Papa Francisco
-
Jovens e redes sociais: apenas 4% compartilham conteúdos católicos
Foram apresentados na Universidade Gregoriana os resultados do “Global social listening study”, um estudo sobre a relação entre os jovens, redes sociais e religião. Apenas 4% dos jovens compartilha nas redes os conteúdos sobre a fé católica. O Brasil é o país com o maior número de jovens, mais de 5 milhões, com interesse pela religião. “Começamos este estudo – conta Jesus Colina, diretor editorial do site Aleteia, para compreender como os jovens estão vivendo a religião nos dias de hoje. Mas para entendê-los, precisávamos de informações reais. E como os jovens estão com frequência nas redes sociais, recolhemos os dados justamente desta fonte: de seus perfis no Facebook e Instagram em todo o mundo”, explicou ele. As duas pesquisas foram realizadas pela rede de informações católicas Aleteia, em colaboração com a Universidade Saint Mary’s de Londres e a Universidade Ramon Llull de Barcelona. As informações da primeira pesquisa, “A fé dos jovens e seus influencers nas redes sociais”, foram coletadas em 2017. “Foram levados em consideração – explica Jesus Colina – os dados estatísticos e não as informações pessoais de cerca de 540 milhões de perfis no Facebook e Instagram de jovens entre 18 e 25 anos”, contou Jesus. "Os jovens – acrescenta ele – são provenientes de todas as partes do mundo, com exceção de Cuba, Venezuela, Bolívia, Irã, Sudão, Egito e Congo. Por falta de dados disponíveis”, completou Jesus. Os resultados foram encaminhados para os bispos, por ocasião do Sínodo dos Jovens, para que possam compreender melhor a realidade atual da juventude e, assim, elaborar um plano de trabalho de evangelização mais específico. Do estudo sobressai que apenas 4% dos jovens compartilha conteúdos relativos à fé católica nas redes sociais. Em geral, de fato, os jovens nas redes sociais procuram entretenimento e gêneros de consumo, para compartilhar interesses e serem reconhecidos pelos outros. Aqueles que estão interessados em religião geralmente têm um nível de estudos superior aos outros e interesses sociais e culturais. Brasil, primeiro lugar nas redes sociais Segundo o estudo, o Brasil é o país com o maior número de jovens: mais de 5 milhões com interesse pela religião. Em seguida, vêm as Filipinas com 2 milhões, a Índia com 1 milhão, os Estados Unidos e o Peru com 900 mil e a Itália com 700 mil. Os EUA surpreendem em aparecer nesta posição porque, embora tenham um número elevado em termos absolutos, apenas 2,5% dos jovens se interessam pela religião na internet. Também surpreende constatar o grande interesse do Vietnã (4% dos jovens), pois é um país comunista. Segundo Miriam Diez Bosh, professora na Universidade Ramon Llull de Barcelona, “considerando que quase a metade das redes sociais encontram-se em países com maioria cristã, elas tornam-se potencialmente o primeiro espaço que a Igreja pode entrar em contato com os jovens e por isso deve ser aproveitado”, afirmou ela. Papa o primeiro entre os interessados em religião Para entender os jovens, é preciso saber quem são seus influencers. Com isso pode-se entender quais sejam os valores aos quais eles dão importância. Entre os principais, estão os do mundo do espetáculo e entretenimento em geral. Porém, o Papa Francisco é o primeiro entre os jovens interessados pela religião. "Inútil pensar em superá-los, mas nos aproveitar destes, ou seja, influenciar os influencers, para que sejam porta-voz da realidade de fé e religião", afirma a professora Miriam Bosh. O estudo revela que o interesse dos jovens pelas redes sociais vai além dos limites geográficos e, geralmente, se concentram no entretenimento (música, televisão, videogames, esporte) e em grifes de bens de consumo. Este materialismo, combinado com a fragilidade das relações, mostra que a geração dos jovens de hoje, ao contrário da precedente, não tem pontos de referência na vida. “A vida dos jovens nas redes sociais – declarou Jesus Colina – parece mais uma barca a vela, que precisa encontrar ventos favoráveis para ir adiante, sem saber exatamente qual seja o seu destino”. Fonte: Vatican News. Foto: www.dnpj.pt -
O tempo dos jovens na Igreja
Os jovens e as jovens de todo o mundo tem tido lugares de destaque nas discussões da Igreja. Nas preparações para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que acontecerá no Panamá, em 2019, eles auxiliaram a elaborar o Sínodo dos Bispos de outubro deste ano que, inclusive, tem como tema “os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Após rezar o Angelus na Praça São Pedro, no dia 18 do mês passado, o Papa Francisco convidou os jovens a participarem presencialmente e virtualmente da reunião pré-sinodal. Tudo isso com objetivo de deixar o debate mais próximo daqueles e daquelas que vivem em uma época diferente e passam por situações cada vez mais voláteis. E, neste mês, do dia 19 ao dia 24, cerca de 315 adolescentes de várias religiões e ateus vindos de muitos países diferentes, se reuniram em Roma em uma verdadeira conferência sobre o que esperam da Igreja. Também integraram a discussão pelas redes sociais aproximadamente 15 mil internautas. No Domingo de Ramos, 25, se celebrou nas dioceses de todo o mundo a JMJ e, por essa mesma ocasião, após a Santa Missa no Vaticano, foi entregue ao Pontífice por um jovem do Panamá, o documento redigido pelos participantes da reunião pré-sinodal. O material será utilizado para preparar o sínodo deste ano. Jovens com o Papa na Santa Missa de Ramos. Foto: Vatican News. Anseios da Juventude “Nós jovens acolhemos com alegria seu convite a participar desta Reunião pré-sinodal. Suas palavras, no início do nosso encontro, muito nos encorajaram. Vivemos sem nenhuma distinção de cultura ou fé este momento de comunhão em favor do trabalho pelos jovens”, disse o rapaz ao saudar o Papa. O documento foi apresentado em uma sala de imprensa pelo Cardeal Lorenzo Baldisseri, Secretário do Sínodo. Ele comentou sobre alguns dos dizeres expressos na manifestação “Uma Igreja jovem, mas não ‘oposta’ ou ‘contrária’ aos adultos, mas sim ‘dentro’, como o fermento na massa, usando uma linguagem evangélica”, disse. Dentre os anseios dos jovens e das jovens, está a honestidade e coerência por parte dos líderes, como afirmou o Cardeal, “do texto emerge um grande anseio de transparência e credibilidade por parte dos membros da Igreja, de modo especial, de seus pastores: os jovens querem uma Igreja que saiba reconhecer com humildade os erros do passado e do presente, comprometendo-se com coragem em viver aquilo que professa”. Ao mesmo tempo em que a juventude parece estar determinada em seus desejos e críticas, eles e elas ainda necessitam da orientação de pessoas que não sejam perfeitas, que sejam humanas e que, principalmente, saibam dialogar com todos os avanços da modernidade. O secretário do Sínodo completou, “Os jovens sofrem hoje a carência de verdadeiros mestres que os ajudem a encontrar seu caminho na vida e pedem à comunidade cristã que compreenda esta necessidade”. O Papa Francisco havia afirmado ao receber a todos e todas no primeiro dia da reunião pré-sinodal (19), “Falem com coragem, digam o que vocês gostariam de dizer. Se alguém se sentir ofendido, peçam perdão e continuem”, ressaltando que, assim como a juventude têm a necessidade de falar, a Igreja tem a necessidade de ouví-la. Após se reunirem durante uma semana e expressarem o que queriam falar, eles e elas agora esperam ser ouvidos. Assim, se despediu o jovem panamense quase que em conformidade à fala do Santo Padre no dia 19, “neste documento, mais do que palavras, lhe entregamos a nossa vida e os desejos mais profundos de nosso coração”. Jovens participaram de coletiva de imprensa com o Cardeal Lorenzo Baldisseri, Secretário do Sínodo. Foto: Vatican News. -
Primeiro Encontro Mundial de Jovens Indígenas (EMJI) iniciará amanhã (17) no Panamá
Na expectativa da chegada do Papa Francisco e da abertura oficial da JMJ, o Panamá começa a festejar o primeiro Encontro Mundial de Jovens Indígenas (EMJI) em Soloy, Diocese de David. Entre os dias 17 e 21 deste mês, mais de mil jovens celebrarão a cultura antiga e a esperança cristã, centrados na oração e no testemunhos de jovens comprometidos com a proteção da terra e contra a exploração indiscriminada da Criação. Motivados para refletir e celebrar a fé em Cristo a partir da riqueza milenar de culturas originais, os jovens estão respondendo ao convite do Papa Francisco para “serem gratos pela história de nossos povos e corajosos diante dos desafios que nos cercam, para avançarmos, cheios de esperança, na construção do outro mundo possível”. O EMJI se insere na Semana Missionária que precede a Jornada Mundial da Juventude e envolve mais de 90 paróquias da Arquidiocese do Panamá: são os chamados "Dias nas Dioceses", quando jovens de todo o mundo têm a oportunidade de participar de atividades espirituais e realizar trabalhos de solidariedade com as comunidades locais panamenhas para experimentar a vida local, entrar na cultura panamenha e conhecer melhor os desafios enfrentados diariamente pela população do país centro-americano. O ponto central da programação do evento será invocar a Encíclica Laudato Si' (confira clicando aqui), com olhar já voltado ao Sínodo Amazônico, programado para outubro próximo, no Vaticano. JMJ 2019 A Jornada Mundial da Juventude 2019 acontecerá entre os dias 22 e 27 deste mês e tem como tema “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38)”. São esperados mais de 200 mil jovens vindos de 155 países. O Papa Francisco chegará ao Panamá na próxima quarta-feira (23), encontrando, segundo o arcebispo panamenho, Dom José Domingo Ulloa Mendieta, uma “Igreja jovem e alegre, autêntica, multiétnica e pluricultural, com uma fé viva, com o compromisso de anunciar o Evangelho”. A última edição do evento foi realizada em Cracóvia, na Polônia, de 26 a 31 de julho de 2016. No último dia, na Missa de envio, o Papa Francisco anunciou que a sede da próxima edição seria o Panamá, país localizado na América Central. Saiba como os jovens e as jovens brasileiras estão se preparando para a JMJ 2019, clique aqui. Fontes: CNBB e Vatican News. Ouça a seguir, o Hino da Jornada Mundial da Juventude 2019 (JMJ) na língua indígena Ngäbere: -
Proteção aos menores: saiba os pontos mais relevantes discutidos no primeiro dia
O primeiro dia do Encontro sobre a Proteção dos Menores, no Vaticano, tem como tema “A Igreja num momento de crise. Responsabilidade do Bispo. Enfrentar os conflitos e as tensões e agir com decisão” e visa esclarecer as responsabilidades dos bispos em sua função pastoral, espiritual e jurídica. O encontro vai até domingo (24) e foi convocado pelo papa Francisco. Estavam presentes presidentes das Conferências espiscopais do mundo inteiro. Quem representou o Brasil, foi o arcebispo de Brasília e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Sergio da Rocha. O arcebispo de Bogotá (Colômbia), cardeal Rubén Salazar Gómez, observou que, na acusação feita pela vítima, deve-se analisar o que está envolvido. Para ele, não é apenas questões de desvios ou patologias sexuais dos clérigos que comentem os abusos. Ele foi enfático ao afirmar que, para compreender a responsabilidade e assumir a crise que a Igreja vem passando, é indispensável buscar classificar o teor disso. "Há uma raiz mais profunda que é o desvirtuamento do significado do ministério transformado em meio para impor a força, para violar a consciência e os corpos dos mais frágeis. Isto tem um nome: clericalismo.” O papa Francisco, ao dar início ao encontro, pediu que o encontro tivesse a missão de responsabilidade pastoral e eclesial para enfrentar o mal que aflige tanto a Igreja quanto a humanidade. "Nos obriga a discutir juntos, de maneira sinodal, sincera e aprofundada sobre como enfrentar esse mal que aflige a Igreja e a humanidade. O santo Povo de Deus nos vê e espera de nós não simples e evidentes condenações, mas medidas concretas e eficazes a serem realizadas. São necessárias medidas concretas”, acrescentou Francisco. Fonte: Vaticano News -
REPAM realiza processo de escuta dos jovens para o Sínodo 2019
Entre os dias 07 e 09 deste mês, em Manaus (AM), foi realizada pela Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), uma atividade de escuta que reuniu cerca de 30 jovens para refletir sobre o Sínodo de 2019, que tem a realidade amazônica como tema. Os participantes são representantes de uma diversidade de grupos juvenis e, na ocasião, responderam ao questionário do Documento Preparatório. Pastorais, movimentos eclesiais e sociais, congregações religiosas, comunidades indígenas e quilombolas estiveram representadas no encontro. Os jovens divulgaram uma carta aberta à Igreja e à sociedade. No texto, que reflete as respostas ao questionário, os jovens indígenas, caboclos, ribeirinhos, quilombolas, extrativistas, habitantes da zona rural e urbana, moradores das periferias e das fronteiras, afirmam que são “afetados diretamente pelas ameaças que dia a dia excluem, matam, degradam e cerceiam a vida dos povos”. Pensando na Igreja com rosto amazônico, a juventude da Amazônia brasileira afirma querer que ela seja “inculturada, que respeite a diversidade da juventude dos povos amazônicos, que resistem e assumem as lutas nos diversos espaços em que estão inseridos”. E pedem “à hierarquia eclesial e a todo o povo de Deus, coragem para responder aos desafios do nosso século e que possam acreditar na beleza da novidade que a juventude traz”, afirma o texto. Os jovens encerram a carta manifestando apoio ao Papa Francisco, cujo pontificado “lança sopros de alegria e novidade no seio da Igreja no processo de escuta do Sínodo da Juventude e Sínodo para a Amazônia”, dizem eles. Como horizonte a ser perseguido, a partir do Sínodo, os jovens afirmam sonhar “uma Igreja na qual as juventudes sejam protagonistas e que as mulheres tenham voz e vez. Uma igreja que promova e defenda a vida em todos os âmbitos, sem medo de assumir e atuar na opção preferencial pelos pobres, a luta dos povos indígenas, comunidades tradicionais, migrantes e jovens da Amazônia. Uma Igreja menos clerical, em que os leigos e leigas, especialmente as juventudes, se apropriem, sejam protagonistas na ação pastoral e tenham apoio na capacitação técnica para sua atuação, dentro e fora dos espaços eclesiais”, concluem as juventudes da Amazônia brasileira presentes na atividade de escuta. Fonte: Vatican News. -
Saiba como foi o quarto dia da Semana Filosófica e Teológica realizado na última quinta-feira, 24 de maio, no ISB
Na última quinta-feira, 24 de maio, aconteceu no auditório do Instituto São Boaventura o ISB, o quarto dia da Semana Filosófica e Teológica, que tem como tema “O Pontificado do Papa Francisco”. O professor Vicente Sérgio, mestre em Filosofia e especialista em Filosofia e Existência, apresentou a palestra sobre “O Itinerário filosófico-político do pontificado do Papa Francisco”. Vicente abordou como tem sido a atuação do pontífice neste assunto, "o pontífice fez a seguinte afirmação, 'também aqui na Itália para salvar os grandes capitais, deixam as pessoas sem trabalho. Vai contra o segundo mandamento e quem faz isso, ai de vós! Não sou eu que os digo, é Jesus", disse. Vicente Sérgio Coutinho é graduado em Filosofia pela PUC-MG e especialista em Filosofia e Existência pela UnB. Foto: Cúria Provincial São Maximiliano Kolbe Para tratar da atuação do Papa Francisco, o professor Vicente, demonstrou como o pontífice busca atentar os fiéis à vida cristã enquanto cidadão político e entendedor de sua existência, "nossa época contemporânea mostrou-se ter uma visão limitada da pessoa humana, pois, a pessoa é compreendida individualmente e, predominantemente, como um consumidor cujo o lucro consiste, sobre tudo, na otimização de sua renda monetária", argumentou. Durante a exposição, foi-se discutido como os católicos e as católicas podem atuar politicamente num mundo moderno com uma quantidade imensurável e às vezes confusa de informações, "cada cristão deveria estar atento à análise de conjuntura, que é enxergar, efetivamente, a realidade. Infelizmente, nem tudo que aparece, é", explicou. Dentre as influências do papado de Francisco, o professor Vicente falou também sobre a política mais humanista e aberta ao diálogo inter-religioso, "O Papa Francisco nos convida a cuidar mais da natureza, a casa comum; e repensarmos a cultura do descarte (...) A postura ecumênica do pontífice não se trata daquele que vem trazer a verdade, mas daquele que se coloca à abertura. A sua mensagem, numa perspectiva política, convida a todos e todas, posto que, os cristérios que ele utiliza não são direcionados somente aos cristãos e cristãs, mas aos cidadãos em geral", afirmou ele. O Frei Antônio dos Santos comentou sobre o legado do trabalho humanitário do Papa Francisco na vida religiosa e fraterna, "a influência de Francisco é muito importante pois, hoje, estamos passando por uma transformação interno e externo da perspectiva de Igreja. Nós, como religiosos e franciscanos, precisamos abraçar esse projeto do Papa e crescer como homens que são limitados e tem as suas perspectivas e modos de existência. E, partindo dessa existência, esses mesmos homens possam crescer de uma forma mais comunitária", expressou o frade. Frei Antônio considera que a atuação do Papa Francisco causou mudanças na Igreja não somente para os fiéis, mas também para os religiosos, que devem abraçar esse novo projeto de Igreja mais humana. Confira a cobertura em vídeo e as fotos do evento! (Via: ISB) -
Ser jovem em tempos tenebrosos
O Sínodo sobre a juventude aconteceu e com ele alguns jovens tiveram a oportunidade de estar inseridos no seio deste acontecimento eclesial e ouvir que a Igreja se preocupa com eles. Quer ouvi-los, captar seus desejos e aspirações, falar-lhes. Fazê-los sentir que nestes tempos tenebrosos que vivemos os jovens são o presente e a esperança de futuro. É difícil ser jovem hoje em dia. A vida se torna cada vez mais difícil. As relações afetivas são voláteis e frustrantes. O futuro profissional inexiste e muitas vezes anos de estudo e preparação desembocam no lodaçal viscoso e repugnante do desemprego e das faltas de oportunidade. Além disso, a violência que transforma nossa época em uma terceira guerra mundial em capítulos é uma ameaça constante à vida da juventude, sobretudo da mais pobre e vulnerável. No Brasil, os números são assustadores. Matamos perto do equivalente a uma guerra do Vietnam por ano. E as vítimas são em sua maioria jovens do sexo masculino, em sua grande maioria negros. A essa juventude se dirigiu a Igreja Católica reunida em sínodo. E o documento final afirma que se procurou estabelecer um verdadeiro diálogo com a geração que hoje vive o que antes se considerava os anos dourados. Hoje já não se sabe se realmente o são. Tantas são as ameaças, as dificuldades, a falta de horizontes que as gerações anteriores, incluindo a nossa, presenteou a atual geração jovem. Os padres sinodais afirmam ter tentado honesta e esforçadamente realizar uma escuta empática que evitasse respostas pré-concebidas e receitas prontas. Reconheceram que nem sempre a têm realizado e manifestaram o desejo de realmente fazê-lo. Porque – constatam – os jovens querem ser escutados, desejam ser ouvidos e que se lhes preste a atenção que merecem. Anseiam serem acompanhados por pessoas sensíveis e capazes, que possam ajudá-los em suas perplexidades e buscas. O Sínodo confirmou sua intuição de que a juventude hoje, apesar de todos os problemas e dos contínuos estímulos a ela lançados pela globalização, a secularização e os desertos contemporâneos, ainda sente sede de Deus e busca uma espiritualidade. Talvez não busque tanto uma religião ou uma instituição, mas sim uma espiritualidade, algo que dê sentido à vida e ajude a viver. Por isso, a Igreja se sente estimulada a recuperar a importância do dinamismo da fé em seu diálogo com as novas gerações. O documento também pede perdão pelos recentes casos de abuso por parte de pessoas da Igreja com tantos jovens e assume o firme compromisso de adotar rigorosas medidas de prevenção que impeçam a repetição de tão tristes acontecimentos, a partir da seleção e formação mais cuidadosa daqueles a quem serão confiadas tarefas de responsabilidade e educativas. Parece-me que aí se encontra um dos pontos altos do documento. Já é mais que hora de falar a verdade aos jovens. É imperioso que a Igreja se mostre a eles e elas com sua verdadeira face. Sem filtros. Sem camuflagens. Trata-se da Igreja de Cristo, santa e pecadora. Nela os jovens deverão poder encontrar o brilho e o fulgor da santidade que é dom do Espírito Santo. Mas também poderão encontrar – e certamente isso ocorrerá – as sombras e as trevas das fraquezas e dos pecados que dão testemunho constante de quão humana é essa comunidade de homens e mulheres que se dispõe a seguir Jesus Cristo e anunciar seu Evangelho. Uma Igreja que tem a coragem de mostrar-se tal qual é e de pedir perdão por erros cometidos terá muito mais credibilidade junto aos jovens. E será muito mais capaz de acompanhá-los em seus discernimentos e escolhas, acolhendo-os como mãe carinhosa, com seus defeitos e qualidades. Nessa relação sempre renovada pela verdade, poderá acontecer o diálogo da juventude com a Igreja. Sem falsos moralismos ou inverdades que matam a credibilidade e o diálogo. O texto bíblico que permeia o documento como fio condutor é a belíssima passagem do encontro dos discípulos de Emaús com o Cristo Ressuscitado. Desolados e perdidos no caminho, os dois que partiam em direção a Emaús sentiam que a esperança lhes havia sido roubada. Tudo apostaram no Galileu de palavras de fogo e amor ardente e agora, com sua morte, o chão se abria sob seus pés. O forasteiro os ouviu e caminhou com eles. Não lhes mentiu nem deu soluções fáceis. Mas explicou que o sofrimento e a morte fazem parte da vida humana, tal como os profetas já haviam dito. No entanto, Deus era maior que a dor e a morte e o demonstrara ressuscitando seu Filho que os homens mataram. O pão partido e partilhado foi o sinal desta vida que não morre. E os dois, que já nada mais esperavam, reconheceram o Senhor e reencontraram o sentido e a razão para viver. Que assim seja com os jovens de hoje que esperam da Igreja palavras de esperança e luz. Tomara que esse Sínodo seja o marco de um novo tempo no qual as trevas possam ser atravessadas na esperança de que a palavra final para os jovens será o amor. Fonte: CRB Nacional. Autora Original: Maria Clara Bingemer, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio. -
Veja como foi o terceiro dia da Semana Filosófica e Teológica realizado na última quarta-feira, 23 de maio, no ISB
Foi realizado ontem, 23 de maio, no auditório do Instituto São Boaventura o ISB, o terceiro dia da Semana Filosófica e Teológica, que tem como tema “O Pontificado do Papa Francisco”. O doutor em História Geral pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e em História da Igreja pelo ISB, Sérgio Ricardo Coutinho, apresentou a palestra sobre “Os 5 anos do papado de Francisco à luz dos 50 anos de Medellín”. Durante a sua exposição, Sérgio Coutinho apresentou os principais legados da II Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada entre agosto e setembro de 1968, em Medellín, na Colômbia (veja no texto abaixo) "o maior fruto (da conferência) foi ter dado à luz à Igreja latino americana e caribenha, como uma igreja, de fato, latino americana e carinha", relembrou ele. No decorrer da apresentação, Sérgio chamou a atenção também para a influência da conferência de Medellín no trabalho do Papa Francisco, visto que este é natural da região que estava em palta nos debates, "Medellín, na abertura do caminho feito pelo Vaticano II, rompeu a aliança constantiniana que deu a abertura à Igreja na América Latina o perfil de uma igreja livre do poder e próxima dos pobres. Podemos dizer que o Papa Francisco é herdeiro deste modelo", apontou ele. Fazendo uma contextualização histórica do clima político-social da América Latina à época da Conferência de Medellín, Doutor Sérgio demonstrou uma relação direta da Igreja de Francisco com a Igreja latino-americana de 1968, "a Conferência acontece num ano de muita agitação sócio-política, no mundo todo e aqui. Na América Latina a gente passava já para o início das ditaduras militares. Na Conferência, foi feita a aplicação do Vaticano II, em que a Igreja faz, profeticamente, uma escolha pelos pobres. Isso faz com que muitos sejam perseguidos e mortos pelas poderio militar vigente". O Frei Ricardo Elvis participou da palestra e comentou a importância de se debater as mudanças pretendidas pela Conferência justamente num momento em que o Papa Francisco propõe novos caminhos aos fiéis, "tem uma importância muito grande em nossa história, pois, somente agora que vemos os primeiros frutos desse encontro e o Papa Francisco é mais um desses frutos. Ele, por ser um bispo da América Latina, isso é muito importante pra gente. Não por acaso, mas propositalmente, a escola do nome Francisco. Eu, como Franciscano, posso dizer isso", expressou ele. O simpósio acontece hoje, 24, e amanhã, 25, no auditório do ISB // das sete e meia às dez da noite. Veja todos os detalhes no vídeo abaixo e confira mais fotos na galeria! II Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano Foi realizada em Medellín, na Colômbia, de 26 de agosto a 4 de setembro de 1968. 16 documentos foram os frutos desta conferência, que se constituiu em uma releitura do Vaticano II para a América Latina e o Caribe. No documento Justiça, 3, já encontramos a palavra-chave que marcará Medellín: libertação - é o mesmo Deus que, na plenitude dos tempos, envia seu Filho para que, feito carne, liberte a todos os homens de todas as escravidões a que os sujeitou o pecado, como a fome, a miséria, a opressão e a ignorância. A característica de Medellín é marcada pela situação de um mundo subumano. A visão do Vaticano II foi uma visão otimista e a palavra-chave era desenvolvimento, como fica claro na Carta Encíclica de Paulo VI Populorum Progressio: o desenvolvimento individual e solidário da humanidade. Em Medellín, a teologia do desenvolvimento e da promoção humana cede lugar à teologia e pastoral da libertação. É a descoberta do sub-mundo dos pobres, dos países pobres, que é a maioria da humanidade, e pobres devido a uma situação de dependência opressora que gera injustiça. Impõem-se com a conversão da criatura humana às mudanças estruturais. Não teremos um continente novo sem novas e renovadas estruturas, e sobretudo não haverá continente novo sem homens novos que, à luz do evangelho, saibam ser verdadeiramente livres e responsáveis (Med 1,3).Essa libertação evangelizadora é vista mais tarde em Puebla em dois elementos complementares e inseparáveis: a libertação de todas as servidões do pecado pessoal e social, de tudo o que afasta o ser humano e a sociedade e tem sua fonte no egoísmo, no ministério da iniquidade; e a libertação para o crescimento progressivo no ser, pela comunhão com Deus e com os homens, que culmina na perfeita comunhão do céu, onde Deus é tudo para todos e não haverá mais lágrima (cf. Puebla, 482). O ponto alto da pastoral libertadora da Igreja encontra-se na clara e profética opção preferencial e solidária pelos pobres. É uma opção pelo “ser mais” e não pelo “ter mais”. (Com informações de: Vida Pastoral) (Via: ISB)
Página 2 de 2
- 1
- 2