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05 Abril 2021

Carta do Ministro Provincial por ocasião da Páscoa

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Carta do Ministro Provincial por ocasião da Páscoa.

O SENHOR RESSUSCITOU! ESPERANÇA!

 

A Páscoa é sempre acompanhada de grande significado para nós religiosos franciscanos, que aprendemos desde os primórdios da nossa formação a valorizar virtude da Esperança, na perspectiva dos votos religiosos. Nossa experiência cristã alcança sua plenitude no encontro com o «Cristo Ressuscitado», o qual vivenciaremos nas diversas celebrações da Semana Santa.

De fato, na celebração dos mistérios pascais nos é proposto exercer o testemunho de fé, na comunidade conventual e na vida de apostolado com o povo de Deus. Tal experiência, fundamenta em nossa vida vocacional, como irmão religioso ou presbítero, nos faz crescer humanamente e fraternalmente na espiritualidade sacramental da Páscoa.

Como frades, vivemos o dom da vida, da vocação religiosa no presente, mas com certeza precisamos olhar para o futuro com olhar da fé, como afirmava o papa Bento XVI refletindo sobre o futuro, a partir do dom presente, na Carta Encíclica Spes Salvi, n.9, onde considerava que «A espera de Deus adquire uma nova certeza. A espera das coisas futuras a partir de um dom já presente». É esse presente, Dom de Deus, na vida religiosa franciscana que é fortalecida na Páscoa do Senhor, vivida por nós religiosos gerando uma grande responsabilidade e uma missão na ressignificação da vida para os confrades, na vida fraterna e para o povo de Deus, na vida pastoral!

O valor da Esperança, com certeza nos emerge no presente, compreendendo as exigências, a experiência do Calvário, no ímpeto da Paixão de Cristo, realizando a vontade de Deus, mas vislumbrando sempre a realidade da graça. Como consagrados e religiosos Franciscanos, somos chamados a apresentar, com grande ardor, à todos os que nos foram confiados e ao mundo, o significado da Fé, da Esperança e da Caridade, pois, mesmo vivendo tempos de penúrias e desafios, somos motivados apresentar a luz da Esperança, como diz o Papa Francisco sobre a Esperança, afirmando que: «A esperança é ousada, sabe olhar para além das comodidades ––pessoais, das pequenas seguranças e compensações que reduzem o horizonte, para se abrir aos grandes ideais que tornam a vida mais bela e digna». Caminhemos na esperança! (Fratelli Tutti, n. 55).

Certamente, todos os frades, em suas realidades conventuais, sofrem os efeitos da Pandemia que revela um tempo de carências e de sofrimentos diversos. Mas, também é um tempo de oportunidades e de respostas às exigências emergentes. É um tempo no qual Deus nos fala de forma nítida, diante da crise sanitária e humanitária e nos diversos conflitos sociais, políticos, econômicos e religiosos que vivemos hoje.

A Ressurreição do Senhor, vivida em sua plenitude por nós religiosos, nos convoca, com nosso carisma e dom, a responder e a revelar a «vida» no meio do caos do mundo presente! A graça de Cristo, que nos permite a experiência da salvação, nos impele a abster-nos de muitos sabores e desejos pessoais, para oferecer-nos cotidianamente a Deus e aos irmãos como sacrifício da ressurreição, de forma particular na vida comunitária.

Portanto, caros confrades, que a “Páscoa do Senhor’’, seja para nós como batizados e como religiosos franciscanos, a nossa Ressurreição e nos dê novo ímpeto e coragem para não desanimar, como nos aponta o Evangelho de São Marcos 16,1 quando o Anjo diz: «Não vos assusteis! ... Ele ressuscitou. Não está aqui». O Túmulo é a figura presente dos assombros, dos sofrimentos e mortes que temos presenciado; não devemos assustar-nos ou acomodarmo-nos. As intempéries da vida presente, nos motivam a olhar com fé e lembrar que Ele ressuscitou! E que apesar da Paixão, Cristo não ficou no túmulo!

Que a alegria de realizar a vontade do Pai, nos sacrifícios, nas entregas, na fraternidade, seja nossa missão de religiosos franciscanos, pois, assim revelaremos a vida do Cristo Ressuscitado, em nossas comunidades paroquiais, conventuais e em nossos apostolados. 

O exemplo do Seráfico Pai São Francisco de Assis motiva-nos a olhar a vida e o mundo na perspectiva do Sumo Bem, pois ele, como diz Celano, «trazia Jesus no seu coração, na boca, nos ouvidos, nos olhos, nas mãos e nos demais membros». (1Cel 115).

Que essa Páscoa seja a oportunidade de reencontro com Senhor e com os irmãos na fraternidade conventual e provincial. Feliz Páscoa! Paz e Bem!

 

Frei Gilberto de Jesus (OFM. Conv)

Ministro Provincial

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