Como ser Franciscano?

Província

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A Província São Maximiliano M.Kolbe celebrou no dia 02 de agosto de 2023 a festa de Nossa Senhora dos Anjos. A celebração foi realizada na Casa de Formação de Nossa Senhora dos Anjos, em Santa Maria DF. Estiverem presentes frades da Província, o Ministro Provincial fr.Gilberto, os formandos do Postulantado, o Pré-noviciado, os  frades professos e as pessoas da comunidade.

A festa do Perdão de Assis- As indulgências plenárias

Está festa celebra no dia 02 de agosto, a Festa do Perdão de Assis, Santa Maria dos Anjos da Porciúncula, segundo testemunhou Bartolomeu de Pisa, a origem da Indulgência da Porciúncula se deu assim: “Em uma noite linda , do ano do Senhor de 1216, Francisco estava intimamente compenetrado na oração e na contemplação estava mesmo ali na pequena ermida dedicada a Virgem Mãe de Deus, conhecida como igrejinha da Porciúncula, localizada em uma planície do Vale de Espoleto, perto de Assis, quando, de repente, a igrejinha ficou tomada de uma luz vivíssima jamais vista antes, e Francisco viu sobre o altar o Cristo e à sua direita a sua Mãe Santíssima, acompanhados de uma multidão de anjos. Francisco ficou em silêncio e começou a adorar o seu Senhor. Perguntaram-lhe, então, o que ele desejava para a salvação das almas. Francisco tomado pela graça de Deus que ama incondicionalmente, responde: “Santíssimo Pai, mesmo que eu seja um mísero, o pior dos pecadores, te peço, que, a todos quantos arrependidos e confessados, virão visitar esta Igreja, lhes conceda amplo e generoso perdão, com uma completa remissão de todas as culpas”.

O Senhor lhe disse: “Ó Irmão Francisco, aquilo que pedes é grande, de coisas maiores és digno e coisas maiores tereis: acolho, portanto, o teu pedido, mas com a condição de que tu peças esta indulgência, da parte minha, ao meu Vigário na terra (Papa)”. E não tardou muito, Francisco se apresentou ao Papa Honório III que, naqueles dias encontrava-se em Perugia e com candura lhe narrou a visão que teve. O Papa o escutou com atenção e, depois de alguns esclarecimentos, deu a sua aprovação e perguntou: “Por quanto anos queres esta indulgência”? Francisco, respondeu-lhe: “Pai santo, não peço por anos, mas por almas”. E feliz, se dirigiu à porta, mas o Pontífice o reconvocou: “Francisco, não queres nenhum documento”? E Francisco respondeu-lhe: “Santo Pai, de Deus, Ele cuidará de manifestar a obra sua; eu não tenho necessidade de algum documento. Esta carta deve ser a Santíssima Virgem Maria, Cristo o Escrivão e os Anjos as testemunhas”. E poucos dias mais tarde, junto aos Bispos da Úmbria, ao povo reunido na Porciúncula, Francisco anunciou a indulgência plenária e disse entre lágrimas: “Irmãos meus, quero mandar-vos todos ao paraíso!”

 

 

Na manhã do dia 27 deste mês, foi celebrada na Basílica Santuário São Francisco de Assis, em Brasília, a Santa Missa solene do jubileu de 50 anos da Província São Maximiliano Maria Kolbe, durante a qual professaram os votos solenes os seguintes frades: Frei Tiago, Frei João Victor e Frei Christian.

Na celebração, estiveram presentes o Ministro Geral, Frei Carlos Trovarelli; Frei Rogério Xavier, Assistente Geral; Frei Tomas; o Ministro Provincial, Frei Gilberto de Jesus; Frei Roberto Honorato, presidente da UCOB; diversos frades da Custódia Provincial Imaculada Conceição do Brasil; todos os integrantes das casas de formação da província; religiosos e religiosas; familiares dos professos; além de diversos frades da província.

O Ministro Geral, Frei Carlos Trovarelli, presidiu a celebração. Durante a profissão, os fiéis acompanharam admirados o momento de entrega dos frades ao serviço do Povo de Deus. Foi uma ocasião marcada pela graça divina e pelo amor ao Evangelho. Após o juramento dos votos, os irmãos da Ordem cumprimentaram fraternalmente os neo-professos solenes. A emoção dos familiares, comovidos pelo chamado respondido por seus entes queridos, também foi visível.

 

Profissão Solene


Na profissão solene, os frades professaram os votos de obediência, pobreza e castidade de forma perpétua à Ordem e ao serviço do Povo de Deus. Essa profissão representa a confirmação de um pedido feito por um cristão à Igreja para viver a radicalidade do sacramento do Batismo. Tal radicalidade consiste em dedicar todos os âmbitos de sua vida e existência à construção do Reino de Deus. Essa disposição de vida é chamada de “seguimento de Jesus Cristo” e nasce da própria experiência pessoal com Cristo, que pode ocorrer de diferentes maneiras, mas sempre em comunhão com uma comunidade cristã, especialmente através do serviço pastoral realizado em uma paróquia.

 

A Santa Missa foi celebrada por Dom João Wilk, que, em sua homilia, relembrou a contribuição dos frades no trabalho paroquial em diversas comunidades, como a Paróquia Santo Antônio, na Cidade Ocidental, a Paróquia São Pedro Apóstolo, no Pedregal, e a Paróquia São Marcos e São Lucas, em Ceilândia. Dom João também destacou a atuação do custódio provincial, eleito pelo Capítulo Provincial na Polônia, cuja liderança tem sido essencial em iniciativas como a redação da revista *Cavaleiro da Imaculada*, a direção do Seminário São Francisco e a coordenação das Edições Kolbe e da Milícia da Imaculada.

Frei Carlos Trovarelli


O Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores Conventuais, Frei Carlos Trovarelli, expressou sua alegria com a celebração do jubileu da Província São Maximiliano Maria Kolbe, salientando a importância deste momento para toda a ordem. Também presente estava Frei Rogério Xavier, Assistente Geral para a América Latina, que ofereceu palavras de incentivo e gratidão pelo comprometimento dos frades na missão brasileira.

Momento Cultural


A noite foi finalizada com um momento cultural liderado pelo Frei Mayko Ataliba, que fez uma apresentação sobre o Santuário Jardim da Imaculada e a Paróquia Santo Antônio. Estes espaços, emblemáticos para a missão franciscana, foram retratados como centros de espiritualidade e fé, fundamentais para o fortalecimento e a inspiração das comunidades locais.

Esta homenagem não apenas celebrou os cinquenta anos de história da Província São Maximiliano Maria Kolbe, mas também reforçou o compromisso contínuo dos frades com o serviço, o amor ao próximo e a fidelidade ao carisma franciscano, em sintonia com o exemplo de São Francisco e São Maximiliano Maria Kolbe.

 

Nesta sexta-feira, 25 de outubro, a Câmara dos Deputados realizou uma sessão especial em homenagem aos 50 anos da Província Franciscana São Maximiliano Maria Kolbe no Brasil. Com a presença de figuras religiosas e representantes da ordem, como o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, Dom Ricardo Hoepers, o evento destacou a importância da missão franciscana no país.

A Província teve sua origem em 1974, com a chegada de frades menores conventuais poloneses, inspirados pela obra de São Maximiliano Maria Kolbe. O frei Agostinho Stefan foi o pioneiro, fundando o Jardim da Imaculada, núcleo inicial da missão em Luziânia (GO), no entorno do Distrito Federal. Este espaço, iniciado em 1977, se tornou o coração espiritual da missão franciscana e alavancou a expansão para outras paróquias na região de Goiás e do Distrito Federal. Em reconhecimento ao seu impacto, a missão foi promovida a Custódia Provincial em 1983 e, mais tarde, em 2003, elevada à categoria de Província São Maximiliano Maria Kolbe.

O ministro provincial, frei Gilberto da Conceição Rodrigues, relembrou a inspiração deixada pelo primeiro bispo de Luziânia, Dom Agostinho Stefan, cuja fé e dedicação ainda ecoam na missão dos frades, especialmente em desafios diários como a pobreza e a insegurança. Frei Gilberto destacou o exemplo de Dom Agostinho, que, mesmo após renunciar ao governo pastoral, continuou sua missão em Juruá (AM), enfrentando um câncer até o fim de sua vida.

Dom Ricardo Hoepers descreveu a trajetória da Província como "um testemunho do amor divino e humano de Cristo" e lembrou a coincidência providencial de o jubileu coincidir com a semana de publicação da encíclica *Dilexit nos*, do Papa Francisco. "São corações apaixonados pelo Evangelho e firmes diante dos desafios”, comentou o bispo, ressaltando que o legado franciscano é como um sinal da eternidade no presente.

A sessão contou ainda com a presença do ministro-geral da Congregação, frei Carlos Trovarelli; do assistente-geral para a América Latina, frei Rogério Xavier; e do delegado da província de Varsóvia, frei Tomasz Kret. Frei Carlos agradeceu à Província pelo seu compromisso em levar a Palavra de Deus e promover valores de paz, justiça e transparência, inspirados na civilização do amor.

A solenidade, convocada pela deputada Lêda Borges, expressou gratidão aos frades que dedicaram suas vidas à missão, sendo verdadeiros pilares de fé para inúmeras comunidades brasileiras.

Dom João Wilk, filho de José e Regina Wilk, nasceu na Polônia aos 18 de setembro de 1951. Aos 14 de outubro de 1951 foi batizado na Paróquia da Exaltação da Santa Cruz. No seio da família e da comunidade paroquial crescia e desenvolvia a vida religiosa, por meio da catequese, recepção dos sacramentos e do serviço ao altar como coroinha (ministrante). Em 1965, entrou na Ordem dos Frades Menores Conventuais, iniciando sua formação no Seminário Menor. Era o tempo do regime comunista. Nos anos de 1969-70 fez o noviciado terminando com a primeira profissão temporária.

Nos anos 1970-73, no Seminário Maior em Cracóvia, iniciou o curso de filosofia e teologia. Foi enviado para estudar no Seraphicum – Pontificia Faculdade de Teologia de São Boaventura, em Roma (Itália), onde concluiu o curso com o diploma de Bacharel em Teologia. Em 3 de outubro de 1974 emitiu os votos perpétuos na Basílica de São Francisco em Assis, onde também foi ordenado sacerdote aos 24 de junho de 1976. Nos anos 1975-77, na Pontifícia Faculdade de Teologia de São Boaventura fez a especialização teológico-cristológica, obtendo a Licenciatura em Teologia aos 28 de junho de 1977.

Chegou ao Brasil no dia 4 de outubro de 1978, dia de São Francisco de Assis. Integrou a comunidade dos franciscanos conventuais do Jardim da Imaculada, na vizinhança de Brasília, que estava dando seus passos iniciais. Foi responsável pela animação vocacional e ajudou na redação dos primeiros números da revista Cavaleiro da Imaculada.

No trabalho paroquial foi vigário paroquial na Paróquia Santo Antônio, da Cidade Ocidental e na Paróquia São Pedro Apóstolo, no Pedregal; pároco da Paróquia Santo Antônio, na Cidade Ocidental; e Paróquia São Marcos e São Lucas em Ceilândia. No Convento dos Frades Franciscanos conventuais foi eleito, pelo capítulo Provincial, na Polônia, Custódio Provincial da Custódia Provincial de São Maximiliano Maria Kolbe no Brasil, sendo reeleito; assumiu a redação da revista Cavaleiro da Imaculada; e, na prática, foi o reitor do Seminário São Francisco; foi eleito o guardião do convento Jardim da Imaculada; Diretor das Edições Kolbe; Diretor Nacional da Milícia da Imaculada, continuando com redator chefe da revista.

Como professor lecionou no Seminário São Francisco de Assis; no IFITESB (Instituto de Filosofia e Teologia de São Boaventura); no Curso Superior de Teologia para Leigos, da Arquidiocese de Brasília; e no Albertinum – Curso de Teologia para Leigos da diocese de Luziânia. No dia 28/01/1998, Sua Santidade o Papa João Paulo II, nomeou-o Bispo da Diocese de Formosa – GO. Foi sagrado Bispo da Santa Igreja, na catedral diocesana de Formosa, pelo Dom José Freire Falcão, Arcebispo de Brasília, no dia 04/04/1998, tomando posse como segundo Bispo Diocesano de Formosa, neste mesmo dia.

No dia 09/06/2004 é nomeado, pelo Papa João Paulo II, Bispo da Diocese de Anápolis – GO, sendo o terceiro bispo da Diocese. Tomou posse canônica da Diocese de Anápolis, na presença do Ex.mo Núncio Apostólico no Brasil Dom Lourenço Baldisseri, em 14/08/2004. Na CNBB Nacional foi membro do Conselho Permanente, membro do Conselho Fiscal por dois mandatos e membro da Comissão para a Campanha da Evangelização.

No Regional Centro-Oeste da CNBB foi vice-presidente, presidente, bispo referencial da Pastoral da Comunicação, da Pastoral Familiar e da Pastoral da Criança. Presidiu a Ordenação Episcopal de Dom Dilmo Franco, atual Bispo Auxiliar de Anápolis; ordenou 110 sacerdotes, sendo 85 para o Clero de Anápolis; 113 diáconos transitórios, sendo 85 para o Clero de Anápolis; e 15 diáconos permanentes para a Diocese de Anápolis.

Realizou 44 visitas pastorais, criou 27 novas Paróquias na Diocese de Anápolis, dentre muitas outras realizações como adequações ao Seminário Diocesano, instituição da Faculdade Católica de Anápolis, Estatutos e várias construções na Diocese. Marcado pela sua simplicidade, inteligência e incansável trabalho, completou no dia 04 de abril deste ano de 2023, 25 anos de sua Ordenação Episcopal.

 

O JUBILEU DA PROVÍNCIA SÃO MAXIMILIANO MARIA KOLBE

O horizonte que nos espera é por demais maravilhoso, vale a pena apostar no que os nossos santos ensinaram” [1]

 

A celebração dos 50 anos da Província São Maximiliano M. Kolbe, nos faz recordar os dons de Deus, as graças concedidas pelo Senhor ao longo dessas cinco décadas. De forma particular, em tudo que aconteceu vislumbramos as virtudes teologais da fé, da esperança e da caridade. Virtudes estas que nos unem ao o próprio Deus, sendo sinal de que a Província é uma obra d’Ele.

Essas virtudes são perceptíveis na história, nas obras realizadas por nossos frades, seja os missionários poloneses (Dom Agostinho, os frades da Primeira Hora, primeiro grupo missionário) ou frades brasileiros. Seja no apostolado, na pastoral, na vida sacramental, nos trabalhos sociais... em todas as suas obras, são visíveis sinais de Deus, sinais de fé, de Esperança e caridade, amor a Deus e amor aos irmãos. Os 50 anos permitem ver esses sinais muito claros.

Na carta de Dom Agostinho à Província, datada do ano de 2008, ele diz:O horizonte que nos espera é por demais maravilhoso, vale a pena apostar no que os nossos santos ensinaram” [2].

Nesta data de 2008, ele estava a três anos de sua morte, que ocorreu no dia 20 de março de 2011, estava se recuperando de tratamento contra um câncer, mas visitando o Jardim da Imaculada. De coração alegre, escreveu e enviou aos frades esta carta, cheia de fé, de esperança e caridade em seu coração. Nas linhas, ele apontava para horizonte, ele se alegrava pelas obras realizadas. Também convidou os frades a olharem o futuro com esperança, ele convidou a manter a fé e os propósitos dos santos.

Nesse jubileu, essa vivacidade de Dom Agostinho é notável nos frades, por isso   resgatamos essa memória nessas celebrações. Recordamos os exemplos dados diante dos desafios enfrentados, fossem da pobreza, da insegurança, da incerteza, os desafios da abertura da Missão, da construção da Jardim da Imaculada, da formação, do início da Custódia, em 1983, do início da Provincia, erigida em 2003, os desafios da abertura da Missão no Amazonas, dentre tantos outros desafios que poderiam ser citados.

Portanto, essa cerimonia não é apenas um saudosismo ao passado, mas uma valorização do passado, resgatando as boas decisões, propostas, metas, vitórias e valores religiosos ao longo desses anos. Valores da fé, da esperança e da caridade. Para avançáramos para o futuro com fidelidade, com coragem, com determinação, dedicando-nos a Deus e ao povo d’Ele. 

Nessas festividades, agradecemos a Deus que, em sua infinita bondade, nos chamou à vocação religiosa franciscana; agradecemos a intercessão da Virgem Santíssima, agradecemos à Igreja, agradecemos à Ordem e agradecemos à Província Imaculada Conceição de Varsóvia. Por isso, olhamos para o futuro, observando quatro colunas principais que são:

01: O amor a Deus e à Igreja;

02- O amor à Virgem Santíssima e à Herança Kolbiana;

03- O amor à Ordem e à Província

04- O amor ao Povo de Deus.

 

Nessa oportunidade, recordamos os frades falecidos que colaboraram pela construção da Província: Dom Frei Agostinho, Dom Frei Janusz Marian Danecki, Frei Edmundo, Frei Francisco Kramek, Frei José Stankiewik e Frei João Benedito. Lembramos os leigos que ajudaram a missão, vivos e os falecidos.

Rezemos pedindo a intercessão da Virgem Santíssima, Nossa Senhora Aparecida, sobre essa casa do povo e sobre os deputados. Muito obrigado. Paz e Bem!

 

Frei Gilberto de Jesus Rodrigues

Ministro Provincial

 

[1] Dom Agostinho, Carta a Província, 2008.

[2] Dom Agostinho, Carta a Província, 2008.

No dia 24 de outubro, às 19h, a comunidade se reuniu para a celebração da Santa Missa, um momento de profunda espiritualidade e gratidão aos 50 anos da Província São Maximiliano Maria Kolbe. A cerimônia, inicialmente programada para ser celebrada por Frei Eusébio, Frei João Batista e Frei Stanislaw, teve de ser ajustada em razão da ausência de Frei Stanislaw, que, por problemas de saúde, não pôde comparecer. Mesmo assim, Frei Eusébio e Frei João Batista conduziram a celebração com grande devoção, renovando junto à comunidade os votos de fé e o compromisso missionário inspirados no legado de São Maximiliano Kolbe.

 

Simpósio: A Missão de São Maximiliano e a Província de Varsóvia

 

Após a missa, às 20h30, teve início o simpósio que contou com a ilustre presença do Ministro Geral Frei Carlos Trovarelli, o 120º Sucessor de São Francisco. Frei Carlos fez uma breve saudação, enriquecendo o evento com palavras de encorajamento e fraternidade.

 

Em seguida, foi abordado o tema “A Missão de São Maximiliano nascida da Província de Varsóvia”, apresentado por Frei Tomasz KRL, Delegado da Província de Varsóvia. Sua palestra foi proferida em polonês e traduzida pelo Frei João Batista, proporcionando uma reflexão profunda sobre a missão evangelizadora de São Maximiliano Kolbe, cujas raízes estão firmemente plantadas na Província de Varsóvia. Frei Tomasz destacou a Província como o ponto de partida para grandes missões, moldadas pelo carisma franciscano e pela devoção à Imaculada Conceição – valores centrais que sustentaram todo o trabalho de São Maximiliano.

 

Exposição das Paróquias São Francisco e Santa Clara

 

Outro ponto alto do evento foi a exposição das paróquias São Francisco, localizada em Valparaíso, e Santa Clara, em Anápolis. Frei Amilton Leandro, responsável por ambas as apresentações, iniciou contando a história da Paróquia São Francisco, sublinhando o envolvimento ativo dos paroquianos e o empenho dos párocos anteriores, que desempenharam um papel crucial no crescimento espiritual da comunidade. Ele também destacou seu próprio trabalho pastoral, sempre realizado com amor e dedicação.

 

Na sequência, Frei Amilton apresentou o desenvolvimento da Paróquia Santa Clara, ressaltando o progresso alcançado com o trabalho contínuo dos frades, que, com zelo e empenho, têm expandido a missão franciscana na região.

 

O evento foi uma verdadeira celebração do legado de São Maximiliano Kolbe e do trabalho da Província de Varsóvia, que continua a inspirar frades e comunidades ao redor do mundo. A homenagem não só destacou a importância histórica da Província, mas também reforçou o compromisso presente e futuro com a missão franciscana, especialmente em solo brasileiro.

 

A Câmara Legislativa do Distrito Federal homenageou, na manhã desta quinta-feira (24), o cinquentenário da Província São Maximiliano Kolbe, em uma sessão solene transmitida ao vivo pela TV Distrital (canal 9.3) e YouTube.

 

 

O deputado Jorge Vianna (PSD), autor da homenagem, destacou que “há 50 anos os franciscanos presentearam o Distrito Federal com uma obra de amor, a Província São Maximiliano Kolbe”. Fundada por frades poloneses, a província atua sob o legado de São Maximiliano Kolbe (1894–1941), canonizado em 1982 por João Paulo II e reconhecido por seu heroísmo ao oferecer a vida em troca de outro prisioneiro no campo de concentração de Auschwitz.

O deputado relembrou que a realização do sonho missionário de São Maximiliano Kolbe foi conduzida por Dom Agostinho Stefan. e um grupo de frades poloneses que, em 1974, “com a simplicidade tipicamente franciscana”, estabeleceram-se em Brasília. Vianna enalteceu a dedicação e o impacto do trabalho missionário, refletidos na expansão de obras educacionais e sociais ao longo dessas cinco décadas.

“Ao celebrarmos o jubileu de ouro da Província, reconhecemos publicamente o valor de sua contribuição à sociedade brasiliense”, afirmou. Durante a sessão, foi exibido um vídeo da TV Distrital com um panorama da trajetória da Província no Brasil.

A Província São Maximiliano Kolbe manifestou sua gratidão pela homenagem da CLDF, representada pelo ministro provincial, Frei Gilberto de Jesus, e pelo assistente-geral para a América Latina, Frei Rogério Xavier. Frei Rogério destacou a “oportunidade de testemunhar nossa fé e confiança no Evangelho e em Nosso Senhor Jesus Cristo”. Segundo ele, “é essencial, à luz da doutrina social da Igreja, ocupar espaços públicos para promover a fé”.

O ministro provincial da Província São Maximiliano Maria Kolbe, Frei Gilberto de Jesus Rodrigues, detalhou o papel dos missionários poloneses pioneiros e a continuidade da obra no Brasil. Frei Roberto Cândido de Souza, da Paróquia São Marcos e São Lucas, em Ceilândia, afirmou que a chegada dos poloneses e a obra construída desde então foram “guiadas pela luz da fé”. Frei Mieczyslaw Tlaga, da Paróquia São Francisco de Assis, em Valparaíso (GO), testemunhou a instalação da Província no Centro-Oeste e ressaltou a reciprocidade da comunidade local à presença franciscana. Frei Amilton Leandro Gomes Nascimento, também de Valparaíso, destacou a missão mariana da Província.

Por sua vez, Frei Casimiro Cieslik, mestre de pós-noviciado da Casa de Formação São Francisco de Assis na asa norte , expressou gratidão pela “graça de viver no Brasil” e enfatizou a importância da participação dos jovens no trabalho missionário.

Frei Casimiro foi um dos homenageados com uma moção de louvor da CLDF pelos serviços prestados à população do Distrito Federal, juntamente com outros membros da Província São Maximiliano Kolbe. Encerrando a cerimônia, os frades entoaram músicas religiosas, celebrando a ocasião.

 

 

Às 19h do dia 23 de outubro, foi celebrada a Santa Missa presidida pelo Frei Mieczysław Tlaga, com a co-celebração do Ministro Provincial Frei Gilberto de Jesus e Frei Flávio Freitas, além da participação de diversos frades da província, incluindo o reitor da basílica.

O celebrante, Frei Mieczysław Tlaga, nasceu em Choiny, Polônia, em 29 de abril de 1947. Ele fez sua profissão temporária entre os Frades Franciscanos Conventuais em 28 de agosto de 1965, e sua ordenação sacerdotal ocorreu em 04 de junho de 1972. Frei Mieczysław chegou ao Brasil em 16 de novembro de 1976, integrando a segunda turma de missões polonesas. Desde então, contribuiu enormemente para a missão, trabalhando inicialmente com Dom Agostinho na fundação do primeiro convento da missão, o Convento Jardim da Imaculada, em 1977. Ele também foi responsável pela construção do Santuário São Francisco em Brasília-DF e exerceu a função de 3º Custódio Provincial. Atualmente, além de colaborar nos trabalhos pastorais da Paróquia São Francisco de Assis, no Valparaíso-GO, é professor e doutor em Direito Canônico.

Você pode acompanhar sua homilia no vídeo abaixo.

No Simpósio, Frei Mieczysław também proferiu uma palestra com o tema "O valor do testemunho evangélico na realidade da Arquidiocese de Brasília".

Todas as suas falas estão disponíveis em nossa live.

Além disso, houve uma exposição feita por Frei Pedro, pároco da Paróquia São José e da Paróquia Imaculada Conceição, com a colaboração de Frei Luís Ventura.

Parabéns, Frei Mieczysław Tlaga, pelos seus 50 anos de missão! Que a Virgem Maria o cubra com seu manto sagrado. Que sua vida religiosa franciscana continue sendo marcada por trabalho árduo, missão e dedicação aos doentes, crianças e idosos, como sempre fez. A Província São Maximiliano M. Kolbe reza por seu ministério e sua entrega ao Reino de Deus, na Igreja e na Ordem.

 

Na noite do dia 22 de outubro, iniciou-se o segundo dia do Simpósio em comemoração ao Jubileu da Província São Maximiliano Maria Kolbe, a Santa Missa foi celebrada às 19h, presidida por Dom José Silva e co-celebrada pelo Ministro Provincial Frei Gilberto de Jesus, com a participação de diversos frades da província. O coral das Irmãs Salesianas dos Sagrados Corações também abrilhantou a celebração, enriquecendo o ambiente com sua música.

Durante a homilia, o bispo emérito da Diocese de Uruaçu, Goiás, destacou a importância da vigilância espiritual e da prontidão para acolher a presença de Jesus em nossas vidas. Ele enfatizou que a mensagem do Evangelho nos convida a estar sempre preparados, não apenas para o momento da eternidade, mas também para as diversas oportunidades em que o Senhor se revela no nosso cotidiano. "Estamos sempre prontos para receber Jesus em nossa vida? Não apenas no dia em que Ele vier nos convidar para a eternidade, mas nas múltiplas oportunidades em que Ele se apresenta a nós", refletiu.

Após a missa, Dom José participou do simpósio e abordou os temas "O valor do testemunho evangélico na realidade da Diocese de Uruaçu" e "Os primeiros passos franciscanos da missão na Diocese de Uruaçu".

O bispo sempre demonstrou abertura à comunidade conventual. No dia 6 de novembro de 1974, Frei Agostinho enviou cartas, a partir do Convento São Francisco, aos bispos das dioceses de Paracatu, Uruaçu e Januária, oferecendo um trabalho missionário. A resposta mais animadora veio de Dom José Silva Chaves, então administrador apostólico de Uruaçu.

Na carta datada de 11 de novembro de 1974, Dom José expressou sua alegria e esperança: “Chegando ontem ao anoitecer da Paróquia mais distante da sede, encontrei sua prezada carta, que encheu-me de alegria e esperanças. Vinha percorrendo aqueles longos 250 quilômetros e pensando em como resolver o sério problema de tantas almas sem assistência quase alguma quando, ao chegar em casa, leio sua alvissareira carta. Recebo os Franciscanos Conventuais da Polônia, confrades do grande Beato Maximiliano Kolbe, de braços abertos. Venham quanto antes. Darei, é claro, toda a oportunidade para que os frades possam desempenhar, nesta tão necessitada Diocese, a permanente obra da evangelização."

O simpósio também contou com a presença do Frei Rogério Pereira Xavier, Assistente Geral da Federação dos Conventuais da América Latina (FALC). A programação seguiu com uma exposição sobre a Basílica de São Francisco de Assis, apresentada pelo pároco Frei Flávio. Esta basílica atrai um grande número de peregrinos e se destaca como um centro espiritual e evangelizador, preservando tesouros sagrados e possuindo notória importância histórica.

Na sequência, Frei Jorge Elias Oliveira Machado, pároco da Paróquia São Maximiliano, compartilhou um pouco da história da comunidade, lembrando a primeira missa realizada por Dom Agostinho e o fundamento da paróquia em 1999. Ele destacou o trabalho do Frei Amilton, que construiu mais dez comunidades, e os relatos de Juliana e Elton, que finalizaram a apresentação da história da Paróquia São Maximiliano, ressaltando a dedicação e o amor que permeiam a missão franciscana.

O evento foi um momento de celebração e reflexão sobre a importância da missão franciscana, unindo a história e o testemunho dos frades que dedicam suas vidas ao serviço de Deus e da comunidade.

 

A nossa vida deve ser uma ação de graças contínua. É imperdoável o esquecimento de tal dever. O motivo da nossa presença aqui é justamente para agradecer os cinquenta (50) anos dos primeiros passos da Missão dos Frades Franciscanos Conventuais na Diocese de Uruaçu, e quiçá, no Brasil.

O mantra que mais ouvimos por aí é que a vida religiosa vai acabar. 

Não! A vida religiosa não vai acabar. A vida religiosa é dom permanente do Espírito Santo. É um dom à Igreja. Esta afirmação não é gratuita; está presente na doutrina conciliar. É certo que o Concílio não se refere com essa clareza que a vida religiosa tem sua origem no Espírito Santo.

A Igreja, segundo o Novo Testamento, foi confiada à missão do Espírito Santo. Ele é seu imediato e único Santificador. Depois da Páscoa, o Pai e o Cristo Glorioso atuam no e por seu mútuo Espírito. Nesta perspectiva, sem contradizer o princípio dogmático da unidade e indivisibilidade essencial do mistério trinitário, pode-se atribuir ao Espírito Santo toda obra divina na Igreja. O estado religioso, afirma o Concílio, "pertence de maneira indiscutível à vida e à santidade da Igreja" (LG 44).

Faço esta introdução para destacar o imenso bem que as congregações religiosas têm feito à Igreja, ao Brasil e, de modo especial, à Diocese de Uruaçu. Não falo isso para agradar a quem quer que seja, mas é a pura verdade.

Com as caravelas de Cabral vieram também os primeiros evangelizadores: os frades franciscanos. O primeiro ato oficial realizado no Novo Mundo foi, depois de ter erguido a santa cruz, a celebração da santa Missa, pelo então franciscano Frei Henrique de Coimbra. Assim nasceu a Terra de Santa Cruz, o Brasil.

O Brasil recebeu o primeiro anúncio do Evangelho através dos religiosos: franciscanos, jesuítas, dominicanos, redentoristas, entre outros.

Em 25 de julho de 1924, com a bula *"Ad Pastorale Munus"*, criou-se a Prelazia de São José do Alto Tocantins, pelo Papa Pio XI, tendo como sede a mesma cidade, hoje Niquelândia. Até então, só existiam duas circunscrições eclesiásticas no Estado de Goiás: a Diocese de Goiás e a de Porto Nacional, esta nascida também de Goiás.

O núncio apostólico, dom Armando Lombardi, em maio de 1955, pediu à Santa Sé que a Prelazia de São José fosse elevada à categoria de Diocese. Foram trinta (30) anos de luta até que a Prelazia chegasse a ser diocese. Dom Francisco Prada esteve à frente da Prelazia desde 19 de março de 1938 até sua nomeação e transferência, já como bispo diocesano, para a recém-criada Diocese de Uruaçu, tomando posse em 30 de maio de 1957, perfazendo assim 30 anos de longo e frutuoso ministério episcopal.

Em 1968, fui sagrado bispo auxiliar e, logo no ano seguinte, Administrador Apostólico "Sede Plena", isto é, com toda a administração espiritual e material da diocese, restando ao titular apenas o título "diocesano".

Em 1976, assumo o título de Bispo Diocesano. Assumi a diocese com apenas dois (2) padres diocesanos e sete (7) religiosos, sete paróquias, cinco (5) provisionadas, duas sem padre, sendo que uma delas estava sem padre residente há 50 anos.

Tive que enfrentar a problemática pastoral, a realidade de tanta gente que não se podia alcançar, ou por distância, ou por falta de recursos humanos, agentes de pastoral engajados, leigos preparados ou motivados por uma obra apostólica, e, sobretudo, falta de padres.

Ao percorrer a diocese, observava-se que as seitas proliferavam por toda parte, preferencialmente nas periferias e na zona rural. Nessa triste situação, senti no coração palpitar forte a prece do Senhor, que é a oração do Evangelho: "Pedi ao Senhor que envie operários para a sua messe." Ficava impressionado como essas pessoas, abandonadas e maltratadas pelas circunstâncias e pela maldade humana, ainda acreditavam em Cristo e ainda rezavam.

Multidões sem pastor, ou, em casos piores, com falsos pastores, que vinham disseminando a má doutrina no rebanho, interessados apenas no leite e na lã das ovelhas. 

O que fazer com tanta gente faminta de Deus? Onde estão os que possam repartir o pão da Palavra nas periferias, na zona rural, em toda parte?

No dia 11 de novembro de 1974, indo de Minaçu para Uruaçu, lamentei e rezei: "Vós, Senhor, multiplicastes na Eucaristia. Senhor, por que não multiplicais também os nossos apóstolos para levar a mensagem do vosso Reino a essa gente, redimida também por vosso sangue precioso?"

Naquele mesmo dia, ao chegar em casa já à noitinha, me deparei com uma carta, junto às demais correspondências, vinda da Polônia. A curiosidade levou-me logo a abrir o envelope da missiva, pois foi a primeira vez que recebia uma correspondência vinda daquele longínquo país.

Que agradável surpresa! De imediato rezei: "Eu vos louvo, Senhor, porque atendestes a minha oração!" 

Conteúdo da carta: Os Frades Conventuais poloneses, da Província Imaculada Conceição, ofereciam-se para se instalar na Diocese de Uruaçu; depois de serem rejeitados por outras duas dioceses que, certamente, não necessitavam de sacerdotes (duvido, porque até hoje são carentes de sacerdotes, e por isso não se interessaram). Graças a Deus, não se interessaram!

Naquela mesma noite, escrevi ao autor da carta, frei Stefan Augustyn Januszewicz, respondendo que os recebia genuflexo e de braços abertos. Venham quanto antes (temia que aventureiros lançassem mão do presente); bem que tentaram fazê-lo, desviando-os para o sul do país, oferecendo-lhes vantagens mil, em desfavor de Goiás. A resposta do Frei Agostinho foi franca e leal: "Já temos compromisso com a Diocese de Uruaçu." A diocese estava ansiosa para receber os frades.

Até que no dia 8/12/1974, frei Agostinho chega de surpresa, pela porta dos fundos. Piedoso como era, entrou primeiro pela Catedral, a fim de fazer uma rápida visita ao Santíssimo Sacramento. Providencialmente, eu estava de pé diante da porta da cozinha, quando vejo um padre saindo da sacristia, vestido de hábito preto, esboçando aquele sorriso que lhe era peculiar. Aproxima-se de mim e logo começa a se identificar: "Sou frei Agostinho...". Nem o deixei terminar de se apresentar, fui logo abraçando-o fraternalmente e abrindo as portas do coração e da casa para recebê-lo. Foi um dos dias mais felizes da minha vida.

De imediato, frei Agostinho escreve ao Padre Provincial: "Encontramos nosso lugar de trabalho, fui recebido cordialmente pelo bispo, que é bastante jovem. Aqui temos tudo o que é necessário para realizar nossa missão... Vale a pena nos fixarmos aqui nesta diocese. É realmente próxima da capital do país".

Logo nos dirigimos a Anápolis (o frei e eu), a fim de acertar com os franciscanos menores a possibilidade de um curso de português para o primeiro grupo de missionários franciscanos conventuais que chegaria à diocese de Uruaçu. Acertado, continuamos a viagem até Brasília para sondar o ambiente para uma futura instalação de uma residência franciscana. Houve promessa, esperança, mas nada de concreto.

Tudo encaminhado em Uruaçu, frei Agostinho retorna ao Rio de Janeiro a fim de receber os seus confrades e acompanhá-los até Uruaçu, agora sua nova residência. Depois de desvencilhar-se da burocracia no porto do Rio, chegam os frades: Marcos Januszewcz, Francisco Kramek, Eusébio Wargulewski e o irmão Edmundo Grabowiecki.

Foram recebidos com festa, alegria, efusivos cumprimentos, boas-vindas. Todos queriam abraçar e receber uma bênção dos frades. O povo estava encantado com aquele tipo de padres que ninguém ainda conhecia. Agora é agradecer. Foi o que fizemos: "Bendize, ó minha alma, o Senhor, e não te esqueças de nenhum dos seus benefícios" (Sl 102,2).

Já se foram 50 anos de luta, de sofrimento, mas também de alegria e consolação pela certeza do dever cumprido durante esse meio século, semeando a boa semente da Palavra em tantos corações sedentos de Deus.

A passagem dos primeiros frades conventuais pela Diocese de Uruaçu deixou marcas indeléveis nas pedras de Acaba-Vida, Faz Tudo, Indaianópolis, Traíras, Rola Égua e outras dezenas de lugares. Até hoje, o povo chora a ausência daqueles primeiros saudosos frades. Felizmente, a missão continua na pessoa dos dedicados frades que atualmente integram a comunidade de Niquelândia, semeando com abundância e zelo a Palavra de Deus.

Até a chegada dos frades, Niquelândia estava há vários anos sem uma boa assistência religiosa. Tudo ali era difícil: igreja em estado precário, sem casa paroquial, sem recurso humano para atender o imenso município de 13.000 km², com 60 capelas rurais. Tudo por fazer. O idoso padre Luiz Olabarrieta, CMF (emprestado), homem zelosíssimo e dedicado inteiramente à causa do Reino, por mais boa vontade que tivesse, não era possível atender eficientemente o imenso território.

Em 1º de abril de 1977, chegam os frades, jovens e ardorosos missionários, dispostos a enfrentar os grandes desafios da paróquia. Logo, podemos dizer a respeito da decadente paróquia: "nova sint omnia, recedant vetera!"

Esteve conosco o padre Provincial, que constatou in loco, muito contente, o belo trabalho e a rápida adaptação dos frades. Criou-se a paróquia de São Sebastião em Uruaçu e simultaneamente leu-se o decreto de nomeação de frei Agostinho como o primeiro pároco. Infelizmente, frei Agostinho renunciou em favor de frei Marcos, alegando incompatibilidade com sua tarefa de coordenador e responsável por preparar o futuro comissariado. Assim sendo, frei Marcos assumiu a paróquia.

Com o beneplácito do Provincial, frei Eusébio assumiu a paróquia de Nossa Senhora da Guia, em Campinorte. Fez ali um elo trabalho, deixando saudade e grandes amizades entre os seus ex-paroquianos.

Igualmente, frei Francisco Kramek assume a paróquia Nossa Senhora das Graças, em Rialma, substituindo o padre Jair Fernandes, claretiano emprestado, destinado a Patos de Minas. Prestou um belo serviço pastoral naquela comunidade. A diocese só tem que agradecer o imenso trabalho que os frades conventuais realizaram e realizam no seu território.

Não podemos deixar de lembrar o edificante irmão Edmundo, que também prestou um bom serviço, humilde, dedicado e edificante, à comunidade franciscana e paroquial. Infelizmente, adoeceu gravemente e teve que retornar à Polônia, onde veio a falecer.

Logo chegou a triste notícia de sua morte, o bispo rezou a santa Missa na paróquia São Sebastião, onde trabalhou, com grande participação de fiéis.

Os nossos heróis frades conventuais trouxeram para o Brasil e, de modo especial, para a diocese de Uruaçu, a fé que impulsionou o espírito missionário de São Maximiliano Kolbe a confessar pública e corajosamente a sua convicção religiosa diante daquele déspota chefe militar, que, agarrando o crucifixo que o frade trazia sobre o peito, lhe perguntou: "Tu acreditas nisso?" "Acredito, sim!" Uma tremenda bofetada seguiu à resposta do frei Kolbe. Três vezes repetiu-se a pergunta. Três vezes Maximiliano confessou sua fé. Três vezes levou a mesma bofetada.

Aqui está o segredo dos Franciscanos Conventuais, originários da Província Imaculada Conceição, aos pés da qual frei Kolbe soube forjar o seu caráter religioso e sacerdotal.

O corpo desse grande mártir foi queimado e suas cinzas atiradas ao vento. Numa carta, quase prevendo seu fim, frei Maximiliano escrevia: "Eu quereria ser reduzido a pó em homenagem à Imaculada Conceição e espalhado pelo vento ao mundo inteiro!" Assim foi feito! Aquelas cinzas foram levadas pelo vento do Espírito ao mundo, caindo também um pouco em nosso solo, suscitando germes de vida e de renascimento. Foi o verdadeiro mártir da caridade, do amor que salva e dá vida. O amor sempre constrói.

Parabéns, frades missionários franciscanos conventuais, pelos cinquenta (50) anos de dedicação, doação e zelo à causa do Reino e, sobretudo, de exemplo aos mais jovens.

Não podia deixar de dirigir uma palavrinha ao único que resta dos primeiros missionários que abriram a Missão na nossa diocese: frei Eusébio. Uma criança, com a curiosidade de quem ouviu uma nova palavra, mas não sabe o seu significado, perguntou: "Mamãe, o que é a velhice?" A mãe, num instante de silêncio, fez uma viagem ao passado: infância, primeira comunhão, namoro, casamento, os filhos, as lutas diárias, as dificuldades, a experiência adquirida... Tornou a olhar para a filha que, sorridente, aguardava a resposta. "Olhe para o meu rosto, minha filha", disse a mãe: "Isso é velhice!"

Ela imaginou a menina vendo as rugas de seu rosto, os sinais das pequenas e grandes batalhas da vida, com um pouco de tristeza pelo que passou; surpreendentemente, depois de alguns instantes, a menina concluiu: "Mamãe, como é bela e bonita a velhice!"

Caríssimos, a vida é uma obra de arte: teatro, música, poesia, sorrisos, lágrimas, alegria e tristeza.

Os outros podem nos fornecer alguns subsídios, mas os grandes responsáveis somos nós. Tudo o que é feito é definitivo. Não podemos ensaiar, nem apagar com uma borracha; no entanto, sempre podemos mudar o rumo da nossa vida. Nós somos o resultado de nossas escolhas, mas podemos mudar nossas escolhas a cada momento. O único lamentável é o que nada nos ensina.

Precisamos aprender a viver. Nunca é tarde para isso. A velhice deve ser bela. Precisa ser bela. Devemos aprender a envelhecer. Isso significa acumular experiência, saber quais são os limites da idade e observá-los. Experiência cheia de amor e capacidade de continuar amando e sonhando. Assim, quando a morte acontecer, ela também será bênção. A morte é bela se a vida foi bela. Que vida mais bela do que a do sacerdote religioso, dedicado, zeloso, exemplar, observante, como o foi o nosso Santo Maximiliano Kolbe, Patrono desta Província.

Que a Imaculada Conceição e São Kolbe continuem a derramar escolhidas bênçãos sobre os frades franciscanos conventuais, onde quer que estejam!

 

 

 

 

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