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Festa e Romaria de Nossa Senhora das Cadeias pode se tornar patrimônio imaterial do estado da Bahia

Festa e Romaria de Nossa Senhora das Cadeias pode se tornar patrimônio imaterial do estado da Bahia

Aconteceu na ultima terça (13) na sede da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, em Salvador (BA), uma reunião para tratar a inserção dos festejos de Nossa Senhora das Candeias como Patrimônio Imaterial do estado. Esta é uma reivindicação antiga da comunidade candeiense em valorização à história e cultura da festa que arrasta multidões próximas à gruta milagrosa.

 

Frei Jorge durante a reunião para debater a viabilidade do projeto.

 

A cidade de Candeias, durante todo o ano, recebe cerca de 100 mil romeiros e romeiras vindos das mais diversas regiões do país e, por isso, a história da cidade é intrínseca com o Santuário. Desta forma, para dar continuidade às ações de inclusões dos festejos de candeienses no roteiro nacional, o Frei Jorge Luiz atuou na abertura do processo de patrimonialidade em 2017.  Com o processo aberto, o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) precisa realizar algumas avaliações na cidade para avaliar se os festejos atendem aos requisitos necessários para a inclusão.

 

Histórico

Em Candeias, anualmente acontecem os festejos de Nossa Senhora das Candeias de 24 de janeiro a 03 de fevereiro. Reunindo diariamente cerca de 12 mil fiéis vindos de todo o estado, fazendo o festejo ser considerado a maior festa de devoção mariana a céu aberto do Brasil. Dizem que, por volta de 1640, um milagre aconteceu em um córrego que cortava o Engenho Pitanga. O córrego transformou-se em fonte dos milagres e recebeu o nome de Candeias, que simboliza luz. Nas terras do Engenho Pitanga, que eram de propriedade dos Jesuítas, foi construído uma capela e um engenho, mas que acabaram sendo destruídos pelos Holandeses em 1641.

Em 1760, os Jesuítas foram expulsos do Brasil, e suas foram terras leiloadas e arrematadas pelo Coronel Jerônimo Queiroz. Nessas terras, nasceu o lugarejo próximo ao rio São Paulo, que passou a chamar-se Nossa Senhora das Candeias, nome pertencente à padroeira da pequena capela existente no local. Com a vitalidade da lavoura açucareira, aumentava o número de engenhos e de lugarejos nessas proximidades. A introdução da máquina a vapor possibilitou o aparecimento das usinas, o que colaborou com a transformação daquela realidade.

Já no início do século XX, na vila de Nossa Senhora das Candeias, floresceu a Usina Pitanga, que tinha como objetivo principal escoar a produção das Usinas São Paulo e Pitanga. Foi construída a linha ferroviária, ligando a vila à capital baiana. Nesse período acontece um fato marcante, quando se propaga que uma criança cega teria voltando a enxergar ao se banhar nas águas da fonte próxima à colina onde se localiza a igreja de Nossa Senhora das Candeias. A partir desse episódio o arraial de Nossa Senhora das Candeias passou a ser visitado por Romeiros oriundos de todo o Recôncavo Baiano. Esse ritual passou a se repetir ano após ano, com as visitas dos Romeiros, modificando totalmente a realidade da vila.