Papa Francisco

  • "A boa política está a serviço da paz", tema do Dia Mundial da Paz 2019
    Foi divulgado hoje (06), o tema da mensagem do 52ª Dia Mundial da Paz, que será celebrado em 1° de janeiro de 2019, que será “A boa política está a serviço da paz”. Em nota publicada pela Sala de Imprensa da Santa Sé, tem-se destacado “A responsabilidade política pertence a cada cidadão, em particular a quem recebeu o mandato de proteger e governar. Esta missão consiste em salvaguardar o direito e incentivar o diálogo entre os atores da sociedade, entre gerações e culturas”. É ressaltado também no texto, “Não há paz sem confiança recíproca e a confiança tem como primeira condição o respeito pela palavra dada. O compromisso político, uma das mais altas expressões da caridade, traz a preocupação pelo futuro da vida e do planeta, dos jovens e das crianças, em sua sede de realização. (...) quando o homem é respeitado em seus direitos, como recordava São João XXIII na Encíclica Pacem in terris (1963), germina nele o sentido do dever de respeitar os direitos dos outros”. Concluindo a nota, “Os direitos e deveres do ser humano aumentam a consciência de pertencer a uma mesma comunidade, com os outros e com Deus. Portanto, somos chamados a levar e anunciar a paz como a boa nova de um futuro em que todo ser vivo será considerado em sua dignidade e seus direitos”.   Dia Mundial da Paz O Dia Mundial da Paz foi instituído em 1967 pelo Papa Paulo VI com o objetivo de "levar os homens a corresponderem, com o auxílio também da reflexão racional e das ciências humanas, à sua vocação de construtores responsáveis da sociedade terrena". O primeiro tema do Dia Mundial da Paz, celebrado em 1968, foi justamente "O Dia Mundial da Paz". Na época, acontecia a Guerra do Vietnã, então, a mensagem do pontífice expressava seu desejo de que esta iniciativa ganhasse adesões ao redor do mundo com “caráter sincero e forte de uma humanidade consciente e liberta dos seus tristes e fatais conflitos bélicos, que quer dar à história do mundo um devir mais feliz, ordenado e civil”. Confira a mensagem na íntegra clicando aqui.   Fonte: Vatican News.
  • 13 de maio: Dia Mundial das Comunicações Sociais "A verdade vos tornará livres. Notícias falsas e jornalismo de paz”
    No próximo domingo, dia 13 de maio, nós, católicos do Brasil, estaremos celebrando a Ascensão do Senhor.  A data está prevista para o quadragésimo dia depois da Páscoa, mas como no Brasil este dia não é feriado, transfere-se para o VII domingo da Páscoa. Neste mesmo dia, por determinação do Papa Paulo VI, desde 1967, celebramos em 13 de maio o “Dia Mundial das Comunicações Sociais”, tendo no ano vigente o tema “A verdade vos tornará livres. Notícias falsas e jornalismo de paz”, com a principal reflexão para o perigo das chamadas fake news. Como em outras comemorações, o Papa envia uma mensagem aos católicos do mundo inteiro, falando sobre o tema e suas principais características na contemporaneidade. Segue a mensagem deste ano:    Queridos irmãos e irmãs!  No projeto de Deus, a comunicação humana é uma modalidade essencial para viver a comunhão. Imagem e semelhança do Criador, o ser humano é capaz de expressar e compartilhar o verdadeiro, o bom e o belo. É capaz de narrar a sua própria experiência e o mundo, construindo assim a memória e a compreensão dos acontecimentos. Mas, se orgulhosamente seguir o seu egoísmo, o homem pode usar de modo distorcido a própria faculdade de comunicar, como o atestam, já nos primórdios, os episódios bíblicos dos irmãos Caim e Abel e da Torre de Babel (cf. Gn 4, 1-16; 11, 1-9). Sintoma típico de tal distorção é a alteração da verdade, tanto no plano individual como no coletivo. Se, pelo contrário, se mantiver fiel ao projeto de Deus, a comunicação torna-se lugar para exprimir a própria responsabilidade na busca da verdade e na construção do bem. Hoje, no contexto duma comunicação cada vez mais rápida e dentro dum sistema digital, assistimos ao fenómeno das «notícias falsas», as chamadas fake news: isto convida-nos a refletir, sugerindo-me dedicar esta Mensagem ao tema da verdade, como aliás já mais vezes o fizeram os meus predecessores a começar por Paulo VI (cf. Mensagem de 1972: «Os instrumentos de comunicação social ao serviço da Verdade»). Gostaria, assim, de contribuir para o esforço comum de prevenir a difusão das notícias falsas e para redescobrir o valor da profissão jornalística e a responsabilidade pessoal de cada um na comunicação da verdade. 1. Que há de falso nas «notícias falsas»? A expressão fake news é objeto de discussão e debate. Geralmente diz respeito à desinformação transmitida on-line ou nos mass-media tradicionais. Assim, a referida expressão alude a informações infundadas, baseadas em dados inexistentes ou distorcidos, tendentes a enganar e até manipular o destinatário. A sua divulgação pode visar objetivos prefixados, influenciar opções políticas e favorecer lucros económicos. A eficácia das fake news fica-se a dever, em primeiro lugar, à sua natureza mimética, ou seja, à capacidade de se apresentar como plausíveis. Falsas mas verosímeis, tais notícias são capciosas, no sentido que se mostram hábeis a capturar a atenção dos destinatários, apoiando-se sobre estereótipos e preconceitos generalizados no seio dum certo tecido social, explorando emoções imediatas e fáceis de suscitar como a ansiedade, o desprezo, a ira e a frustração. A sua difusão pode contar com um uso manipulador das redes sociais e das lógicas que subjazem ao seu funcionamento: assim os conteúdos, embora desprovidos de fundamento, ganham tal visibilidade que os próprios desmentidos categorizados dificilmente conseguem circunscrever os seus danos. A dificuldade em desvendar e erradicar as fake news é devida também ao facto de as pessoas interagirem muitas vezes dentro de ambientes digitais homogéneos e impermeáveis a perspetivas e opiniões divergentes. Esta lógica da desinformação tem êxito, porque, em vez de haver um confronto sadio com outras fontes de informação (que poderia colocar positivamente em discussão os preconceitos e abrir para um diálogo construtivo), corre-se o risco de se tornar atores involuntários na difusão de opiniões tendenciosas e infundadas. O drama da desinformação é o descrédito do outro, a sua representação como inimigo, chegando-se a uma demonização que pode fomentar conflitos. Deste modo, as notícias falsas revelam a presença de atitudes simultaneamente intolerantes e hipersensíveis, cujo único resultado é o risco de se dilatar a arrogância e o ódio. É a isto que leva, em última análise, a falsidade. 2. Como podemos reconhecê-las? Nenhum de nós se pode eximir da responsabilidade de contrastar estas falsidades. Não é tarefa fácil, porque a desinformação se baseia muitas vezes sobre discursos variegados, deliberadamente evasivos e subtilmente enganadores, valendo-se por vezes de mecanismos refinados. Por isso, são louváveis as iniciativas educativas que permitem apreender como ler e avaliar o contexto comunicativo, ensinando a não ser divulgadores inconscientes de desinformação, mas atores do seu desvendamento. Igualmente louváveis são as iniciativas institucionais e jurídicas empenhadas na definição de normativas que visam circunscrever o fenómeno, e ainda iniciativas, como as empreendidas pelas tech e media company, idóneas para definir novos critérios capazes de verificar as identidades pessoais que se escondem por detrás de milhões de perfis digitais. Mas a prevenção e identificação dos mecanismos da desinformação requerem também um discernimento profundo e cuidadoso. Com efeito, é preciso desmascarar uma lógica, que se poderia definir como a «lógica da serpente», capaz de se camuflar e morder em qualquer lugar. Trata-se da estratégia utilizada pela serpente – «o mais astuto de todos os animais», como diz o livro do Génesis (cf. 3, 1-15) – a qual se tornou, nos primórdios da humanidade, artífice da primeira fake news, que levou às trágicas consequências do pecado, concretizadas depois no primeiro fratricídio (cf. Gn 4) e em inúmeras outras formas de mal contra Deus, o próximo, a sociedade e a criação. A estratégia deste habilidoso «pai da mentira» (Jo 8, 44) é precisamente a mimese, uma rastejante e perigosa sedução que abre caminho no coração do homem com argumentações falsas e aliciantes. De facto, na narração do pecado original, o tentador aproxima-se da mulher, fingindo ser seu amigo e interessar-se pelo seu bem. Começa o diálogo com uma afirmação verdadeira, mas só em parte: «É verdade ter-vos Deus proibido comer o fruto de alguma árvore do jardim?» (Gn 3, 1). Na realidade, o que Deus dissera a Adão não foi que não comesse de nenhuma árvore, mas apenas de uma árvore: «Não comas o [fruto] da árvore do conhecimento do bem e do mal» (Gn 2, 17). Retorquindo, a mulher explica isso mesmo à serpente, mas deixa-se atrair pela sua provocação: «Podemos comer o fruto das árvores do jardim; mas, quanto ao fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: “Nunca o deveis comer nem sequer tocar nele, pois, se o fizerdes, morrereis”» (Gn 3, 2-3). Esta resposta tem sabor a legalismo e pessimismo: dando crédito ao falsário e deixando-se atrair pela sua apresentação dos factos, a mulher extravia-se. Em primeiro lugar, dá ouvidos à sua réplica tranquilizadora: «Não, não morrereis»(3, 4). Depois a argumentação do tentador assume uma aparência credível: «Deus sabe que, no dia em que comerdes [desse fruto], abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como Deus, ficareis a conhecer o bem e o mal»(3, 5). Enfim, ela chega a desconfiar da recomendação paterna de Deus, que tinha em vista o seu bem, para seguir o aliciamento sedutor do inimigo: «Vendo a mulher que o fruto devia ser bom para comer, pois era de atraente aspeto (…) agarrou do fruto, comeu»(3, 6). Este episódio bíblico revela assim um facto essencial para o nosso tema: nenhuma desinformação é inofensiva; antes pelo contrário, fiar-se daquilo que é falso produz consequências nefastas. Mesmo uma distorção da verdade aparentemente leve pode ter efeitos perigosos. De facto, está em jogo a nossa avidez. As fake news tornam-se frequentemente virais, ou seja, propagam-se com grande rapidez e de forma dificilmente controlável, não tanto pela lógica de partilha que carateriza os meios de comunicação social como sobretudo pelo fascínio que detêm sobre a avidez insaciável que facilmente se acende no ser humano. As próprias motivações económicas e oportunistas da desinformação têm a sua raiz na sede de poder, ter e gozar, que, em última instância, nos torna vítimas de um embuste muito mais trágico do que cada uma das suas manifestações: o embuste do mal, que se move de falsidade em falsidade para nos roubar a liberdade do coração. Por isso mesmo, educar para a verdade significa ensinar a discernir, a avaliar e ponderar os desejos e as inclinações que se movem dentro de nós, para não nos encontrarmos despojados do bem «mordendo a isca» em cada tentação. 3. «A verdade vos tornará livres» (Jo 8, 32) De facto, a contaminação contínua por uma linguagem enganadora acaba por ofuscar o íntimo da pessoa. Dostoevskij deixou escrito algo de notável neste sentido: «Quem mente a si mesmo e escuta as próprias mentiras, chega a pontos de já não poder distinguir a verdade dentro de si mesmo nem ao seu redor, e assim começa a deixar de ter estima de si mesmo e dos outros. Depois, dado que já não tem estima de ninguém, cessa também de amar, e então na falta de amor, para se sentir ocupado e distrair, abandona-se às paixões e aos prazeres triviais e, por culpa dos seus vícios, torna-se como uma besta; e tudo isso deriva do mentir contínuo aos outros e a si mesmo» (Os irmãos Karamazov, II, 2). E então como defender-nos? O antídoto mais radical ao vírus da falsidade é deixar-se purificar pela verdade. Na visão cristã, a verdade não é uma realidade apenas conceptual, que diz respeito ao juízo sobre as coisas, definindo-as verdadeiras ou falsas. A verdade não é apenas trazer à luz coisas obscuras, «desvendar a realidade», como faz pensar o termo que a designa em grego: aletheia, de a-lethès, «não escondido». A verdade tem a ver com a vida inteira. Na Bíblia, reúne os significados de apoio, solidez, confiança, como sugere a raiz ‘aman (daqui provém o próprio Amen litúrgico). A verdade é aquilo sobre o qual nos podemos apoiar para não cair. Neste sentido relacional, o único verdadeiramente fiável e digno de confiança sobre o qual se pode contar, ou seja, o único «verdadeiro» é o Deus vivo. Eis a afirmação de Jesus: «Eu sou a verdade» (Jo 14, 6). Sendo assim, o homem descobre sempre mais a verdade, quando a experimenta em si mesmo como fidelidade e fiabilidade de quem o ama. Só isto liberta o homem: «A verdade vos tornará livres»(Jo 8, 32). Libertação da falsidade e busca do relacionamento: eis aqui os dois ingredientes que não podem faltar, para que as nossas palavras e os nossos gestos sejam verdadeiros, autênticos e fiáveis. Para discernir a verdade, é preciso examinar aquilo que favorece a comunhão e promove o bem e aquilo que, ao invés, tende a isolar, dividir e contrapor. Por isso, a verdade não se alcança autenticamente quando é imposta como algo de extrínseco e impessoal; mas brota de relações livres entre as pessoas, na escuta recíproca. Além disso, não se acaba jamais de procurar a verdade, porque algo de falso sempre se pode insinuar, mesmo ao dizer coisas verdadeiras. De facto, uma argumentação impecável pode basear-se em factos inegáveis, mas, se for usada para ferir o outro e desacreditá-lo à vista alheia, por mais justa que apareça, não é habitada pela verdade. A partir dos frutos, podemos distinguir a verdade dos vários enunciados: se suscitam polémica, fomentam divisões, infundem resignação ou se, em vez disso, levam a uma reflexão consciente e madura, ao diálogo construtivo, a uma profícua atividade. 4. A paz é a verdadeira notícia O melhor antídoto contra as falsidades não são as estratégias, mas as pessoas: pessoas que, livres da ambição, estão prontas a ouvir e, através da fadiga dum diálogo sincero, deixam emergir a verdade; pessoas que, atraídas pelo bem, se mostram responsáveis no uso da linguagem. Se a via de saída da difusão da desinformação é a responsabilidade, particularmente envolvido está quem, por profissão, é obrigado a ser responsável ao informar, ou seja, o jornalista, guardião das notícias. No mundo atual, ele não desempenha apenas uma profissão, mas uma verdadeira e própria missão. No meio do frenesim das notícias e na voragem dos scoop, tem o dever de lembrar que, no centro da notícia, não estão a velocidade em comunicá-la nem o impacto sobre a audience, mas as pessoas. Informar é formar, é lidar com a vida das pessoas. Por isso, a precisão das fontes e a custódia da comunicação são verdadeiros e próprios processos de desenvolvimento do bem, que geram confiança e abrem vias de comunhão e de paz. Por isso desejo convidar a que se promova um jornalismo de paz, sem entender, com esta expressão, um jornalismo «bonzinho», que negue a existência de problemas graves e assuma tons melífluos. Pelo contrário, penso num jornalismo sem fingimentos, hostil às falsidades, a slogans sensacionais e a declarações bombásticas; um jornalismo feito por pessoas para as pessoas e considerado como serviço a todas as pessoas, especialmente àquelas – e no mundo, são a maioria – que não têm voz; um jornalismo que não se limite a queimar notícias, mas se comprometa na busca das causas reais dos conflitos, para favorecer a sua compreensão das raízes e a sua superação através do aviamento de processos virtuosos; um jornalismo empenhado a indicar soluções alternativas às escalation do clamor e da violência verbal. Por isso, inspirando-nos numa conhecida oração franciscana, poderemos dirigir-nos, à Verdade em pessoa, nestes termos: Senhor, fazei de nós instrumentos da vossa paz. Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunicação que não cria comunhão. Tornai-nos capazes de tirar o veneno dos nossos juízos. Ajudai-nos a falar dos outros como de irmãos e irmãs. Vós sois fiel e digno de confiança; Fazei que as nossas palavras sejam sementes de bem para o mundo: onde houver rumor, fazei que pratiquemos a escuta; onde houver confusão, fazei que inspiremos harmonia; onde houver ambiguidade, fazei que levemos clareza; onde houver exclusão, fazei que levemos partilha; onde houver sensacionalismo, fazei que usemos sobriedade; onde houver superficialidade, fazei que ponhamos interrogativos verdadeiros; onde houver preconceitos, fazei que despertemos confiança; onde houver agressividade, fazei que levemos respeito; onde houver falsidade, fazei que levemos verdade. Amém.     Vaticano, 24 de janeiro – Memória de São Francisco de Sales – do ano de 2018. Franciscus     Com informações de: CNBB. 
  • 15 de agosto: é celebrado hoje pela Igreja no mundo a Assunção de Nossa Senhora
    Nesta quarta-feira, 15, a Igreja no mundo celebra a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora. No Brasil, a solenidade, que também é conhecida como festa de Nossa Senhora da Glória, é transferida para o domingo seguinte, neste caso, dia 19 de agosto. O Papa Francisco disse hoje no Angelus, “A assunção de Maria, criatura humana, nos confirma nosso destino glorioso”. O Santo Padre evidencia no Angelus que a assunção ao céu, em corpo e alma, “é um privilégio divino concedido à Santa Mãe de Deus por sua união particular com Jesus. Trata-se de uma união corporal e espiritual, iniciada com a Anunciação e amadurecida durante toda a vida de Maria mediante sua participação singular no mistério do Filho”, acrescentou ele. Francisco também conta que Nossa Senhora vivia como qualquer mulher de seu tempo, entretanto, tudo o que fazia era em união total com Jesus, “no Calvário esta união alcançou o ápice, no amor, na compaixão e no sofrimento do coração. Por isso Deus lhe concedeu uma participação plena também na ressurreição de Jesus. O corpo da Mãe foi preservado da corrupção, como o corpo do Filho”, afirmou ele. Esta data é um dogma católico solenemente definido através da Constituição “Munificentissimus Deus” do 1º de novembro de 1950 pelo Papa Pio Xll. O texto da proclamação dogmática não afirma que Maria foi elevada ao céu, mas à “Glória celeste”. Não se afirma, portanto, um deslocamento espacial nem uma nova localização, mas a transfiguração do seu corpo e a passagem de sua condição terrestre à condição gloriosa da totalidade de sua pessoa, isto é, corpo e alma. (cf. C. A. Contieri SJ, in A Bíblia Dia a Dia, Paulinas, 2015). Dom Armando Bucciol, presidente da Comissão para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), conta que, entre os séculos VI e VII, muitas igrejas celebravam a “dormição de Maria”. Já nos livros litúrgicos do século VIII, esta recebeu o título de “Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria”, que passou pela morte, mas que não esteve sujeita aos seus vínculos. O bispo salienta que há alguns testemunhos em escritos apócrifos sobre a morte de Maria, todavia, ele destaca que a tradição ininterrupta da Igreja, testemunhada por Gregório de Tours (594) e por outros padres, é fortalecida pelo fato de que nenhuma relíquia do corpo de Maria foi honrada na antiguidade. A crença na Assunção é tradicional na Igreja, mas foi, sobretudo no século XVII que se tornou objeto de uma verdadeira construção teológica em reação contra o Jansenismo (teoria de ideais reformistas que dizia que as pessoas estavam predestinadas ao céu ou ao inferno, contrariando o conceito de livre-arbítrio). Maria é dita pelo anjo Gabriel como “cheio de graça”, de forma que este é quase o nome próprio da Virgem - o anjo não a chama “Maria”, mas sim de “cheia de graça”. (Lc. 1,28). Isto quer dizer que Maria nunca esteve sujeita ao império do pecado. Em consequência, não podia ficar sob o domínio  da morte, que entrou no mundo através do pecado (Rm 5, 12). Sendo assim, é lógico dizer que ela não conheceu a deterioração da sepultura, sendo glorificado não somente em sua alma, mas também em seu corpo.   Fontes: A12, CNBB, Franciscanos e Montfort.
  • A fraternidade é a nova fronteira do cristianismo
    Com cada vez maior frequência, fala-se hoje de crise da paternidade e também da maternidade, mas considero que no nosso Ocidente se deve reter, na raiz desse fenômeno, uma crise da fraternidade muito comprovada.   A fraternidade como vínculo e bem social para a convivência e para a comunidade, a fraternidade como empenho universal foi uma “invenção” do cristianismo, mesmo se o sentimento comum a coloca no interior da célebre tríade cunhada pela revolução francesa: «Liberté, egalité, fraternité». Ao longo dos séculos, combateu-se pela liberdade e pela igualdade; a fraternidade, pelo contrário, não recebeu a atenção que teria sido necessária a fim de que liberdade e igualdade fossem afirmadas com um fundamento. Há um direito à liberdade e um direito à igualdade, dois conceitos que podem ser especificados: liberdade de expressão, de movimento, igualdade de género, etc. A fraternidade, ao invés, não tem genitivo e não pode dizer respeito a um indivíduo, mas só à “communitas”: não há fraternidade do singular! Para viver a fraternidade, é preciso sempre que exista o outro, e que seja afirmada a relação, que é a nossa primeira vocação.   Sobre a urgência da fraternidade regressou várias vezes também o Papa Francisco. Sem multiplicar os textos e as referências aos gestos por ele realizados – penso, em particular, no importante documento “Sobre a fraternidade humana para a paz mundial e a convivência comum”, assinado a 4 de fevereiro em Abu Dhabi, com o grande imã de Al-Azhar –, recordo apenas o que ele escrevia a 6 de janeiro, também deste ano, numa carta à Academia Pontifícia para a Vida:   «É tempo de relançar uma nova visão para um humanismo fraterno e solidário dos indivíduos e dos povos. (…) Devemos pôr de novo em primeiro plano a fraternidade universal, semeada pelo Evangelho do Reino de Deus. (…) Devemos reconhecer que a fraternidade permanece a promessa falhada da modernidade. O alcance universal da fraternidade que cresce na confiança recíproca — no âmbito da cidadania moderna, assim como entre os povos e as nações — está muito debilitado. A força da fraternidade (…) é a nova fronteira do cristianismo».   Entre con-discípulos não há possibilidade de um ligame diferente da fraternidade: «Vós sois todos irmãos!». Somo-lo – diz-nos Jesus – antes de o querermos ser, e antes de compreender esta verdade que podemos desmentir e desfigurar   Diante das patologias que corrompem a nossa convivência, ao ponto de ameaçarem a vida democrática, diante dos medos que são uma ameaça nutrida por poderes e interesses políticos, diante do rancor que arrisca explodir em violência, mas também diante da globalização da indiferença de muitos, é preciso repensar a fraternidade. Fraternidade como fundamento e razão para uma necessária confiança na convivência; fraternidade com solidariedade entre membros de uma convivência em vista do bem comum; fraternidade com incessante reconstrução de pontes, de reconciliações religiosas, culturais e étnicas. No entanto, que nos guardemos de transformar a fraternidade numa palavra de ordem, no moto do momento; trata-se, antes, de a percecionar como desafio, a urgência, que determinará também o futuro da vida eclesial e do seu colocar-se na companhia dos seres humanos.   Este caminho funda-se na consciência de que a Igreja é chamada a ser “fraternidade”, não por que esta seja uma sua imagem metafórica, mas porque é o seu nome próprio, a sua essência: a Igreja, ou é uma fraternidade, ou não é Igreja de Cristo!   Não podendo aprofundar a questão como ela mereceria limito-me a recordar alguns dados essenciais. Antes de tudo, Jesus insistiu fortemente na fraternidade. No Evangelho segundo Mateus, há um conjunto de ditos seus que se revela decisivo: «Não vos deixeis tratar por “mestres”, pois um só é o vosso Mestre, e vós sois todos irmãos. E na terra, a ninguém chameis “Pai”, porque um só é o vosso “Pai”, aquele que está no céu. Nem permitais que vos tratem por “doutores”, porque um só é o vosso “Doutor”, Cristo» (23, 8-10). O fundamento da fraternidade é, portanto, Deus, o Pai de todos, e de modo a que esta verdade seja afirmada de maneira absoluta, ninguém chame “pai” a um outro sobre a Terra, mas, invocando Deus como Pai único, todos se sintam filhos e filhas, e, consequentemente, irmãos e irmãs entre eles. Essa fraternidade é reforçada pelo ter como único Mestre o Cristo, quais con-discípulos no seu seguimento.   Desgosta que, já a partir do século IV, o termo “fraternidade”, nome próprio indicativo da realidade da Igreja, tenha praticamente desaparecido, e ainda hoje não seja suficientemente atestado como lugar eminente de eclesiologia [modo de conceber a Igreja]   Entre con-discípulos não há possibilidade de um ligame diferente da fraternidade: «Vós sois todos irmãos!». Somo-lo – diz-nos Jesus – antes de o querermos ser, e antes de compreender esta verdade que podemos desmentir e desfigurar. Se Caim era irmão de Abel numa fraternidade biológica, em Cristo somos irmãos entre nós e filhos do único Pai, numa fraternidade muito mais radical, gerada pelo Espírito de Cristo que nos foi dado, o qual nos permite de invocar Deus como «Abba, Pai», e faz-nos sentir a comunhão das nossas vidas com a própria vida de Cristo. Jesus Cristo «não se envergonha de nos chamar irmãos». Mas quis ser irmão entre nós, quis ser chamado «o primogénito entre muitos irmãos».   Devemos, além disso, relevar como na Primeira Carta de Pedro a Igreja é chamada «fraternidade» (“adelphótes”). Precisamente no texto em que a Igreja é lida como «edifício espiritual, gente santa, sacerdócio real e povo de Deus», ela é também chamada “adelphótes”, termo assente na língua grega, que quer designar uma realidade, não uma virtude indicada como “amor fraterno” (“philadelphía”). Pedro, o apóstolo sobre o qual Jesus edificou a sua Igreja, não define a própria Igreja com este termo, mas recorre a «fraternidade». Ele convida a amar a fraternidade, isto é, a comunidade eclesial: «Honrai todos, amai a fraternidade, adorai Deus».   «Fraternidade» não é, portanto, uma imagem, uma virtude, mas designa a própria realidade da Igreja gerada por Jesus Cristo, presente no mundo como Igreja local e Igreja católica: a Igreja é uma fraternidade em que se vive o amor fraterno. Desgosta que, já a partir do século IV, o termo “fraternidade”, nome próprio indicativo da realidade da Igreja, tenha praticamente desaparecido, e ainda hoje não seja suficientemente atestado como lugar eminente de eclesiologia [modo de conceber a Igreja].   A fraternidade é uma tarefa que está sempre diante de nós. Ela deve ser construída dia após dia, porque não é espontânea, ainda que esteja inscrita nas gerações humanas   Por outro lado, deve saudar-se com alegria o reemergir deste tema na exortação apostólica “Evangelii gaudium”, do papa Francisco, na qual são numerosas as indicações referentes à urgência de uma Igreja fraterna. Francisco fala do «Evangelho da fraternidade», pede que não nos deixemos roubar o ideal do amor fraterno, quer que todos os cristãos não percam o fascínio da fraternidade, e sintam como atraente a comunhão fraterna.   O papa evoca, além disso, a imagem de uma Igreja como «caravana solidária, numa santa peregrinação», onde todos juntos caminham pelas estradas do mundo, partilhando os cansaços e as alegrias do duro ofício do viver. Uma Igreja como aquela entrevista por Francisco será, por isso, sinodal, capaz de fazer caminho conjunto (“sýn-odós”): em conjunto, do papa aos bispos, aos presbíteros, até ao último fiel. Diziam os pagãos, em relação aos primeiros cristãos: «Olha o quanto se amam!?, e o papa quer que isso se diga também hoje, quer que o digam os não cristãos ao olharem para uma Igreja fraterna».   A fraternidade é uma tarefa que está sempre diante de nós. Ela deve ser construída dia após dia, porque não é espontânea, ainda que esteja inscrita nas gerações humanas. Quando é realmente vivida, a fraternidade pede que reine a igualdade entre aqueles que se dizem irmãos e irmãs; pede que a dignidade seja discernível em cada homem porque homem, em cada mulher porque mulher; pede que seja reconhecida aquela liberdade que não ofende os outros; pede que cada um cuide do outro e viva com ele o ligame fraterno, isto é, «ame o outro como a si próprio».   Por fim, o horizonte da fraternidade está sempre aberto ao futuro: cada ser humano vai-se, mais cedo ou mais tarde, mas depois dele ficam os filhos, fica a comunidade constituída pelas novas gerações. É por isso que pensar e construir relações de fraternidade significa trabalhar pela qualidade de vida de quem virá depois de nós. E que compreende que é devedor de quantos o precederam, sente por sua vez ter uma responsabilidade em relação aos outros e ao futuro coletivo de toda a humanidade. Este é um caminho através do qual é possível descobrir e assumir a ética, que é sempre um construir em conjunto a “fraternitas”, de modo a viver com os outros no respeito, na justiça, na colaboração, na solidariedade; de modo a desfrutar em conjunto da paz e da vida plena, até poder esperar em conjunto.     Autor: Enzo Bianchi In: Monastero di Bose Tradução: Rui Jorge Martins Imagem: pinturea/Bigstock.com Via: Secretaria Nacional da Pastoral da Cultura
  • Após Fórum Franciscano, CFFB divulga Carta Compromisso pelo Sínodo Pan-Amazônico
    A Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFFB) divulgou hoje (15) a Carta Compromisso pelo Sínodo Pan-Amazônico. O documento foi realizado em referência ao Fórum Franciscano para o Sínodo Pan-Amazônico, concluído no dia 06 de junho, em Manaus (AM). O evento realizado no Centro Arquidiocesano São José foi promovido pela CFFB e teve como objetivo conduzir franciscanos e franciscanas a voltarem o olhar e o coração aos apelos do Papa Francisco através de sua convocação para o Sínodo da Amazônia. Confira o texto a seguir:     CARTA COMPROMISSO   «Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e verduras». Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. (Laudato Sí 1-2)   Querido Papa Francisco!   Queridas Irmãs e Irmãos da Família Franciscana do Brasil!   Somos gratos pela convocação do Sínodo para a Pan-Amazônia e oferecemos nosso apoio fraterno e integral, afirmando como Igreja que a Família Franciscana do Brasil trabalha em comunhão e unidade no cuidado da casa comum.   Após escuta das vozes da Amazônia, e querendo contribuir no aprofundamento da temática sinodal à luz da espiritualidade franciscana, a Conferência da Família Franciscana do Brasil, realizou um Fórum com a participação de 160 irmãs e irmãos das ordens, congregações franciscanas e JUFRA - Juventude Franciscana. Ouvimos os gritos dos povos originários, indígenas e quilombolas e todos os amazônidas, que denunciam a devastação das florestas, a poluição das águas, a desvalorização da vida e o preconceito em relação às culturas nativas. Ouvimos o anúncio de uma terra sagrada e abundante de graça e beleza, que brota vida para a existência de toda humanidade, tecida e interligada por cores, cheiros, sabores e saberes ancestrais.   Como Família Franciscana alimentamos em nós o que é conatural ao nosso carisma e assim nos comprometemos:   Apoiar o Papa Francisco em todo o processo do Sínodo Pan-Amazônico e a somar forças na defesa e cuidado da vida, em busca de novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral;   Divulgar, por meio de nossas redes de comunicação, os processos do Sínodo e as ações franciscanas nessa região, provocando toda sociedade à amazonizar-se;   Proporcionar experiência missionária na Amazônia, que favoreça a proximidade e convivência com os povos originários e o aprofundamento da mística amazônica, a exemplo da Experiência Assis;   Intensificar o trabalho em redes, nos articulando com a REPAM – Rede Eclesial Pan-Amazônica, CIMI- Conselho Indigenista Missionário e Entidades afinadas nesse trabalho para uma presença franciscana mais profética, sinal de esperança.   Manaus/AM, 6 de julho de 2019.   Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFFB)   Veja a matéria sobre o Fórum Franciscano para o Sínodo Pan-Amazônico, clique aqui. 
  • Celebração dos 25 anos de Ordenação Sacerdotal com a realização de Projeto Solidário
    Durante a celebração dos 25 anos dos primeiros votos do Frei José Nasareno, foi realizado neste domingo, 19, em Candeias (BA), o SAE - Solidários na Alegria do Evangelho, um projeto de ação solidária motivada pelo Magistério do Papa Francisco. Para confraternizar em ação de graças aos primeiros votos do Frei Nasareno, estiveram presentes os frades, amigos, amigas, paroquianos e paroquianas do Convento-Santuário Nossa Senhora das Candeias. O dia também foi de orações pela Vida Consagrada, muitos jovens, casais e algumas religiosas que trabalham na Diocese de Camaçari, também participaram das ações solidárias. As celebrações foram iniciadas às 7h, com a Santa Missa no Santuário. Logo após, todos e todas saíram em caminhada pelas principais ruas da cidade e, de porta em porta, recolheram doações de roupas e alimentos que, posteriormente, seriam partilhados entre instituições que atendem crianças e famílias carentes.Terminando a procissão, os fiéis e as fiéis se encontraram na praça Irmã Dulce. No local, realizaram momentos de louvor, adoração, testemunhos e evangelização, além de homenagens ao a Beata Irmã Dulce encerrando com a benção final. “Esta já é a segunda edição do SAE, projeto que tem São Francisco como Padroeiro e tem como inspiração as ações de São Vicente e a Beata Irmã Dulce que desejaram mobilizar um grupo de fieis e amigos voluntários para realizar trabalhos solidários que atendessem às necessidades das pessoas pobres e necessitadas das comunidades”, explicou o aniversariante, Frei Nasareno.   SAE Criado em fevereiro deste ano, a ação tem como principal objetivo ajudar e propagar a palavra de Deus para pessoas carentes, seguindo os ensinamentos do Papa Francisco que nos pede uma Igreja solidária e misericordiosa que leva no serviço aos homens a alegria do Evangelho. O projeto traz o lema “Mãos que dão as mãos e ajudam na partilha do pão”. Segundo o frade, o projeto nasceu em comemoração aos seus 25 anos dos votos religiosos. “O SAE nasceu de um gesto de meu coração como franciscano por ocasião dos meus 25 anos de votos religiosos”, explicou.
  • Chega ao fim o 202º Capítulo Geral Ordinário dos Frades Menores Conventuais
    Franciscanos de 68 países reuniram-se na Itália entre os 18 de maio e 18 de junho para o 202º Capítulo Geral Ordinário dos Frades Menores Conventuais. Segundo a vontade do Seráfico Pai São Francisco, todos os frades devem se encontrar para a Festa de Pentecostes agradecendo ao Senhor pelo caminho percorrido e pelos dons recebidos e ainda para pedir ao Espírito Santo o discernir vontade de Deus Pai no futuro.   A celebração do Capítulo foi iniciada no Sagrado Convento de Assis e foi concluída na segunda-feira (17) na Basílica de São Pedro, no Vaticano. A primeira parte aconteceu em Assis, cidade de São Francisco; e a segunda foi realizada em Collevalenza. Estiveram presentes 100 ministros provinciais, delegados e custódios representantes dos cerca de 4000 frades presentes em 608 comunidades, 28 províncias, 20 custódias, 22 delegações e 7 missões.   Neste período os frades planejaram o caminho da Ordem em obediência ao chamado de anunciar o Evangelho a todos segundo o carisma franciscano. Foram tomadas algumas decisões e foram eleitos também o Ministro Geral e os representantes das federações. Pela primeira vez participaram 7 irmãos leigos, que retrataram as 7 Federações, são vocais, baseados na permissão da Santa Sé.       Principais decisões No dia 25 de maio o Frei Carlos Trovarelli (OFMConv.) foi eleito o novo Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores Conventuais. Trovarelli irá guiar o caminho dos confrades pelos próximos 6 anos. Anteriormente como Assistente Geral da Federação dos Frades Menores Conventuais da América Latina e Caribe (FALC), Trovarelli pertence à província religiosa "Rioplatense" de Santo Antônio de Pádua na Argentina e no Uruguai.   O Definitório Geral é agora composto pelos seguintes nomes: Frei Jan Maciejowski, Vigário Geral, Frei Tomasz Szymczak, Secretário Geral, Frei Anthony Bezo Kutiero, Assistente da Federação Africana dos Franciscanos Conventuais (AFCoF), Frei Benedetto Baek Assistant da Federação da Ásia Menor Conventual (FAMC), Frei Dominique Joseph Mathieu Assistant da Federação da Europa Central (CEF), Frei Giovanni Voltan Assistante da Federação Inter-Provincial de Ministros (FIMP), Frei Jude Winkler Assistente da Federação Franciscana Conventual USA (CFF),Frei Rogério Pereira Xavier Assistente da FALC e Frei Tomás Lesňák Assistente Federação do Oriente Médio e Europa Oriental (FEMO).       Audiência com o Papa   Na última segunda-feira (17), na Basílica de São Pedro, os frades participaram de uma Santa Missa celebrada pelo Vigário Geral do Vaticano, Cardeal Dom Angelo Comastri. Presidindo a Eucaristia, DomAngelo recordou Pequeno Testamento de Siena de São Francisco de Assis: sempre os frades devem se amar, sempre amem e observem a Nossa Senhora, a santa pobreza, e sejam fiéis e submissos aos prelados e a todos clérigos da Santa Mãe Igreja.  O novo governo da Ordem é chamado a acompanhar os confrades para viver o amor recíproco e para com a Igreja, para que o nosso carisma seja vivido cada vez mais profundamente.   Depois da celebração, os capitulares se mudaram para a Sala Clementina e lá, por volta das 12h, houve uma audiência com o Papa Francisco. Após a saudação do recém-eleito Ministro Geral, Frei Carlos Trovarelli, o próprio Papa convidou os frades a viverem como "irmãos e menores". São Francisco ainda é atual porque colocou o Evangelho no centro de sua vida e hoje, como irmãos mais novos, devemos anunciar as Boas Novas com vida e palavra. Com a bênção apostólica, o Papa Francisco cumprimentou os capitulares e agradeceu-lhes a oração para ele e seu serviço.   Confira mais fotos na galeria logo abaixo!  
  • Comunicadores falam sobre o Dia Mundial das Comunicações Sociais: Fake News e Jornalismo de Paz
      No último domingo, 13, foi o 52° Dia Mundial das Comunicações Sociais, ao qual o Papa Francisco dedicou uma mensagem sobre o tema “Fake news e jornalismo de paz” (você pode conferir o pronunciamento na íntegra aqui). No texto, o Papa deixa claro que um jornalismo de paz não significa “um jornalismo bonzinho, que negue a existência de problemas graves e assuma tons melífluos”, mas convida a fazer um jornalismo “sem fingimentos, hostil às falsidades, a slogans sensacionalistas e a declarações bombásticas”. Entretanto, jornalismo de paz é um conceito ou é possível praticá-lo, sobretudo em meio a interesses e pressões por uma informação veloz e rentável? Afinal, o que é e o que representa jornalismo de paz para os profissionais da área? Para responder a esta pergunta, o Vatican News convidou comunicadores renomados no Brasil: Ilze Scamparini – Vaticanista, correspondente da TV Globo “O jornalismo de paz é aquele com o qual nós que escolhemos essa profissão sempre sonhamos, que é o jornalismo justo, mas não só, é o jornalismo ético, mas não só, é o jornalismo livre e democrático, mas não só, é acima de tudo um jornalismo de bom senso. Se um jornalista consegue em cada matéria que fizer, respeitar isso, eu acho que a profissão vale a pena.”   André Trigueiro – Professor da PUC-Rio e jornalista da Globo especializado em jornalismo ambiental “O jornalismo de paz é aquele que não fomenta a violência gratuitamente, não é um jornalismo que omite fatos alusivos às causas, às origens e às razões da violência; ele precisa reportar indicadores de violência até mesmo para a sociedade ter condições de fazer as escolhas certas na área da educação, da segurança pública, na área da proteção da família e do planejamento familiar etc. O jornalismo de paz procura sensibilizar governos e a sociedade para a necessidade de uma atenção imediata e urgente para os que mais precisam, os excluídos, os mais pobres e os sem oportunidades.”     Veronica Machado (Koca Machado) – Professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), publicitária e sócia-executiva do Grupo Sal: “Os preceitos do jornalismo da paz são os mesmos do jornalismo raiz, apuração dos fatos através de fontes confiáveis. Na era do conhecimento, as pessoas estão se contentando com informações rasas e fúteis. Acredito que o jornalismo da paz é a tentativa do resgate ético da informação”.   Fernando Morgado – Professor das Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA) e da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Rio de Janeiro: “Mais do que informar, o jornalismo também forma, ele também educa. Mais do que registrar os movimentos sociais, de certa maneira participa deles. A responsabilidade é muito grande, por isso jornalismo de paz é quando você exerce esta atividade de relatar os fatos com responsabilidade, sobretudo visando a intenção de desenvolver a sociedade, de fazer um mundo melhor, para que o jornalismo possa inspirar as pessoas a evoluírem e criarem aquilo que é maior e tão importante, que é a cultura de paz. Uma cultura contra o ódio, contra os conflitos e formando com responsabilidade e gerando a reflexão de maneira adequada. O jornalismo pode ter uma contribuição decisiva para o desenvolvimento do mundo como um todo.   Cardeal Orani João Tempesta - Arcebispo do Rio de Janeiro “Creio que em um tempo de tanta violência e tantas mentiras, tantas fakes news, o trabalho dos cristãos católicos em divulgar a verdade e saber selecioná-las é a grande motivação do 52° Dia Mundial das Comunicações. Nesse tempo, é muito importante que nós possamos escolher cada vez mais pela verdade e também saber selecioná-las, saber ouvir a verdade de tal maneira que seja uma verdade que nos liberte. Ao transmitir as notícias, que não façamos com raiva ou vingança, mas procurando iluminar, para que cresça cada vez mais e melhor aquilo que constrói uma humanidade mais justa e fraterna.”   (Via: Vatican News)  
  • Conselho Ordinário da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos aprova Documento de Trabalho para o Sínodo de 2018
    Nos dias 7 e 8 de maio, foi realizado no Vaticano a IV reunião do XIV Conselho Ordinário da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, presidida pelo Papa Francisco. Na reunião, foi discutido e aprovado o Documento de Trabalho (Instrumentum laboris) para o Sínodo dos Jovens, marcado para outubro de 2018. No início do encontro, o Secretário Geral, Card. Lorenzo Baldisseri, agradeceu o Papa pela presença e ilustrou o percurso de preparação da XV Assembleia, cujo tema será “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. O Documento foi elaborado em conjunto com um grupo de especialistas que recolheram material de cinco fontes: as respostas ao questionário aos jovens e aos vários organismos estabelecidos; as atas do Seminário sobre a situação juvenil realizado em 2017, as observações livres recebidas de pessoas e grupos; e o Documento final da reunião pré-sinodal de março passado, no Vaticano. O Relator Geral do Sínodo é o Cardeal Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília e Presidente do episcopado brasileiro que falou ao Vatican News, fazendo uma avaliação do Encontro e comentou quais os próximos passos do conselho. Veja no vídeo:   (Via: Vatican News). 
  • Dedicação da Basília de São João de Latrão, a Igreja-Mãe
    Celebramos hoje (9), a dedicação – consagração – da Basílica do SS. Salvador ou de São João de Latrão. A Basílica do Latrão é considerada a igreja-mãe de todas as igrejas católicas, por ser a catedral do Papa, bispo de Roma. Apesar da Basílica de São Pedro ser a mais visitada e a mais famosa das quatro basílicas papais romanas, a de São João de Latrão é a única que pode ser considerada Catedral, ou seja, a cátedra do bispo de Roma. Nela também estão a cadeira de pastor e de mestre do Santo Padre. Também conhecida como Arquibasílica papal de Roma, Catedral de Roma, seu nome oficial é Archibasilica Sanctissimi Salvatoris (Arquibasílica do Santíssimo Salvador), nome anterior ao atual. Ela foi a primeira das quatro basílicas papais a ser construída e é dedicada a dois São Joãos: São João Batista e São João Evangelista (apóstolo de Cristo e autor do evangelho). Estando a poucos quilômetros do Coliseu, das Termas de Caracalla e da Via Ápia Antiga, imaginem que, como é o caso de quase todos os edifícios do centro de Roma, ela foi construída em cima de ruínas romanas pelo imperador Constantino, durante o pontificado do Papa Melquíades, no século IV, no terreno doado por Fausta, esposa do Imperador. Nela foram realizados os quatro primeiros Concílios Ecumênicos realizados no Ocidente: em 1123 para resolver a questão das Investiduras, (o provimento em algum cargo eclesiástico por parte do poder civil): em 1139, sobre questões disciplinares; em 1179 para tratar da forma de eleição do Papa; em 1215, sobre várias heresias e a reforma eclesial. Sucessivamente, Constantino (o mesmo que construiu a primeira basílica de São Pedro) cedeu o palácio ao bispo de Roma. Dentro deste palácio, que era mesmo a casa onde o Papa morava, foi construída a basílica. O prédio passou por pelo menos três grandes reconstruções: em 897 foi quase destruído por um terremoto. Em 1308 e 1360 sofreu dois grandes incêndios. Em 1993, a Máfia colocou um carro-bomba na frente da basílica, destruindo a fachada. Isso porque o Papa, em uma viagem à Sicília, havia feito um sermão contra as associações mafiosas.   Francisco reconstruiu a Igreja “Um dia, rezando na Capela de São Damião, que estava em péssimo estado devido ao abandono, aconteceu algo diferente. O Povorelo estava de joelhos aos pés do Crucificado quando uma voz lhe disse “Francisco, vai e reconstrói a minha Igreja que está em ruínas”. E, não compreendendo ainda o real significado deste chamado, ele saiu e, indo até a sua casa, tomou alguns caros pertences e os vendeu por um preço bem menor nas ruas da cidade. Pegou o dinheiro da venda e deu ao sacerdote da capela e se ofereceu para ajudar com as próprias mãos na reconstrução do local. (...) Então, decidiu São Francisco, “Isto é o que devemos fazer e é o que farão todos quantos quiserem vir conosco”. E, assim, estava dado o passo inicial de sua Missão quando, em 24 de fevereiro de 1208, fundou a Fraternidade dos Irmãos Menores. (...) Em 1209, aquele grupo de irmãos mendicantes foram à Roma para aprovar o seu modo e, com a ajuda do Bispo de Assis, foram recebidos pelo Papa. E assim, Inocêncio III, maravilhado com aquele propósito, não só aprovou o modo de vida, como reconheceu em Francisco o homem que a pouco tinha visto em um sonho segurando as colunas da Igreja de Latrão” ¹. Em 1209, no local onde hoje está a atual Basílica, Francisco e seus onze companheiros receberam a aprovação do Papa Inocêncio III para iniciar sua forma de vida. Antes, conta-nos as legendas, o Papa tinha visto em sonhos que a basílica de Latrão estava prestes a ruir, mas um religioso a sustentava, um homem pequeno e desprezível, que a segurava com seu ombro para não cair. E disse, “Na verdade este é o homem que, por sua obra e por sua doutrina, haverá de sustentar a Igreja”. Foi por isso que aquele senhor atendeu tão facilmente ao pedido do Seráfico Pai e, a partir daí, cheio de devoção de Deus, sempre teve especial predileção pelo servo de Cristo (2Cel 17).   Por que celebrar a Basílica? Inicialmente os cristãos não possuíam lugares fixos para a celebração da Eucaristia, mas a realizavam em suas casas. Com o passar de algum tempo, mesmo na era dos Apóstolos, se tornou imperioso o encontro de algum local comum para as celebrações litúrgicas. É o símbolo da fé dos cristãos nos primeiros séculos, onde se reuniam para celebrar a Palavra de Deus e os Sagrados Mistérios. Assim, celebrar a festa da dedicação da Basílica de São João de Latão também nos possibilita refletir sobre o sentido do templo como organismo vivo do qual os cristãos são pedras vivas. Quando alguém é batizado, ele é convocado a compor o corpo místico de Cristo e a ser membro de Sua Igreja, cuja cabeça é o próprio Senhor. A Igreja, templo e corpo, formada por todos os batizados é a manifestação visível da presença do Senhor Ressuscitado. Por isso ela celebra os sacramentos, todos decorrentes da Eucaristia, com a qual somos alimentados e nutridos. É ela, a Igreja, aquela que louva o Senhor com sua liturgia, a esposa sem ruga e sem mancha, que foi purificada pelo próprio esposo, o Cordeiro Imolado. Portanto, celebrar a dedicação de um templo é celebrar aquilo que, na verdade ele representa, o Corpo Místico de Cristo. Se respeitamos o Templo construído de pedras, de tijolos, deveremos respeitar mais ainda o Templo Vivo, representado por cada ser humano que foi batizado. Nele, criado à imagem de Deus, redimido pelo sangue de Jesus, habita o Espírito Santo. Se nos desdobramos para que o Templo esteja limpo e bem adornado, como então não deveríamos lutar para que todo e qualquer ser humano tivesse a dignidade que atribuímos a um templo de pedra!   Fontes: Canção Nova, Franciscanos e Roma Pra Você.   ¹: Texto extraído dos artigos “A Cruz de São Damião” (clique aqui) e “São Francisco Reconstruiu a Igreja” (clique aqui) da série "Vocação Franciscana", que você pode acessar clicando aqui.
  • Em reunião na última sexta-feira, 13 de abril, foi finalizado o documento oficial de preparação ao Sínodo
    Foi finalizado na tarde da última sexta-feira, 13, o documento oficial que será utilizado como base para as reuniões, reflexões e demais preparações para o Sínodo da Amazônia. Durante três dias, o Papa Francisco, o Conselho pré-sinodal e uma equipe de assessores debateram os assuntos pertinentes à elaboração deste documento. Segundo comunicado divulgado pela Secretaria do Sínodo dos Bispos, no debate destacou-se a importância da região amazônica para todo o planeta. Examinou-se, primordialmente, a inculturação das populações ali viventes e novos caminhos para a pregação do evangelho aos indígenas. Também foram discutidas as questões acerca da crise ecológica vivenciada naquela região e o quanto esta situação demanda atitudes de preservação integrais na linha com a Encíclica Laudato Si. Ao final da discussão, o Conselho pré-sinodal aprovou o Documento Preparatório, que inclui um questionário final. Sucessivamente, o texto será enviado às Conferências Episcopais interessadas e aos organismos de direito para dar início à consulta pré-sinodal.   Veja detalhes dos outros dois dias das reuniões da equipe com o Papa aqui. 
  • Esmola e caridade: uma reflexão para a Quarta de cinzas
    O Papa Francisco, ao abrir a Quaresma deste ano, na homilia desta quarta-feira de cinzas, referiu-se às três atitudes propostas pelo Evangelho deste dia dizendo: “nessa viagem de retorno ao essencial “o Evangelho propõe três etapas, que o Senhor pede para percorrer sem hipocrisia nem ficção: a esmola, a oração e o jejum”. “A esmola, a oração e o jejum nos reconduzem às únicas três realidades que não se dissipam. A oração nos une a Deus; a caridade, ao próximo; o jejum, a nós mesmos. Deus, os irmãos, a minha vida: eis as realidades que não terminam do nada e sobre as quais é preciso investir.” A Quaresma nos convida a olhar “para o Alto, com a oração”, que liberta de uma vida chata “onde se encontra tempo para si, mas se esquece de Deus”, e depois a olhar “para o outro, com a caridade, que liberta da nulidade do ter, de pensar que as coisas estão bem se para mim tudo vai bem”. A Quaresma nos convida “a olhar para dentro de nós mesmos, com o jejum, que liberta do apego às coisas, do mundanismo que anestesia o coração. Oração, caridade, jejum: três investimentos num tesouro que dura”. Abrimos o período quaresmal com uma espiritualidade profunda em que somos convidados a trilhar o caminho da penitência especialmente utilizando o nosso tempo com a oração, o jejum e a esmola. Neste tempo de tanta carência e necessidade é muito importante repensarmos sobre o papel de dominação e escravidão que os bens e riquezas exercem em nossas vidas. Daí a importância de aprofundarmos a importância da partilha, da caridade ou esmola e a sua consequência em nossas vidas. Embora possamos sempre compartilhar com os irmãos e irmãs carentes as necessidades momentâneas que nos aparecem diante dos olhos numa sociedade em que as pessoas em situação de rua aumentam cada vez mais, no entanto, somos chamados a ver nesse gesto uma necessidade de conversão dessa idolatria que o mundo de hoje impõe em nossas vidas. Precisamos sim ajudar aos nossos irmãos nas suas necessidades, a fome não espera, mas “esmola” é muito mais que um assistencialismo; é dar vida, dignidade, tirar o irmão da situação que ele se encontra. Dar algo material é muito mais fácil e cômodo do que dar de si, do seu tempo, das suas capacidades, daquilo que você sabe fazer, e principalmente do amor humano carregado do amor Divino. Dar esmola significa dar de graça, dar sem interesse de receber de volta, dar sem egoísmo, sem pedir recompensa, em atitude de compaixão. Nisto ele imita o próprio Deus no mistério da criação e a Jesus Cristo, no mistério da Redenção. O homem recebeu tudo do seu criador. Tudo quanto tem, possui-o porquê recebeu. Ora, se Deus dá de graça e se o homem é criado à imagem e semelhança de Deus, se Cristo se doou totalmente, dando sua vida, também a pessoa será capaz de dar de graça. Ao descobrir que dentro de si existe a sublime capacidade de doar-se na gratuidade, a exemplo de Deus e de Cristo, brota nele o desejo de celebrá-la. Quando, pois, na quaresma a Igreja convoca a todos os fiéis a darem esmola, ela comemora aquele que por excelência exerceu a esmola: Jesus Cristo. Convida o homem à atitude de abertura ao próximo, convida-o a servir ao próximo com generosidade e desprendimento. Ora, neste momento a esmola começa a significar toda esta atitude de doação gratuita. Não só de bens materiais, mas o tempo, o interesse, as qualidades, o serviço, o acolhimento, a aceitação. E todo este mistério de abertura e gratuidade em favor do próximo na imitação de Deus e de Cristo possui então uma linguagem ritual. Tem valor de símbolo. Pela celebração quaresmal com a proposta de dar esmola a Igreja comemora a generosidade de Cristo que deu sua vida pelos seus e torna presente Cristo, dando-se a seus irmãos em cada irmão, formando o seu corpo. Assim, quando a Igreja convida os fiéis a exercerem a esmola durante a Quaresma, sabe muito bem que não é pela esmola em si que ela vai resolver todos os problemas sociais e realizar a promoção humana, mas sabe também que é pelo que a esmola significa que ela vai realizar uma verdadeira promoção humana. Muitas situações de carência de muitos existem exatamente por causa da ganância e do apego aos bens de alguns. Dessa maneira, não é a quantia que importa, mas o que gesto ou o rito da esmola significa. Exercitando a atitude da esmola durante a quaresma, a Igreja quer levar os cristãos a viverem a atitude da esmola durante todo o ano, durante toda a vida. Descobrimos, então, que no exercício da esmola está contida a atitude de conversão, em relação ao próximo. O que diz o Catecismo da Igreja Católica: no Batismo, Deus infunde na alma, sem nenhum mérito nosso, as virtudes, que são disposições habituais e firmes para fazer o bem. As virtudes infusas são teologais e morais. As teologais têm como objeto a Deus; as morais têm como objeto os bons atos humanos. As teologais são três: fé, esperança e caridade. No que diz respeito da virtude teologal da caridade, ou seja, do amor, deve-se ter em conta que, o amor a Deus e o amor ao próximo, são a mesma coisa. De modo que um depende do outro; por isto, tanto mais poderemos amar ao próximo quanto mais amemos a Deus; e, por sua vez, tanto mais amaremos a Deus quanto mais de verdade amemos ao próximo. (§1822: a caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e a nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus; §1823: Jesus fez da caridade o novo mandamento. Amando os seus “até o fim” (Jo 13,1), manifesta o amor do Pai que Ele recebe. Amando-se uns aos outros, os discípulos imitam o amor de Jesus que eles também recebem. Por isso diz Jesus: “Assim como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei em meu amor” (Jo 15,9). E ainda: “Este é o meu preceito: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12): §1824: Fruto do Espírito e da plenitude da lei, a caridade guarda os mandamentos de Deus e de seu Cristo: “Permanecei em meu amor. Se observais os meus mandamentos, permanecereis no meu amor” (Jo 15,9-10); §1825: Cristo morreu por nosso amor quando éramos ainda “inimigos” (Rm 5,10). O Senhor exige que amemos como Ele, mesmo os nossos inimigos, que nos tornemos o próximo do mais afastado, que amemos como Ele as crianças e os pobres). O apóstolo São Paulo traçou um quadro incomparável da caridade: “A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (l Cor 13,4-7). O Papa Francisco em sua mensagem para a quaresma deste ano também se referiu a essas três práticas recomendadas no evangelho que abre a quaresma: “Jejuar, isto é, aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tentação de devorar tudo para satisfazer a nossa voracidade, à capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração. Orar, para saber renunciar à idolatria e à autossuficiência do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da sua misericórdia. Dar esmola, para sair da insensatez de viver e acumular tudo para nós mesmos, com a ilusão de assegurarmos um futuro que não nos pertence. E, assim, reencontrar a alegria do projeto que Deus colocou na criação e no nosso coração: o projeto de amá-Lo a Ele, aos nossos irmãos e ao mundo inteiro, encontrando neste amor a verdadeira felicidade. E concluiu: Queridos irmãos e irmãs, a quaresma do Filho de Deus consistiu em entrar no deserto da criação para fazê-la voltar a ser aquele jardim da comunhão com Deus que era antes do pecado das origens (cf. Mc 1,12-13; Is 51,3). Em sua homilia desta quarta-feira de cinzas ele ainda nos faz refletir sobre a nossa mudança de rota e nos pergunta atrás de que nós corremos: “As realidades terrenas dissipam-se como poeira ao vento. Os bens são provisórios, o poder passa, o sucesso declina. A cultura da aparência, hoje dominante e que induz a viver para as coisas que passam, é um grande engano. Pois, é como uma fogueira: uma vez apagada, ficam apenas as cinzas”, frisou. O Papa disse ainda que a “Quaresma é o tempo para nos libertarmos da ilusão de viver correndo atrás da poeira. Quaresma é redescobrir que somos feitos para o fogo que arde sempre, não para a cinza que imediatamente desaparece; para Deus, não para o mundo; para a eternidade do Céu, não para o engano da terra; para a liberdade dos filhos, não para a escravidão das coisas. Hoje, podemos nos perguntar: De que parte estou? Vivo para o fogo ou para as cinzas?” Portanto, eis o grande convite para este tempo quaresmal. Que vivamos intensamente a oração, que cumpramos com o jejum como forma de moldarmos ainda mais o nosso coração a vontade de Deus e que exerçamos a esmola (caridade) como forma de doação do que temos e somos ao serviço daqueles que mais necessitam.   Fonte: Arquidiocese de São Sebastião (RJ) Autor: Cardeal Orani João Tempesta, Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro      
  • Foi encerrado neste domingo (28), o Sínodo dos Bispos 2018
    As últimas atividades do Sínodo dos Bispos 2018 foram realizadas neste sábado (27), no Vaticano. Na conclusão da XV Assembleia Geral ordinária do Sínodo dos Bispos, foi aprovado o Documento Final que consiste todo o trabalho finalizado. O Papa Francisco, ao receber o texto, afirmou “a Igreja está vivendo um momento difícil. É perseguida com acusações contínuas e, portanto, é o momento de defendê-la, todos juntos”. Oficiante, o Sínodo foi finalizado no dia seguinte (28), com a celebração da Santa Missa na Basílica de São Pedro, em que os padres sinodais apresentaram uma carta à juventude (confira na íntegra aqui). Durante a noite de sábado, o documento foi apresentado na Sala de Imprensa da Santa Sé, sendo longamente aplaudido por todos ao término de sua votação. “O material é dirigido, em primeiro lugar, a todos os padres sinodais e ao Papa, a fim de que possam refletir, meditar, discernir e para que, depois, a Igreja possa continuar seu caminho sinodal”, como disse o Preito do Discatério Vaticano para a Comunicação, Paolo Ruffini. O pontífice destacou as recentes acusações que a Igreja vêm sofrendo e pediu para que rezássemos o Terço todos os dias por sua unidade. Em seguida, Francisco falou sobre os trabalhos do Sínodo, "nós aprovamos o documento, agora o Espírito nos dá o documento para que trabalhe no nosso coração. Nós somos os destinatários do documento, e ele ajudará muitos outros, mas os primeiros destinatários somos nós", contou o Papa reiterando ainda que "o Sínodo não é um Parlamento, mas um espaço protegido” porque é o Espírito Santo quem opera.     O que diz o documento Foi quase um mês de debates e reflexões sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” que, além dos padres sinodais, também contou com a presença de muitos jovens auditores e auditoras vindas de diversas partes do mundo. A reunião de todo este esforço está consubstanciada nas 60 páginas do documento que foi divido em três partes, contendo 12 capítulos e 167 parágrafos. O episódio dos discípulos de Emaús, narrado pelo evangelista Lucas é o fio condutor do texto que tem 364 emendas. Nos primeiros pontos, tem-se a apresentação do contexto em que a juventude está inserida, demonstrando a globalização e a secularização em que há uma redescoberta de Deus e da espiritualidade, sendo o papel da Igreja em estimular o dinamismo da fé. O papel das instituições educacionais católicas também é trabalhado. As universidades e escolas precisam enfrentar a relação entre a fé as demandas do mundo contemporâneo. As paróquias, a “Igreja no Território”, devem repensar a sua atuação missionária que, muitas vezes é pequena e escarça em dinamismo pastoral, principalmente na Catequese.   A migração é abordada no material como um paradigma de nosso tempo, um fenômeno estrutural e não uma emergência transitória. Deve se fomentar uma cultura contra o ódio e o medo, em que os migrantes sejam "acolhidos, protegidos, promovidos, integrados". Outro tema delicado tocado no documento são as diferentes formas de abuso que podem ser cometidas por alguns bispos, sacerdotes, religiosos e leigos: de poder, econômico, consciência e sexual. É dito que estes abusos “provocam sofrimentos que podem ​​durar toda a vida e, aos quais, nenhum arrependimento pode colocar remédio". É estabelecido o compromisso da adoção de rigorosas medidas educativas que possam prevenir e impedir estas atitudes, combatendo, principalmente, a corrupção e o clericalismo. Ao mesmo tempo, o Sínodo se diz agradecido a todos aqueles que têm a coragem de denunciar o mal sofrido, porque ajudam a Igreja a tomar consciência do que aconteceu e da necessidade de reagir com decisão. A misericórdia, de fato, exige a justiça". Ainda são tratadas temáticas como a missionaridade dos cristãos, o chamado à santidade, o acompanhamento vocacional e as diferentes questões relacionadas à sexualidade, como a afetividade, a pornografia e a orientação sexual. Confira o Documento completo clicando aqui.   Fotos: Vatican Media.  Fonte: Vatican News aqui, aqui, aqui e aqui.
  • Frades representaram a Província no I Congresso Internacional para os Reitores e Agentes de Santuários
    Foi concluído na última quinta-feira (29), na Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma (IT), o I Congresso Internacional para os Reitores e Agentes de Santuários. O encerramento do evento foi marcado pela audiência reservada entre os participantes e o Santo Padre, o Papa Francisco. O congresso foi iniciado na terça-feira (27) e teve como tema “O Santuário, portas abertas para a nova evangelização”. Foram três dias de evento em que participaram mais de 600 religiosos e religiosas, sendo que 22 deles eram brasileiros. Representando as obras franciscanas de nossa Província, estiveram presentes os Freis Fabrício Nogueira (OFMConv.) e Rafael Normando (OFMConv.). Este último, nos conta como foi a sua experiência no evento, “O Congresso foi de suma importância para nós, Frei Fabrício e eu, pois como, Franciscanos, pudemos compreender não somente a atuação pastoral como reitores e agentes de santuários, mas perceber o que o povo entende desta iniciativa”, disse o guardião do Santuário São Francisco de Assis, em Brasília. No primeiro dia, o presidente do Dicastério para a Nova Evangelização do Ocidente, Dom Rino Fisichella, falou sobre o papel do Santuário na nova evangelização e destacou a pedagogia dos trabalhos pastorais nos Santuários. No segundo dia, logo pela manhã, foi celebrada uma Santa Missa na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma. Em seguida, os participantes e as participantes retornaram à Sede do Congresso para a realização de outras atividades. Como explicou o Frei Rafael, “foi muito falado no encontro sobre a realidade dos fiéis, que devem sempre ser bem acolhidos nos santuários, locais onde eles têm uma experiência com Deus e também com os seus padroeiros e padroeiras”, esclareceu o frade. Frei Rafael Normando (OFMConv.) no encontro com o Santo Padre.   Já no terceiro dia, os congressistas e as congressistas se reuniram para um momento de partilha em que deram os seus testemunhos sobre a colaboração no evento. Em seguida, participaram da audiência reservada com o Papa Francisco. Nela, o pontífice ressaltou que o Santuário deve ser um lugar em que os peregrinos e as peregrinas experimentem a misericórdia de Deus e que se sintam como membros de uma família que acabaram de chegar em casa. Sobre esta ocasião, o Frei Rafael compartilha, “na audiência, o Santo Padre nos lembrou que Deus quer encontrar o povo no seu Santuário. Ele insistiu nesta fala. Isto nos ajuda muito a trabalhar na perspectiva de sermos pessoas que conduzem este povo a encontrar a Deus. E acho que isso é o mais importante: que nunca nos esqueçamos de ser, não somente o povo, mas povo de um Deus que está presente entre nós”, comentou o religioso.   O Congresso O evento foi organizado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização (CPPNE), que, desde abril do ano passado, após a carta apostólica “Sanctuarium in Ecclesia”, tem como tarefas: a ereção dos santuários internacionais e a aprovação dos respectivos estatutos; o estudo e a atuação de medidas que favoreçam o papel evangelizador dos santuários; a promoção da formação específica dos seus agentes e dos lugares de piedade; e a devoção e a valorização cultural e artística dos santuários. Frei Fabrício Nogueira (OFMConv.) durante a audiência com o Papa Francisco.   Confira mais fotos na galeria! Com informações de: Canção Nova e Santuário de Fátima.
  • Francisco, para onde queres nos levar?
    O cardeal argentino Jorge Bergoglio ao aceder ao serviço de pastor da Igreja universal, escolheu ser chamado de Francisco, Papa Francisco. Ele mesmo explica as razões de sua escolha. Antes de começar a escrever o texto da sua Carta encíclica sobre o cuidado da casa comum, Laudato Si’, afirma “Tomei o nome de Francisco por guia e inspiração, no momento da minha eleição para Bispo de Roma. Acho que Francisco é o exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade. É o santo padroeiro de todos os que estudam e trabalham no campo da ecologia, amado também por muitos que não são cristãos. Manifestou uma atenção particular pela criação de Deus e pelos mais pobres e abandonados. Amava e era amado por sua alegria, a sua dedicação generosa, o seu coração universal. Era um místico e um peregrino que vivia com simplicidade e em uma maravilhosa harmonia com Deus, com os outro, com a natureza e consigo mesmo. Nele se nota até que ponto são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior” (n.10).   Borbulham anseios e fervilham perguntas na mente e no coração de um rapaz e de uma moça de ontem, de hoje e de sempre. Somos todos colocados diante do mistério da vida, do empreendimento da existência. Há questões que atravessam nosso espírito. Que bom que assim o seja. Somos seres livres e construímos nosso caminho. Quem sou eu? De onde em venho? Para onde vou? O que posso fazer desses dias que são os meus? Por que essa ânsia de comunhão, homem, mulher, de comunhão com tantos outros? Por que tudo isso? E esse meu irrequieto coração! Nunca está satisfeito. Que projeto esboçar para meu amanhã? Quem vai me dar sua mão? A quem eu daria minha vida? O que me faz viver? Jovens? Esboços do amanhã? Inventores do novo? Correm de um lado para o outro, antenados, sempre antenados. Frequentam as baladas da noite. Alguns gostam de escalar montanhas, nadar em rios límpidos, aspirar o ar puro dos canteiros de flores. Há os que são tatuados, usam brincos e piercings. Alguns voltam para casa, nas madrugadas, sem terem quebrado uma certa harmonia do coração. Não se deixam contaminar. Parece que são imunizados. Enquanto o sono não chega pensam nos caminhos que poderiam percorrer, em estradas que parecem abertas, em sonhos que podem transformar-se em realidade. O que eles vivem com os outros nessas noites vazias não pode ser vida. Há perguntas. Questões que pululam. O que posso fazer de minha vida? O que poderá me fazer viver? Como poderei ser uma pessoa significativa? O cortês e reto Francisco de Pietro Bernardone também tinha perguntas que lhe atravessam a mente. Há uma oração atribuída ao Poverello que se situa nesses momentos abençoados de busca, “Grande e magnífico Deus, iluminai as trevas de minha alma, dai-me uma fé íntegra, uma esperança firme e uma caridade perfeita. Concedei, meu Deus, que eu vos conheça muito para poder agir de acordo com a vossa santíssima vontade”. Os jovens de coração reto trazem em seu interior esta pergunta: Senhor, o que queres de mim? Pessoas de coração reto e espírito generoso são candidatas a viver uma vida de maior dedicação ao Evangelho que, na prática, se chama Jesus vivo e presente em nosso meio. Francisco era um jovem, como tantos outros jovens. Não era alguém vulgar. “Nada seria mais falso do que imaginar o jovem Bernardone como um libertino vulgar. Não o imaginamos nem corrompido nem corruptor, e se teve fraquezas não na forma de vilanias. O provável é que tenha colhido os frutos que se punham ao seu alcance, sem jactância e escândalo para os outros, sem envilecer a ninguém nem envilecer-se a si próprio. Os que o conheceram mais de perto atestam que ele sempre se referia às mulheres com respeito e que em sua presença houvesse alguma conversa licenciosa, fazia-se de surdo e não respondia” (Omer Englebert, Vida de São Francisco de Assis, p.43). Um rapaz reto, de bons princípios, consciente de suas qualidades, cortês… aspirando as estrelas. Ainda Omer Englebert: “É claro que Francisco não limitava suas ambições a medir panos na casa paterna e a festejar em companhia de amigos galanteadores, que se alimentavam às suas custas” (Idem, ibidem). Na medida em que vai caminhando e deixando as perguntas amadurecerem e sentindo a proximidade do Mistério se faz uma iluminação. “Tudo o que se pode dizer é que Francisco agora é um homem que encontrou o amor e que se sente iluminado pelo alto. E como tal agirá doravante, consentindo em passar de visionário aos olhos dos cegos que andam nas trevas e cumprindo atos tidos como loucos por parte dos que nunca amaram. Pode-se acrescentar que nele sobreviverão, no que têm de melhor, seus entusiasmos e ambições juvenis. Como um artista que não muda de estilo ao mudar de inspiração, ele não perderá a originalidade nem tampouco sua nobreza. Ele tinha sonhado ser cavaleiro e cavaleiro permanecerá até a morte” (Englebert, op cit., p. 51). Aos poucos, ele vai deixando o Altíssimo e o Cristo invadirem sua vida. Será alguém revestido de grande e bela simplicidade. Compreenderá que será preciso amar o irmão com amor de mãe. Na convivência recusará sobrepor-se a quem quer que seja. Haverá de trabalhar, e muito, mas nunca perderá o espírito da santa oração. Será um andarilho, estará sempre a caminho, nunca instalado, nunca acabado, mas com imensa saudade do eremitério. Ao longo de toda sua vida estará sempre “limpando as gavetas”, ou seja desapropriando-se de tudo, tornando-se uma pessoa profundamente livre. Haverá de extasiar-se diante de uma flor que abre, da água fresca e mesmo no momento que a seu encontro vem a irmã morte. Sem pretensões soberbas, com seu jeito de viver reformou a Igreja. Nele o sonho de Deus se tornou realidade. Georges Duby, na sua obra Le temps des cathédrales afirma “De parceria com Cristo, Francisco foi o grande herói da história cristã. Pode-se afirmar, sem exagero, que o que hoje resta do cristianismo vivo provém diretamente dele”.   Omer Englebert diz que Francisco encontrou o amor. Por isso, encanta a todos. Os jovens que sentem necessidade de buscar as estrelas, que não se contentam com uma vida medíocre, que não querem ser católicos sem mais, sentem necessidade de amar. Querem gastar o tempo de suas vidas com os outros, saindo à sua procura, fazendo experiência de uma profunda doação de suas vidas. Francisco encontrou o amor feito carne, feito presépio, feito cruz, feito pão, feito irmão. Chorando dirá que o amor precisa ser amado. Ao longo de seu viver estabelecerá uma comunhão de vida com o Senhor marcada por um intenso querer bem. Por meio dele quererá que o Cristo pobre e crucificado seja amado.   Via: Franciscanos. Autor: Frei Almir Guimarães (OFM).
  • Frei Trovarelli: “Os ideais de São Francisco ainda cativam a muitos jovens”
    O novo sucessor de São Francisco de Assis, Frei Carlos Trovarelli (OFMConv.) fala dos desafios que a sua Ordem enfrenta e a harmonia entre os os pontos de vista do Papa e dos franciscanos e que os ideais de São Francisco ainda cultivam muitos jovens. O argentino foi eleito o novo Ministro Geral dos Frades Menores Conventuais, sendo agora o 120º sucessor do Seráfico Pai São Francisco.   Em entrevista para o Vatican News, Trovarelli explica que os principais desafios que a Ordem enfrenta na atualidade são a transparência e a fidelidade ao carisma, a fraternidade, o diálogo e a minoridade; sendo esta última “o selo” que o Pai da Ordem deixou para que pudéssemos vivê-la em cada lugar com o olhar sempre voltado para os mais pobres.   O Ministro Geral também comentou como a vida de São Francisco é atual para os jovens de hoje, “O Seráfico Pai é um jovem e tem uma espiritualidade jovem com muitos ideais e generosidade e estas também são as características que dos jovens da atualidade” disse o conventual pontuando que esses ideais franciscanos “continuam a cultivar muitos jovens e ainda são muitos os que o seguem”.               Eleição do nome de um Papa: um impulso para a Ordem   Frei Carlos Trovarelli durante sua Visita Canônica à Província São Maximiliano Kolbe.   Também foi falado sobre os pontos de vista do Papa Francisco, os quais são para os frades algo que, desde o princípio, os tem chamado a ser quem devem ser: “foi muito forte desde o primeiro momento em que o Papa se pôs este nome. Para nós foi algo que nos impulsionou a olhar mais uns para os outros de forma crítica”, explicou ele.   E, por fim, ele ainda disse que a nova evangelização trata de dois pontos em por um lado que eles interpretam como sair e considerar novas coisas sem medo e por outro sobre o cuidado com a casa comum, “nós devemos ser os primeiros a dar exemplo”, disse o frade argentino. “Atualmente, existem muitos jurisdições em que estão sendo realizandos projetos eco-sustentáveis”, concluiu.     Traduzido e adaptado de: Vatican News. Autora: Mireia Bonilla. Tradução: Mateus Lincoln.   Confira a entrevista em espanhol logo abaixo!   O Frade conversou conosco durante a sua visita à Província em 2018. e confira a entrevista!
  • Igreja tem que ter como critérios a verdade, a bondade e a misericórdia
    O padre José Maria Pacheco Gonçalves, que foi durante muitos anos jornalista da Rádio Vaticano, reflete sobre os últimos tempos do pontificado de Francisco. Não têm sido fáceis os últimos tempos do pontificado do Papa Francisco, sobretudo devido aos escândalos sexuais por parte de membros do clero. Difícil situação em 2018 foi aquela que aconteceu no Chile e que levou a um pedido de desculpas do próprio Papa e a várias renúncias de bispos daquele país. Em particular, no final da viagem do Santo Padre a Dublin na Irlanda onde esteve no IX Encontro Mundial das Famílias, ganhou especial relevância a surpresa de uma tomada de posição de um bispo. D. Carlo Maria Viganò, ex-Núncio Apostólico nos Estados Unidos da América pediu a renúncia do Papa argumentando que Francisco teria encoberto denúncias de abusos cometidos pelo cardeal Theodore McCarrick. O Papa não comentou a declaração do bispo Carlo Maria Viganò, mas convocou os bispos de todo o mundo para uma reunião inédita no Vaticano para os próximos dias 21 a 24 de fevereiro de 2019. O tema será a prevenção dos abusos sexuais. Têm sido muitos os comentários e reflexões sobre estes acontecimentos e o estado atual do pontificado e da reforma que o Papa quer imprimir à Igreja. Para refletir sobre este tema pedimos uma reflexão ao padre José Maria Pacheco Gonçalves, redator durante muitos anos da redação de língua portuguesa da Rádio Vaticano e um atento comentador da atualidade da Igreja. Esta é a primeira parte da entrevista que nos concedeu.   P: Como caracteriza esta fase do pontificado de Francisco e no fundo da vida da Igreja? R: Há que reconhecer que, de facto, são tempos difíceis para a Igreja e para o Papa em particular. De qualquer modo, há que manter a cabeça fria e saber distinguir as pequenas coisas das grandes coisas. O que é preocupante, em relação à pessoa do Papa, é este atrevimento do desafio lançado pelo ex-Núncio em Washington, D. Carlo Viganò, por visar pessoalmente a figura do Papa. Mas, apesar de tudo, já houve outras duas intervenções suas e ele já baixou um bocadinho o tom dizendo que, se calhar, não seria necessário eleger outro Papa, mas que o Papa reconhecesse que havia coisas que não correram da melhor maneira. No entanto, à parte disso, por exemplo, esta referência a que o Papa se enganou no caso do Chile sobre uma pessoa, são coisas que acontecem no quotidiano, na vida normal. Claro que o Papa foi, se calhar, imprudente quando tentou defender uma pessoa de cuja inocência ele estava convencido… mas eu não sei como é que ele poderia agir de outra maneira! Eu quando, dos dados que tenho, estou convencido da inocência de alguém não posso precipitar-me a condenar ou a admitir isso… Se há alguma coisa que é difícil neste momento é encontrar a forma mais adequada de reagir a coisas que exigem uma reação forte e clara, mas, ao mesmo tempo, não incriminar pessoas que podem estar inocentes. Esta é uma questão que já se põe desde o ano 2000 com João Paulo II, quando a Igreja começou a ter uma atitude forte, a tal tolerância zero, em relação aos casos de abusos a menores por parte do clero. Isso tem que ser assim. Mas por outro lado, os canonistas já na altura chamavam a atenção, para o direito de defesa. E para a situação de não vir a condenar pessoas inocentes. Neste momento a posição, mesmo de um ponto de vista internacional e mundial, perante esta pressão permanente que existe, é de dar toda a prioridade em relação à problemática das vítimas. E por outro lado, a grande novidade está em que a tolerância zero passou também para outra coisa que se tinha mantido que era esta tentação por parte dos responsáveis de encobrir, de evitar aquilo a que se chamava escândalo. E isso é a grande novidade deste último ano a partir da tomada de posição muito firme na Carta ao Povo de Deus. Neste momento deu-se um passo positivo na vida da Igreja, que era aquilo que o Papa Francisco, precisamente, desde o início do pontificado tem dito: a Igreja não pode ser auto referencial, não pode estar a defender-se como instituição, tem que ter como critérios a verdade, a bondade, a misericórdia.   P: O que é que têm feito as hierarquias, em particular os bispos, para ajudarem o Papa a enfrentar estes acontecimentos, estas revelações? Fica-se um pouco com a ideia que o encobrimento ainda possa ser uma regra na cabeça de alguns… R: Penso que, apesar de tudo, a gravidade do que aconteceu e da situação que se criou leva atualmente todos os episcopados, todos os bispos, todos os pastores, a perceberem que não há outro caminho e, atualmente, creio mesmo que já nos últimos dez anos, os casos de alguém que tenta encobrir são raríssimos. Se calhar, foi isso que explica que o Papa Francisco não lhe passava pela cabeça que no caso do Chile, por exemplo, houvesse um número tão grande de casos que continuavam a manter encobrimentos. A outra questão é a da conversão pessoal e do dinamismo de uma atividade centrada não na autodefesa da instituição, mas na realização daquilo que se deve fazer. E agora aí o que se nota é que a clivagem ao nível do episcopado é entre aqueles que aceitam o Papa Francisco e o desafio de conversão da Igreja que ele propôs e mantêm desde o primeiro dia do pontificado. No fundo, é ter como critério não o prestígio, não o poder, o abuso do poder e a vaidade dos prestígios mundanos, mas sim que, efetivamente, o Evangelho existe. Eu, não há muito tempo, em conversa com uma pessoa na Itália, era um leigo e disse-me assim: ‘eu tenho muita dificuldade em aceitar o Papa Francisco, é um pauperista.’ Eu fiquei a olhar para ele e só lhe disse: ‘o Papa tenta promover o Evangelho e no Evangelho constantemente Jesus é pauperista, Jesus toma a defesa nas bem-aventuranças e em tudo no seu comportamento e de certeza que é alguém que busque o prestígio…’ Há pessoas que se entusiasmam mais com o Papa Francisco com tudo o que tem de opção radical pelo Evangelho e outros que são mais reticentes, mas, se calhar, quem está por trás da posição de D. Carlo Viganò são lobbies, efetivamente, que, nomeadamente, nos Estados Unidos nunca suportaram que o Papa tivesse posições tão claras e tão evangélicas. Era o padre José Maria Pacheco Gonçalves que voltará com as suas reflexões, sobre o momento atual do pontificado do Papa Francisco, em próximas edições desta nossa rubrica “Sal da Terra, Luz do Mundo”.   Fonte: Vatican News. Autor: Rui Saraiva – Porto.
  • Inicia hoje a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos
    Nesta sexta-feira (18), o Papa Francisco presidirá as Vésperas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma, para dar início à Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (que no Brasil é celebrada entre a Ascensão e Pentecostes) com o tema: “Procurarás a justiça, nada além da justiça”. A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2019 foi preparada pelos cristãos da Indonésia. Com uma população de 265 milhões, 86% dos quais se identificam como muçulmanos, a Indonésia é bem conhecida como o país que tem a maior população muçulmana. No entanto, 10% dos indonésios são cristãos de tradições diversas. “A corrupção – segundo o texto preparado pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos - se manifesta de muitas maneiras. Ela infeta a política e os empreendimentos, frequentemente com consequências devastadoras para o ambiente. Em particular, a corrupção enfraquece a justiça e a implementação da lei. Com frequência, os que se supõe que deveriam promover a justiça e proteger os fracos fazem o oposto. Como consequência, a distância entre os ricos e os pobres tem aumentado; e assim, um país rico em recursos tem o escândalo de muitas pessoas vivendo na pobreza”.   Via: Vatican News.
  • Inicia hoje em Dublim, na Irlanda, o Encontro Mundial das Famílias 2018
    Inicia hoje, 21, em Dublin, na Irlanda, o Encontro Mundial das Famílias 2018. O tema da 9ª edição do Encontro Mundial das Famílias está centrado na exortação apostólica pós-sinodal Amores Laetitia, do Papa Francisco, “O Evangelho da Família, alegria para o mundo”. A cerimônia de abertura acontecerá, simultaneamente, nas 26 dioceses irlandesas, a partir das 19 horas no horário local. O tema será aprofundado ao longo dos três dias de congresso por meio de palestras, debates, testemunhos, além de atividades para crianças e jovens. Cardeais, teólogos, religiosos e leigos estão encarregados de conduzir as atividades, que irá percorrer os mais diversos tópicos do documento papal, abordando desde a preparação para o matrimônio nas paróquias até a espiritualidade da família. Em Dublin, a celebração da Oração da Noite será no centro de convenções RDS, onde também acontecerá o Congresso Pastoral entre quarta e sexta-feira. A celebração tem caráter ecumênico e todas as igrejas cristãs do país foram convidadas a tocar os sinos para marcar o início das atividades. Foram três anos de preparação, desde que a cidade foi anunciada como sede do encontro durante missa presidida pelo Papa Francisco no encerramento da edição anterior, em Filadélfia, Estados Unidos. Depois de comissões serem formadas, reuniões e mais reuniões organizadas, milhares de voluntários recrutados e logística definida, a capital da Irlanda se torna por seis dias, a partir de hoje, o centro das atenções da Igreja Católica em todo o mundo. O encontro será encerrado no domingo, 26, com a participação do Papa Francisco. Na parte da manhã a oração do Angelus no Santuário de Knock e na parte da tarde o Santo Padre preside a Eucaristia de encerramento no Phoenix Park, onde são esperadas 500 mil pessoas. No final da celebração será anunciada a sede do próximo Encontro Mundial.   Fonte: Vatican News. 
  • IV Congresso Vocacional do Brasil acontecerá em reflexão ao Sínodo dos Jovens
    Acontecerá, na cidade de Aparecida (SP), entre os dias 05 a 08 de setembro do ano que vem, o IV Congresso Vocacional do Brasil. O evento tem como tema “Vocação e discernimento” e segue o lema “mostra-me, Senhor, os teus caminhos!” (Sl 25,4) e será realizado acompanhando as reflexões alavancadas pela temática da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, o Sínodo dos Jovens. A abordagem do Congresso foi proposta pela Comissão para os Ministérios Ordenados e Vida Consagrada (CMOVC), em parceria com outras instituições, como a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB Nacional) e o Instituto de Vida Pastoral (IPV). Ao conclamar o Sínodo sobre a Juventude, o Papa Francisco lançou um apelo à Pastoral Vocacional para que seja formadora de “guias especializados” que saibam acompanhar os jovens desta nova geração. Jovens marcados pelos desafios e belezas desta “mudança de época”. Para responder a esse apelo, será de fundamental importância que o tempo de preparação do IV Congresso Vocacional seja marcado por uma mudança profunda de mentalidade e ação nos animadores e animadoras vocacionais:  passar do recrutamento de agentes sociais a verdadeiros discípulos de Jesus, mediante a pastoral do encontro com o Senhor. Sendo necessário o contínuo movimento de descida ao complexo chão da realidade, onde a “experiência de fé cristã se encontra hoje em uma espécie de estado generalizado de busca e recomeço”, como afirma o documento sobre a Iniciação Cristã em seu número 52. Descer à realidade para “ver e escutar” a pluralidade das juventudes no contexto atual e escutar o grito que nasce no coração dos jovens que não suportam as injustiças e não desejam inclinar-se à cultura do descarte, nem ceder à globalização da indiferença.   Fonte: CRB Nacional. Autora original: Ir. Clotilde Prates de Azevedo (ap), Assessora Executiva CRB Nacional. 

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