Como ser Franciscano?

Província

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A Província São Maximiliano M.Kolbe celebrou no dia 02 de agosto de 2023 a festa de Nossa Senhora dos Anjos. A celebração foi realizada na Casa de Formação de Nossa Senhora dos Anjos, em Santa Maria DF. Estiverem presentes frades da Província, o Ministro Provincial fr.Gilberto, os formandos do Postulantado, o Pré-noviciado, os  frades professos e as pessoas da comunidade.

A festa do Perdão de Assis- As indulgências plenárias

Está festa celebra no dia 02 de agosto, a Festa do Perdão de Assis, Santa Maria dos Anjos da Porciúncula, segundo testemunhou Bartolomeu de Pisa, a origem da Indulgência da Porciúncula se deu assim: “Em uma noite linda , do ano do Senhor de 1216, Francisco estava intimamente compenetrado na oração e na contemplação estava mesmo ali na pequena ermida dedicada a Virgem Mãe de Deus, conhecida como igrejinha da Porciúncula, localizada em uma planície do Vale de Espoleto, perto de Assis, quando, de repente, a igrejinha ficou tomada de uma luz vivíssima jamais vista antes, e Francisco viu sobre o altar o Cristo e à sua direita a sua Mãe Santíssima, acompanhados de uma multidão de anjos. Francisco ficou em silêncio e começou a adorar o seu Senhor. Perguntaram-lhe, então, o que ele desejava para a salvação das almas. Francisco tomado pela graça de Deus que ama incondicionalmente, responde: “Santíssimo Pai, mesmo que eu seja um mísero, o pior dos pecadores, te peço, que, a todos quantos arrependidos e confessados, virão visitar esta Igreja, lhes conceda amplo e generoso perdão, com uma completa remissão de todas as culpas”.

O Senhor lhe disse: “Ó Irmão Francisco, aquilo que pedes é grande, de coisas maiores és digno e coisas maiores tereis: acolho, portanto, o teu pedido, mas com a condição de que tu peças esta indulgência, da parte minha, ao meu Vigário na terra (Papa)”. E não tardou muito, Francisco se apresentou ao Papa Honório III que, naqueles dias encontrava-se em Perugia e com candura lhe narrou a visão que teve. O Papa o escutou com atenção e, depois de alguns esclarecimentos, deu a sua aprovação e perguntou: “Por quanto anos queres esta indulgência”? Francisco, respondeu-lhe: “Pai santo, não peço por anos, mas por almas”. E feliz, se dirigiu à porta, mas o Pontífice o reconvocou: “Francisco, não queres nenhum documento”? E Francisco respondeu-lhe: “Santo Pai, de Deus, Ele cuidará de manifestar a obra sua; eu não tenho necessidade de algum documento. Esta carta deve ser a Santíssima Virgem Maria, Cristo o Escrivão e os Anjos as testemunhas”. E poucos dias mais tarde, junto aos Bispos da Úmbria, ao povo reunido na Porciúncula, Francisco anunciou a indulgência plenária e disse entre lágrimas: “Irmãos meus, quero mandar-vos todos ao paraíso!”

 

 

           A "Delegação Provincial Santo Antônio de Pádua" foi aprovada como Jurisdição no Capítulo Extraordinário de 2021, realizado pela Província de São Maximiliano M. Kolbe. Essa Jurisdição da Província, Delegação, mantém três presenças no Nordeste do país, que são: o Convento de João Pessoa (PB), com quatro frades; O Convento de Feira de Santana (BA), com quatro frades e o Convento de Candeias (BA), com quatros frades. Dentre nossas presenças no Nordeste, há um total de doze Frades Franciscanos Conventuais nesses três conventos.

           Mesmo tendo sido aprovado no Capítulo Extraordinário, ainda era necessária a aprovação da Cúria Geral em Roma e isso aconteceu em dezembro de 2021. E a sua ereção como Delegação Provincial de Santo Antônio de Pádua foi celebrada no dia 20 de janeiro de 2022, tendo como sede João Pessoa (PB) e sendo escolhido como delegado o frei José Lanoil dos Santos.

           Ao fim da segunda fase do Capítulo Ordinário de 2023, o frei José de Arimatéia (OFMConv) assumiu a missão de ser delegado da Delegação Provincial Santo Antônio de Pádua. Ele assumiu o compromisso de manter a Delegação do Nordeste, visando  promover a vida fraterna dos três conventos que, a saber, têm a seguinte composição: Convento Nossa Senhora das Candeias, em Candeias (BA) que conta com a presença do Frei Thiago Costa Noronha (OFMConv), Frei Evilásio Andrade da Silva (OFMConv),  Frei Israel Fernando da Silva (OFMConv), Frei Enivaldo do Carmo (OFMConv); Convento São José de Copertino, em Feira de Santana (BA) que conta com a presença do Frei Jailton Docílio (OFMConv), frei James Fernandes (OFMConv), Frei Luis Carlos do Nascimento (OFMConv) e Frei Alex Nuno de Jesus (OFMConv) e, por fim, Convento Nossa Senhora Aparecida, em João Pessoa (PB) que conta com o trabalho do Frei Regildo Piedade de Almeida (OFMConv), Frei José de Arimatéia Autran Feitoza (OFMConv), Frei Vogran Leluia (OFMConv) e Frei Herton Alcântara dos Santos (OFMConv). Desejamos que Delegação do Nordeste possa crescer sempre conforme o desígnio de Deus.

Segunda, 17 Junho 2024 14:40

50 anos da Província no Amazonas

"O horizonte que se aproxima é por demais maravilhoso" (Frei Agostinho).

     Em celebração dos 50 anos da Província, os frades que trabalham no Amazonas e realizaram um dia celebrativo.
     Os frades da Paróquia Nossa Senhora das Mercês, com os coordenadores, agentes pastorais e movimentos da Área Missionária Nossa Senhora Aparecida (Cacau Pirera), Área Missionária São Maximiliano Maria Kolbe (Comunidades Sagrado Coração de Jesus e Santa Edwiges) e Paróquia Nossa Senhora das Mercês, com os freis: frei Bernardo Delegado da Missão no Amazonas, Frei Rômulo Albuquerque (OFMConv), Frei. Francisco (OFMConv), Frei Diogo (OFMConv), Frei Décio OFMConv, Frei Marcos (OFMConv), Frei Gederson (OFMConv), Frei Geraldo Leite (OFMConv), frei Mário (OFMConv), Frei Paulo (OFMConv) organizaram um evento que aconteceu no sábado, 15 de junho, celebrando o Jubileu de Ouro dos 50 anos da Província São Maximiliano Maria Kolbe.

     A celebração da Santa Missa foi presidida pelo Bispo Auxiliar de Manaus, Dom Tadeu Canavarros. Em sua homilia, Dom Tadeu destacou: "Perder tudo, para ganhar tudo... E nós hoje celebramos está ação de graças neste Jubileu podemos render graças a Deus exatamente por crescermos na fé e esta fé que nos é comunicada que é partilhada e que nos ressalta na vida exatamente por este ideal... o ideal da Imaculada, o ideal realmente de sermos conquistados cada vez mais por Cristo Jesus".

     Nascido em 1195 na cidade de Lisboa, em Portugal, Santo Antônio de Pádua (ou de Lisboa) é um dos santos mais conhecidos da Igreja. Filho de Martinho de Bulhões e Teresa Taveira, ambos de famílias ricas e muito religiosas, Antônio recebeu, ainda na pia batismal, o nome de Fernando. Aos 15 anos, se dirigiu ao Convento dos cônegos de Santo Agostinho, nas proximidades de Lisboa. Ficou por lá dois anos e alguns meses e, como recebia muitas visitas de parentes, resolveu então pedir a transferência para o mosteiro de Santa Cruz, de Coimbra. Com isso entrou em contato com frades franciscanos, hóspedes neste convento. Estes frades acabaram sendo martirizados em Marrocos e seus restos mortais vieram para Coimbra, onde então morava o Rei de Portugal.

     Fernando pôde assim contemplar os corpos daqueles mártires e isto o tocou de tal forma, que decidiu se tornar franciscano. Foi para o Convento de Olivais e lá adotou o nome de Antônio. Seu desejo era pregar o Evangelho em terra de missões. Após o curto noviciado, foi para Marrocos, onde acabou adoecendo e, resignado, teve que voltar para Portugal. Em 1221, se daria o Capítulo da Ordem Franciscana. Na assembleia, compareceram cerca de três mil frades e foi lá que Antônio esteve pela primeira vez com São Francisco, em Assis. Ainda mal conhecido dos franciscanos foi trabalhar num pequeno eremitério em Portugal. Nele permaneceu numa vida de oração por nove meses. Houve, na cidade de Forli, ordenações sacerdotais e pediram a Antônio para fazer o sermão de improviso. Todos ficaram deslumbrados. Era o início de sua missão de pregador no sul da França e na Itália.

     Até hoje seus sermões são lidos e estudados. Foi em Montpellier que se deu o fato que fez de Santo Antônio ser invocado como o protetor das causas perdidas: um noviço que resolvera sair da Ordem Franciscana levou consigo o livro de salmos com comentários escritos por Antônio. Este noviço acabou sendo roubado e passou então a orar para que o ladrão lhe devolvesse o livro. Arrependido, o ladrão voltou e devolveu o livro. A partir daí, Antônio começou a ter na França a fama de taumaturgo, martelo dos hereges, terror dos demônios, trombeta do Evangelho.

     Só uma alma que reza pode realizar progressos na vida espiritual: este foi o objeto privilegiado da pregação de Santo Antônio. Ele conhecia bem os defeitos da natureza humana, a tendência a cair no pecado; por isso, exortava continuamente a combater a inclinação à cobiça, ao orgulho, à impureza e incentivava a praticar as virtudes da pobreza e da generosidade, da humildade e da obediência, da castidade e da pureza. No começo do século XIII, no contexto do renascimento das cidades e do florescimento do comércio, crescia o número de pessoas insensíveis às necessidades dos pobres. Por este motivo, Antônio convidou os fiéis muitas vezes a pensar na verdadeira riqueza, a do coração, que, tornando-os bons e misericordiosos, leva-os a acumular tesouros para o céu. “Ó ricos – exorta – tornai-vos amigos (…); os pobres, acolhei-os em vossas casas: serão depois eles que os acolherão nos eternos tabernáculos, onde está a beleza da paz, a confiança da segurança e a opulenta quietude da saciedade eterna” (Ibid.).

     Veio trabalhar na Itália, pregando por toda a parte. Em 1227, se deteve pela primeira vez em Pádua, cidade à qual ficaria indelevelmente ligado e onde, após mais quatro anos de incansáveis pregações em terras italianas, viria a ser enterrado, tendo morrido a 13 de junho. Tão grande era a fama de seus prodígios que, onze meses depois de sua morte, foi canonizado pelo papa Gregório IX.

     Em 1263, quando seu corpo foi exumado, sua língua estava intacta e, até hoje, numa redoma é venerada por paduenses e milhares de outros peregrinos vindo de diferentes lugares do mundo. A fama de casamenteiro veio após uma jovem, à sua intercessão, ter conseguido um ótimo casamento. Em 1946, o papa Pio XII proclamou Santo Antônio, Confessor e Doutor da Igreja. Os devotos deste santo devem imitar sua fé, sua piedade, sua humildade, sua dileção aos pobres e seu imenso amor à evangelização. Grande a devoção de Santo Antônio a Jesus Infante e cumpre repetir sempre: Menino Jesus por nós encarnado, livrai-nos da mancha de todo pecado. Como Santo Antônio foi sepultado numa terça-feira este dia da semana lhe é consagrado. Uma senhora de Toulon na França, por ter alcançado uma grande graça por intercessão de Santo Antônio, resolveu distribuir pães aos pobres em sua homenagem, daí surgiu a benção do pão de Santo Antônio, lembrando a caridade que se deve ter para com os mais necessitados. Este pão tem restituído a saúde a muitos doentes. Santo, realmente, extraordinário que merece todos os louvores. Que ele leve sempre seus devotos a um grande amor a Jesus, nosso único Salvador!

 

Santo Antônio e o Franciscanismo

     Santo Antônio contribuiu de maneira significativa para o desenvolvimento da espiritualidade franciscana, com seus fortes traços de inteligência, equilíbrio, zelo apostólico e, principalmente, fervor místico. Antônio, na escola de Francisco, sempre coloca Cristo no centro da vida e do pensamento, da ação e da pregação. Este é outro traço típico da teologia franciscana: o cristocentrismo. Alegremente, ela contempla e convida a contemplar os mistérios da humanidade do Senhor, particularmente o do Natal, que suscitam sentimentos de amor e gratidão pela bondade divina.

 

Abaixo, Frei Miecislau Tlaga nos traz alguns dados históricos sobre a nossa província São Maximiliano Maria Kolbe desde sua fundação.

     Com imensa gratidão e alegria, revisitamos os momentos marcantes que compuseram as celebrações do 21º aniversário da nossa querida Província São Maximiliano Maria Kolbe. Em um tríduo eucarístico repleto de oração, reflexão e união fraterna, honramos nossa trajetória e renovamos nosso compromisso com a missão que nos foi confiada.

     Iniciando com reverência na quarta-feira, 29 de maio, no Santuário Jardim da Imaculada, a Santa Missa foi um convite à contemplação, seguida por um tocante período de Exposição ao Santíssimo Sacramento. Nesse momento íntimo, fortalecemos nossa conexão com Cristo e renovamos nossas promessas de serviço.

     No dia seguinte, quinta-feira, 30 de maio, celebramos Corpus Christi com fervor e devoção. As Santas Missas da manhã e da noite, junto ao encerramento solene da adoração ao Santíssimo Sacramento, reafirmaram nossa fé na presença viva de Cristo na Eucaristia, nutrindo nossas almas para a jornada à frente.

     Na sexta-feira, 31 de maio, aniversário oficial da Província. Sob o teto da Capela do Santuário, uma conferência sobre nossa história nos levou por uma jornada de memórias e realizações, culminando na Missa Solene. Nesse momento de profunda gratidão, celebramos os 21 anos de nossa Ereção Canônica, reconhecendo a mão providencial de Deus em nossa caminhada.

     Em cada celebração, refletimos sobre as lutas superadas e as vitórias conquistadas ao longo dos anos, sempre guiados pela fé inabalável em Deus e pelo exemplo de São Maximiliano Maria Kolbe. Das humildes origens às atuais realizações, nossa Província é um testemunho vivo da graça divina e da intercessão maternal da Virgem Imaculada.

     Enquanto olhamos para o futuro com esperança renovada, comprometemo-nos a continuar sendo fiéis instrumentos do amor de Deus e a seguir os passos do nosso santo padroeiro. Que cada frade possa, com sua vida consagrada e serviço abnegado, contribuir para a construção de uma Província cada vez mais santa e fraterna.

     Agradecemos a todos que se uniram a nós nesses dias de celebração e oração.

  1. A Missão Kolbe

A província-mãe na Polônia – Imaculada Mãe de Deus em Varsóvia – em agradecimento a Deus pela graça da beatificação do seu confrade Maximiliano Maria Kolbe decidiu em 1971 fundar uma missão própria da província. Como o lema central do B. Maximiliano era “Conquistar o mundo inteiro para Cristo, pela Imaculada” ele se dirigiu em 1930 para Ásia: China, Índia, Japão aonde havia o maior conglomerado de pessoas aguardando a evangelização. “Imaculada, eis o nosso Ideal!” porque Ela que leva o Cristo para todos. Só realizando este “Ideal” apresentado pelo próprio MB. Maximiliano a Província podia atender e corresponder com o mais íntimo desejo do seu grande Missionário.

Quando o governo comunista a partir dos ano1965 concedeu a licença – abrindo a fronteira do bloco comunista - a alguns frades saírem para ajudar na pastoral das paróquias polonesas no Canadá, Estados Unidos e na Europa. Assim também liberou alguns frades missionários para partirem para a missão na África em Zambia dirigida pelos frades italianos ou americanos.

São Maximiliano foi beatificado aos 17 de outubro de 1971 e a beatificação deste frade franciscano conventual impulsionou o Ministro Geral da Ordem, o frei Antônio Vitale Bommarco, eleito em 20 de maio de 1972 no Capítulo Geral. Deve reconhecer que foi ele mesmo como o Ministro Geral dos Franciscanos Conventuais que abriu amplo caminho e deu incentivo para as missões dos Conventuais na África e América Latina, uma vez que o Beato Maximiliano M. Kolbe escreveu tantas vezes que quis expandir a Ordem pelo mundo afora. O Brasil como pais no qual se deve abrir o Niepokalanów/Jardim da Imaculada foi mencionado pelo Maximiliano algumas vezes nas cartas do Japão. Por isso aconteceu e Jardim da Imaculada nele brotou a numerosa Província do B. Maximiliano M. Kolbe.

Oportunidade foi a beatificação do “conquistador do mundo inteiro para Cristo pela Imculada”. Os frades mais corajosos da Província do B. Maximiliano e do seu maior convento Niepokalanów já se dispunham para ir às missões e continuar a obra do Beato.

Houve convites insistentes para ir para a África-Central. O ministro provincial Mario Paczóski estava animando e juntando a equipe dos frades para criar a missão dirigida pela Província. No ano seguinte da beatificação se formou no convento de Poznań o grupo do frades missionários: Agostinho Januszewicz, Eusébio Wargulewski, Francisco Kramek, Marcos Ignaszewski e Ir. Edmundo Grabowiecki.

 O bispo de Ruanda visitou Niepokalanów e o convento em Varsóvia e fez proposta-convite para os para os confrades do B. Maximiliano trabalharem na diocese dele. O convite foi aceito pelo ministro provincial e o definitório da província. Começaram preparativos. Lembro que o fr. provincial Mário visitando os confrades em Kwidzyn também fez esta proposta para fr. Miecislau, sacerdote de poucos meses. Foram todos convocados para o curso realizado pelo governo polonês para serem instruidos sobre o que ia espera-los no campo missionário de Zambia e nas realidades da África. O curso ocorreu em maio/junho 1973. Todos participaram, pois era como pré-requisito para obter o passaporte. Lembro que o ministro provincial pedia levar pertences à casa da mãe ao sair do convento de Kwidzyn . Já era certo que grupo dos frades missionários iria partir para missões em Ruanda dentro de poucos mêses.

No mês de férias em julho/agosto (1973) visitando o convento em Varsóvia o ministro provincial frei Mário Paczóski me chamou e disse que o projeto missionário da província em Ruanda foi cancelado. Causa (?). Os Palotinos estavam enviando para a mesma diocese uns 20 sacerdotes. Na margem faz bem mencionar que o bispo de Ruanda também visitou o seminário e os padres palotinos em Ożarów e Poznań. Com certeza apresentou um convite parecido também para eles.

O grupo missionário que se preparava para Ruanda também mudou rumo. Fr. Miecislau foi enviado para fazer mestrado e licenciado na Universidade Católica em Lublin a partir do mês de outubro/1973. O projeto das missões continuou: “vamos procurar a nossa missão e expandir os ideais do Beato Maximiliano”. O frei Agostinho junto com o provincial focaram o Brasil, pois o B. Maximiliano umas vezes mencionava a necessidade de fundar o Niepokalanów brasileiro. Se pensava no sul ou em outro lugar. Havia propostas/ofertas de conseguir algo – um terreno, mas parece que tudo “escrito com dedo na água”.

 O Frei Agostinho escreveu assim:

"Por ocasião da beatificação do Frei Maximiliano Maria Kolbe e da extraordinária difusão do conhecimento da santidade dele no mundo inteiro, a Província-Mãe dele decidiu abrir um novo campo de trabalho apostólico. Depois de muitas reuniões optou pelo Brasil. Por um argumento especial serviu uma clara menção do Frei Maximiliano que enumerava o Brasil dentre os países por onde queria fundar a Ordem". (Folheto descritivo datilografada da Missão da Província Polonesa da Imaculada em Uruaçu-GO ca.1974/1975. Arquivo Provincial/professos solenes/frei agostinho/ cartas digitalizadas)

Após alguns estudos preliminares, foi escolhido o Brasil e Frei Agostinho foi enviado pela Província Imaculada Mãe de Deus em Varsóvia (Polônia) – para dar início à Missão Franciscana Conventual nestas terras. Assim, aos 4 de outubro de 1974 partiu para o Brasil a bordo do navio italiano Cristoforo Colombo trazendo consigo a clara afirmação e mandato:

"P. Stephanus Augustinus Januszewicz primus sufficienter praeparatum religiosorum e Província Polona causa apostolicae actionis de mandato Nostro ad Brasiliam adit". [trad.: Padre Stephanus Augustinus Januszewicz foi o primeiro religioso da Província Polonesa suficientemente preparado para ir ao Brasil pela causa da ação apostólica sob Nosso mandato”]. ( Carta Protocolo do P. Marius Paczóski. N.D. 1129/74 de 26.08.1974. Arquivo Provincial/professos solenes/frei agostinho)

Depois de 12 dias de travessia do Atlântico, aportou no Rio de Janeiro aos 16 de outubro de 1974 e já no Brasil sua meta foi fundar o primeiro convento e dar-se ao apostolado através dos meios impressos. Por esta causa, estando ainda hospedado no Convento de nossa Ordem no Rio de Janeiro escreveu a primeira carta aos bispos do Brasil dizendo:

"Alguns dos Franciscanos Conventuais (OFMConv.) [...] da província da Imaculada Conceição [...] estão chegando para o Brasil para cooperar na grande obra de Evangelização. Um dos Frades acabou de chegar e outros três chegarão em Janeiro de 1975 [...] eles ainda não decidiram em que lugar vão morar e trabalhar. Eles pretendem no futuro - se Deus quiser - fundar seu Noviciado e seu Seminário e desenvolver também ações de seu Apostolado Franciscano (tipografia, rádio, etc.) para o serviço do Povo de Deus". (Carta "Uma proposta" aos Bispos "em aberto e sem nomes" de 06.11.1974. Arquivo Provincial/professos solenes/frei Agostinho).

Várias foram as repostas à proposta de Frei Agostinho, mas a carta de 11 de novembro de 1974 lhe abre um campo difícil de ser negligenciando devido às emocionantes palavras de D. José Chaves: " Vinha percorrendo [...] 250 quilômetros e pensando como resolver o sério problema de tantas almas sem assistência quase alguma, quando ao chegar em casa leio sua alvissareira carta.[...] Recebo os Franciscanos Conventuais da Polônia, [...] genuflexo e de braços abertos. Venham o quanto antes[...]." (Carta de D. José Chaves de 11.11.1974. Arquivo Provincial/professos solenes/frei Agostinho). Desta forma, na resposta Frei Agostinho diz: " Neste momento nada é decidido. [...] a carta da sua Exª Revma. por enquanto é a primeira[...] Vou anunciar a minha vinda o quanto antes". (Carta resposta de Frei Agostino a D. José Chaves de 15.11.1974. Arquivo Provincial/professos solenes/frei Agostinho).

Após esta primeira comunicação evoluiu-se a negociação e D. José Chaves concedeu- lhe a graça de estar naquela cidade de Uruaçu-GO e ali iniciar a história desta, que é Província São Maximiliano do Brasil.

Em 18 de janeiro do ano 1975, desembarcaram no país mais quatro missionários: os Freis Marcos Ignaszewski, (OFMConv) Eusébio Wargulewski (OFMConv), Francisco Kramek (OFMConv) e Edmundo Grabowiecki (OFMConv) que partiram da Polonia antes do Natal de 1974. Após terminarem o curso de português com os Frades Menores de Anápolis (GO) em 12 de abril, eles dirigiram-se para Uruaçu, onde passaram um período responsáveis pela comunidade São Sebastião.

Frei Agostinho como superior da missão apresentou Frei Marcos Ignaszewski para ser o pároco da Paróquia de São Sebastião em Uruaçu a qual, em 29 de maio de 1975, D. José Silva Chaves confiou inicialmente a missão. Assim todos os 5 frades moram inicialmente na casa paroquial em Uruaçu - GO. Daí iniciou uma insistente busca de um local propício para fundar o Convento da Imaculada Conceição de Maria (Jardim da Imaculada) chegando quase a fazê-lo em Santo Antônio do Descoberto-GO, segundo proposta do Bispo de Anápolis D. Epaminondas José de Araujo, conforme descrito abaixo:

"[...] Agora já tenho uma primeira minuta de doação que a Diocese de Anápolis vai fazer a vocês Conventuais. [...] A Diocese de Anápolis doa dois alqueires e meio aos Padres Franciscanos Conventuais da Província polonesa de B.M.V.I. para construírem um mosteiro e outras salas para fins de apostolado e promoção humana." . (Carta 33. De 1975. Epaminondas, Bispo de Anápolis de 07 de outubro de 1975. Arquivo Provincial/professos solenes/frei agostinho/ cartas digitalizadas). Ocorreu que as negociações não foram adiante com relação a doação do Bispo Epaminondas.

No dia 16 de novembro de 1976 desembarcaram no Rio mas 3 frades: fr. Miecislau Tlaga, fr. João Batista M. Wajgert e fr. Estevão Tokarski e com fr. Agostinho de ônibus chegaram em Uruaçu-GO 19 de novembro de 1976.

A primeira paróquia que os frades cuidaram foi a de Uruaçu desde 1975. Atendiam também por alguns meses a paróquia de Rialma-GO em 1976/77.

Em 19 de março de 1977, foi assumida a Paróquia de S. José em Niquelândia, Diocese de Uruaçu. A paróquia tinha uma área territorial bem extensa, com cerca de 13 mil km2 com 88 capelas ou pontos pastorais espalhados; aos 31 de janeiro de 1980, foi estabelecido canonicamente o segundo convento da Missão, seria o são José, em Niquelândia GO.

A busca do terreno para o convento tipo Niepokalanów continuou e pesquisas para encontrar um lugar adequando não foram fáceis. Elas duraram desde agosto de 1975 até março de 1976.

Em 15 de março de 1977 foi comprado um terreno no município de Luziânia GO, na vizinhança da Cidade Ocidental que inciou a sua existência em dezembro de 1976. Parecia próximo de se realizar os objetivos dos missionários que era encontrar um terreno para a sede da missão e primeiro convento. O terreno era de 5 alqueires.

Em 17 de agosto 1977, vieram fr. Agostinho e fr. Miecislau para começar desmatar o terreno e torná-lo um verdadeiro “jardim”. Após participarem e auxiliarem na Festa de Nossa Senhora de Abadia em SANTÚARIO DE MUQUÉM – Niquelândia – GO, com a bênção do bispo de Uruaçu – GO a madrugada partiram via Anápolis-GO rumo a Cidade Ocidental.

O Dom Epaminondas de Araújo bispo de Anápolis os muniu com a plenitude da jurisdição paroquial e assim fr. Miecislau Tlaga (17.08.1977) foi nomeado vigário de Luziânia, desempenhando o papel do quase-pároco da criada oralmente pelo bispo a nova quase-paróquia de Santo Antônio na Cidade Ocidental cujos limites se estendiam até limites do DF e descendo rumo a Luziânia no paralelo do km 20 da BR 40.

Chegando à Cidade Ocidental primeiro fizeram a visita a terreno (descampado e nem cercado) do Jardim da Imaculada com oração no local. O fr. Agostinho lhe disse: “Você cuide mais da Paróquia e eu cuidarei do Jardim da Imaculada e muitas vezes vamos unir as forças”. Realmente todo fim da semana os sacerdotes do Jardim mergulham sempre na pastoral do Entorno.

No mesmo dia ainda fizeram a visita ao pároco de Luziânia – Pe. Dario (66 anos) – único sacerdote na imensa paróquia. Ele disse que só 1 vez celebrou na Cidade Ocidental (dia da inauguração).

Os dois voltaram de Luziânia com compras (camas, mesa, etc.), montaram a mesa e celebraram a sua primeira S. Missa.

Alugaram uma casa na SQ 11, Q. 8, c. 49 na Cidade Ocidental (17.08.1977- 25.02.1978) já 17 de agosto de 1977 celebraram a primeira Santa Missa dando assim o início da presença da vida religiosa dos Frades Franciscanos Conventuais (OFMConv.) e da nossa pastoral franciscana no Entorno do DF e em Brasília-DF e não somente na Cidade Ocidental-GO e região.

Desde então, Frei Agostinho tornou-se o presbítero pioneiro da evangelização na vasta área populacional que vai de Luziânia km 20 até o DF. Seus confrades, em especial o Frei Miecislau será seu principal colaborador na construção de várias igrejas e missões. Fato curioso e narrado oralmente pelos frades missionários é quando Frei Agostinho e Frei Miecislau chegam à Cidade Ocidental - GO em 1977. Os mesmos, não tendo como anunciar que na cidade já havia padres residentes, simplesmente colocaram cartazes nas ruas, casas e bares avisando a todos que já chegaram os frades franciscanos e que celebrariam as missas nas casas de família, casas comerciais e até mesmo na rua.

Aos 8 de dezembro de 1977 se deu a benção à estátua da Imaculada na entrada das futuras instalações. Benzeu-a frei Luís Siracuse OFM. Este frade foi dedicado amigo da obra nascente junto com o seu confrade Dionísio.

Em 23 de janeiro de 1978, era erigido canonicamente o primeiro convento da Missão. Aos 25 de fevereiro de 1978, frei Agostinho e frei Miecislau passara a morar na primeira casinha construída no Jardim da Imaculada, a Casa Kolbe.

A partir do mês de janeiro de 1979, começou a sair o "Cavaleiro da Imaculada," com a primeira tiragem de 4.500 exemplares mimeografados, sem taxas, com apenas as colaborações espontâneas dos assinantes.

Os frades do Jardim desde 17.08.1977 atendiam pastoralmente o Entorno do DF ao longo de 2 anos como Paróquia de S. Antonio; mas aos 8 de junho de 1979 foram canonicamente criadas e confiadas aos Frades do Jardim da Imaculada duas paróquias: a de Santo Antônio na Cidade Ocidental e a outra de São Pedro Apóstolo, em Pedregal.

Era desejo dos primeiros frades, desde o início, estabelecer-se nos territórios de Brasília capital do País, porém deu-se um passo promissor quando a Missão Kolbe aos 16 de dezembro de 1980 foi convidada pelo arcebispo para assumir a paróquia de São Marcos e São Lucas situada no Setor P. Norte-DF.

Dizendo na margem: D. José Newton de Almeida Baptista, arcebispo de Brasília, quando sondamos a possibilidade de assumir no ano 1981 a planejada Paróquia de São Francisco de Assis em Brasília (SGAN 915) ele replicou que frei Agostinho ao procurar nos primórdios o terreno para o Jardim da Imaculada não queria paróquia, mas queria terreno para as obras da Missão. Por isso não pretendia nos dar paróquia, ainda alegando: “se eu der paróquia no Plano Piloto para vocês o que eu darei para o clero da arquidiocese”.

Após argumentação que o São Francisco de Assis seria bom ficar com os franciscanos aos 04 de outubro de 1981, a Arquidiocese de Brasília criou uma nova Paróquia: a de São Francisco de Assis no extremo da Asa Norte, confiando-a aos cuidados dos Frades. No dia 01 de dezembro de 1981 a Cúria Provincial de Varsóvia emitiu o decreto de ereção do Convento de São Francisco de Assis em Brasília.

Nem todos que vieram ao Brasil puderam continuar. Frei Edmundo Grabowiecki adoeceu gravemente no início de 1976. O diagnóstico era a evidência de um câncer... Fr. Edmundo voltou a Polônia, profundamente conformado ofereceu seus grandes sofrimentos e sua vida pelo êxito da missão. Dentro de sete meses veio a falecer, isto em 09 de fevereiro de 1977.

Outro que voltou a Polônia foi o frei Estevão Tokarski, em 1978. O terceiro foi frei Marcos Ignaszewski, sua saúde estava abalada a tal ponto que teve que procurar outro clima. Atualmente ele está no Canadá. Em 1983, a missão contava com 3 conventos canonicamente fundados e 13 frades. O visitador da parte da Cúria Geral de Roma, feita a visitação oficial, insistiu na promoção da Missão para Custódia Provincial. Esta idéia foi levada ao Capítulo Provincial realizado no mês de agosto, foi aceita e votada pelo mesmo. Desta forma o Ministro Provincial, em 17 de outubro de 1983 assinou o decreto de ereção canônica da Custódia de São Maximiliano Maria Kolbe.

"Na data de 17 de outubro último (1983), nossa missão católica do B. Maximiliano Maria Kolbe foi promovida para ser Custódia [...]. Para nós este é um fato marcante." (Carta "Convite" de 08.11.1983. Arquivo Provincial/professos solenes/frei Agostinho)

 

Missão fundada em 1974 pela Província de Nossa Senhora Imaculada Conceição de Varsóvia (Polônia), erigida como Custódia Provincial aos 17/10/1983 e como Província aos 31 de maio de 2003. Foi constituída como pessoa jurídica Missão Católica do Bv. Maximiliano Maria Kolbe no Brasil (04/10/1975), denominada depois como Missão Kolbe (CNPJ 02.501.906/0001-15), com sede na Cidade Ocidental, Jardim da Imaculada - GO.

16.10.1974 - Chegada do primeiro missionário Frei Agostinho Januszewicz. 18.01.1975 - Chegada dos freis: Eusébio Wargulewski, Francisco Kramek, Marcos Ignaszewski e Ir. Edmundo Grabowiecki.

25.05.1975 - 1ª Paróquia São Sebastião em Uruaçu - GO.

04.10.1975 - "Missão Católica do B. Maximiliano Maria Kolbe no Brasil". 16.11.1976 - Chegada do 2º Grupo: Fr. Miecislau Tlaga, Fr. João Batista Wajgert e Fr. Estêvão Tokarski.

09.02.1977 - Em Niepokalnów morre de câncer Irmão Edmundo Grabowiecki. 15.03.1977 - Compra do terreno para futuro Jardim da Imaculada.

19.03.1977 - 2ª Paróquia São José em Niquelândia - GO. 17.08.1977 - Iníco do Jardim da Imaculada.

08.12.1977 - Bênção da Imagem de Nossa Senhora Imaculada. 23.01.1978 - 1º Convento Jardim da Imaculada.

04.10.1978 - Chegada do Fr. João Wilk.

01.01.1979 - 1º número do Cavaleiro da Imaculada.

08.06.1979 - 3ª Paróquia Santo Antônio (Cidade Ocidental) e 4ª Paróquia São Pedro Apóstolo (Pedegral).

30.03.1979 - Chegada do 3º Grupo: Frei Stanislaw Ocetek, Fr. José Stakiewicz e Ir. Edmundo Skrobisz.

28.08.1980 - Chegada do Fr. José Blaszak e Ir. Mário Sulik. 13.12.1980 - Chegada do Fr. Leon Pakula.

18.12.1980 - 5ª Paróquia São Marcos e São Lucas na Ceilândia - DF. 10.10.1981 - 6ª Paróquia São Francisco de Assis em Brasília - DF.

10.10.1980 - Chegada do Fr. Ceslaw Kolpa e Ir. André Studzinki.

17.10.1983 - "Missão Kolbe" constituída como Custódia Provincial. 17.10.1983 - Fr. Agostinho Januszewicz é nomeado 1º Custódio.

22.02.1984 - Cardeal Jósef Glemp, Primaz da Polônia, visita Jardim da Imaculada pelo Núncio Apostólico Dom Carlo Furno.

02.12.1984 - Chegada do Fr. Ladislau Chebik. 07.05.1985 - Chegada do Fr. Janusz Danecki. 27.08.1985 - Chegada do Fr. Cristovão Kurkiewicz. 27.05.1986 - Chegada do Fr. Bonifácio Stefaniuk.

29.06.1986 - Fr. João Wilk é eleito 2º Custódio Provincial.

04.11.1986 - 1º Capítulo Ordinário da Custódia no Jardim da Imaculada. 24.06.1987 - Bênção das Instalações da Gráfica (linha off-set).

11.02.1988 - Primeiro Professo Perpétuo Fr. James Fernandes.

25.03.2988 - Primeira Ordenação Diaconal Fr. James Fernandes. 08.12.1988 - Primeiro Sacerdote Brasileiro Fr. James Fernandes.

29.03.1989 - Fr. Agostinho Januszewicz é nomeado 1º Bispo Diocesano de Luziânia - GO.

10.06.1989 - Dom Fr. Agostinho Januszewicz é Sagrado Bispo e toma posse da Diocese de Luziânia - GO.

29.06.1989 - Fr. João Wilk é reeleito Custódio Provincial.

24.10.1989 - 2º Capítulo Ordinário da Custódia no Jardim da Imaculada. 01.01.1990 - Dom Fr. Agostinho cria a Paróquia de São Francisco de Assis em Valparaizo I (desmembrada da Paróquia S. Antônio da C. Ocidental).

20.01.1990 - Chegada do Fr. Casimiro Cieslik, Fr. Stanislaw Mikolajczuk e Ir. Mário Pruszak.

21.01.1990 - Custódia assume a Paróquia e Santuário de Nossa Senhora das Candeias em Candeias - BA.

16.03.1990 - Em Brasília é inaugurado Seminário Maior de São Francisco de Assis. 21.09.1992 - 3º Capítulo Ordinário da Custódia em Brasilia (Niquelândia).

23.09.1992 - Fr. Miecislau Tlaga é eleito 3º Custódio Provincial.

13.02.1993 - Início do próprio Noviciado da Custódia em Niquelândia - GO. 17.04.1993 - Em Roma, Fr. José Marcelo dos Santos Leite é ordenando diácono. 08.12.1993 - Ordenação Sacerdotal de Fr. Amilton Gomes Curado, Fr. José Cícero e Fr. Carlos Otávio Wingler.

17.09.1994 - Fr. Romilson Ferreira da Silva é ordenado 1º Diácono Permanente.

6.10.1994 - Custódia celebra 20 anos da chegada do 1º Missionário.

17.10.1994 - Convento de São Francisco em Brasília torna-se palco do 1º Capítulo Nacional da Família Franciscana no Brasil.

08.12.1994 - Fr. Marcos Pereira da Silva é ordenado Diácono.

18.01.1995 - Novo Gama - clelebração dos 20 anos da chegada dos frades: Eusébio Wargulewski, Francisco Kramek e Marcos Iganaszewski do Canadá.

27.02.1995 - No Seminário Maior São Francisco de Assis Cardeal de Brasília Dom José Freire Falcão preside a Eucarístia inaugurando o Instituto de Filosofia e Teologia São Boaventura (IFITESB).

03.06.1995 - Em Assis - Revmo Fr. Agostino Gardin é eleito 117º Ministro Geral.

13.03.1995 - Profissão Solene de Fr. Roberto, José de Arimatéia e José Nasareno.

09.10.1995 - 4º Capítulo Ordinário da Custódia Provincial.

11.10.1995 - Fr. Miecislau Tlaga é reeleito como Custódio Provincial. 08.10.1995 - São ordenados presbíteros: Fr. José Marcelo dos Santos Leite e Fr. Marcos Pereira da Silva, diáconos: Fr. Manoel Barbosa Neres, Fr. Josué Pereira Souza e Fr. Roberto Cândido de Souza.

10.12.1995 - No Gama, Fr. João Benedito Ferreira de Araújo é ordenado Diácono.

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Cidade Ocidental GO

47º aniv. do inicio das celebrações diárias de Santa Missa 17.08.1977 - 17/08/2024

Antes de chegar ao Brasil, 16.11.1976, ainda na Polônia, já foi comentado que o nosso destino para implantar a obra missionária no Brasil – Jardim da Imaculada, ia se realizar ao lado da planejada Cidade chamada Ocidental, na vizinhança de Brasília. Ao pisar pela 1ª

vez na terra de “Santa Cruz” no Rio de Janeiro, o fr. Agostinho vindo buscar a mim e outros dois confrades nos confirmou que a aquisição e a localização do terreno para implantação das obras de evangelização missionária a molde de São Maximiliano Maria Kolbe já ficou acertada exatamente perto da Capital, na vizinhança de uma nova cidade que estava sendo construída pela incorporadora “Construtora Ocidental” da qual herdou depois o nome Cidade Ocidental. Os nossos trabalhos também iam começar somente na metade do ano seguinte, em 1977.

O único padre para todo município de Luziânia, o Pe. Dario (66 anos) disse que em dezembro/1976, na inauguração da Cidade Ocidental, celebrou a Santa Missa e abençoou a Cidade e acrescentou: “foi única vez que celebrei por lá”.

Após preparativos (trâmites administrativos, cursos de língua e pastorais), terminando a festa em honra a Nossa Senhora de Abadia em Muquém (Niquelândia), na qual ajudamos, com toda mudança dentro do fusca, o frei Agostinho e eu, partimos a madrugada 17.08.1977 de Uruaçu, via Anápolis, a Cidade Ocidental.

Em Anápolis Dom Epaminondas, o bispo da diocese, nomeou a mim - o fr. Miecislau - vigário de Luziânia com plenos poderes do pároco para cuidar pastoralmente do povo de Deus no território da nova quase-paróquia “Paróquia Santo Antônio da Cidade Ocidental”, a qual criou oralmente e entregou livros do batismo e do casamento. Sugerimos que fosse de Santo Antônio. Fr. Agostinho ficou como coadjutor dela. A paróquia, criada em 17.08.1977, abrangia toda a parte do território do Município de Luziânia a partir do km 20 (altura

Jardim Ingá, em linha paralela do DF, saída sul) e envolta do DF até onde se estendia o território do município.

Os loteamentos e “cidades” – futuros municípios e paróquias já no meu tempo (1977-1981) aos poucos estavam brotando do chão. Não tinha nenhuma capela em todo território paroquial e na Cidade Ocidental só existia a 11 cujos moradores ainda estavam chegando. Durante a nossa vinda a Ocidental o frei Agostinho disse me ainda: “Miecislau, você se responsabilize mais pela paróquia e nos domingos e nas festas te ajudarei e eu cuidarei mais do Jardim da Imaculada, contando com a sua ajuda quando precisar”. Ele era o superior de toda nossa missão no Brasil, de todos os frades vindos e que estavam para vir.

Saindo de Anápolis, passamos em Núcleo Bandeirante para pegar as chaves com dono da casa que alugamos na Cidade Ocidental 11, Q. 8. Ao chegar a casa, descemos a mudança, visitamos mato do Jardim da Imaculada, furamos o pneu, partimos imediatamente para Luziânia para concertar pneu, comprar uma mesa, duas camas e 2 taboas para prateleiras suspensas (armários). Visitamos o Pe. Dario e já ao por do sol retornamos para casa alugada. Moramos nela de 17.08.1977 até o dia 25.02.1978, data quando ambos mudamos para o Jardim da Imaculada para ocupar a pequena casinha à esquerda na entrada.

Naquela noite somente conseguimos montar a mesa, pois precisamos celebrar a Santa Missa. Foi nesta data, 17.08.1977, que os dois – fr. Agostinho e fr. Miecislau, concelebramos a 1ª Santa Missa no território da Paróquia de Santo Antônio da Cidade Ocidental, na Q. 8 da 11. As celebrações das Santas Missas diárias, dominicais e nas festas de guarda nunca mais pararam nesta Cidade e sempre com horário marcado. Inicialmente rezamos na porta da nossa casa, depois nas lojas em baixo da 11, perto da praça de Bíblia. O número dos fiéis e participantes das celebrações na Cidade estava crescendo.

Era preciso entrara no território da Paróquia. Mesquita, Ingazeiro, Pedregal, Céu Azul. Muitos loteamentos. Sem capelas e sem matriz. Tudo e todos começavam a sua vida e mudavam para a região e tudo era para fazer.

Tratamos com coronel – superintendente na Cidade e com Sr. Campelo Cleto Meireles dono da Imobiliária, Colmeia e Construtora Ocidental. Finalmente ocupei o terreno, uma parte do lote do cruzeiro, deixando do lado esquerdo (lote depois escriturado para matriz).

Foi então feito com a ajuda, esforço e mutirões um salão polivalente no qual celebramos as Santas Missas. Rasguei as mãos, mas chegamos logo após o Natal/1977 celebrar as Santas Missas dentro. Foi esforço imenso. Construímos mais o menos no tempo na qual se construía o colégio atrás da igreja (veja foto: igreja à direita e o colégio no fundo, ainda sem cercas e sem infraestruturas. Foto feito posteriormente)

A 1ª festa de Santo Antônio realizamos no dia do padroeiro 13.06.1978 (terça-feira) e nos fins de duas semanas sábados e domingos (10 e 11/06 e 17 e 18/06). Não deu lucro, mas conscientizou a comunidade, o mais importante.

A Paróquia Santo Antônio era imensa. Os batizados e casamentos do Pedregal, Novo Gama, Céu Azul, Valparaiso e toda a região inicialmente se assentava na Cidade Ocidental. Só depois na transformação em Paróquia, canonicamente criada, ela só ficou com o lado direito da BR do km 20 até o DF, pois o outro lado da BR ficou como Paróquia de São Pedro Ap. em Pedregal. Eu (fr. Miecislau) foi seu pároco até 1981, sendo também o vigário ecônomo da outra (à esquerda da BR).

Por trabalhar no meio da juventude em Brasília convidei diversos e bastante jovens do ‘Eureka’ para movimentar a catequese, a pastoral, os cantos (com violões) e a organização paroquial. Mesmo sem espaço se conseguiu assentar as estruturas com o plano diretor e ideia central: criar lideranças locais.

Mesmo com o salão polivalente que o povo começou chamar de igreja e quis desconsiderar outro uso, se conseguiu “em cima das coxas” tecer um organismo bem forte.

Poderia dar centenas de nomes e atores que são os alicerces desta Igreja viva da Paróquia de Santo Antônio e dos cidadãos da municipalidade de hoje. Daria muitas páginas, mesmo que a minha saída da Cidade Ocidental no início de 1981 e existia e funcionava plenamente somente a 11.

Não faltarão oportunidades e o tempo privilegiado destinados somente para contribuir com reconstrução histórica da Cidade Ocidental que foi a minha primeira paróquia no Brasil.

Para o Sr. Lander Jorge junto com as congratulações pelo trabalho dele em prol da historia da querida Cidade Ocidental envio mais uma “gota” para enriquecer a nossa Cidade.

Pode ser que o 47º aniv. do inicio das celebrações diárias de Santa Missa 17.08.1977 - 17/08/2024 e outras nos proporcionarão esta oportunidade.

Parabenizo Paróquia, Cidade e seu governo e todos os historiadores.

 

Frei (Miecislau) Mieczyslaw Tlaga OFMConv.

            Os franciscanos celebram neste dia 24 de maio a festa da Dedicação da Basílica de São Francisco de Assis. A proposta da construção da Basílica de São Francisco de Assis nasceu no dia seguinte à canonização de São Francisco de Assis, a pedido do Papa Gregório IX. Ele sugeriu que conservassem os restos mortais de São Francisco de Assis num lugar digno. O mesmo Pontífice abençoou a pedra fundamental em 1228 e em 1239 ordenou que o corpo do santo fosse transportado do túmulo provisório da igreja de São Jorge para a nova basílica, que recebeu o título de “igreja-mãe” da Ordem dos Frades Menores. A construção da igreja superior foi terminada em 1253. Inocêncio IV a consagrou solenemente título de Basílica, “cabeça e mãe” de todas as igrejas da Ordem Franciscana. O templo foi elevado a Basílica patriarcal e Capela papal por Bento XIV dia 25 de março de 1754.

            O Documento do Papa Bento XIV, “Constituição Fidelis Dominus”, diz: Assim construída, foi para aí transladado  com memorável pompa o corpo de São Francisco de Assis, e o papa Inocência IV dedicou-a solenemente no domingo antes da Festa da Ascensão do Senhor em 1253, também no dia 25 de maio.”

            A Basílica de São Francisco de Assis, está localizada na Região da Úmbria, é importante ressaltar que fora considerada como patrimônio da Humanidade desde 2000.  No seu Interior, a Basílica é dividida em parte inferior e superior. O local onde a Basílica foi construída era chamado de Colina do Inferno (lugar onde os criminosos eram mortos). Hoje o local é conhecido como Colina do Paraíso. A pedra fundamental foi posta pelo Papa Gregório IX, em 1228.

            Sua arquitetura é uma síntese de Românico e Gótico Italiano. Na parte inferior, encontram-se afrescos de Cimabue e Giotto, na superior está uma série de afrescos com cenas da vida de São Francisco, também atribuída a Giotto e seus seguidores. A Basílica é administrada pelos Frades Menores Conventuais, sendo eles os guardiões dos restos mortais de São Francisco.  A igreja inferior, que representaria a penitência, consiste em uma nave central com várias capelas laterais com arcos semicirculares. Descendo pela nave se chega à cripta que guarda túmulo de São Francisco.  A igreja superior que representa a glória possui um estilo completamente diferente da inferior. Grandes janelas de vidro colorido banham com luz as obras de Giotto e Cimabue.

            Em 1818, a tumba de São Francisco foi redescoberta, depois de 600 anos “escondida”, com seus restos mortais. Em 1997, a cidade de Assis passou por um forte terremoto. Infelizmente, a Basílica de São Francisco foi uma das estruturas que mais sofreu com o impacto. Tal foi a gravidade do desastre natural, que quatro pessoas morreram quando parte do teto desmoronou. Os importantes afrescos foram destruídos mas, felizmente, foram restaurados graças aos fundos do Vaticano.

Sexta, 24 Mai 2024 18:33

Encontro dos Ministros da UCOB

     Aconteceu entre os dias 22 e 24 de maio de 2024 o Encontro dos Ministros da UCOB. O Encontro foi realizado em Santo André, na Província São Francisco de Assis em São Paulo. Estiveram presentes no encontro o Ministro Provincial da Província São Maximiliano de Brasília, Fr. Gilberto de Jesus; o Ministro Provincial da Província São Francisco de São Paulo fr. Felipe Hugo; os Ministros Custodiais da Custódia São Boaventura do Maranhão, fr. Roberto Honorato e da Custódia Imaculada Conceição do Rio de Janeiro, fr. Carlos Charles.
     O Encontro possibilitou a reflexão e decisão dos ministros sobre a criação de um novo Estatuto interjurisdicional do Noviciado da UCOB, que atualmente acontece em Cascavel, Curitiba. Também se refletiu sobre a programação da UCOB neste ano de 2024.

     Rezemos para que a unidade de nossa Ordem se realize através da união de nossas jurisdições no Brasil.

 

Terça, 21 Mai 2024 18:47

Seminário de Ecônomos em Brasília

     Entre os dias 14 e 16 de maio, na Casa dom Luciano em Brasília (DF), aconteceu o Seminário para Ecônomos de (arqui) dioceses, promovido economato e o Conselho de Gestão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O tema do encontro foi: “A gestão no Magistério da Igreja: o ofício do ecônomo na construção de uma Igreja credível e sustentável“. O nosso ecônomo, Frei Hoslan Guedes, esteve presente, representando a Província São Maximiliano Maria Kolbe.

     A formação contou com 13 conferências ao longo dos 3 dias e 230 ecônomos e profissionais das arquidioceses e dioceses do Brasil se fizeram presentes.

     O Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giambattista Diquattro, afirmou que a transparência na gestão é fundamental para a identidade da Igreja. No encontro, ele destacou a importância da clareza nas atividades administrativas e financeiras, enfatizando que essa prática reflete os valores cristãos de honestidade e integridade. Ele ressaltou que a gestão transparente não apenas fortalece a confiança dos fiéis, mas também promove a justiça e a solidariedade dentro da comunidade eclesial.

    “O discernimento, como escolher entre o que é bom e o que é melhor, a vigilância, como prestar contas, são ferramentas que apoiam os ecônomos em seu serviço, que não prestam contas só no final do ano, mas continuamente, diariamente, adotando o que é necessário para salvaguardar e valorizar também os talentos materiais que a Igreja recebe da Providência”, apontou.

Fonte: CNBB

 

“Se alguém, por inspiração divina, querendo aceitar esta vida vier aos nossos Irmãos, seja recebido benignamente por eles” (RNB 1,1). Ser iniciado, isto é, ser noviço, na experiência de discipulado e minoridade vivida e deixada pelo Seráfico Pai São Francisco é, antes de tudo, uma inspiração divina, nos termos joaninos, Deus nos amou primeiro (cf. 1Jo 4, 10). Diria o profeta Jeremias, Deus nos seduziu (cf. Jr 20, 7). A inspiração divina é aquele hálito, o sopro, a vida de Deus já expressos no Gênesis no ato da criação do homem (cf. Gn 2, 7), o fôlego vital sem o qual nenhuma vocação pode subsistir. É esse sopro que move e comove todo o ser de um jovem a se entregar, se consagrar inteiramente a Deus. Nos termos bíblicos, a amar a Deus de todo o coração, com toda a tua alma e com toda a tua força (cf. Dt 6, 4-5). Diria o Seráfico Pai: “É isto que desejo, é isto que aspiro, com todas as fibras do coração” (1B 3,1). O movimento humano de criatura em direção ao criador. Deus, para um consagrado, torna-se seu único objeto de amor e de desejo. Amar a Deus é o alimento de sua alma

O noviciado é o período formativo de confronto e reflexão acerca da nova via assumida; uma busca incessante, árdua, pessoal, sincera e real, de conhecer, assimilar os hábitos, os conteúdos e os princípios constitutivos ao modo de ser franciscano. É uma adesão total ao projeto, ao discipulado de Jesus Cristo. O noviço em contato direto, respirando a cada instante as intuições e modo de vivida que o Crucificado concedeu ao Pobre de Assis, vai, paulatinamente, tornando a inspiração divina a sua vida em si. Por meio da vida de oração, da fraternidade, do trabalho, do lazer, do esporte, o frade noviço se depara com os vestígios de Deus no ordinário da vida. Em outros termos, a experiência de encontro com Aquele que lava os pés, o Irmão Menor, Jesus Cristo, se dá e se revela no cotidiano da vida do noviciado. O irmão, que é um dom do Pai, torna-se um espaço teológico e espiritual no qual se viver a profundidade do amor, da minoridade. Para tal, é indispensável que o noviço, para fazer essa experiência de encontro, esteja na ambiência do santo modo de operar do Senhor. Nessa perspectiva, diria que o noviçiado é semelhante e/ou igual a experiência que os discípulos de João Batista fizeram ao encontrar Jesus:  “Que procurais? Mestre, onde moras? Vinde e vede” (Jo 1, 38-39a). O evangelista minuciosamente diz que foram, permaneceram com Jesus aquele dia. O ano de noviciado é estar com Jesus, ir ao seu encontro e vê-Lo com os olhos da alma, do coração e da fé. Tempo da intimidade (não de intimismo), da relação no qual o Mestre e o discípulo se tornam um.

Ao fazer a experiência do vinde e vede ou do vem e segue-me, ao término do noviciado, os noviços ratificam aquilo que se é e se vive ao proferir a fórmula da profissão ao dizer: para louvor e glória da Santíssima Trindade ( protagonista e sustentadora de toda e qualquer vocação), eu, Frei N. movido por inspiração divina a seguir mais de perto o evangelho e os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo [...] com firme propósito e vontade faço votos a Deus Pai todo-poderoso de viver por um ano em obediência, sem nada de próprio e em castidade, e ao mesmo tempo, prometo observar fielmente a vida e a regra dos frades menores”. Resguardo pelo ato de vestição do hábito, o novo frade se reveste, se mune por inteiro de Cristo.

Os freis noviços Luan Dias, Gustavo Faria, Matheus Andrade, Vinícius Santos e Deivid Rodrigues falam de sua experiência no noviciados - os referidos frades estão há três meses no noviciado -. Segundo eles, estarem no noviciado é se encontrar na vivência única de suas vidas, provocados pela dinâmica da Santíssima Trindade. Cito literalmente a impressão dos noviços sobre esse período formativo: “A formação nos oferece a possibilidade de penetrar no espírito franciscano, compreendendo os moldes da experiência de ser um frade menor conventual que busca o primado de Deus, assumindo os valores da vida consagrada pelo itinerário do Seráfico Pai Francisco”. Conforme os noviços, o noviciado é o tempo propício para encontrar-se com Deus, consigo mesmo, movimentos que permitem o autoconhecimento “onde há um constante convite do Senhor que nos chama para águas mais profundas de nosso coração sob um autêntico e sincero desprendimento de nossas seguranças e inseguranças para que a ação da graça Divina se perfaça no itinerário de nossas vidas para Deus.”

Outro aspecto elencado pelos frades noviços é a vida fraterna, definida por eles como experiência frutuosa em virtude de ser um noviciado interjurisdicional que culmina na diversidade, no diferente, mas unidos no único ideal, viver o evangelho, que se dá e efetiva no ordinário da vida. Sobre isso afirmam os noviços: “A vivência cotidiana do noviciado é voltada pela dinâmica da oração, trabalho e estudo num ritmo bastante intenso em que colocamos em prática todo o aprendizado que adquirimos desde o primeiro ano de postulantado: assumir a responsabilidade por aquilo que é próprio de nossas vidas e servir com empenho, amor e dedicação o compromisso de ser um religioso franciscano”.

Frei Naum Gabriel, que foi noviço no ano de 2023, também nos presenteia com sua experiência de noviciado. O referido frade, baseado no evangelho de São Marcos 4, 26-29, compara o noviciado como uma terra (terreno) boa no qual se é lançado os noviços, nesse caso, como sementes que buscam produzir bons e muitos frutos. De sua experiência pessoal garante Frei Naum: “A experiência do Noviciado pôde me fazer reconhecer mais as finitudes humanas, os limites e, ao mesmo tempo, as possibilidades de encontrar o agir de Deus em cada uma dessas dimensões. Lançados como sementes na terra, nos deparamos com estas três realidades do texto do evangelista Marcos. A partir das finitudes, pude compreender mais sobre como nós, jovens que estamos buscando corresponder a um chamado de grande amor da parte Deus, com um sim de grande amor da parte do homem. O Noviciado me fez compreender que a resposta a este chamado de amor, mesmo sendo humana, é tanto mais divina, pois se pode reconhecer que o amor de Deus é, verdadeiramente, tanto mais humanado”

Ao modo do Seráfico Pai, Frei Naum Gabriel voltado para encarnação do Verbo Divino que abarca a finitude humana, compreende que integrar e assumir a finitude, realidade compreendida e vivida no noviciado, é uma correspondência ao mistério da vocação. “Ao ver a finitude assumida por Deus no seu Filho, tanto mais abraço e acolho a minha, que foi muito mais bem-vinda a partir do Noviciado”, diz o frade. Todavia, conforme Frei Naum, o confronto com os limites não significa permanecer em situação estática, mas potencialidade de qualificação, mudança e integração humano-espiritual-fraternal. Nesse sentido, Frei Naum testemunha que o noviciado o “ensinou a ofertar a Deus tudo: vitórias e derrotas, conquistas e fracassos, alegrias e tristezas, saúde e enfermidade, carne e vísceras, frutos tenros e mirrados, terra fértil e árida, certezas e incertezas, vícios e virtudes, graça e pecado simultaneamente, cada qual respeitando o seu próprio tempo”.

Frei Walas Silva, que foi noviço em 2021, testemunha sua experiência de noviciado. Segundo o frade, o noviciado foi divisor de águas em seu percurso formativo, pois, sanou experiências que colocam em questão seu modo de pensar e viver o modo franciscano de ser. Frei Walas pontua que as conversas pessoais, quinzenalmente ocorridas com o mestre de noviciado, permitiu-lhe enxergar e exercitar o homem interior. Conforme Frei Walas, os diálogos com o formador o fizeram crescer no amadurecimento espiritual e fraterno; tendo como frutos dessas conversas um equilíbrio emocional e afetivo.

O noviciado para Frei Walas foi o período de alargar, mediante as conversas com o formador, a compreensão sobre si mesmo ao passo que é capaz de afirmar; “carrego comigo um ser humano completo que precisa a cada dia ser confrontado, ouvido, as vezes silenciado, esperado, abraçado, visitado. Ter certeza de que temos muito dentro de nós e que precisamos de muito tempo, muita paciência, disciplina, esperança para alcançar a estatura esperada”.

Outro aspecto importante para Frei Walas no noviciado, uma vez que é um frade que gosta de ambiente natural e rural, foi o trabalho na horta. O frade usava esse ambiente de trabalho como meio para se trabalhar e alargar a sua compreensão que nada está separado, mas há uma interligação em tudo. Ou seja, as experiências, por exemplo de oração, ressoam em tudo aquilo que se faz. A ideia de irmão e irmã tão forte no Seráfico Pai na qual Deus é fonte de tudo e de todos.

Frei Walas sintetiza sua experiência de noviciado com as seguintes palavras: “Creio que a palavra que define meu noviciado seja: relação; como me relaciono comigo mesmo, com todas as minhas questões, como me relaciono com Deus, com a fraternidade e com toda a Criação. Acredito que nosso aprimoramento como ser humano passa por uma abertura relacional, saber discernir e aprender a receber o que o outro tem para dá. Saber que não somente eu, mas, o outro é aquilo que ele é e nada mais, aos olhos de Deus”.

Diante de tão belos e profundos testemunhos, somos forçados a concluir que o tempo de noviciado é o momento da experiência de encontro. Com quem? Com Deus-Crucificado que se nos mostra como um límpido espelho revelador, verdadeiramente, de quem somos e de quem Ele é. “Quem és tu, Senhor e quem sou eu?” Encontrando Deus, a realidade mais próxima de nós que nos mesmos, nos encontramos, encontrando-nos, encontramos todos os irmãos na grande busca de tornar o evangelho vida e regra.

 

Frei Beneval Soares Bomfim, OFMConv.

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