São Francisco de Assis

  • "E" como Escândalo - Os pecados que suscitavam escândalo segundo São Francisco
    Autor: Emil Kumka OFMConv., docente de Franciscanismo na Pontifícia Faculdade Teológica São Boa Ventura - Seraphicum, Roma - IT. Tradução: Frei Rafael Normando Pinheiro, OFMConv.   A palavra elaborada do autor, o capuchinho Andrzej Derdziuk, é dividida somente em dois pontos: 1. Significado teológico de “escândalo”; e 2. Como São Francisco entendia o termo. O Escândalo deriva da omissão ou também da ação que influencia negativamente sobre os outros e provoca o abandono do bem da parte deles. Assim, o escândalo pode conduzir ao abaixamento da vida moral e constituir a justificação para pecar. Etimologicamente, a palavra latina scandalum provém de offendiculum, que significa “o obstáculo colocado sobre a vida”. O termo inclui as palavras e as obras que criam ao próximo a possibilidade de uma conduta espiritual. No escândalo, a substância é constituída do dar ocasião, por isso, tem um valor moral objetivamente negativo, mesmo se a outra pessoa não comete pecado. O escândalo é o crime contra o amor ao próximo e contra a justiça que obriga a dar um bom exemplo, especialmente quando um indivíduo efetua a missão de guia ou de responsabilidade de qualquer grupo ou sociedade. Sendo também um crime contra o cuidado da bondade espiritual do outro. O fundamento da avaliação negativa deste pecado são as palavras de Jesus Cristo: “É inevitável que aconteçam escândalos, mas ai do homem que os causa” (Mt 18,7). São Francisco olhava com repugnância o pecado do escândalo e advertia os seus frades a não cometê-lo. Sofria tanto por causa desse crime que, quando o via e acreditava, se não fosse pela graça de Deus, o escândalo cometido pelos frades o haveria conduzido à morte (cf. LM 8,3). Mesmo se não definia quais coisas eram o escândalo, todavia fornecia observações concretas sobre atitudes escandalosas. Na Regra não bulada ordenava: “nem aceitem algum trabalho que gere escândalo ou que leve dano às suas almas...” (Rnb 7,1). Tomás de Celano testemunha que os primeiros frades: “Não queriam fazer nenhum trabalho que pudesse dar margem a um escândalo, mas sempre se ocupavam de coisas santas e justas, honestas e úteis, dando exemplo de humildade e de paciência a todos aqueles com os quais se encontravam” (VbF 39). São Francisco incluía como fato escandaloso, para dar um exemplo, o ser padrinho (cf. Rb 11,4), porque isso comportava possuir bens úteis para ajudar o afilhado. Nos pecados que suscitavam o escândalo, São Francisco incluía o ócio, a ganância, a calúnia, a desobediência e a murmuração, porque podem despertar a vontade de possuir os bens, de ser independente dos superiores e de lançar uma má luz sobre os outros. A suscetibilidade ao escândalo foi julgada por São Francisco como a imaturidade e a instabilidade que se revelam diante às dificuldades e perseguições. A inclinação ao escândalo é o sinal de volatilidade e caracteriza a conduta, que o santo indicou como a falta de raiz em si (cf. RnB 22,15), ou seja, moralmente a falta de “espinha dorsal”, aquela que permite permanecer parado no bem não obstante às circunstâncias. Como o homem é fraco, deve rezar para conseguir ver o bem do próximo, alegrar-se disso e fugir das ocasiões de escândalo: “... gastando todas as nossas energias e os sentidos da alma e do corpo em oferta de louvor ao teu amor e não por outra coisa, e afim que amemos os nossos próximos como a nós mesmos, atraindo todos segundo as nossas forças ao teu amor, usufruindo dos bens dos outros como se fossem nossos e nos momentos tristes sofrendo juntos com eles e não trazendo dentro de si nenhuma ofensa a ninguém” (OrPat 5). Para evitar o escândalo, o Assisense propõe aos confrades a confissão sincera (Cf. Mem 28,11-14); a manutenção de paz, serenidade, gentileza e pudor por todos: “Mas enquanto eram assim severos com si mesmos, os seus comportamentos eram sempre suaves e pacíficos com todos; e esperavam somente obras de edificação e de paz, evitando com grande cuidado qualquer motivo de mau exemplo” (VbF 41,2); a abstenção dos próprios prazeres e dos amores peculiares, especialmente quando é superior à fraternidade: “Deve ser – continuou – um homem de vida bastante austera, de grande discrição e louvada fama. Um homem que não conheça simpatias particulares, porque enquanto privilegia uma parte, não geri escândalo em toda a comunidade” (Mem 185,2). Evitando a não ceder à tentação do escândalo, São Francisco advertia os frades de não indignar-se do pecado do outro, e comandava de diminuir a ira e a ânsia pelo crime cometido por qualquer um. Não aceitando o pecado, um frade menor deveria fugir do juízo do pecador: “Ao servo de Deus nenhuma coisa deve desagradar, exceto o pecado. E em qualquer modo uma pessoa pecasse e por motivo de tal pecado, o servo de Deus, não mais guiado da caridade, nem ficando turbado ou iroso acumulando para si como um tesouro aquela culpa” (Adm 11,1-2).
  • 04 de outubro: dia do Nosso Pai Seráfico, São Francisco de Assis
    Hoje, 04 de outubro, a Igreja celebra o Nosso Pai Seráfico, São Francisco de Assis, o fundador da Ordem dos Frades Menores. Francisco nasceu em Assis, na Itália, no ano de 1182, sendo filho de um rico comerciante, Pedro Bernardone e de Dona Pica. Foi batizado em Santa Maria Maior (antiga catedral de São Rufino), inicialmente, com o nome de João (Giovanni), mas seu pai mudou de ideia devido às viagens comerciais que fazia à França. Era um jovem alegre que gostava da vida boêmia em que participava de muitas festas e banquetes, sendo muito popular entre os jovens de sua cidade. Desejava a glória da nobreza e, para isso, deveria participar das guerras que eram comuns nas lutas de poder de sua época. Bernardone desejava que o filho enobrece a família trazendo pra casa o heroísmo conquistado nas batalhas. No entanto, na primeira batalha caiu prisioneiro. No cárcere insalubre, ficou por cerca de um ano. Ao retornar, até continuou a curtir a vida de festas que levava antes, mas dessa vez, a diversão não durou muito. Devido as condições às quais fora exposto na prisão, ficou doente. Enfermo, o jovem refletiu sobre o significado de sua vida e, quando melhorou, não era mais o mesmo Francisco: as diversões do século que antes lhe preenchiam o coração, agora eram sinônimo de uma felicidade frívola, vazia e efêmera. Deus buscou atentá-lo ao significado de sua vida e missão na Terra assim. Mesmo assim, o jovem de Assis ainda ansiava pela glória das guerras. E, mais uma vez decidiu se aventurar.   O chamado Antes de partir, Francisco doou a sua cara armadura preparada pelo seu pai a um companheiro mais pobre que também participaria da batalha. Durante a viagem, adoeceu mais uma vez. Com febre, pensou ter ouvido a voz de Deus a falar com ele: – Francisco, o que é mais importante, servir ao Senhor ou servir ao servo?  – Servir ao Senhor, é claro – respondeu.  – Então, por que te alistas nas fileiras do servo?  – Senhor, o que quereis que eu faça?  – Volta a Assis – lhe diz a voz – e ali te será dito. Retornou mais uma vez à sua cidade, desafiando o desdém dos vizinhos e a fúria de seu pai. Inquieto com o chamado de Deus, passou a dedicar-se à oração. Peregrinou por muitos lugares em busca de respostas. Em uma viagem à Roma, em 1205, indignou-se com a baixa quantia de ofertas na tumba do Apóstolo São Pedro e deixou um punhado de moedas, contrastando com a pequena quantidade deixada por outras pessoas. Ainda na capital italiana, teve a sua primeira experiência de pobreza: sensibilizado com a situação de um mendigo, trocou suas nobres vestes com ele e trajou as suas roupas sujas e esfarrapadas.   Todos já estavam preocupados com ele. Havia enlouquecido o filho do comerciante? Frequentava cada vez mais a velha Capela de São Damião, que ficava no campo. Num certo dia, na estrada de Assis que levava até à igreja, ele deparou-se com um leproso, um ser que lhe causava grande e indescritível nojo. Entretanto, dessa vez era diferente. Francisco estava diferente. Como se estivesse movido por força maior, desceu do cavalo e pôs um saco de moedas nas mãos sangrentas daquele pobre. E, num gesto de compaixão, beijou-o. Sobre esta ocasião, ele disse “O que antes me era amargo, mudou-se então em doçura da alma e do corpo. A partir desse momento, pude afastar-me do mundo e entregar-me a Deus”.   A Renúncia Certo dia, rezando aos pés do crucificado na Capela de São Damião, ouve uma voz saindo direto do crucifixo “Francisco, vai e reconstrói a minha Igreja que está em ruínas”. Não entendendo o real significado deste chamado, foi à sua casa, pegou alguns pertences e os vendeu por um preço muito abaixo do que valiam. Foi ao sacerdote da capela e se ofereceu para reconstruir com as próprias mãos o local, que estava malconservado. Seu pai ficou irado com esta atitude. Há algum tempo ele já vinha dando desfalques na loja de Bernardone, pegando mercadorias e doando aos necessitados, mas agora era pior, ele estava envergonhando toda a sua família. Irado, Pedro Bernardone busca o jovem à força, castiga-o fisicamente e o prende num cubículo em baixo da escada de sua casa, acorrentado pelos pés. Mas sua mãe, Dona Pica, em compaixão para com o filho, soltou-o. Liberto, ele passou a se dedicar à mendicância de dinheiro e pedras para a reconstrução da capela, enquanto se escondia de seu pai. Sem mais alternativas, Bernardone recorreu ao Bispo de Assis em julgamento contra o filho. A audiência aconteceu na praça comunal da cidade, local em que seu pai lhe deu as alternativas de ou voltar com ele ou abdicar de sua herança e devolvesse tudo que havia recebido dele. Para a surpresa de todos, Francisco disse “As roupas que levo pertencem também a meu pai, tenho que devolvê-las". Assim, ele começou a tirar os seus trajes. Um a um e, estando nu, disse “Até agora tu tens sido meu pai na terra, mas agora poderei dizer: ‘Pai nosso, que estais nos céus”. O Bispo, admirado com o feito, o acolheu em seu manto.   A Missão Cada vez mais distante dos familiares e amigos, o Pobrezinho de Assis agora realizava trabalho pastorais e atuava na reconstrução de igrejas da região. À essa altura, questionava a si mesmo “O que mais Deus haveria de querer para mim?”, já que ainda não tinha tido completamente as respostas as quais buscava antes de receber o primeiro chamado do Senhor. Já na restauração da última capela de sua localidade, a sua tão cara Porciúncula, a Igrejinha de Santa Maria dos Anjos, ouviu o Evangelho na Santa Missa “sem túnicas, sem bastão, sem sandálias, sem provisões, sem dinheiro no bolso …” (Lc 9,3). Essa palavra tocou de tal forma o jovem de Assis que, finalmente, ascendeu-se nele a luz do seu chamado, “É isso que quero! É isso que desejo de todo o coração!” e, pouco depois, passou a vivenciar a sua obra: o seguimento puro do evangelho. Seu modo de vida passou a intrigar a muitos. Um destes foi Bernardo de Quintaval, o primeiro irmão. Bernardo, havia questionado ao Povorelo se poderia acompanha-lo em sua obra. Para responder, Francisco recorreu ao Evangelho. À caminho da Santa Missa acompanhado de Bernardo e Pedro de Catânia, ele abriu a Bíblia e recebeu as seguintes respostas: “Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres. Depois vem e segue-me” (Mt 19,21). “Não leveis nada pelo caminho, nem bastão, nem alforge, nem uma segunda túnica…” (Lc 9,3). “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me” (Mt 16,24). Então, decidiu São Francisco, “Isto é o que devemos fazer e é o que farão todos quantos quiserem vir conosco”. Este foi o início da Fraternidade dos Irmãos Menores, em 24 de fevereiro de 1208.   Fraternidade Aos poucos muitos foram se juntando a eles e, em 1209, estes mendicantes foram à Roma, pedir a aprovação de seu modo de vida. Inocêncio III admirado com Francisco, não só aprovou a ordem, como o reconheceu como o homem de um sonho que teve em que este segurava as colunas da Igreja de Latrão (a mãe de todas as igrejas), que estava em ruínas. Em 1212, entre os dias de 18 e 19 de março, na noite de domingos de Ramos, a nobre Clara di Favarone foge de casa e é recebida na Porciúncula. Santa Clara torna-se a primeira mulher a ser recebida na Ordem. A Ordem crescia cada vez mais, principalmente após a entrada de Santa Clara e suas companheiras e o seguimento de muitos cristãos leigos que, mesmo já tendo se casado, estavam admirados com o movimento franciscano. Em 1219, Francisco vai ao acampamento do sultão do Egito, Melek-el-Kamel e tem uma importante conversa com ele. Um dos pontos que mais impressionavam a todos no movimento, não era somente à minoridade ou o seguimento radical do evangelho, mas a fraternidade universal do franciscanismo. O Pai Seráfico via em todas as criaturas e na criação, vestígios do próprio criador. Se Deus os fez, estes eram maravilhosos! E por todos Francisco tinha amor igualmente.   Últimos momentos Em 1224, no período de 15 de agosto a 29 de setembro, Francisco, com Frei Leão e Frei Rufino, passa no Alverne, preparando-se com uma quaresma de oração e jejum para a festa de São Miguel Arcanjo. Em setembro, tem a visão do Serafim alado e recebe os estigmas. Seu estado de saúde piora muito após este ano. Era final de agosto, em 1226, pede para ser levado à Porciúncula. Chegado à planície, lança sua bênção sobre Assis. Nos últimos dias de vida, dita o Testamento, autotestemunho de incalculável valor para a vida e os propósitos de homem tão singular. No dia 3 de outubro, à tarde, Francisco, morreu cantando “mortem suscepit”. No domingo seguinte, 4 de outubro, é sepultado na igreja de São Jorge, na cidade de Assis, mas o cortejo fúnebre passou antes pelo mosteiro das Clarissas. No dia 16 de julho de 1228, Francisco foi canonizado.   Entenda mais sobre o Pai Seráfico Francisco deixou muitos aprendizados em sua vida de imitação de Cristo. Todas as suas admirações, para com o Evangelho, para com a fraternidade, para com a criação, tinham muitos significados. Para compreender melhor sobre o Pai Seráfico, leia os textos:             Francisco e a devoção à Maria;             Francisco e Santa Clara;             Amor à Santa Cruz;             Impressão das Chagas;             Minoridade;             Cântico Irmão Sol;             Trânsito de São Francisco. Publicamos também alguns artigos na série “Vocação Franciscana”, em que falamos sobre os muitos significados da vida de Francisco nos seguintes momentos: O Chamado e a Escuta, a Cruz de São Damião e a Reconstrução da Igreja. Para cada texto há um vídeo sobre a explanação de um frade do ponto de vista religioso sobre a temática. Clique aqui e acesse a série.  Confira a playlist dos vídeos no nosso canal no YouTube: .  Fontes: Canção Nova, Cruz Terra Santa e Franciscanos. 
  • A Irmã Água e a declaração após a realização do FAMA
    Foi encerrada na tarde de ontem, 22, em Brasília, a programação do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), por onde passaram, desde o dia 17, cerca de 7 mil pessoas. A Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFFB) teve a sua representação no evento, como foi publicado aqui O fim do Fórum aconteceu justamente naquele que é considerado pela ONU, desde 1993, como o Dia Internacional da Água, como uma mensagem sobre o manejo sustentável deste recurso tão precioso. E, sendo organizado por movimentos sociais do Brasil e de muitos outros países, no FAMA foi se discutido a utilização da água alheia aos interesses comerciais e financeiros de grandes grupos empresariais, para que esta continuasse a ser um bem de todos que precisa ser valorizado por todos. Curiosamente, a admiração deste líquido essencial (e de muitos outros recursos naturais) já vinha sido manifestada pelo criador dos princípios franciscanos no início do século XIII. São Francisco de Assis, já próximo do fim de sua vida, escreveu o Cântico das Criaturas, em que ele exalta, em 4 versos, a singularidade da irmã água como uma dádiva divina. Nesta pequena estrofe (leia no fim do texto), tem-se a instituição da sigla franciscana UHPC: Útil, Humilde, Preciosa e Casta. Revelando então para os seus seguidores a valorização e o louvor que deve se render ao nosso bem mais necessário. Tudo que é vivo, só existe pela água. Nada pode ser sem que não seja com água. Confira o poema escrito por São Francisco em 1226: Cântico das Criaturas Altíssimo, onipotente, bom Senhor, Teus são o louvor, a glória, a honra E toda a benção. Só a ti, Altíssimo, são devidos; E homem algum é digno De te mencionar. Louvado sejas, meu Senhor, Com todas as tuas criaturas, Especialmente o Senhor Irmão Sol, Que clareia o dia E com sua luz nos alumia.   E ele é belo e radiante Com grande esplendor: De ti, Altíssimo é a imagem.   Louvado sejas, meu Senhor, Pela irmã Lua e as Estrelas, Que no céu formastes claras E preciosas e belas.   Louvado sejas, meu Senhor, Pelo irmão Vento, Pelo ar, ou nublado Ou sereno, e todo o tempo Pela qual às tuas criaturas dás sustento.   Louvado sejas, meu Senhor, Pela irmã Água, Que é mui útil e humilde E preciosa e casta.   Louvado sejas, meu Senhor, Pelo irmão Fogo Pelo qual iluminas a noite E ele é belo e jucundo E vigoroso e forte.   Louvado sejas, meu Senhor, Por nossa irmã a mãe Terra Que nos sustenta e governa, E produz frutos diversos E coloridas flores e ervas.   Louvado sejas, meu Senhor, Pelos que perdoam por teu amor, E suportam enfermidades e tribulações.   Bem aventurados os que sustentam a paz, Que por ti, Altíssimo, serão coroados.   Louvado sejas, meu Senhor, Por nossa irmã a Morte corporal, Da qual homem algum pode escapar.   Ai dos que morrerem em pecado mortal! Felizes os que ela achar Conformes á tua santíssima vontade, Porque a morte segunda não lhes fará mal!   Louvai e bendizei ao meu Senhor, E dai-lhe graças, E servi-o com grande humildade
  • A Irmã Morte
    O mistério da vida e da morte é um mistério de pobreza. A vida é de graça. Nada fiz para viver. Os que me deram a vida, com toda sua consciência e bondade, nada sabiam da vida. Não puderam controlar o que deram. Não puderam segurar a vida terrena deles mesmos. Nada entendemos da morte, com todo o nosso progresso. Quanto mais o homem progride mais sabe que a morte, assim como a vida, é um mistério. Só podemos agradecer. Agradecer pela vida de cada momento, pelo dom de cada momento, e pelos dons da vida dos outros, dos outros seres que a vida nos traz. Só podemos agradecer pelo mistério da vida, que é tão grande que ultrapassa a morte. Agradecer é viver cada momento intensamente. Agradecer é viver. Não precisamos ter medo da morte se o Senhor da Vida é Amor e nos prova isso a cada momento. Mas só os agradecidos entendem que Ele é Amor. É claro que a gente tem um pouco de medo, aquele medo que a gente sempre sente como parte da excitação das experiências muito grandes ou muito novas. É um medo vital, pelo qual também podemos agradecer. Não somos nada, não temos nada, não levamos nada. Mas tudo está ao nosso alcance e tudo pode ser vivido por nós intensamente, a cada momento. O momento anterior já passou. Teve uma oportunidade única de ser vivido e já se fez passado. Mais assustadora que essa morte que dá a impressão de nos interromper o fluxo da vida é essa outra em que perdemos oportunidades de vida, em que algo passa e não é integrado nem aproveitado.   Clique aqui e leia, no site Franciscanos, o que as Fontes Franciscanas falam sobre a morte do Seráfico Pai. Este é o quinto artigo da Série “A Morte na Mística Franciscana”, um especial do site Franciscanos para o dia dos finados. Acesse os outros artigos clicando aqui.   Fonte: Franciscanos. Autor: N.G. Van Doornik.
  • A Mensagem Central da Bíblia
    Qual é, em poucas palavras, a mensagem central da Bíblia? A resposta não é fácil, pois depende da vivência. Se você gosta de uma pessoa e alguém lhe pergunta, “Qual é, em poucas palavras, a mensagem desta pessoa para você?”, aí não é fácil responder. O resumo da pessoa amada é o seu nome! Basta você ouvir, lembrar ou pronunciar o nome, e este lhe traz à memória tudo o que a pessoa amada significa para você. Não é assim? Pois bem, o resumo da Bíblia, a sua mensagem central, é o Nome de Deus! O Nome de Deus é Javé, cujo sentido Ele mesmo revelou e explicou ao povo (cf. Ex 3,14). Javé significa Emanuel, isto é, Deus conosco. Deus presente no meio do seu povo para libertá-lo.Deus quer ser Javé para nós, quer ser presença libertadora no meio de nós! E Ele deu provas bem concretas de que esta é a Sua vontade. A primeira prova foi a libertação do Egito. A última prova está sendo, até hoje, a ressurreição de Jesus, chamado Emanuel (cf. Mt 1,23). Pela ressurreição de Jesus, Deus venceu as forças da morte e abriu para nós o caminho da vida. Por tudo isso é difícil resumir em poucas palavras aquilo que o Nome de Deus evocava na mente, no coração e na memória do povo por Ele libertado. Só mesmo o povo que vive e celebra a presença libertadora de Deus no seu meio, pode avaliá-lo. Na nossa Bíblia, o Nome Javé foi traduzido por Senhor. É a palavra que mais ocorre na Bíblia. Milhares de vezes! Pois o próprio Deus falou, “Este é o meu Nome para sempre! Sob este Nome quero ser invocado, de geração em geração!” (Ex 3,15). Faz um bem tão grande você ouvir, lembrar ou pronunciar o nome da pessoa amada. Aquilo ajuda tanto na vida! Dá força e coragem, consola e orienta, corrige e confirma. Um Nome assim não pode ser usado em vão! Seria uma blasfêmia usar o Nome de Deus para justificar a opressão do povo, pois Javé significa Deus libertador! O Nome Javé é o centro de tudo. Tantas vezes Deus o afirma: “Eu quero ser Javé para vocês, e vocês devem ser o meu povo!” Ser o povo de Javé significa: ser um povo onde não há opressão como no Egito; onde o irmão não explora o irmão; onde reinam a justiça, o direito, a verdade e a lei dos dez mandamentos; onde o amor a Deus é igual ao amor ao próximo. Esta é a mensagem central da Bíblia. É o apelo que o Nome de Deus faz a todos aqueles que querem pertencer ao seu povo.       Este artigo é o quarto da série do site Franciscanos para o Mês da Bíblia: O Evangelho pautou a vida de São Francisco de Assis. Fonte: Franciscanos. Texto da “Bíblia Sagrada”, da Editora Vozes.
  • A ousadia de se deixar conduzir pelo Espírito do Senhor
    Vivemos numa situação de crise e, entre surpresos e perplexos, constatamos um processo de profundas transformações. Muitas são as indagações que brotam da experiência dos homens e das mulheres do nosso tempo. Inúmeras são as sementes de vida e de esperança entranhadas no nosso cotidiano que, ansiosamente, atendem o momento propício da germinação. Estamos convencidos de que o projeto evangélico de Francisco de Assis goza de uma atualidade surpreendente. Ele tem despertado em todas as culturas e épocas fascínio e acolhida. Seremos capazes, também nós, de encarnar o projeto evangélico de Francisco? Estamos dispostos a oferecer-lhe aquela concreção singular capaz de contagiar alma e corpo, vida e palavra, atitudes pessoais e relacionais? O Concilio Vaticano II convocou-nos à recuperação do nosso carisma inspiracional. Desde então, temos nos empenhado em redescobrir nossa identidade franciscana, mediante o estudo das “Fontes Franciscanas”, e em propô-la novamente em nossas legislações e documentos recentes. Nossa maior dificuldade, todavia, tem sido encarnar de maneira significativa aqueles valores nos quais cremos e que publicamente professamos. Precisamos estabelecer com a nossa mais genuína tradição uma relação de “fidelidade criativa”. Não basta se debruçar sobre os textos franciscanos. Eles surgiram como fruto da experiência concreta de Francisco e de seus primeiros companheiros. Testemunham o esforço deles em encarnar o evangelho em meio à realidade desafiante dos inícios do século XIII. Celano escreve que Francisco “fez do seu corpo uma língua” (1Cel 97). Pois compreender é bem mais do que simplesmente explicar. Não que a explicação se oponha à reta compreensão. No entanto, muitas de nossas explicações, ao invés de conduzir-nos à aplicação, nos detêm numa prazerosa “masturbação intelectual”, responsável por situações de perniciosa estagnação. Importa recuperar o princípio evangélico de que é pelo fruto que se conhece a árvore. Não se trata, portanto, de condicionar o ser ao fazer quanto de perceber que o ser se revela e se verifica no fazer. Não estamos imunes à onda do pragmatismo e do eficientismo. Preocupamo-nos demasiadamente com a visibilidade e, não raras vezes, assumimos atitudes triunfalistas e prepotentes. Francisco recorda que somos chamados a ser irmãos e menores e que nisto consiste propriamente nossa missão evangelizadora. Importa recuperar a gratuidade fundamental da nossa existência, expressão do dom livre e desinteressado de Deus. Discernir em cada situação a presença discreta de Deus que nos desafia e interpela. Ver as diferenças não como ameaça à unidade, nem como sintoma de uma comunhão perdida. Acolhê-las, ao contrário, como expressão da multiforme e fecunda graça de Deus. Não apenas suportá-las, numa atitude de indiferença, por vezes, reveladora de uma tácita cumplicidade. Mas assumi-las como ocasião propícia para se deixar surpreender pelo Deus de Jesus. Isso só é possível para aqueles que, sabiamente, aprenderam a suspeitar de si mesmos e dos próprios projetos. E perceberam que a diferença do outro, muitas vezes, pode se tornar oportunidade privilegiada de enriquecimento e de amadurecimento. Para tanto, é necessário que nos proponhamos a reconstruir nossa identidade interior. Resgatar o mistério da própria vocação mediante a escuta silenciosa da Palavra de Deus e a participação devota à Eucaristia. Redescobrir, através da leitura atenta e da meditação da Palavra de Deus, que Ele irrompe na nossa vida cotidiana de formas e modos cada vez novos e que nos interpela a realizar sua vontade. Celebrar a Eucaristia como memória do Mistério pascal de Cristo que se recria na vida de cada um de nós e das nossas fraternidades. Somente em tal caso a Eucaristia será experimentada como aquele alimento que nos revigora no esforço em “fazer o que sabemos que Ele quer e de querer sempre o que lhe agrada” (Carta a toda a Ordem, 50). Somente enquanto alicerçados sobre uma formação espiritual sólida, seremos capazes de reconciliar as diversidades presentes em nossas fraternidades e províncias. Somos chamados, hoje mais do que nunca, a recuperar os votos na sua força libertadora. Não são, em primeiro lugar, sinais de uma carência que deve ser abraçada numa atitude de ascetismo heróico. São, na verdade, expressão de um amor maduro, desinteressado, generosamente predisposto a suportar todo e qualquer sacrifício. Não devemos, portanto, nos comportar como pessoas castradas na sua humanidade. Os votos, quando vividos na sua integralidade, deixam transparecer aquela humanidade mais genuína que, como germe, se esconde no âmago de cada um. Eles testemunham uma sadia experiência de êxodo: libertam-nos da idolatria do poder, do ter e do prazer egocêntricos e nos propiciam o encontro com o outro na sua irredutível diferença. Olhando para a realidade das nossas províncias, surge quase espontaneamente a pergunta: “Será mesmo necessário agir sozinho para poder ser criativo?”. O que fazer para não nos deixarmos sucumbir face à tentação sedutora da estagnação ou da estéril repetição do passado? Somos suficientemente contemplativos a ponto de discernir em cada acontecimento uma senda que conduz a Deus e de acolher com generosidade os inúmeros apelos que Ele nos lança em meio a tantas situações que constituem o nosso cotidiano mais ordinário? O que fizemos daquela ousadia que nos fez abraçar a vida franciscana? Por que nossas fraternidades se deixam contaminar pelo vírus de um uniformismo que amesquinha e asfixia? Entre tantos desafios que nos são colocados, talvez o maior de todos seja justamente o de restituir credibilidade ao nosso projeto de vida. E isto requer ousadia. Não podemos nos omitir nem mesmo postergar esta incumbência às gerações futuras. É fundamental que assumamos uma atitude de diálogo com nossos reais interlocutores. Que estejamos dispostos a ouvi-los com respeito e caridade, conscientes de que temos tanto a aprender deles. Que saibamos discernir, a exemplo dos nossos pais na fé, “as sementes do Verbo”, a secreta presença de Deus no mundo moderno e nas demais religiões e culturas. Que estejamos abertos a promover, juntamente com todos os seres humanos de boa vontade, relações mais justas e fraternas, no respeito pela liberdade e dignidade de cada pessoa. Esta atitude dialógica assume feições muito concretas no relacionamento com os jovens que pedem para serem admitidos à nossa experiência de vida. Não há dúvida de que cabe a nós propor-lhes a riqueza da nossa tradição cristã e franciscana. É preciso, todavia, respeitar e valorizar a “recepção criativa” testemunhada por eles ao encarnar o carisma franciscano nas concretas situações em que vivem e segundo desafios e indagações inusitados. Não tem sido esta a dinâmica do processo histórico de constituição da nossa mais genuína tradição franciscana? Estamos imersos num mundo em constante transformação. Precisamos vencer o medo e a inércia que paralisa nosso caminhar. Para estarmos à altura dos inúmeros desafios do tempo presente é preciso, em primeiro lugar, alargar nossos horizontes para além das preocupações com a própria sobrevivência e com a eficiência antropocêntrica. Necessário se faz, portanto, rever nossos critérios e projetos. Somos convocados a fazer memória do nosso passado, deixando Cristo irromper em nossa vida através do Seu Espírito Vivificante. Francisco dizia que o Ministro Geral da Ordem era o Espírito Santo. A razão de tal escolha não residiria propriamente no fato de ser Ele aquele que “faz novas todas as coisas”?   (Via: Franciscanos. Por: Frei Sinivaldo S. Tavares [OFM])
  • Basílica de São Francisco, em Assis na Itália
           A Basílica fora construída por volta de 1228, logo após a canonização do pobrezinho. O Papa Gregório IX quis que, em honra ao santo, fosse elevado um magnífico templo e ali seus restos mortais fossem preservados.        O mesmo Pontífice abençoou a pedra fundamental em 17 de Julho de 1228 e, na festa de Pentecostes, 25 de maio de 1230, ordenou que o corpo do santo foi transportado da igreja de São Jorge para a nova basílica, a igreja-mãe da Ordem dos Ordem dos Frades Menores. Inocêncio IV a consagrou solenemente em 1253, elevando à basílica patriarcal e capela papal por Bento XIV em 1764.        São Francisco queria morrer perto da Porciúncula, onde havia iniciado a vida religiosa. Mas aquele que havia escolhido a pobreza como um caminho para amar e deixava-a como herança a seus filhos. A construção da basílica superior começou logo após 1239 e foi finalizada em 1253. Sua arquitetura é uma síntese do Românico e do Gótico Italiano. As igrejas foram decoradas pelos maiores artistas daquele tempo, vindos de Roma, Toscana e Úmbria. A igreja inferior tem afrescos de Cimabue e Giotto; na igreja superior está uma série de afrescos com cenas da vida de São Francisco, também atribuída a Giotto e seus seguidores. A Basílica é administrada pelos Frades Menores Conventuais (OFM Conv). Os Frades Franciscanos Conventuais são os guardiães dos restos mortais do Santo de Assis.        No dia 26 de setembro de 1997, Assis foi atingida por dois fortes terremotos que danificaram severamente a basílica (parte do teto dela ruiu durante o segundo tremor, destruindo um afresco de Cimabue), que passou dois anos fechada para restauração. A Basílica inferior, que representaria a penitência, consiste em uma nave central com várias capelas laterais com arcos semicirculares. A nave é decorada com os afrescos mais antigos da igreja, criados por um artista chamado Mestre de São Francisco. Eles mostram cinco cenas da Paixão de Cristo à direita, e à esquerda, cenas da vida de São Francisco. Esses afrescos foram finalizados em 1260-1263. São considerados os melhores exemplos da pintura mural da Toscana, antes de Cimabue.        Como a popularidade da igreja aumentou, capelas laterais para famílias nobres foram adicionadas entre 1270 e 1350, destruindo os afrescos na paredes. A primeira capela à esquerda é decorada com dez afrescos de Simone Martini. Esses estão entre os maiores trabalhos de Martini e os melhores exemplos da pintura do século XIV.        A nave termina em uma abside semicircular ricamente decorada, precedida por um transepto. Os afrescos no transepto direito mostram a infância de Cristo, feitos parcialmente por Giotto e seus aprendizes e a Natividade pelo anônimo Mestre di San Nicola. O nível inferior mostra três afrescos representando São Francisco ajudando duas crianças. Esses afrescos de Giotto foram revolucionários para a época, pois mostravam pessoas reais com emoções em uma paisagem realista.        Na parede do transepto, Cimabue pintou uma de suas obras mais famosas: Nossa Senhora com São Francisco, Anjos e Santos (1280). Esse é provavelmente o retrato mais assemelhado a São Francisco. A pintura estática em estilo gótico contrasta com as pinturas dinâmicas de Giotto. O transepto esquerdo foi decorado pelo pintor Pietro Lorenzetti e seus aprendizes entre 1315 e 1330. Os afrescos mostram seis cenas da Paixão de Cristo, sendo a mais impressionante a Descida da Cruz, onde se percebe a sombra em uma pintura pela primeira vez desde a Antiguidade.   Cripta com túmulo de São Francisco de Assis        Pela nave se pode descer para a cripta através de uma escadaria dupla. Esse local, que guarda o túmulo de Francisco foi descoberto em 1818. O túmulo tinha sido escondido por Frei Elia para evitar que suas relíquias se espalhassem pela Europa medieval. Por ordem do Papa Pio IX, uma cripta foi construída embaixo da Basílica inferior. Foi projetada por Pasquale Belli com mármore fino em estilo neoclássico, mas foi redesenhada em pedra crua em estilo neo-Românico por Ugo Tarchi entre 1925 e 1932.        Ao lado da Basílica, fica o Sacro Convento, que se assemelha a uma fortaleza e que já era habitado em 1230. O Convento agora abriga uma vasta biblioteca (com obras medievais), um museu com obras de arte doadas por peregrinos pelos séculos e também 57 obras (principalmente das Escolas Florentina e Sienesa) da Coleção Perkins.   Nave da Basílica superior        A entrada da Basílica superior (que representa a glória) é pela arcada do convento dos frades. O estilo dessa área é completamente diferente da Basílica inferior. Grandes janelas de vidro colorido banham com luz as obras de Giotto e Cimabue. A parte final ao oeste do transepto e a abside foram decoradas com vários afrescos de Cimabue e seus aprendizes (1280). Infelizmente, devido ao material usado na obra, os afrescos logo sofreram os efeitos da umidade. Estão hoje muito deteriorados e foram quase reduzidos a meros negativos fotográficos.        A parte superior, em ambos os lados da nave, muito danificada pelos terremotos de 1997, foi decorada em duas filas com um total de 32 cenas do Velho Testamento e do Novo Testamento. Como levava cerca de seis meses para que se pintasse apenas uma parte da nave, diferentes artistas romanos e toscanos, seguidores de Cimabue, trabalharam na obra, tais como Giacomo, Jacopo Torriti e Pietro Cavallini.        Mas a obra mais importante da Basílica é, sem dúvida, a série de 28 afrescos atribuídos a um jovem Giotto na parte baixa da nave. Giotto usou a Legenda Maior, a biografia de Francisco para reconstruir os maiores eventos da vida do santo. As pinturas são vívidas, como se Giotto tivesse sido uma testemunha ocular da história. Os afrescos foram executados entre 1296 e 1304. Contudo, a autoria da obra ainda é debatida. Alguns críticos acreditam que a série tenha sido feita por um grupo de artistas inspirados em Giotto.   (Via: Franciscanos)
  • Celebração da Solenidade de São Francisco de Assis no Santuário dedicado ao Seráfico Pai
    Ontem (04), no Santuário São Francisco de Assis, em Brasília (DF), o dia foi dedicado à Festa do Padroeiro. Para fazer memória ao Patrono da Ecologia, foram recebidos na igreja os animais que seriam abençoados pelos Frades com a graça do Seráfico Pai Francisco que tanto amor teve pela criação. As Santas Missas Ação de Graças ao fundador da ordem foram celebradas às 07h, 08h, 10h, 12h15, 17h e, a principal delas, foi presidida pelo Frei Marcelo Veronez (OFMConv) às 19h. À noite, na principal Eucaristia, a nave do Santuário encontrava-se cheia, entre muitos e muitas fiéis que estavam acompanhados de seus animais de estimação. O provincial, Frei Marcelo, relembrou, em sua homilia, o evangelho do 25º domingo do tempo comum (23 de set), quando os discípulos questionaram ao Senhor quem é o maior entre eles e Jesus os respondeu, "Se alguém quiser ser o primeiro, deve ser o último de todos e o servo de todos" (Marcos 9: 30-37). Esclarecendo assim, o exemplo de minoridade de São Francisco que se dedicou a viver o Evangelho, “muitas vezes, queremos ser maiores que Deus, mas sem Ele, não somos nada”, disse o religioso. O frade buscou aprofundar em sua homilia o modelo de imitação de Cristo pelo Seráfico Pai, que abdicou-se do século para encontrar a Deus e, assim demonstrar uma perfeita espiritualidade cristã, onde “não há lugar para juízes e nem para a separação, mas há lugar para os advogados, as levezas e o acolhimento”, afirmou Frei Marcelo, que continuou “Essa era a doutrina de São Francisco: desapegar-se das vaidades humanas. Ele, assim como Jesus, teve uma vida de encontros (com a Santa Cruz de São Damião, com o leproso, com Santa Clara e com os primeiros frades). Um exemplo disso, foi o seu encontro com o Sultão egípcio Malik al-Kamil. Francisco não era um grande pregador, mas era um homem que buscava pela fraternidade”.   Veja também como foi o Trânsito de São Francisco aqui. Confira a Bênção dos Animais aqui. Conheça mais sobre São Francisco aqui. Leia sobre o significado de alguns momentos de sua vida na série Vocação Franciscana, clique aqui. 
  • Celebração dos 25 anos de Ordenação Sacerdotal com a realização de Projeto Solidário
    Durante a celebração dos 25 anos dos primeiros votos do Frei José Nasareno, foi realizado neste domingo, 19, em Candeias (BA), o SAE - Solidários na Alegria do Evangelho, um projeto de ação solidária motivada pelo Magistério do Papa Francisco. Para confraternizar em ação de graças aos primeiros votos do Frei Nasareno, estiveram presentes os frades, amigos, amigas, paroquianos e paroquianas do Convento-Santuário Nossa Senhora das Candeias. O dia também foi de orações pela Vida Consagrada, muitos jovens, casais e algumas religiosas que trabalham na Diocese de Camaçari, também participaram das ações solidárias. As celebrações foram iniciadas às 7h, com a Santa Missa no Santuário. Logo após, todos e todas saíram em caminhada pelas principais ruas da cidade e, de porta em porta, recolheram doações de roupas e alimentos que, posteriormente, seriam partilhados entre instituições que atendem crianças e famílias carentes.Terminando a procissão, os fiéis e as fiéis se encontraram na praça Irmã Dulce. No local, realizaram momentos de louvor, adoração, testemunhos e evangelização, além de homenagens ao a Beata Irmã Dulce encerrando com a benção final. “Esta já é a segunda edição do SAE, projeto que tem São Francisco como Padroeiro e tem como inspiração as ações de São Vicente e a Beata Irmã Dulce que desejaram mobilizar um grupo de fieis e amigos voluntários para realizar trabalhos solidários que atendessem às necessidades das pessoas pobres e necessitadas das comunidades”, explicou o aniversariante, Frei Nasareno.   SAE Criado em fevereiro deste ano, a ação tem como principal objetivo ajudar e propagar a palavra de Deus para pessoas carentes, seguindo os ensinamentos do Papa Francisco que nos pede uma Igreja solidária e misericordiosa que leva no serviço aos homens a alegria do Evangelho. O projeto traz o lema “Mãos que dão as mãos e ajudam na partilha do pão”. Segundo o frade, o projeto nasceu em comemoração aos seus 25 anos dos votos religiosos. “O SAE nasceu de um gesto de meu coração como franciscano por ocasião dos meus 25 anos de votos religiosos”, explicou.
  • Celebrações da Festa de S. Francisco nas Paróquias da Província
    Ontem, 04 de outubro, a Igreja celebrou o Nosso Pai Seráfico, São Francisco de Assis, o fundador da Ordem dos Frades Menores. Seu exemplo de seguimento do evangelho e na imitação de Cristo (veja aqui a sua biografia) são modelos de vida para todos os cristãos e cristãs. Seu legado perdura até hoje na Igreja e na minoridade das famílias franciscanas. Confira como foi a realização da solenidade nas igrejas franciscanas!   Brasília (DF): Santuário São Francisco de Assis (completa);   Ceilândia (DF): Paróquia São Marcos e São Lucas: Bênção aos Animais; Novena;   Cidade Ocidental: Santuário Jardim da Imaculada Missa de encerramento do novenário e Trânsito; Bênção aos Animais;   João Pessoa (PB): Paróquia Santo Antônio do Menino Deus (completa);   Juruá (AM): Paróquia Nossa Senhora de Fátima (completa)   Niquelândia (GO): Santuário São José Novena; Procissão e Louvor.   Valparaíso (GO): Paróquia São Francisco de Assis Santa Missa em ação de graças ao Seráfico Pai; Trânsito. Leia sobre o significado de alguns momentos de sua vida na série Vocação Franciscana, clique aqui.  Veja a Saudação do Ministro Provincial por ocasião da Festa de São Francisco de Assis aqui. 
  • Como foram as Celebrações ao Seráfico pai nas Paróquias e Santuários franciscanos
    Na semana passada, nos dias 03 e 04, foram celebradas em todo o mundo as Festividades do Seráfico Pai. Nas vésperas à data dedicada ao Povorelo, a tradição é celebrar o Transitus de São Francisco, uma encenação dos últimos momentos de vida do santo. No dia seguinte, também é comum abençoar os animais levados pelos fiéis às igrejas, fazendo referência ao amor do Pobrezinho por toda a Fraternidade Universal. A Santa Missa dos animais é celebrada ao fim do dia. Confira então como foram as celebrações ao Seráfico Pai nas paróquias e santuários de nossa Província.   Amazonas   Juruá: Para a comunidade da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Juruá, as festividades de São Francisco haviam sido iniciadas no dia 25 de setembro, com o Novenário. No dia 03, foi realizado o Transitus de Francisco e, na solenidade do Seráfico Pai, 04, aconteceu uma procissão logo cedo, a bênção dos animais pela tarde e a Santa Missa à noite com a festa logo após. Durante todos os dias, haviam barraquinhas de comidas típicas e jogos populares. Também foram abençoadas uma cruz e uma canoa.    DF Brasília:    No Santuário São Francisco de Assis foram quatro dias de festividades dedicadas ao padroeiro. No dia 03, foi encenado o Transitus pelos frades da Casa de Formação de Pós-Noviciado São Francisco de Assis. Na sexta-feira, 04, foram realizadas bênçãos aos animais durante todo o dia com a celebração da Missa dos Animais às 19h. Já no sábado e domingo aconteceram diversas atividades. Veja as fotos clicando aqui. Confira aqui a homilia do Provincial na Missa dos Animais.   Goiás Águas Lindas: Na Paróquia São Maximiliano Kolbe, a comunidade pode celebrar um Tríduo em ação de graças a São Francisco. Nos dias 05 e 06 aconteceu uma festa social. Veja as fotos clicando aqui.     Cidade Ocidental: No Convento e Santuário Jardim da Imaculada, a comunidade celebrou o Transitus de Francisco na quinta-feira, 03. Veja aqui as fotos.     Goiânia: Na Paróquia São Pedro São Paulo foi realizado um tríduo a São Francisco de Assis. Confira algumas fotos clicando aqui.     Niquelândia: Para celebrar o Seráfico Pai, a comunidade do Santuário São José participou de um tríduo organizado pelos frades e em ação de graças ao fundador de nossa ordem. Veja as principais fotos clicando aqui.     Paraíba João Pessoa Como Padroeiro da Ecologia e dos Animais, Francisco foi celebrado na Paróquia Nossa Senhora Aparecida durante a bênção aos animais. Acesse as fotos.     Uma novena ao Seráfico Pai foi celebrada na Paróquia Santo Antônio do Menino Deus. Nos dias da festividade o destaque ficou para a “Opereta de São Francisco”, em que jovens da comunidade organizaram-se para encenar os pontos principais das vidas de Francisco e Clara. Veja aqui as fotos.  
  • De 12h do dia 01º às 23h59 do dia 02 de agosto: perdão de Assis na Festa de Nossa Senhora dos Anjos
    Em 02 de agosto, segundo o calendário litúrgico franciscano, celebramos a festa de Nossa Senhora dos Anjos, patrona da Ordem dos Franciscanos e popularmente conhecida como “Porciúncula”. No interior da basílica dedicada a ela, em Assis, que está a capela de Porciúncula, local especialmente caro a São Francisco de Assis e onde o santo veio a falecer. E, na festa da patrona dos franciscanos, celebramos também o “Perdão de Assis” em que de 12h do dia 1º, até às 23h59 do dia 2, pode-se obter a Indulgência Plenária. Segundo o testemunho de Bartolomeu de Pisa, a origem da Indulgência da Porciúncula se deu assim: em uma noite do ano de 1216, Francisco estava compenetrado na oração e na contemplação na igrejinha da Porciúncula, perto de Assis, quando, repentinamente, a igrejinha ficou repleta de uma vivíssima luz e Francisco viu sobre o altar o Cristo e, à Sua direita, a Mãe Santíssima, circundados de uma multidão de anjos. Francisco, em silêncio e com a face por terra, adorou a seu Senhor. Perguntaram-lhe, então, o que ele desejava para a salvação das almas. A resposta de Francisco foi imediata, “Santíssimo Pai, mesmo que eu seja um mísero pecador, te peço, que, a todos quantos arrependidos e confessados, virão a visitar esta igreja, lhes conceda amplo e generoso perdão, com uma completa remissão de todas as culpas”, respondeu. O Senhor então lhe disse, “Óh, Irmão Francisco, aquilo que pedes é grande, de coisas maiores és digno e coisas maiores tereis: acolho portanto o teu pedido, mas com a condição de que tu peças esta indulgência, da parte minha, ao meu Vigário na terra (o Santo Papa)”. E, imediatamente, Francisco se apresentou ao Pontífice Honório III que, naqueles dias encontrava-se em Perusia (atual comuna italiana de Perúgia) e com candura lhe narrou a visão que teve. O Papa o escutou atenciosamente e, depois de alguns esclarecimentos, deu a sua aprovação e disse: “Por quanto anos queres esta indulgência”? Francisco, destacadamente respondeu-lhe: “Pai santo, não peço por anos, mas por almas”. E feliz, se dirigiu à porta, mas o Pontífice o reconvocou: “Como, não queres nenhum documento”? E Francisco respondeu-lhe: “Santo Pai, de Deus, Ele cuidará de manifestar a obra sua; eu não tenho necessidade de algum documento. Esta carta deve ser a Santíssima Virgem Maria, Cristo o Escrivão e os Anjos são as testemunhas”. Poucos dias depois, junto aos Bispos da Úmbria, ao povo reunido na Porciúncula, Francisco anunciou a indulgência plenária e disse entre lágrimas, “Irmãos meus, quero mandar-vos todos ao paraíso!”.     Saudação do Ministro Provincial Em ocasião da Festa Porciúncula, o provincial proferiu uma saudação sobre o significado da data para a família franciscana. Segue: Prot. 77/2018 “CIRCULAR” Nemi, 01 de agosto de 2018 SAUDAÇÃO PELA FESTA DE SANTA MARIA DOS ANJOS DA PORCIÚNCULA E PERDÃO DE ASSIS Caros confrades, noviços e postulantes, Às irmãs Clarissas, Aos irmãos (as) da OFS,   O Senhor vos dê a paz!   Desde o dia de hoje, 1º de agosto de 2018, até amanha, ao entardecer do dia 02, celebramos as graças do Perdão de Assis, singular festa em nossa Ordem que nos recorda às origens do franciscanismo, isto é, à abertura, acolhimento e inclusão para assim levar todos ao paraíso, sonho que, para o Pai Seráfico, significa contar com a intercessão de Maria, a Mãe de Jesus e Mãe da Igreja. O Seráfico Pai Francisco, por singular devoção à Mãe de Jesus, tinha uma especial afeição à capela de Nossa Senhora dos Anjos da Porciúncula. Ali, deu início à Ordem dos Menores e preparou a fundação das Irmãs de Santa Clara; e ali completou felizmente o curso de seus dias sobre a terra. Foi na Porciúncula também que alcançou essa célebre Indulgência, que os Sumos Pontífices confirmaram e estenderam a todas as igrejas. Em nossa Província, esse dia celebramos com alegria em nossa Casa de Formação dedicada a esta festa de Santa Maria dos Anjos, em Santa Maria (DF). Os frades, animados por essa memória de nossas origens, são convidados a expressar a fraternidade que, em torno desta casa de formação, se torna nosso singular testemunho de comunhão. Estando no Capítulo Geral, em Nemi (IT), já em sua segunda semana, estendo a todos vós da Província, uma saudação especial do Capítulo, dos confrades do mundo inteiro e, de modo especial, de nossos amigos e irmãos da Província Mãe de Varsóvia. Nesses dias, estamos vivendo uma profunda formação permanente em torno da síntese de nossa vida religiosa, isto é, a Regra Bulada. As constituições nos recordam, primordialmente, o caminho de atualização de nosso carisma descrito na Regra e de prever elementos para que, em todas as partes do mundo, se possa viver espontaneamente a espiritualidade de S. Francisco, nosso Pai e fundador. Queridos, Santa Maria dos Anjos é, antes de tudo, a memória de um lugar de salvação, de um projeto de vida de quem crê na redenção de nossas fragilidades, tornando-as sinal de serviço, oblação e comunhão entre nós irmãos e irmãs menores. Que o perdão de Assis, que vós hoje celebrastes, não seja algo somente a ser celebrado como uma recordação, mas, principalmente, um passo de ceder e dar lugar à linguagem de Deus em nossas vidas. E, essa linguagem, dificilmente pode ser escrita senão em singulares vidas humanas, em suas ações sensíveis à condição humana. A Porciúncula é o lugar do pequeno, da minoridade franciscana, porém, ali, nesse lugar, o que pareceu insignificante, tornou-se grande e expressivo em conteúdos para a sociedade de um tempo e, de modo especial, ainda para o nosso tempo. A minoridade é uma opção, não uma ideia filosófica classificada na sociedade entre ser ou não ser, ela é como o caminho que vai se fazendo e se descobrindo. Não vale muito a pena somente querer ser menor, mas sim ir se fazendo menor e, entre vícios e virtudes, vamos nos descobrindo menores por criação, assim pensou S. Francisco. A todos, meu singular abraço de paz e bem!   Para fazer o download do arquivo da Saudação, clique abaixo.     Fontes: Ave Luz, e Canção Nova e Portal Católico.
  • Dedicação da Basília de São João de Latrão, a Igreja-Mãe
    Celebramos hoje (9), a dedicação – consagração – da Basílica do SS. Salvador ou de São João de Latrão. A Basílica do Latrão é considerada a igreja-mãe de todas as igrejas católicas, por ser a catedral do Papa, bispo de Roma. Apesar da Basílica de São Pedro ser a mais visitada e a mais famosa das quatro basílicas papais romanas, a de São João de Latrão é a única que pode ser considerada Catedral, ou seja, a cátedra do bispo de Roma. Nela também estão a cadeira de pastor e de mestre do Santo Padre. Também conhecida como Arquibasílica papal de Roma, Catedral de Roma, seu nome oficial é Archibasilica Sanctissimi Salvatoris (Arquibasílica do Santíssimo Salvador), nome anterior ao atual. Ela foi a primeira das quatro basílicas papais a ser construída e é dedicada a dois São Joãos: São João Batista e São João Evangelista (apóstolo de Cristo e autor do evangelho). Estando a poucos quilômetros do Coliseu, das Termas de Caracalla e da Via Ápia Antiga, imaginem que, como é o caso de quase todos os edifícios do centro de Roma, ela foi construída em cima de ruínas romanas pelo imperador Constantino, durante o pontificado do Papa Melquíades, no século IV, no terreno doado por Fausta, esposa do Imperador. Nela foram realizados os quatro primeiros Concílios Ecumênicos realizados no Ocidente: em 1123 para resolver a questão das Investiduras, (o provimento em algum cargo eclesiástico por parte do poder civil): em 1139, sobre questões disciplinares; em 1179 para tratar da forma de eleição do Papa; em 1215, sobre várias heresias e a reforma eclesial. Sucessivamente, Constantino (o mesmo que construiu a primeira basílica de São Pedro) cedeu o palácio ao bispo de Roma. Dentro deste palácio, que era mesmo a casa onde o Papa morava, foi construída a basílica. O prédio passou por pelo menos três grandes reconstruções: em 897 foi quase destruído por um terremoto. Em 1308 e 1360 sofreu dois grandes incêndios. Em 1993, a Máfia colocou um carro-bomba na frente da basílica, destruindo a fachada. Isso porque o Papa, em uma viagem à Sicília, havia feito um sermão contra as associações mafiosas.   Francisco reconstruiu a Igreja “Um dia, rezando na Capela de São Damião, que estava em péssimo estado devido ao abandono, aconteceu algo diferente. O Povorelo estava de joelhos aos pés do Crucificado quando uma voz lhe disse “Francisco, vai e reconstrói a minha Igreja que está em ruínas”. E, não compreendendo ainda o real significado deste chamado, ele saiu e, indo até a sua casa, tomou alguns caros pertences e os vendeu por um preço bem menor nas ruas da cidade. Pegou o dinheiro da venda e deu ao sacerdote da capela e se ofereceu para ajudar com as próprias mãos na reconstrução do local. (...) Então, decidiu São Francisco, “Isto é o que devemos fazer e é o que farão todos quantos quiserem vir conosco”. E, assim, estava dado o passo inicial de sua Missão quando, em 24 de fevereiro de 1208, fundou a Fraternidade dos Irmãos Menores. (...) Em 1209, aquele grupo de irmãos mendicantes foram à Roma para aprovar o seu modo e, com a ajuda do Bispo de Assis, foram recebidos pelo Papa. E assim, Inocêncio III, maravilhado com aquele propósito, não só aprovou o modo de vida, como reconheceu em Francisco o homem que a pouco tinha visto em um sonho segurando as colunas da Igreja de Latrão” ¹. Em 1209, no local onde hoje está a atual Basílica, Francisco e seus onze companheiros receberam a aprovação do Papa Inocêncio III para iniciar sua forma de vida. Antes, conta-nos as legendas, o Papa tinha visto em sonhos que a basílica de Latrão estava prestes a ruir, mas um religioso a sustentava, um homem pequeno e desprezível, que a segurava com seu ombro para não cair. E disse, “Na verdade este é o homem que, por sua obra e por sua doutrina, haverá de sustentar a Igreja”. Foi por isso que aquele senhor atendeu tão facilmente ao pedido do Seráfico Pai e, a partir daí, cheio de devoção de Deus, sempre teve especial predileção pelo servo de Cristo (2Cel 17).   Por que celebrar a Basílica? Inicialmente os cristãos não possuíam lugares fixos para a celebração da Eucaristia, mas a realizavam em suas casas. Com o passar de algum tempo, mesmo na era dos Apóstolos, se tornou imperioso o encontro de algum local comum para as celebrações litúrgicas. É o símbolo da fé dos cristãos nos primeiros séculos, onde se reuniam para celebrar a Palavra de Deus e os Sagrados Mistérios. Assim, celebrar a festa da dedicação da Basílica de São João de Latão também nos possibilita refletir sobre o sentido do templo como organismo vivo do qual os cristãos são pedras vivas. Quando alguém é batizado, ele é convocado a compor o corpo místico de Cristo e a ser membro de Sua Igreja, cuja cabeça é o próprio Senhor. A Igreja, templo e corpo, formada por todos os batizados é a manifestação visível da presença do Senhor Ressuscitado. Por isso ela celebra os sacramentos, todos decorrentes da Eucaristia, com a qual somos alimentados e nutridos. É ela, a Igreja, aquela que louva o Senhor com sua liturgia, a esposa sem ruga e sem mancha, que foi purificada pelo próprio esposo, o Cordeiro Imolado. Portanto, celebrar a dedicação de um templo é celebrar aquilo que, na verdade ele representa, o Corpo Místico de Cristo. Se respeitamos o Templo construído de pedras, de tijolos, deveremos respeitar mais ainda o Templo Vivo, representado por cada ser humano que foi batizado. Nele, criado à imagem de Deus, redimido pelo sangue de Jesus, habita o Espírito Santo. Se nos desdobramos para que o Templo esteja limpo e bem adornado, como então não deveríamos lutar para que todo e qualquer ser humano tivesse a dignidade que atribuímos a um templo de pedra!   Fontes: Canção Nova, Franciscanos e Roma Pra Você.   ¹: Texto extraído dos artigos “A Cruz de São Damião” (clique aqui) e “São Francisco Reconstruiu a Igreja” (clique aqui) da série "Vocação Franciscana", que você pode acessar clicando aqui.
  • Encontro de São Francisco e Sultão: celebrações ocorreram no Egito
    Nesta semana, de hoje (1º) até domingo (3), ocorre as celebrações dos 800 anos do encontro entre São Francisco e o Sultão Al-Malik Al-Kamel. Para esse momento, ontem (28), foi publicada uma carta do papa Francisco ao cardeal Leonardo Sandri, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais. O cardeal é o enviado especial do Santo Padre na ocasião. "Não ceder à violência, principalmente sob pretexto religioso, mas promover a paz e o diálogo", algumas palavras contidas na carta.  O papa descreve São Francisco de Assis como um “homem de paz” que encorajava os seus frades a saudar as pessoas, seguindo os ensinamentos de Cristo. “Tinha entendido com o coração que todas as coisas tinham sido criadas por um só Criador, o único que é bom, e que “Ele é um Pai comum para todos os homens”, disse o pontífice na carta. Portanto, “desejava levar a todos os homens, com espírito jubiloso e fervoroso, a notícia” do amor indizível de “Deus Todo Poderoso e Misericordioso”. Por isso convidava o seus frades que se sentiam chamados por Deus a ir ao encontro dos sarracenos e dos não cristãos, apesar dos perigos. Em virtude disso, e, juntamente com frei Iluminado, Francisco rumou ao Egito, em meados do século 13. Ao norte do Cairo, na cidade Damieta, Assis teve o seu encontro com o Sultão. “O servo de Deus Francisco, respondeu com o coração intrépido que não tinha sido enviado pelos homens, mas por Deus Altíssimo, para mostrar a ele e ao seu povo o caminho da salvação e anunciar o Evangelho da verdade”. E o Sultão, "ao ver o admirável fervor de espírito e a virtude do homem de Deus, o escutou de boa vontade” (São Boaventura, Lenda Maior, 7-8). Encontro A abertura deste ano dedicado ao diálogo ocorreu em Lahore com a presença de dom Sebastian Shaw, arcebispo dessa importante cidade paquistanesa e presidente da Conferência Episcopal do Paquistão, e do padre Francis Nadeem, Custódio dos Frades Capuchinhos paquistaneses e secretário executivo da comissão episcopal para o diálogo inter-religioso. Além de numerosos franciscanos, religiosas, sacerdotes e leigos católicos, estiveram presentes estudiosos muçulmanos de várias regiões do país. Durante o evento, em que foi apresentada uma bela pintura retratando o encontro de 800 anos atrás, o Pe. Nadeem recordou que São Francisco e Al-Kamil “se uniram em favor da paz e da tolerância em meio à atmosfera de guerra e conflito durante as Cruzadas. Deram exemplo de diálogo inter-religioso e de compreensão recíproca“. O sacerdote anunciou para 2019 diversos seminários para crianças, jovens e estudantes universitários, envolvendo cada vez mais os cristãos e os muçulmanos num diálogo de fato. “Pretendemos alcançar também aqueles 30% de líderes religiosos muçulmanos que são hostis em relação aos cristãos. Como São Francisco, sem medo, com a ajuda dos muçulmanos que estão do nosso lado, desejamos encontrá-los para promover a paz e a harmonia no Paquistão”.   Fonte: Vatican News e Aleteia  
  • ESPECIAL FESTA DE S. FRANCISCO: A Cruz de São Damião
    Durante os três dias que antecedem a solenidade de São Francisco de Assis, publicaremos a Série "Vocação Franciscana", um conjunto de artigos destacando o carisma da Ordem no Chamado, na Compreensão e na Vivência do Pai Seráfico. Este o segundo texto da série (confira o primeiro assunto clicando aqui). Para cada um dos temas, um religioso irá fazer uma explanação do ponto de vista religioso. Ao final do texto, confira a Importância da Cruz no Amor Fraternal dos Franciscanos pelo Frei Luís Ventura (OFMConv).    A Cruz de São Damião e Amor em São Francisco Francisco perguntou “Senhor, o que quereis que eu faça?” e Deus o respondeu “Volta a Assis e ali te será dito”. Mas essa resposta não chegou assim tão fácil. O jovem de Assis teve de viver um longo período de sabatina em que não achava mais a si mesmo nas antigas felicidades do século. Teve que passar dias se perguntando que rumo tomar e, ainda assim, não encontrou o findar de seus questionamentos. Inquieto, viajou na esperança de descobrir como servir ao Senhor e não mais ao servo. De esperança passou a experiência. Viveu a pobreza e tornou doce o que antes era amargo à sua alma e ao seu corpo. E, mesmo assim, não lhe fora respondido. Um dia, rezando na Capela de São Damião, que estava em péssimo estado devido ao abandono, aconteceu algo diferente. O Povorelo estava de joelhos aos pés do Crucificado quando uma voz lhe disse “Francisco, vai e reconstrói a minha Igreja que está em ruínas”. E, não compreendendo ainda o real significado deste chamado, ele saiu e, indo até a sua casa, tomou alguns caros pertences e os vendeu por um preço bem menor nas ruas da cidade. Pegou o dinheiro da venda e deu ao sacerdote da capela e se ofereceu para ajudar com as próprias mãos na reconstrução do local. A atitude causou a fúria de seu pai, Pedro Bernardone. Ora, não bastavam os desfalques frequentes na loja de Bernardone que ele fazia ao entregar gratuitamente mercadorias e alimentação para os necessitados, agora estava a envergonhar a sua família? Seu pai o levou para casa, bateu nele e o acorrentou pelos pés, prendendo-o num cubículo embaixo da escada. Lá, ficou por alguns dias até que sua mãe, Dona Pica, movida por grande piedade, o soltou. Liberto, Francisco voltou para a capela e passou a pedir esmolas para reconstruir a igreja enquanto se escondia de seu pai. O Povorelo tinha grande amor pela Cruz de São Damião, o Cristo que não estava machucado pelos castigos do calvário, o único sangue presente n’Ele, provinha de suas chagas. Os olhos bem abertos e a expressão amorosa deixavam bem claro que aquele momento não representava a derrota, mas sim a vitória de Jesus sobre a morte e o sinal de que Ele salvou a todos naquele momento, como dizia São Paulo, quando afirmava que Cristo cancelou “o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-o definitivamente, ao encravá-lo na Cruz” (Cl 2,14). Foi ali, aos pés daquele Cristo humanizado onde havia sido convidado por Deus a reerguer a Sua Igreja, mas o tempo d’Ele é diferente do nosso e é necessário que reflitamos muito para podermos compreender. Sem mais alternativas, Bernardone decidiu recorrer ao Bispo em julgamento contra o próprio filho. O palco da audiência foi a própria Praça Comunal de Assis, onde o seu pai, mais uma vez quis leva-lo para casa dando a opção de retornar ou renunciar à sua herança, mas o jovem respondeu “As roupas que levo pertencem também a meu pai, tenho que devolvê-las". Assim, ele começou a tirar os seus trajes. Um a um e, estando nu, disse “Até agora tu tens sido meu pai na terra, mas agora poderei dizer: ‘Pai nosso, que estais nos céus”. O Bispo, então, o acolheu, envolvendo-o com seu manto e, daquele momento em diante, Francisco se afastou de todos e dedicou-se ao serviço dos pobres e doentes, mas, principalmente, à reconstrução diversas igrejas da região.   Já se perguntava “o que mais Deus haveria de querer de mim?” enquanto terminava a restauração da última igreja daquela localidade, a Capelinha de Santa Maria dos Anjos, a Porciúncula tão cara ao Pai Seráfico. Certo dia, ouviu durante a Santa Missa o evangelho de Cristo instruindo aos apóstolos sobre o medo de serem missionários pelo mundo, “sem túnicas, sem bastão, sem sandálias, sem provisões, sem dinheiro no bolso …” (Lc 9,3). Essa palavra tocou de tal forma o jovem de Assis que, finalmente, ascendeu-se nele a luz do seu chamado, “É isso que quero! É isso que desejo de todo o coração!” e, pouco depois, passou a vivenciar a sua obra: o seguimento puro do evangelho. A hora de São Francisco no tempo de Deus finalmente havia chegado. Precisou escutar o Senhor para entender que estava sendo chamado e necessitou de vivência para compreender a sua Missão. Em seu coração não restavam mais dúvidas, mas transbordava em Amor. O Amor que Cristo ensinou aos apóstolos e que agora o preenchia. O Amor que estava presente na Cruz de São Damião e que agora ele experimentaria por si, pelos irmãos e por toda a criação. Assim, aos poucos, muitos se foram se apaixonando por sua forma de vida e decidiam-se por acompanha-lo e, a estes e estas (como Santa e Clara e suas irmãs em Amor) sempre dizia “Nossa regra de vida é viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo”.   Fonte: Canção Nova, Cruz Terra Santa e Franciscanos.  Confira a série Vocação Franciscana clicando aqui.    A Cruz de São Damião e Amor em São Francisco segundo o Frei Luís Ventura (OFMConv), confira o vídeo: 
  • ESPECIAL FESTA DE S. FRANCISCO: O chamado e a escuta
    Durante os três dias que antecedem a solenidade de São Francisco de Assis, publicaremos uma série de artigos destacando o vocação franciscana no Chamado, na Compreensão e na Vivência do Pai Seráfico. Este o primeiro texto da série. Para cada um dos temas, um religioso irá fazer uma explanação do ponto de vista religioso. Ao final do texto, confira o Chamado e a Escuta de São Francisco por Frei Altair de Jesus (OFMConv).      O chamado e a escuta de São Francisco de Assis Mesmo que sua obra no seguimento do evangelho seja conhecida por muitos e muitas fiéis através dos tempos, São Francisco não nasceu Santo, mas se fez santo. Ele também não viveu toda a sua vida em consagração ao seguimento do Crucificado, já que por muito tempo perdeu-se no século deslumbrado por seus efêmeros prazeres. Entre o jovem rico e boêmio que era popular na cidade até o Pobrezinho de Assis que fora taxado como louco, há um longo caminho de dúvidas e o desejo em compreender-se. O início do findar desta estrada trilhada nas incertezas de suas aspirações parece chegar apenas quando Deus o chama. Embora tivesse formação cristã, o jovem Francisco era amante das festas e banquetes e, como muitos de sua idade, tinha a ambição de conquistar fama, riquezas e títulos de nobreza. Para isso, ele precisaria destaca-se no heroísmo das guerras. Em sua primeira batalha, caiu prisioneiro e, no cárcere insalubre e gelado, ficou por cerca de um ano até ser solto. Retornando à Assis, continuou a aproveitar todos os agrados que a boemia poderia proporcionar a ele e a seus amigos. Entretanto, dessa vez a sua diversão não durou muito e, devido às condições às quais fora exposto na prisão, seu organismo enfraqueceu e ele passou a sofrer com uma grave enfermidade. Este período o mudaria para sempre. Não foi apenas uma doença, mas uma longa sabatina em reflexão sobre os seus anseios. Quando se recuperou, não era mais o mesmo: não alegrava-se com os prazeres mundanos como antes o fizera. Foi a forma que Deus escolheu para entrar na vida de Francisco, mesmo que aqui, ele não buscava diretamente o Senhor, mas estava inquieto e à procura de um sentido para sua vida. Que rumo tomar? Francisco não era mais o jovem festeiro, mas ainda desejava a fama. Incentivado por seu pai que aguardava a oportunidade de enobrecer a família, ele partiu para mais uma guerra. Diferente da primeira vez e tocado pelos últimos acontecimentos, antes de sair de Assis, ele cedeu a um amigo pobre a cara e resistente armadura que o seu pai havia lhe preparado. Este gesto é considerado o seu primeiro sinal de bondade. No caminho, ele adoeceu novamente e não pôde continuar a marcha. Neste momento, teve a primeira experiência espiritual, quando pensou ter ouvido o Senhor lhe dizer:  – Francisco, o que é mais importante, servir ao Senhor ou servir ao servo?  – Servir ao Senhor, é claro – respondeu.  – Então, por que te alistas nas fileiras do servo?  – Senhor, o que quereis que eu faça?  – Volta a Assis – lhe diz a voz – e ali te será dito. Retornando à sua cidade natal e desafiando o desdém dos vizinhos e a cólera de seu pai, Francisco passou a dedicar-se à meditação e à oração. Ainda inquieto e em busca de respostas, viaja à Roma. Lá, tem sua primeira experiência de pobreza ao se sentir tocado com um mendigo e, com ele, trocar as vestes. Despoja-se então de suas nobres indumentárias e traja as roupas sujas e esfarrapadas. Novamente em Assis, todos passaram a se questionar o que teria acontecido com o filho do comerciante, teria ele perdido o juízo? Francisco agora passava boa parte do seu tempo em busca de lugares tranquilos para rezar. Em uma destas procuras, deparou-se com um leproso, um ser que sempre lhe causou enorme e indescritível nojo. No entanto, desta vez era diferente, ele estava diferente. Como se estivesse movido por uma força maior, Francisco desceu do cavalo e pôs todo o seu dinheiro naquelas mãos sangrentas e, num gesto de carinho e amizade, beijou aquele doente. Falando depois a respeito desse momento, ele diz, “O que antes me era amargo, mudou-se então em doçura da alma e do corpo. A partir desse momento, pude afastar-me do mundo e entregar-me a Deus”.   Francisco havia percorrido um longo caminho. Sua vida que antes preenchida por alegrias fugazes, agora ansiava por algo maior. Nada mais que o século poderia lhe proporcionar, era significativo. Não era a fome do corpo carnal que ele sentia, mas uma fome que nenhum dos prazeres terrenos poderia saciar. Era a fome da alma que só pode ser satisfeita com as graças do alto, aquelas que, somente no seguimento do Evangelho se pode encontrar. Para que ele deixasse para trás o caminho mundano, teve de dar atenção à sua própria inquietação. Mas o que buscava? O que pretendia? Isso, somente Deus poderia responder. E, para compreender o que o Senhor esperava dele, teve de ouvir. Mesmo que Francisco tenha recebido o chamado, ele precisou ainda escutar, refletir e orar. Sua vocação não estava destinada a se perder na glória dos homens, mas sim numa vida dedicada ao que o próprio Cristo já havia deixado para nós: o Amor. O processo de escuta é muito importante! Somente quando silenciamos as vozes do século, podemos ouvir o Senhor dizer “Vem e segue-me!”. “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me” (Mateus 19:21).   Fonte: Canção Nova, Cruz Terra Santa e Franciscanos.  Confira a série Vocação Franciscana clicando aqui.    O Chamado e a Escuta de São Francisco por Frei Altair de Jesus (OFMConv), confira o vídeo: 
  • ESPECIAL FESTA DE S. FRANCISCO: São Francisco Reconstruiu a Igreja
    Durante os três dias que antecedem a solenidade de São Francisco de Assis, publicaremos a Série "Vocação Franciscana", um conjunto de artigos destacando o carisma da Ordem no Chamado, na Compreensão e na Vivência do Pai Seráfico. Este o último texto da série (confira o primeiro assunto clicando aqui e o segundo aqui). Para cada um dos temas, um frade irá fazer uma explanação do ponto de vista religioso. Ao final do texto, confira São Francisco e a Fraternidade Universal pelo Frei Jorge Elias (OFMConv).    São Francisco Reconstruiu a Igreja em seu Amor Fraternal Francisco ouviu a resposta de seu chamado, não com os ouvidos do corpo, mas com os ouvidos da alma. Esperou e escutou o que Deus queria dele e compreendeu, não com a mente, mas com o seu coração, “É isso que quero! É isso que desejo de todo o coração!”. O jovem de Assis agora se comprometia profundamente com sua vocação: viver e pregar puramente o Evangelho. Peregrinou por muitos lugares para levar a Palavra de Deus e, em nenhum momento saiu a convidar seguidores para que o acompanhassem, mas o seu modo de vida começou a chamar a atenção e a fazer com que muitos, intrigados com sua decisão, se questionassem sobre suas próprias vidas. O primeiro destes seguidores foi um rico assisense, Bernardo de Quintaval. Ele não se juntou inicialmente a Francisco, mas o estudou buscando saber mais deste louco que deixou sua vida confortável para se dedicar ao Evangelho. Convidou-o para jantar em sua casa algumas vezes (a sua residência pode ser vista em Assis até hoje, como você pode conferir clicando aqui). Com sensibilidade, Bernardo percebeu não estava diante de um desajustado e questionou ao Pobrezinho “o que devo fazer para servi-lo?”. Para responder, Francisco recorreu ao evangelho como havia feito muitas vezes antes. Ao amanhecer, ambos foram à Santa Missa. No caminho, se juntou a eles Pedro de Catânia, doutor em Direito e novo irmão. Abriram a Bíblia três vezes e encontraram as respostas: “Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres. Depois vem e segue-me” (Mt 19,21). “Não leveis nada pelo caminho, nem bastão, nem alforge, nem uma segunda túnica…” (Lc 9,3). “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me” (Mt 16,24). Então, decidiu São Francisco, “Isto é o que devemos fazer e é o que farão todos quantos quiserem vir conosco”. E, assim, estava dado o passo inicial de sua Missão quando, em 24 de fevereiro de 1208, fundou a Fraternidade dos Irmãos Menores. Bernardo vendeu todos os seus bens e partiu com Povorelo. Esse exemplo frutificou entre muitos que se juntaram a eles. Em 1209, aquele grupo de irmãos mendicantes foram à Roma para aprovar o seu modo e, com a ajuda do Bispo de Assis, foram recebidos pelo Papa. E assim, Inocêncio III, maravilhado com aquele propósito, não só aprovou o modo de vida, como reconheceu em Francisco o homem que a pouco tinha visto em um sonho segurando as colunas da Igreja de Latrão.     O movimento franciscano foi crescendo e tendo a admiração de muitos. Uma das ações transformadoras de São Francisco que atraiu a muitos foi a sua compreensão do amor fraternal. Tocado pelo Evangelho e pela mensagem de Cristo, ele ensinou a todos sobre este Amor. O Amor igual entre todos e que é realçado na minoridade franciscana, “Os meus irmãos chamam-se Menores exatamente para que não aspirem ser maiores. A sua vocação é ficarem rentes ao chão e seguirem os passos da humildade de Cristo” (2Cel 148 ). O amor a todos em igualdade e simplicidade, não somente aos irmãos e irmãs humanos, mas à todas as criaturas. São Francisco enxergava em toda a criação a presença do Senhor. Todos eram frutos da graça de Deus: dos pássaros inofensivos aos ferozes lobos; das belas árvores frutíferas à voracidade do fogo (como pode ser visto no Cântico do Irmão Sol, clique aqui). Deus estava em todos os lugares e em tudo abundava a Sua graça. Todos eram seus irmãos e irmãs, até a morte; ou melhor, a Irmã Morte. Foi assim que São Francisco reconstruir a Igreja de Deus, não fisicamente, mas com Amor. Seu Amor igualitário e minoritário na Fraternidade Universal de toda a criação do Senhor.    Fontes:  Canção Nova, Cruz Terra Santa, Franciscanos e Franciscanos RS.  Confira a série Vocação Franciscana clicando aqui.    São Francisco e a Fraternidade Universal pelo Frei Jorge Elias (OFMConv), confira o vídeo! 
  • Festa de São Francisco de Assis: Provincial promove reflexões aos formandos da Província e ao povo de Deus
      Toda a Igreja celebrou na última sexta-feira, 04, a Festa do Seráfico Pai São Francisco. Um dia dedicado ao santo fundador de nossa Ordem, ocasião para repensar a nossa vida e como podemos nos espelhar no exemplo de perfeita imitação do Cristo vivido pelo Pobrezinho de Assis. Não havia data melhor para proporcionar aos formandos da Província uma conferência promovida pelo Ministro Provincial no auditório do Instituto São Boaventura, em Brasília.     O ponto principal da reflexão apresentada pelo Frei Marcelo Veronez (OFMConv.) tratava-se de pensarmos em um Francisco humano, assim como qualquer outro, também sofreu neste mundo. Estiveram presentes os estudantes das Casas de Formação de Pós-Noviciado São Francisco de Assis, em Brasília, o Pré-Noviciado Santa Maria dos Anjos, de Santa Maria; e o Aspirantado São Maximiliano Kolbe, em Cidade Ocidental (GO).             “Costumamos pensar em Francisco como um santo pronto, uma figura concluída”, introduziu o Frei Marcelo, “mas não é bem isto. Assim como qualquer um de nós, ele também teve de crescer e compreender o seu chamado”. O frade tratou do contexto ao qual o Povorelo cresceu, tratando de sua família comerciante e da guerra a qual o santo participou.         O provincial buscou na vida de Francisco os momentos de autodescobrimento, para fomentar esta mesma prática nos formandos. “O Seráfico Pai meditou sobre a sua vida durante o período em que adoeceu. Assim como ele, devemos sempre estar sempre nos voltando para si mesmos, compreendendo as nossas ações e analisando também o irmão, como ele se sente”, explicou ele.             Concluindo seu pensamento, o frade trouxe a humanidade do Pobrezinho para chamar a atenção dos estudantes. “Ele também sofreu. Há alguns autores que, analisando psicologicamente a vida do Pai de nossa Ordem, concluíram que ele chegou a lidar com a depressão no Monte Alverne”, afirmou ele buscando com que os formandos que ali estavam compreendessem sobre os ensinamentos de Francisco para lidar com as crises da Vida Religiosa.     Santa Missa dos Animais             Como já é tradição no Santuário São Francisco de Assis, em Brasília, o dia do Seráfico Pai foi dedicado à diversas festividades. Confraternizando com os valores do Pobrezinho de amor à Fraternidade Universal, durante todo o dia, os fiéis puderam levar os seus animais de estimação para serem abençoados. Os formandos da Casa de Formação de Pós-Noviciado dedicada ao Santo tiveram de se revezar para participarem da Jornada Formativa e também abençoarem os animais que eram trazidos ao Santuário.         Ao longo do dia, foram celebradas diversas Santas Missas, mas a que contou com uma maior participação da comunidade aconteceu por volta das 19h. O Frei Marcelo Veronez (OFMConv.) presidiu a Eucaristia que foi concelebrada pelos Freis Rafael Normando (OFMConv.), Beneval Soares (OFMConv.), Mayko Ataliba (OFMConv.), José Nasareno (OFMConv.), José Roberto (OFMConv.) e Wagner Faustino (OFMConv.).   A nave do Santuário estava lotada. Pessoas que trouxeram cães, gatos e até passarinhos ocuparam todos os bancos da parte interior, fazendo-se necessário que fossem colocadas cadeiras do lado de fora para aqueles que não conseguiram lugar. Alguns sentavam no chão, outros se organizavam pelas escadas. Tudo para ouvir a Palavra de Deus, comungar do Corpo de Cristo e aprender com o exemplo de Francisco.         Durante a homilia, o Frei Marcelo agradeceu a presença de todos e compartilhou os seus sentimentos por estar celebrando a última Missa como provincial. Ele falou também que um dos principais marcos na língua italiana aconteceu, principalmente, por uma obra do Seráfico Pai, o Cântico das Criaturas. Segundo o frade, neste texto é possível perceber a humildade e a gratidão de Francisco que percebeu o quão bom Deus é ao estar presente em toda a Fraternidade Universal.   Criticando a sociedade atual, ele falou como esta gratidão é necessária nos dias de hoje e como devemos reconhecer a presença do Criador em toda a Criação. Assim, compreenderemos e amaremos mais o irmão, os animais e a natureza em geral. Uma reflexão tão necessária em épocas de ataque à Floresta Amazônica brasileira e também em preparação para o Sínodo da Amazônia.         Concluindo a sua reflexão, o Frei Marcelo explicou como a gratidão de Francisco supera os limites ao chamar a morte corporal de Irmã. “Louvado seja meu Senhor pela Morte porque ela nos leva para uma coisa melhor que é a vida eterna. Ela supera o pecado e a vida terrena e nos leva de encontro ao Senhor”, finalizou.   Ao final, o Frei Mayko Ataliba fez uma pequena homenagem ao Provincial em nome das Casas de Formação e por tudo o que o frade realizou em prol da formação na Província. O Frei Rafael Normando também transmitiu a sua mensagem ao confrade, “isto não é uma despedida, mas sim o início de novos caminhos”, disse ele. Logo após a Santa Missa, o Frei Wagner Faustino abençoou os animais que haviam sido levados por seus donos à Santa Missa solene.        Confira mais fotos na galeria abaixo.    Veja também a série de vídeos sobre Os Caminhos de Francisco, clique aqui. 
  • Foi celebrado ontem (03) o trânsito de São Francisco de Assis na Cripta do Santuário dedicado ao Pai Seráfico
    Foi celebrado ontem (03), por volta das 19h, na Cripta do Santuário São Francisco de Assis, em Brasília (DF), o Trânsito de Nosso Pai Seráfico. A celebração foi um momento de muita reflexão sobre a passagem do fundador da Ordem para os braços da Irmã Morte. Os fiéis e as fiéis acompanharam emocionados o rito que foi realizado pelos frades da Casa de Formação São Francisco de Assis. Todos e todas seguiram em procissão ao Santuário, onde a celebração seria encerrada. Em seguida, ainda no Santuário, o Frei Luís Felipe Marques (OFMConv), presidiu a celebração da Santa Missa. Em sua homilia, Frei Luís relembrou a morte de Francisco, “Não foi um momento triste porque ele o fez em perfeita Santidade”. Co-presidiram a Eucaristia os freis Bernardo Vitório (OFMConv), Rafael Normando (OFMConv) e Rogério Filho (OFMConv). Continuando a homilia, o Frei Luís também explanou sobre o legado do Seráfico Pai, “Mesmo que tenha morrido há mais de 800 anos, Francisco era jovem. Mais jovem até do que nós que, mesmo vivendo atualmente, há muito tempo já caducamos o evangelho”, elucidou o religioso destacando o caminho da santidade franciscana, “É preciso sair do mundo para abraçar o Evangelho”. Finalizando a sua reflexão, o frade explicitou a complexidade espiritual de Francisco, “Não foi um homem original porque a sua originalidade veio da Palavra. Não foi um homem extraordinário porque viveu do ordinário”.   O Trânsito de São Francisco faz memória à tarde da mesma data do ano de 1226, quando a febre aumentou e reduziram-se as forças do Pobrezinho que, ao ver que a chama enfraquecia dentro de si, pediu aos primeiros frades que cantassem o salmo 141, que fala do desejo de deixar as aflições e ir para junto de Deus. Francisco, havia ido de encontro ao Pai. Os irmãos foram, aos poucos cessando o canto, até pararem totalmente. Entre lágrimas, recitaram o Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo como a conclusão do Salmo. O silêncio pairou sobre a cabana. Até o som do lado de fora deu uma pausa. A natureza havia emudecido. Saiba mais sobre o Trânsito aqui.   Conheça a biografia do Santo clicando aqui. Compreenda o significado de alguns pontos da vida de São Francisco na Série Vocação Franciscana. Confira aqui.
  • Francisco e o estudo acadêmico
    Talvez a mais clara e firme intervenção de Francisco sobre os estudos tenha acontecido por ocasião de uma assembleia de cerca de 5 mil frades em Assis (11.6.1223). Entre os frades, muitos deles notáveis por seu saber e grau de instrução, encontrava-se também o cardeal Hugolino, cardeal-referência ou protetor da Ordem e, pouco depois, Papa Gregório IX. Na ocasião, um grupo de frades, ao que tudo indica, composto pelos aludidos doutos e por ministros provinciais, dirigiu-se ao cardeal Hugolino, rogando que intercedesse junto a Francisco a fim de que este concordasse em introduzir na Regra de vida elementos das normas de vida de São Bento, de Santo Agostinho, de São Bernardo. Ouvida a peroração e tomando o cardeal pela mão, Francisco dirigiu-se à multidão de frades reafirmando-lhes redondamente que “o Senhor convidou-me a seguir a vida da humildade e mostrou-me o caminho da simplicidade”; que este mesmo Senhor o queria qual “um novo louco no mundo”. É por meio desta sabedoria que Ele nos quer conduzir, afirmava. Contraponto a supraproclamada simplicidade a possíveis pretensões de doutos, arremata, “Pela vossa ciência e sabedoria, Ele vos confundirá”. Não é difícil imaginar a reação dos ouvintes(..). Se, por um lado, como acima foi aludido, assinalamos a prevenção de Francisco em relação aos estudos, por outro, é evidente que esta prevenção não se refere ao estudo propriamente dito, mas sim, à postura dos frades em relação ao mesmo. Na verdade, era o modo como os frades poderiam conceber o estudo que estava diretamente ligado à limpidez, seja da escola de Francisco, ou seja, em última instância, da escola de Jesus Cristo. Por outro lado, embora Francisco “não tivesse tido nenhum estudo”, tinha o bom senso do comerciante. Foi este bom senso que o ajudou a buscar e a reter o essencial. Com efeito, iluminado pela luz eterna e através de assídua leitura, audição e memorização de textos bíblicos, “penetrava os segredos dos mistérios, e, onde ficava fora a ciência dos mestres, entrava seu afeto cheio de amor”. Resumindo esta intuição do essencial, dizia Francisco, pelo final da vida, a um frade, que tinha aprendido tanta coisa na Bíblia que já lhe bastava meditar e recordar: já sei que o pobre Cristo foi crucificado. Desejava um conhecimento profundo, vale dizer, “da medula e não da casca, do conteúdo e não do invólucro, não das muitas coisas, mas daquele bem que é o grande, o maior, o estável”. Se Francisco, por um lado, exigia dos literatos, juristas, teólogos, pregadores e doutos em geral que, ao ingressar na Ordem, renunciassem à própria ciência para se apresentarem inteiramente disponíveis ao Crucificado, manifestava, por outro, o maior apreço aos mesmos doutos, bem como a outros sábios. E de se notar que em seus Escritos só apareça uma única vez o termo “teólogo”. Mas aparece em sentido positivo: “a todos os teólogos e aos que nos ministram as santíssimas palavras divinas devemos honrar e venerar, como a quem nos ministra espírito e vida”. Finalmente, um texto expressivo para indicar a atitude de Francisco em relação aos estudos: a brevíssima carta, quase bilhete, dirigida a Santo Antônio: “Eu, Frei Francisco, saúdo a Frei Antônio, meu bispo. Gostaria muito que ensinasses aos irmãos a sagrada teologia, contanto que nesse estudo não extingas o espírito da santa oração e da devoção, segundo está escrito na Regra” Aqui, Francisco manifesta sua satisfação, através da expressão “meu bispo” dirigida a Santo Antônio e da outra: placet – me apraz, gosto, me alegro, aprovo. O motivo da satisfação de Francisco estaria no seguinte: em Santo Antônio, teria acontecido a admirável confluência do sábio e do teólogo, do santo e do homem de ciência, do ideal e de sua concatenação às exigências práticas da vida ao estudo, portanto. A cláusula condicionante contanto que está em perfeita sintonia com a ambiguidade ou tentação que Francisco percebia poder esconder-se no estudo ou no saber. Portanto, do ponto de vista da sabedoria ou do “espírito do Senhor” ou da inspiração de Francisco não se trata de uma cláusula restritiva. Ela coloca, sim, o estudo que se deseja em relação à atitude do estudioso, em relação de servo da sabedoria, em outras palavras, em relação à promoção da vida. A mesma ressalva consta na Regra onde, com respeito ao trabalho (embora não especificado, se braçal ou intelectual), se estabelece a mesma ressalva. Em suma, em relação à ciência e aos estudos, na função acima lembrada, podemos constatar o seguinte: Francisco os apoiou, seja acolhendo pessoas eruditas na fraternidade, seja acolhendo os serviços que estavam em condições de prestar (elaboração da Regra, funções administrativas da Ordem), seja reverenciando as pessoas doutas, seja alegrando-se pela teologia que Santo Antônio se dispôs ministrar em Bologna. Não se portou, porém, como um incentivador ingênuo. Expressou prevenção e cautela, compreensíveis a partir da percepção que ele tinha da ambiguidade do uso da ciência e dos estudos. Ambiguidade, não pela ciência ou pelo estudo em si mesmos, mas por aqueles que neles estariam envolvidos. Como lembramos, o próprio Francisco estudou, no sentido de se ter dedicado, de se ter consagrado durante toda vida a uma busca e a uma fruição do Amor. A própria Sagrada Escritura lhe forneceu os meios para conhecer, admirar e amar a ciência sagrada. Pressentia, porém, o risco que o estudo, que a busca do saber – também bíblico ou teológico-pastoral – poderia acobertar: ser utilizado como um umento de domínio, de orgulho, de poder, de distinção de classes, de discriminação social – poder que se torna cego em relação ao ideal de simplicidade, de pobreza, de fraternidade e que, enfim, o menospreza. Isto significa que Francisco, embora tivesse apreço pelo saber e por seus caminhos, relativizava tanto a um a outro em função da sabedoria do viver. O fato de relativizar a importância de conhecimentos acadêmicos como instrumento essencial para a evangelização significa questionar a fundo algumas tendências eclesiais do tempo que consideravam a ciência como chave e arma para governar a Igreja, iluminar as inteligências e lutar contra os hereges. A postura de Francisco é questionadora e iluminadora ao mesmo tempo, tanto no âmbito secular como religioso, tanto para ontem para hoje. Talvez hoje em dia se tenha até melhores condições para avaliar tanto os motivos de regozijo como de precaução de Francisco devido à magnitude de situações sociais e ecológicas de risco, frutos, não de um uso sábio do saber, mas do abuso do mesmo. Francisco navegava com liberdade nas águas das mediações: “ia direta, espontânea e vitalmente à realidade”. Portanto, estas alusões parecem demonstrar ou sugerir que Francisco foi um criador de cultura, foi à fonte e trouxe o eternamente novo e antigo. Por isso, descortina horizontes. A Escola Franciscana nele se inspira. Pensa e traduz na cultura de cada tempo e em sistema filosófico-teológico sua inspiração. A ele deve a existência.   Este artigo é o sétimo da série do site Franciscanos para o Mês da Bíblia: O Evangelho pautou a vida de São Francisco de Assis. Via: Franciscanos. Autor: Frei Elói Dionísio Piva (OFM). Extraído do livro “Herança Franciscana”, capítulo “Os franciscanos e a ciência”.

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