Franciscano

  • 21 de julho: Santos e Santas Franciscanas do dia – São Lourenço de Bríndisi
    Júlio César Russo nasceu na comuna italiana de Bríndisi, em 22 de julho de 1559, de Guilherme Russo e Elizabete. Com apenas seis anos, memorizava várias páginas de textos. E assim, ele cresceu saindo-se brilhante em todos os estudos. Aos 14 anos, ficou órfão. Então, um tio seu que era sacerdote, o acolheu e o levou para viver em Veneza, onde aprofundou a sua formação cultural e espiritual. Convivendo com os capuchinhos que moravam num convento humilde junto à igrejinha de Santa Maria dos Anjos, na ilha de Giudecca, Júlio sentiu-se atraído pela vida pobre e austera que os frades levavam. Logo, foi aceito na Ordem. Tendo vestido o hábito capuchinho em Verona, recebeu a ordenação sacerdotal em 1582 e assumiu o nome religioso de Lourenço. Depois de morto, passou a ser chamado de São Lourenço de Brindisi, por causa de sua cidade natal, para diferenciá-lo de São Lourenço mártir. São Lourenço deu importância particular à Sagrada Escritura, que aprendeu toda de memória, aperfeiçoando-se também nas línguas bíblicas. Depois da ordenação sacerdotal, recebida das mãos do patriarca de Veneza João Trevisan a 18 de dezembro de 1582, a principal atividade de Lourenço foi o ministério da pregação. Percorreu toda a Itália anunciando a Palavra de Deus. De 1594 a 1597 foi provincial de Veneza e para o mesmo cargo foi chamado para a Suíça em 1598. Dois anos antes, em 1596, foi eleito definidor geral. Fundamental foi a ação de Lourenço na difusão da Ordem Capuchinha na Europa. Fundou conventos em Insbruck, em 1593, Salzburg, três anos depois. Em 1597 fundou o convento de Trento, e em seguida, 1599, em Boêmia. Em Praga, em 1599, com população na maioria com tendências reformistas e anticatólicas, conseguiu, com intensa atividade apostólica, centrada no ministério da pregação e no diálogo aberto e familiar, fundar um convento e o retorno à fé católica de muita gente. Em 1600 fundou mais dois conventos em Viena e em Graz. No Capítulo Geral de 24 de maio de 1602, frei Lourenço foi eleito o Ministro Geral dos Capuchinhos e, em primeiro lugar, fez a visita a todos os frades. A Ordem estava com 30 províncias e cerca de 9000 religiosos, distribuídos em toda Europa. Em 1610 a 1613, residiu em Mônaco como representante da Santa Sé. No Capítulo Geral de 1613, eleito pela terceira vez Definidor Geral, foi enviado como visitador à Província de Gênova, onde foi aclamado como Provincial e, por isso, só em 1616 pode retornar à sua Província de Veneza e dedicar-se a um período mais intenso de retiro e oração. Características particulares da sua espiritualidade, tipicamente franciscana e cristocêntrica, foram o culto a Eucaristia e a devoção a Maria. A santa missa, por ele celebrada com muito fervor, se prolongava normalmente por uma, duas ou três horas e depois, por um indulto de Paulo V, oito, dez ou doze horas. À Virgem Maria ele atribuía cada dom e cada graça, e nada poupava para difundir a sua devoção. Mesmo aspirando à vida retirada teve, a pedido do Papa, de interrompê-la em missões diplomáticas até ao ponto de adoecer gravemente. Morreu a 22 de julho de 1619, com 60 anos. O seu corpo foi levado para Vilafranca de Bierzo (Galizia), onde foi sepultado na igreja do mosteiro das franciscanas descalças. Apesar dos muitos trabalhos, Lourenço escreveu diversas obras editadas de 1928 a 1956 na  Edição da “Opera Omnia”. Quatro anos depois da morte de Lourenço de Brindisi, foi introduzido, pelo Geral da Ordem Clemente de Noto, o processo de canonização. A beatificação foi em 23 de maio de 1783 por Pio VI e, 100 anos depois, a santificação pelo Papa Leão XIII em oito de dezembro de 1881. Após o exame das suas obras, definidas como “verdadeiros tesouros de sabedoria”, João XXIII, em 17 de março de 1959, declarou São Lourenço de Bríndisi doutor Apostólico da Igreja.                                                                                          Fontes: Cruz Terra Santa e Franciscanos.
  • 22 de setembro: São Francisco Maria de Camporosso - Santos e Santas Franciscanas do Dia
    Francisco nasceu na comuna de Camporosso, na Itália, em 1804. Seus pais eram trabalhadores e profundamente religiosos e ele, caçula de quatro filhos. Aos doze anos de idade, foi encarregado de tomar conta do pequeno rebanho da família, pois o ar livre faria bem à sua frágil saúde. Daí nasce a forte amizade com os outros pastores, que costumavam se reunir para rezar e explicar-lhes um pouco de catecismo. Seus colegas tinham por ele uma grande admiração e o chamavam de eremita. Um pouco mais velho, começou a ajudar os pais e irmãos nos trabalhos pesados do campo. Mas, fazia-se ouvir cada vez mais clara e forte uma voz que o chamava a doar-se totalmente a Deus, na vida religiosa. A primeira tentativa que fez como postulante não satisfez seus desejos e aspirações, mas depois, em 1825, começa o noviciado em Gênova.   Frei Francisco Maria expressou seu lema, “Quero ser o jumento do convento”. E viveu este lema a cada dia com empenho e amor redobrados. Terminando o noviciado, a obediência o destinou ao convento da Imaculada Conceição, em Gênova, onde passou toda a vida. Nos primeiros dois anos, se dedicou ao serviço dos irmãos mais velhos e doentes, depois ao ofício de esmoleiro da cidade de Gênova. Como esmoleiro, todos os dias passava em casas ricas e pobres pedindo esmolas e repartindo com os mais necessitados o que recebia. Procurou imitar nisso São Félix de Cantalício e São Crispim de Viterbo. Vestido com uma túnica velha e toda remendada, debaixo de sol ou chuva, pés descalços, uma sacola nos braços e o terço mãos: assim se apresentava ao povo. Tornou-se uma figura característica das ruas da cidade. Para todos tinha uma palavra de conforto e esperança, parecia conhecer os segredos mais íntimos do coração. E o povo passou a chamá-lo de “padre santo”. A figura de frei Francisco era popular, inclusive no porto de Gênova entre os trabalhadores, estivadores, marinheiros e tripulantes. À noite, quando chegava em casa cansado, um numeroso grupo de pessoas o aguardava na praça do convento para recomendar-se às suas orações, para pedir conselhos e contar os próprios problemas. Ele ouvia a todos e sempre tinha uma palavra de conforto. Dedicava parte da noite à oração e à penitencia em preparação ao trabalho do novo dia. Por quase quarenta anos, frei Francisco Maria exerceu a função de esmoleiro. A cada dia sua figura alta encurvava-se mais, os cabelos e a barba embranqueciam, mas se mantinha fiel ao seu dever. Em 1866, a cidade foi atingida por uma grande epidemia: as ruas começaram a ficar desertas e a cada dia aumentava o número de mortos. Frei Francisco Maria se oferece em sacrifício, como vítima de expiação para a saúde da cidade, diante de altar da Imaculada Conceição. Tem a certeza de que será atendido. No dia 17 de setembro falece, vítima da epidemia. Deste dia em diante a doença começou a diminuir e, em pouco tempo, acaba de vez. Todos tiveram a certeza de que foram salvos pelo padre santo. Frei Francisco Maria nos deixou um grande exemplo da caridade: quis ser o jumento do convento no serviço aos irmãos e por fim oferecendo-se em holocausto em prol do povo que tanto amava. Foi canonizado por João XXIII no dia 9 de dezembro de 1962.   Fonte: Franciscanos. Informações: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.  
  • 22ª edição do Canta Jardim reúne mais 12 mil pessoas em adoração e louvor
    Foi realizado neste domingo, 02, no Convento e Santuário Jardim da Imaculada, na Cidade Ocidental (GO), a 22ª edição do Canta Jardim. Estiveram presentes mais de 12 mil pessoas que participaram do evento entre momentos de adoração, louvor e também de celebração nas mais diversas atividades disponíveis na programação que refletiu sobre o tema "Fazei tudo o que Ele vos disser (Jo, 2,5)". No Palco I, que ficava na região do bosque, aconteceram muitas apresentações musicais. Na parte da manhã, foram apresentados os shows da Missão Lugar Seguro, Francimar Costa, Felipe Alcântara, Gabriela Carvalho e do Frei Alex Nuno (OFMConv), que contou com a participação de outros cantores e, mesmo sob forte calor, levou o público a cantar junto todas as músicas. Logo após, o Frei Hoslan Guedes (OFMConv) realizou um momento de veneração à Nossa Senhora.   No período da tarde, o calor deu uma pequena trégua, o que motivou uma maior participação das pessoas aos shows da banda Missionário Shalom e da cantora Adriana Arydes. O público, que se espremeu para prestigiar as apresentações mais cheias do dia, participou até das coreografias. O Frei Amilton Leandro (OFMConv) abriu as celebrações no Palco II, realizando o Ofício de Nossa Senhora logo no início da manhã. A animação ficou por conta do grupo Mater Dei. Em seguida, o Frei Marcos Pereira (OFMConv) fez um momento de adoração sobre o tema “A força criativa é o amor”. Na pregação do teólogo e missionário da Canção Nova, Márcio Mendes, muitos fiéis se reuniram para ouvir sobre a reflexão da passagem bíblica "Fazei tudo o que Ele vos disser (Jo, 2,5)". Os milicianos e milicianas encerram as celebrações. No mesmo palco, no período da tarde, o Frei Josué Pereira (OFMConv) e os membros da Comunidade Mel de Deus realizaram um forte momento de adoração e louvor sobre a vida atual do cristão e da cristã. Em seguida, próximo das 18h, o Canta Jardim foi concluído com a celebração da Santa Missa presidida pelo Bispo da Diocese de Luziânia, Dom Waldemar Passini Dalbello e co-presidida pelos frades da Província São Maximiliano Kolbe. Milhares de fiéis participaram da Liturgia Eucarística que fora encerrada com uma grande queima de fogos.   Programação Diversificada Além das apresentações musicais e das celebrações que aconteceram nos dois palcos principais, foram disponibilizadas várias outras atividades. Teve tenda vocacional com a participação de diversas congregações de vida consagrada e animação e louvor com a Banda SoundFÉ. Os jovens e as jovens que participaram do evento puderam tirar dúvidas e receber encaminhamentos quanto ao seu chamado vocacional.   Também havia uma tenda para a Terceira Idade, o Cantinho da Alegria e Sabedoria, com toda a sua programação destinada aos assuntos de interesse deste público. Teve palestra com a nutricionista Graice Regina sobre o tema “Envelhecer com saúde é viver”. Os idosos e as idosas puderam participar de dois bingos e assistir à peça de teatro “Duas fias do Gumercindo”, do grupo Sal e Luz. Já no Cantinho da Criança, aconteceram diversos momentos de oração, louvor e Consagração à Mãezinha do Céu. Tiveram ainda gincanas musicais, lava pés e uma pregação sobre “Crianças conduzidas pelo Espírito Santo”. Os participantes e as participantes do evento puderam também se confessar na Tenda das Confissões. Ao longo de todo o dia, mesmo sob o forte calor, os frades franciscanos conventuais e sacerdotes diocesanos se organizaram para atender às confissões de quase 800 pessoas que faziam fila do lado de fora da barraca para receber o sacramento.   A primeira edição do Canta Jardim aconteceu no ano de 1997 para comemorar os vinte anos do Santuário Jardim da Imaculada. A partir de então, o evento se tornou tradicional na região e, em todo primeiro domingo de agosto, o Santuário organiza o Canta Jardim, uma festa de adoração, louvor e orações, como forma de homenagear o início do mês das vocações e o perdão de Assis. Saiba mais sobre as edições anteriores clicando em: 21º Canta Jardim e 20º Canta Jardim. Confira mais fotos na galeria! 
  • 25 de agosto: Santos e Santas Franciscanas - São Luís (Rei da França)
    Luís IX, rei da França e Padroeiro da Ordem Franciscana Secular, nascem eu 25 de agosto em 1215. Foi educado de maneira rígida por sua mãe, Branca de Castela, de quem herdou o amor a Deus e à Santíssima Virgem, o apreço pela virtude e a aversão ao mal. Foi casado com Margarida de Provença. Luís realizava todos os dias o exercício diário de piedade e penitência em meio à uma corte elegante e pomposa e lá viveu como o mais rígido monastério. Muitos falavam que ele era liberal demais para com os pobres. Estes, recebiam como resposta de Luís, “prefiro que meus gastos excessivos estejam constituídos por luminoso amor de Deus e não por luxos para a glória do mundo”. Sensível e justo, concedia audiência a todos debaixo do célebre bosque de Vincennes. Admirava-lhes seu posicionamento durante o seu reinado. Toda sua vida sonhou em poder liberar a Terra Santa das mãos dos turcos. A primeira cruzada por ele promovida acabou fracassando. O exército cristão foi derrotado e dizimado pela peste. O rei caiu prisioneiro e a sua precisão foi o único resultado da expedição. As virtudes do rei impressionaram profundamente os muçulmanos, que o apontaram “o sultão justo”. Em uma segunda expedição ao Oriente, em 1270, o Rei morreu aos 55 anos, vítima do tifo, mas não antes sem dizer ao Sultão de Túnez, “Estou resoluto a passar toda minha vida de prisioneiro dos sarracenos sem voltar a ver a luz, contanto que tu e teu povo possais fazer-se cristãos”. Os cruzados voltaram para a França trazendo o corpo do rei Luís IX, que já tinha fama e odor de santidade. O seu túmulo tornou-se um local de intensa peregrinação, onde vários milagres foram observados. Assim, em 1297, o papa Bonifácio VIII declarou santo Luís IX, rei da França, mantendo o culto já existente no dia de sua morte.   Confira a biografia de outros Santos e Santas Franciscanas clicando aqui.  Fontes: Franciscanos e Revista Católica.
  • 25 de outubro: Santo Antônio de Sant'Anna Galvão (Frei Galvão) - Santos e Santas franciscanas do dia
    Antônio de Sant’Anna Galvão nasceu em 10 de maio de 1739, em Guaratinguetá (SP). Seus pai era o português Antônio Galvão e sua mão, Isabel Leite de Barros, era natural da cidade de Pindamonhangaba. Antônio viveu numa casa tão religiosa quanto grande e rica, já que seus pais tinham prestígio social e influência política. Aos 13 anos, ele foi enviado à Bahia para estudar no seminário dos padres jesuítas. Em 1755, recebeu a notícia da morte prematura de sua mãe. Este fato fez com ele assumisse Santa Ana (Santana), de quem era devoto, como mãe espiritual. Tanto que seu futuro nome de religioso será “Frei Antônio de Santana Galvão”. Ele queria ser jesuíta, mas as perseguições contra os jesuítas instaurada pelo Marquês de Pombal,  obrigaram-no a seguir o conselho do pai e se tornar franciscano. Em 1760, ingressou no noviciado da Província Franciscana da Imaculada Conceição, no Convento de São Boaventura do Macacu, na Capitania do Rio de Janeiro. Foi ordenado sacerdote no dia 11 de julho de 1762, sendo transferido para o Convento de São Francisco, em São Paulo. Em 1768, foi nomeado confessor, pregador e porteiro do convento. Era um cargo importante na época. Frei Galvão se destacou nesse cargo de tal forma que a Câmara Municipal lhe deu o título de o "novo esplendor do Convento". Em 1770, foi convidado para ser membro da Academia Paulistana de Letras. Isso porque ele compunha peças poéticas em latim, odes, ritmos e epigramas. Suas composições foram sempre bem metrificadas e cheias de profundo sentimento religioso e patriótico. Entre 1769 e 1770, Frei Galvão recebeu a missão de ser confessor no Recolhimento de Santa Teresa, um tipo de convento que abrigava devotas de Santa Teresa de Ávila, em São Paulo. Lá, ele conheceu a Irmã Helena Maria do Espírito Santo, uma freira penitente que dizia receber um pedido de Jesus: a fundação de um novo Recolhimento. Galvão estudou essas mensagens, consultou outros teólogos que as reconheceram como verdadeiras e sobrenaturais. Num tempo em que construções de conventos de ordens religiosas e até de igrejas estavam proibidas em todo o império pelo marquês de Pombal, Frei Galvão assumiu as consequências e, em 1774, fundou o Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência, hoje Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz, das Irmãs Concepcionistas da Imaculada Conceição. Cheio do espírito da caridade, não media sacrifícios para aliviar os sofrimentos alheios. Por isso o povo a ele recorria em suas necessidades. A caridade de Frei Galvão brilhou, sobretudo, como fundador do mosteiro da Luz, pelo carinho com que formou as religiosas e pelo que deixou nos estatutos do então recolhimento da Luz. São páginas que tratam da espiritualidade, mas em particular, da caridade de como devem ser vivida a vida religiosa e tratadas as pessoas de dentro e de fora do “recolhimento”. Irmã Helena e mais duas jovens vocacionadas foram morar no recolhimento. O Recolhimento, porém, nada mais era do que um casebre afastado da cidade, no meio do mato. Mas, em 23 de fevereiro de 1775, Irmã Helena faleceu repentinamente e, por isso, Frei Galvão teve de se tornar o novo diretor do instituto e líder espiritual das irmãs. Nisso, um grande número de moças vocacionadas começaram a vir para o Recolhimento. Aos poucos, não havia mais lugar para acomodá-las com dignidade no casebre. Frei Galvão, usando das habilidades que aprendera com os Jesuítas, projetou e começou a construir o Mosteiro da Luz. Um governador novo, porém, chegou a São Paulo e por ordem do Marquês de Pombal em prática mandando fechar o recolhimento. Frei Galvão obedeceu, mas as irmãs se recusaram a sair do Recolhimento. O governador, então, começou a agir com violência enviando tropas e ameaçando destruir tudo. Mas o povo se revoltou e o governador teve que ceder. Ali, por causa da construção, iniciou-se o Bairro da Luz na cidade de São Paulo. Óleo de Alex Tavares - Construção do Mosteiro da Luz. Acervo Museu Frei Galvão. Frei Galvão, junto das irmãs do Recolhimento de Santa Teresa, se dedicou por 28 anos a Construir o Mosteiro da Luz, desafiando o governo vigente.    Às 10 horas do dia 23 de dezembro de 1822, no Mosteiro da Luz de São Paulo, havendo recebido todos os sacramentos, adormeceu santamente no Senhor, contando com seus quase 84 anos de idade. Foi sepultado na Capela-Mor da Igreja do Mosteiro da Luz, e sua sepultura ainda hoje continua sendo visitada pelos fiéis. Sobre a lápide do sepulcro de Frei Galvão está escrito para eterna memória, “Aqui jaz Frei Antônio de Sant’Anna Galvão, ínclito fundador e reitor desta casa religiosa, que tendo sua alma sempre em suas mãos, placidamente faleceu no Senhor no dia 23 de dezembro do ano de 1822”. Sob o olhar de sua Rainha, a Virgem Imaculada, sob a luz que ilumina o tabernáculo, repousa o corpo do escravo de Maria e do Sacerdote de Cristo, a continuar, ainda depois da morte, a residir na casa de sua Senhora ao lado de seu Senhor Sacramentado. Frei Galvão é o religioso cujo coração é de Deus, mas as mãos e os pés são dos irmãos. Toda a sua pessoa era caridade, delicadeza e bondade: testemunhou a doçura de Deus entre os homens. Era o homem da paz, e como encontramos no Registro dos Religiosos Brasileiros: “O seu nome é em São Paulo, mais que em qualquer outro lugar, ouvido com grande confiança e não uma só vez, de lugares remotos, muitas pessoas o vinham procurar nas suas necessidades”. O dia 25 de outubro, dia oficial do santo, foi estabelecido, na Liturgia, pelo saudoso Papa João Paulo II, na ocasião da beatificação de Frei Galvão em 1998 em Roma. Com a canonização do primeiro santo que nasceu, viveu e morreu no Brasil, a 11 de maio de 2007, o Papa Bento XVI manteve a data de 25 de outubro.   Fontes: Canção Nova e Cruz Terra Santa.
  • 26 de novembro: São Leonardo de Porto Maurício - Santos e Santas Franciscanas do Dia
    São Leonardo, nasceu em 20 de dezembro de 1676, próximo à região de Gênova, na Itália. O grande missionário do século XVIII, como lhe chamaria Santo Afonso Maria de Ligório, perdeu a mãe muito cedo. Assim, foi educado por seu tio. Encontrou cedo sua vocação ao Sacerdócio, por isso, ao renunciar a si mesmo, foi para Roma formar-se no Colégio da Companhia de Jesus. Por causa da sua inocência e sólida virtude, conquistou a simpatia e a alta consideração de seus superiores, que nele viam outro angélico Luís Gonzaga. Entrou para a Ordem Franciscana, no Convento de São Boaventura e, com 26 anos, já havia sido ordenado Padre. Começou a vivenciar toda a riqueza do Evangelho e a radicalidade típica dos imitadores de Francisco, por isso ocupou posições cada vez maiores no serviço à Ordem, à Igreja e para com todos. Devoto da Virgem Maria, que lhe salvou a vida num tempo em que padeceu da tuberculose (praticamente incurável na época), São Leonardo de Porto Maurício era devotíssimo do Sagrado Coração de Jesus na forma da adoração ao Jesus Eucarístico. Foi, no século XVIII, o grande apóstolo do santo exercício da Via-Sacra. Era um grande amante da pobreza radical e franciscana. Toda a vida, penitências e orações de São Leonardo convergiam para a salvação das almas. Era tal a unção, a caridade e o entusiasmo que repassava em suas pregações, que o célebre orador Bapherini, encanecido já no exercício da palavra, sendo enviado por Clemente XII a ouvir os sermões de Leonardo para depois o informar a este respeito, desempenhou-se da sua missão dizendo “que nunca ouvira pregador mais arrebatador, que o efeito de seus discursos era irresistível, que ele próprio não pudera reter as lágrimas”. São Leonardo era digno sucessor de Santo Antônio de Lisboa, de São Bernardino de Sena e de São João Capistrano. São Leonardo de Porto Maurício é conhecido também como “O Salvador do Coliseu” e não é à toa. Num tempo em que o antigo edifício estava abandonado, depredado e suas pedras eram retiradas para serem usadas em outras construções, ele realizou ali, pela primeira vez, uma Via Sacra. Na celebração ele definiu aquele lugar como sagrado, santificado, por causa do sangue dos mártires derramado ali. A medida foi tão impactante que tornou-se tradição. Depois disso, o Coliseu passou a ser conservado. Tal Tradição permanece até hoje. Em toda Sexta-Feira da Paixão, o Papa celebra a Via-Sacra no Coliseu de Roma. O próprio Pontífice Bento XIV quis ouvir o famoso missionário, e para isso chamou-o a Roma, em 1749, a fim de preparar os fiéis para o Ano Santo. São Leonardo foi também um grande devoto de Nossa Senhora. Desejava ardentemente que a Igreja proclamasse o dogma da Imaculada Conceição de Maria. Chegou a convencer Papa Bento XIV sobre a necessidade de convocar um concílio com o fim de discutir tal tema e, em seguida, proclamar o dogma. Ele não viveu para ver a proclamação, mas escreveu uma carta profecia na qual previu que o dogma seria proclamado um dia, como, de fato, o foi, no ano 1854. Depois de derramar-se por Deus e pelos outros, Frei Leonardo não se tornou mártir, como tão desejava, mas deu toda sua vida no dia-a-dia até adoecer e entrar no Céu a 26 de novembro de 1751, quando estava no Retiro de São Boaventura de Palatino, em Roma. Sua fama de santidade era tão grande que até mesmo o Papa Bento XIV ajoelhou-se em frente ao seu corpo. São Leonardo recebeu vários títulos como o “Santo da Via Sacra”, “Santo da Imaculada Conceição”, “Salvador do Coliseu” e “Pregador da Paixão de Cristo”. Mais tarde, o Papa Pio XI conferiu a ele o título de “Padroeiro de todos os sacerdotes que se entregam às missões no mundo.” São Leonardo de Porto Maurício é ainda festejado como padroeiro da cidade de Impéria, antiga Porto Maurício. Deixou também vasta coleção de escritos, publicados, a princípio, isoladamente, mas que depois foram reunidos numa grande edição, que prolonga no futuro a sua prodigiosa ação missionária, não apenas dentro das fronteiras da Itália, mas cujo âmbito é todo o mundo civilizado, pelas traduções feitas em quase todas as línguas cultas. Estes escritos constituem, em geral, um rico tesouro de verdades ascéticas e ensinamentos morais e homiléticos.   Fontes: Canção Nova e Cruz Terra Santa.
  • 26 de outubro: Bem-Aventurado Boaventura de Potenza – Santos e Santas Franciscanas do Dia
    Boaventura nasceu no dia 04 de janeiro de 1651, na comuna de Potenza, na Itália. Seus pais, Lelio Lavagna e Catalina Pica, eram bastante religiosos e ao seu filho passaram estes valores. Em 04 de outubro de 1666, tomou o hábito religioso dos Frades Menores Conventuais em Nocera dei Pagani. Por 8 anos teve como diretor espiritual o venerável Domingo Giurardelli de Muro Lucano. Em junho de 1707, enquanto estava no convento do Santo Espírito de Nápoles, por razões de saúde, ele se prodigalizou na assistência aos enfermos de cólera, epidemia que assolou Vomero. Fiel imitador de São Francisco, Boaventura guardava com zeloso cuidado o precioso tesouro da pobreza que brilhava em seu hábito, cheio de remendos, em sua cela e em toda a sua vida. Por natureza tinha um temperamento intempestivo, propenso à ira, mas com a força de seu caráter e com a ajuda de Deus, soube adquirir uma paciência e uma doçura inalteráveis. Frente às censuras, às injustiças e às injúrias, ainda que sentisse o sangue ferver em suas veias e o coração palpitar violentamente, conseguia conservar um absoluto domínio de si mesmo. Sua austeridade era inaudita, chegando mesmo a se flagelar até derramar sangue, às sextas-feiras, em recordação à Paixão de Cristo. Para com os pobres, os enfermos e os aflitos era compassivo e lhes prestava assistência. Como autêntico sacerdote de Cristo seu magistério era evangélico. Normalmente, com uma só pregação chegava a converter os pecadores e, às vezes, como o bom pastor, ia às suas casas para buscá-los como “ovelhas perdidas”. Seu confessionário se mantinha assediado de penitentes, onde, por vezes, passava dias inteiros. Era fervoroso e zeloso devoto da Virgem. Nas pregações convidava os fiéis à confiança e ao amor para com a divina Mãe. Não empreendia nenhuma iniciativa sem se colocar sob sua proteção maternal. A Imaculada Conceição de Maria, que ainda não era dogma definido, para ele era uma verdade da qual não se podia duvidar. Sua vida foi marcada por carismas singulares e prodígios. Depois de oito dias de enfermidade, aos 60 anos, em 26 de outubro de 1711, com o nome de Maria em seus lábios, expirou serenamente em Ravello. Foi beatificado pelo Papa Pio VI em 26 de novembro de 1775.   Fonte: Franciscanos.
  • 26 setembro: São Elzeário de Sabran e Bem-aventurada Delfina de Glandèves - Santos e Santas Franciscanas do Dia
    Elzeário nasceu no ano de 1285, nasceu na pequena aldeia Provence, na França. Filho de Ermangao de Sabran, conde de Ariano, no reino de Nápoles e de Lauduna d’Albe de Roquemartine, mulher de grande piedade e caridade para com os pobres. Ainda em seu batismo, sua mãe o ofereceu ao Senhor, disse que estava disposta a entregá-lo antes que sua alma fosse manchada em vida pelo pecado mortal. O voto heroico da mãe foi ouvido. Ele teve ótima educação ao lado de seu tio Guilherme de Sabran, abade de renome do mosteiro beneditino de São Vítor.   Todavia, ainda muito jovem, por vontade de Carlos de Anjou, casou-se em 1299 com Delfina de Signe. Elzeário, muito inclinado à piedade, e Delfina, que não queria o casamento, de comum acordo resolveram conservar sua castidade, mesmo após as núpcias, e cumpriram o seu acordo. Após a morte de seu pai, Elzeário herdou, com outros títulos de nobreza, também o de conde de Ariano, indo à Itália para tomar posse do condado, sob a imediata autoridade do rei.   Naquela ocasião brilharam suas virtudes. Por sua caridade e o senso de moderação dos contratempos, conquistou o amor do povo, sendo querido pelo Rei de Nápoles. Em 1312, quando Roma foi sitiada pelo exército do Imperador Henrique VII de Luxemburgo, Roberto de Anjou encomendou ao Conde de Ariano o mando de seus soldados que pediam ajuda do Papa. Elzeário aceitou a pesada tarefa com tanta persistência que forçou os imperiais a abandonar Roma.   Depois de quatro anos na Itália, retornou a Provence. Este retorno foi motivo de grande alegria para Delfina, e para todos os povos da região. Neste momento, o casal recebeu o hábito da Ordem Terceira de São Francisco das mãos do Padre João Julião da Riez. Se antes fizeram o juramento de perseverarem na virgindade, agora fizeram o voto de perpétua castidade. Todos os dias, eles rezavam o ofício dos terciários e multiplicavam as obras de caridade e de penitência. O hábito franciscano consistia em uma túnica de pano cinza até os joelhos, apertada com o cordão. Ele se preocupou que, em seus territórios, florescessem a vida cristã, se mantivessem bons costumes, se administrasse a justiça e se defendessem os pobres da opressão dos ricos.   Morreu em 27 de setembro de 1323. Quis ter ao seu lado, o famoso padre e teólogo Francisco Mairone, com quem fez a confissão geral e de quem recebeu o Viático. Foi canonizado por Urbano V em 15 de abril 1369. Em sua canonização, estava presente sua esposa Delfina. Em Ariano Irpino (Avellino) é venerado como um co-padroeiro da cidade.     Bem-aventurada Delfina de Glandèves Delfina de Signe, nasceu em 1284, nas colinas do Luberon, na França. Sendo da nobre família dos Glandèves, era uma encantadora figura de mulher, que passou por todos os lugares do mundo, levando a luz da sua graça, o perfume da virtude, o calor do seu afeto. Se dedicou a alimentar aqueles que estavam ao seu redor. Desde cedo, sua presença era luz e conforto para sua família. Aos 12 anos, já estava noiva de um jovem não inferior a ela por sua gentileza, nobreza de sangue e beleza da alma, Elzeário.     O casamento aconteceu quatro anos depois. Foi um casamento “branco”, porque o jovem casal escolheu a castidade, um meio de perfeição espiritual mais alto e árduo. No Castelo de Ansouis, os dois cônjuges nobres viveram não como castelhanos, mas como penitentes. No castelo de Puy-Michel, entraram na Ordem Terceira Franciscana. Sua vida interior foi enriquecida por uma nova dimensão, a da caridade, mediante a qual eles, ricos por sua condição, se fizeram humildes e pobres para socorrer aos pobres. Delfina e seu marido, além das penitências, orações e mortificações, dedicaram-se a todas as obras de misericórdia, destacando-se em todas.   Quando Elzeário foi enviado para seu ducado de Ariano como embaixador para o Reino de Nápoles, o trabalho de caridade do casal continuou em um ambiente ainda mais difícil. Em meio a tumultos e rebeliões, ela foi embaixadora de concórdia, caridade e oração em suas boas ações, multiplicando seus próprios esforços e sacrifícios até conquistar a admiração das pessoas.   Elzeário morreu pouco depois em Paris. Delfina, porém, sobreviveu longo tempo e continuou as obras que haviam iniciado juntos. Ela teve a alegria de ver seu marido colocado pela Igreja entre os santos. Ela, aos 74 anos, pôde colocar sua cabeça calma e feliz para o descanso eterno. Morreu em Calfières no dia 26 de novembro de 1358.       Fontes: Franciscanos e Ordem Franciscana Secular.
  • 27 de novembro: São Francisco Antônio Fasani – Santos e Santas Franciscanas do Dia
    São Francisco nasceu em 06 de agosto de 1681, na cidade de Lucera, na Itália. Fez os estudos no convento dos Frades Menores Conventuais. Sentindo o chamamento divino, ingressou no noviciado da mesma Ordem. Professou os votos solenes em 1696 e, em 19 de setembro de 1705, recebeu a Ordenação Sacerdotal. Doutorou-se em Teologia e tornou-se exímio pregador e diretor de almas. Exerceu os cargos de Superior do convento de Lucera e de Ministro Provincial. São Fasani apresenta-se a nós, de modo especial, como modelo perfeito de Sacerdote e Pastor de almas. Por mais de 35 anos, no início do século XVIII, São Francisco Fasani dedicou-se, em Lucera e nas regiões próximas, às mais diversificadas formas de ministério e do apostolado sacerdotal. Verdadeiro amigo do seu povo, ele foi para todos irmão e pai, eminente mestre de vida, por todos procurado como conselheiro iluminado e prudente, guia sábio e seguro nos caminhos do Espírito, defensor dos humildes e dos pobres. Disto é testemunho o reverente e afetuoso título com que o saudaram os seus contemporâneos e que ainda hoje é familiar ao povo de Lucera: ele, outrora como hoje, é sempre para eles o “Pai Mestre”. Como Religioso, foi um verdadeiro “ministro” no sentido franciscano, ou seja, o servo de todos os frades: caridoso e compreensivo, mas santamente exigente quanto à observância da Regra, e de modo particular em relação à prática da pobreza, dando ele mesmo incensurável exemplo de regular observância e de austeridade de vida. Morreu em sua cidade natal em 29 de novembro de 1742. Foi beatificado no dia 15 de abril de 1951 e canonizado a 13 de abril de 1986 pelo Papa João Paulo II, que sobre o santo afirmou “Ele fez do amor, que nos foi ensinado por Cristo, o parâmetro fundamental da sua existência. O critério basilar do seu pensamento e da sua ação. O vértice supremo das suas aspirações”.   Fonte: Canção Nova.
  • 29 de novembro: todos os Santos e Santas da Ordem Seráfica
    Hoje, 29 de novembro, celebrados todos os Santos e Santas da Ordem Seráfica. Nos referimos aos 110 santos canonizados da Primeira Ordem; às 9 santas canonizadas da Segunda Ordem; aos 53 santos e santas canonizadas da Terceira Ordem Regular e Secular; aos 161 religiosos beatificados da Primeira Ordem, 34 religiosas beatificadas da Segunda Ordem; e aos 95 beatificados e beatificadas da Terceira Ordem Regular e Secular. A Festa de Todos os Santos da Ordem Franciscana é comemorado neste dia porque em 29 de novembro de 1223, o papa Honório III confirmou solenemente a Regra de são Francisco, já verbalmente aprovada em 1209 pelo Papa Inocêncio III. A regra original é preservada entre as relíquias, na Basílica de São Francisco de Assis. A Ordem Seráfica foi em todos os tempos lugar de santidade: esta é a razão de sua vitalidade espiritual que faz com que ela floresça. Seus filhos Santos, quer na primeira, segunda e terceira Ordem, pertencem a todas as classes sociais e de todos os povos. Entre estes há mártires, médicos, padres, irmãos religiosos, leigos, virgens, santas mulheres. Enfim, uma multidão que se reuniu em torno do Poverello de Assis. No aniversário da aprovação da regra, a Ordem Franciscana recolhe-se em oração festiva para contemplar a grandiosa árvore de santidade nascida daquele livrinho que Francisco dizia ter recebido do próprio Jesus e constituía a “medula do Evangelho”. Era esse, precisamente, o projeto de vida e o carisma do Pobrezinho: ser sal da terra e luz do mundo, fazer reviver na Igreja o Evangelho em sua pureza, ou seja, apresentar perante os homens a vida de Cristo em todas as suas dimensões: desde a pobreza ao zelo pela salvação de todos, do anúncio da Boa Nova ao sacrifício da cruz. Quem poderia contar a imensa multidão de Santos, Beatos, Veneráveis e Servos de Deus (se quisermos utilizar esta terminologia canônica) ou melhor ainda, de todos os irmãos e irmãs, sem nome e sem rosto, que nos limites da sua fragilidade viveram a perfeição evangélica, fazendo da regra franciscana a norma da sua vida? É um imenso capital de santidade e de amor esquecido, quando não mesmo desprezado pelo mundo! O bem dá menos nas vistas do que o mal; no entanto, a história do bem, tantas vezes anônima e despercebida, tem escrito o nome e rosto de Cristo. É essa história que impede o mundo cair no desespero e fecunda as atividades da Igreja. São Francisco disse um dia aos irmãos, numa explosão de alegria, “Caríssimos, consolai-vos e alegrai-vos no Senhor! Não vos deixeis entristecer pelo fato de serdes poucos, nem vos assusteis da minha simplicidade nem da vossa, pois o Senhor me revelou que há de fazer de nós uma inumerável multidão e nos propagará até os confins do mundo. Ele me mostrou um grande número de pessoas a virem ter conosco, com desejo de viverem segundo a nossa regra. Ainda me parece ouvir o ruído dos seus passos! Enchiam diversos caminhos, vindos de todas as nações: eram franceses, espanhóis, alemães, ingleses, uma turba imensa de várias outras línguas e nações”. Ao ouvirem estas palavras, uma santa alegria se apoderou dos irmãos, pela graça que Deus concedia ao seu Santo. A prodigiosa árvore da santidade franciscana testemunha a vitalidade e autenticidade evangélica da mensagem de São Francisco. A festa que hoje os franciscanos celebram é um convite e um estímulo a devolver a Deus o amor que Ele nos deu em Cristo, vivendo na pobreza e na humildade uma vida verdadeiramente fraterna, para que o mundo acredite, mediante este amor realizado, que o Pai ama e quer todos os homens salvos em sua casa.   Fontes: Irmãos Pobres e Roma Sempre Eterna.
  • 32ª Semana de Liturgia será realizada à luz da Conferência de Medellín
    Acontecerá de 15 a 19 de outubro, no Centro Pastoral Santa Fé, em São Paulo (SP), a 32ª Semana de Liturgia. Este ano a temática principal do evento será “Liturgia no Brasil: Realizações, retrocessos e sinais de esperança à luz da Conferência de Medellín”, celebrando os 50 anos da Segunda Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano (1968-2018). O momento é oportuno para retomar suas conclusões e, a partir delas, buscar iluminar a realidade litúrgica brasileira atual. O encontro é promovido pelo Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard, em parceria com o Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal) e a Rede de Animação Litúrgica (Celebra). Em sua programação estão previstas palestras com enfoque no tema central, rodas de conversa sobre liturgia, partilhas e pistas de ação. As inscrições podem ser realizadas no site do Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard: www.centrodeliturgia.com.br. Maiores informações podem ser obtidas através do e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você precisa do JavaScript habilitado para visualizá-lo. ou pelo telefone [41] 9-9883-2313 (WhatsApp). A Comissão para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é uma apoiadora dessa iniciativa. A 32 Semana de Liturgia será uma oportunidade de revisitar o documento de Medellín e descobrir as intuições e orientações dos bispos para a realidade de Igreja da América Latina e Caribe.   Fonte: CNBB.
  • A beleza da Liturgia: como a beleza da liturgia evangeliza a Igreja?
    A Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da liturgia (IV)   Depois de termos visto que coisa entendemos com a palavra beleza e de termos aprofundado como essa se manifesta na liturgia e como entra em relação com a ação litúrgica, agora nos perguntamos “em que modo a beleza da liturgia evangeliza a Igreja?” Antes de tudo é preciso entender que a liturgia realiza uma função de iniciação, comunica alguma coisa da presença de Deus aos homens e às mulheres do nosso tempo. O liturgista Goffredo Boselli, em “O sentido espiritual da Liturgia” (2014), diz que isso “significa atestar que a liturgia é, em si mesma, mistagogia, ou seja, é capaz de ser epifania do mistério, de modo que a Liturgia inicia ao Mistério celebrando-o”. Na liturgia existe um duplo movimento: aquele de sístole e aquele de diástole, para que os símbolos litúrgicos possam ser eloquentes e a Palavra que ressoa na liturgia atingir a muitos, por diversas razões, estamos em contato com a própria Palavra, cuja a corrida do coração do homem é conhecida somente por Deus (cf. E. Bianchi, Nuovi stili di evangelizzazione, 2012). De fato é Cristo que fala quando se proclama as Escrituras que contém a Palavra de Deus (cf. SC, 7); não somente, é o próprio Senhor que opera, age, cria o evento da salvação, faz com que a Palavra proclamada e acolhida se realize na vida de quem escuta (cf. Lc 4, 21). Quantas vezes é propriamente a Palavra que ressoa na ação litúrgica a atingir homens e mulheres não cristãos e distantes da Igreja, mas que estão presentes em celebrações de Batismo, matrimônios, funerais... homens e mulheres que o único contato com a liturgia é a própria liturgia que participam. Assim, sendo que nas celebrações da Igreja quem opera é Cristo mesmo, a liturgia “ganha” de qualquer outra forma de evangelização e formação. Nela e por ela, mais do que “falar sobre” Deus e suas coisas, é Ele mesmo quem fala e por sua Palavra, se revela e se dá. Além da Palavra proclamada e escutada pela assembleia, também a semântica dos sacramentos pode tornar eloquente para aqueles que dele participam: é a experiência de comunhão com Deus, que envolve todos os sentidos do corpo. O corpo que, na liturgia, é lugar por excelência da comunhão com Deus, sendo destinado a tornar-se morada de Deus, pois é o lugar que experimentamos a graça e a força de salvação que ele nos doa. Nesse sentido, a Liturgia não é composta de ideias a serem comunicadas, mas de uma presença a ser percebida, experimentada e expressa. A Liturgia não é, primeiramente, pensamento, é corporeidade. O corpo antecede a mente, na verdade, a forma, como dirá Bonaccorso (cf. Il culto nello Spirito come culto incarnato, 2011). É o jogo estético da sensorialidade humana que manifesta o conhecimento de Deus e da comunidade. O corpo é imerso na água do batismo; o corpo é ungido com o santo crisma; o corpo recebe o corpo e sangue de Cristo e é transformado em corpo de Cristo; a crismação e a unção que habilita a missão e que acompanha o crente no êxodo pascal; o fogo e a luz, sinais da páscoa de Cristo, são sinais que, utilizados com a seriedade própria da ars celebrandi, podem iniciar e educar a fé.  Sim, porque – como já dissemos – o sentido profundo da beleza desses gestos e da Palavra na ação litúrgica é somente um: revelar, manifestar o amor do Senhor Jesus Cristo de forma simples, sóbria e digna. Desse modo, quem participa da liturgia experimenta no próprio corpo a beleza desse amor. Compreende-se assim como a beleza cristã é um evento, não um dado fixo e imutável. Essa é originada do dom de Deus em Cristo Jesus, leva-nos a comunhão entre os homens e com todas as criaturas, suscita como resposta a gratuidade, gera no coração humano a humildade. A eucaristia, que é o coração da comunidade cristã, memória da doação de Deus em Cristo Jesus a humanidade (cf. Jo 3,16), é magistério de beleza no momento mesmo que é magistério de caridade. Devemos ser convencidos que em cada liturgia, em particular, na celebração eucarística, é presente o mistério de Cristo que age para reunir e unir no Pai os filhos de Deus dispersos. Disso brota a evangelização, porque quando a assembleia celebra, não celebra a si mesma. Ao centro da ação litúrgica não está nem a assembleia e nem o ministro, mas o Mistério Pascal, que realiza entre os homens, a favor de toda a humanidade e do cosmo inteiro, a presença que acolhe, evangeliza e educa. Se não crermos nisso, a evangelização será propaganda e a liturgia espetáculo religioso que faz “surtar” o participante. Sendo assim, o detalhe está em perceber que os ritos não se fundam sobre a “ressonância emotiva” próprias das subjetividades, mas numa prescrição que lhe confere objetividade e autenticidade (cf. ZANQUI, In presenza di spirito: rito Cristiano e tempo  dell’anima, 2011). Um estudioso da liturgia no brasil, padre Marcio Pimentel, afirma que “essa característica da Liturgia faz dela excelente instrumento evangelizador. E esse potencial das celebrações tem sua fonte e poder no fato de não somente fazer circular conteúdos religiosos, teológicos e éticos, mas, sobretudo, por sua capacidade de gerar presença. A evangelização, em última análise é isso: dotar o mundo com uma presença que alegra. A presença do Verbo de Deus, princípio e fim de tudo; qualificador primordial de todas as realidades criadas. Por Ela tudo se sustêm”. Por fim, concluindo nossa série sobre a beleza, respondemos a última questão, afirmando que a liturgia evangeliza a Igreja na medida que nos insere no mundo de Deus, na sua presença atualizada, e qualifica a história como sacramental do Cristo morto e ressuscitado, o vivente, caminhante e atuante no meio do seu povo.   Autor: Frei Luis Felipe C. Marques (OFMConv.). Série "A Beleza da Liturgia": Para refletir sobre a beleza da liturgia, nesta série de artigos, o Frei Luis Felipe (OFMConv) buscou compreender como esta evangeliza o homem e a mulher moderna a partir de 4 perguntas: que coisa é a beleza? A liturgia é beleza? Qual a beleza na liturgia? Como a beleza da liturgia evangeliza a Igreja? Esta foi a última reflexão. Clique aqui e leia os outros artigos da série.
  • A beleza da Liturgia: qual a beleza na liturgia?
    A Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da liturgia (III)   No nosso itinerário já vimos que “a beleza da liturgia é a beleza da pessoa de Cristo e do seu dom pascal oferecido na comunidade celebrante”. Quando não conseguimos mais ver a beleza da pessoa de Jesus na comunidade celebrante e nos sinais simbólicos da sua presença (cf. SC, n.7), evidenciamos algumas coisas na ação litúrgica que favorece a falta de beleza, ou seja, queremos enganar os nossos olhos. Falta bom gosto no espaço litúrgico (excesso de toalhas e rendas, exagero de castiçais e velas, altares carregados, multiplicação de cruzes, explosão dos ornamentos florais – “muitas flores matam as flores”...), pouca atenção à música e ao canto, esquecimento do desenvolvimento e da harmonia ritual. Muita decoração, pouca santidade! Estes são alguns “poucos” exemplos da pobreza do sentido estético que aflige o rito celebrado. Ainda, ao mesmo tempo, temos um retorno nostálgico a liturgia pré-conciliar por parecer mais bela e piedosa esteticamente. Vemos “turistas litúrgicos” que procuram celebrações que correspondem ao seu gosto pessoal, vem fabricada diante dos nossos olhos a perfeita imagem de um cristianismo muito difundido, que recorre a Deus como um potente curador, um mágico – quiçá – um feiticeiro. Um cristianismo não-cristão com espiritualidade pagã e mundana. A beleza da liturgia não pode estar ligada aos prazeres subjetivos, a verbalizações sentimentais, a devocionalismos meritórios da parte do indivíduo. Uma beleza somente estética não deixa o homem sair de si para elevar-se em direção ao “Totalmente Outro” e aos outros que celebram juntos. Interrogado sobre sua experiência de liturgia, Paul Ricoeur respondeu: “Agradeço a liturgia que me arrancou da subjetividade, ofereceu-me, não minhas palavras, não meus gestos, mas aqueles da comunidade. Sou feliz por esta objetivação dos meus próprios sentimentos; inserindo-me numa expressão cultural sou arrancado da efusão sentimental; entro na forma que me forma; fazendo meu o texto litúrgico torno-me eu mesmo texto que reza e canta” (cf. P. Ricoeur, “Epilogo”, in: Boselli, G. Por uma liturgia mais humana e hospitaleira, 2016). O caminho a ser percorrido é que a sacramentalidade da liturgia é um ato do Cristo sacerdote (cf. SC, n.7) e, antes ainda, sacramentalidade da própria Igreja, assembleia celebrante (cf. LG, n.1). O sacramento é o gesto eclesial de Jesus em direção ao homem e, assim, o encontro com Cristo toma forma de sinal visível. É um gesto concreto. O gesto litúrgico é visualização do gesto salvífico de Cristo, que se perpetua através da ação da Igreja. Desse modo, é o próprio ato de Cristo que precisa ser visto para atingir a beleza teológica da liturgia. A estética litúrgica funda-se na cristologia do gesto de Jesus. Este atributo da beleza, vista não enquanto mero esteticismo, mas como modalidade com que a verdade do amor de Deus em Cristo nos alcança, fascina e arrebata, fazendo-nos sair de nós mesmos e atraindo-nos assim para a nossa verdadeira vocação: o amor. A verdadeira beleza é o amor de Deus que nos foi definitivamente revelado no mistério pascal. [...] A beleza da liturgia pertence a este mistério; é expressão excelsa da glória de Deus e, de certa forma, constitui o céu que desce à terra. O memorial do sacrifício redentor traz em si mesmo os traços daquela beleza de Jesus testemunhada por Pedro, Tiago e João, quando o Mestre, a caminho de Jerusalém, quis transfigurar-Se diante deles (Mc 9, 2). Concluindo, a beleza não é um fator decorativo da ação litúrgica, mas seu elemento constitutivo, enquanto atributo do próprio Deus e da sua revelação (Sacramentum Caritatis, n. 35). A liturgia é bela na medida em que é epifania da graça salvífica de Cristo. A beleza da liturgia não consiste, então, na ostentação, mas na transparência dos gestos do Senhor. Não na exibição de um rito pomposo, mas na sóbria celebração do sacramento. Busque-se mais a nobre beleza que a mera suntuosidade (cf. SC, n.124). Os gestos humanos são enriquecidos em gestos concretos: plenos de amor, salvação e eficácia, conservando o caráter simples e ordinário. Gesto e palavra encontram na liturgia uma correspondência recíproca que confere uma eloquência particular de corporeidade (cf. F. Cassingena-Trévedy, La bellezza della liturgia, 2003). A liturgia é reveladora do belo. Na liturgia, com Cristo, descende todo o céu na terra, e toda terra sobe ao céu, unidos aos anjos e santos, em uma só voz (cf. SC, n.8). O cristão vive e celebra esta visão. Este é um contemplativo que, exercitando seu sacerdócio, torna-se mediador e comunicador da beleza divina no gesto ritual. Sobretudo, quando faz o tempo e o espaço do mundo contemplar aquele que é fora de todo o tempo e de todo o espaço. Esta contemplação da ressurreição que se realiza na celebração litúrgica e, em modo único, no encontro sacramental com o Cristo na Eucaristia, comunica a beleza que se revelará a todos na Parusia: “Anunciamos a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”.  Com isso, a beleza de uma celebração litúrgica não depende da beleza arquitetônica, dos ícones, decorações, cantos, vestes sacras, mas da capacidade de deixar ver o gesto amoroso de Deus em Jesus (cf. Piero Marini, Liturgia e bellezza, 2005). A liturgia é ato salvífico de Cristo e da Igreja. Não depende essencialmente do intelecto, mas baseia-se na encarnação, no gesto salvífico de Cristo e na beleza da sua divino-humanidade. Os gestos litúrgicos atualizam os belos gestos de Cristo que, já por si mesmos, manifestam uma beleza por serem gestos de Cristo para o homem. A liturgia é o lugar do amor doado e acolhido. Tudo isto é visto, de modo admirável, no acolhimento da Palavra e na celebração da assembleia cristã. Com esta compreensão “a Igreja evangeliza e se evangeliza”.  Continua...   Autor: Frei Luis Felipe C. Marques (OFMConv.). Série "A Beleza da Liturgia": Para refletir sobre a beleza da liturgia, nesta série de artigos, o Frei Luis Felipe (OFMConv) buscou compreender como esta evangeliza o homem e a mulher moderna a partir de 4 perguntas: que coisa é a beleza? A liturgia é beleza? Qual a beleza na liturgia? Como a beleza da liturgia evangeliza a Igreja? Esta foi a terceira reflexão. Clique aqui e leia os outros artigos da série.
  • A beleza da Liturgia: que coisa é a beleza?
    A Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da liturgia (I)   Afirma o Papa Francisco: “No meio da exigência diária de fazer avançar o bem, a evangelização jubilosa torna-se beleza na liturgia. A Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da liturgia, que é também celebração da atividade evangelizadora e fonte dum renovado impulso para se dar” (A alegria do Evangelho, n. 24). Esta belíssima frase de papa francisco, escrita na sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (2013), considerada pelos estudiosos como a chave de leitura para o seu pontificado, nos dá a possibilidade de refletir sobre a relação entre a beleza e liturgia que se faz visível na evangelização alegre. É o que pretendemos fazer, não só com este artigo, mas com a possibilidade de um itinerário a percorrer. A humanidade pode viver sem a ciência, pode viver sem o pão, mas sem a beleza não poderá viver, porque não haveria nada a fazer no mundo. Todo o segredo está aqui, toda a história é aqui, é a beleza que salvará o mundo (Dostoevskij). Somos tentados muitas vezes a acreditar que a sensualidade nos afasta de Deus, mas o que de fato nos afasta de Deus é a abstração, diz Nicolás Gòmez. A beleza, encontro que surpreende, é a experiência dos sentidos que reconhecem o “sentido” dos sentidos. Desse modo, como pontapé inicial gostaria de tentar definir a beleza. Tarefa nada fácil. Exatamente, porque alguns traços da beleza acabam por ser pessoais. Talvez o que eu ache belo, belíssimo, surpreendente de beleza, para o outro não passa de algo simples, natural e normal. Por isso, a beleza é vista como gosto pessoal, “subjetiva”, como se diz, é belo aquilo que eu gosto. Mas, na realidade, é a beleza verdadeira, “objetiva”, que salva o mundo, renova a vida, dá luz, calor, justa perspectiva para o homem iludido e confuso, voltado para si mesmo. É a beleza do outro que revela a minha beleza, assim, não existe beleza sem relação. Para diminuir tal conceito, vamos começar por pensar qual a beleza que a liturgia pede e, por fim, tentar ver como a beleza da liturgia evangeliza o homem e a mulher de hoje. Assim, percorreremos um caminho de tentar responder 4 perguntas: que coisa é a beleza? A liturgia é beleza? Qual a beleza na liturgia? Como a beleza da liturgia evangeliza a Igreja?   Que coisa é a beleza? Tal pergunta é importante e nos leva a fazer uma distinção fundamental: tem uma beleza que é cantada e proclamada pela fé, a beleza de Deus, que pode ser experimentada e vista, graças a ação do Espírito Santo, por quem sabe exercitar o sentido da fé; e, por outra parte, tem uma beleza das criaturas, experiência humana, feito pelo homem com os seus mais nobres sentidos corporais. Toda a criação é plena de beleza. É a beleza do céu, da natureza, das manifestações cósmicas. E Deus viu que o que tinha feito “era coisa bela e boa” (Gn 1,4.10.12.18.21.25). É a beleza da criatura (muitas vezes ambígua, pois pode tornar-se beleza do ídolo que seduz e leva a tentação) que revela a beleza do criador. Assim, a beleza pode ser considerada como uma via, via pulchritudinis (“o caminho da beleza”, em tradução livre), através do qual podemos procurar e encontrar a Deus. Também podemos reconhecer que a beleza é um sujeito e não simplesmente um atributo. O homem de fé pode entender que a beleza é Deus mesmo: “Esplêndido e magnífico és tu, ó Deus!” (Salmo 76,5). Uma beleza que pode ser confessada na fé. O Messias é considerado pelo salmista como o “mais belo entre os filhos dos homens” (Sl 45,3). A beleza do Senhor é uma beleza que transcende o visível das criaturas, é a beleza que só o amor é capaz de narrar e fazer contemplar. No Tabor, os evangelistas usam uma linguagem particular, simbólica, que lembra as manifestações de Deus no Antigo Testamento. É o olhar dos discípulos que muda, a percepção, a experiência de fé. Agora eles veem com o coração, entendem com a alma, veem a beleza de Deus. Beleza que está em nossos olhos, não somente nas coisas. Posso ver uma “coisa” bela, mas não acha-la bela.   Como é bom ver a beleza de Deus! A transparência do rosto sorridente do Pai! Ao terem a certeza da presença divina, os discípulos viram o belo. O belo é o esplendor do verdadeiro (Platão). É bom estarmos aqui, replicam os apóstolos. Uma beleza que supera todos os outros belezas que ilumina e redimensiona nossa alegria em Deus. Adquire profundidade e esperança de imortalidade. O belo é a prova experimental que a encarnação é possível (cf. Simone Weil). Assim, o cristianismo é “estética teológica”, não uma entre as religiões, muito menos uma ética-moral, mas uma verdadeira estética (cf. Balthasar). A carne de Jesus é o fundamento da estética teológica, da beleza que salva. De fato, o homem procura pela beleza, mas para compreender a beleza que revela a Deus e as suas ações, exige do homem uma educação da inteligência, um caminho de procura e discernimento, ascese, jamais concluído, uma caminho fadigoso do sentido verdadeiro da beleza. Mais o aspecto sensível toca pela sua beleza, mais o homem é tentado a não escutar a própria interioridade, sendo prisioneiro da exterioridade, que dá ao esteticismo um valor fundamental, capaz de destronar a verdade e a bondade. E assim, o consumismo do belo é marcado pelo privado da subjetividade e pela ausência da sacramentalidade. É preciso concentrar-se naquilo que “é mais belo, maior, mais atraente e ao mesmo tempo, mais necessário” (EG, n.35). O coração do Evangelho, recorda papa Francisco, resplandece a “beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado” (EG, n.36). Pergunta ainda o papa emérito Bento XVI: “que coisa é a beleza, que os escritores, poetas, músicos, artistas contemplam e traduzem em linguagem, senão o reflexo do esplendor do Verbo eterno feito carne?” A beleza da liturgia, então, parece não ser uma questão estética de “formas”, mas um questão teológica de conteúdo: a beleza da liturgia é a beleza da pessoa de Jesus e do seu dom pascal oferecido em cada celebração. Continua...   Autor: Frei Luis Felipe C. Marques, OFMConv. Série "A Beleza da Liturgia": Para refletir sobre a beleza da liturgia, nesta série de artigos, o Frei Luis Felipe (OFMConv) buscou compreender como esta evangeliza o homem e a mulher moderna a partir de 4 perguntas: que coisa é a beleza? A liturgia é beleza? Qual a beleza na liturgia? Como a beleza da liturgia evangeliza a Igreja?Clique aqui e leia todos os artigos da série. 
  • A equipe do SAV participou de três encontros vocacionais neste fim de semana
    O Serviço de Animação Vocacional (SAV) na Província participou de diversos encontros formativos durante o último fim de semana. Desta forma, os frades do SAV tiveram de se dividir em equipes para atuarem e divulgarem o carisma franciscano nestes eventos. Entre 03 e 05 de agosto, participaram do I Encontro Vocacional em Anápolis (GO), entre 03 e 04 outra equipe participou do Despertai 2018 na cidade de Uruaçu (GO) e mais alguns frades foram à Paróquia Santa Rita de Cássia em Planaltina (DF). Confira a seguir como foram os encontros.     Anápolis Neste fim de semana, entre os dias 03 e 05 de agosto, aconteceu, no Centro de Formação Paz e Bem das Irmãs Franciscanas de Allegany, o Primeiro Encontro Vocacional promovido pelas Paróquias Santa Clara e Nossa Senhora do Carmo, em Anápolis. O encontro possibilitou aos jovens momentos de adoração ao Santíssimo Sacramento, oração, discernimento vocacional e escuta da Palavra de Deus. A psicóloga Patrícia Pereira refletiu com os jovens sobre o sentido da vida por meio da abordagem da logoterapia  (sistema teórico baseado na busca de sentido para a vida). O Frei Josimar Mendes (OFMConv) falou ao participantes e às participantes sobre a fé  e o discernimento vocacional, mostrando aos jovens que o sentido da nossa vida é a vivência do amor através do seguimento de Jesus Cristo, na vocação que Deus concedeu como dom e tarefa para cada ser humano, seja como religioso e religiosa, seja como leigo e leiga. Já o Frei Sérgio Henrique (OFM), que também palestrou no encontro, explicou o caminho de seguimento ao Senhor Jesus Cristo e propôs ao jovens a realização da lectio divina e, por meio desta, os participantes e as participantes fizeram a experiência da oração com a palavra de Deus. A Irmã Maria José abordou uma contemplação acerca do chamado que Deus faz a cada um e a cada uma, enfatizando a resposta que deve ser dada na fé e na alegria para seguir a Cristo. Equipe do SAV junta dos participantes e das participantes do I Encontro Vocacional de Anápolis.   Uruaçu Nos dias 03 e 04 de agosto, a equipe do SAV esteve presente no Seminário Diocesano São José, em Uruaçu, para participar do Despertai 2018. O evento, cujo foco é o discernimento vocacional, contou com a participação de um grande número de jovens da região. Entre as mais variadas atrações, aconteceram palestras, shows, momentos de oração e partilha e muita animação conduziram as dinâmicas propostas. Além disso, foi disponibilizado aos participantes e às participantes, stands vocacionais de várias congregações, ordens religiosas e novas comunidades de vida e de aliança. Durante a ocasião, os jovens se dirigiam à tenda vocacional e tinham a oportunidade de conhecer mais o carisma dos religiosos, religiosas e membros das comunidades presentes. Outro momento importante do encontro ocorreu com os Módulos Vocacionais, destinados a esclarecer profundamente as questões referentes às diferentes vocações: sacerdotal, religiosa, matrimonial, leiga. No Módulo sobre a Vida Religiosa, no qual a equipe do SAV esteve presente, além das formações e de testemunhos vocacionais, muita alegria fraterna e convivência deram aos jovens a oportunidade de melhor apreciar a riqueza da vocação religiosa em nossos dias. Que a intercessão de São João Paulo II, considerado o padroeiro das vocações na Diocese de Uruaçu, auxilie a todos os que se dispuseram a escutar e a discernir o chamado de Deus em suas vidas, e assim possam realizar um fecundo processo de despertar vocacional!   Equipe do SAV no Despertai 2018 da cidade de Uruaçu.   Planaltina Os freis Jesus Amaral, Rodrigo Oliveira, Moisés Araújo, Beneval Soares (OFMConv), integrantes da Equipe do Serviço de Animação Vocacional, se dirigiram à Paróquia Santa Rita de Cássa, na cidade de Planaltina, para participar do Despertar Vocacional. Estiveram presentes religiosos e religiosas das ordens dos Josefinos, das Irmãs Oblatas do Menino Jesus, Irmãs Salesianas, Carmelitas Descalços e os franciscanos conventuais de nossa província. Durante a ocasião, foram realizados momentos de animação, adoração, apresentação das Ordens e Congregações presentes, bem como seus respectivos carismas e também foi celebrada uma Santa Missa.   Equipe do SAV falou do carisma franciscano em Despertar Vocacional na cidade de Planaltina.   Leia mais sobre outros encontros vocacionais do SAV aqui. Confira as fotos na galeria!  
  • A identidade franciscana é uma identidade penitencial
    Diz a Legenda dos Três Companheiros “Todos aqueles que os viam se admiravam muitíssimo, pelo fato que, no hábito e na vida, eram diferentes de todos e pareciam quase homens selvagens. Onde quer que eles entrassem, a saber cidade ou aldeia, vila ou casa, anunciavam a paz, animando a todos para que temessem e amassem o criador do céu e da terra e observassem os seus mandamentos. Alguns os ouviam de bom grado, outros, pelo contrário, zombavam deles; quase todos os fatigavam com perguntas, dizendo alguns: “De onde sois?”; outros perguntavam qual era a Ordem deles. Embora lhes fosse trabalhoso responder a tantas perguntas, eles, no entanto, lhes confessavam com simplicidade que eram homens penitentes oriundos da cidade de Assis” (3Comp 37, 4-8). A identidade franciscana é uma identidade penitencial. Todos podemos dizer como os primeiros frades: somos penitentes e viemos de Assis! O Movimento Penitencial inspirou os passos de Francisco de Assis e seus Companheiros primitivos. Penitência não tem conotação de purgação, mas de reconstrução. Há uma dimensão reformadora. Os penitentes não eram contra a ortodoxia, queriam apenas retomar um caminho apostólico mais genuíno, mais próximo da Igreja primitiva. Não era retrocesso, mas um processo de regar uma raiz para que produzisse novos frutos. É um fenômeno laical que não queria criar um confronto com a hierarquia eclesiástica, mas sim viver de modo original a originalidade do Evangelho. É verdade que, quando o novo e o autêntico se revelam, incomodam bastante e, por isso mesmo, por não ser aceito e compreendido, o movimento penitencial experimentou a marca da heresia. Assumiram a pregação, mas não transformaram o Evangelho apenas em sermões, mas em ação para tornar nova a humanidade. Andaram pelos caminhos do campo e chegaram aos centros urbanos levando a Palavra, tornando viva uma religiosidade popular, uma novidade espiritual para um tempo que conhecia apenas coro e púlpito. Mostraram uma grande sensibilidade para a dimensão fraterna da convivência humana. Sair do claustro para o mundo é uma aproximação social. Se a Vida e a Regra é viver o Evangelho, a vida baseada na Regra tem que ser vivida onde o povo está; o testemunho cristão é público, nas ruas e no coração das pessoas. A pregação é religiosa e ética, e todos podem ver a força das virtudes dos frades primitivos na chama da Palavra que neles é espírito, pregação e vida, amor e devoção. Esmola pedida e esmola recebida é esmola partilhada. A dimensão penitencial é uma evangelização sem paredes. Andar por todos os lugares e reunir-se em Capítulos para partilhar maravilhas do que é abandonar-se a Providência. Vestir-se na simplicidade é mostrar-se sem duplicidade. Abraçar a humildade é evitar o poder que esvazia a autoridade. Ser penitente é ser um convertido. A conversão é mudar de caminho, mudar o rumo para encontrar a melhor direção. É um rito de passagem de uma vida anterior para um novo modo de vida. Isto não se dá sem rupturas e sem ascese: é preciso disciplina para abraçar o compromisso de viver um novo modo de ser e de estar no mundo. O convertido sabia estar no eremo, sabia estar nas frestas do lugar solitário e daí sair para ser comunitário, ir para os costumeiros lugares do mundo. Onde estivesse era desapegado, de coração puro e vivendo apenas do estritamente necessário.   Fonte: Carisma Franciscano. Série: Raízes de um Movimento Penitencial. Autor: Frei Vitorio Mazzuco
  • A Mensagem Central da Bíblia
    Qual é, em poucas palavras, a mensagem central da Bíblia? A resposta não é fácil, pois depende da vivência. Se você gosta de uma pessoa e alguém lhe pergunta, “Qual é, em poucas palavras, a mensagem desta pessoa para você?”, aí não é fácil responder. O resumo da pessoa amada é o seu nome! Basta você ouvir, lembrar ou pronunciar o nome, e este lhe traz à memória tudo o que a pessoa amada significa para você. Não é assim? Pois bem, o resumo da Bíblia, a sua mensagem central, é o Nome de Deus! O Nome de Deus é Javé, cujo sentido Ele mesmo revelou e explicou ao povo (cf. Ex 3,14). Javé significa Emanuel, isto é, Deus conosco. Deus presente no meio do seu povo para libertá-lo.Deus quer ser Javé para nós, quer ser presença libertadora no meio de nós! E Ele deu provas bem concretas de que esta é a Sua vontade. A primeira prova foi a libertação do Egito. A última prova está sendo, até hoje, a ressurreição de Jesus, chamado Emanuel (cf. Mt 1,23). Pela ressurreição de Jesus, Deus venceu as forças da morte e abriu para nós o caminho da vida. Por tudo isso é difícil resumir em poucas palavras aquilo que o Nome de Deus evocava na mente, no coração e na memória do povo por Ele libertado. Só mesmo o povo que vive e celebra a presença libertadora de Deus no seu meio, pode avaliá-lo. Na nossa Bíblia, o Nome Javé foi traduzido por Senhor. É a palavra que mais ocorre na Bíblia. Milhares de vezes! Pois o próprio Deus falou, “Este é o meu Nome para sempre! Sob este Nome quero ser invocado, de geração em geração!” (Ex 3,15). Faz um bem tão grande você ouvir, lembrar ou pronunciar o nome da pessoa amada. Aquilo ajuda tanto na vida! Dá força e coragem, consola e orienta, corrige e confirma. Um Nome assim não pode ser usado em vão! Seria uma blasfêmia usar o Nome de Deus para justificar a opressão do povo, pois Javé significa Deus libertador! O Nome Javé é o centro de tudo. Tantas vezes Deus o afirma: “Eu quero ser Javé para vocês, e vocês devem ser o meu povo!” Ser o povo de Javé significa: ser um povo onde não há opressão como no Egito; onde o irmão não explora o irmão; onde reinam a justiça, o direito, a verdade e a lei dos dez mandamentos; onde o amor a Deus é igual ao amor ao próximo. Esta é a mensagem central da Bíblia. É o apelo que o Nome de Deus faz a todos aqueles que querem pertencer ao seu povo.       Este artigo é o quarto da série do site Franciscanos para o Mês da Bíblia: O Evangelho pautou a vida de São Francisco de Assis. Fonte: Franciscanos. Texto da “Bíblia Sagrada”, da Editora Vozes.
  • A opção pelos pobres faz a Igreja voltar seu olhar para os filhos e filhas prediletos de Deus
    Entrevista de Dom Severino Clasen (OFM) concedida à CNBB: Ir ao encontro dos mais necessitados, marginalizados e dos famintos é um gesto concreto que o Papa Francisco tem proposto aos cristãos do mundo inteiro. “Este pobre homem grita e o Senhor escuta” é o tema do II Dia Mundial dos Pobres, que será celebrado neste domingo, 18 de novembro. Francisco vai celebrar a data presidindo a Santa Missa na Basílica de São Pedro e em seguida vai almoçar com cerca de três mil pobres. na Sala Paulo VI, no Vaticano. O primeiro almoço foi realizado no ano passado. O Pontífice tem provocado em toda a Igreja maior sensibilidade humana e acolhimento aos pobres, eis o motivo porque sugeriu o dia mundial do pobre. “A sensibilidade humana passa pela prática da caridade. O amor fraterno é a ação transformadora na sociedade que erradica a miséria e recupera a dignidade de todo ser humano como criatura e filho de Deus”, ressalta o bispo de Caçador (SC) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Severino Clasen. O bispo explica ainda que a natureza da Igreja, na sua essência, evidencia um olhar para os pobres. A Igreja, nasceu pobre. Jesus Cristo veio ao mundo tão pobre que nem casa para nascer tinha e morreu crucificado, pobre e despojado. “Estão especialmente unidos a Cristo sofredor pela salvação do mundo os que são oprimidos pela pobreza, pela enfermidade, pela doença e por várias atribulações, ou que sofrem perseguição por causa da justiça, que o Senhor no Evangelho declarou bem-aventurados e que ‘o Deus de toda a graça, que vos chama para a sua glória eterna, no Cristo Jesus, vos restabelecerá e vos tornará firmes, fortes e seguros’”, destaca (LG 340). Nos Evangelhos, é possível encontra inúmeras manifestações de Jesus com olhar compassivo e de misericórdia para com os pobres, os desprezados e os esquecidos da sociedade e porque também não dizer, ignorados pela própria Igreja. “O amor fraterno é a ação transformadora na sociedade que erradica a miséria e recupera a dignidade de todo ser humano como criatura e filho de Deus”, diz o bispo. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), mostra que, em 2015, o país tinha 101.854 pessoas em situação de rua. Com a crise do país, é possível que o número de pessoas em situação de rua já seja bem maior.Dom Severino lembra que a opção pelos pobres faz a Igreja voltar o seu olhar para os filhos e filhas prediletos de Deus e é esse olhar do próprio Jesus, presente no olhar dos mais pobres, que faz a Igreja voltar-se para o pobre e, ao mesmo tempo, para Jesus, dele aprendendo, com ele evangelizando e participando da construção do Reino de Deus Detalhe da estátua de Jesus Sem-Teto com chagas nos pés — Foto: Divulgação/ Carlos Moioli   São inúmeras as iniciativas da Igreja, pastorais, comunitárias, educacionais e sociais, que focam seu olhar e sua ação na defesa, promoção e valorização da vida em todas as suas dimensões, priorizando aquelas vidas humanas mais sofridas, violentadas, oprimidas, discriminadas, desprezadas. “A capacidade de preencher a vida dos que sofrem e promover os excluídos dá prazer de viver e sentido à vida humana. Os símbolos do sal e da luz, que tanto refletimos no Ano Nacional do Laicato, vitalizam o ser cristão para dar gosto e brilho à vida”. O Papa Francisco presenteou a Arquidiocese do Rio de Janeiro com uma escultura chamada Jesus sem-teto. A obra é do artista canadense Timothy P. Schmalz, e possui exemplares em diversos locais do mundo, incluindo a Itália – a imagem se encontra na entrada da Elemosineria Apostólica, em Roma – e Estados Unidos. Segundo a arquidiocese, a obra de arte poderá ser visitada a partir do dia 18 e a data não foi escolhida por acaso: Jesus sem-teto, uma estátua em tamanho real, é a figura de uma pessoa em situação de rua deitada em um banco. O ‘homem’ da imagem apresenta chagas nos pés, que podem ser vistas, apesar do pequeno cobertor que tem por cima de seu corpo para proteger do frio. Dom Severino ressalta que o olhar da Igreja para os pobres vai além do cuidado para com a pessoa humana. “Somos seres em relação com a natureza. Proteger a mãe natureza é valorizar a obra criada por Deus e dar o cuidado e o acolhimento necessários para que a harmonia e a saúde existencial perpetuem entre nós criaturas humanas”, afirma. A Laudato Si, a Gaudete et Exsultate e as outras exortações apostólicas do Papa Francisco, chamam a atenção para essa corresponsabilidade na busca da harmoniosa convivência com todas as criaturas para se chegar à perfeição.   Fonte: CNBB.
  • A partir de 2019, o Encontro de atualização para presbíteros acontecerá em âmbito regional
    O presidente da Comissão Nacional dos Presbíteros (CNP), padre José Adelson da Silva Rodrigues, informou que, partir do ano que vem, o encontro de atualização para presbíteros acontecerá em âmbito regional. A intenção é promover um encontro mais participativo e atraente para os padres, uma vez que acontecerá no contexto de cada um dos 18 regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) A decisão foi tomada durante a reunião entre a Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB e a direção da CNP. Na ocasião, consideraram “duas experiências muito ricas” de encontros regionais de presbíteros que aconteceram nos regionais Sul 2 e Sul 3 da CNBB. “Um encontro que realizaríamos em janeiro, seria uma média de 20 ou 30 padres, no máximo. E nos regionais está atingindo um número maior do que esse. Na última reunião da Comissão Nacional, decidimos juntos com a Comissão Episcopal cancelar este encontro de atualização que seria realizado em janeiro e enfatizaríamos a realização deste mesmo encontro a nível de região, que envolve mais, é muito mais atraente para um maior número de padres”, explica padre Adelson. Segundo o presbítero, continuarão sendo abordados temas sobre o “contexto geral do ser humano, o padre como um todo”, os quais abordam as dimensões pastoral, intelectual e física dos padres. Em um ano, acontecerá o encontro nacional, como aconteceu neste ano o 17º Encontro Nacional dos Presbíteros, e no ano seguinte, o de atualização acontecendo regionalmente.   Via: CNBB.
  • A Relevância do Sínodo especial para a Amazônia
    No dia 15 de outubro de 2017, o Papa Francisco anunciou a realização de um Sínodo Especial dos Bispos da Pan-Amazônia, território que compõe a região além da bacia dos rios. Realizar-se-á em outubro de 2019 em Roma[2] cujo tema é: “Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. Esses novos caminhos serão elaborados para e com o povo de Deus que habita nessa região. Exigem que os povos indígenas e das comunidades amazônicas sejam “os principais interlocutores” (LS, 146) nos assuntos pastorais e socioambientais do território, “especialmente quando se avança com grandes projetos que afetam seus espaços” (LS, 146). Aqui, há uma referência explicita à teologia argentina do “povo”, que se diferencia das teologias da libertação. Não há espaço aqui para comparar a experiência social e pastoral da Argentina com outras da América Latina. Na teologia do povo, os protagonistas são os povos com suas culturas respectivas, privilegiando uma unidade histórico-cultural de nação. As reflexões do Sínodo especial, partindo de um território específico, pretendem superar o âmbito estritamente eclesial para não dizer eclesiástica, e também amazônico, por serem relevantes para a Igreja universal e para o futuro do planeta. “Considero (a Amazônia) relevante para o caminho atual e futuro, não só da Igreja no Brasil, mas também de toda a estrutura social”. [3] Se na Encíclica Laudato Sí’, o Papa Francisco considera que as mudanças climáticas, a pobreza e o aumento das desigualdades sociais são desafios para todo o planeta, “também para a Igreja universal é de vital importância escutar os povos indígenas e todas as comunidades que vivem na Amazônia, como primeiros interlocutores deste Sínodo. Por causa disso, precisamos de convivência mais próxima. Queremos saber como imaginam um 'futuro tranquilo' e o 'bem viver' para as futuras gerações”. [4] Está em vigor uma dialética do local e do global. No primeiro Encontro Mundial dos Movimentos Populares em Roma, o Papa Francisco disse: “sei que estais comprometidos todos os dias em coisas próximas, concretas, no vosso território, no vosso bairro, no vosso lugar de trabalho: convido-vos também a continuar a procurar esta perspectiva mais ampla; que os vossos sonhos voem alto e abracem o todo”. O Sínodo e a Encíclica se fecundam mutuamente.   O documento preparatório O Documento segue a metodologia, hoje tradicional e assumida nas esferas eclesiais, do “ver, julgar e agir”. Perpassa no Documento o desejo de romper com as estruturas que maltratam e destroem a vida e com os projetos e mentalidades de neocolonização. Como Igreja, é preciso fortalecer o protagonismo dos próprios povos por meio de uma espiritualidade que valoriza a gratuidade da criação e compreende a vida social como diálogo e encontro. “A Amazônia é um espelho de toda a humanidade que, em defesa da vida, exige mudanças estruturais e pessoais de todos os seres humanos, dos Estados e da Igreja”. [9]   VER: O crescimento sem discernimento das atividades agropecuárias, extrativistas e madeireiras danificou a diversidade biológica, poluiu as águas, empobreceu as populações originárias. Ainda existem resquícios da exploração colonial que enfraqueceu as estruturas sociais e culturais dessas populações. Hoje, vítimas de um novo colonialismo, sofrem processos semelhantes que ameaçam a sobrevivência dos territórios e de seus ocupantes com sua sabedoria no trato com o seu meio de vida. De fato, a Amazônia continua sendo uma terra disputada em várias frentes. Em sua história missionária, a Igreja demorou para reconhecer as culturas dessas populações vivendo em harmonia com o meio ambiente.   JULGAR: “Um conteúdo inevitavelmente social” (EG, 177) inerente à missão evangelizadora, é particularmente relevante nos territórios amazônicos, visto a articulação entre vida humana, social e cultural e os ecossistemas. A ecologia integral não é mera articulação entre o social e o ambiental. É condição necessária mas insuficiente, se falta a promoção de uma harmonia que pede uma conversão pessoal, social e ecológica (cf. LS, 210). O Sínodo é e será uma grande oportunidade de escuta recíproca entre o Povo fiel e os senhores bispos atenciosos ao grito da Amazônia, atualização do grito do Povo de Deus no Egito (cf. Ex. 3,7).   AGIR: Desenha-se uma agenda, um consenso em torno dos direitos fundamentais que inclui um desenvolvimento integral respeitando as identidades e o meio de vida dos povos. Uma prioridade para a Igreja é redefinir os conteúdos, métodos e atitudes para implementar uma pastoral inculturada e capacitada para enfrentar os desafios dos territórios. O Sínodo é um kairós para os Povos e as Igrejas da Pan-Amazônia, pois valoriza todos os processos sociais e eclesiais vividos que produzirão frutos no tempo pós-sinodal.   Leia mais sobre o Sínodo da Amazônia clicando aqui. Via: Franciscanos.