resposta às novas necessidades. Nem sempre, no entanto, esta lógica funciona. No momento que vivemos não basta apenas uma adaptação, sobretudo quando se verifica uma desmotivação no que tange o próprio carisma. Que fazer? Como caminhar rumo a um futuro ainda encoberto de nuvens escuras? Pode-se ter a impressão que estamos mais nos dirigindo para uma densa noite do que para uma aurora radiosa? A vida religiosa em nossos dias parece estar vivendo momentos de cansaço e de fadiga de tal forma que fica difícil caminhar com esperança e alegria. Tem-se a impressão, por vezes, que se trata de um agarrar-se com ansiedade e medo a algo que parece ter perdido o significado mais profundo. Tais interrogações assaltam a uns e outros, a jovens e a adultos, formandos e formadores. Quem dera que esses questionamentos pudessem ser partilhados em nossas reuniões comunitárias. Vivemos de aperto no coração, por tempos marcados por incertezas, mas também apaixonantes para os institutos e congregações religiosas. À dificuldade de realizar processos de evangelização e de educação que se tornam cada vez mais lentos e complexos, acrescente-se a percepção de um futuro bastante incerto. Os membros dos institutos diminuem, por vezes, drasticamente; as vocações são numericamente escassas, inclusive inexistentes; as reestruturações e os redimensionamentos operam cortes de trabalhos tirando do religioso o dinamismo missionário e apostólico.  De outro lado momentos apaixonantes também porque se tornam ocasião para que nasçam novos brotos e nova floração na linha da criatividade da vida religiosa e para dar novamente força e dignidade a essa opção de vida que quer ser “profecia para a humanidade”, no dizer João Paulo II, na Exortação Vita Consecrata. A fidelidade está continuamente sendo posta à prova pelos abandonos que não dão sinais de diminuir, egressos também de consagrados mais adultos.  Parece que faltam pontos de referência mais significativos, não somente nos que governam, mas também naqueles dos quais se poderia esperar uma sábia orientação espiritual. Vemos que aumentam solidões, inconsistências pessoais, desadaptações, menos alegria, menos paixão e coragem de arriscar. E, no entanto, ontem como hoje, o mundo tem necessidade de testemunhos autênticos, de santos que, na criativa diversidade de suas personalidades e de seus caminhos, professem com sua existência o amor e a vida em todas as suas expressões e sabem comunicá-los a todos, especialmente aos que perderam o sentido  de viver. Cabe aqui lembrar palavras do Papa dirigidas aos superiores maiores: “Sede testemunhas de um modo diferente de fazer, de atuar, de viver! É possível viver de maneira diferente daquela que o mundo vive.  Estamos falando de um olhar escatológico, dos valores do Reino encarnados aqui, nesta terra. Trata-se de deixar tudo para seguir o Senhor (…). A radicalidade evangélica não é propriedade exclusiva dos religiosos: a todos é pedida. Os religiosos, no entanto, seguem o Senhor de maneira especial, de modo profético.  Espero de vós este testemunho. Os religiosos devem ser homens e mulheres capazes de despertar o mundo”.   Leia o artigo completo em: Franciscanos. Autor: Frei Almir Guimarães (OFMCap).