Como ser Franciscano?

Província

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A Província São Maximiliano M.Kolbe celebrou no dia 02 de agosto de 2023 a festa de Nossa Senhora dos Anjos. A celebração foi realizada na Casa de Formação de Nossa Senhora dos Anjos, em Santa Maria DF. Estiverem presentes frades da Província, o Ministro Provincial fr.Gilberto, os formandos do Postulantado, o Pré-noviciado, os  frades professos e as pessoas da comunidade.

A festa do Perdão de Assis- As indulgências plenárias

Está festa celebra no dia 02 de agosto, a Festa do Perdão de Assis, Santa Maria dos Anjos da Porciúncula, segundo testemunhou Bartolomeu de Pisa, a origem da Indulgência da Porciúncula se deu assim: “Em uma noite linda , do ano do Senhor de 1216, Francisco estava intimamente compenetrado na oração e na contemplação estava mesmo ali na pequena ermida dedicada a Virgem Mãe de Deus, conhecida como igrejinha da Porciúncula, localizada em uma planície do Vale de Espoleto, perto de Assis, quando, de repente, a igrejinha ficou tomada de uma luz vivíssima jamais vista antes, e Francisco viu sobre o altar o Cristo e à sua direita a sua Mãe Santíssima, acompanhados de uma multidão de anjos. Francisco ficou em silêncio e começou a adorar o seu Senhor. Perguntaram-lhe, então, o que ele desejava para a salvação das almas. Francisco tomado pela graça de Deus que ama incondicionalmente, responde: “Santíssimo Pai, mesmo que eu seja um mísero, o pior dos pecadores, te peço, que, a todos quantos arrependidos e confessados, virão visitar esta Igreja, lhes conceda amplo e generoso perdão, com uma completa remissão de todas as culpas”.

O Senhor lhe disse: “Ó Irmão Francisco, aquilo que pedes é grande, de coisas maiores és digno e coisas maiores tereis: acolho, portanto, o teu pedido, mas com a condição de que tu peças esta indulgência, da parte minha, ao meu Vigário na terra (Papa)”. E não tardou muito, Francisco se apresentou ao Papa Honório III que, naqueles dias encontrava-se em Perugia e com candura lhe narrou a visão que teve. O Papa o escutou com atenção e, depois de alguns esclarecimentos, deu a sua aprovação e perguntou: “Por quanto anos queres esta indulgência”? Francisco, respondeu-lhe: “Pai santo, não peço por anos, mas por almas”. E feliz, se dirigiu à porta, mas o Pontífice o reconvocou: “Francisco, não queres nenhum documento”? E Francisco respondeu-lhe: “Santo Pai, de Deus, Ele cuidará de manifestar a obra sua; eu não tenho necessidade de algum documento. Esta carta deve ser a Santíssima Virgem Maria, Cristo o Escrivão e os Anjos as testemunhas”. E poucos dias mais tarde, junto aos Bispos da Úmbria, ao povo reunido na Porciúncula, Francisco anunciou a indulgência plenária e disse entre lágrimas: “Irmãos meus, quero mandar-vos todos ao paraíso!”

 

 

Terça, 27 Agosto 2024 19:59

Encontro Provincial de Acólitos 2024

     No último sábado (24), o Santuário Jardim da Imaculada, na Cidade Ocidental (GO), foi palco do Encontro Provincial de Acólitos 2024 (EPA). Cerca de 670 jovens e crianças participaram desta edição, marcada por momentos de espiritualidade, formação e comunhão. Representantes de diversas paróquias da região estiveram presentes, incluindo a Basílica Santuário São Francisco de Assis (Brasília/DF), a Paróquia São Marcos e São Lucas (Ceilândia/DF), a Paróquia Santa Clara (Sol Nascente/DF), a Paróquia São Maximiliano (Águas Lindas/GO), a Paróquia Imaculada Conceição (Novo Gama/GO), a Paróquia São Francisco de Assis (Valparaíso/GO), a Paróquia Santo Antônio (Cidade Ocidental/GO), o Santuário Jardim da Imaculada (Cidade Ocidental/GO) e a Paróquia Santa Clara (Anápolis/GO).

     Nem mesmo o calor forte que persistiu durante todo o dia foi capaz de interromper ou desanimar o espírito vibrante dos participantes. A programação começou com um café da manhã às 8h, seguido pela abertura e animação às 8h30, que prepararam os corações para o que estava por vir. Às 9h, a primeira exposição foi conduzida pela irmã Geovannna que abordou o tema “Há diversidade de carismas, mas um mesmo é o Espírito” (1 Cor 12, 4), destacando a importância de reconhecer e valorizar os diversos dons presentes na comunidade.

     Logo após, um momento de animação às 9h30 manteve o entusiasmo dos presentes, preparando o terreno para a segunda exposição do dia. Às 9h50, o Frei Marcelo Borges (OFMConv.) falou sobre a “Igreja: uma sinfonia vocacional”, convidando os jovens a refletirem sobre como cada vocação contribui para a harmonia da Igreja, como instrumentos em uma orquestra divina. Essas formações foram fundamentais para que os participantes compreendessem a identidade do serviço eclesial e a dinâmica vocacional que envolve cada um.

     A manhã seguiu com mais animação e uma gincana às 10h30, proporcionando momentos de diversão e interação. Sorteios de brindes, brincadeiras e apresentações musicais também alegraram os jovens, reforçando a alegria da vida em comunidade.

     Após o almoço, ao meio-dia, os participantes retomaram as atividades com mais gincanas às 13h30, que promoveram a união e o trabalho em equipe. Às 15h30, o foco do encontro se voltou para a oração, com a Adoração ao Santíssimo Sacramento e a procissão, sob a condução do Frei Antonio Maria (OFMConv.). A Santa Missa foi presidida pelo Ministro Provincial, Frei Gilberto de Jesus (OFMConv.).

     O evento contou com a presença de diversas congregações e serviços vocacionais, como as Salesianas dos Sagrados Corações, Pias Operárias de São José, Franciscanas da Sagrada Família, Oblatas do Menino Jesus, Franciscanas da Divina Misericórdia, Frades Menores Capuchinhos, Frades Menores Conventuais, Frades Menores Observantes, bem como seminaristas da Diocese de Luziânia e da Arquidiocese de Brasília, além das Irmãs do Puríssimo Coração de Maria. A presença dessas congregações e vocações foi essencial para enriquecer o encontro e proporcionar um testemunho vivo da diversidade e riqueza das vocações na Igreja.

     Esse encontro foi uma valiosa oportunidade de fraternidade e comunhão, especialmente entre os acólitos das paróquias da Província. Por volta das 17h, o evento foi encerrado, e os participantes retornaram às suas paróquias com o coração cheio de alegria e fé renovada.

     Toda a programação foi organizada pelo Serviço de Animação Vocacional (SAV) da Província, que se dedica a cultivar vocações e fortalecer a espiritualidade dos jovens. E você, jovem, já pensou em ser franciscano? Tire suas dúvidas entrando em contato com o SAV da Província e saiba mais sobre essa jornada de fé e serviço em nosso Instagram @savfranciscano.

     No dia 29 de setembro, a Igreja em todo o mundo celebra a Festa dos Santos Arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael. A Igreja Católica, guiada pelo Espírito Santo, herdou do Antigo Testamento, a devoção a esses amigos, protetores e intercessores que, do Céu, vêm em nosso socorro. Cada um deles aparece nas Escrituras com missões importantes dadas por Deus.

     São Miguel em hebreu significa “Quem como Deus” e é um dos principais anjos. Seu nome era o grito de guerra dos anjos bons na batalha combatida no céu contra o inimigo e seus seguidores. Ele é um dos sete espíritos assistentes ao Trono do Altíssimo, portanto, um dos grandes príncipes do Céu e ministro de Deus.  É chamado pelo profeta Daniel, no Antigo Testamento, de príncipe protetor dos judeus. No Novo Testamento, é citado na carta de São Judas e no Livro do Apocalipse. Aparece como protetor dos filhos de Deus e de Sua Igreja.

     São Gabriel significa “Fortaleza de Deus”. Teve a missão muito importante de anunciar a Nossa Senhora que seria a Mãe do Salvador. Segundo o profeta Daniel (IX, 21), foi Gabriel quem anunciou o tempo da vinda do Messias; quem apareceu a Zacarias “estando de pé à direita do altar do incenso” (Lucas 1, 10-19), para lhe dar a conhecer o futuro nascimento do Precursor; e, finalmente, o arcanjo como embaixador de Deus, foi enviado a Maria, em Nazaré para proclamar o mistério da Encarnação. É ele o portador de uma das orações mais populares e queridas do cristianismo, a Ave Maria.

     São Rafael quer dizer “Medicina de Deus” ou “Deus obrou a saúde”. É o arcanjo amigo dos caminhantes, médico dos doentes, auxílio dos perseguidos. No Livro de Tobias é narrado que quando Tobit, pai de Tobias e homem de grande caridade, passou pela provação da cegueira e de todos lhe questionarem a fé, juntamente quando Sara era atormentada por um demônio que matava seus maridos nas núpcias. Então, ambos rezaram a Deus e foram ouvidos; e foi Rafael que foi enviado para lhes prestar socorro. São Rafael tomou a forma humana, se fez chamar Azarías e acompanhou Tobias em sua viagem, ajudando-o em suas dificuldades, guiando-o por todo o caminho e auxiliando-o a encontrar uma esposa da mesma linhagem. Então, o Arcanjo explicou ao jovem Tobias que poderia casar-se com Sara sem perigo algum. E, por fim, ao retornarem, esclareceu como ele poderia curar o pai da cegueira. No livro de Tobias o próprio arcanjo se descreve como “um dos sete que estão na presença do Senhor”.

 

Oração dos Santos Arcanjos

Santos Arcanjos, socorrei-nos!

Ajudai-nos, ó grandes santos irmãos nossos, que sois servos, como nós, diante de Deus.

Defendei-nos de nós mesmos, da nossa covardia e tibieza, de nosso egoísmo e de nossa ambição, de nossa inveja e desconfiança, de nossa avidez em procurar a saciedade, a boa vida e a estima.

Desatai as algemas do pecado e do apego a tudo o que passa. Desvendai os nossos olhos que nós mesmos fechamos, para não precisarmos ver as necessidades de nosso próximo e poder, assim, ocupar-nos de nós mesmos numa tranquila autocomplacência.

Colocai em nosso coração o espinho da santa ansiedade de Deus, para que não deixemos de procurá-lo com ardor, contrição e amor.

Contemplai em nós o Sangue do Senhor, que Ele derramou por nossa causa.

Contemplai em nós as lágrimas de Vossa Rainha, que Ela derramou sobre nós.

Contemplai em nós, a pobre, desbotada, arruinada imagem de Deus, comparando-a com a imagem íntegra que deveríamos ser por Sua vontade e Seu amor.

Ajudai-nos a conhecer a Deus, a adorá-Lo, a amá-Lo e a servi-Lo. Ajudai-nos no combate contra os poderes das trevas que, traiçoeiramente, nos envolvem e nos afligem.

Ajudai-nos para que nenhum de nós se perca e, um dia, estejamos todos jubilosamente reunidos na eterna bem-aventurança. Amém.

 

São Miguel, assisti-nos com vossos Santos Anjos, ajudai-nos e rogai por nós.

São Rafael, assisti-nos com vossos Santos Anjos, ajudai-nos e rogai por nós.

São Gabriel, assisti-nos com vossos Santos Anjos, ajudai-nos e rogai por nós.

 

"Vem e segue-me" (Mt 19:21)

 

 

Jesus nos convidada todos os dias, cabe a cada um de nós discernir a nossa vocação na Vida Cristã. Compreender a sua missão requer escuta, atenção e reflexão. Os frades franciscanos da Província São Maximiliano Kolbe do Brasil buscam ajudar a você, jovem, a discernir a sua vocação.

 

Entre em contato com o Serviço de Animação Vocacional:

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Itinerário da Vida de São Maximiliano Kolbe

     São Maximiliano Kolbe, nascido Rajmund Kolbe em 8 de janeiro de 1894 em Zdunska Wola, na Polônia, é um dos santos mais reverenciados da Igreja Católica, conhecido por sua profunda devoção, coragem e sacrifício. Sua vida é um testemunho de fé inabalável e compromisso com o amor ao próximo.

     Desde jovem, Maximiliano mostrou um profundo desejo de servir a Deus e à Igreja. Entrou para o seminário franciscano em 1907, onde tomou o nome de Maximiliano. Sua formação inicial foi marcada por uma devoção intensa à Imaculada Conceição, que se tornaria o foco central de sua missão.

     Em 1912, Maximiliano foi enviado para Roma para continuar seus estudos e recebeu o doutorado em Filosofia e Teologia. Durante este período, ele fundou a Milícia da Imaculada, um movimento dedicado a promover a devoção à Virgem Maria e a evangelização do mundo.

     Após retornar à Polônia, Maximiliano fundou o "Niepokalanów" (Cidade da Imaculada), um grande centro de evangelização e formação religiosa. O "Niepokalanów" tornou-se um farol de fé e um modelo de vida cristã, com uma vasta obra de publicações e atividades missionárias.

     Com a invasão da Polônia pelos nazistas em 1939, Maximiliano e seus frades enfrentaram a perseguição e a opressão. A sua dedicação e coragem em enfrentar as adversidades foram notáveis. Em 1941, Maximiliano foi preso pelos nazistas e enviado para o campo de concentração de Auschwitz. Lá, ele continuou a viver sua fé com coragem e altruísmo, confortando e encorajando os companheiros prisioneiros.

     A história de seu sacrifício culminou em um ato de heroísmo singular. Quando um companheiro de cela foi selecionado para morrer de fome como punição, Maximiliano ofereceu-se para morrer em seu lugar. Ele foi executado por injeção letal em 14 de agosto de 1941.

     São Maximiliano Kolbe foi beatificado em 1971 e canonizado em 1982 pelo Papa João Paulo II, que o proclamou "mártir da caridade". Sua vida é celebrada por sua profunda devoção à Imaculada Conceição, seu trabalho incansável na evangelização e sua disposição de sacrificar sua vida por outro.

     Hoje, o legado de São Maximiliano Kolbe continua a inspirar milhões de pessoas ao redor do mundo, servindo como um exemplo de amor, coragem e fé inabalável.

     Zdunska Wola, na Polônia, é a cidade natal de Maximiliano Kolbe. Lá está a casa que ele morou com sua família, atualmente um museu, um dos locais mais visitados pelos turistas.

     O museu é feito de madeira, com fundação em tijolo e pedra. Sua construção data do século 19. Alguns objetos do museu são marcas da história de vida dos pais de Maximiliano: máquina de tear, rolos de linha e outros objetos de trabalho. Maximiliano vem de uma família de tecelões e a casa dele era um dos muitos locais de tecelagem espalhados pela cidade. O que seus pais produziam, era vendido a comerciantes judeus. Essa era a forma de sobrevivência da família Kolbe.

     Um quarto preservado no museu foi o local onde São Maximiliano nasceu e passou o início de sua vida. A cama é original e foi usada pela família, assim como o guarda roupa que também está exposto lá. Da infância do santo polonês, também foram preservadas algumas memórias. Em um expositor ficam os livros que Maximiliano usou na escola, um pequeno quadro negro e até mesmo um ábaco, instrumento muito usado antigamente como método de cálculo.

     Terços, crucifixos, roupas utilizadas por Maximiliano enquanto religioso estão no museu. Lembranças de uma vida marcada pela fé e pelo amor incondicional à Virgem Maria. Uma imagem da santa também está exposta, representando a espiritualidade do santo. A devoção dele começou ainda criança, em um sonho que teve com Nossa Senhora.

     Para difundir a devoção a ela, Maximiliano criou a revista Cavaleiro da Imaculada. Na época, escrita ainda em máquina de datilografia. No museu está exposta uma capa de 1922 e o conteúdo era sobre a Virgem Maria, sua importância e seus ensinamentos.

     “São Maximiliano Maria Kolbe começou a publicar a revista em janeiro de 1922, na Cracóvia. Ele não tinha dinheiro para pagar os cinco mil exemplares dessa circulação, por isso rezou fervorosamente pedindo a intercessão da Mãe de Deus. Um dia, na oração da manhã, ele encontrou um pacote com o suficiente para pagar aquela circulação de cópias. O “Cavaleiro da Imaculada” é um periódico católico publicado hoje pelos Franciscanos Conventuais em todo o mundo e quase em todas as línguas. Esta revista foi extremamente popular antes da Segunda Guerra Mundial. O número recorde de uma edição do “Cavaleiro da Imaculada” foi de um milhão de cópias”, disse a responsável pelo museu Marta Cieslak.

     Em um cantinho do museu estão algumas fotos de quando Maximiliano esteve no Japão. Em 1930, ele desembarcou na cidade de Nagasaki e tinha a evangelização como missão. Lá, ele conseguiu imprimir o Cavaleiro da Imaculada em japonês e também fundou o Jardim da Imaculada. O convento seguia a mesma linha de Niepokalanow, fundado na Polônia. O museu também traz várias lembranças de Maximiliano enquanto prisioneiro dos campos de concentração de Auschwitz, onde morreu depois de dar sua vida pra salvar um pai de família.

     No último sábado (17), A Paróquia Imaculada Conceição de Novo Gama, na pessoa do Frei Marcos Pereira (OFMConv), celebrou os 50 anos da Província São Maximiliano juntamente aos 45 anos da Paróquia. Na oportunidade, o Ministro Provincial, Frei Gilberto de Jesus (OFMConv) foi convidado para celebrar a Santa Missa na Véspera da Assunção de Nossa Senhora. Também estiveram presentes Frei Francisco Bezerra (OFMConv) e Frei Jailson Cordeiro (OFMConv) que concelebraram e o Frei Luís Ventura (OFMConv) que se encarregou da música.

     Após a Santa Missa houve a bênção do auditório, que agora recebe nome do Frei Francisco Kramek (OFMConv) e, posteriormente, aconteceu a exposição da história, sendo finalizada com a presença dos paroquianos e as festividades de aniversário da Paróquia e Província.

Frei Antonio Maria, OFMConv.

“Entre os diversos benefícios que temos recebido e ainda diariamente recebemos da generosidade do Pai de toda misericórdia e que devemos agradecer a ele, o Glorioso, o maior é a nossa vocação” (Santa Clara).

     Iniciar o mês vocacional deste ano de 2024 para nossa Província São Maximiliano tem um sabor novo, pois neste ano celebramos 50 anos de história missionária em território brasileiro. A chegada de Dom Frei Agostinho em 1974 é o nosso marco. A vocação franciscana da nossa Província é ‘por natureza missionária’. Os primeiros passos de caminhada franciscana conventual, desta nossa Missão, deixam evidentes as intenções de propagar o Reino de Deus por meio de um carisma todo próprio. Não podemos deixar de olhar o vigor e força evangélica das nossas origens. Nasce do desejo de São Maximiliano de alcançar o mundo inteiro para Cristo, pela Imaculada. Ganha lugar no coração dos frades. Recebe eco na decisão concreta desses homens de assumir o desígnio de Deus e ‘avançar para águas mais profundas’(Lc 5, 4).

     Desta maneira não podemos deixar de vislumbrar o nosso ‘ponto de partida’, o qual tem por princípio a missionariedade. Vocação franciscana, eis o nosso modo de seguir a Jesus Cristo. Essa clareza precisa ser evidenciada sempre e novamente, em um mundo regado de grandes desafios para a experiência cristã, pois ser franciscano em nossos tempos se tornou bastante exigente. Justamente porque o testemunho de fraternidade que precisamos oferecer ao mundo é a necessidade urgente deste mundo. Uma experiência de relações verdadeiras e saudáveis que visem o bem e o cuidado do outro sem interesses mesquinhos e egoístas. Uma vivência autêntica do doar a vida, até por que “não há maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos amigos” (Jo 15,13).

     É bem verdade que essa experiência concreta de fraternidade tem lugar privilegiado em nosso modo de vida, isso é indubitável. E sempre foi percebido em meio aos tantos conventos e casas de nossa província. Mas algo me salta aos olhos desde muito cedo. Sim, a missionariedade. A questão da saída. O salto para o desejo mais intimo de Deus: alcançar a todos. Esse movimento de saída, como falamos, nasce com a experiência provincial, faz parte de nós frades desta província, revela muito a nosso respeito. Desta maneira podemos dizer que nossa vocação Francisca só ganha sentido de completude quando nos descobrimos missionários.

     E o missionário não anuncia a si mesmo. É portador de uma mensagem. Nossa mensagem é Cristo. Não podemos subverter o conteúdo próprio do nosso anúncio. É necessário fidelidade. Seja em nossas paróquias, casas de formação, colégios, serviços externos a província, não nos cabe imprimir o nosso carisma privado ou mesmo nossa espiritualidade de devoção íntima. O que precisamos fazer é permitir que ‘Cristo se forme em nós’(Gl 4, 19). Dessa maneira Cristo será percebido e lembrado, não o frade que por lá passou. Somos instrumentos da graça de Deus na vida do mundo, “fizemos o que tínhamos de fazer, somos servos inúteis” (Lc 17, 10).

     Precisamos considerar a nossa vocação, irmãos! Não podemos fugir deste mistério lindo e profundo que nos alcançou e transformou nossas vidas. O mistério de Jesus Cristo e este pobre, humilde e crucificado. Eis o epicentro da espiritualidade franciscana, essa experiência profunda com o Cristo pobre, humilde e crucificado. Experiência esta que nos leva ao profundo encontro com o outro. Primeiramente o Outro, que é Cristo. E ao mesmo tempo o outro que é o irmão. A realidade da fraternidade faz com que cada frade assuma essa experiência com Cristo com um dom. O irmão é um verdadeiro dom de Deus.

     É dentro desse modo de ser chamado espiritualidade franciscana que nos encontramos como vocacionados. E este é o nosso maior bem, a nossa vocação a vida religiosa consagrada franciscana.

     No dia 14 de agosto, a Igreja celebra a Festa de São Maximiliano Maria Kolbe, o mártir da caridade. Fundador do apostolado que mais tarde viria a ser chamado de Milícia da Imaculada (MI), o santo queria conquistar o mundo para Cristo pela Imaculada. Ao chegarem ao Brasil, os primeiros missionários da futura Província São Maximiliano Kolbe, buscando continuar a obra Kolbiana, fundaram então na década de 1970 o Convento e Santuário Jardim da Imaculada, na Cidade Ocidental (GO).

     Para festejar o padroeiro da Província e do Santuário, foi celebrada a Santa Missa solene e, como já é uma tradição aos frades e formandos da região de Brasília e entorno, anualmente nesta data, todos se reúnem no Jardim da Imaculada para celebrar a Festa Kolbiana e refletirem sobre a obra e os ensinamentos do Santo.

“A Imaculada suscitou em nossos corações o amor a Ela mesma, um amor tal que nos impulsionou a nos consagrar totalmente a sua causa”[1]

 

 

  1. SÃO MAXIMILIANO: EXEMPLO DE SANTIDADE

O período festivo vivido por ocasião da Solenidade de São Maximiliano M. Kolbe irradia não só sobre os devotos, mas sobre a Igreja, uma congratulação enorme, impactando sua dimensão vocacional nas diversas instâncias, incentivando o devoto e o fiel ao amor a Deus e à Imaculada. Somos por excelência devotos deste grandioso santo. A sua vida e o seu testemunho de santidade orientam a nossa jurisdição, como nosso padroeiro.

Por ocasião da canonização de São Maximiliano na Praça São Pedro, em 1982, o Papa João Paulo II, em sua homilia, reconhecia nele a luta pela vida, ao dizer: “Padre Maximiliano Kolbe, sendo também ele um prisioneiro do campo de concentração, reivindicou, em lugar da morte, o direito à vida de um homem inocente, um dos quatro milhões[2], destacando a postura evangélica de doação seguindo os passos de Jesus, que diz: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos[3].

Assim como Cristo venceu a cruz, e sua morte concedeu aos remidos a graça divina, assim a morte de São Maximiliano M. Kolbe, sofrida em razão da estrutura do ódio vigente, foi um sinal de vitória para nós religiosos, como afirma o Papa João Paulo II: “a morte de Maximiliano Kolbe se tornou um sinal de vitória. Foi esta a vitória alcançada sobre o inteiro sistema do desprezo e do ódio... vitória semelhante àquela obtida por Nosso Senhor Jesus Cristo no Calvário.[4].

A profunda e riquíssima devoção de São Maximiliano à Virgem Santíssima tornou-se fundamento para o seu processo vocacional, desde a sua origem com a aparição da Virgem Santíssima oferecendo as coroas branca e vermelha. Também possibilitou o seu processo formativo na vida religiosa, desde os desafios vocacionais, as tentações, as enfermidades, viabilizando sua vida ministerial como membro da Milícia da Imaculada, enfrentando as afrontosas manifestações contrárias ao Santo Padre, que deram origem à Milícia da Imaculada, em 1917.

São Maximiliano M. Kolbe, , ensina-nos com seu imenso testemunho a combater o ateísmo, o anticlericalismo, etc. Mas o faz em uma postura pacífica, propagando a evangelização, tendo a Virgem Santíssima como exemplo, semelhante à narração da Visitação no Evangelho de São Lucas, quando Nossa Senhora tocou o coração de sua prima Santa Isabel com o cumprimento e palavra “Maria saudou a prima, o menino de Isabel saltou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo[5].

Como consagrados à Imaculada, neste tempo de Solenidade, aprendemos com o nosso padroeiro a nos formar, tornando-nos instrumentos de evangelização de almas, constituindo em nossos apostolados o seu grande ideal de conquistar o mundo inteiro para Cristo pela Imaculada, “porque a coisa mais importante é que todos pertençam a Imaculada[6]. Este grandioso exemplo de São Maximiliano M. Kolbe inspira-nos a guardar com fidelidade a devoção à Virgem Santíssima e nos estimula a viver os princípios kolbianos. Que reconhecendo o valor da Virgem Santíssima mantenhamos a nossa inspiração vocacional, a maturidade da fé, a dedicação ao apostolado, como afirma a Exortação Apostólica Vita Consecrata: “os Institutos de vida consagrada, existe a convicção de que a presença de Maria tem uma importância fundamental, quer para a vida espiritual de cada uma das almas consagradas[7].

 

2.2 O AMOR À VIRGEM MARIA E À HERANÇA KOLBIANA

Somos inspirados pela excelência do testemunho de São Maximiliano M. Kolbe, nosso padroeiro, que viveu com intensidade o Mistério da Salvação oferecendo-se plenamente, imitando o sacrifício de Cristo: “Padre Maximiliano Kolbe eleva o seu ‘cálice da salvação’, no qual está contido o sacrifício de toda a sua vida, ratificada com a morte de mártir ‘por um irmão’"[8]. Sua profunda comunhão com a Virgem Santíssima foi fundamental para a realização da vontade de Deus, desde a sua juventude, perfazendo a vontade de Deus, amparado pela graça divina, pela intercessão de Nossa Senhora: “as obras de toda a vida do Padre Maximiliano indicam que ele entendia a sua colaboração com a Graça divina como uma milícia sob o sinal da Imaculada Conceição[9]. Desta inspiração originaram-se as suas obras, os seus escritos, os seus testemunhos e o seu apostolado, os quais compõem a herança kolbiana.

Portanto, o amor à Imaculada e à herança kolbiana foi e continua a ser a coluna dorsal do crescimento e do desenvolvimento de nosso, pois possibilita viver a vida devocional aos moldes da Igreja, amando a Milícia da Imaculada e vivendo a doçura devocional à Virgem Santíssima. A nossa jurisdição experimenta os valores cristãos na vida fraterna, na vida de comunidade, na convivência com os irmãos, atuando impetuosamente diante do povo de Deus, incorporando os valores da fé aos moldes da Virgem Santíssima. 

 

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Frei Gilberto de Jesus Rodrigues

Ministro Provincial

 

 

[1] Escritos de São Maximiliano, Ek 908.

[2] PAPA JOÃO PAULO II, Homilia – Canonização de São Maximiliano M. Kolbe, N.02; 10 de outubro de 1982.

[3] Evangelho de São João 15, 13.

[4]  Evangelho São João 15, 13.

[5]  Evangelho de São Lucas 1, 39.

[6] EK 466. op, cit., p. 689.

[7] EXORTAÇÃO APOSTÓLICA VITA CONSECRATA; JOÃO PAULO II; N.28; 1996.

[8] PAPA JOÃO PAULO II, Homilia – Canonização de São Maximiliano M. Kolbe, N.04; 10 de outubro de 1982

[9] PAPA JOÃO PAULO II, Homilia – Canonização de São Maximiliano M. Kolbe” N.05; 10 de outubro de 1982

Conheça Santa Clara

     Clara nasceu em Assis, no ano 1193, no seio de uma família da nobreza italiana, muito rica, onde possuía de tudo. Porém o que a menina mais queria era seguir os ensinamentos de Francisco de Assis. Aliás, foi Clara a primeira mulher da Igreja a entusiasmar-se com o ideal franciscano. Sua família, entretanto, era contrária à sua resolução de seguir a vida religiosa, mas nada a demoveu do seu propósito.

     No dia 18 de março de 1212, aos dezenove anos de idade, fugiu de casa e, humilde, apresentou-se na igreja de Santa Maria dos Anjos, onde era aguardada por Francisco e seus frades. Ele, então, cortou-lhe o cabelo, pediu que vestisse um modesto hábito de lã e pronunciasse os votos perpétuos de pobreza, castidade e obediência.

     Depois disso, Clara, a conselho de Francisco, ingressou no Mosteiro beneditino de São Paulo das Abadessas, para ir se familiarizando com a vida em comum. Pouco depois foi para a Ermida de Santo Ângelo de Panço, onde Inês, sua irmã de sangue, juntou-se a ela.

     Pouco tempo depois, Francisco levou-as para o humilde Convento de São Damião, destinado à Ordem Segunda Franciscana, das monjas. Em agosto, quando ingressou Pacífica de Guelfúcio, Francisco deu às irmãs sua primeira forma de vida religiosa. Elas, primeiramente, foram chamadas de "Damianitas", depois, como Clara escolheu, de "Damas Pobres", e finalmente, como sempre serão chamadas, de "Clarissas".

     Em 1216, sempre orientada por Francisco, Clara aceitou para a sua Ordem as regras beneditinas e o título de abadessa. Mas conseguiu o "privilégio da pobreza" do papa Inocêncio III, mantendo, assim, o carisma franciscano. O testemunho de fé de Clara foi tão grande que sua mãe, Ortolana, e mais uma de suas irmãs, Beatriz, abandonaram seus ricos palácios e foram viver ao seu lado, ingressando também na nova Ordem fundada por ela.

     A partir de 1224, Clara adoeceu e, aos poucos, foi definhando. Em 1226, Francisco de Assis morreu e Clara teve visões projetadas na parede da sua pequena cela. Lá, via Francisco e os ritos das solenidades do seu funeral que estavam acontecendo na igreja. Anteriormente, tivera esse mesmo tipo de visão numa noite de Natal, quando viu, projetado, o presépio e pôde assistir ao santo ofício que se desenvolvia na igreja de Santa Maria dos Anjos. Por essas visões, que pareciam filmes projetados numa tela, santa Clara é considerada Padroeira da Televisão e de todos os seus profissionais.

     Depois da morte de são Francisco, Clara viveu mais vinte e sete anos, dando continuidade à obra que aprendera e iniciara com ele. Outro feito de Clara ocorreu em 1240, quando, portando nas mãos o Santíssimo Sacramento, defendeu a cidade de Assis do ataque do exercito dos turcos muçulmanos.

     No dia 11 de agosto de 1253, algumas horas antes de morrer, Clara recebeu das mãos de um enviado do papa Inocêncio IV a aguardada bula de aprovação canônica, deixando, assim, as sua "irmãs clarissas" asseguradas. Dois anos após sua morte, o papa Alexandre IV proclamou santa Clara de Assis. (Fonte: Site Paulinas)

 

Padroeira da Televisão

     Era a noite de Natal, quando todas as Irmãs foram para a Capela do Mosteiro, a fim de rezar a oração das Matinas. Por isso, Santa Clara permaneceu sozinha, no seu leito, já que se encontrava doente nesta ocasião e não podia acompanhar a Comunidade até a Capela.

     Por isso, Clara começou a meditar e a falar com Jesus, visto que sofria por não ter podido participar dos louvores divinos: – “Senhor meu Deus, deixaram-me aqui sozinha”. Então, eis que de repente, começou ressoar em seus ouvidos o maravilhoso conserto que estava acontecendo na igreja de São Francisco. Clara escutava com muita alegria os irmãos, os frades, salmodiando o Ofício Divino, inclusive ouvindo até o som dos instrumentos musicais. Se não fosse por uma intervenção divina, seria impossível que Santa Clara pudesse ouvir tais sons, pois o lugar não era tão próximo assim do Mosteiro. Tal prodígio só era possível se a solenidade tivesse sido amplificada de forma divina ou se o ouvido da santa tivesse sido reforçado na sua audição de um modo sobre-humano. Ainda mais fenomenal foi o fato de Santa Clara, além de ouvir, ver o próprio presépio do Senhor e assistir à Santa Missa meia-noite, que se seguiu após o canto dos salmos.

     Quando as Irmãs foram ver Santa Clara de manhã no seu leito, ela lhes falou: – “Bendito seja o Senhor Jesus Cristo, que não me deixou aqui abandonada, sozinha, quando vocês me abandonaram. Escutei, por graça do Senhor, toda a solenidade celebrada esta noite na igreja de São Francisco e lá estive presente, recebendo até a santa comunhão. Agradecei comigo a Nosso Senhor Jesus Cristo, por tal graça a mim concedida”.

     Por causa deste fato extraordinário, o Papa Pio XII declarou Santa Clara padroeira da televisão em 1958. (Fonte: Canção Nova)

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