franciscanos conventuais
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19 de outubro: São Pedro de Alcântara – Santos e Santas Franciscanas do dia
Frei Pedro nasceu no ano de 1499, na cidade em Alcântara, que fica na região de Cáceres, Espanha. Era filho de Alonso Garabito e de Maria Vilela, recebeu no batismo o nome de Juan de Sanabria. Depois de três anos de estudos em Salamanca, entre 1511 e 1515, entrou na Ordem Franciscana, na Custódia do Santo Evangelho no ano de 1516, que mais tarde, em 1520, se converteria em Província de São Gabriel. Em Majarretes, lugar de seu noviciado, nasceu um novo homem: Juan de Sanabria se transformou em Pedro de Alcântara. Pouco depois, em 1519, antes de ser ordenado sacerdote, foi enviado como superior para fundar o Convento de Badajoz. Completados os estudos de filosofia, teologia, direito canônico, moral e homilética, conforme as determinações da época, foi ordenado sacerdote em 1524. Tornou-se superior em Robledillo, depois em Placencia e novamente em Badajoz, até que em 1532 obteve permissão para recolher-se a uma vida mais contemplativa no convento de Santo Onofre da Lapa. Em 1538, foi eleito Ministro Provincial da Província de São Gabriel. Durante o período em que foi ministro provincial redigiu para seus religiosos estatutos muito severos, aprovados no Capítulo de Placência, em 1540. Mas o começo de sua reforma teve lugar em 1544 quando, com o consentimento de Julio III, retirou-se para a pequena igreja de Santa Cruz de Cebollas, próximo de Coira. Em 1555 construiu o célebre convento de Pedroso, seguido de outros. A partir deste momento, a reforma prosperou amplamente e, em 8 de maio de 1559, obteve a aprovação de Paulo IV, que permitiu sua difusão também no exterior. Pedro de Alcântara, com sua reforma, queria trazer de volta a Ordem Franciscana à genuína observância da Regra. Mediante a suma pobreza, a rígida penitência e um sublime espírito de oração alcançou os mais altos graus de contemplação e pode atrair numerosos franciscanos por aquele caminho de reforma que se propunha fazer reviver em seu século o franciscanismo dos primeiros tempos. Foi confessor e diretor espiritual de Santa Teresa de Ávila e ajudou na reforma da Ordem Carmelita. Santa Teresa escreveu sobre ele, “Modelo de virtudes era Frei Pedro de Alcântara! O mundo de hoje já não é capaz de uma tal perfeição. Este homem santo é de nosso tempo, mas seu fervor é forte como de outros tempos. Tem o mundo a seus pés. Que valor deu o Senhor a este santo para fazer durante 47 anos tão rígida penitência!”. Depois de uma grande atividade eremítica e apostólica, morreu em Arenas de San Pedro (Ávila), no dia 18 de outubro de 1562, aos 63 anos. Em 1622 foi beatificado por Gregório XV e, em 1669, foi canonizado por Clemente IX. Durante sua vida, sendo um notável pregador, foi o confessor do Rei Dom João III, de Portugal. Tornou-se, mais tarde, o santo de devoção da Família Real. Seu nome, Pedro de Alcântara, foi escolhido como nome de batismo dos dois imperadores do Brasil – Dom Pedro I e Dom Pedro II. Dom Pedro I solicitou ao Papa que proclamasse São Pedro de Alcântara como padroeiro do Brasil. E, assim foi feito, em 1826, pelo Papa Leão XII. Fonte: ACIDigital e CFFB. -
20 de novembro: Santa Inês de Assis - Santos e Santas Franciscanas do Dia
Santa Inês nasceu em Assis, no ano de 1197. Irmã carnal de Santa Clara de Assis, sendo três anos mais nova que ela, Santa Inês chamava-se Catarina em sua casa paterna. Era a segunda filha de Ortolana e Favarone de Offreducci e também irmã da bem-aventurada Beatriz. Com quinze anos apenas, juntamente da irmã mais velha, ela abandona a família, os amigos, as riquezas, o brasão nobre e o futuro brilhante e atira-se destemida à aventura divina. Se Clara foi a primeira Clarissa e a fundadora da Segunda Ordem, Santa Inês foi o segundo elemento desta nossa Família Sagrada, sem dúvida a mais fiel discípula de Clara, a primeira jovem que teve a ousadia de deixar tudo para trás e trilhar os caminhos de Clara e Francisco no seguimento do Cristo pobre e crucificado. Em Santa Inês, encontramos uma forte vocação, combativa e perseverante. Nela admiramos o perfil de uma mulher que tudo enfrentou, até ao fim, com uma fortaleza de carácter e uma firmeza de ânimo fora do vulgar; nela contemplamos o vigor evangélico de uma jovem que não recuou perante nada, para seguir a Cristo na total doação. Com quinze anos apenas dá-nos uma lição gloriosa de coragem, de ousadia e de amor, uma lição de maturidade e de heroísmo, uma lição única que ilumina o mundo e os séculos com a beleza incomparável do Evangelho de Cristo. Conta Tomás de Celano, na Legenda de Santa Clara: (...) Dezesseis dias depois da conversão de Clara, Catarina, inspirada pelo divino Espírito, dirigiu-se pressurosa para junto de sua irmã e comunicou-lhe o segredo da sua decisão de consagrar-se inteiramente ao Senhor. Abraçando-a com intensa alegria, Clara exclamou, “Dou graças ao Senhor, querida irmã, porque atendeu a minha oração a teu favor”. Foi assim que, em 1211, logo depois de Clara, deixou tudo para servir a Deus. À maravilhosa conversão seguiu-se uma não mesma maravilhosa defesa da mesma. Sucedeu que, enquanto as felizes irmãs seguiam as pegadas de Cristo na Igreja de Santo Ângelo de Panzo e Clara, já com mais experiência, iniciava a sua irmã e noviça, os familiares levantaram-se contra elas e começaram a persegui-las. Quando perceberam de que Catarina tinha passado para o lado de Clara, juntaram-se doze homens no dia seguinte e, cheios de fúria, dirigiram-se para o local. Exteriormente fingiam uma visita pacífica, mas no seu íntimo tinham criado um ardiloso plano. Tendo já antes perdido toda a esperança de fazer Clara voltar atrás em sua decisão, dirigiram-se a Catarina e questionaram-na, “O que vieste fazer a este lugar? Prepara-te depressa para regressar a casa conosco!” Quando ela respondeu que de maneira nenhuma estava disposta a separar-se de sua irmã Clara, um dos cavaleiros precipitou-se para ela. Enfurecido e à força de socos e pontapés, tentou arrastá-la pelos cabelos, enquanto os outros a empurravam e lhe pegavam pelos braços. Vendo-se a jovem arrebatada das mãos do Senhor como presa de leões, gritou por socorro, “Querida irmã, ajuda-me e não permitas que me separem de Cristo Senhor!”. Enquanto os salteadores arrastavam violentamente a jovem encosta acima, rasgando-lhe os vestidos e deixando atrás de si os cabelos arrancados, Clara, banhada em lágrimas, orava. Pedia que a irmã se mantivesse firme e constante e que nela o poder divino superasse a força dos homens. De repente, aquele corpo caído no chão tornou-se tão pesado que o esforço daqueles homens não foi suficiente para o transportar para o outro lado dum riacho que ali passava. Mesmo com a ajuda de outros, que dos campos e vinhas acorreram ao local, não a conseguiram levantar do solo. Quando, já cansados, desistiram do seu intento e não querendo aceitar a evidência do milagre, comentaram jocosamente, “Não admira que pese tanto, passou a noite toda a comer chumbo!” Monaldo, tio paterno, desesperado e furioso, levantou os braços com a intenção de lhe acertar um soco brutal. Mas quando levantou a mão sentiu uma dor muito forte, que o incomodou durante muito tempo. Depois de tanto sofrimento, Clara aproximou-se e pediu aos parentes que desistissem dos seus intentos e lhe confiassem Catarina que jazia ali morta. E, enquanto eles, mal-humorados, se afastaram sem terem logrado os seus intentos, levantou-se Catarina cheia de alegria. Feliz por ter travado o primeiro combate pela cruz de Cristo, consagrou-se inteiramente ao serviço de Deus. Tal é a têmpera desta clarissa, nobre de vida, irmã mais nova de Clara. Em memória de Santa Inês, virgem e mártir, que aos doze anos de idade derramou o seu sangue por amor de Cristo, Francisco muda o nome da jovem Catarina de Offredúccio para Inês. Para Inês de Assis o nome diz tudo. Com alegria e amor imensos abraçou prontamente a Pobreza, a Castidade, a Obediência e a Clausura, sendo um modelo evangélico para todos. Quarenta e dois anos viveu ela, humilde, pobre, penitente e silenciosa na clausura. Uma vida totalmente entregue por amor a Cristo. Durante anos desempenhou o cargo de superiora no Mosteiro de Florença, mas partiu para a eternidade já no Mosteiro de S. Damião, em 1260, poucos dias depois da morte de sua irmã Santa Clara. Fonte: Dia dos Santos Católicos. -
201º Capítulo Geral Extraordinário: saiba tudo o que foi decido durante as cinco semanas de trabalho.
Após a conclusão do 201º Capítulo Geral Extraordinário, em que foram revisadas as Constituições da Ordem, chegou a hora de apresentar um resumo sobre o trabalho realizado durante este período e demonstrar os números da assembleia capitular. De 24 de julho a 26 de agosto, 112 frades estiveram reunidos no Centro "Ad Gentes" em Nemi, na Itália. Destes, 83 eram representantes vocais (com direito a voto) das 49 jurisdições da Ordem, os outros eram auditores ou contratados para os trabalhos na secretaria: escritório de comunicações, tradutores, intérpretes e animadores litúrgicos. Três comissões trabalharam pelo bom funcionamento do Capítulo: a Comissão Central, a Comissão Jurídica e o Conselho da Presidência. A elaboração do Instrumentum laboris foi de responsabilidade do Comitê Executivo para a Revisão das Constituições (CERC) e da Comissão Internacional para a Revisão das Constituições (CIRC). Foram votadas 791 vezes para o assentimento aos 231 artigos do texto final das Constituições renovadas. Deve-se levar em conta que foram analisados e votados parágrafo por parágrafo das atuais Constituições, mesmo para os trechos cancelados. Para validar os resultados era necessário que uma maioria de, pelo menos, dois terços dos votantes decidisse por determinada orientação. Oficialmente, o Capítulo foi aberto pelo Ministro geral, Frei Marco Tasca, em 24 de julho, com a oração das Vésperas e o canto do "Veni Creator". No dia seguinte, foram cumpridos os deveres do rito, em particular o Secretário Geral do Capítulo, Frei Timothy Kulbicki; e foi eleito ainda o escrivão do Secretário, Frei Emanuele Rimoli. Assim, foram iniciadas os procedimentos dos membros do CERC, que resumiram como as ideias primordiais foram alcançadas e apresentaram os principais temas dos seis capítulos. A assembleia pôde intervir livremente com perguntas e sugestões, destacando a posição de todos. Na segunda-feira, 30 de julho, foi um dia dedicado ao retiro espiritual. O nosso confrade, Dom Roberto Carboni, propôs uma reflexão sobre o tema do discernimento, indicando o diálogo fraterno como o principal meio de tomar decisões no Espírito Santo. Após um dia ainda dedicado à discussão, a votação começou na quarta-feira, 1º de agosto. Cada capitular poderia apresentar seu próprio iuxta modum, uma modificação do texto ou pedir para retomar a discussão sobre um tópico já tratado. Foram muitos as tarefas realizadas pelas comissões mencionadas acima, para que tudo pudesse proceder corretamente. Os tradutores, ao final do dia, tiveram de interpretar os textos do italiano para o inglês, o polonês e o espanhol. No primeiro capítulo das novas Constituições relativas à vida evangélica dos frades, foi dada especial atenção à inserção dos conventuais entre as ordens clericais, por parte da Igreja. A proposta de deixar este nome nesta parte inicial já passou porque é o que diz respeito aos fundamentos jurídicos da nossa realidade. É importante ressaltar a aprovação de um novo parágrafo onde o "fio de ouro" que liga a nossa história ao dogma da Imaculada, de S. Francesco a S. Massimiliano M. Kolbe, foi explicitado. Na tarde do sábado, 4 de agosto, foi votado o Capítulo II: a vida de união com Deus. Evidentemente, não surgiram divergências substanciais nos textos aprovados, já que os temas relativos ao nosso alicerce espiritual são compartilhados por todos. Tivemos de nos atentar à demanda a cada Capítulo Conventual, de modo a agendar oportunidades de escuta, oração, reflexão e partilha da Palavra de Deus. Em 7 de agosto, o focou mudou para a discussão e aprovação do Capítulo III, sobre a vida fraterna em comunhão. Devemos sempre prezar pela fraternidade, não podemos deixá-la em segundo plano. E, por este motivo, durante boa parte do Capítulo Conventual, as novas Constituições reafirmam a sua necessidade e planejamento sistemático. Houve um extenso debate na sala sobre as dificuldade de estarmos juntos mesmo em era de comunicação digital. Não podemos prescrever regras precisas sobre o uso da tecnologia, mas reiteramos que o bem comum deve sempre estar em primeiro lugar. O tema igualmente relevante é o compartilhamento de bens, ainda mais neste momento histórico de globalização, nossas jurisdições devem ser transparentes na administração e abertas às necessidades de todas as realidades da Ordem. A partir do dia 09 de agosto, os capitulares se dedicaram a votar Capítulo IV: a missão dos frades. A identidade franciscana nos abre para uma evangelização sempre atenta aos tempos em que se encontram. A discussão não poderia evitar o cuidado pastoral das paróquias, confiadas não a indivíduos, mas a fraternidades. As novas Constituições reafirmam que as comunidades locais devem equilibrar o compromisso pastoral com as exigências do testemunho fraterno. Um amplo espaço foi dado à "missio ad gentes". O novo texto busca dar uma definição dessa realidade a partir do magistério papal, em particular de São João Paulo II. A vontade do Papa Francisco também foi relembrada, no sentido do compromisso comunitário de proteger o "lar comum" que é a criação. Na Segunda-feira, 13 de agosto, aconteceu a discussão do Capítulo V: a formação dos frades. Foi enfatizada a relevância da gradualidade a ser dada à jornada do formando e, também por esta razão, foi decidido que, para os professos simples, era obrigatório apenas a oração das Laudes e das Vésperas. Foi importante o parecer favorável ao projeto "UniFra" (Universidade Franciscana), para um único centro universitário interfranciscano em Roma. Da mesma forma, tendo definida a nossa identidade de maneira simples: "Conventualidade" é expressa como uma fraternidade ativa e co-responsável, orientada para a contemplação e a missão. O Capítulo VI, que trata do serviço de autoridade na Ordem, foi votado em 17 de agosto. Foi destacada a mudança na duração dos cargos de Ministros e Custódios. O novo texto prevê uma única reconfirmação e, portanto, o Ministro geral pode exercer seu mandato no prazo máximo de 12 anos, os Ministros Provinciais e Custódios no prazo máximo de 8 anos. Os capitulares lembraram que a moção aprovada permite ao Ministro Geral pedir para a Congregação dos Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, a oportunidade de participar do próximo Capítulo Geral Ordinária de 2019, juntamente de sete irmãos em profissão perpétua, não Concedida à Santa Ordem, com voz ativa e sob proposta das Federações. Em 22 de agosto, após a última votação na sala do tribunal, foram ouvidos os seguintes frades: Irmão José Luis Avendaño Monsalve, Custódio da Custódia Provincial da BVM de Coromoto, na Venezuela; e o Irmão Leo Payyappilly, Ministro Provincial da Província de São Maximiliano Kolbe, na Índia. As situações em Kerala (Índia) e na Venezuela são de muitas dificuldades, então todos os confrades foram convidados a ajudar. O dia seguinte foi dedicado à edição final do texto das Constituições aprovadas. Na Sexta-feira, dia 24, foi feita uma peregrinação ao túmulo do Seráfico Pai São Francisco, em Assis, com a concelebração em que foram professados os votos simples de alguns noviços. Em 25 de agosto, o ato final do Capítulo foi celebrado com a aprovação de todo o texto das novas Constituições. Na sala houve a avaliação dos capitulares para o andamento do trabalho realizado. Todos salientaram a calorosa recepção e a transparência do diálogo. Logo após, o Delegado Geral para as Comunicações, Frei Ryszard Wróbel, apresentou alguns dados estatísticos. Estão aguardando aprovação: 24 Bispos, 60 padres diáconos temporários, 11 diáconos permanentes, 97 religiosos professos solenes, 470 leigos professos solenes, 492 professos simples, 96 noviços. Um total de 4047 irmãos. Finalmente, os membros do Capítulo agradeceram ao Senhor com o "Te Deum" cantado na missa. O Ministro geral abençoou a todos com as palavras de São Francisco: Que o Senhor te dê a paz! Traduzido e adaptado de: OFMConv.net. Autor Original: Frei Aurelio Ercoli. -
21 de julho: Santos e Santas Franciscanas do dia – São Lourenço de Bríndisi
Júlio César Russo nasceu na comuna italiana de Bríndisi, em 22 de julho de 1559, de Guilherme Russo e Elizabete. Com apenas seis anos, memorizava várias páginas de textos. E assim, ele cresceu saindo-se brilhante em todos os estudos. Aos 14 anos, ficou órfão. Então, um tio seu que era sacerdote, o acolheu e o levou para viver em Veneza, onde aprofundou a sua formação cultural e espiritual. Convivendo com os capuchinhos que moravam num convento humilde junto à igrejinha de Santa Maria dos Anjos, na ilha de Giudecca, Júlio sentiu-se atraído pela vida pobre e austera que os frades levavam. Logo, foi aceito na Ordem. Tendo vestido o hábito capuchinho em Verona, recebeu a ordenação sacerdotal em 1582 e assumiu o nome religioso de Lourenço. Depois de morto, passou a ser chamado de São Lourenço de Brindisi, por causa de sua cidade natal, para diferenciá-lo de São Lourenço mártir. São Lourenço deu importância particular à Sagrada Escritura, que aprendeu toda de memória, aperfeiçoando-se também nas línguas bíblicas. Depois da ordenação sacerdotal, recebida das mãos do patriarca de Veneza João Trevisan a 18 de dezembro de 1582, a principal atividade de Lourenço foi o ministério da pregação. Percorreu toda a Itália anunciando a Palavra de Deus. De 1594 a 1597 foi provincial de Veneza e para o mesmo cargo foi chamado para a Suíça em 1598. Dois anos antes, em 1596, foi eleito definidor geral. Fundamental foi a ação de Lourenço na difusão da Ordem Capuchinha na Europa. Fundou conventos em Insbruck, em 1593, Salzburg, três anos depois. Em 1597 fundou o convento de Trento, e em seguida, 1599, em Boêmia. Em Praga, em 1599, com população na maioria com tendências reformistas e anticatólicas, conseguiu, com intensa atividade apostólica, centrada no ministério da pregação e no diálogo aberto e familiar, fundar um convento e o retorno à fé católica de muita gente. Em 1600 fundou mais dois conventos em Viena e em Graz. No Capítulo Geral de 24 de maio de 1602, frei Lourenço foi eleito o Ministro Geral dos Capuchinhos e, em primeiro lugar, fez a visita a todos os frades. A Ordem estava com 30 províncias e cerca de 9000 religiosos, distribuídos em toda Europa. Em 1610 a 1613, residiu em Mônaco como representante da Santa Sé. No Capítulo Geral de 1613, eleito pela terceira vez Definidor Geral, foi enviado como visitador à Província de Gênova, onde foi aclamado como Provincial e, por isso, só em 1616 pode retornar à sua Província de Veneza e dedicar-se a um período mais intenso de retiro e oração. Características particulares da sua espiritualidade, tipicamente franciscana e cristocêntrica, foram o culto a Eucaristia e a devoção a Maria. A santa missa, por ele celebrada com muito fervor, se prolongava normalmente por uma, duas ou três horas e depois, por um indulto de Paulo V, oito, dez ou doze horas. À Virgem Maria ele atribuía cada dom e cada graça, e nada poupava para difundir a sua devoção. Mesmo aspirando à vida retirada teve, a pedido do Papa, de interrompê-la em missões diplomáticas até ao ponto de adoecer gravemente. Morreu a 22 de julho de 1619, com 60 anos. O seu corpo foi levado para Vilafranca de Bierzo (Galizia), onde foi sepultado na igreja do mosteiro das franciscanas descalças. Apesar dos muitos trabalhos, Lourenço escreveu diversas obras editadas de 1928 a 1956 na Edição da “Opera Omnia”. Quatro anos depois da morte de Lourenço de Brindisi, foi introduzido, pelo Geral da Ordem Clemente de Noto, o processo de canonização. A beatificação foi em 23 de maio de 1783 por Pio VI e, 100 anos depois, a santificação pelo Papa Leão XIII em oito de dezembro de 1881. Após o exame das suas obras, definidas como “verdadeiros tesouros de sabedoria”, João XXIII, em 17 de março de 1959, declarou São Lourenço de Bríndisi doutor Apostólico da Igreja. Fontes: Cruz Terra Santa e Franciscanos. -
22 de setembro: São Francisco Maria de Camporosso - Santos e Santas Franciscanas do Dia
Francisco nasceu na comuna de Camporosso, na Itália, em 1804. Seus pais eram trabalhadores e profundamente religiosos e ele, caçula de quatro filhos. Aos doze anos de idade, foi encarregado de tomar conta do pequeno rebanho da família, pois o ar livre faria bem à sua frágil saúde. Daí nasce a forte amizade com os outros pastores, que costumavam se reunir para rezar e explicar-lhes um pouco de catecismo. Seus colegas tinham por ele uma grande admiração e o chamavam de eremita. Um pouco mais velho, começou a ajudar os pais e irmãos nos trabalhos pesados do campo. Mas, fazia-se ouvir cada vez mais clara e forte uma voz que o chamava a doar-se totalmente a Deus, na vida religiosa. A primeira tentativa que fez como postulante não satisfez seus desejos e aspirações, mas depois, em 1825, começa o noviciado em Gênova. Frei Francisco Maria expressou seu lema, “Quero ser o jumento do convento”. E viveu este lema a cada dia com empenho e amor redobrados. Terminando o noviciado, a obediência o destinou ao convento da Imaculada Conceição, em Gênova, onde passou toda a vida. Nos primeiros dois anos, se dedicou ao serviço dos irmãos mais velhos e doentes, depois ao ofício de esmoleiro da cidade de Gênova. Como esmoleiro, todos os dias passava em casas ricas e pobres pedindo esmolas e repartindo com os mais necessitados o que recebia. Procurou imitar nisso São Félix de Cantalício e São Crispim de Viterbo. Vestido com uma túnica velha e toda remendada, debaixo de sol ou chuva, pés descalços, uma sacola nos braços e o terço mãos: assim se apresentava ao povo. Tornou-se uma figura característica das ruas da cidade. Para todos tinha uma palavra de conforto e esperança, parecia conhecer os segredos mais íntimos do coração. E o povo passou a chamá-lo de “padre santo”. A figura de frei Francisco era popular, inclusive no porto de Gênova entre os trabalhadores, estivadores, marinheiros e tripulantes. À noite, quando chegava em casa cansado, um numeroso grupo de pessoas o aguardava na praça do convento para recomendar-se às suas orações, para pedir conselhos e contar os próprios problemas. Ele ouvia a todos e sempre tinha uma palavra de conforto. Dedicava parte da noite à oração e à penitencia em preparação ao trabalho do novo dia. Por quase quarenta anos, frei Francisco Maria exerceu a função de esmoleiro. A cada dia sua figura alta encurvava-se mais, os cabelos e a barba embranqueciam, mas se mantinha fiel ao seu dever. Em 1866, a cidade foi atingida por uma grande epidemia: as ruas começaram a ficar desertas e a cada dia aumentava o número de mortos. Frei Francisco Maria se oferece em sacrifício, como vítima de expiação para a saúde da cidade, diante de altar da Imaculada Conceição. Tem a certeza de que será atendido. No dia 17 de setembro falece, vítima da epidemia. Deste dia em diante a doença começou a diminuir e, em pouco tempo, acaba de vez. Todos tiveram a certeza de que foram salvos pelo padre santo. Frei Francisco Maria nos deixou um grande exemplo da caridade: quis ser o jumento do convento no serviço aos irmãos e por fim oferecendo-se em holocausto em prol do povo que tanto amava. Foi canonizado por João XXIII no dia 9 de dezembro de 1962. Fonte: Franciscanos. Informações: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola. -
22ª edição do Canta Jardim reúne mais 12 mil pessoas em adoração e louvor
Foi realizado neste domingo, 02, no Convento e Santuário Jardim da Imaculada, na Cidade Ocidental (GO), a 22ª edição do Canta Jardim. Estiveram presentes mais de 12 mil pessoas que participaram do evento entre momentos de adoração, louvor e também de celebração nas mais diversas atividades disponíveis na programação que refletiu sobre o tema "Fazei tudo o que Ele vos disser (Jo, 2,5)". No Palco I, que ficava na região do bosque, aconteceram muitas apresentações musicais. Na parte da manhã, foram apresentados os shows da Missão Lugar Seguro, Francimar Costa, Felipe Alcântara, Gabriela Carvalho e do Frei Alex Nuno (OFMConv), que contou com a participação de outros cantores e, mesmo sob forte calor, levou o público a cantar junto todas as músicas. Logo após, o Frei Hoslan Guedes (OFMConv) realizou um momento de veneração à Nossa Senhora. No período da tarde, o calor deu uma pequena trégua, o que motivou uma maior participação das pessoas aos shows da banda Missionário Shalom e da cantora Adriana Arydes. O público, que se espremeu para prestigiar as apresentações mais cheias do dia, participou até das coreografias. O Frei Amilton Leandro (OFMConv) abriu as celebrações no Palco II, realizando o Ofício de Nossa Senhora logo no início da manhã. A animação ficou por conta do grupo Mater Dei. Em seguida, o Frei Marcos Pereira (OFMConv) fez um momento de adoração sobre o tema “A força criativa é o amor”. Na pregação do teólogo e missionário da Canção Nova, Márcio Mendes, muitos fiéis se reuniram para ouvir sobre a reflexão da passagem bíblica "Fazei tudo o que Ele vos disser (Jo, 2,5)". Os milicianos e milicianas encerram as celebrações. No mesmo palco, no período da tarde, o Frei Josué Pereira (OFMConv) e os membros da Comunidade Mel de Deus realizaram um forte momento de adoração e louvor sobre a vida atual do cristão e da cristã. Em seguida, próximo das 18h, o Canta Jardim foi concluído com a celebração da Santa Missa presidida pelo Bispo da Diocese de Luziânia, Dom Waldemar Passini Dalbello e co-presidida pelos frades da Província São Maximiliano Kolbe. Milhares de fiéis participaram da Liturgia Eucarística que fora encerrada com uma grande queima de fogos. Programação Diversificada Além das apresentações musicais e das celebrações que aconteceram nos dois palcos principais, foram disponibilizadas várias outras atividades. Teve tenda vocacional com a participação de diversas congregações de vida consagrada e animação e louvor com a Banda SoundFÉ. Os jovens e as jovens que participaram do evento puderam tirar dúvidas e receber encaminhamentos quanto ao seu chamado vocacional. Também havia uma tenda para a Terceira Idade, o Cantinho da Alegria e Sabedoria, com toda a sua programação destinada aos assuntos de interesse deste público. Teve palestra com a nutricionista Graice Regina sobre o tema “Envelhecer com saúde é viver”. Os idosos e as idosas puderam participar de dois bingos e assistir à peça de teatro “Duas fias do Gumercindo”, do grupo Sal e Luz. Já no Cantinho da Criança, aconteceram diversos momentos de oração, louvor e Consagração à Mãezinha do Céu. Tiveram ainda gincanas musicais, lava pés e uma pregação sobre “Crianças conduzidas pelo Espírito Santo”. Os participantes e as participantes do evento puderam também se confessar na Tenda das Confissões. Ao longo de todo o dia, mesmo sob o forte calor, os frades franciscanos conventuais e sacerdotes diocesanos se organizaram para atender às confissões de quase 800 pessoas que faziam fila do lado de fora da barraca para receber o sacramento. A primeira edição do Canta Jardim aconteceu no ano de 1997 para comemorar os vinte anos do Santuário Jardim da Imaculada. A partir de então, o evento se tornou tradicional na região e, em todo primeiro domingo de agosto, o Santuário organiza o Canta Jardim, uma festa de adoração, louvor e orações, como forma de homenagear o início do mês das vocações e o perdão de Assis. Saiba mais sobre as edições anteriores clicando em: 21º Canta Jardim e 20º Canta Jardim. Confira mais fotos na galeria! -
24 de julho: Santos e Santas Franciscanas do Dia - Bem-Aventurada Luísa de Sabóia e Bem-Aventurado Antônio Lucci
Bem-Aventurada Luísa de Sabóia Luísa nasceu em 1462, em Gênova, na Itália. Era filha do Bem-aventurado Amadeu II, Terceiro Franciscano, duque de Sabóia e de Iolanda. Casada com Hugo de Chalon, viveu no ducado de Sabóia ate que, em meio a uma guerra com os suíços, foi raptada e levada à prisão do castelo de Rouvres. No cárcere, encontrou-se com o Padre João Perrine, o qual tornou-se seu diretor espiritual. Ficando viúva em 1490, ingressou no Mosteiro de Clarissas Coletinas de Orbe, na Suíça, dois anos depois e doando à Igreja do mosteiro todos os seus bens. No claustro atingiu rapidamente o vértice das virtudes cristãs, decorrendo a sua vida na prática do exercício da oração, do silêncio e da pobreza mais austera, conforme a regra de Santa Clara. Este mosteiro transferiu-se mais tarde para Annecy, na França. Em Orbe viveu santamente, edificando suas irmãs pela piedade, humildade e abnegação de si mesma. Morreu a 24 de julho de 1503 e foi beatificada pelo Papa Gregório XVI. Recordamos esta beata porque a sua família veio a reinar no Piemonte e Sardenha e foi exatamente com a sua família que se deu a unificação da Itália em 1870. Aliás, a família da casa de Sabóia sempre foi muito dedicada à Igreja, e entre as mulheres sempre houve grandes santas, algumas a caminho dos altares. O famoso sudário de Turim também pertenceu à casa de Sabóia que governou a Itália até o final da segunda guerra mundial, quando foi proclamada a república. O último rei da Itália, ao morrer, deixou o sudário de Turim para a Santa Sé. Fontes: Bem-Aventuradas Clarissas e Franciscanos. Bem-Aventurado Antônio Lucci Bem-Aventurado Antônio Lucci. Arte: Alexandre Britto. Ângelo Nicolau Lucci nasceu em 2 de Agosto de 1682 na comuna de Agnone, na Itália. Entrou na Ordem dos Frades Menores Conventuais em 1698, distinguindo-se pelo estudo e pelo ensino da Teologia que inspirou sempre a generosa busca da sua perfeição, o exercício cheio de zelo do seu ministério apostólico e a colaboração humildemente oferecida à Sé Apostólica. Foi eleito Bispo de Bovino, nas Apúlias. Demonstrou ser, no decurso de 24 anos, autêntico pai e pastor dos fiéis da diocese, não medindo esforços para confirmar seu povo na fé e na vida cristã e para socorrer os numerosos pobres do seu povo que amava com evangélica opção preferencial. Morreu em Bovino, a 25 de Julho de 1752. Tinha 70 anos. Foi inscrito no Álbum dos Bem-aventurados pelo Papa João Paulo II, a 18 de Junho de 1989. Fonte: Franciscanos. -
25 de agosto: Santos e Santas Franciscanas - São Luís (Rei da França)
Luís IX, rei da França e Padroeiro da Ordem Franciscana Secular, nascem eu 25 de agosto em 1215. Foi educado de maneira rígida por sua mãe, Branca de Castela, de quem herdou o amor a Deus e à Santíssima Virgem, o apreço pela virtude e a aversão ao mal. Foi casado com Margarida de Provença. Luís realizava todos os dias o exercício diário de piedade e penitência em meio à uma corte elegante e pomposa e lá viveu como o mais rígido monastério. Muitos falavam que ele era liberal demais para com os pobres. Estes, recebiam como resposta de Luís, “prefiro que meus gastos excessivos estejam constituídos por luminoso amor de Deus e não por luxos para a glória do mundo”. Sensível e justo, concedia audiência a todos debaixo do célebre bosque de Vincennes. Admirava-lhes seu posicionamento durante o seu reinado. Toda sua vida sonhou em poder liberar a Terra Santa das mãos dos turcos. A primeira cruzada por ele promovida acabou fracassando. O exército cristão foi derrotado e dizimado pela peste. O rei caiu prisioneiro e a sua precisão foi o único resultado da expedição. As virtudes do rei impressionaram profundamente os muçulmanos, que o apontaram “o sultão justo”. Em uma segunda expedição ao Oriente, em 1270, o Rei morreu aos 55 anos, vítima do tifo, mas não antes sem dizer ao Sultão de Túnez, “Estou resoluto a passar toda minha vida de prisioneiro dos sarracenos sem voltar a ver a luz, contanto que tu e teu povo possais fazer-se cristãos”. Os cruzados voltaram para a França trazendo o corpo do rei Luís IX, que já tinha fama e odor de santidade. O seu túmulo tornou-se um local de intensa peregrinação, onde vários milagres foram observados. Assim, em 1297, o papa Bonifácio VIII declarou santo Luís IX, rei da França, mantendo o culto já existente no dia de sua morte. Confira a biografia de outros Santos e Santas Franciscanas clicando aqui. Fontes: Franciscanos e Revista Católica. -
25 de outubro: Santo Antônio de Sant'Anna Galvão (Frei Galvão) - Santos e Santas franciscanas do dia
Antônio de Sant’Anna Galvão nasceu em 10 de maio de 1739, em Guaratinguetá (SP). Seus pai era o português Antônio Galvão e sua mão, Isabel Leite de Barros, era natural da cidade de Pindamonhangaba. Antônio viveu numa casa tão religiosa quanto grande e rica, já que seus pais tinham prestígio social e influência política. Aos 13 anos, ele foi enviado à Bahia para estudar no seminário dos padres jesuítas. Em 1755, recebeu a notícia da morte prematura de sua mãe. Este fato fez com ele assumisse Santa Ana (Santana), de quem era devoto, como mãe espiritual. Tanto que seu futuro nome de religioso será “Frei Antônio de Santana Galvão”. Ele queria ser jesuíta, mas as perseguições contra os jesuítas instaurada pelo Marquês de Pombal, obrigaram-no a seguir o conselho do pai e se tornar franciscano. Em 1760, ingressou no noviciado da Província Franciscana da Imaculada Conceição, no Convento de São Boaventura do Macacu, na Capitania do Rio de Janeiro. Foi ordenado sacerdote no dia 11 de julho de 1762, sendo transferido para o Convento de São Francisco, em São Paulo. Em 1768, foi nomeado confessor, pregador e porteiro do convento. Era um cargo importante na época. Frei Galvão se destacou nesse cargo de tal forma que a Câmara Municipal lhe deu o título de o "novo esplendor do Convento". Em 1770, foi convidado para ser membro da Academia Paulistana de Letras. Isso porque ele compunha peças poéticas em latim, odes, ritmos e epigramas. Suas composições foram sempre bem metrificadas e cheias de profundo sentimento religioso e patriótico. Entre 1769 e 1770, Frei Galvão recebeu a missão de ser confessor no Recolhimento de Santa Teresa, um tipo de convento que abrigava devotas de Santa Teresa de Ávila, em São Paulo. Lá, ele conheceu a Irmã Helena Maria do Espírito Santo, uma freira penitente que dizia receber um pedido de Jesus: a fundação de um novo Recolhimento. Galvão estudou essas mensagens, consultou outros teólogos que as reconheceram como verdadeiras e sobrenaturais. Num tempo em que construções de conventos de ordens religiosas e até de igrejas estavam proibidas em todo o império pelo marquês de Pombal, Frei Galvão assumiu as consequências e, em 1774, fundou o Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência, hoje Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz, das Irmãs Concepcionistas da Imaculada Conceição. Cheio do espírito da caridade, não media sacrifícios para aliviar os sofrimentos alheios. Por isso o povo a ele recorria em suas necessidades. A caridade de Frei Galvão brilhou, sobretudo, como fundador do mosteiro da Luz, pelo carinho com que formou as religiosas e pelo que deixou nos estatutos do então recolhimento da Luz. São páginas que tratam da espiritualidade, mas em particular, da caridade de como devem ser vivida a vida religiosa e tratadas as pessoas de dentro e de fora do “recolhimento”. Irmã Helena e mais duas jovens vocacionadas foram morar no recolhimento. O Recolhimento, porém, nada mais era do que um casebre afastado da cidade, no meio do mato. Mas, em 23 de fevereiro de 1775, Irmã Helena faleceu repentinamente e, por isso, Frei Galvão teve de se tornar o novo diretor do instituto e líder espiritual das irmãs. Nisso, um grande número de moças vocacionadas começaram a vir para o Recolhimento. Aos poucos, não havia mais lugar para acomodá-las com dignidade no casebre. Frei Galvão, usando das habilidades que aprendera com os Jesuítas, projetou e começou a construir o Mosteiro da Luz. Um governador novo, porém, chegou a São Paulo e por ordem do Marquês de Pombal em prática mandando fechar o recolhimento. Frei Galvão obedeceu, mas as irmãs se recusaram a sair do Recolhimento. O governador, então, começou a agir com violência enviando tropas e ameaçando destruir tudo. Mas o povo se revoltou e o governador teve que ceder. Ali, por causa da construção, iniciou-se o Bairro da Luz na cidade de São Paulo. Óleo de Alex Tavares - Construção do Mosteiro da Luz. Acervo Museu Frei Galvão. Frei Galvão, junto das irmãs do Recolhimento de Santa Teresa, se dedicou por 28 anos a Construir o Mosteiro da Luz, desafiando o governo vigente. Às 10 horas do dia 23 de dezembro de 1822, no Mosteiro da Luz de São Paulo, havendo recebido todos os sacramentos, adormeceu santamente no Senhor, contando com seus quase 84 anos de idade. Foi sepultado na Capela-Mor da Igreja do Mosteiro da Luz, e sua sepultura ainda hoje continua sendo visitada pelos fiéis. Sobre a lápide do sepulcro de Frei Galvão está escrito para eterna memória, “Aqui jaz Frei Antônio de Sant’Anna Galvão, ínclito fundador e reitor desta casa religiosa, que tendo sua alma sempre em suas mãos, placidamente faleceu no Senhor no dia 23 de dezembro do ano de 1822”. Sob o olhar de sua Rainha, a Virgem Imaculada, sob a luz que ilumina o tabernáculo, repousa o corpo do escravo de Maria e do Sacerdote de Cristo, a continuar, ainda depois da morte, a residir na casa de sua Senhora ao lado de seu Senhor Sacramentado. Frei Galvão é o religioso cujo coração é de Deus, mas as mãos e os pés são dos irmãos. Toda a sua pessoa era caridade, delicadeza e bondade: testemunhou a doçura de Deus entre os homens. Era o homem da paz, e como encontramos no Registro dos Religiosos Brasileiros: “O seu nome é em São Paulo, mais que em qualquer outro lugar, ouvido com grande confiança e não uma só vez, de lugares remotos, muitas pessoas o vinham procurar nas suas necessidades”. O dia 25 de outubro, dia oficial do santo, foi estabelecido, na Liturgia, pelo saudoso Papa João Paulo II, na ocasião da beatificação de Frei Galvão em 1998 em Roma. Com a canonização do primeiro santo que nasceu, viveu e morreu no Brasil, a 11 de maio de 2007, o Papa Bento XVI manteve a data de 25 de outubro. Fontes: Canção Nova e Cruz Terra Santa. -
26 de novembro: São Leonardo de Porto Maurício - Santos e Santas Franciscanas do Dia
São Leonardo, nasceu em 20 de dezembro de 1676, próximo à região de Gênova, na Itália. O grande missionário do século XVIII, como lhe chamaria Santo Afonso Maria de Ligório, perdeu a mãe muito cedo. Assim, foi educado por seu tio. Encontrou cedo sua vocação ao Sacerdócio, por isso, ao renunciar a si mesmo, foi para Roma formar-se no Colégio da Companhia de Jesus. Por causa da sua inocência e sólida virtude, conquistou a simpatia e a alta consideração de seus superiores, que nele viam outro angélico Luís Gonzaga. Entrou para a Ordem Franciscana, no Convento de São Boaventura e, com 26 anos, já havia sido ordenado Padre. Começou a vivenciar toda a riqueza do Evangelho e a radicalidade típica dos imitadores de Francisco, por isso ocupou posições cada vez maiores no serviço à Ordem, à Igreja e para com todos. Devoto da Virgem Maria, que lhe salvou a vida num tempo em que padeceu da tuberculose (praticamente incurável na época), São Leonardo de Porto Maurício era devotíssimo do Sagrado Coração de Jesus na forma da adoração ao Jesus Eucarístico. Foi, no século XVIII, o grande apóstolo do santo exercício da Via-Sacra. Era um grande amante da pobreza radical e franciscana. Toda a vida, penitências e orações de São Leonardo convergiam para a salvação das almas. Era tal a unção, a caridade e o entusiasmo que repassava em suas pregações, que o célebre orador Bapherini, encanecido já no exercício da palavra, sendo enviado por Clemente XII a ouvir os sermões de Leonardo para depois o informar a este respeito, desempenhou-se da sua missão dizendo “que nunca ouvira pregador mais arrebatador, que o efeito de seus discursos era irresistível, que ele próprio não pudera reter as lágrimas”. São Leonardo era digno sucessor de Santo Antônio de Lisboa, de São Bernardino de Sena e de São João Capistrano. São Leonardo de Porto Maurício é conhecido também como “O Salvador do Coliseu” e não é à toa. Num tempo em que o antigo edifício estava abandonado, depredado e suas pedras eram retiradas para serem usadas em outras construções, ele realizou ali, pela primeira vez, uma Via Sacra. Na celebração ele definiu aquele lugar como sagrado, santificado, por causa do sangue dos mártires derramado ali. A medida foi tão impactante que tornou-se tradição. Depois disso, o Coliseu passou a ser conservado. Tal Tradição permanece até hoje. Em toda Sexta-Feira da Paixão, o Papa celebra a Via-Sacra no Coliseu de Roma. O próprio Pontífice Bento XIV quis ouvir o famoso missionário, e para isso chamou-o a Roma, em 1749, a fim de preparar os fiéis para o Ano Santo. São Leonardo foi também um grande devoto de Nossa Senhora. Desejava ardentemente que a Igreja proclamasse o dogma da Imaculada Conceição de Maria. Chegou a convencer Papa Bento XIV sobre a necessidade de convocar um concílio com o fim de discutir tal tema e, em seguida, proclamar o dogma. Ele não viveu para ver a proclamação, mas escreveu uma carta profecia na qual previu que o dogma seria proclamado um dia, como, de fato, o foi, no ano 1854. Depois de derramar-se por Deus e pelos outros, Frei Leonardo não se tornou mártir, como tão desejava, mas deu toda sua vida no dia-a-dia até adoecer e entrar no Céu a 26 de novembro de 1751, quando estava no Retiro de São Boaventura de Palatino, em Roma. Sua fama de santidade era tão grande que até mesmo o Papa Bento XIV ajoelhou-se em frente ao seu corpo. São Leonardo recebeu vários títulos como o “Santo da Via Sacra”, “Santo da Imaculada Conceição”, “Salvador do Coliseu” e “Pregador da Paixão de Cristo”. Mais tarde, o Papa Pio XI conferiu a ele o título de “Padroeiro de todos os sacerdotes que se entregam às missões no mundo.” São Leonardo de Porto Maurício é ainda festejado como padroeiro da cidade de Impéria, antiga Porto Maurício. Deixou também vasta coleção de escritos, publicados, a princípio, isoladamente, mas que depois foram reunidos numa grande edição, que prolonga no futuro a sua prodigiosa ação missionária, não apenas dentro das fronteiras da Itália, mas cujo âmbito é todo o mundo civilizado, pelas traduções feitas em quase todas as línguas cultas. Estes escritos constituem, em geral, um rico tesouro de verdades ascéticas e ensinamentos morais e homiléticos. Fontes: Canção Nova e Cruz Terra Santa. -
26 de outubro: Bem-Aventurado Boaventura de Potenza – Santos e Santas Franciscanas do Dia
Boaventura nasceu no dia 04 de janeiro de 1651, na comuna de Potenza, na Itália. Seus pais, Lelio Lavagna e Catalina Pica, eram bastante religiosos e ao seu filho passaram estes valores. Em 04 de outubro de 1666, tomou o hábito religioso dos Frades Menores Conventuais em Nocera dei Pagani. Por 8 anos teve como diretor espiritual o venerável Domingo Giurardelli de Muro Lucano. Em junho de 1707, enquanto estava no convento do Santo Espírito de Nápoles, por razões de saúde, ele se prodigalizou na assistência aos enfermos de cólera, epidemia que assolou Vomero. Fiel imitador de São Francisco, Boaventura guardava com zeloso cuidado o precioso tesouro da pobreza que brilhava em seu hábito, cheio de remendos, em sua cela e em toda a sua vida. Por natureza tinha um temperamento intempestivo, propenso à ira, mas com a força de seu caráter e com a ajuda de Deus, soube adquirir uma paciência e uma doçura inalteráveis. Frente às censuras, às injustiças e às injúrias, ainda que sentisse o sangue ferver em suas veias e o coração palpitar violentamente, conseguia conservar um absoluto domínio de si mesmo. Sua austeridade era inaudita, chegando mesmo a se flagelar até derramar sangue, às sextas-feiras, em recordação à Paixão de Cristo. Para com os pobres, os enfermos e os aflitos era compassivo e lhes prestava assistência. Como autêntico sacerdote de Cristo seu magistério era evangélico. Normalmente, com uma só pregação chegava a converter os pecadores e, às vezes, como o bom pastor, ia às suas casas para buscá-los como “ovelhas perdidas”. Seu confessionário se mantinha assediado de penitentes, onde, por vezes, passava dias inteiros. Era fervoroso e zeloso devoto da Virgem. Nas pregações convidava os fiéis à confiança e ao amor para com a divina Mãe. Não empreendia nenhuma iniciativa sem se colocar sob sua proteção maternal. A Imaculada Conceição de Maria, que ainda não era dogma definido, para ele era uma verdade da qual não se podia duvidar. Sua vida foi marcada por carismas singulares e prodígios. Depois de oito dias de enfermidade, aos 60 anos, em 26 de outubro de 1711, com o nome de Maria em seus lábios, expirou serenamente em Ravello. Foi beatificado pelo Papa Pio VI em 26 de novembro de 1775. Fonte: Franciscanos. -
26 setembro: São Elzeário de Sabran e Bem-aventurada Delfina de Glandèves - Santos e Santas Franciscanas do Dia
Elzeário nasceu no ano de 1285, nasceu na pequena aldeia Provence, na França. Filho de Ermangao de Sabran, conde de Ariano, no reino de Nápoles e de Lauduna d’Albe de Roquemartine, mulher de grande piedade e caridade para com os pobres. Ainda em seu batismo, sua mãe o ofereceu ao Senhor, disse que estava disposta a entregá-lo antes que sua alma fosse manchada em vida pelo pecado mortal. O voto heroico da mãe foi ouvido. Ele teve ótima educação ao lado de seu tio Guilherme de Sabran, abade de renome do mosteiro beneditino de São Vítor. Todavia, ainda muito jovem, por vontade de Carlos de Anjou, casou-se em 1299 com Delfina de Signe. Elzeário, muito inclinado à piedade, e Delfina, que não queria o casamento, de comum acordo resolveram conservar sua castidade, mesmo após as núpcias, e cumpriram o seu acordo. Após a morte de seu pai, Elzeário herdou, com outros títulos de nobreza, também o de conde de Ariano, indo à Itália para tomar posse do condado, sob a imediata autoridade do rei. Naquela ocasião brilharam suas virtudes. Por sua caridade e o senso de moderação dos contratempos, conquistou o amor do povo, sendo querido pelo Rei de Nápoles. Em 1312, quando Roma foi sitiada pelo exército do Imperador Henrique VII de Luxemburgo, Roberto de Anjou encomendou ao Conde de Ariano o mando de seus soldados que pediam ajuda do Papa. Elzeário aceitou a pesada tarefa com tanta persistência que forçou os imperiais a abandonar Roma. Depois de quatro anos na Itália, retornou a Provence. Este retorno foi motivo de grande alegria para Delfina, e para todos os povos da região. Neste momento, o casal recebeu o hábito da Ordem Terceira de São Francisco das mãos do Padre João Julião da Riez. Se antes fizeram o juramento de perseverarem na virgindade, agora fizeram o voto de perpétua castidade. Todos os dias, eles rezavam o ofício dos terciários e multiplicavam as obras de caridade e de penitência. O hábito franciscano consistia em uma túnica de pano cinza até os joelhos, apertada com o cordão. Ele se preocupou que, em seus territórios, florescessem a vida cristã, se mantivessem bons costumes, se administrasse a justiça e se defendessem os pobres da opressão dos ricos. Morreu em 27 de setembro de 1323. Quis ter ao seu lado, o famoso padre e teólogo Francisco Mairone, com quem fez a confissão geral e de quem recebeu o Viático. Foi canonizado por Urbano V em 15 de abril 1369. Em sua canonização, estava presente sua esposa Delfina. Em Ariano Irpino (Avellino) é venerado como um co-padroeiro da cidade. Bem-aventurada Delfina de Glandèves Delfina de Signe, nasceu em 1284, nas colinas do Luberon, na França. Sendo da nobre família dos Glandèves, era uma encantadora figura de mulher, que passou por todos os lugares do mundo, levando a luz da sua graça, o perfume da virtude, o calor do seu afeto. Se dedicou a alimentar aqueles que estavam ao seu redor. Desde cedo, sua presença era luz e conforto para sua família. Aos 12 anos, já estava noiva de um jovem não inferior a ela por sua gentileza, nobreza de sangue e beleza da alma, Elzeário. O casamento aconteceu quatro anos depois. Foi um casamento “branco”, porque o jovem casal escolheu a castidade, um meio de perfeição espiritual mais alto e árduo. No Castelo de Ansouis, os dois cônjuges nobres viveram não como castelhanos, mas como penitentes. No castelo de Puy-Michel, entraram na Ordem Terceira Franciscana. Sua vida interior foi enriquecida por uma nova dimensão, a da caridade, mediante a qual eles, ricos por sua condição, se fizeram humildes e pobres para socorrer aos pobres. Delfina e seu marido, além das penitências, orações e mortificações, dedicaram-se a todas as obras de misericórdia, destacando-se em todas. Quando Elzeário foi enviado para seu ducado de Ariano como embaixador para o Reino de Nápoles, o trabalho de caridade do casal continuou em um ambiente ainda mais difícil. Em meio a tumultos e rebeliões, ela foi embaixadora de concórdia, caridade e oração em suas boas ações, multiplicando seus próprios esforços e sacrifícios até conquistar a admiração das pessoas. Elzeário morreu pouco depois em Paris. Delfina, porém, sobreviveu longo tempo e continuou as obras que haviam iniciado juntos. Ela teve a alegria de ver seu marido colocado pela Igreja entre os santos. Ela, aos 74 anos, pôde colocar sua cabeça calma e feliz para o descanso eterno. Morreu em Calfières no dia 26 de novembro de 1358. Fontes: Franciscanos e Ordem Franciscana Secular. -
27 de novembro: São Francisco Antônio Fasani – Santos e Santas Franciscanas do Dia
São Francisco nasceu em 06 de agosto de 1681, na cidade de Lucera, na Itália. Fez os estudos no convento dos Frades Menores Conventuais. Sentindo o chamamento divino, ingressou no noviciado da mesma Ordem. Professou os votos solenes em 1696 e, em 19 de setembro de 1705, recebeu a Ordenação Sacerdotal. Doutorou-se em Teologia e tornou-se exímio pregador e diretor de almas. Exerceu os cargos de Superior do convento de Lucera e de Ministro Provincial. São Fasani apresenta-se a nós, de modo especial, como modelo perfeito de Sacerdote e Pastor de almas. Por mais de 35 anos, no início do século XVIII, São Francisco Fasani dedicou-se, em Lucera e nas regiões próximas, às mais diversificadas formas de ministério e do apostolado sacerdotal. Verdadeiro amigo do seu povo, ele foi para todos irmão e pai, eminente mestre de vida, por todos procurado como conselheiro iluminado e prudente, guia sábio e seguro nos caminhos do Espírito, defensor dos humildes e dos pobres. Disto é testemunho o reverente e afetuoso título com que o saudaram os seus contemporâneos e que ainda hoje é familiar ao povo de Lucera: ele, outrora como hoje, é sempre para eles o “Pai Mestre”. Como Religioso, foi um verdadeiro “ministro” no sentido franciscano, ou seja, o servo de todos os frades: caridoso e compreensivo, mas santamente exigente quanto à observância da Regra, e de modo particular em relação à prática da pobreza, dando ele mesmo incensurável exemplo de regular observância e de austeridade de vida. Morreu em sua cidade natal em 29 de novembro de 1742. Foi beatificado no dia 15 de abril de 1951 e canonizado a 13 de abril de 1986 pelo Papa João Paulo II, que sobre o santo afirmou “Ele fez do amor, que nos foi ensinado por Cristo, o parâmetro fundamental da sua existência. O critério basilar do seu pensamento e da sua ação. O vértice supremo das suas aspirações”. Fonte: Canção Nova. -
29 de novembro: todos os Santos e Santas da Ordem Seráfica
Hoje, 29 de novembro, celebrados todos os Santos e Santas da Ordem Seráfica. Nos referimos aos 110 santos canonizados da Primeira Ordem; às 9 santas canonizadas da Segunda Ordem; aos 53 santos e santas canonizadas da Terceira Ordem Regular e Secular; aos 161 religiosos beatificados da Primeira Ordem, 34 religiosas beatificadas da Segunda Ordem; e aos 95 beatificados e beatificadas da Terceira Ordem Regular e Secular. A Festa de Todos os Santos da Ordem Franciscana é comemorado neste dia porque em 29 de novembro de 1223, o papa Honório III confirmou solenemente a Regra de são Francisco, já verbalmente aprovada em 1209 pelo Papa Inocêncio III. A regra original é preservada entre as relíquias, na Basílica de São Francisco de Assis. A Ordem Seráfica foi em todos os tempos lugar de santidade: esta é a razão de sua vitalidade espiritual que faz com que ela floresça. Seus filhos Santos, quer na primeira, segunda e terceira Ordem, pertencem a todas as classes sociais e de todos os povos. Entre estes há mártires, médicos, padres, irmãos religiosos, leigos, virgens, santas mulheres. Enfim, uma multidão que se reuniu em torno do Poverello de Assis. No aniversário da aprovação da regra, a Ordem Franciscana recolhe-se em oração festiva para contemplar a grandiosa árvore de santidade nascida daquele livrinho que Francisco dizia ter recebido do próprio Jesus e constituía a “medula do Evangelho”. Era esse, precisamente, o projeto de vida e o carisma do Pobrezinho: ser sal da terra e luz do mundo, fazer reviver na Igreja o Evangelho em sua pureza, ou seja, apresentar perante os homens a vida de Cristo em todas as suas dimensões: desde a pobreza ao zelo pela salvação de todos, do anúncio da Boa Nova ao sacrifício da cruz. Quem poderia contar a imensa multidão de Santos, Beatos, Veneráveis e Servos de Deus (se quisermos utilizar esta terminologia canônica) ou melhor ainda, de todos os irmãos e irmãs, sem nome e sem rosto, que nos limites da sua fragilidade viveram a perfeição evangélica, fazendo da regra franciscana a norma da sua vida? É um imenso capital de santidade e de amor esquecido, quando não mesmo desprezado pelo mundo! O bem dá menos nas vistas do que o mal; no entanto, a história do bem, tantas vezes anônima e despercebida, tem escrito o nome e rosto de Cristo. É essa história que impede o mundo cair no desespero e fecunda as atividades da Igreja. São Francisco disse um dia aos irmãos, numa explosão de alegria, “Caríssimos, consolai-vos e alegrai-vos no Senhor! Não vos deixeis entristecer pelo fato de serdes poucos, nem vos assusteis da minha simplicidade nem da vossa, pois o Senhor me revelou que há de fazer de nós uma inumerável multidão e nos propagará até os confins do mundo. Ele me mostrou um grande número de pessoas a virem ter conosco, com desejo de viverem segundo a nossa regra. Ainda me parece ouvir o ruído dos seus passos! Enchiam diversos caminhos, vindos de todas as nações: eram franceses, espanhóis, alemães, ingleses, uma turba imensa de várias outras línguas e nações”. Ao ouvirem estas palavras, uma santa alegria se apoderou dos irmãos, pela graça que Deus concedia ao seu Santo. A prodigiosa árvore da santidade franciscana testemunha a vitalidade e autenticidade evangélica da mensagem de São Francisco. A festa que hoje os franciscanos celebram é um convite e um estímulo a devolver a Deus o amor que Ele nos deu em Cristo, vivendo na pobreza e na humildade uma vida verdadeiramente fraterna, para que o mundo acredite, mediante este amor realizado, que o Pai ama e quer todos os homens salvos em sua casa. Fontes: Irmãos Pobres e Roma Sempre Eterna. -
32ª Semana de Liturgia será realizada à luz da Conferência de Medellín
Acontecerá de 15 a 19 de outubro, no Centro Pastoral Santa Fé, em São Paulo (SP), a 32ª Semana de Liturgia. Este ano a temática principal do evento será “Liturgia no Brasil: Realizações, retrocessos e sinais de esperança à luz da Conferência de Medellín”, celebrando os 50 anos da Segunda Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano (1968-2018). O momento é oportuno para retomar suas conclusões e, a partir delas, buscar iluminar a realidade litúrgica brasileira atual. O encontro é promovido pelo Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard, em parceria com o Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal) e a Rede de Animação Litúrgica (Celebra). Em sua programação estão previstas palestras com enfoque no tema central, rodas de conversa sobre liturgia, partilhas e pistas de ação. As inscrições podem ser realizadas no site do Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard: www.centrodeliturgia.com.br. Maiores informações podem ser obtidas através do e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você precisa do JavaScript habilitado para visualizá-lo. ou pelo telefone [41] 9-9883-2313 (WhatsApp). A Comissão para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é uma apoiadora dessa iniciativa. A 32 Semana de Liturgia será uma oportunidade de revisitar o documento de Medellín e descobrir as intuições e orientações dos bispos para a realidade de Igreja da América Latina e Caribe. Fonte: CNBB. -
A beleza da Liturgia: como a beleza da liturgia evangeliza a Igreja?
A Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da liturgia (IV) Depois de termos visto que coisa entendemos com a palavra beleza e de termos aprofundado como essa se manifesta na liturgia e como entra em relação com a ação litúrgica, agora nos perguntamos “em que modo a beleza da liturgia evangeliza a Igreja?” Antes de tudo é preciso entender que a liturgia realiza uma função de iniciação, comunica alguma coisa da presença de Deus aos homens e às mulheres do nosso tempo. O liturgista Goffredo Boselli, em “O sentido espiritual da Liturgia” (2014), diz que isso “significa atestar que a liturgia é, em si mesma, mistagogia, ou seja, é capaz de ser epifania do mistério, de modo que a Liturgia inicia ao Mistério celebrando-o”. Na liturgia existe um duplo movimento: aquele de sístole e aquele de diástole, para que os símbolos litúrgicos possam ser eloquentes e a Palavra que ressoa na liturgia atingir a muitos, por diversas razões, estamos em contato com a própria Palavra, cuja a corrida do coração do homem é conhecida somente por Deus (cf. E. Bianchi, Nuovi stili di evangelizzazione, 2012). De fato é Cristo que fala quando se proclama as Escrituras que contém a Palavra de Deus (cf. SC, 7); não somente, é o próprio Senhor que opera, age, cria o evento da salvação, faz com que a Palavra proclamada e acolhida se realize na vida de quem escuta (cf. Lc 4, 21). Quantas vezes é propriamente a Palavra que ressoa na ação litúrgica a atingir homens e mulheres não cristãos e distantes da Igreja, mas que estão presentes em celebrações de Batismo, matrimônios, funerais... homens e mulheres que o único contato com a liturgia é a própria liturgia que participam. Assim, sendo que nas celebrações da Igreja quem opera é Cristo mesmo, a liturgia “ganha” de qualquer outra forma de evangelização e formação. Nela e por ela, mais do que “falar sobre” Deus e suas coisas, é Ele mesmo quem fala e por sua Palavra, se revela e se dá. Além da Palavra proclamada e escutada pela assembleia, também a semântica dos sacramentos pode tornar eloquente para aqueles que dele participam: é a experiência de comunhão com Deus, que envolve todos os sentidos do corpo. O corpo que, na liturgia, é lugar por excelência da comunhão com Deus, sendo destinado a tornar-se morada de Deus, pois é o lugar que experimentamos a graça e a força de salvação que ele nos doa. Nesse sentido, a Liturgia não é composta de ideias a serem comunicadas, mas de uma presença a ser percebida, experimentada e expressa. A Liturgia não é, primeiramente, pensamento, é corporeidade. O corpo antecede a mente, na verdade, a forma, como dirá Bonaccorso (cf. Il culto nello Spirito come culto incarnato, 2011). É o jogo estético da sensorialidade humana que manifesta o conhecimento de Deus e da comunidade. O corpo é imerso na água do batismo; o corpo é ungido com o santo crisma; o corpo recebe o corpo e sangue de Cristo e é transformado em corpo de Cristo; a crismação e a unção que habilita a missão e que acompanha o crente no êxodo pascal; o fogo e a luz, sinais da páscoa de Cristo, são sinais que, utilizados com a seriedade própria da ars celebrandi, podem iniciar e educar a fé. Sim, porque – como já dissemos – o sentido profundo da beleza desses gestos e da Palavra na ação litúrgica é somente um: revelar, manifestar o amor do Senhor Jesus Cristo de forma simples, sóbria e digna. Desse modo, quem participa da liturgia experimenta no próprio corpo a beleza desse amor. Compreende-se assim como a beleza cristã é um evento, não um dado fixo e imutável. Essa é originada do dom de Deus em Cristo Jesus, leva-nos a comunhão entre os homens e com todas as criaturas, suscita como resposta a gratuidade, gera no coração humano a humildade. A eucaristia, que é o coração da comunidade cristã, memória da doação de Deus em Cristo Jesus a humanidade (cf. Jo 3,16), é magistério de beleza no momento mesmo que é magistério de caridade. Devemos ser convencidos que em cada liturgia, em particular, na celebração eucarística, é presente o mistério de Cristo que age para reunir e unir no Pai os filhos de Deus dispersos. Disso brota a evangelização, porque quando a assembleia celebra, não celebra a si mesma. Ao centro da ação litúrgica não está nem a assembleia e nem o ministro, mas o Mistério Pascal, que realiza entre os homens, a favor de toda a humanidade e do cosmo inteiro, a presença que acolhe, evangeliza e educa. Se não crermos nisso, a evangelização será propaganda e a liturgia espetáculo religioso que faz “surtar” o participante. Sendo assim, o detalhe está em perceber que os ritos não se fundam sobre a “ressonância emotiva” próprias das subjetividades, mas numa prescrição que lhe confere objetividade e autenticidade (cf. ZANQUI, In presenza di spirito: rito Cristiano e tempo dell’anima, 2011). Um estudioso da liturgia no brasil, padre Marcio Pimentel, afirma que “essa característica da Liturgia faz dela excelente instrumento evangelizador. E esse potencial das celebrações tem sua fonte e poder no fato de não somente fazer circular conteúdos religiosos, teológicos e éticos, mas, sobretudo, por sua capacidade de gerar presença. A evangelização, em última análise é isso: dotar o mundo com uma presença que alegra. A presença do Verbo de Deus, princípio e fim de tudo; qualificador primordial de todas as realidades criadas. Por Ela tudo se sustêm”. Por fim, concluindo nossa série sobre a beleza, respondemos a última questão, afirmando que a liturgia evangeliza a Igreja na medida que nos insere no mundo de Deus, na sua presença atualizada, e qualifica a história como sacramental do Cristo morto e ressuscitado, o vivente, caminhante e atuante no meio do seu povo. Autor: Frei Luis Felipe C. Marques (OFMConv.). Série "A Beleza da Liturgia": Para refletir sobre a beleza da liturgia, nesta série de artigos, o Frei Luis Felipe (OFMConv) buscou compreender como esta evangeliza o homem e a mulher moderna a partir de 4 perguntas: que coisa é a beleza? A liturgia é beleza? Qual a beleza na liturgia? Como a beleza da liturgia evangeliza a Igreja? Esta foi a última reflexão. Clique aqui e leia os outros artigos da série. -
A beleza da Liturgia: qual a beleza na liturgia?
A Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da liturgia (III) No nosso itinerário já vimos que “a beleza da liturgia é a beleza da pessoa de Cristo e do seu dom pascal oferecido na comunidade celebrante”. Quando não conseguimos mais ver a beleza da pessoa de Jesus na comunidade celebrante e nos sinais simbólicos da sua presença (cf. SC, n.7), evidenciamos algumas coisas na ação litúrgica que favorece a falta de beleza, ou seja, queremos enganar os nossos olhos. Falta bom gosto no espaço litúrgico (excesso de toalhas e rendas, exagero de castiçais e velas, altares carregados, multiplicação de cruzes, explosão dos ornamentos florais – “muitas flores matam as flores”...), pouca atenção à música e ao canto, esquecimento do desenvolvimento e da harmonia ritual. Muita decoração, pouca santidade! Estes são alguns “poucos” exemplos da pobreza do sentido estético que aflige o rito celebrado. Ainda, ao mesmo tempo, temos um retorno nostálgico a liturgia pré-conciliar por parecer mais bela e piedosa esteticamente. Vemos “turistas litúrgicos” que procuram celebrações que correspondem ao seu gosto pessoal, vem fabricada diante dos nossos olhos a perfeita imagem de um cristianismo muito difundido, que recorre a Deus como um potente curador, um mágico – quiçá – um feiticeiro. Um cristianismo não-cristão com espiritualidade pagã e mundana. A beleza da liturgia não pode estar ligada aos prazeres subjetivos, a verbalizações sentimentais, a devocionalismos meritórios da parte do indivíduo. Uma beleza somente estética não deixa o homem sair de si para elevar-se em direção ao “Totalmente Outro” e aos outros que celebram juntos. Interrogado sobre sua experiência de liturgia, Paul Ricoeur respondeu: “Agradeço a liturgia que me arrancou da subjetividade, ofereceu-me, não minhas palavras, não meus gestos, mas aqueles da comunidade. Sou feliz por esta objetivação dos meus próprios sentimentos; inserindo-me numa expressão cultural sou arrancado da efusão sentimental; entro na forma que me forma; fazendo meu o texto litúrgico torno-me eu mesmo texto que reza e canta” (cf. P. Ricoeur, “Epilogo”, in: Boselli, G. Por uma liturgia mais humana e hospitaleira, 2016). O caminho a ser percorrido é que a sacramentalidade da liturgia é um ato do Cristo sacerdote (cf. SC, n.7) e, antes ainda, sacramentalidade da própria Igreja, assembleia celebrante (cf. LG, n.1). O sacramento é o gesto eclesial de Jesus em direção ao homem e, assim, o encontro com Cristo toma forma de sinal visível. É um gesto concreto. O gesto litúrgico é visualização do gesto salvífico de Cristo, que se perpetua através da ação da Igreja. Desse modo, é o próprio ato de Cristo que precisa ser visto para atingir a beleza teológica da liturgia. A estética litúrgica funda-se na cristologia do gesto de Jesus. Este atributo da beleza, vista não enquanto mero esteticismo, mas como modalidade com que a verdade do amor de Deus em Cristo nos alcança, fascina e arrebata, fazendo-nos sair de nós mesmos e atraindo-nos assim para a nossa verdadeira vocação: o amor. A verdadeira beleza é o amor de Deus que nos foi definitivamente revelado no mistério pascal. [...] A beleza da liturgia pertence a este mistério; é expressão excelsa da glória de Deus e, de certa forma, constitui o céu que desce à terra. O memorial do sacrifício redentor traz em si mesmo os traços daquela beleza de Jesus testemunhada por Pedro, Tiago e João, quando o Mestre, a caminho de Jerusalém, quis transfigurar-Se diante deles (Mc 9, 2). Concluindo, a beleza não é um fator decorativo da ação litúrgica, mas seu elemento constitutivo, enquanto atributo do próprio Deus e da sua revelação (Sacramentum Caritatis, n. 35). A liturgia é bela na medida em que é epifania da graça salvífica de Cristo. A beleza da liturgia não consiste, então, na ostentação, mas na transparência dos gestos do Senhor. Não na exibição de um rito pomposo, mas na sóbria celebração do sacramento. Busque-se mais a nobre beleza que a mera suntuosidade (cf. SC, n.124). Os gestos humanos são enriquecidos em gestos concretos: plenos de amor, salvação e eficácia, conservando o caráter simples e ordinário. Gesto e palavra encontram na liturgia uma correspondência recíproca que confere uma eloquência particular de corporeidade (cf. F. Cassingena-Trévedy, La bellezza della liturgia, 2003). A liturgia é reveladora do belo. Na liturgia, com Cristo, descende todo o céu na terra, e toda terra sobe ao céu, unidos aos anjos e santos, em uma só voz (cf. SC, n.8). O cristão vive e celebra esta visão. Este é um contemplativo que, exercitando seu sacerdócio, torna-se mediador e comunicador da beleza divina no gesto ritual. Sobretudo, quando faz o tempo e o espaço do mundo contemplar aquele que é fora de todo o tempo e de todo o espaço. Esta contemplação da ressurreição que se realiza na celebração litúrgica e, em modo único, no encontro sacramental com o Cristo na Eucaristia, comunica a beleza que se revelará a todos na Parusia: “Anunciamos a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”. Com isso, a beleza de uma celebração litúrgica não depende da beleza arquitetônica, dos ícones, decorações, cantos, vestes sacras, mas da capacidade de deixar ver o gesto amoroso de Deus em Jesus (cf. Piero Marini, Liturgia e bellezza, 2005). A liturgia é ato salvífico de Cristo e da Igreja. Não depende essencialmente do intelecto, mas baseia-se na encarnação, no gesto salvífico de Cristo e na beleza da sua divino-humanidade. Os gestos litúrgicos atualizam os belos gestos de Cristo que, já por si mesmos, manifestam uma beleza por serem gestos de Cristo para o homem. A liturgia é o lugar do amor doado e acolhido. Tudo isto é visto, de modo admirável, no acolhimento da Palavra e na celebração da assembleia cristã. Com esta compreensão “a Igreja evangeliza e se evangeliza”. Continua... Autor: Frei Luis Felipe C. Marques (OFMConv.). Série "A Beleza da Liturgia": Para refletir sobre a beleza da liturgia, nesta série de artigos, o Frei Luis Felipe (OFMConv) buscou compreender como esta evangeliza o homem e a mulher moderna a partir de 4 perguntas: que coisa é a beleza? A liturgia é beleza? Qual a beleza na liturgia? Como a beleza da liturgia evangeliza a Igreja? Esta foi a terceira reflexão. Clique aqui e leia os outros artigos da série. -
A beleza da Liturgia: que coisa é a beleza?
A Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da liturgia (I) Afirma o Papa Francisco: “No meio da exigência diária de fazer avançar o bem, a evangelização jubilosa torna-se beleza na liturgia. A Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da liturgia, que é também celebração da atividade evangelizadora e fonte dum renovado impulso para se dar” (A alegria do Evangelho, n. 24). Esta belíssima frase de papa francisco, escrita na sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (2013), considerada pelos estudiosos como a chave de leitura para o seu pontificado, nos dá a possibilidade de refletir sobre a relação entre a beleza e liturgia que se faz visível na evangelização alegre. É o que pretendemos fazer, não só com este artigo, mas com a possibilidade de um itinerário a percorrer. A humanidade pode viver sem a ciência, pode viver sem o pão, mas sem a beleza não poderá viver, porque não haveria nada a fazer no mundo. Todo o segredo está aqui, toda a história é aqui, é a beleza que salvará o mundo (Dostoevskij). Somos tentados muitas vezes a acreditar que a sensualidade nos afasta de Deus, mas o que de fato nos afasta de Deus é a abstração, diz Nicolás Gòmez. A beleza, encontro que surpreende, é a experiência dos sentidos que reconhecem o “sentido” dos sentidos. Desse modo, como pontapé inicial gostaria de tentar definir a beleza. Tarefa nada fácil. Exatamente, porque alguns traços da beleza acabam por ser pessoais. Talvez o que eu ache belo, belíssimo, surpreendente de beleza, para o outro não passa de algo simples, natural e normal. Por isso, a beleza é vista como gosto pessoal, “subjetiva”, como se diz, é belo aquilo que eu gosto. Mas, na realidade, é a beleza verdadeira, “objetiva”, que salva o mundo, renova a vida, dá luz, calor, justa perspectiva para o homem iludido e confuso, voltado para si mesmo. É a beleza do outro que revela a minha beleza, assim, não existe beleza sem relação. Para diminuir tal conceito, vamos começar por pensar qual a beleza que a liturgia pede e, por fim, tentar ver como a beleza da liturgia evangeliza o homem e a mulher de hoje. Assim, percorreremos um caminho de tentar responder 4 perguntas: que coisa é a beleza? A liturgia é beleza? Qual a beleza na liturgia? Como a beleza da liturgia evangeliza a Igreja? Que coisa é a beleza? Tal pergunta é importante e nos leva a fazer uma distinção fundamental: tem uma beleza que é cantada e proclamada pela fé, a beleza de Deus, que pode ser experimentada e vista, graças a ação do Espírito Santo, por quem sabe exercitar o sentido da fé; e, por outra parte, tem uma beleza das criaturas, experiência humana, feito pelo homem com os seus mais nobres sentidos corporais. Toda a criação é plena de beleza. É a beleza do céu, da natureza, das manifestações cósmicas. E Deus viu que o que tinha feito “era coisa bela e boa” (Gn 1,4.10.12.18.21.25). É a beleza da criatura (muitas vezes ambígua, pois pode tornar-se beleza do ídolo que seduz e leva a tentação) que revela a beleza do criador. Assim, a beleza pode ser considerada como uma via, via pulchritudinis (“o caminho da beleza”, em tradução livre), através do qual podemos procurar e encontrar a Deus. Também podemos reconhecer que a beleza é um sujeito e não simplesmente um atributo. O homem de fé pode entender que a beleza é Deus mesmo: “Esplêndido e magnífico és tu, ó Deus!” (Salmo 76,5). Uma beleza que pode ser confessada na fé. O Messias é considerado pelo salmista como o “mais belo entre os filhos dos homens” (Sl 45,3). A beleza do Senhor é uma beleza que transcende o visível das criaturas, é a beleza que só o amor é capaz de narrar e fazer contemplar. No Tabor, os evangelistas usam uma linguagem particular, simbólica, que lembra as manifestações de Deus no Antigo Testamento. É o olhar dos discípulos que muda, a percepção, a experiência de fé. Agora eles veem com o coração, entendem com a alma, veem a beleza de Deus. Beleza que está em nossos olhos, não somente nas coisas. Posso ver uma “coisa” bela, mas não acha-la bela. Como é bom ver a beleza de Deus! A transparência do rosto sorridente do Pai! Ao terem a certeza da presença divina, os discípulos viram o belo. O belo é o esplendor do verdadeiro (Platão). É bom estarmos aqui, replicam os apóstolos. Uma beleza que supera todos os outros belezas que ilumina e redimensiona nossa alegria em Deus. Adquire profundidade e esperança de imortalidade. O belo é a prova experimental que a encarnação é possível (cf. Simone Weil). Assim, o cristianismo é “estética teológica”, não uma entre as religiões, muito menos uma ética-moral, mas uma verdadeira estética (cf. Balthasar). A carne de Jesus é o fundamento da estética teológica, da beleza que salva. De fato, o homem procura pela beleza, mas para compreender a beleza que revela a Deus e as suas ações, exige do homem uma educação da inteligência, um caminho de procura e discernimento, ascese, jamais concluído, uma caminho fadigoso do sentido verdadeiro da beleza. Mais o aspecto sensível toca pela sua beleza, mais o homem é tentado a não escutar a própria interioridade, sendo prisioneiro da exterioridade, que dá ao esteticismo um valor fundamental, capaz de destronar a verdade e a bondade. E assim, o consumismo do belo é marcado pelo privado da subjetividade e pela ausência da sacramentalidade. É preciso concentrar-se naquilo que “é mais belo, maior, mais atraente e ao mesmo tempo, mais necessário” (EG, n.35). O coração do Evangelho, recorda papa Francisco, resplandece a “beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado” (EG, n.36). Pergunta ainda o papa emérito Bento XVI: “que coisa é a beleza, que os escritores, poetas, músicos, artistas contemplam e traduzem em linguagem, senão o reflexo do esplendor do Verbo eterno feito carne?” A beleza da liturgia, então, parece não ser uma questão estética de “formas”, mas um questão teológica de conteúdo: a beleza da liturgia é a beleza da pessoa de Jesus e do seu dom pascal oferecido em cada celebração. Continua... Autor: Frei Luis Felipe C. Marques, OFMConv. Série "A Beleza da Liturgia": Para refletir sobre a beleza da liturgia, nesta série de artigos, o Frei Luis Felipe (OFMConv) buscou compreender como esta evangeliza o homem e a mulher moderna a partir de 4 perguntas: que coisa é a beleza? A liturgia é beleza? Qual a beleza na liturgia? Como a beleza da liturgia evangeliza a Igreja?Clique aqui e leia todos os artigos da série. -
A equipe do SAV participou de três encontros vocacionais neste fim de semana
O Serviço de Animação Vocacional (SAV) na Província participou de diversos encontros formativos durante o último fim de semana. Desta forma, os frades do SAV tiveram de se dividir em equipes para atuarem e divulgarem o carisma franciscano nestes eventos. Entre 03 e 05 de agosto, participaram do I Encontro Vocacional em Anápolis (GO), entre 03 e 04 outra equipe participou do Despertai 2018 na cidade de Uruaçu (GO) e mais alguns frades foram à Paróquia Santa Rita de Cássia em Planaltina (DF). Confira a seguir como foram os encontros. Anápolis Neste fim de semana, entre os dias 03 e 05 de agosto, aconteceu, no Centro de Formação Paz e Bem das Irmãs Franciscanas de Allegany, o Primeiro Encontro Vocacional promovido pelas Paróquias Santa Clara e Nossa Senhora do Carmo, em Anápolis. O encontro possibilitou aos jovens momentos de adoração ao Santíssimo Sacramento, oração, discernimento vocacional e escuta da Palavra de Deus. A psicóloga Patrícia Pereira refletiu com os jovens sobre o sentido da vida por meio da abordagem da logoterapia (sistema teórico baseado na busca de sentido para a vida). O Frei Josimar Mendes (OFMConv) falou ao participantes e às participantes sobre a fé e o discernimento vocacional, mostrando aos jovens que o sentido da nossa vida é a vivência do amor através do seguimento de Jesus Cristo, na vocação que Deus concedeu como dom e tarefa para cada ser humano, seja como religioso e religiosa, seja como leigo e leiga. Já o Frei Sérgio Henrique (OFM), que também palestrou no encontro, explicou o caminho de seguimento ao Senhor Jesus Cristo e propôs ao jovens a realização da lectio divina e, por meio desta, os participantes e as participantes fizeram a experiência da oração com a palavra de Deus. A Irmã Maria José abordou uma contemplação acerca do chamado que Deus faz a cada um e a cada uma, enfatizando a resposta que deve ser dada na fé e na alegria para seguir a Cristo. Equipe do SAV junta dos participantes e das participantes do I Encontro Vocacional de Anápolis. Uruaçu Nos dias 03 e 04 de agosto, a equipe do SAV esteve presente no Seminário Diocesano São José, em Uruaçu, para participar do Despertai 2018. O evento, cujo foco é o discernimento vocacional, contou com a participação de um grande número de jovens da região. Entre as mais variadas atrações, aconteceram palestras, shows, momentos de oração e partilha e muita animação conduziram as dinâmicas propostas. Além disso, foi disponibilizado aos participantes e às participantes, stands vocacionais de várias congregações, ordens religiosas e novas comunidades de vida e de aliança. Durante a ocasião, os jovens se dirigiam à tenda vocacional e tinham a oportunidade de conhecer mais o carisma dos religiosos, religiosas e membros das comunidades presentes. Outro momento importante do encontro ocorreu com os Módulos Vocacionais, destinados a esclarecer profundamente as questões referentes às diferentes vocações: sacerdotal, religiosa, matrimonial, leiga. No Módulo sobre a Vida Religiosa, no qual a equipe do SAV esteve presente, além das formações e de testemunhos vocacionais, muita alegria fraterna e convivência deram aos jovens a oportunidade de melhor apreciar a riqueza da vocação religiosa em nossos dias. Que a intercessão de São João Paulo II, considerado o padroeiro das vocações na Diocese de Uruaçu, auxilie a todos os que se dispuseram a escutar e a discernir o chamado de Deus em suas vidas, e assim possam realizar um fecundo processo de despertar vocacional! Equipe do SAV no Despertai 2018 da cidade de Uruaçu. Planaltina Os freis Jesus Amaral, Rodrigo Oliveira, Moisés Araújo, Beneval Soares (OFMConv), integrantes da Equipe do Serviço de Animação Vocacional, se dirigiram à Paróquia Santa Rita de Cássa, na cidade de Planaltina, para participar do Despertar Vocacional. Estiveram presentes religiosos e religiosas das ordens dos Josefinos, das Irmãs Oblatas do Menino Jesus, Irmãs Salesianas, Carmelitas Descalços e os franciscanos conventuais de nossa província. Durante a ocasião, foram realizados momentos de animação, adoração, apresentação das Ordens e Congregações presentes, bem como seus respectivos carismas e também foi celebrada uma Santa Missa. Equipe do SAV falou do carisma franciscano em Despertar Vocacional na cidade de Planaltina. Leia mais sobre outros encontros vocacionais do SAV aqui. Confira as fotos na galeria! -
A Espiritualidade Franciscana e a Vida Intelectual
Abordagem antropológica do tema dos estudos Frei François Comparat, frade menor francês, na segunda metade do século passado ocupou-se muito da formação de leigos em seu país. A revista “Evangile Aujourd’hui” publicou um de seus textos sobre a antropologia dos estudos. O trabalho se insere dentro de um contexto de um congresso mais vasto: espiritualidade franciscana e vida intelectual. Outros colaboradores apresentaram suas pesquisas mais diretamente ligadas ao jeito franciscano de ver o mundo. Aqui transcrevemos quase todo o texto de Frei François Comparat no qual há algumas referências à especificidade do estudo na perspectiva franciscana. O texto nos permite refletir sobre os estudos a partir da ótica antropológica. O autor supõe leitores religiosos, mais especificamente franciscanos e franciscanas. Antropologia é uma palavra que recobre o conjunto de disciplinas que se interessam pelo homem, considerado individual ou coletivamente em seus mais diversos aspectos e ajudam a que se possa chegar a uma concepção global do ser humano. Ela escruta a vida do homem no seio de múltiplos relacionamentos que podem levar ao seu pleno desenvolvimento. Questões prévias: O que se passa em mim quando resolvo fazer estudos? Como minha pessoa é tocada? Muito, pouco, quase nada? Os estudos que empreendo exercem influência sobre o grupo a que pertenço? Para que servem os estudos? Devo fazê-los quando lá por dentro de mim não desejo de verdade? Estudar é como partir em peregrinação No desejo de nos abeirar do sentido da formação podemos dizer que é fazer um pouco como Abraão: é partir sem saber para onde se vai. Os conhecimentos que aos poucos vão sendo adquiridos significam uma ajuda para desenvolver a vida religiosa que foi minha opção, poderão me prestar serviço e corresponder àquilo que busco? Um aspecto todo particular precisa ser levado em consideração: com os estudos é bem provável que eu me torne diferente. Como as pessoas aceitarão as mudanças do neoformando? Serei aceito? Há mudanças que são operadas: um deixar o ambiente habitual, um certo gênero de vida, horários, etc. Acolher um processo de formação não nos deixa imunizados, indemnes. Como adultos já temos uma experiência de vida. Temos nossos hábitos devido ao estilo de vida consagrada que levamos. Tais hábitos são bons já que não podemos inventar a cada manhã o que nos cabe realizar. Tomamos rapidamente decisões frente às simples questões de todos os dias porque já possuímos uma regra de vida, temos experiência e uma certa maturidade da fé: os contornos estão fundamentalmente balizados. De outro lado há certos hábitos que funcionam como freio: falta de imaginação, não tolerar questionamentos, ter dificuldade em rever as próprias ideias, experimentar o medo, um dobrar-se sobre si mesmo. Para chegar a saborear a formação, necessário que haja um certo gosto pelos “deslocamentos” interiores intelectuais, psicológicos e espirituais, o que pode ao mesmo tempo ser algo estimulante diante das perspectivas da novidade e, pelas mesmas razões, causar inquietação. A formação é grosso modo como a escalada: deixa-se um ponto de apoio para alcançar outro que nos leva mais adiante. A formação se casa bem com a espiritualidade da peregrinação. Não é mero “rito” de devoção, mas processo de transformação do ser de alguma forma arrancado do espaço e gênero de vida habituais. O peregrino é um homem que se arranca e que parte em busca de um “alhures” como se a mudança de lugar trouxesse consigo uma mudança de vida. Mas atenção, peregrinação não é turismo. Há uma dimensão de fé. Assim, peregrinar é aproximar-se das raízes de sua própria fé. Substituam a palavra peregrinação por formação e haverão de ter uma ideia do que ela representa. Formar não é perder seguranças humanas mas consiste em correr um risco. A pessoa que se coloca numa posição de “discente” corre o risco de duas alternativas: Falta de flexibilidades que a leva a criticar o docente. Ou contrariamente: não se tem condições de comparar o que foi adquirido anteriormente com a novidade e há a tentação e transforar o “formador” num guru. Há a questão do meio onde se vive. Aquele que faz estudos se movimenta num ambiente que não vive a atmosfera de estudo. A formação “teológica” não é automaticamente alimento para nossa vida espiritual. As pessoas precisam se dar conta que com os estudos não estão perdendo a fé e sim falsas imagens da fé. Não se questiona a existência de Deus. Nossas ideias a seu respeito e que são postas em xeque. A formação cristã dos adultos é um risco, mas antes de tudo uma chance para a comunidade que sempre sai ganhando com o enriquecimento dos formandos apesar de certas “incompreensões”. Os estudos existem porque cada um tem o direito de melhor situar sua fé com relação às questões atuais, como também tem o dever e aprofundar a mesma fé em vista de melhor compreender as riquezas que ela nos oferece para viver. Para que se façam bons estudos não basta o conhecimento acadêmico a respeito da tradição cristã ou o significado dos mistérios da fé. Os estudos constituem um esforço, sempre exigente, no sentido de elaborar uma reflexão a partir dos dados da fé e para colocar tal reflexão por escrito. Não se trata de repetir as aulas do professor. Cada um haverá de colocar diante de si os questionamentos existenciais. Fazer um trabalho nesse campo não consiste em escrever páginas sentimentais ou marcadas pela militância. O subjetivo cederá lugar ao objetivo. Tudo se aprende pouco a pouco. É necessário ter paciência e realizar exercícios práticos. Estudo e espiritualidade franciscana caminham juntos? A grande preocupação de São Francisco, que sempre volta em sua fala e em seus escritos, é que nada estanque, distancie e seja óbice no tocante ao primeiro cuidado do frade menor que é ter o Espírito do Senhor e estar para ele sempre orientado. Tendo em vista esse princípio indispensável, toda outra atividade é sempre secundária. Há ainda outras palavras de nosso fundador afirmando que toda atividade é boa se os irmãos a realizam com fidelidade e devoção e não em vista de um proveito pessoal. Francisco desde os inícios acolheu na Fraternidade, sem distinção alguma, homens sem instrução bem como letrados. O mais conhecido de todos foi Antônio de Pádua que recebe de Francisco a autorização para o ensino da teologia. Bem cedo esta coabitação entre irmãos letrados e frades sem instrução conheceu tensões e diferentes interpretações. Esta constante tensão leva os franciscanos, hoje ainda, a aprofundar o sentido do minorismo e da simplicidade quando fazem estudos. Para o frade menor, o estudo é parte integrante de sua vocação no sentido de buscar, conhecer e saborear a verdade de Deus, do homem e do criado. O estudo não terá como motivação o orgulho ou o desejo de promoção, mas o fruto da trabalho intelectual deverá ser colocado à disposição e em benefício da fraternidade. O mais sábio não é o que conhece mais, mas o que vive em consonância com as coisas essenciais que passa a conhecer. Não se trata de possuir, mas de se deixar possuir por Cristo que é a verdade e tornar-se dele testemunha. O estudo é atividade austera e cansativa. O que permite que ele continue é o progresso da fé e não o acúmulo de conhecimentos. A prática franciscana dos estudos será guiada pelo Espírito do Senhor e por um comportamento do frade menor. Experiência de Deus e de si Os estudos se apresentam como um caminho pelo qual Deus abre meu coração (há dentro de mim um incréu que ai cochila ou então um crente “meio fanático” que se excita), à condição que ele continue sendo objeto da ação. Acolhendo a Cristo (através de textos e tradições) sou enviado para mim mesmo porque ele, por sua encarnação, revestiu-se de uma humanidade mais verdadeira do que a minha. Ele é, ao mesmo tempo, exegeta do Pai e do homem. Destarte, através dos estudos que me falam da sabedoria cristã, interesso-me por mim mesmo e sou convidado a me converter. Trata-se de colocar-se à escuta de Cristo para tomar distância de si mesmo, deixar-se habitar a fim de que Deus possa vir viver através de mim. Os estudos são da ordem da transfiguração: deixar a figura do outro passar através de mim, transparecer. Pelos estudos (evidentemente não somente através deles), quando me falam de Cristo vou aos poucos me “constituindo”, torno-me o que devo ser. Como toda atividade o estudo é uma graça. Com efeito, como é impossível alguém existir ou realizar-se, sem abrir-se ao outro, sem ouvi-lo, acolhê-lo na reciprocidade, os estudos precisam permitir ao irmão ou à irmã de enriquecer sua humanidade, abrir-se ao mundo e às culturas humanas e de se inscrever num desejo de relacionamento pessoal e de encontro com Deus. Importante compreender que num estudo de um crente não estão apenas dois, o texto e eu, mas três porque não se pode esquecer a pessoa de Cristo que não está apenas no final da busca, mas caminha comigo mesmo que nem sempre o faça de maneira explícita. A reflexão teológica funda-se naquilo que o Evangelho (e a Tradição) nos transmite. Evidente que não se trata de aceitar um discurso, mas de acolher uma vida, como Maria que aceitou que fosse feito segundo a Sua Palavra e não segundo um discurso. O primeiro resultado do estudo é me fazer bem: deve permitir que eu integre minhas convicções, desejos e pulsões para que sejam purificados e burilados no momento em que vivo alguma coisa do mistério de Deus. Os primeiros passos em teologia permitem burilar o conhecimento que se tem de Deus, ousar passar do conhecido para o desconhecido, confiar e aceitar a mudança de cenário. Esforço e satisfação caminham juntos: O esforço de aceitar um novo Êxodo, para não ficar bloqueado diante da aridez de determinados textos, para aceitar o empenho cerebral e resistir à tentação de fazer as coisas “mais úteis”. Além do esforço que isso pede, o tempo para tal consagrado, a disciplina necessária exigem contínuo investimento e profundidade, investimento austero, sem dúvida, mas que, com o tempo, permite o progresso da fé. A satisfação de construir-se a si mesmo de maneira mais livre, o prazer de acolher um convite de ordem espiritual que permite ao estudante crescer em humanidade e liberdade. Um certo prazer que possibilita passar da imagem de Deus à sua Palavra, da vida comunitária à vida fraterna, da rubrica litúrgica ao diálogo, da atividades preferidas aos cuidados pela missão. A teologia é sempre porta de entrada para uma aventura pessoal porque, através dos grandes temas da fé, baliza e estrutura um caminho que começa pela escuta e termina no amor. Em resumo, podemos dizer, em primeiro lugar, que como religiosos fazemos estudos “religiosos”, decorrência da fé: a confissão da fé, que como tal já carrega em si pensamento e sentido, deve desenvolver e transmitir o que ela tem de inteligível, compreensível de sorte que não apareça sendo apenas algo, mítico e ideológico. Faz-se teologia para honrar a fé. Em segundo lugar, a pessoa que estuda se insere pessoalmente no trabalho teológico. A teologia é sempre feita por alguém. Aquele que estuda não “sobra”. Faz-se teologia com o que se é, com a condição de homem ou de mulher, com a vocação de leigo ou de religioso, com sua espiritualidade, o ambiente em que se vive, o inconsciente coletivo, com os problemas e as respostas da época. No estudo da teologia, a pessoa está exposta aos textos, ações, acontecimentos, prática que fazem parte do domínio cristão que se estuda. Toda teologia é interpretação. Aquele que estuda se dá conta que ele mesmo está implicado naquilo que estuda. Não se faz teologia adotando postura de neutralidade. Mas cuidado, não se trata de dizer “eu” em cada linha. Essa dimensão da implicação pessoal terá sempre como pano de fundo a dimensão universal da fé da Igreja. Importância da comunidade A fé é sempre pessoal. Cada irmão e cada irmã é chamado a “estar” com o Senhor. A fé, no entanto, se manifesta ou se torna crível na atenção especial devotada ao outro, ao pobre, ao estrangeiro, ao amigo, à visita, ao benfeitor, mas antes de tudo ao irmão e à irmã. É na fraternidade que se começa a aprender o “estilo” franciscano de se viver o Evangelho. A fraternidade está na origem do saber e do viver a experiência da fé num contexto de uma comunidade que influencia nosso discernimento. A vida comunitária, antes de ser instrumento de determinada missão, é espaço onde se faz a experiência de Cristo ressuscitado. Tal experiência passa através da riqueza e da fragilidade dos relacionamentos fraternos onde se pode reconhecer a beleza da vocação recebida e dar resposta ao dom da conversão. É em fraternidade que nos é dada a graça de receber como um dom irmãos e irmãs. Na fraternidade cultivamos os valores humanos e cristãos capazes de nos conduzir a uma plena maturidade humana, cristã e franciscana. Neste contexto vale lembrar o cap. 85 do Espelho da Perfeição: o frade perfeito só existe comunitariamente. A fraternidade é, pois, o elemento constitutivo dos estudos e a melhor imagem é a noção da partilha: eu recebo e eu dou. Quando se realiza a formação intelectual em tal contexto, os estudos contribuem para a construção e edificação da fraternidade. Há um relacionamento estreito entre estudos, comunidade e mundo: os estudos são vistos como sinal de um serviço a ser prestado. Um vida em minoridade A formação intelectual haverá de se realizar num espírito de caridade, simplicidade e minorismo. Partilhando com os outros o que recebem em seus estudos, os discípulos de Francisco e Clara aprendem a comunicar gratuitamente aos homens o que receberam gratuitamente. Como irmãos de São Francisco temos o costume de voltar nossos olhos para com os pequenos, esperamos que os estudos nos ajudem a discernir aquilo que possa ser ação ou palavra de libertação. Muitas vezes a reflexão teológica se volta e age também na ordem cultural, ou histórica, psicológica ou social quando leva em consideração um aspecto da vida humana, não religioso como tal, por exemplo uma questão de moral social, de justiça e repartição equitativa dos bens, salvaguarda da criação, etc. Nesse caso a reflexão teológica procura fazer ligação entre o campo social e o universo da fé. Para os outros O estudo “religioso”, no sentido amplo do termo, é inerente à nossa vocação porque somos chamados a partilhar o amor que Deus nos dá, a dar as razões de nossa fé, e isto para que aqueles que nos encontram tomem consciência de que com Cristo nos tornamos mais humanos. Os estudos não se limitam a uma questão de mais conhecimentos fundamental. Estuda-se para melhor compreender e melhor servir ao Evangelho como uma força capaz de impregnar, e até mesmo “perturbar” os critérios de julgamento, os valores vigentes, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade que estão em contraste com a Palavra de Deus e o desígnio da salvação. Os estudos devem fazer com que sejamos capazes de promover a cultura cristã e estabelecer um diálogo frutuoso com homens e mulheres de nosso tempo. Gaudium et Spes 43 afirma: “Que não se crie oposição artificial entre atividades profissionais e sociais de uma parte, e de outra, a vida religiosa (…). A exemplo de Cristo, que exerceu a profissão de operário, alegrem-se antes os cristãos, porque podem desempenhar todas as suas atividades terrestres, unido os esforços humanos, domésticos, profissionais, científicos ou técnicos, em síntese vital com os valores religiosos, sob cuja soberana direção todas as coisas são coordenada para a glória de Deus”. O estudos orientam-se para esta missão. As pessoas estudam em vista do bem de todos. A vida cristã é, assim, tensão entre o eu e o nós. Não estudamos simplesmente por uma espécie de narcisista busca de conhecimentos. Tomados em seu conjunto, os estudos constituem uma tentativa de descobrir o sentido e o valor da vida segundo a tradição cristã. A cada época, a fé deseja exprimir-se com as possiblidades e os conhecimentos culturais do lugar e do momento. A fé experimenta necessidade de se “inculturar” o que certamente é, ao mesmo tempo, prazeroso e penoso. Necessário se faz conhecer a cultura ambiente para que a fé seja compreendida da melhor forma possível. A teologia haverá de esforçar-se por conhecer possibilidades e impasses característicos de cada cultura de tal maneira que possa apresentar a fé de maneira digna de crédito e dita de modo a ser compreendida por pessoas ou grupos de pessoas aos quais, normalmente falando, a apresentação da fé é fastidiosa, ou simplesmente indiferente. Os estudos a serviço da missão O estudo é sempre um ato posterior (segundo) com respeito à fé, mas permite que esta se desenvolva de maneira coerente. Se é um ato segundo quer dizer que como tal não dá sentido ao cristianismo. Os estudos não têm por finalidade tornar a fé inteligente, mas colocar-se a seu serviço dela para torna-la inteligível. O ato teológico é colocado para, através da história e das culturas, explicitar, precisar, interpretar e desenvolver a natureza do ato de fé propriamente dito. Há a necessidade de aculturar a fé, mas também de evangelizar as culturas. A mensagem da fé, definitivamente constituída pela pregação dos apóstolos deve continuar viva e mobilizadora como no primeiro dia de sua proclamação. Precisamos ser atingidos pela Palavra de Deus tão vivamente quanto os contemporâneos de Jesus, porque o projeto do Evangelho é suscitar na sociedade humana um perpétuo diálogo. Transmitir uma vida e não um texto. Os estudos precisam levar à confissão da fé que, como tal, é já portadora de cultura e de interpretação, de se desenvolver de modo coerente, inteligível, e, portanto crível, de tal sorte que não apareça como mítica, ideológica ou sentimental. Não se faz estudo de teologia pelo prazer pessoal, mas para honrar a fé embora não haja oposição entre ambos. Estuda-se por causa do Evangelho, quer dizer, estuda-se para os outros (uma Boa Nova a ser partilhada ) de sorte que a fé possa ir o mais longe possível em sua expressão e entrar em comunicação com as outras culturas reinantes. Insistimos: os estudos existem para que tenhamos clareza a respeito das razões de nossa fé. Para a Igreja A fé é sempre pessoal, mas não individual. Tem suas raízes na fé da Igreja. Os estudos são feitos por causa da Igreja visando contribuir para a lucidez do corpo eclesial. A competência que se adquire com os estudos é um modo de participar no papel da Igreja no mundo e ao seu serviço em prol do Evangelho. A Igreja não tem receitas mágicas na difusão da fé. Os estudos levarão a descobrir caminhos novos, ministérios necessários e assim por diante. De modo particular insisto nesse “plural”. Para nossas comunidades franciscanas é coisa evidente: basta recordar da passagem do frade perfeito (Espelho da Perfeição, n. 85). Precisamos de nosso corpo, nossa alma, nosso coração, nossa respiração, nossa sexualidade, nossa memória, nossa inteligência, nossos limites, nossas carências, etc. Cada um é constitutivo e necessário, mas nenhum é suficiente. Somente o plural manifesta o sentido e a fé não tem que negá-los, mas unificá-los. Com os estudos acontece mais ou menos a mesma coisa: eles são confrontados a uma pluralidade de autoridades quais sejam Escritura, tradições, concílios, magistério, nossa Regra, Constituições, Madre abadessa ou Ministro provincial. Cada autoridade fundada da melhor maneira possível manifesta aquilo que lhe falta, o que ela não é, daí a impossibilidade para cada uma de ser o todo, o centro, o único. A irredutível pluralidade de autoridades aponta o relacionamento que entretém cada uma delas com que ela postula como cristão. Em tanto que autoridade, nem o Magistério, nem a Escritura, nem esta o aquela tradição bastam; faltam-lhe as outras. Sua relação necessária às outras diz bem da natureza de sua relação àquele que autoriza ( o Espírito Santo). A linguagem cristã só pode ter uma estrutura comunitária: somente a conexão orientada pelas testemunhas, sinais e papéis diferentes enuncia uma verdade que não pode ser reduzida à unicidade por um membro, uma fala, uma função. Porque esta verdade não pertence a ninguém, passa a ser dita por vários. Seus traços se constituem por uma multiplicidade de sinais articulados entre si e sua figura geométrica será mais da ordem de um círculo do que de uma pirâmide hierárquica. É sempre perigoso promover reduções “unitaristas”, ou se deixar dominar por uma ou outra dessas “autoridades”. Para o bem da instituição, os estudos devem alimentar e promover um sadio espírito crítico. Fontes: Évangile Aujourd’hui, 237, jan-fev 2013, p. 3-14. Autor: Frei Almir Guimarães. Em: Franciscanos.